
antes de mais nada, entendo por este título a imagem congelada e imóvel, algo entre o estagnado e o petrificado, da nossa escola;
ora na sequência da entrada anterior, a escola tem sido um dos principais (senão mesmo o principal) instrumento de construção social - a par da igreja e do exército, ainda que estes com significativas alterações no decorrer do século XX;
é a escola o principal responsável pela socialização das gentes, pela homogeneização das diferenças, pela horizontalização das relações, pela uniformização de procedimentos, normas e atitudes, pela estandardização dos comportamentos, etc, etc;
é na escola que se iniciam as regras do bom comportamento, da assiduidade, do respeito pelas hierarquias, pelo cumprimento de prazos e objectivos; é na escola que se aprendem comportamentos, que se interiorizam atitudes, que se disseminam valores e concepções (racionais e lógicas) do mundo; é na escola que se aprende a distrinçar o formal e o informal, o correcto do incorrecto, a lógica metodológica e o senso comum;
ora é tudo isto que, nos últimos tempos, particularmente nos últimos 25/30 anos do século passado, está a ser colocado em causa; e é colocado em causa por um dos principais elmentos do sistema, a autoridade de que a escola (e por seu intermédio os professore) esteve, até há pouco, imbuida; fosse pela valorização social, pelo destaque institucional ou, mesmo e por parodoxal que possa parecer, pelo seu papel político;
é esta mutação que não tem sido acautelada por políticos e por políticas, dando oportunidade a que da autoridade linear, vertical, formal e institucional se passasse para uma sensação de libertinagem, vulgaridade e informalidade;
situação que faz com que em sala de aula o docente hoje seja mais um negociador de situações (comportamentos, atitudes e inclusivamente de aprendizagens) do que um transmissor de conhecimentos préformatados;
como é que isto se processa? quais os instrumentos de que o docente se socorre para o fazer, que práticas são utilizadas para esta negociação, que recursos são mobilizados, que actores são chamados e a que nível de intervenção?
questões que procuro inquirir por intermédio de um projecto que, simultaneamente, me apaixona e amedronta;
e para o qual M. Foucault é incontornável;
1 comentário:
Fiquei impressionada com esta tua dissertação.Eu também tenho formação em sociologia e, há muitos anos, tinha uma atracção especial por desenvolver conhecimentos na área da sociologia da educação. É lamentável que actualmente o governo esteja a desvalorizar a classe dos professores porque, ao fazê-lo, está a desautorizá-los perante os alunos e a minimizar a qualidade do ensino.
Bom trabalho de tese e um abraço
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