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quinta-feira, junho 12

final


afinal não sou só eu que me apresto para o final;
Luís Borges dizia que tudo o que era biológico tinha um princípio, meio e um fim; durasse uma hora, um dia, um mês, um ano ou uma vida;
chega ao fim o período Scolari, onde se provou (como nos anos 60 do século passado) que santos da casa não fazem milagres - foi Scolari no futebol, foi Melnychuk no basquete, entre outros);
e não é apenas no desporto que assim é - ou gostamos que seja;

sobre esteriótipos

gostamos de encaixotar ideias, pensamentos, pessoas, situações;
torna-se-nos mais fácil criar compartimentos onde arrumamos as coisas;
se é deste partido é assim; se é deste clube será assim; se tem esta profissão será cozido; se tem este aspecto será isto ou aquilo;
o engraçado é que cada vez mais nos surpreendemos com aquilo que engavetamos num dado compartimento e não encaixa, não cabe ou simplesmente nos surpreende;
isto a propósito de uma coisa tão simples quanto os casamentos de Stº. António; ele quase rasta, ela negra; aparentemente e como se diz por estes meus lados, "ajuntavam-se", mas não, vão casar e pela igreja;

quarta-feira, junho 11

identidade

na visão desta semana um surpreendente ensaio do Prof. José Gil sobre a identidade;
explicaria muita coisa;
mas, atrevo-me, o essencial da crise identitária reside na Europa, por um lado, e na reconfiguração do papel do Estado, por outro, considerando que não foi acautelado na sua missão de criação de uma identidade colectiva;

ausência

pela primeira vez desde que faço a estrada nacional 4/Europa 90 (Lisboa-Elvas) não encontrei um único (repito, um único) camião;
é obra...

entretanto


e entretanto, no meio de crises e constrangimentos, de agruras e dificuldades, distraímo-nos com o Europeu, com a bola;
a contestação será inversamente proporcional aos resultados, quanto melhor o desempenho da selecção, mais fraca será a contestação; andaremos ocupados nos festejos;
e não é apenas por cá...

nas teias


a crise dos combustíveis destaca não apenas a ausência de um Estado europeu, como revela a ineficácia de políticas transnacionais;
se, quando tudo corre bem, ninguém sente a falta de uma União Europeia, quando os tempos de crise apertam nota-se que não existe um Estado, mas interessados, não existe União mas revolta;
e para o ano há eleições europeias... como se reflectirá a coisa...

quinta-feira, junho 5

posição

moção de censura comum e conjunta, no Parlamento e nas ruas de Lisboa;
não acredito e não quero acreditar que os dirigentes do PS continuem a olhar para o lado como se nada fosse e nada se estivesse a passar;

terça-feira, junho 3

contrastes

infelizmente não é apenas por cá que se cavam fossos e acentuam distâncias entre ricos e pobres;
o mundo, fruto de muitas coisas, é cada vez mais um lugar de contrastes, de famintos e obesos, de pobres e ricos, dos que quase tudo têm e daqueles que quase nada têm;

do tgv

parece que por estas bandas ninguém se importa de ficar a pouco mais de meia hora de Lisboa;
o comboio rápido não irá ser a salvação do interior, mas pode ser um prejuízo para o litoral;
por mim, já começo a sentir arrepios de me sentir tão próximo de Lisboa;

segunda-feira, maio 12

circula pela Net, à semelhança de outros exemplos tão ou mais caricatos do que este, um apontamento reflexo de tantas coisas do que não se passa na escola:

A obra dramática de Gil Vicente, vista por um a aluno do ensino secundário

«Eu não tenho dúvidas que o Gil Vicente é muito importante, apesar de nunca ter ganhado o campionato de futebol. É importante porque ás vezes ganha ao Benfica, otras ao Sporting e otras ao Porto, tirando a eles o primeiro logar. E também por isto é que a sua obra é dramática porque é um drama para os benfiquistas, os sportinguistas e os portistas quando ganha.»

Esta foi a a resposta de um aluno do secundário a uma pergunta sobre a obra dramática de Gil Vicente.

sábado, abril 26

sobre Abril


Andar a escrever apontamentos diários e deixar passar a comemoração de Abril, como algo de especial e de particular, seria quase como que uma aleivosia.
Mas tenho pensado sobre o que poderia escrever de modo a dizer, ou escrever, algo que passasse a acrescentar alguma coisa a esta efeméride. Aproveitar este virtual seria sempre uma oportunidade para tal situação. Mas não a considero pertinente o suficiente para fazer dela um apontamento particular. Dizer o que é habitual pouco ou nada acrescentaria à comemoração e nada valeria a um espaço que adopta características que há 34 anos atrás apenas podia residir na imaginação, muito avançada, de um qualquer extraterrestre.
Por outro lado, para aqueles que por aqui passam estou certo que será difícil de acrescentar alguma coisa nova, de diferente, de uma qualquer aparente mais valia a mais um aniversário de Abril, da reconquista da democracia, da conquista da liberdade e do pluralismo.
Reconhecidamente tenho andado a pensar no que escrever nesta altura, numa data que para mim o importante é a simples liberdade de escrita e de pensamento, coisa hoje tão simples e banal que não se valoriza como de especial ou particular. E pode não ser assim, assoberbados que estamos por um pensamento único, oriundo do liberalismo económico como do socialismo governativo, que se fundem numa aparente harmonia ideológica de conivências cúmplices.
Fazer ou procurar escrever uma qualquer estória do que para mim é Abril, seria não apenas uma arrogância, muito própria da minha pessoa, como seria, acima de tudo, uma pretensão desmedida de criar um espaço individual num campo que é marcadamente colectivo.
Pois bem, e então que escrever sobre este dia que, para mim e para a minha pessoa, é tão marcante quanto o dia em que nasci, como o dia em que senti os meus filhos respirar o ar que os circunda?
Muito provavelmente direi viva as banalidade, força as trivialidades, reforço das repetições inconfessáveis, pois é em tudo isso que se insinua a democracia e a liberdade, se institui um modo de ser muito típico de Abril. Deste Abril em que apenas houve um, aquele em que alguém resolveu dizer basta, que escreveu com cravos a palavra fim e sorveu, de um trago só, a palavra democracia.
Nem tudo foi, ou é, perfeito. Nem tudo está acabado. Muito falta por porvir, fruto de um sistema que é feito por pessoas, homens e mulheres imperfeitos mas que fazem as perfeições de uma democracia, de um sistema que permite tudo, o seu princípio e o seu fim, o in e o out de nós mesmos.
Hoje e sempre, cumpre-me comemorar Abril como se fosse único. Mas é todos os dias. É sempre que um Homem quiser.

segunda-feira, abril 21

sobre um meteorito

Já alguém escreveu que o actual PPD/PSD é um devorador de líderes. Não sei se será bem assim, mas que me surpreendeu a demissão de Luís Filipe Menezes, tenho de reconhecer que sim.
Não pelas suas posições pouco consensuais ou pouco típicas de um partido da ala liberal. Nem sequer pela sua aparente bicefalia de uma gestão partidária dividida entre o coração na Assembleia da República e a cabeça algures entre o país e o partido. Como também não fiquei surpreendido por se render às críticas, contundentes e directas, de muitos dos seus correlegionários.
A minha surpresa decorreu mais do facto de se render a uma passagem meteórica e efémera pela política nacional de alguém que há muito, possivelmente desde a saída da referência nacional do PSD, se perspectivava e se posicionava para a liderança. Contra tudo e contra todos. Sucumbir às críticas, render-se às sondagens, padecer perante os números é revelador de alguma fragilidade não apenas ideológica mas, acima de tudo, partidária.
E esta situação, por muito incrível que possa parecer, não favorece o PS nem a democracia. Os vazios tendem sempre a ser ocupados. A política social, como a natureza, tem horror ao vazio e ele será rapidamente ocupado. O risco que se corre, quer em termos de governação quer em termos de democracia, será a tendência de se descair para algumas formas de radicalismo. Radicalismo com base nos discursos, de modo a arrumar posições e a esclarecer situações. Radicalismo de propostas, para se perceberem diferenças e oportunidades. E como já aqui escrevi (18 de Abril) o radicalismo não tem saída nem glória.
Mas os tempos prestam-se a isso. Tempos com dois modos. O tempo do PSD, curto na afirmação de novas lideranças, de outros modos de estar e fazer política. Tempos que serão marcados por uma conquista interna (em função das directas), e de convencimento externo (à procura de eleitores, do seu espaço partidário).
Mas também um tempo parlamentar, de modo a não incluir neste apontamento apenas o PS. Também o CDS olhará com atenção o desenrolar dos acontecimentos. Expectantes ante as eventuais propostas, bem como da tentativa de captar o interesse (e o voto) deste eleitorado que corre o risco, em termos de representação parlamentar, de voltar ao tempo do táxi.
Mas há também aqui um tempo governativo, onde seria importante perceber outras propostas, outros modos e não apenas aqueles que são exclusivos do governo e da governação. Sem este contraponto, sem a existência de alternativas visíveis (política e socialmente) o espaço democrático encolhe-se, enruga-se, seca.
Veremos como decorrerão os próximos tempos e quais as alternativas que surgirão e se não será mais do mesmo.

quinta-feira, abril 17

sobre o presente

será que vale a pena escrever?
será que vale a pena pensar sobre o que se escreve?
ontem (para não esquecer) foi fácil perceber como se pode passar de bestial a besta num ápice, nuns quaisquer 45 minutos de ausência;
hoje, para além dessa ressaca, apercebe-mo-nos que sindicatos e ministério fazem contas de deve e haver para saber quem capitulou ou claudicou perante a moção de consenso;
desconfio que a aritmética dará conta errada, senão no curto prazo pelo menos no médio prazo, onde as situações educativas se agravam e se acentuam distâncias entre quem governa e quem executa;

quarta-feira, abril 9

do gosto

ontem à noite, entre um zapping televisivo e a vontade de ir para a cama, dei com um programa na RTP1 que designo, no mínimo, como insólito;
uma menina a fazer publicidade às pernas (e que pernas) conversava (desculpem lá qualquer coisinha, dizia asneiras e fazia perguntas de envergonhar qualquer loura) a um outro senhor que aparentemente sabia mais da coisa num dedo que ela nas duas pernas;
serviço público servido em hora tardia? ou simplesmente gostos duvidosos à hora de deitar?
vá-se lá saber do gosto...

quinta-feira, março 13

do período

este final de período mais parece um período misto entre menstrual e intelectual, podendo dar qualquer coisa como mentual;
não existe pois não?, nem é preciso; sentem-se os incómodos de um, as perturbações de outro, as apreensões de um, os constrangimentos de outro, o cansaço de um e as indisponibilidades de outro;
decisivamente, os tempos não são de construção, são de espera, de purga, de não sei o quê que levará a não sei onde;
alguém saberá? alguém perspectivará onde podemos sair? o que encontraremos neste final?
os sindicatos, mesmos esses, sempre tão organizadinhos na sua estrutura celular, estão sem argumentos que permitam avivar os ânimos e arregimentar os outros? ou alguém pensa fazer mais do mesmo sem o apoio dos outros?
que outros? esses mesmos, não os da opinião publicada (deixai-os falar, bradar) mas da restante população que ainda não percebe para onde vai (ou por onde anda) a escola pública;
afinal é o fim do período...

das dúvidas

nos tempos que correm, dos acontecimentos que decorrem, das circunstâncias que passam, fico na dúvida se não escrevo por causa do cansaço se apenas por fuga à banalidade do lugar comum, à vulgaridade das ideias feitas, se simplesmente para não dizer/escrever asneira;
os tempos que correm, na área da educação mas não só, prestam-se a tudo e a nada, o que torna difícil escrever fora de paixões e emoções;
os tempos que correm vivem mais das emoções (não sei se serão paixões) do que de uma qualquer racionalidade (com ou sem lógica);

terça-feira, março 4

da vontade

ando cansado, sem vontade de escrever e receoso do que possa escrever;
os tempos são de radicalismo, de descontentamento, de flagelo;
ele há coisas que não me passariam pela cabeça acontecer nestes tempos, menos ainda, reconheço e assumo, assentes em governação socialista;
por onde caminharemos, para onde iremos, onde iremos desaguar nestes tempos?

quarta-feira, fevereiro 20

das soluções

para quem não sabe até as soluções são problema;
para quem não quer, remoer soluções pode ser um problema;
ele há coisas que é difícil identificar e mais difícil de perceber - pelo menos para a minha pessoa;

segunda-feira, fevereiro 18

das dificuldades

ele há coisas em que os factos são incontornáveis;
a qualidade de vida alentejana não é compaginável com trovoadas;
sempre que há trovoada lá se vai a luz, as oscilações são constantes e os riscos dos equipamentos se danificarem enormes;
é a qualidade destas bandas

sexta-feira, fevereiro 15

zangado, azedo, farto

há quem diga que ando zangado, que esteja azedo ou simplesmente farto;
direi que estou tudo isso e nada disso;
estou zangado com os deuses que me fazem andar por estes mares sempre navegados;
azedo com os ares e farto das incompetências...