escrever apontamentos, mesmo que do nada, diariamente é obra;
de quando em vez procuro e não encontro um tema sobre o qual me apeteça escrever;
espero, sentado, a ver se aparece alguma coisa;
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sábado, junho 7
segunda-feira, abril 21
sobre mim mesmo
não me apetece escrever;
estou cansado desta escrita;
reconheço a monotonia de mim mesmo, da escrita que eu produzo;
por isso mesmo, durante alguns apontamentos, replico para este espaço os escritos diários do Notícias Alentejo;
afinal, questões de facilitismo e comodismo, muito típicas de um alentejano como eu;
estou cansado desta escrita;
reconheço a monotonia de mim mesmo, da escrita que eu produzo;
por isso mesmo, durante alguns apontamentos, replico para este espaço os escritos diários do Notícias Alentejo;
afinal, questões de facilitismo e comodismo, muito típicas de um alentejano como eu;
sexta-feira, fevereiro 29
da regulação
No meio da confusão instalada um aspecto que me parece essencial no estado da educação,.
A escola tem assumido, directa ou indirectamente, de forma clara ou subliminar, um estatuto essencial no contexto da regulação social.
Por intermédio da escola procurou-se a uniformização social (uma sociedade igualitária), a integração pessoal (de acordo com uma dada conformidade institucional), a homogeneização cultural (em face da língua e dos modos de estar social), como uma certa harmonização política (em face de um dado modelo de sociedade). Também por intermédio da escola se construíram e perspectivaram estatutos e papéis sociais, de mobilidade ou de empregabilidade, de ressarcimento económico.
Neste contexto, a acção social da escola sempre se pautou por alguma selectividade social, quando não mesmo darwinismo social (a defesa do mérito, do esforço, do reconhecimento que nem todos podem ou têm competência para ser isto ou aquilo – ideia que quase se naturalizou no nosso imaginário social). Fruto desta visão, as taxas de insucesso, abandono ou absentismo eram consideradas quase que “naturais”. Era “natural” um aluno com dificuldades de aprendizagem (não interessa a causa ou o seu enquadramento) ficar para trás ou mesmo deixar a escola.
Fruto desta visão, ainda muito arreigada a lógicas oriundas do Estado Novo e consolidadas com a democracia de Abril, o trabalho ali desenvolvido era, por assim dizer, natural. Uns ensinavam e quem queria – por interesse, motivação, contexto social, económico e familiar – aprendia e, senão aprendia, a responsabilidade era do aluno, uma vez que o ensino era igual para todos.
Ora é este mecanismo de regulação social que agora sente a passagem de uma escola analógica para uma escola digital que se manifesta como raiz primeira do mau estar educativo nacional, na contestação à política educativa.
Não discuto as medidas de política (algumas, desculpem-me lá qualquer coisinha, perfeitamente compreensíveis no confrontar do modelo de escola que descrevi sumariamente). Discuto o facto de não se ter acautelado a criação de pontes entre a escola analógica e a escola digital, entre a consideração da escola enquanto elemento fundamental de regulação social e a gestão educativa por objectivos. O que contesto é a passagem curta, grossa e algo despropositada de uma escola das competências pessoais e profissionais para a escola neoliberal dos objectivos, dos resultados, dos produtos sem se terem criados mecanismos de transição – formação, tempo, por exemplo.
A substituição de lógicas de regulação tem e deve ser acautelada. E não foi. Nem na 5º de Outubro, em Lisboa, nem na Rua Ferragial do Poço Novo, em Évora, com as consequências por demais conhecidas. E é pena.
A escola tem assumido, directa ou indirectamente, de forma clara ou subliminar, um estatuto essencial no contexto da regulação social.
Por intermédio da escola procurou-se a uniformização social (uma sociedade igualitária), a integração pessoal (de acordo com uma dada conformidade institucional), a homogeneização cultural (em face da língua e dos modos de estar social), como uma certa harmonização política (em face de um dado modelo de sociedade). Também por intermédio da escola se construíram e perspectivaram estatutos e papéis sociais, de mobilidade ou de empregabilidade, de ressarcimento económico.
Neste contexto, a acção social da escola sempre se pautou por alguma selectividade social, quando não mesmo darwinismo social (a defesa do mérito, do esforço, do reconhecimento que nem todos podem ou têm competência para ser isto ou aquilo – ideia que quase se naturalizou no nosso imaginário social). Fruto desta visão, as taxas de insucesso, abandono ou absentismo eram consideradas quase que “naturais”. Era “natural” um aluno com dificuldades de aprendizagem (não interessa a causa ou o seu enquadramento) ficar para trás ou mesmo deixar a escola.
Fruto desta visão, ainda muito arreigada a lógicas oriundas do Estado Novo e consolidadas com a democracia de Abril, o trabalho ali desenvolvido era, por assim dizer, natural. Uns ensinavam e quem queria – por interesse, motivação, contexto social, económico e familiar – aprendia e, senão aprendia, a responsabilidade era do aluno, uma vez que o ensino era igual para todos.
Ora é este mecanismo de regulação social que agora sente a passagem de uma escola analógica para uma escola digital que se manifesta como raiz primeira do mau estar educativo nacional, na contestação à política educativa.
Não discuto as medidas de política (algumas, desculpem-me lá qualquer coisinha, perfeitamente compreensíveis no confrontar do modelo de escola que descrevi sumariamente). Discuto o facto de não se ter acautelado a criação de pontes entre a escola analógica e a escola digital, entre a consideração da escola enquanto elemento fundamental de regulação social e a gestão educativa por objectivos. O que contesto é a passagem curta, grossa e algo despropositada de uma escola das competências pessoais e profissionais para a escola neoliberal dos objectivos, dos resultados, dos produtos sem se terem criados mecanismos de transição – formação, tempo, por exemplo.
A substituição de lógicas de regulação tem e deve ser acautelada. E não foi. Nem na 5º de Outubro, em Lisboa, nem na Rua Ferragial do Poço Novo, em Évora, com as consequências por demais conhecidas. E é pena.
sexta-feira, fevereiro 1
dos apontamentos
Há dias tive oportunidade de encontrar um artigo onde se dava conta que a biblioteca britânica tinha encomendado um estudo sobre os cientistas do futuro, os futuros utilizadores dos seus recursos e que designou como geração google.
O estudo visa a adaptação dos meios, recursos e condições da biblioteca àquelas que serão as solicitações, necessidades e interesses de uma geração que nasceu depois de 1995.
Geração esta que cresceu a pensar que a Internet sempre existiu, que a velocidade das ligações só pode é crescer, que o clique num qualquer botão ou link deve ter uma resposta instantânea, que esperar é uma maçada, que as pedras da calçada deveriam ter botões de configuração entre muitas outras coisas. É uma geração que não sentiu a passagem do hipertexto para o youtube e menos se apercebeu da passagem do simples e prolixo html para o dinâmico xtml, dando oportunidade a que blogues, primeiro passivos depois dinâmicos ou os hi5 se afirmassem e se desenvolvessem. Afinal, afirmam, assim é que as coisas deveriam ter sido sempre.
Quem tem filhos dentro desta faixa etária, quem frequenta os locais desta geração, sejam as escolas ou os espaços Internet, tem facilidade de perceber a diferença de modos, os tiques típicos, a linguagem comum, os trejeitos específicos e todo um conjunto de sinais que identificam de modo muito claro esta geração.
Diferentes situações se colocam, quando pensamos e nos confrontamos com esta geração.
Primeiro e de modo mais fácil e directo, a questão em redor do valores, das atitudes e dos comportamentos que caracteriza esta geração, sempre preocupados que estamos com a conformidade social.
Como será licito perguntarmo-nos, à semelhança da biblioteca, se nos estamos a preparar para dar respostas a esta geração. Respostas que decorrerão de outras perguntas, de perguntas que muito provavelmente nós ainda não colocámos ou se o fizemos foram feitas de acordo com outras lógicas e uma outra perspectiva. Se os instrumentos que hoje utilizamos para definir algumas das conformidades necessárias à vivência social, serão efectivamente adequadas a esta geração, se irão ao encontro dos seus interesses e das suas motivações ou se, pelo contrário, estaremos a desperdiçar tempo e energias e a formar longe dos objectivos pretendidos.
Factor determinante e que não nos pode sossegar, é que esta geração depende da escola, mas apenas numa específica e curta porção do seu tempo. Ao contrário do meu tempo, em que a escola me consumia praticamente todo o tempo de aprendizagem e do conhecimento, hoje é apenas uma mera fatia desse tempo. A escola é importante, é sim senhor, como é importante o papel e a acção do professor. Mas não é nem única e muito menos exclusiva.
O estudo visa a adaptação dos meios, recursos e condições da biblioteca àquelas que serão as solicitações, necessidades e interesses de uma geração que nasceu depois de 1995.
Geração esta que cresceu a pensar que a Internet sempre existiu, que a velocidade das ligações só pode é crescer, que o clique num qualquer botão ou link deve ter uma resposta instantânea, que esperar é uma maçada, que as pedras da calçada deveriam ter botões de configuração entre muitas outras coisas. É uma geração que não sentiu a passagem do hipertexto para o youtube e menos se apercebeu da passagem do simples e prolixo html para o dinâmico xtml, dando oportunidade a que blogues, primeiro passivos depois dinâmicos ou os hi5 se afirmassem e se desenvolvessem. Afinal, afirmam, assim é que as coisas deveriam ter sido sempre.
Quem tem filhos dentro desta faixa etária, quem frequenta os locais desta geração, sejam as escolas ou os espaços Internet, tem facilidade de perceber a diferença de modos, os tiques típicos, a linguagem comum, os trejeitos específicos e todo um conjunto de sinais que identificam de modo muito claro esta geração.
Diferentes situações se colocam, quando pensamos e nos confrontamos com esta geração.
Primeiro e de modo mais fácil e directo, a questão em redor do valores, das atitudes e dos comportamentos que caracteriza esta geração, sempre preocupados que estamos com a conformidade social.
Como será licito perguntarmo-nos, à semelhança da biblioteca, se nos estamos a preparar para dar respostas a esta geração. Respostas que decorrerão de outras perguntas, de perguntas que muito provavelmente nós ainda não colocámos ou se o fizemos foram feitas de acordo com outras lógicas e uma outra perspectiva. Se os instrumentos que hoje utilizamos para definir algumas das conformidades necessárias à vivência social, serão efectivamente adequadas a esta geração, se irão ao encontro dos seus interesses e das suas motivações ou se, pelo contrário, estaremos a desperdiçar tempo e energias e a formar longe dos objectivos pretendidos.
Factor determinante e que não nos pode sossegar, é que esta geração depende da escola, mas apenas numa específica e curta porção do seu tempo. Ao contrário do meu tempo, em que a escola me consumia praticamente todo o tempo de aprendizagem e do conhecimento, hoje é apenas uma mera fatia desse tempo. A escola é importante, é sim senhor, como é importante o papel e a acção do professor. Mas não é nem única e muito menos exclusiva.
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