Mas desculpem-me lá perguntar:
será que a (co)relação de forças seria diferente se os pais soubessem eprovavelmente sou eu que estou desfocado neste meu olhar.
opinassem em face dos desentendimentos entre um órgão de gestão e uma direcção
regional?
será que a comunidade que é servida pela escola não será merecedora de
perceber e conhecer os problemas e as situações com que uma escola e em concreto
um órgão de gestão se depara na gestão da escola?
será que a escola não deve participar, prestar contas à comunidade que
serve, aos pais e alunos que atende, em face do seu modo de funcionamento, à
articulação de sectores, aos projectos existentes ou extintos?
2 comentários:
Devia ser! mas acho que estás sózinho nesse teu olhar da escola. Arte por um Canudo.
Ora se me permite, não consigo evitar um bom debate. Não me parece que esteja fatalmente isolado como diz o 1º comentário ao post. Mas a questão que coloca deve, em meu entender, ser precedida de algumas constatações:
(1) as escolas são comunidade fechadas [por muito que se faça ainda hoje o discurso gasto da relação da escola com o meio] e geralmente não comunicam entre si, nem de acordo com uma lógica geográfica nem por uma lógica de afinidade cultural;
(2) as escolas são comunidades sem massa crítica suficiente para grandes debates que evitem desagradáveis confrontos de pessoas, quando aquilo que se quer discutir são ideias e concepções;
(3) as escolas não têm, por isso, aquilo que noutro contexto mais amplo se chama "sociedade civil" - tudo é fulanizado. Protestar contra uma medida ou uma concepção da gestão significa "estar contra o orgão de gestão";
(4) nas nossas escolas não há, do que conheço, uma cultura de debate de ideias e de concepções nem o gosto do contraditório [peço desculpa mas esta palavra não foi inventada há dois meses e eu já a uso há muito em contexto escolar] - não há, por exemplo, nem mecanismos nem canais usuais de manifestação de opiniões e de divergências quanto às grandes linhas da gestão;
(5) as rotinas escolares são pouco flexíveis e não permitem partilhar a informação que a gestão naturalmente gera;
(6) a gestão democrática é uma forma de dizer, porque não há democracia sem partilha de informação e sem uma gestão pública dos diferendos e dos conflitos [exceptuando aqueles que envolvem alunos e questões de índole profissional];
(7) os executivos não prestam contas nem regularmente nem no final do seu mandato - não aos professores, bem entendido, mas à comunidade escolar em primeiro lugar e educativa, em termos mais gerais;
A sua análise parte, no entanto, de um pressuposto, ou no mínimo silencia uma realidade: a de que a própria comunidade escolar - os professores, os alunos, os funcionários - muito frequentemente não têm a informação gerada pela gestão, não tomam conhecimento dos diferendos, que são tratados como segredos de estado, não têm forma de participar, nem pela opinião, em muitos dos assuntos da escola.
Posto isto, que não são propriamente axiomas, mas reflexões e constatações da minha vida na escola, devo dizer que concordo com a resposta implícita na sua série de perguntas. Claro que a escola, a gestão, que a representa, tem a obrigação de falar para fora, nomeadamente para os encarregados de educação.
Eu lamento muito se choco alguém, nas se numa escola existem divergências profundas entre dois orgãos - por exemplo o CE e a AE - silenciar isso a nível interno e externo, é uma atitude profundamente medíocre. Quando esta cultura, que não é tanto do medo, mas da indiferença cívica, for ultrapassada, então sim poderemos falar de verdadeiras comunidades escolares.
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