terça-feira, outubro 19

aprender

Nas escolas por onde tenho andado, mas não só, tenho recolhido uma impressão, um dado sentimento de estar na profissão. E há um intervalo profissional, que se aproxima também de um intervalo etário, onde nos questionamos sobre as opções, onde levantamos dúvidas sobre o que fazemos, onde, mais sinteticamente, entramos na adolescência profissional e enfrentamos medos e ângustias, sentimos amores e rancores.
Não sabemos se estamos na profissão certa, se estamos a trabalhar bem ou mal, que o sistema é injusto, embrutecido e ilógico, que nos cansamos injustificadamente, que estamos desorientados e que nada existe que sirva de linha de rumo, de estrela caminhante.
É no conforto e no confronto de opiniões e ideias, de pontos de vistas e de histórias, de amizades e cumplicidades, de livros e de leituras, de conversas e de navegações que ultrapassamos tudo isso, que nos fechamos na nossa sala de aula, que nos isolamos do mundo, que nos refugiamos do sistema, que nos protegemos das agressões e incompreensões, que descansamos de nós mesmos e ganhamos ânimos e vontades de mergulhar.
O importante neste balanço é descobrir que o questionar mantém o seu sentido e a sua utilidade desde que para melhoramos uma prática, que as dores de crescimento são boas pois estamos a crescer, que apoiamos quem nos procura, que somos melhores profissionais, que pensamos aquilo que fazemos.
A isto chama-se aprender. Na profissão docente é à nossa custa que se processa (se feliz se infelizmente, isso é outra conversa).

1 comentário:

Sofia disse...

Depois respondo-te. Hoje já é tarde. De qualquer forma, obrigada.