sexta-feira, outubro 22

geografia

os comentários deixados no silêncio são de tal modo ruidores que permitem construir um outro mapa de interpetação da escola.
As relações políticas, e aqui deixo de lado se elas são micro, meso ou macro, são um dos elementos estruturantes e estruturadores não apenas da sala de professores, mas é um dos locais onde melhor se conseguem perceber as relações e onde melhor se pode ler o mapa geopolítico, mas de todo o espaço escolar.
As conexões políticas, não apenas da escola mas de um qualquer espaço socialmente organizado, definem todo um conjunto de laços, relações, intercâmbios, permutas, poderes e simbolos de autoridade que, cada qual a seu modo, estruturam um mapa de ocupação de espaços, tempos, horários, turmas... e poder.
Acabar com um qualquer espaço de visibilização deste mapeamento político e social implica que ele apenas se deslocalize e, para quem assim o entenda, seja mais complexo o seu controlo. Daí, na generalidade dos casos, a sala de professores esteja muito próxima do órgão de gestão. Daí que, na generalidade dos casos, o órgão de gestão procure acompanhar o pulsar da sala de professores.
O problema, no meu entender, é que os professores se têm desvinculado, o mais das vezes, deste mapa de interesses sociais e políticos e que estruturam um dado sentido organizacional. Até quando é a questão.

1 comentário:

José Gustavo Teixeira disse...

"Daí, na generalidade dos casos, a sala de professores esteja muito próxima do órgão de gestão."

Tenho uma opinião diferente e sobretudo, uma percepção claramente contrária à sua. Quase sempre, pelas escolas em que passei, encontrei na sala de professores uma espécie de sociedade civil incipiente, por vezes uma vox populi da escola. Já vivi situações em que a sala de professores era mesmo abertamente adversa aos orgãos de gestão. Claro que a alteração da topologia implica uma nova concepção dos alinhamentos, mas eu até acharia isso favorável. Na minha experiência a sala de professores é um lugar árido e pouco estimulante do ponto de vista intelectual e quase irrelevante do ponto de vista pedagógico. Gostaria de experimentar outros arranjos menos convivenciais. A sala de professores não substitui - e talvez até obstaculize - a existência de espaços diferenciados de trabalho que facilitassem a radicação do professor no espaço escolar e potenciassem o trabalho em equipa. Não sei se me explico.