quarta-feira, novembro 1
curiosidades
chego ao meu cantinho, abro o correio electrónico, coisa que não fazia desde o fim-de-semana e dou com, qualquer coisa, como 75 mensagens;
irra;
comentários
uma mais comedidas que outras, umas mais espontâneas que outras, e outras ainda mais surpreendentes que outras;
afinal, até parece que ganhei estatuto de maioridade; será?
segunda-feira, outubro 30
disciplina
o livro que antes referenciei ("A escola em Portugal") reforça-me essa ideia (tese) tendo em conta que é a partir da escola (da sua organização, do seu funcionamento, do seu regulamento relacional, das posições relativas e absolutas de cada interveniente) que se produz o cidadão mais participativo ou mais acomodado, mais autónomo ou mais dependente, mais crítico ou reflexivo, mais instrumental ou mais cognitivo;
a escola, com toda a sua naturalização de atitudes e comportamentos, acaba por moldar, por intermédio da disciplina escolar (das regras e da ordem pedagógica) um dado sentido à modernidade de um país que acordou tarde (mas acordou) para a contemporaneidade;
a escola
deveras interessante onde, a partir de um olhar sociológico, se perspectiva a construção e o contributo da escola nessa modernidade (que designam por tardia) do Portugal contemporâneo;
ultrapassado
domingo, outubro 29
Miguel
que raio aconteceu ao teu cantinho?
fiquei surpreendido quando lá chego e dou com a porta fechada;
diz qualquer coisa que já sinto a falta;
da casca
consequências? muitas e diversificadas; a curto prazo algum isolamento, como, provavelmente, algum reconhecimento face à temeridade; a médio prazo, algum ostracismo, alguma indiferença e certamente que uma clara tentativa de fechar portas, estancar oportunidades, condicionar futuros; a longo prazo, a certeza de duas hipóteses, ou me fico pelo condicionamento que me irão tentar calar ou me faço à vida e apresento alternativas;
mas é um sair da casca, deixar as meias tintas de um comentário redondo que rebola sempre para o mesmo lado, o plano está marcadamente inclinado;
como diria a minha mãe, o futuro a Deus pertence, mas é mais meu que dos outros, pois sou mais novo que os outros e desta não escapam;
terça-feira, outubro 24
modas
refere-se à incorporação nos discursos nacionais de diferentes sectores de conceitos oriundos da União Europeia e que, por dá cá aquela palha e por que um sound bite fica sempre bem, vá de se utilizarem;
refiro-me aos conceitos de, nomeadamente, políticas públicas, de governação e de acção pública.
agora até este meu serviço de juventude, se dá ao luxo de definir o que é governação; para além da definição, saberão eles o que é, o que implica, o que traz consigo em termos organizacionais e políticos?
dúvido;
do barulho
mas há algo que falha nestas análises; elas assentam em redes em que é manifestamente impossível silenciar a crítica e a participação como é esta blogosfera;
em tempos idos aceitava-se que um telejornal manipulasse uma notícia, que uma manchete criasse um caso; isto é, aceitava-se, de bom ou mau tom, que um profissional não era lá muito profissional ao aceitar deixar-se condicionar por isto ou por aquilo, ou que uma linha editorial fosse pacificamente aceite por tudo e por todos; aceitava-se, ao fim e ao cabo, algum déficite de crítica e de participação;
hoje, por muitas televisões que existam, por muitos serviços noticiosos que se promovam, por muitas centrais de informação ou de divulgação que se criem é difícil silenciar o tom crítico e manifestamente de participação social e política que a blogosfera criou, que o mundo partilhado das tecnologias colocou ao nosso alcance;
hoje não nos ficamos por uma qualquer trafolhice manipuladora; hoje um diz preto e há mil a dizerem branco; hoje as coisas vão mais fundo, mais no subliminar da comunicação, na indução de comportamentos ou atitudes;
calar a crítica e a participação é impossível; o desejável é tornar estes meios mais democráticos; e isso fará toda a diferença no julgamento de uma medida de política ou na acção pública de um governo; e não há spam que resista;
das palmas
Falaram uns e bateram-se palmas, falaram outros e bateram-se palmas;
falou a senhora que representava o Ministério da Educação e foi algo surreal, uma batida aqui, outra ali, um bater de palmas entre o envergonhado e o contido; entre a representação social e a recriminação política;
reflexos dos tempos que se correm;
sábado, outubro 21
da política
optei por não falar, tendo em conta que a conversa ia adiantada quando pensei em fazê-lo;
mas estou certo que nem todos estamos no mesmo filme, nem todos estamos conscientes dos mesmos cenários;
não tenho dúvidas que reconheço neste PS a capacidade de reformar e mudar Portugal; como lhe reconheço, em face de determinados actores, toques de algum autismo;
estar conivente com o poder e com a governação, como eu estou e assumo, não significa ignorar o que se passa à nossa volta, nem fingir que nada se passa;
a capacidade de incorporar a crítica, de interiorizar os comentários menos bons, de enfrentar os ventos agrestes tem sido, há muito, uma das particularidades do PS; ignorá-las agora, fingir que o descontentamento é particular e sectorial é ignorar a dimensão social de um partido perante o qual me reconheço;
mas partidos e pessoas nem sempre são as mesmas coisas;
2007 irá ser um ano determinante, como o são todos os anos de reviravolta, de alteração conjuntural; como se irá enfrentar o ano? qual a estratégia social de enfrentamento? não basta o voluntarismo, não chegará a militância? há necessidade de mais, de muito mais;
e foi hoje
sem receio da sua passagem, com gosto pelo passar dos dias e dos tempos, fiz hoje 43 anos;
diferenças? amanhã direi;
a melhor prenda? o blogue do filho;
quinta-feira, outubro 19
o mundo do local
em tempos de reestruturação da administração pública, em períodos de turbulência e perturbação do status, é ve-los cabanindo a caminho de Lisboa a procurar salvaguardar o seu cantinho no espaço da fotografia, a colocarem-se em bicos de pés para que a partir da sua altura possam ser avistados;
se Eça ou Júlio Dinis cá andassem muito teriam para escrever desta pequena burguesia funcional de província que, com a sua falta de formação e os claros usos ultrapassados, se procura afirmar no meio do barulho das luzes;
enfim, o mundo no local,
greve
primeiro para dizer que provavelmente se estivesse na escola também teria feito greve; não concordo com o carácter assumidamente de proletarização da função docente, nem com a vertende de funcionalização que lhe querem imprimir;
segundo, a importância que a escola faz na estrutura das famílias e os consequentes desarranjos que provoca quando ela falta. É uma daquelas coisas que de tão natural que se tornou só sentimos a sua importância e o seu sentido determinante nas nossas vidas quando falta, ou quando já lá não estamos; [em bom português, para seres bom morre ou vai-te];
terceiro e último apontamento, ninguém fica bem visto nesta greve, os professores porque não souberam colocar as suas questões e foram manifestamente instrumentalizados; os sindicados que apenas procuram salvaguardar um lado da questão, obviamente aquele que mais lhes convem; o ministério que persiste e insiste em olhar para o lado e fingir que nada se passa no sistema educativo português; a senhora ministra que persiste e insiste em dizer que quem sabe é ela e mais ninguém e em fazer ouvidos moucos a quem a avisa; o primeiro ministro que de uma assumida posição de discussão, insiste em confiar em quem não tem a confiança do povo;
algo não vai bem na pátria de Camões;
escrita
mas já escrevi; 30 páginas cheias de muito lugar comum, alguma ambição e muita vontade de ver crescer um projecto. Assim ele seja coerente, consistente e credível junto de quem de direito.
segunda-feira, outubro 16
hino
ligo o rádio na Antena 2 e dou com o hino à alegria, no âmbito dos concertos promenade a partir da Casa da Música, do Porto;
um hino; qualquer coisa de transcendente; um som que me faz sentir ínfimo, ainda por cima quando tenho consciência (nem sei como) que Bethovan estava surdo quando a escreveu e eu, aqui, cego de ver a tentar escrever;
domingo, outubro 15
escrita
faço quase tudo menos escrever onde devo e sobre o que devo;
vejo as notícias, consulto correio, navego em blogues, escrevo ideias soltas e, coisas sérias, nada;
começo a ter consciência que o incosciente me arrasta para a negação de um projecto, vá-se lá saber o porquê?
sinto que escrevo banalidades, vulgaridades, lugares comuns; ainda que tenha a clara percepção do que quero e como quero, não consigo construir os conceitos, o edifício que poderá suportar a escrita, argumentos e sentidos;
a pairar
vamos ver o quanto dura este sol;
sexta-feira, outubro 13
escrita
neste cruzamento de ideias, onde se encontram personagens e ideias, sentimentos e estados de espírito, fico com a sensação que me apetece fazer amor, mas que me incomoda o amor que me apetece fazer;
desnecessário
entre uma e outra das razões, ambas são traço essencial no meu ser socialista;
atrás
pessoalmente gosto de ir lá atrás, num ou noutro blogue, naqueles em que escrevi ou escrevo, e procurar - vá-se lá saber o porquê e o para quê - eventuais comparações com os dias e os meses passados;
como escrevo desde 2003 há registo, quase intectos desde esse ano - e já lá vão três;
no primeiro, crónicas do deserto, Outubro de 2003 foi passado entre as coisas da escola, o contexto profissional de então, comentários à câmara municipal e abordagens políticas gerais;
diferenças com o hoje? o contexto profissional e a referência de ter deixado de escrever tanto sobre a câmara ou sobre a cidade;
e este dia foi uma 2ª feira;
em 2004 foi uma 4ª e as referências predominantes são em torno da saúde da sogra e da governação política de então;
em 2005 não escrevi, fruto de alterações de rumo e da necessidade de readaptação a ritmos novos;
mas o essencial é encontrar duas ou três notas neste voltar atrás; a permanência das preocupações, dos temas centrais da minha [será nossa?] escrita; a corência de referências e a evolução (mais de consolidação) do pensamento e da própria escrita;
não deixa de ser interessante;
quinta-feira, outubro 12
bifana
vá-se lá saber porquê a esposa desafiou; desafio aceite lá fomos;
a estação do comboios está no mesmo sítio, mas alvo de tratamentos de beleza significativos - desde os lifting, os botoxes, os puxa dali e esfrega dali - que preveiem a chegada do intercidades - finalmente, no final de 2006, o intercidade vai chegar à cidade [faço votos para que lá estejam a banda, os cortejos, as majouretes e coisas que tal, pois será, sem margem para dúvidas, um dia de festa;
também lá estavam as tabelas de horários, agora com outras cores, mas com os mesmos pormenores de preciocismo recambolesco - uma partida às 16h51, uma chegada às 20h02; nunca percebi este rigor, nunca percebi a coerência de persistir na incoerência entre o dito e o feito;
a bifana, era disso que se falava, com alho em excesso - que ainda agora me moi, mas concorrente aceitável às de Vendas Novas;
quarta-feira, outubro 11
frentes
entre o zapping daqui e dali optei por estacionar naquele que áquela hora menos me desagrada, a sic notícias;
e, no meio de argumentos, de ideias, de opiniões deparei com um facto óbivo;
este governo criou demasiadas frentes de batalha e de uma só vez; optou pela acção profunda, drástica perante tudo e perante quase todos;
da educação à saúde, da segurança social às finanças, passando pelo ambiente, justiça, etc., etc., é de tudo um pouco;
existirão condições (quer políticas, quer sociais) para enfrentarmos tudo de uma só vez?
como estaremos e como ficaremos quando esta trovoada acalmar (se acalmar, claro)?
terça-feira, outubro 10
das presenças
por falta manifesta dessa preocupação, escrevo sobre tudo e para nada, troco confidências comigo mesmo (diria que com os meus botões, mas ficaria melhor dizer com o teclado que me enfrenta), exponho-me e exponho pensamentos;
no meio de toda esta abertura - expositiva é óbvio - que fica sempre algo obscurecido - ao iluminar-se um objecto criam-se sombras do e no próprio objecto;
mas fico, reconheço e assumo, surpreendido quando dou conta que há amigo(a)s e conhecidos, passantes e curiosos que por aqui se cruzam e deixam a sua marca, fazem as suas referências.
nesta do balanço foi uma delas;
não li um comentário, não é hoje o dia; está próximo, mas falta pouco mais de uma semana para o efeito;
a seu tempo;
de tudo e de nada
é um diário agora colectivo, partilhado, aberto, público, exposto.
Não tive um diário, mas tive, como tenho ainda hoje, um suporte onde guardo ideias, pensamentos, lembranças, situações, pessoas, emoções...
era pessoal, confidencial, intransmissível.
Agora expõe-se o pensamento e um modo de ser, torna-se público o que é [deveria ser]privado. Somos nós no meio dos outros, com os outros, para os outros;
até que ponto esta perda de introspectividade individual se repercute na dimensão colectiva de nós mesmos?
saudades do futuro
inevitavelmente entro em ritmo de balanço, de um deve e de um haver pessoal com a vida e com o quotidiano;
tem sido, por razões variadíssimas, um ano difícil, complicado, rápido (demasiadamente rápido), exigente;
que se reflete num estado de espírito, no questionar capacidades, condições, possiblidades e disponibilidades - para tudo, sobre tudo, desde um projecto de doutoramento que questiono, uma situação de chefia que levanta dúvidas, a um ritmo de vida que interrogo;
afinal e mais não é que saudades do futuro;
domingo, outubro 8
a escolinha
a sic passou um apontamento deveras interessante da história e das estórias que rodeiam aquilo que designaram como a primeira escola.
o mundo da monodocência, do ensino individual do professor, as solidões que se enfrentam, os fantasmas que se constroem, as inseguranças que se definem;
e não é apenas no 1º ciclo, sobe por aí cima e atravessa tudo e todos, seja pela formação que nunca se teve, seja pela segurança da rotina, seja pela racionalização dos programas e dos exames, seja pelo que for, o certo é que a profissão de professor é cada vez mais isolada, num mundo que é cada vez mais compartilhável.
não faz sentido persistir e insistir naquilo que alguns designam com as "invariâncias da escola portuguesa", manutenção de métodos e hábitos, persistência de práticas e de organização, desajustamento entre sentido individual e sentidos colectivos.
3ª feira
por um lado, porque me permite aproximar um pouco mais daquilo que pode ser o meu objecto de estudo (e este tem sido manifestamente, um trabalho por aproximações - e recuos);
por outro, porque é um enorme privilégio as companhias e as cumplicidades que se criaram entre aquele grupo, umas mais que outras, outras com maiores níveis de cumplicidade, mas nada que não seja anormal, e perceber o nível de concretização dos diferentes objectos de estudo;
uma conclusão, o caril de gambas do jantar fez-me companhia durante a semana;
domingo, outubro 1
ideias
e de um argumento, os discursos legitimadores da reformulação e reconfiguração local das políticas de disciplina escolar;
isto é [e este é um espaço de catarse e de pretensa simplificação do caso], discutir a ideia de disciplina escolar leva em consideração uma ideia de escola e de educação, definindo o lugar de cada interveniente (na maioria das situações, dos casos problemáticos, daqueles que levantam confusão na sala de aula, as minorias, as franjas de um sistema) onde se prefigura se a escola serve para a tolerância, para a promoção da diferença, para a integração de minorias ou do outros ou se, pelo contrário, serve para acentuar as diferenças, promover as desiguladades, reforçar as descriminações (de género, credo, raça, étnia...);
partindo da consideração da legislação sobre a disciplina escolar (manifestamente estável ao longo da democracia, três diplomas apenas, 769/76, 290/98 e 30/2002) perceber qual a reconfiguração efectuada localmente, em função de que valores, assente em que ideias, com que finalidades e ideologias subjacentes;
perceptível?
senão for estou feito, 3ª vou tentar vender a ideia, perceber se é enquadrada na temática e numa problemática, se tem ou não pernas para andar; a ver vamos;
[abertura a mais, quando se exigeria a confidencialidade?, ná, falta o quadro de análise pelo qual pretendo esmiuçar a questão, e que permite a individualização - trabalhos sobre a (in)disciplina há muitos, o quadro de análise permite individualizar questões e definir percursos mais pessoais].
da semana
atribulada por dois mails que se cruzaram connosco, um no princípio e outro no final da semana - o primeiro por questões de saúde do parceiro de uma colega; outro por questões da precariedade profissional de uma outra;
entre um e outro é um enlevo perceber como pessoas tão diferentes, com percursos tão diferenciados, com motivações manifestamente diferentes, com sensibilidades e ideias tão distintas, comungam e partilham a mesma percepção e sensação de solidariedade, de camaradagem e apoio;
dizia-me um amigo, recém PhD, que isto é uma maratona, para se fazer sozinho com todos estes precalços de caminho e que esteja certo que aquilo que não nos mata, nos fortalecerá e, chegados ao fim, teremos uma outra ideia e uma outra forma de encarar este percurso, mas não só.
O azar é que ainda nos falta muito para o fim; está ainda muito distante.
sobre a escola pública
ao fim de tanto tempo de se andarem a discutir questões em torno da lã caprina - desculpem lá qualquer coisita - é chegado o tempo e a oportunidade de se discutir o que é a escola pública, quais os seus contornos, a sua configuração, o seu enquadramento, os seus objectivos e, de entre este, qual o papel dos professores (de uma classe amargurada e algo desconfigurada) em torno desta ideia;
face ao que se discutiu na semana - propostas de privatização do modelo de gestão da escola, reforço das componentes locais da autonomia e o papel dos professores neste contexto - é bom perceber que a discussão tem de enveredar para outros caminhos, com outras perspectivas;
não chega criticar as políticas educativas, como é manifestamente insuficiente apontar o dedo a esta ministra ou aos anteriores; o fundamental passa por perceber qual a configuração, o entedimento e a percepção que temos ou devemos ter quanto ao que é (ou deva ser) a escola pública;
e esta é, sem margens para dúvidas, uma questão da qual os senhores professores têm andado afastados; propositada ou deliberadamente, consciente ou pretensamente, preocupados que têm estado com o papel de funcionários públicos - importante sem dúvida, mas manifestamente acessório quanto à centralidade da escola hoje e amanhã.
quinta-feira, setembro 28
aconchego
gsto de bebericar um tinto envelhecido, trocar palavras banais sobre as nossas vidas e dos nossos quotidianos; gosto de olhar o campo e a linha do horizonte e sentir-me fluir por ela, qual sopro de simplicidades perdidas;
hoje estou assim; são dias;
liberdade de gestão
portanto eu pergunto se, apesar dos modos e da forma como é implementada a política educativa deste governo, ainda há grandes dúvidas quanto ao interesse da escola pública, à defesa dos seus princípios e orientações?
defender a liberdade de gestão não significa, muito longe disso, uma melhor qualidade de escola, de educação ou de ensino;
o que aqui está em causa diz apenas respeito a dois pontos de vista sobre a coisa pública, no caso concreto a educação/escola; de interesse público a gestão privada, ou de participação pública e de gestão pública;
quarta-feira, setembro 27
desajustamentos
não considero que as medidas de política deste governo seja intrinsecamente boas, apesar de ser um governo em quem votei e que apoio; como não considero intrinsecamente más as propostas oriundas de outros sectores ou partidos;
sou um assumido defensor da pluralidade, do debate, do confronto de ideias;
neste sentido, faço a referência que apesar de difíceis algumas medidas, elas têm que ser tomas e assumidas, de modo a se corrigirem incoerências e contradições de que o país é farto, para se rectificarem desajustamentos, arranjarem outros equilíbrios, outros padrões de organização.
E, perante as propostas oriunda do PC ou do Compromisso Portugal, manifestamente prefiro que as medidas difíceis sejam executadas pelo PS;
e é nesta dimensão que se cruzam as propostas da segurança social e das finanças locais, como se podem colocar as da educação e saúde, da juventude ou da administração interna;
é fundamental que Portugal largue lógicas que foram fundamentais para a aafirmação e consolidação da democracia, mas que hoje são manifestamente um peso que nos arrasta para a cauda da Europa; entre propostas desajustadas ou neo-liberais de privatização, prefiro, sem margem para dúvida, a acção do PS;
contradições e incoerências
contradições:
o carteiro bate à porta, independentemente de quem abre, deixa a encomenda, a carta, o que for; caso ninguém abra a porta deixa o aviso para que possa ser "levantado" na estação de correios respectiva; ora então não é que para levantar presencialmente tem de ser o próprio com BI? não posso, por exemplo, levantar a encomenda que vem dirigida à esposa, tem de ser a própria com BI; se isto não é uma contradição o que será;
incoerências:
passou há dias um apontamento de reportagem numa das televisões que dava conta de licenciados, mestres e doutores no desemprego; e eu que estou num serviço regional que não tem um licenciado, um técnico superior; se isto não é incoerência, o que será?
segunda-feira, setembro 25
contextos
um documento que não é recente, oriundo da UNESCO e que permite situar-nos, aos professores e à escola, a investigação e aos contextos, num quadro mais amplo do que aquele que habitualmente nos caracteriza;
apesar de curioso pelos factos que rodeiam a educação, nomeadamente ao nível político e organizacional, tenho de reconhecer que me surpreendeu;
constrangimentos
ou por desorganização ou por contrangimentos orçamentais as bibliotecas da cidade de Évora (a pública e a da universidade) são para esquecer;
ainda me pergunto como há gente que optou (certamente em prioridade de fim de lista) por esta terra e por esta universidade;
constrangimentos; um dos nossos problemas;
sugestivo
é raro olhar-se para este nosso país como uma oportunidade; é raro considerarmos que o país é uma solução (faltaria saber do quê, para o quê);
é comum partirmos da consideração das dificuldades, dos constrangimentos, dos empecilhos, da falta disto e daquilo; raramente olhamos um constrangimento como uma oportunidade de desenvolver, por exemplo, o trabalho colaborativo, a análise estratégica, a organização em rede;
"Portugal como Problema" sugestivo;
quinta-feira, setembro 21
sinais da interioridade (2)
volto a eles, pelos mesmos motivos em diferente contexto;
queixava-me da biblioteca pública de Évora, restringida a um pequeno espólio de empréstimo, claramente condicionado por opções de algo ou alguém; moribunda, senão mesmo em estado comatoso profundo quanto a depósito nacional;
hoje foi pelas esquinas de uma outra biblioteca, a da Universidade de Évora, que desesperei e socumbi à organização; ou não têm títulos mais recentes (sejam revistas, que deixaram de assinar, ou livros), ou não estão disponíveis;
os terminais de acesso à net, para pesquisa bibliográfica (local ou na b-on) são pré-histórico (palavras do funcionário) - provavelmente te-los-ei utilizado aquando da minha passagem por ali, na segunda metade dos anos 80;
não chega a simpatia dos funcionários que entre a amabilidade e a disponibilidade procuram disfarçar o assumido incómodo de me verem circular entre 3 salas sem qualquer tipo de resultado (perguntava eu se existiam outros depósitos, que não, que estava tudo ali ou fisicamente ou, pelo menos, registado; perguntava eu como é que os docentes, professores e investigadores desta Universidade, porque os há, procedem, acedem à informação, e o encolher de ombros foi a resposta, mas será a bilioteca apenas uma sala de estudo?);
se juntarmos a isto o encerramento sucessivo de livrarias na cidade, de não termos um loja de discos que possa legitimamente usar esta designação, percebemos a pequena dimensão que a cidade tem adquirido;
não se culpem nem autarcas nem governos, somos nós eborenses que a temos (des)promovido;
compromisso portugal
duas coisas;
primeiro, mostrar que a alternativa à direita do PS opta pela privatização (não é um papão, mas condiciona a acção pública de qualquer intervenção política); depois mostrar que não há ideias novas ou, pelo menos e no mínimo, diferentes que possam ser consideradas alternativas, quer do ponto de vista político, quer do ponto de vista governativo, quer, ainda, do ponto de vista conceptual;
opta-se por discursos gastos, esgotados, sem clara capacidade de novos lampejos, de novos ou de diferentes desafios;
fica claro, com este compromisso, os dois modelos de sociedade que temos em opção; a de uma sustentação pública da acção política ou a vertente privada da exploração do interesse público;
quarta-feira, setembro 20
dos contrastes
há pouco percorria a praça de Giraldo, olhava em redor e oiço dois homens, ambos na casa dos 50 e tantos, a gritarem com um outro, a provocarem o outro;
este outro é uma daquelas figuras típicas destas (pequenas)médias cidades, todo aperaltado nos pequenos trajes que ostenta, chapéu enfeitado com flores, engodos de pesca ou pequenas tiras; camisa aberta a revelar aquele peito sarapintado de fios brancos, ar compenetrado como se fosse tratar de coisa séria; entre o sábio (da experiência) e o louco (pelo menos para alguns);
há uns atrás seriam os rapazes, os jovens a brincar com esta figura típica, a provocarem o seu andar e os seus ânimos de pessoa;
hoje são os mais velhos, aqueles que sempre habitaram esta cidade e que a constituem que brincam num claro sinal de contrastes entre uma Évora rural e de tradições e uma Évora pretensamente cosmopolita e culta - atenção que não é uma coisa nem outra.
do som
passei ontem e hoje (e hoje por diversas vezes) pela Som das Letras e sempre fechada;
é certo que não há qualquer referência - a férias, folgas, feiras ou para outros assuntos;
se for verdade este ano é a segunda;
resta-nos a Nazareth (lá se vai aguentando enquanto a D. Maria José fizer alguma coisa por ela), a Salesinana, sempre com livros de outros tempos, uma nova, que nem sei o nome, na R. de Stª. Catarina e...
para uma cidade universitária ...
do procurador
sinceramente fico preocupado; será que corremos o risco de unanimismo?
terça-feira, setembro 19
sem título
não tenho um título, uma designação, uma referência nominativa para aquilo que escrevo;
não gosto daquilo que já escrevi;
quanto ao título dou de barato, ele há-de aparecer, cedo ou tarde, melhor ou pior, para mudar, rasurar ou simplesmente esquecer, mas sei que há-de aparecer;
agora quanto à escrita e ao meu gosto por ela (ou a falta dele) é que me está a deixar os nervos em franja;
na próxima segunda-feira terei de apresentar um esquiço sobre a metodologia de investigação; o meu dilema vai contra dois postes; por um lado, isolar a metodologia do objecto e do objectivos de investigação é o mesmo que me encharcar em cerveja sem alcoól (encharca mas fica-se na mesma); por outro, preciso de arregimentar conceitos e ideias quer a jusante quer a montante e terei que ser parcimonioso - imagima a guerra conceptual;
resta-me gerir o stress, conseguir comer com a angustia e deixar livre pena à escrita, pois sempre gostei de trabalhar debaixo de pressão - isto é o meu sentido de ser alentejano, porque sem pressão simplesmente não trabalho;
segunda-feira, setembro 18
o espartilho da autonomia
não podia estar mais de acordo; e tu, meu caro amigo e estimado colega, sabes isso;
a questão essencial não passa por aí, passa pelo facto de os profissionais, os professores terem entregue de mão beijada o ouro ao bandido;
tem sido a actuação dos profissionais, de desresponsabilização, de atirar para fora da escola as questões da escola que têm feito com que os políticos procurem tudo regulamentar, tudo prescrever, tudo orientar;
Reparem lá se se ouvem as escolas profissionais a reclamar? Atente-se na asuência de ruídos das escolas técnicas. Será que se ouvem noutras regiões rumores e adizeres oriundos de escolas privadas? Não se alvitre que essas tudo têm, não é verdade. Não se atreva a dizer que estão melhores que o público, pois não é geral.
Mas têm, na sua generalidade, projectos pedagógicos concertados, coerentes e consistentes. Têm culturas de escola e lideranças que permitem a definição de percursos e trilhos.
Que apresentam as escolas públicas?
Na generalidade das situações, incoerência, inconsistência, ausência de projecto, falta de ideias, dilacerão de pequenos interessos, debates fraticidas de objectivos, polverização de ideias.
Não significa que um ou outro docente não tenha, não saiba para onde vai e como vai.
O problema da escola pública é a proliferação de ideias e projectos, vontades e ânimos. Todos e tudo tem uma ideia, uma opinião, uma vontade, é voluntário e voluntarista;
desculpem lá, mas nem já nos bombeiros imperam os voluntários, como é que a nossa escola, pública, inclusiva, participativa podem predominar os voluntários?
as belas e os senão
ao introduzir-me no mundo da net a partir de casa, optei, logo de seguida e por questões de mera e simples segurança por actualizar os sistemas de anti-virus, anti-spam, anti-spywere, etc;
resultado a máquina, um pentium III, velhinho, de 98, imaginem vocês, apesar de ter um disco relativamente novo, de há dois anos, diz que é areia a mais para o possível e desejável carrego;
lá me vou ficando nas curvas, lá me arrasto em plenas subidas;
lá fico à espera que depois de tecladas as letras a palavra surja no ecrã como que por magia;
resultado, lá terei de equacionar a mudança de máquina.
de fora e de dentro
procuro ir um pouco mais além, desculpem-me o pretensiosismo, e descortinar aquilo que fica daquilo que passa;
quando à dias escrevi que arranjar culpas e desculpas fora da escola é desculpabilizar e desresponsabilizar a escola e os seus actores, quero dizer exactamente isso; um exemplo, aquele que agora tenho trabalhado, o das questões em torno da disciplina escolar, vulgarmente trocada com a sua antítese, a indisciplina; habitualmente a responsabilidade não mora na escola, está na sociedade, na massificação educativa, nos meios de comunicação social, na indiferença dos pais/encarregados de educação; quanto muito um ligeiro assomo quando se apontam algumas referências aos modelos educativos, às estruturadas pedagógicas e, neste caso, a responsabilidade é acumetida ao professor, em particular à formação que (não) teve para determinar outros modos;
ora e a organização da escola onde fica? Por onde colocar os fluxos de alunos e de gentes cada vez de aspecto mais fabril que tecnológico? as lideranças educativas? as estruturas de participação e inclusão social e profissional;
neste como noutros aspectos não podemos ficar à espera de respostas nem de soluções préformatadas; para além do mais aqueles que porventura se adequem em Vizela, não serão as mais adequadas para Évora e mesmo nesta poderão variar de acordo com os públicos;
é aqui que quero dizer que não vale a pena olhar para fora da escola, apesar de ser mais visível e mais fácil;
sábado, setembro 16
zapp
uma opção que ainda estou para perceber da contabilidade, fui atrás da publicidade e adquiri um zapp; não se tem portado mal, para primeira vez e primeiras navegações. A ver vamos o que futuro nos poderá reservar.
Agora é procurar a tralha quase toda, imagens, sítios, programas, ftp's e procurar em dois tempos estragar o computador, isto é, voltar a navegar, a surfar nas ondas da net.
quinta-feira, setembro 14
espanto
afinal partilho da comum situação, é fácil sermos treinadores de bancada; alvitrarmos opiniões, opinarmos sobre tudo e para nada;
equívocos
considero desadequado dizer que sou professor do ensino básico vai para 20 anos; que escrevi durante praticamente dois anos e de modo ininterrupto coisas da escola, umas deixaram saudades, outras nem tanto; que sou um acérrimo defensor das pedagogias diferenciadas e da escola de P. Freire, pela promoção das autonomias, pela coordenação dos trabalhos pedagógicos e que abomino o master dixit, a prepotência e a arrogância dos ignorantes que se consideram inteligentes;
tive o privilégio de conhecer o Miguel por este intermédio, numa acessa troca de ideias sobre a escola e sobre os professores;
podemos, não apenas com ele mas com muitos que por aqui passam, divergir quanto a ideias e políticas, opiniões e sentimentos; quanto à escola estou certo que existirá um traço comum, a sua defesa, a defesa de um serviço que constitucionalmente é para todos na procura da equidade social; quanto aos modos e aos instrumentos dou de barato poderem existir divergências, caminhos diferenciados, opções outras; afinal as opiniões valem o que valem;
agora considero de uma profunda demagogia e de alguma falta de carácter permitir que se alimentem de si mesmos, os argumentos do eduquês, da defesa da escola de alguns e para alguns, sejam eles alunos ou professores, pais ou comunidades;
nunca como agora foi tão evidente que o que está em causa é a escola pública, de alguns ou para todos; durante os últimos 20/25 anos procurou-se, com os engenheiros (V. Simão, R. Carneiro e M. Grilo) formar e consolidar a escola democrática, de livre acesso e livre frequência;
o que tem estado em discussão nos últimos tempos, particularmente desde D. Justino, é que escola queremos, uma escola de elites com laivos do antigamente (onde, pretensamente, é tudo calmo, reina a disciplina e a ordem, há interesses pedagógicos e gosto pelas aprendizagens, ainda que seja apenas para alguns e os métodos deixem muito, mas mesmo muito a desejar) ou uma escola para todos, mediante o desenvolvimento de competências, o aprofundamento de saberes, a capacidade de tolerância e respeito, inevitavelmente marcada pela heterogeneidade de gentes (professores e alunos), de condições (sociais e políticas), de objectivos (para uns aprender, para outros conhecer, para outros apenas e simplesmente entreter, incluindo docentes), de sentidos (da construção individual ou simplesmente sem sentido);
o que se discute com estas medidas que tanta água têm feito correr é esta escola que pretendemos, e, estou certo que existirá algum consenço em seu redor, nomeadamente, que sirva a população, os jovens, as comunidades e os territórios, as gentes, que eduque e instrua, que sensibilize e apoie, que favoreça e promova, que estimule e espicace curiosidades e sentimentos, que envolva em vez de rejeitar e excluir;
como conseguir isso? provavelmente existirão inúmeras maneiras, diferentes modos e muitas opções. Mas há para mim e na leitura que faço do caminho político desta ministra uma que é clara, a da equidade social. E isto tem custos, particularmente para os professores e para a escola enquanto organização, que se mantém na lógica fabril (afinal as fábricas ou fecham ou são deslocalizadas), em hierarquias verticais e funcionais, quando os saberes circulam por tudo quanto é lado, de todos os modos e em todos os sentidos, que persiste em levantar barreiras, erguer muros e fechar portões como se com isso, se isolasse, se imunizá-se ao exterior. Tão falso como idiota. Tão desajustado como desadequado.
Afinal e como ali deixei, não se confunda nesta discussão, a beira da estrada com a estrada da beira, e há muita gente, muitos interesses e muitos interessados que estão manifestamente interessados nesta confusão ou nesta promiscuidade de ideias;
quarta-feira, setembro 13
chove
nesta minha cidade de Évora chove; não apenas aquela chuva miudinha, mas uma chuva forte e grossa;
lava o chão, apressa o passo às pessoas apanhadas desprevenidas, aromatiza de outros odores as ruas e travessas;
afinal, aproxima-se aquela que é a minha estação do ano;
campeões e aflições
o jogo do passado sábado apenas vi metade (felizmente e segundo rezam as crónicas o menos mau);
o de hoje nem sei se verei, entretido que estarei em amenas cavaqueiras, análises de bancada, na definição de estratégias sociais e não de meras engenharias;
enfim, campeões antigos rei das aflições;
terça-feira, setembro 12
discursos
foi engraçado ouvir os discursos de recepção dos senhores professores;
afinal, a senhora ministra - apesar dos modos - até tem algum leque de razão;
lá se fazem sentir as medidas ao nível da organização e da estruturação das escolas; das opções e das orientações;
a bem não vai, por muito que se defenda o grupo, se acertem as ideias, se definam apontamentos de reflexividade;
grande parte do sistema está montado a pensar apenas numa parte da sua composição (e não têm sido os alunos nem as famílias); grande parte dos professores gosta de ser simples funcionário - sempre disse que há espaço e oportunidades suficientes para todos;
pela primeira vez desde que o filhote está naquela escola gostei de ouvir o discurso de recepção e de perceber que há lógicas (de serviço público, de equidade social) que se introduzem nas paredes da escola;
faço votos para que não se fique pela recepção;
cenas do meu país
imaginem, a tensão e o stress de se redigir um texto à volta de metodologias que poucos dominam e muitos desconhecem (análise cognitiva de políticas públicas);
imaginem agora vocemecesses o meu stress opto por ir mais cedo para casa, arrumo as coisitas e me preparo para escrever; ligo o computador, puxo os livros e os apontamentos, acerto ideias e ânimos e... puf fico sem luz; dou voltas assumidamente ignorantes ao quadro eléctrico e não descortino ponta de eventual problema; espero, não tenho outro remédio; estou sozinho no meio de nenhures e não ganho rigorosamente nada em olhar a casa do vizinho;
mas quem espera desespera e começo a ficar irritado; afinal tinha saído mais cedo para ir trabalhar e estava sem fazer nada; telefono à EDP, serviços técnicos; dou conta do caso, que iam enviar de imediato um técnico; o imediato sempre demorou um bocado, mas pronto, o problema foi o senhor chegar e dizer que tinha ordem de corte; motivo, o ramal é de obras e ultrapassou o período de instalação; sem qualquer aviso, sem nada; bonito, e agora o que faço com duas crianças no meio do campo? a resposta foi um encolher de ombros;
o resultado foi um serão maravilhoso, passado à luz do candeeiro a petróleo, na companhia da família e em amena cavaqueira; deitar cedo e cedo erguer foi o destino;
sexta-feira, setembro 8
sinais da interioriadade
um espaço que, nas minhas memórias de estudante nesta cidade, era repleto de respostas, pelo acervo que continha, pela organização que primava, pela acessibilidade dos documentos, pela procura apoiada e muita das vezes substituída pelos elementos sempre prestáveis (uns mais que outros, obviamente) que ali se encontravam;
por razões académicas regresso à Biblioteca de Évora à procura de títulos, documentos, jornais e livros;
uma agradável surpresa, decorrente da modalidade de empréstimo, um espaço diferente das tradicionais bibliotecas, labiríntico na orientação do leitor, na arrumação e disponibilidade dos títulos, pela quantidade disponível;
em contrapartida um manifesto desapontamento, fora da modalidade de empréstimo é, segundo dizem alguns elementos, o caos, a desordem, a desarrumação, o encaixotar de ideias e de sonhos, pensamentos e opiniões;
peço um jornal de meados da década de 90, não está disponível; peço uma revista do final dos anos 80, não temos; peço um livro de 2001, provavelmente temos mas estará certamente empacotado;
num dos dias que vou à biblioteca o meu filho mais velho aproveita a companhia e diz que vai pesquisar nos jornais do dia em que nasceu; como foi um domingo não estão disponíveis ou simplesmente não existem;
procuro eu uma revista da área da educação, das mais conhecidas, só têm números intercalados e por mera coincidência - dizem-me - a que solicito não há;
resultado, de um total de cerca de 20 títulos que alí procurei apenas tive acesso a três ou quatro, tudo o mais sou remetido (sugiro, recambiado) para a biblioteca nacional numa assumida desconsideração institucional de um local de culto e que deveria ser de cultura;
é nestas pequenas mas significativas questões que se fazem sentir os sinais da interioridade;
uma biblioteca pública que foi (ou é, não sei) depósito nacional, recambia os interessados para a biblioteca mais próxima, no caso a de Lisboa;
estou certo que há biblioteca municipais mais arrojadas, organizadas e com amiores disponibilidades que esta que progressivamente e quando comemora os seus 250 anos, se perde na memória, na desorganização, no pó;
é pena;
uniformidade
na troca de comentários sobre a mudança, nomeadamente entre semelhanças e diferenças, a resposta vai no sentido de serem mais as semelhanças do que as diferenças;
falamos de duas regiões (Évora e Faro) aparentemente distintas do ponto de vista de dinâmicas de juventude;
não me cansarei de defender que é preciso diferenciar para que se possa trabalhar para a equidade; que a igualdade mais não faz que realçar e reforçar diferenças, numa assumida posição de darwinismo social;
é este Estado, herdado de meados do século passado, que tudo procura homogeneizar, para o qual é tudo uniforme e singular que está em esgotamento perante ideias, concepções e práticas que consideram o Estado plural, heterogenio, diferenciador;
a nossa escola, a escola pública portuguesa muito tem contribuido para esta homogeneização; as dores que se sentem, pelo algumas delas, relacionam-se com esta mutação;
quarta-feira, setembro 6
leituras
Apesar de os documentos serem digitais (PDF’s, HTML ou outro) quando sentia interesse por um dado documento imprimia-o e, assim, sentia-o nas mãos, podia sublinhá-lo, rasurá-lo de acordo com as diferentes leituras que lhe fazia.
Há dias um comentário fez-me perceber uma outra razão deste meu pretenso gosto.
É que ler, ter um livro ou um texto nas mãos implica um reclinar atrás, um recostar para fruir a leitura e as ideias. Enquanto ler um qualquer documento no ecrã de um computador implica um inclinar à frente, para nos sentirmos mais próximos da fonte, termos uma outra noção do equilíbrio entre nós e o texto.
Pois, …mas fruto de obrigações, agora tanto leio no ecrã como manuseio um livro. Mas que gosto mais de sentir o livro, lá isso gosto.
Território
É deste confronto que ontem opinava; é deste confronto da exaustão do espaço territorial, entendido como local das práticas e das políticas, que se confronta com a sua própria desmaterialização.
No final dos anos 90 foi a informação que se desmaterializou em face da que circulação nesta rede, da proliferação de fontes e pela diversidade de mundos que faz transparecer.
Foi o local que se tornou global, foi o global que se localizou numa assumida ausência de espaços e, acima de tudo, de um qualquer território.
Neste início de século, nós por cá, confrontamo-nos com o fim de um espaço físico material e palpável que nos define, nos molda.
Cada vez mais somos de todos os lados, as raízes tanto estão aqui como ali, numa desmaterialização do território enquanto centro operacional de políticas e de práticas sociais.
A construção das pertenças já não é definida pelo território, por um dado e concreto território, definido pelas suas fronteiras físicas, caracterizado por uma dada morfologia. A pertença hoje é social, como é afectiva, moldável e dinâmica em função dos interesses de cada um, das capacidades que um dado território, num dado momento nos oferece.
Para uns é importante nascer aqui, neste lugar. Para outros tanto faz ser aqui como ali, apenas interessa saber que aconteceu e porque é que aconteceu.
terça-feira, setembro 5
olhares
tenho estado ausente, mas atento ao que se escreve;
são troca de olhares, entre o descomprometido (do cruzar simples) e o insinuante (do gosto pelo que se lê e vê);
confronto
entre tradição e modernidade, entre ruralidade e urbanidade, entre provincianismo e cosmopolitismo, entre o velho e o novo, entre o passado e o futuro, foram vários os apontamentos, diferentes as situações;
do ambiente à cultura, passando pelo desporto, pela política sentem-e, mais nuns lados que noutros, mais numas circunstâncias que noutras, o claro confronto desta portugalidade que pouco a pouco se afirma no século XXI;
descobrimo-nos, ou descobrimos o que queremos ser;
provocação
de um amigo que infelizmente não vi este Verão e que teve a ousadia de atravessar uma boa parte deste meu Alentejo sem qualquer tipo de autorização;
não resisti à simplicidade do contacto, da advertência;
ausente mais por opção do que vocação, respondo à provocação e digo presente;
ainda não desisto;
quinta-feira, agosto 17
antecipação
mas gosto destes dias, em que me apetece enroscar nos lençõis, sentir o aconchego de um abraço acolhedor, o sorriso triste de quem perdeu mais um dia de sol;
afinal, estes dias fazem-me lembrar o Outono, a minha estação do ano;
da decisão
em determinados níveis até pode ser, adquirir essa dimensão; agora neste que frequento, de base regional, o quotidiano é feito de pequenas e inúmeras decisões;
há, obviamente, uma orientação, mas a decisão não é nem grande nem pequena, acontece fruto das circunstâncias, das solicitações dos acontecimentos, do fluir do dia;
preocupação central, que sejam coerentes, consistentes e lógicas na sua articulação; e neste campo por vezes falha-se e quando se falha no âmbito público pagamos todos;
mas considero interessante parar e olhar o meu quotidiano, as decisões que me acompanham, o pulverizar de pequenas circunstâncias, umas aqui, outras ali;
há tempos associava este quotidiano ao de uma escola, onde as hierarquias são planas e as responsabilidade diluídas por pequenos patamares de poder [há quem lhe chame quintinhas];
afinal, a sociedade é à imagem da escola, ou será a escola à imagem da sociedade?
quarta-feira, agosto 16
escrita
poucos dias depois, optei por trocar ideias com os colegas deste caminhar, com o pretexto de estarmos no mesmo barco, rodeados do mesmo mar; se eles também se sentiam apertados, angustiados, stressados;
ora descubro que há vários sentimentos, desde alérgia, a náuseas, ansiedade, stresse puro e simples, insónias, um pouco de tudo, como na farmácia;
afinal não sou só eu, valha-me isso;
apesar do reconforto o certo é que Setembro está já aí e eu só tenho 2 folhas escritas (de que nem gosto particularmente);
a ver vamos, assim diz o cego cá da terra;
roteiro
como os pais são apreciadores do bom garfo e faca e das boas companhias tintas, verdes ou espumosas e o filho não se fica atrás, começou a redigir um roteiro gastronómico que reflecte os seus gostos, as suas impressões e a avaliação que faz dos sítios por onde passa;
engraçado que, apesar do seu gosto ir ao encontro da sua faixa etária (está com 12 anos) e serem preponderantes as pizzas, a fastfood, o roteiro dele, para já, apenas contempla a cozinha tradicional;
três referências;
a choupana em Évora, perto da praça de Giraldo (está fechado até final do mês), é um gosto e um prazer pela variedade de petiscos e pela confecção ainda muito marcada pelo toque caseiro - acrescento que tem uma das melhores imperiais - finos - da região, e uma relação preço qualidade dentro da média, na casa dos 10€/15€ pessoa (consoante as entradas e os acompnhamentos);
o alpendre, em Arraiolos, uma manifesta catedral que se impõe nas redondezas; marcado maioritariamente pelo traço regional, seja na comida como nos vinhos, tem uma confecção declaramente familiar e umas entradas que combinam com tudo; a relação preço/qualidade é que faz com que seja de frequência atípica, entre os 25€ e os 30€ pessoa;
fora da região, o rei do chouco frito, em Setúbal, no prolongamento da Av. Luísa Tody no sentido do cais para Troia; conheço os proprietários desde o final dos anos 80, alugaram-me casa quando leccionei em setúbal e por lá tive de ficar; preponderante o chouco, obviamente, feito como mais ninguém e em mais lado nenhum, mas experimentem qualquer peixe na brasa, segredos de longa data com um atendimento que é marcante e familiar;
soltas - do comérico 2
andámos por metade da cidade à procura de um local; lá fomos parar ao de quase sempre - a choupana, recomendo vivamente;
entre a confusão de línguas (italiano, espanhol, portunhol, inglês e francês) o funcionário lá nos arranjou os lugares, ao balcão por ser mais rápido;
entre umas tiras de choco e umas febras de vinagrete, uma feijoada de marisco que estava uma delícia;
como companhia, para além da família, de umas cervejitas que o tempo está(va) quente e sempre fica mais em conta;
a televisão passava um concurso em que questionava qual, entre os apresentados, o álbum mais antigo dos U2; respondi eu e respondeu o senhor italiano sentado a meu lado;
a partir daí estabeleceu-se uma conversa sobre turismo, regiões, ofertas, gastronomias e prazeres de verão;
agradável de perceber qual a ideia, a imagem que os outros têm de nós, dos nossos produtos, das regiões, da oferta portuguesa, da diferença relativamente a outros povos, países e culturas;
terminou-se a noite com uma questão que ficou por responder; afirmava o senhor que teremos dos melhores vinhos que conhece, e diz conhecer muitos, porque é que não são conhecidos lá fora? porque é não são visto lá fora?
boa pergunta;
soltas - do comércio 1
instalaram-se à pala da bijuteria, da marroquinaria;
passaram, quase sem se dar por isso, para a ménage, utilidades para a casa, bricolage;
passaram pelas ferramentas, acessórios, materiais de limpeza e higiéne;
neste momento, aqueles que estão pelas bandas de Évora, viraram, na sua maioria, para a confecção, têxteis lar, roupa, sapatos;
o restante comércio, na sua generalidade, permanece como (quase) sempre os conheci; as mesmas montras, a mesma oferta, os mesmos produtos, os preços sempre a subir (fruto da crise, dizem os senhores), a mesmissima apresentação e configuração;
uns queixam-se da concorrência, outros aproveitam-na; uns apontam o dedo à crise, ao governo, à câmara; outros aproveitam nichos de mercado, a evolução dos gostos e, acima de tudo, das necessidades;
é o comércio tradicional no seu melhor;
segunda-feira, agosto 14
chuva
chuva? ainda se lembram disso?
assumo que depois do Verão, das temperaturas e dos odores, sinto saudade de uma chuvada, seja ela de Verão ou prenunciadora do Outono;
militar
segundo parece veêm para Évora serviços operacionais na área da educação e formação militares (notícia Expresso);
bem vindos;
(des)igualdade
este fim-de-semana, primeiro num jornal semanário o presidente da câmara de Sintra pôs o dedo na ferida e disse que a Lei das Finaças Locais tem de reflectir as diferenças entre os grandes e os pequenos munícipios (provavelmente passará ao lado de muitos que qualquer freguesia urbana de Évora tem mais eleitores que qualquer outro concelho do distrito, mas muito menos recursos e condições de gestão, como os critérios de dotação são idênticos - mas não deviam ser - para Barrancos ou para Lisboa);
depois e no âmbito dos fogos, o presidente da associação de bombeiros profissionais realça a tradição de culpabilizar tudo e todos, não restando ninguém para poder casar com a culpa; dentro disto, destaque para uma manchete jornalística em que a geografia do fogo retrata o planeamento e a prevenção (que não foi) realizada;
entre um e outro dos apontamento, a manifesta desigualdade de tratamentos, quer na gestão da coisa pública, quer na acção do Estado;
por isso defendo que para se criar a igualdade, há que acentuar as diferenças; a partir daí talvez faça mais sentido falar-se de estado social;
sexta-feira, agosto 11
aniversário
o que mudou? o que permaneceu? qual a minha responsabilidade entre um e outro ponto? são perguntas às quais procuro responder;
mas, determinante, foi perceber as dinâmicas, as acções, os projectos, as ambições, as características que marcam esta área;
os sonhos, as aventuas, o papel do associativismo na construção de projectos de vida, no arranque profissional, na afirmação identitária, na criação de raízes ao local, na própria construção do local são circunstâncias que admiro e me surpreenderam pelas características e pelas formas que adquirem.
como na generalidade do país carece esta área de duas coisas, formação (aos responsáveis associativos, às entidades acolhedoras, aos parceiros sobre o papel de cada um) e organização (nomeadamente ao nível da dimensão crítica, na construção de projectos e de respostas sociais);
sobra, tal como na generalidade do país, dedicação, vontade, tenacidade, perseverança pelos ideias e pelos projectos;
ao fim deste tempo continuo a descobrir coisas novas e diferentes e, acima de tudo e que me enleva, a descobrir-me;
afinal... normalidade
afinal este é mais um Verão normal, igual a todos os outros;
há fogos um pouco por todo o país, os políticos estão ausentes em parte incerta, os jornais falam de banalidades de verão, futilidades estivais e coisas que tais;
não sei se esperaria algo de diferente, mas destaca-se a normalidade;
quarta-feira, agosto 9
...
é ver o pessoal a cirandiar de lado para lado, à procura de alguma coisa aberta para molhar o bico, fazer uma pausa de almoço ou simplesmente trocar dois dedos de conversa com os amigos, com os turistas;
numa cidade que se pretende turística, que deverá funcionar todo o ano os estabelecimentos mais solicitados nesta altura resolve fechar;
depois queixam-se da crise ou das grandes superfícies comerciais; os comerciantes desta terra (não todos, nem todos de igual modo) pararam no tempo, naquela frase que "antigamente é que era bom"; para eles, não pensavam era no cliente, pois claro;
redução
desde o início do mês até hoje, já desapareceu perto de um kilito; ainda falta alguma coisa para o objectivo inicial, mas é de salientar;
lazer e prazer
por um lado, o aborrecimento do trabalho (há quem goste), por outro o conforto de não haver moengas;
por um lado, o calor, por outro o prazer dos ares condicionados e do fresco interior das casas alentejanas;
por um lado, o sol que queima a pele e os mais simples neurónio; mas, por outro, o prazer de termos quase sempre um lugar para estacionar à sombra;
por um lado, a desculpa de alguns serviços pela falta de pessoas, que estão de férias, por outro, o prazer das poucas ou nenhumas solicitações a alguns serviços que permitem que, neste mês, haja uma resposta de qualidade, atempada e, acima de tudo, oportuna;
o lazer e o prazer, de mãos dadas para quem trabalha;
segunda-feira, agosto 7
stress
descoberta recente, confirmada a minha admiração, resta-me a surpresa da causa de stress de uma coisa que, aparentemente e à partida, até seria (e foi em tempos) uma fonte de prazer;
o certo é que tenho as ideias (construir o estatudo do aluno do ensino não superior como uma medida de acção política que se inscreve nas naarativas de regulação do sistema), as pretensas teses (que o regime disciplinar vai para além da conformidade às normas e às regras definidas localmente e se relaciona, intimamente, com práticas pedagógicas, com o sistema de organização da escola e da rede local de formação) e linhas de orientação (que o estatuto do aluno é um referencial de regulação do sistema de educativo em tempos marcados por processos de multi regulação);
para quem perceba a retórica educativa, isto até pode parcer pertinente;
pois; o problema é quando me sento, frente ao computador, com os apontamentos mais ou menos organizados e ganho uma urticária em que nada sai, tudo me incomoda;
falta pouco mais de um mês para a entrega do relatório e, até ao momento, tenho duas páginas escritas e com manifesta falta de fundamentação;
ai o stress; como alentejano assumo que me dou muito mal com o stress; causa-me stress;
que fazer? que posso eu fazer para ultrapassar o impasse stressante;
pressas
só não gosto é das pressas dos afazeres que fazem com que aqui chegue à pressa, escreva coisas à pressa e saia à pressa;
para alentejano que se preze isto de tanta pressa até cansa;
quarta-feira, agosto 2
mamarrachos
senão a conhecem é algo que se destaca de uma paisagem e a oprime, a fere, qual furúnculo cutâneo que queremos arrancar e não podemos;
um mamarracho é algo que marca negativamente a paisagem urbana, que assinala, de modo claro, a falta de gosto;
pois é, mamarrachos são o que andam a pulurar na minha aldeia da Igrejinha, concelho de Arraiolos;
apareceram três novas urbanizações que, com os seus implantes, ferem (em alguns caos gravemente) a tradição, o hábito e a cultura das gentes locais, a história da construção local e regional; utilizam materiais que nada têm a ver com o local, com a aldeia, com a tradição; adquirem volumetrias que sombreiam tudo o resto e escondem a história; adquirem lógicas de circulação que mais parecem um bairro suburbano da cidade de Évora, revelam ideias desconchavadas, desconexas da realidade e do contexto;
e permitiram-no; deixaram que acontecesse;
mamarrachos.
ligações
ideias sobre o meu mundo e como eu gostaria que ele fosse; ideias sobre a escola e sobre o Alentejo, ideias sobre a política e sobre a vida;
não é uma troca, é o reconhecimento do prazer da escrita, dos sítios por onde habitualmente poiso o olhar e descanso sentimentos e me descubro, a mim mesmo, nos outros;
provavelmente irá crescer à medida que me descubro mais e mais;
assim me conheço, assim me dou a conhecer;
uma intimidade pública;
glorioso
palavras para quê, declaramente que o enginhero não tem nem arte nem engenho para aquilo, nem aquilo tem arte ou ponta por que se lhe pegue;
já tremo só de ouvir falar alemão;
terça-feira, agosto 1
cores
está ele bem enganado; não esqueço quem gosto;
vai daí só agora, só hoje, mostro a proposta que ele me fez chegar deste novo template;
como ele confunde cores, e por agora, perdoo-lhe o excessivo laranja aqui presente; nada que não se altere;
de resto, mais uma alteração para que tudo fique na mesma - o tudo é a escrita, os sentimentos e as amizades;
obrigado miguel, boas férias;
passeio
invariavelmente com a família em fim-de-semana de Agosto fazemo-nos à estrada; geralmente para Lisboa.
Adoro Lisboa nesta altura, os seus bairros em redor do Castelo, os museus, as esplanadas à beira rio, os passeios nas avenidas novas, o sol por entre as colinas;
como adoro o Porto, quente sem ser sufocante, agradável na pronúncia do norte, as noites temperadas na foz, na ribeira (entre uma e outra margem) nos bairros do Douro;
neste mês não ha confusão de gentes e de trânsitos; os lugares públicos estão cheios de ninguém; somos todos turistas, a despreocupação é geral e o prazer comum;
são os meus passeios de Agosto;
prazer
distancio-me de mim mesmo, dos quotidianos, dos afazeres, das preocupações, das consternações diárias;
em final de férias regressa-me a vontade de ver telejornais, de mirar as manchetes de alguns (poucos) jornais, de folhear um ou outro livro;
chegado de férias, na frescura viçosa da retemperança, dou com os jornais ocos, mais ocos do que o habitual; e dou com alguma vontade de regressar ao trabalho, agora que está meio mundo de molho;
férias
não estava farto desta vida de cão que são as férias;
mas reconheço algum cansaço dos trabalhos inerentes às férias; deslocações daqui prá'li;
magotes de gente (e não era Agosto), areia em tudo quanto é lado (e alguns bem aborrecidos); alguns excessos (acrescentei um kilito ao pecúlio do ge), muita sede, crianças que querem isto e depois aquilo, a esposa que só quer ver mais esta montra, este pormenor, aquela ideia, os pais que se queixam de andarmos por fora, os sogros porque não vêm os netos, irra...
finalmente estou de regresso ao prazer do ar condicionado do serviço; ao tempo descansado sem areia nem filas de espera, comer a horas certas e comedidamente, recuperar a perda de calorias e as leituras que nunca faço em férias;
finalmente é o regresso;
quinta-feira, julho 13
que pensar
não acredito em coincidências nem em trocas e baldrocas;
acredito que cada qual a seu modo, procuram garantir o futuro;
e nós, por cá, como ficamos? [entalados, pois claro]
nós, por cá
face a estas notícias e depois de as vozes locais se terem insurgido tanto e tanto pelos asessores locais, o que pensar? em que pensar?
apenas uma óbvia constatação, que há necessidade de alterar a lógica e os princípios de governação do poder local;
para quando esta alteração?
vislumbre
Entre um céu pulvilhado de pontos entre o branco e o cinza, uma claridade que se escondia na noite, o despontar do luar, sobressaia a cor e os enfeites luminosos dos vitrais da igreja de s. Francisco.
acreditem, um espanto;
quarta-feira, julho 12
gestão
interessante, não apenas ali, mas a que decorre de experiências idênticas que têm sido desenvolvidas com particular destaque no Brasil, em comunidades mistas (urbano/rural);
apesar de simpatizar deveras com a ideia, pergunto qual o papel das juntas de freguesia, o primeiro degrau do poder local, aquele que está mais próximo e presente das populações, perante esta metodologia de gestão?
não se correrá o risco de esvaziar esses pequenos poderes? existirá interesse nisso?
terça-feira, julho 11
saloio
tenho a clara consciência e a crescente convicção que, nos últimos tempos, os senhores de Lisboa para além de não confiarem em quem está na província, nos consideram para além de saloios, parvos;
e isto enfurece-me até dizer chega; posso ser tudo, tolerar muita coisa, mas irei pedir, uma vez mais a quem de direito, que não apenas confie em quem está na província, mas que também não nos considere parvos;
para além der falta de educação é uma asneira organizacional e um erro político; mas há quem persista neste erro;
mais uma
na assumida dificuldade de mudar de modo mais radical, fico-me por estas alterações;
partilha
conhecer, gostar (atrevo-me a dizer, a amar) algumas pessoas pelo conhecimento da sua escrita, pelas suas ideias e opiniões; tantas vezes, ao cruzar algumas das escritas, me revi ali, me senti ali, desde o presente, aos sentimentos do momento, às ideias e memórias de um passado mais ou menos distante; como é incrível que contextos tão diferenciados, percursos tão distintos, permitam a construção de tão idênticos sentimentos;
por outro, valorizar, respeitar e assumir as diferenças, sejam de ideias ou de meras opiniões, de situações ou valores; mesmo políticas, outras profissionais, outras apenas estéticas;
é por isso que teimo e presisto em ficar por aqui, mesmo que muitas das verzes diga banalidades, vulgaridades, lugares comuns, coisas normais;
afinal até gosto das coisas simples, eu que as complico muita das vezes;
afinal, é uma partilha, entre sítios diferentes, com poisos diferentes, mas é uma partilha em que me aprendo mais, quando mais conheço os outros, mas te conheço;
segunda-feira, julho 10
concepções
quem, como eu, ocupa lugares de chefia (mas pouco) na administração pública está sujeito a uma de duas situações; ou cala e consente toda a espécie de diatribres (implicando engolir alguns sapos) ou, em alternativa, vai replicando, mostrando outras perspectivas, outros olhares;
pelo meu feitio, muita das vezes acusado de truculento, procuro dosear as situações e há vezes em engulo o sapito, outras que replico, que contrario;
recentemente assim aconteceu, ainda por cima com figura de destaque na hierarquia da casa; comprei uma inimizade simplesmente que decorre de diferentes visões/concepções da ideia do Estado e do seu papel;
há quem o defenda como hierárquico, rígido, distante, formal; há quem o pense para servir as populações, interesses colectivos, reticular, mais informal, mais próximo e útil;
de guerra em guerra lá vou eu até à derrota final;
da bola
chegámos ao 4º lugar e pronto, enquanto deu para avançar com golos dos médios, enquanto conseguimos ultrapassar s defesas com médios mais ou menos ofensivos, fomos prosseguindo; quando precisámos de avançados para esburacar as defesas ficámo-nos por aí, pela necessidade;
vai daí e puxo um título do jornal A Bola, da semana passada, com Eusébio eramos campeões;
pois, mas tenho o hábito de dizer que se a minha avó tivesse rodas...
calor
o engraçado é que o céu está "esquisito", entre o nublado e o vagamente cinza;
mas o mais engraçado é o que o Alentejo só é Alentejo com calor, com muito calor; na passada sexta-feira, num concelho da raia, um senhor dizia que já estranhava, afinal, na Alemanha, onde tem jogado a selecção, tem estado mais calor que no Alentejo; não podia ser;
não podia nem pode, cá está ele, quentinho; o suficiente para derreter o alcatrão;
sexta-feira, julho 7
empresários e educação
já não considero normal é o silêncio daqueles que defendem a escola e a sua profissão;
é o terceiro dia em que circula esta notícia, com maior ou menor destaque, mas o silêncio e a distância imperam;
é por estas e por outras idênticas que progressivamente os professores são considerados meros e simples instrumentos, umas vezes prescindíveis, outras necessários apenas como meio para fins de outros;
excessos
a travessia deste ano levou mais tempo que nos outros anos;
foi notório, em algumas situações, o cansaço, o stress, os apertos, as fricções;
nada mais normal que, em final de ano e quando as situações não souberam ser conduzidas, haja o descambar, o saltar a tampa, o entornar;
foi o que aconteceu a um colega que trocou datas e faltou a uma prova que não podia nem devia;
a partir daí foi e tem sido o destempero;
não nos podemos esquecer que há mais pela frente e que o próximo está já aí ao virar da esquina;
e temos que continuar juntos;
intimidade
desdobro, com toda a preocupação de não amachucar nem estragar, uma ideia, uma opinião;
dou de barato o flanco para a crítica e para a troca de comentários;
devagarinho, como é meu timbre, desvelo-me e, ao fazê-lo, revelo aquilo que procuro ser;
são intimidades públicas;
quinta-feira, julho 6
as intermitências
fico?, parto?, insisto? ou persisto?