quinta-feira, setembro 21

sinais da interioridade (2)

há tempos atrás redigi aqui um primeiro apontamento sobre estes sinais da interioridade;
volto a eles, pelos mesmos motivos em diferente contexto;
queixava-me da biblioteca pública de Évora, restringida a um pequeno espólio de empréstimo, claramente condicionado por opções de algo ou alguém; moribunda, senão mesmo em estado comatoso profundo quanto a depósito nacional;
hoje foi pelas esquinas de uma outra biblioteca, a da Universidade de Évora, que desesperei e socumbi à organização; ou não têm títulos mais recentes (sejam revistas, que deixaram de assinar, ou livros), ou não estão disponíveis;
os terminais de acesso à net, para pesquisa bibliográfica (local ou na b-on) são pré-histórico (palavras do funcionário) - provavelmente te-los-ei utilizado aquando da minha passagem por ali, na segunda metade dos anos 80;
não chega a simpatia dos funcionários que entre a amabilidade e a disponibilidade procuram disfarçar o assumido incómodo de me verem circular entre 3 salas sem qualquer tipo de resultado (perguntava eu se existiam outros depósitos, que não, que estava tudo ali ou fisicamente ou, pelo menos, registado; perguntava eu como é que os docentes, professores e investigadores desta Universidade, porque os há, procedem, acedem à informação, e o encolher de ombros foi a resposta, mas será a bilioteca apenas uma sala de estudo?);
se juntarmos a isto o encerramento sucessivo de livrarias na cidade, de não termos um loja de discos que possa legitimamente usar esta designação, percebemos a pequena dimensão que a cidade tem adquirido;
não se culpem nem autarcas nem governos, somos nós eborenses que a temos (des)promovido;

compromisso portugal

depois de 2 ou 3 anos passados sobre a primeira versão deste compromisso Portugal, empresários que afirmam nada querer da política, mas que forneceram quadros políticos ao PSD para a governação e fornecem pistas para a governação política (não apenas económica, mas também na área social) que pode este remake acrescentar?
duas coisas;
primeiro, mostrar que a alternativa à direita do PS opta pela privatização (não é um papão, mas condiciona a acção pública de qualquer intervenção política); depois mostrar que não há ideias novas ou, pelo menos e no mínimo, diferentes que possam ser consideradas alternativas, quer do ponto de vista político, quer do ponto de vista governativo, quer, ainda, do ponto de vista conceptual;
opta-se por discursos gastos, esgotados, sem clara capacidade de novos lampejos, de novos ou de diferentes desafios;
fica claro, com este compromisso, os dois modelos de sociedade que temos em opção; a de uma sustentação pública da acção política ou a vertente privada da exploração do interesse público;

quarta-feira, setembro 20

dos contrastes

Évora, enquanto cidade de (pequena) média dimensão, encurralada entre Lisboa e Espanha, marcada pela Universidade é uma cidade de contrastes;
há pouco percorria a praça de Giraldo, olhava em redor e oiço dois homens, ambos na casa dos 50 e tantos, a gritarem com um outro, a provocarem o outro;
este outro é uma daquelas figuras típicas destas (pequenas)médias cidades, todo aperaltado nos pequenos trajes que ostenta, chapéu enfeitado com flores, engodos de pesca ou pequenas tiras; camisa aberta a revelar aquele peito sarapintado de fios brancos, ar compenetrado como se fosse tratar de coisa séria; entre o sábio (da experiência) e o louco (pelo menos para alguns);
há uns atrás seriam os rapazes, os jovens a brincar com esta figura típica, a provocarem o seu andar e os seus ânimos de pessoa;
hoje são os mais velhos, aqueles que sempre habitaram esta cidade e que a constituem que brincam num claro sinal de contrastes entre uma Évora rural e de tradições e uma Évora pretensamente cosmopolita e culta - atenção que não é uma coisa nem outra.

do som

não sei, sinceramente não sei se é impressão se é certeza, mas fico com a sensação que fechou mais uma livraria em Évora;
passei ontem e hoje (e hoje por diversas vezes) pela Som das Letras e sempre fechada;
é certo que não há qualquer referência - a férias, folgas, feiras ou para outros assuntos;
se for verdade este ano é a segunda;
resta-nos a Nazareth (lá se vai aguentando enquanto a D. Maria José fizer alguma coisa por ela), a Salesinana, sempre com livros de outros tempos, uma nova, que nem sei o nome, na R. de Stª. Catarina e...
para uma cidade universitária ...

do procurador

fico preocupado em face das situações, tão recorrentes no últimos tempos, em torno de uma qualquer e aparente unanimidade;
sinceramente fico preocupado; será que corremos o risco de unanimismo?

terça-feira, setembro 19

sem título

pela primeira vez, desde há muitos anos que escrevo sobre coisas da escola (estou a falar do meu projecto de investigação), não tenho duas coisas que sempre orientaram a minha escrita e o seu sentido;
não tenho um título, uma designação, uma referência nominativa para aquilo que escrevo;
não gosto daquilo que já escrevi;
quanto ao título dou de barato, ele há-de aparecer, cedo ou tarde, melhor ou pior, para mudar, rasurar ou simplesmente esquecer, mas sei que há-de aparecer;
agora quanto à escrita e ao meu gosto por ela (ou a falta dele) é que me está a deixar os nervos em franja;
na próxima segunda-feira terei de apresentar um esquiço sobre a metodologia de investigação; o meu dilema vai contra dois postes; por um lado, isolar a metodologia do objecto e do objectivos de investigação é o mesmo que me encharcar em cerveja sem alcoól (encharca mas fica-se na mesma); por outro, preciso de arregimentar conceitos e ideias quer a jusante quer a montante e terei que ser parcimonioso - imagima a guerra conceptual;
resta-me gerir o stress, conseguir comer com a angustia e deixar livre pena à escrita, pois sempre gostei de trabalhar debaixo de pressão - isto é o meu sentido de ser alentejano, porque sem pressão simplesmente não trabalho;

segunda-feira, setembro 18

o espartilho da autonomia

o miguel deixa um comentário com o qual não posso estar mais de acordo; que a autonomia pode ser um espartilho, que as políticas (e particularmente os políticos) não têm confiado nos profissionais;
não podia estar mais de acordo; e tu, meu caro amigo e estimado colega, sabes isso;
a questão essencial não passa por aí, passa pelo facto de os profissionais, os professores terem entregue de mão beijada o ouro ao bandido;
tem sido a actuação dos profissionais, de desresponsabilização, de atirar para fora da escola as questões da escola que têm feito com que os políticos procurem tudo regulamentar, tudo prescrever, tudo orientar;
Reparem lá se se ouvem as escolas profissionais a reclamar? Atente-se na asuência de ruídos das escolas técnicas. Será que se ouvem noutras regiões rumores e adizeres oriundos de escolas privadas? Não se alvitre que essas tudo têm, não é verdade. Não se atreva a dizer que estão melhores que o público, pois não é geral.
Mas têm, na sua generalidade, projectos pedagógicos concertados, coerentes e consistentes. Têm culturas de escola e lideranças que permitem a definição de percursos e trilhos.
Que apresentam as escolas públicas?
Na generalidade das situações, incoerência, inconsistência, ausência de projecto, falta de ideias, dilacerão de pequenos interessos, debates fraticidas de objectivos, polverização de ideias.
Não significa que um ou outro docente não tenha, não saiba para onde vai e como vai.
O problema da escola pública é a proliferação de ideias e projectos, vontades e ânimos. Todos e tudo tem uma ideia, uma opinião, uma vontade, é voluntário e voluntarista;
desculpem lá, mas nem já nos bombeiros imperam os voluntários, como é que a nossa escola, pública, inclusiva, participativa podem predominar os voluntários?

as belas e os senão

pois, como se usa dizer, não há bela sem um pequeno, ou grande senão;
ao introduzir-me no mundo da net a partir de casa, optei, logo de seguida e por questões de mera e simples segurança por actualizar os sistemas de anti-virus, anti-spam, anti-spywere, etc;
resultado a máquina, um pentium III, velhinho, de 98, imaginem vocês, apesar de ter um disco relativamente novo, de há dois anos, diz que é areia a mais para o possível e desejável carrego;
lá me vou ficando nas curvas, lá me arrasto em plenas subidas;
lá fico à espera que depois de tecladas as letras a palavra surja no ecrã como que por magia;
resultado, lá terei de equacionar a mudança de máquina.

de fora e de dentro

procuro não cair na leve tentatação de discutir e contra-argumentar em torno das lógicas (dúbias e duvidosas) dos que são contra e dos que são a favor das Ciências da Educação e de qual o seu papel no contexto do estudo da escola e da coisa educativa;
procuro ir um pouco mais além, desculpem-me o pretensiosismo, e descortinar aquilo que fica daquilo que passa;
quando à dias escrevi que arranjar culpas e desculpas fora da escola é desculpabilizar e desresponsabilizar a escola e os seus actores, quero dizer exactamente isso; um exemplo, aquele que agora tenho trabalhado, o das questões em torno da disciplina escolar, vulgarmente trocada com a sua antítese, a indisciplina; habitualmente a responsabilidade não mora na escola, está na sociedade, na massificação educativa, nos meios de comunicação social, na indiferença dos pais/encarregados de educação; quanto muito um ligeiro assomo quando se apontam algumas referências aos modelos educativos, às estruturadas pedagógicas e, neste caso, a responsabilidade é acumetida ao professor, em particular à formação que (não) teve para determinar outros modos;
ora e a organização da escola onde fica? Por onde colocar os fluxos de alunos e de gentes cada vez de aspecto mais fabril que tecnológico? as lideranças educativas? as estruturas de participação e inclusão social e profissional;
neste como noutros aspectos não podemos ficar à espera de respostas nem de soluções préformatadas; para além do mais aqueles que porventura se adequem em Vizela, não serão as mais adequadas para Évora e mesmo nesta poderão variar de acordo com os públicos;
é aqui que quero dizer que não vale a pena olhar para fora da escola, apesar de ser mais visível e mais fácil;

sábado, setembro 16

zapp

finalmente, ao fim de quase ano e meio, esta é a minha primeira posta a partir do meio do nada, deste meu alentejo de meias águas (se dissesse profundo seria uma ofensa, como também não o considero superficial, fica-se pelas meias tintas), da Igrejinha, aldeia pela qual optei e na qual procuro sobreviver;
uma opção que ainda estou para perceber da contabilidade, fui atrás da publicidade e adquiri um zapp; não se tem portado mal, para primeira vez e primeiras navegações. A ver vamos o que futuro nos poderá reservar.
Agora é procurar a tralha quase toda, imagens, sítios, programas, ftp's e procurar em dois tempos estragar o computador, isto é, voltar a navegar, a surfar nas ondas da net.

quinta-feira, setembro 14

espanto

fico espantado, comigo mesmo, pela fluência com que escrevo sobre a escola;
afinal partilho da comum situação, é fácil sermos treinadores de bancada; alvitrarmos opiniões, opinarmos sobre tudo e para nada;

equívocos

este meu amigo, que defende a escola pública e para todos, de quando em vez alimenta equívocos onde outros aproveitam a oportunidade para alimentar a coisa e possa arder em lume brando;
considero desadequado dizer que sou professor do ensino básico vai para 20 anos; que escrevi durante praticamente dois anos e de modo ininterrupto coisas da escola, umas deixaram saudades, outras nem tanto; que sou um acérrimo defensor das pedagogias diferenciadas e da escola de P. Freire, pela promoção das autonomias, pela coordenação dos trabalhos pedagógicos e que abomino o master dixit, a prepotência e a arrogância dos ignorantes que se consideram inteligentes;
tive o privilégio de conhecer o Miguel por este intermédio, numa acessa troca de ideias sobre a escola e sobre os professores;
podemos, não apenas com ele mas com muitos que por aqui passam, divergir quanto a ideias e políticas, opiniões e sentimentos; quanto à escola estou certo que existirá um traço comum, a sua defesa, a defesa de um serviço que constitucionalmente é para todos na procura da equidade social; quanto aos modos e aos instrumentos dou de barato poderem existir divergências, caminhos diferenciados, opções outras; afinal as opiniões valem o que valem;
agora considero de uma profunda demagogia e de alguma falta de carácter permitir que se alimentem de si mesmos, os argumentos do eduquês, da defesa da escola de alguns e para alguns, sejam eles alunos ou professores, pais ou comunidades;
nunca como agora foi tão evidente que o que está em causa é a escola pública, de alguns ou para todos; durante os últimos 20/25 anos procurou-se, com os engenheiros (V. Simão, R. Carneiro e M. Grilo) formar e consolidar a escola democrática, de livre acesso e livre frequência;
o que tem estado em discussão nos últimos tempos, particularmente desde D. Justino, é que escola queremos, uma escola de elites com laivos do antigamente (onde, pretensamente, é tudo calmo, reina a disciplina e a ordem, há interesses pedagógicos e gosto pelas aprendizagens, ainda que seja apenas para alguns e os métodos deixem muito, mas mesmo muito a desejar) ou uma escola para todos, mediante o desenvolvimento de competências, o aprofundamento de saberes, a capacidade de tolerância e respeito, inevitavelmente marcada pela heterogeneidade de gentes (professores e alunos), de condições (sociais e políticas), de objectivos (para uns aprender, para outros conhecer, para outros apenas e simplesmente entreter, incluindo docentes), de sentidos (da construção individual ou simplesmente sem sentido);
o que se discute com estas medidas que tanta água têm feito correr é esta escola que pretendemos, e, estou certo que existirá algum consenço em seu redor, nomeadamente, que sirva a população, os jovens, as comunidades e os territórios, as gentes, que eduque e instrua, que sensibilize e apoie, que favoreça e promova, que estimule e espicace curiosidades e sentimentos, que envolva em vez de rejeitar e excluir;
como conseguir isso? provavelmente existirão inúmeras maneiras, diferentes modos e muitas opções. Mas há para mim e na leitura que faço do caminho político desta ministra uma que é clara, a da equidade social. E isto tem custos, particularmente para os professores e para a escola enquanto organização, que se mantém na lógica fabril (afinal as fábricas ou fecham ou são deslocalizadas), em hierarquias verticais e funcionais, quando os saberes circulam por tudo quanto é lado, de todos os modos e em todos os sentidos, que persiste em levantar barreiras, erguer muros e fechar portões como se com isso, se isolasse, se imunizá-se ao exterior. Tão falso como idiota. Tão desajustado como desadequado.
Afinal e como ali deixei, não se confunda nesta discussão, a beira da estrada com a estrada da beira, e há muita gente, muitos interesses e muitos interessados que estão manifestamente interessados nesta confusão ou nesta promiscuidade de ideias;

quarta-feira, setembro 13

chove

afinal o Outono aproxima-se a passos largos - é já para a semana;
nesta minha cidade de Évora chove; não apenas aquela chuva miudinha, mas uma chuva forte e grossa;
lava o chão, apressa o passo às pessoas apanhadas desprevenidas, aromatiza de outros odores as ruas e travessas;
afinal, aproxima-se aquela que é a minha estação do ano;

campeões e aflições

se não fosse um colega desafiar-me para vermos o jogo do glorioso, logo à noite para a liga dos campeões, nem me aperceberia de tal facto; tal é o afastamento que tenho imposto a este glorioso;
o jogo do passado sábado apenas vi metade (felizmente e segundo rezam as crónicas o menos mau);
o de hoje nem sei se verei, entretido que estarei em amenas cavaqueiras, análises de bancada, na definição de estratégias sociais e não de meras engenharias;
enfim, campeões antigos rei das aflições;

terça-feira, setembro 12

discursos

cá em casa começou hoje o ano lectivo;
foi engraçado ouvir os discursos de recepção dos senhores professores;
afinal, a senhora ministra - apesar dos modos - até tem algum leque de razão;
lá se fazem sentir as medidas ao nível da organização e da estruturação das escolas; das opções e das orientações;
a bem não vai, por muito que se defenda o grupo, se acertem as ideias, se definam apontamentos de reflexividade;
grande parte do sistema está montado a pensar apenas numa parte da sua composição (e não têm sido os alunos nem as famílias); grande parte dos professores gosta de ser simples funcionário - sempre disse que há espaço e oportunidades suficientes para todos;
pela primeira vez desde que o filhote está naquela escola gostei de ouvir o discurso de recepção e de perceber que há lógicas (de serviço público, de equidade social) que se introduzem nas paredes da escola;
faço votos para que não se fique pela recepção;

cenas do meu país

imaginem, a tensão e o stress de se redigir um texto à volta de metodologias que poucos dominam e muitos desconhecem (análise cognitiva de políticas públicas);
imaginem agora vocemecesses o meu stress opto por ir mais cedo para casa, arrumo as coisitas e me preparo para escrever; ligo o computador, puxo os livros e os apontamentos, acerto ideias e ânimos e... puf fico sem luz; dou voltas assumidamente ignorantes ao quadro eléctrico e não descortino ponta de eventual problema; espero, não tenho outro remédio; estou sozinho no meio de nenhures e não ganho rigorosamente nada em olhar a casa do vizinho;
mas quem espera desespera e começo a ficar irritado; afinal tinha saído mais cedo para ir trabalhar e estava sem fazer nada; telefono à EDP, serviços técnicos; dou conta do caso, que iam enviar de imediato um técnico; o imediato sempre demorou um bocado, mas pronto, o problema foi o senhor chegar e dizer que tinha ordem de corte; motivo, o ramal é de obras e ultrapassou o período de instalação; sem qualquer aviso, sem nada; bonito, e agora o que faço com duas crianças no meio do campo? a resposta foi um encolher de ombros;
o resultado foi um serão maravilhoso, passado à luz do candeeiro a petróleo, na companhia da família e em amena cavaqueira; deitar cedo e cedo erguer foi o destino;

sexta-feira, setembro 8

sinais da interioriadade

Há uns tempos atrás tive oportunidade de enviar um comentário para o blogue de Pacheco Pereira referente à biblioteca de Évora que mereceu, para além de honras de publicação, comentários simpáticos nesta minha cidade;
um espaço que, nas minhas memórias de estudante nesta cidade, era repleto de respostas, pelo acervo que continha, pela organização que primava, pela acessibilidade dos documentos, pela procura apoiada e muita das vezes substituída pelos elementos sempre prestáveis (uns mais que outros, obviamente) que ali se encontravam;
por razões académicas regresso à Biblioteca de Évora à procura de títulos, documentos, jornais e livros;
uma agradável surpresa, decorrente da modalidade de empréstimo, um espaço diferente das tradicionais bibliotecas, labiríntico na orientação do leitor, na arrumação e disponibilidade dos títulos, pela quantidade disponível;
em contrapartida um manifesto desapontamento, fora da modalidade de empréstimo é, segundo dizem alguns elementos, o caos, a desordem, a desarrumação, o encaixotar de ideias e de sonhos, pensamentos e opiniões;
peço um jornal de meados da década de 90, não está disponível; peço uma revista do final dos anos 80, não temos; peço um livro de 2001, provavelmente temos mas estará certamente empacotado;
num dos dias que vou à biblioteca o meu filho mais velho aproveita a companhia e diz que vai pesquisar nos jornais do dia em que nasceu; como foi um domingo não estão disponíveis ou simplesmente não existem;
procuro eu uma revista da área da educação, das mais conhecidas, só têm números intercalados e por mera coincidência - dizem-me - a que solicito não há;
resultado, de um total de cerca de 20 títulos que alí procurei apenas tive acesso a três ou quatro, tudo o mais sou remetido (sugiro, recambiado) para a biblioteca nacional numa assumida desconsideração institucional de um local de culto e que deveria ser de cultura;
é nestas pequenas mas significativas questões que se fazem sentir os sinais da interioridade;
uma biblioteca pública que foi (ou é, não sei) depósito nacional, recambia os interessados para a biblioteca mais próxima, no caso a de Lisboa;
estou certo que há biblioteca municipais mais arrojadas, organizadas e com amiores disponibilidades que esta que progressivamente e quando comemora os seus 250 anos, se perde na memória, na desorganização, no pó;
é pena;

uniformidade

um colega do serviço onde me encontro transitou, por razões pessoais, para uma outra delegação, para uma outra região;
na troca de comentários sobre a mudança, nomeadamente entre semelhanças e diferenças, a resposta vai no sentido de serem mais as semelhanças do que as diferenças;
falamos de duas regiões (Évora e Faro) aparentemente distintas do ponto de vista de dinâmicas de juventude;
não me cansarei de defender que é preciso diferenciar para que se possa trabalhar para a equidade; que a igualdade mais não faz que realçar e reforçar diferenças, numa assumida posição de darwinismo social;
é este Estado, herdado de meados do século passado, que tudo procura homogeneizar, para o qual é tudo uniforme e singular que está em esgotamento perante ideias, concepções e práticas que consideram o Estado plural, heterogenio, diferenciador;
a nossa escola, a escola pública portuguesa muito tem contribuido para esta homogeneização; as dores que se sentem, pelo algumas delas, relacionam-se com esta mutação;

quarta-feira, setembro 6

parabéns

parabéns senhor primeiro ministro [uma outra variação ao sim, senhor ministro];

leituras

Até muito recentemente sentia alguma resistência em realizar leituras directamente do ecrã do computador.
Apesar de os documentos serem digitais (PDF’s, HTML ou outro) quando sentia interesse por um dado documento imprimia-o e, assim, sentia-o nas mãos, podia sublinhá-lo, rasurá-lo de acordo com as diferentes leituras que lhe fazia.
Há dias um comentário fez-me perceber uma outra razão deste meu pretenso gosto.
É que ler, ter um livro ou um texto nas mãos implica um reclinar atrás, um recostar para fruir a leitura e as ideias. Enquanto ler um qualquer documento no ecrã de um computador implica um inclinar à frente, para nos sentirmos mais próximos da fonte, termos uma outra noção do equilíbrio entre nós e o texto.
Pois, …mas fruto de obrigações, agora tanto leio no ecrã como manuseio um livro. Mas que gosto mais de sentir o livro, lá isso gosto.

Território

Regressaram aos serviços noticiosos da noite os contornos de uma polémica sobre o encerramento de mais uma maternidade, desta feita de Mirandela.
É deste confronto que ontem opinava; é deste confronto da exaustão do espaço territorial, entendido como local das práticas e das políticas, que se confronta com a sua própria desmaterialização.
No final dos anos 90 foi a informação que se desmaterializou em face da que circulação nesta rede, da proliferação de fontes e pela diversidade de mundos que faz transparecer.
Foi o local que se tornou global, foi o global que se localizou numa assumida ausência de espaços e, acima de tudo, de um qualquer território.
Neste início de século, nós por cá, confrontamo-nos com o fim de um espaço físico material e palpável que nos define, nos molda.
Cada vez mais somos de todos os lados, as raízes tanto estão aqui como ali, numa desmaterialização do território enquanto centro operacional de políticas e de práticas sociais.
A construção das pertenças já não é definida pelo território, por um dado e concreto território, definido pelas suas fronteiras físicas, caracterizado por uma dada morfologia. A pertença hoje é social, como é afectiva, moldável e dinâmica em função dos interesses de cada um, das capacidades que um dado território, num dado momento nos oferece.
Para uns é importante nascer aqui, neste lugar. Para outros tanto faz ser aqui como ali, apenas interessa saber que aconteceu e porque é que aconteceu.

terça-feira, setembro 5

olhares

já agora e só para uns quantos mais cúmplices destas escritas e destes cantos de vida;
tenho estado ausente, mas atento ao que se escreve;
são troca de olhares, entre o descomprometido (do cruzar simples) e o insinuante (do gosto pelo que se lê e vê);

confronto

durante este Verão várias situações se me colocaram para destacar o confronto cultural que neste momento ocorre neste país à beira mar incrustrado;
entre tradição e modernidade, entre ruralidade e urbanidade, entre provincianismo e cosmopolitismo, entre o velho e o novo, entre o passado e o futuro, foram vários os apontamentos, diferentes as situações;
do ambiente à cultura, passando pelo desporto, pela política sentem-e, mais nuns lados que noutros, mais numas circunstâncias que noutras, o claro confronto desta portugalidade que pouco a pouco se afirma no século XXI;
descobrimo-nos, ou descobrimos o que queremos ser;

provocação

reconheço que não resisti à provocação de um amigo;
de um amigo que infelizmente não vi este Verão e que teve a ousadia de atravessar uma boa parte deste meu Alentejo sem qualquer tipo de autorização;
não resisti à simplicidade do contacto, da advertência;
ausente mais por opção do que vocação, respondo à provocação e digo presente;
ainda não desisto;

quinta-feira, agosto 17

antecipação

estes dias mais parecem uma antevisão do que poderá ser o Outono do que propriamente dias de Verão;
mas gosto destes dias, em que me apetece enroscar nos lençõis, sentir o aconchego de um abraço acolhedor, o sorriso triste de quem perdeu mais um dia de sol;
afinal, estes dias fazem-me lembrar o Outono, a minha estação do ano;

da decisão

provavelmente há muita gente que pensa que a gestão da administração pública é feita por grandes decisões;
em determinados níveis até pode ser, adquirir essa dimensão; agora neste que frequento, de base regional, o quotidiano é feito de pequenas e inúmeras decisões;
há, obviamente, uma orientação, mas a decisão não é nem grande nem pequena, acontece fruto das circunstâncias, das solicitações dos acontecimentos, do fluir do dia;
preocupação central, que sejam coerentes, consistentes e lógicas na sua articulação; e neste campo por vezes falha-se e quando se falha no âmbito público pagamos todos;
mas considero interessante parar e olhar o meu quotidiano, as decisões que me acompanham, o pulverizar de pequenas circunstâncias, umas aqui, outras ali;
há tempos associava este quotidiano ao de uma escola, onde as hierarquias são planas e as responsabilidade diluídas por pequenos patamares de poder [há quem lhe chame quintinhas];
afinal, a sociedade é à imagem da escola, ou será a escola à imagem da sociedade?

quarta-feira, agosto 16

escrita

dei aqui conta, há dias, do stress, da ângustia que sinto quando páro e pretendo escrever no âmbito de um projecto de investigação;
poucos dias depois, optei por trocar ideias com os colegas deste caminhar, com o pretexto de estarmos no mesmo barco, rodeados do mesmo mar; se eles também se sentiam apertados, angustiados, stressados;
ora descubro que há vários sentimentos, desde alérgia, a náuseas, ansiedade, stresse puro e simples, insónias, um pouco de tudo, como na farmácia;
afinal não sou só eu, valha-me isso;
apesar do reconforto o certo é que Setembro está já aí e eu só tenho 2 folhas escritas (de que nem gosto particularmente);
a ver vamos, assim diz o cego cá da terra;

roteiro

a propósito de um dos meus cantos preferidos da gastronomia local, faço referência para uma actividade que o filho começou a desenvolver;
como os pais são apreciadores do bom garfo e faca e das boas companhias tintas, verdes ou espumosas e o filho não se fica atrás, começou a redigir um roteiro gastronómico que reflecte os seus gostos, as suas impressões e a avaliação que faz dos sítios por onde passa;
engraçado que, apesar do seu gosto ir ao encontro da sua faixa etária (está com 12 anos) e serem preponderantes as pizzas, a fastfood, o roteiro dele, para já, apenas contempla a cozinha tradicional;
três referências;
a choupana em Évora, perto da praça de Giraldo (está fechado até final do mês), é um gosto e um prazer pela variedade de petiscos e pela confecção ainda muito marcada pelo toque caseiro - acrescento que tem uma das melhores imperiais - finos - da região, e uma relação preço qualidade dentro da média, na casa dos 10€/15€ pessoa (consoante as entradas e os acompnhamentos);
o alpendre, em Arraiolos, uma manifesta catedral que se impõe nas redondezas; marcado maioritariamente pelo traço regional, seja na comida como nos vinhos, tem uma confecção declaramente familiar e umas entradas que combinam com tudo; a relação preço/qualidade é que faz com que seja de frequência atípica, entre os 25€ e os 30€ pessoa;
fora da região, o rei do chouco frito, em Setúbal, no prolongamento da Av. Luísa Tody no sentido do cais para Troia; conheço os proprietários desde o final dos anos 80, alugaram-me casa quando leccionei em setúbal e por lá tive de ficar; preponderante o chouco, obviamente, feito como mais ninguém e em mais lado nenhum, mas experimentem qualquer peixe na brasa, segredos de longa data com um atendimento que é marcante e familiar;

soltas - do comérico 2

na passada 2ª feira, em face de véspera de feriado, fomos tirar um petisco, como se diz cá pela família;
andámos por metade da cidade à procura de um local; lá fomos parar ao de quase sempre - a choupana, recomendo vivamente;
entre a confusão de línguas (italiano, espanhol, portunhol, inglês e francês) o funcionário lá nos arranjou os lugares, ao balcão por ser mais rápido;
entre umas tiras de choco e umas febras de vinagrete, uma feijoada de marisco que estava uma delícia;
como companhia, para além da família, de umas cervejitas que o tempo está(va) quente e sempre fica mais em conta;
a televisão passava um concurso em que questionava qual, entre os apresentados, o álbum mais antigo dos U2; respondi eu e respondeu o senhor italiano sentado a meu lado;
a partir daí estabeleceu-se uma conversa sobre turismo, regiões, ofertas, gastronomias e prazeres de verão;
agradável de perceber qual a ideia, a imagem que os outros têm de nós, dos nossos produtos, das regiões, da oferta portuguesa, da diferença relativamente a outros povos, países e culturas;
terminou-se a noite com uma questão que ficou por responder; afirmava o senhor que teremos dos melhores vinhos que conhece, e diz conhecer muitos, porque é que não são conhecidos lá fora? porque é não são visto lá fora?
boa pergunta;

soltas - do comércio 1

é incrível, pelo menos para a minha pessoa, a capacidade de adaptação, a versatilidade e a mobilidade do comércio chinês;
instalaram-se à pala da bijuteria, da marroquinaria;
passaram, quase sem se dar por isso, para a ménage, utilidades para a casa, bricolage;
passaram pelas ferramentas, acessórios, materiais de limpeza e higiéne;
neste momento, aqueles que estão pelas bandas de Évora, viraram, na sua maioria, para a confecção, têxteis lar, roupa, sapatos;
o restante comércio, na sua generalidade, permanece como (quase) sempre os conheci; as mesmas montras, a mesma oferta, os mesmos produtos, os preços sempre a subir (fruto da crise, dizem os senhores), a mesmissima apresentação e configuração;
uns queixam-se da concorrência, outros aproveitam-na; uns apontam o dedo à crise, ao governo, à câmara; outros aproveitam nichos de mercado, a evolução dos gostos e, acima de tudo, das necessidades;
é o comércio tradicional no seu melhor;

segunda-feira, agosto 14

chuva

vinha no carro e a previsão do estado do tempo dizia que, a partir de 4ª feira, possibilidade de ocorrência de chuva;
chuva? ainda se lembram disso?
assumo que depois do Verão, das temperaturas e dos odores, sinto saudade de uma chuvada, seja ela de Verão ou prenunciadora do Outono;

militar

afinal e consequência da reestruturação dos serviços militares, Évora merece destaque, o destaque que desde meados do século XX assumiu e protagonizou;
segundo parece veêm para Évora serviços operacionais na área da educação e formação militares (notícia Expresso);
bem vindos;

(des)igualdade

há muito tempo, desde os meus primeiros passos na pedagogia diferenciada, lá para os primeiros anos da década de 90, que considero que tratar todos de igual modo e da mesma maneira mais não faz que assentuar as diferenças, sublinhar as divergências e criar um maior fosso entre quem não é, por vicissitudes várias, igual;
este fim-de-semana, primeiro num jornal semanário o presidente da câmara de Sintra pôs o dedo na ferida e disse que a Lei das Finaças Locais tem de reflectir as diferenças entre os grandes e os pequenos munícipios (provavelmente passará ao lado de muitos que qualquer freguesia urbana de Évora tem mais eleitores que qualquer outro concelho do distrito, mas muito menos recursos e condições de gestão, como os critérios de dotação são idênticos - mas não deviam ser - para Barrancos ou para Lisboa);
depois e no âmbito dos fogos, o presidente da associação de bombeiros profissionais realça a tradição de culpabilizar tudo e todos, não restando ninguém para poder casar com a culpa; dentro disto, destaque para uma manchete jornalística em que a geografia do fogo retrata o planeamento e a prevenção (que não foi) realizada;
entre um e outro dos apontamento, a manifesta desigualdade de tratamentos, quer na gestão da coisa pública, quer na acção do Estado;
por isso defendo que para se criar a igualdade, há que acentuar as diferenças; a partir daí talvez faça mais sentido falar-se de estado social;

sexta-feira, agosto 11

aniversário

fez esta semana um ano que cheguei ao poiso onde me encontro, com responsabilidades distritais no âmbito da juventude;
o que mudou? o que permaneceu? qual a minha responsabilidade entre um e outro ponto? são perguntas às quais procuro responder;
mas, determinante, foi perceber as dinâmicas, as acções, os projectos, as ambições, as características que marcam esta área;
os sonhos, as aventuas, o papel do associativismo na construção de projectos de vida, no arranque profissional, na afirmação identitária, na criação de raízes ao local, na própria construção do local são circunstâncias que admiro e me surpreenderam pelas características e pelas formas que adquirem.
como na generalidade do país carece esta área de duas coisas, formação (aos responsáveis associativos, às entidades acolhedoras, aos parceiros sobre o papel de cada um) e organização (nomeadamente ao nível da dimensão crítica, na construção de projectos e de respostas sociais);
sobra, tal como na generalidade do país, dedicação, vontade, tenacidade, perseverança pelos ideias e pelos projectos;
ao fim deste tempo continuo a descobrir coisas novas e diferentes e, acima de tudo e que me enleva, a descobrir-me;

afinal... normalidade

depois da ausênci, a constatação do óbvio, o chover no molhado, dizer mais do mesmo, reconhecer a banalidade da normalidade;
afinal este é mais um Verão normal, igual a todos os outros;
há fogos um pouco por todo o país, os políticos estão ausentes em parte incerta, os jornais falam de banalidades de verão, futilidades estivais e coisas que tais;
não sei se esperaria algo de diferente, mas destaca-se a normalidade;

quarta-feira, agosto 9

...

desagradável neste período de férias é a quantidade de restaurantes, cafés, pastelarias, cervejarias, casas de pasto ou de comes e bebes que nesta minha santa terrinha de Évora está fechada;
é ver o pessoal a cirandiar de lado para lado, à procura de alguma coisa aberta para molhar o bico, fazer uma pausa de almoço ou simplesmente trocar dois dedos de conversa com os amigos, com os turistas;
numa cidade que se pretende turística, que deverá funcionar todo o ano os estabelecimentos mais solicitados nesta altura resolve fechar;
depois queixam-se da crise ou das grandes superfícies comerciais; os comerciantes desta terra (não todos, nem todos de igual modo) pararam no tempo, naquela frase que "antigamente é que era bom"; para eles, não pensavam era no cliente, pois claro;

redução

com algum esforço e muita contenção lá tenho conseguido reduzir o perímetro da cintura, algo castigado durante o período de férias;
desde o início do mês até hoje, já desapareceu perto de um kilito; ainda falta alguma coisa para o objectivo inicial, mas é de salientar;

lazer e prazer

convenhamos que, para quem está a trabalhar, este mês é um período de contrários agradáveis;
por um lado, o aborrecimento do trabalho (há quem goste), por outro o conforto de não haver moengas;
por um lado, o calor, por outro o prazer dos ares condicionados e do fresco interior das casas alentejanas;
por um lado, o sol que queima a pele e os mais simples neurónio; mas, por outro, o prazer de termos quase sempre um lugar para estacionar à sombra;
por um lado, a desculpa de alguns serviços pela falta de pessoas, que estão de férias, por outro, o prazer das poucas ou nenhumas solicitações a alguns serviços que permitem que, neste mês, haja uma resposta de qualidade, atempada e, acima de tudo, oportuna;
o lazer e o prazer, de mãos dadas para quem trabalha;

segunda-feira, agosto 7

stress

uma das minhas causas de stress está relacionada com a redacção de um prjecto de investigação;
descoberta recente, confirmada a minha admiração, resta-me a surpresa da causa de stress de uma coisa que, aparentemente e à partida, até seria (e foi em tempos) uma fonte de prazer;
o certo é que tenho as ideias (construir o estatudo do aluno do ensino não superior como uma medida de acção política que se inscreve nas naarativas de regulação do sistema), as pretensas teses (que o regime disciplinar vai para além da conformidade às normas e às regras definidas localmente e se relaciona, intimamente, com práticas pedagógicas, com o sistema de organização da escola e da rede local de formação) e linhas de orientação (que o estatuto do aluno é um referencial de regulação do sistema de educativo em tempos marcados por processos de multi regulação);
para quem perceba a retórica educativa, isto até pode parcer pertinente;
pois; o problema é quando me sento, frente ao computador, com os apontamentos mais ou menos organizados e ganho uma urticária em que nada sai, tudo me incomoda;
falta pouco mais de um mês para a entrega do relatório e, até ao momento, tenho duas páginas escritas e com manifesta falta de fundamentação;
ai o stress; como alentejano assumo que me dou muito mal com o stress; causa-me stress;
que fazer? que posso eu fazer para ultrapassar o impasse stressante;

pressas

podem não acreditar, mas gosto da fama e do proveito de ser alentejano;
só não gosto é das pressas dos afazeres que fazem com que aqui chegue à pressa, escreva coisas à pressa e saia à pressa;
para alentejano que se preze isto de tanta pressa até cansa;

quarta-feira, agosto 2

mamarrachos

não sei se sabem ou se conhecem a expressão utilizada - mamarracho;
senão a conhecem é algo que se destaca de uma paisagem e a oprime, a fere, qual furúnculo cutâneo que queremos arrancar e não podemos;
um mamarracho é algo que marca negativamente a paisagem urbana, que assinala, de modo claro, a falta de gosto;
pois é, mamarrachos são o que andam a pulurar na minha aldeia da Igrejinha, concelho de Arraiolos;
apareceram três novas urbanizações que, com os seus implantes, ferem (em alguns caos gravemente) a tradição, o hábito e a cultura das gentes locais, a história da construção local e regional; utilizam materiais que nada têm a ver com o local, com a aldeia, com a tradição; adquirem volumetrias que sombreiam tudo o resto e escondem a história; adquirem lógicas de circulação que mais parecem um bairro suburbano da cidade de Évora, revelam ideias desconchavadas, desconexas da realidade e do contexto;
e permitiram-no; deixaram que acontecesse;
mamarrachos.

ligações

apareceram, neste novo figurino, um conjunto de ligações que são, antes de tudo o mais, ligações afectivas;
ideias sobre o meu mundo e como eu gostaria que ele fosse; ideias sobre a escola e sobre o Alentejo, ideias sobre a política e sobre a vida;
não é uma troca, é o reconhecimento do prazer da escrita, dos sítios por onde habitualmente poiso o olhar e descanso sentimentos e me descubro, a mim mesmo, nos outros;
provavelmente irá crescer à medida que me descubro mais e mais;
assim me conheço, assim me dou a conhecer;
uma intimidade pública;

glorioso

lá vai o (antes) glorioso, de derrota em derrota até à vitória final;
palavras para quê, declaramente que o enginhero não tem nem arte nem engenho para aquilo, nem aquilo tem arte ou ponta por que se lhe pegue;
já tremo só de ouvir falar alemão;

terça-feira, agosto 1

cores

de certeza que o miguel já pensava que não lhe ligava, que o tinha desprezado e esquecido;
está ele bem enganado; não esqueço quem gosto;
vai daí só agora, só hoje, mostro a proposta que ele me fez chegar deste novo template;
como ele confunde cores, e por agora, perdoo-lhe o excessivo laranja aqui presente; nada que não se altere;
de resto, mais uma alteração para que tudo fique na mesma - o tudo é a escrita, os sentimentos e as amizades;
obrigado miguel, boas férias;

passeio

este é um mês em que gosto particularmente de passear às grandes cidades, Lisboa, Porto, Coimbra e coisas que tais;
invariavelmente com a família em fim-de-semana de Agosto fazemo-nos à estrada; geralmente para Lisboa.
Adoro Lisboa nesta altura, os seus bairros em redor do Castelo, os museus, as esplanadas à beira rio, os passeios nas avenidas novas, o sol por entre as colinas;
como adoro o Porto, quente sem ser sufocante, agradável na pronúncia do norte, as noites temperadas na foz, na ribeira (entre uma e outra margem) nos bairros do Douro;
neste mês não ha confusão de gentes e de trânsitos; os lugares públicos estão cheios de ninguém; somos todos turistas, a despreocupação é geral e o prazer comum;
são os meus passeios de Agosto;

prazer

em férias, ao contrário do que é ventilado pelas figuras ilustres naqueles programas de tv para férias, cheios de coisa nenhuma, procuro não ler nada, descansar das leituras - é o célebre prazer de ter um livro para ler e não o fazer - sejam livrescas sejam jornalisticas;
distancio-me de mim mesmo, dos quotidianos, dos afazeres, das preocupações, das consternações diárias;
em final de férias regressa-me a vontade de ver telejornais, de mirar as manchetes de alguns (poucos) jornais, de folhear um ou outro livro;
chegado de férias, na frescura viçosa da retemperança, dou com os jornais ocos, mais ocos do que o habitual; e dou com alguma vontade de regressar ao trabalho, agora que está meio mundo de molho;

férias

finalmente acabaram-se-me as férias; finalmente estou de regresso ao trabalho;
não estava farto desta vida de cão que são as férias;
mas reconheço algum cansaço dos trabalhos inerentes às férias; deslocações daqui prá'li;
magotes de gente (e não era Agosto), areia em tudo quanto é lado (e alguns bem aborrecidos); alguns excessos (acrescentei um kilito ao pecúlio do ge), muita sede, crianças que querem isto e depois aquilo, a esposa que só quer ver mais esta montra, este pormenor, aquela ideia, os pais que se queixam de andarmos por fora, os sogros porque não vêm os netos, irra...
finalmente estou de regresso ao prazer do ar condicionado do serviço; ao tempo descansado sem areia nem filas de espera, comer a horas certas e comedidamente, recuperar a perda de calorias e as leituras que nunca faço em férias;
finalmente é o regresso;

quinta-feira, julho 13

que pensar

que pensar de um governo de esquerda que agrada à direita e de um presidente da república de direita que agrada à esquerda?
não acredito em coincidências nem em trocas e baldrocas;
acredito que cada qual a seu modo, procuram garantir o futuro;
e nós, por cá, como ficamos? [entalados, pois claro]

nós, por cá

nós por por cá ainda temos algumas coisas para aprender - será que vale a pena aprender?
face a estas notícias e depois de as vozes locais se terem insurgido tanto e tanto pelos asessores locais, o que pensar? em que pensar?
apenas uma óbvia constatação, que há necessidade de alterar a lógica e os princípios de governação do poder local;
para quando esta alteração?

vislumbre

ontem, princípio da noite, descia a R. da República e tive oportunidade de vislumbrar o que terá sido, em tempos esta cidade de Évora.
Entre um céu pulvilhado de pontos entre o branco e o cinza, uma claridade que se escondia na noite, o despontar do luar, sobressaia a cor e os enfeites luminosos dos vitrais da igreja de s. Francisco.
acreditem, um espanto;

quarta-feira, julho 12

quente

não são as minhas crónicas do deserto, mas que está quente, está, muito quente;

gestão

tive recentemente conhecimento, que a C.M de Alvito desenvolve aquilo que é comumente designado como gestão participada;
interessante, não apenas ali, mas a que decorre de experiências idênticas que têm sido desenvolvidas com particular destaque no Brasil, em comunidades mistas (urbano/rural);
apesar de simpatizar deveras com a ideia, pergunto qual o papel das juntas de freguesia, o primeiro degrau do poder local, aquele que está mais próximo e presente das populações, perante esta metodologia de gestão?
não se correrá o risco de esvaziar esses pequenos poderes? existirá interesse nisso?

terça-feira, julho 11

saloio

há uns tempos atrás, tive oportunidade de solicitar, a quem de direito, que os senhores em Lisboa deviam confiar um pouco mais no pessoal que nomearam ou que suportaram nomear;
tenho a clara consciência e a crescente convicção que, nos últimos tempos, os senhores de Lisboa para além de não confiarem em quem está na província, nos consideram para além de saloios, parvos;
e isto enfurece-me até dizer chega; posso ser tudo, tolerar muita coisa, mas irei pedir, uma vez mais a quem de direito, que não apenas confie em quem está na província, mas que também não nos considere parvos;
para além der falta de educação é uma asneira organizacional e um erro político; mas há quem persista neste erro;

mais uma

mantenho as dificuldades de acesso à net (contrariedades tecnológicas e outras que persistem), mas procuro, de quando em vez, mudar de perfil, para continuar o mesmo, para reforçar o que sou;
na assumida dificuldade de mudar de modo mais radical, fico-me por estas alterações;

partilha

esta escrita, este meio (blogosfera para uns, escrita vitrtual, para outros, ou criativa em diferentes contornos, para outros ainda) permitiu-me duas coisas, acima de tudo;
conhecer, gostar (atrevo-me a dizer, a amar) algumas pessoas pelo conhecimento da sua escrita, pelas suas ideias e opiniões; tantas vezes, ao cruzar algumas das escritas, me revi ali, me senti ali, desde o presente, aos sentimentos do momento, às ideias e memórias de um passado mais ou menos distante; como é incrível que contextos tão diferenciados, percursos tão distintos, permitam a construção de tão idênticos sentimentos;
por outro, valorizar, respeitar e assumir as diferenças, sejam de ideias ou de meras opiniões, de situações ou valores; mesmo políticas, outras profissionais, outras apenas estéticas;
é por isso que teimo e presisto em ficar por aqui, mesmo que muitas das verzes diga banalidades, vulgaridades, lugares comuns, coisas normais;
afinal até gosto das coisas simples, eu que as complico muita das vezes;
afinal, é uma partilha, entre sítios diferentes, com poisos diferentes, mas é uma partilha em que me aprendo mais, quando mais conheço os outros, mas te conheço;

segunda-feira, julho 10

concepções

de quando em vez, de modo propositado ou nem por isso, gosto de comprar algumas (ini)amizades;
quem, como eu, ocupa lugares de chefia (mas pouco) na administração pública está sujeito a uma de duas situações; ou cala e consente toda a espécie de diatribres (implicando engolir alguns sapos) ou, em alternativa, vai replicando, mostrando outras perspectivas, outros olhares;
pelo meu feitio, muita das vezes acusado de truculento, procuro dosear as situações e há vezes em engulo o sapito, outras que replico, que contrario;
recentemente assim aconteceu, ainda por cima com figura de destaque na hierarquia da casa; comprei uma inimizade simplesmente que decorre de diferentes visões/concepções da ideia do Estado e do seu papel;
há quem o defenda como hierárquico, rígido, distante, formal; há quem o pense para servir as populações, interesses colectivos, reticular, mais informal, mais próximo e útil;
de guerra em guerra lá vou eu até à derrota final;

da bola

já agora, permita-se-me quebrar um silêncio auto-imposto, relativamente às coisas da bola, em geral, e em particular do mundial, para deixar a minha opinião, enquanto treinador de bancada;
chegámos ao 4º lugar e pronto, enquanto deu para avançar com golos dos médios, enquanto conseguimos ultrapassar s defesas com médios mais ou menos ofensivos, fomos prosseguindo; quando precisámos de avançados para esburacar as defesas ficámo-nos por aí, pela necessidade;
vai daí e puxo um título do jornal A Bola, da semana passada, com Eusébio eramos campeões;
pois, mas tenho o hábito de dizer que se a minha avó tivesse rodas...

calor

previstos estão 41; efectivos, variarão de acordo com o local, a hora e a disposição;
o engraçado é que o céu está "esquisito", entre o nublado e o vagamente cinza;
mas o mais engraçado é o que o Alentejo só é Alentejo com calor, com muito calor; na passada sexta-feira, num concelho da raia, um senhor dizia que já estranhava, afinal, na Alemanha, onde tem jogado a selecção, tem estado mais calor que no Alentejo; não podia ser;
não podia nem pode, cá está ele, quentinho; o suficiente para derreter o alcatrão;

sexta-feira, julho 7

empresários e educação

É uma relação normal, direi eu, esta que se procura fazer passar entre os empresários e a educação, nomeadamente na procura de proposta de inclusão, de sucesso, de melhoria do sistema e do funcionamento, afinal o sistema é aberto e interessa a todos, empresários incluídos;
já não considero normal é o silêncio daqueles que defendem a escola e a sua profissão;
é o terceiro dia em que circula esta notícia, com maior ou menor destaque, mas o silêncio e a distância imperam;
é por estas e por outras idênticas que progressivamente os professores são considerados meros e simples instrumentos, umas vezes prescindíveis, outras necessários apenas como meio para fins de outros;

excessos

o ano lectivo foi imenso;
a travessia deste ano levou mais tempo que nos outros anos;
foi notório, em algumas situações, o cansaço, o stress, os apertos, as fricções;
nada mais normal que, em final de ano e quando as situações não souberam ser conduzidas, haja o descambar, o saltar a tampa, o entornar;
foi o que aconteceu a um colega que trocou datas e faltou a uma prova que não podia nem devia;
a partir daí foi e tem sido o destempero;
não nos podemos esquecer que há mais pela frente e que o próximo está já aí ao virar da esquina;
e temos que continuar juntos;

intimidade

desfio, lentamente, um fio de pensamento;
desdobro, com toda a preocupação de não amachucar nem estragar, uma ideia, uma opinião;
dou de barato o flanco para a crítica e para a troca de comentários;
devagarinho, como é meu timbre, desvelo-me e, ao fazê-lo, revelo aquilo que procuro ser;
são intimidades públicas;

quinta-feira, julho 6

as intermitências

nunca sei como proceder e o que fazer, após estas minhas intermitências, entre intervalos soluçantes de escrita e de ausência;
fico?, parto?, insisto? ou persisto?

quinta-feira, junho 22

discussão

no meio destes sound bytes, em que aparentemente é feita a discusão de ideias em torno da ideia educativa, há duas coisas que coloco como interrogação;
por um lado, fico com a sensação que a senhora ministra defende um projecto pessoal, uma política própria para o campo educativo; porventura terá uma ideia de escola e dos professores que procura implementar; que relação terá com o programa de governo, com as propostas do Partido Socialista?
por outro, poder-se-á ficar com a ideia que se discutem trocados e elementos algo acessórios; em meu entender o fundamental da questão, qual o papel da escola e dos professores no contexto nacional (de desenvolvimento, de formação, de competitividade, de cidadania, de participação...) está a passar ao lado, presos que ficamos a estes sound bytes, aos elementos que a comunicação social considera mais vendável; se formos, posteriormente, a verificar da consolidação das ideias, podemos perceber que há outros interesses, outros elementos que podiamos e deviamos discutir publicamente e que ficam a repousar nas profundezas; será interesse de quem?

selecção

não é a nacional de futebol (essa deixo-a para os entendidos), refere-se à selecção de docentes para escolas em zonas problemáticas;
uma ideia aparentemente interessante, mas que, em face dos sound bytes da comunicação social, se dilui em pequenos pretextos e pequenas e desviantes circunstâncias, se pode perder no ruído;
pode ser uma boa ideia, quer sob o ponto de vista pedagógico quer sob o ponto de vista organizacional;
pode, se for articulada com outras, nomeadamente de âmbito social e comunitário; pode ser uma boa ideia se procurar ultrapassar estigmatismos sociais ou culturais, económicos ou políticos em trabalho de rede e articulado entre parceiros; se conseguir conjugar objectivos, interesses e oportunidades;
não o pode fazer é isoladamente, não se pode pensar que a escola resolverá, por si, os problemas de zonas problemáticas e carenciadas; não se pode é repescar os territórios de intervenção prioritária sem mais; não se pode é acentuar os factores de discriminação com elementos de descriminação;
é um caminho, não é o caminho;

quarta-feira, junho 21

política

e depois temos a política; esta coisa que uns desprezam (ou, pelo menos, desconcideram), outros dizem cobras e lagartos e, outros, até prezam, é o meu caso, como elemento fundamental da vida da democracia e do exercício da cidadania;
uma consideração em torno das lutas políticas e partidárias para a presidência da região de turismo de Évora;
pela primeira vez em muitos anos, duas listas; apoios demarcados entre socialistas e comunistas, numa conjugação de interesses de que divide (não sei em que categorias) PSD e outros que tais e outros ainda que se escondem, por onde podem e os deixam, para não se comprometerem;
circulam ideias e comentários em torno de uma pretensa tecnicidade gestionária (ganda palavrão), que apenas procura encobrir sofismas (ou fantasmas) políticos e partidários, interesses particulares;
como há aqueles que se surpreendem pela disputa do poder, seja na região de turismo, no conselho da região ou noutro qualquer fórum;
se esses pensam que um partido político tem como objectivo a paz e a harmonia entre os povos, dediquem -se a outros afazeres;
um partido político luta pelo poder, pelo acesso e pela conservação do poder; é isso a democracia; quem o procura esconder mais não faz que uma forma de política - e que interessa a alguns;

companhia

e depois há a companhia dos sonhos, ou o seu inverso, isto é, do Mário;
ele é um dos principais, senão mesmo o principal (ir)responsável por eu escrever por estas bandas;
bastas vezes trocámos ideias e comentários, cruzamos opiniões e esta vontade da escrita;
vai na volta e pensamos em escrever em conjunto; acontece que foi em tempo de férias, na lassidão do Verão (que hoje começa), e isso não se proporcionou;
felizmente;
os seus textos, o seu cantinho dá-nos a oportunidade de descansar o pensamento em textos e ideias à volta dos sonhos;

escrita

por vezes penso que este meu canto é desconhecido, que passa despercebido;
procuro nele cruzar ideias sobre projectos pessoais, ideias individuais, sonhos e alguns pesadelos que me acompanham no dia a dia;
mas sempre pensei e considero algum do receio em escrever para além de mim mesmo; o despir palavras e sentimentos é algo que constrange;
considero que a Patrícia tem esta qualidade; a assumida capacidade de se despir de palavras (e, diga-se, de preconceitos) e desvelar sentimentos, aquilo que vai fundo na alma e nos sentimentos;
chamo a atenção dos que por aqui passam para um conjunto de pequenos textos que revelam uma grande pessoa;
textos simples, bonitos e claramente irreverentes.

terça-feira, junho 20

apontamentos

um apontamento solto sobre um projecto;
O desafio de construir a disciplina (ideia e conceito) enquanto narrativa pedagógica, política e educativa, isto é, um construto que para além de social e político é eminentemente contextual e ideológico (reflecte uma dada ideia de escola, uma dada ideia do posicionamento do aluno e do professor, do Estado e da escola), e definido numa triangulação entre o conhecimento das ciências da educação, as orientações da administração educativa (tutela e órgãos executivos) e actores locais na interacção social e pedagógica;
qual o referencial que enquadra a ideia de disciplina? que suportes se podem inventariar? o que fica do que passa (na evolução legislativa, particularmente na democracia)?

exames

começou, ontem, a época de exames;
duas notas;
gostei da observação da JCP, a apelar à avaliação contínua, à participação do aluno na sua avaliação, à consideração de outros momentos e outras circunstâncias que não apenas o exame, redutor de ideias e do trabalho desenvolvido;
gostei da descoberta de alguns jornais diários na afirmação que os alunos de ciências saem claramente beneficiados nos exames, por terem mais dias para o estudo - desde o fim das aulas à realização da prova - em detrimento dos alunos de letras, que terminaram no mesmo dia e que ontem começaram os exames;
entre um e outro dos apontamentos a manifesta sensação que nem os exames cumprem o seu ritual (de certificação exterior) nem que há propostas credíveis alterativas a implementar no contexto pedagógico.
Resumindo, tudo na acalmia dos deuses e em preocupações outras.

quarta-feira, junho 14

tom

há muito que não chamava a atenção para o blog do Luís Carmelo;
faço-o agora, porventura a destempo, considerando a importância e a pertinência do tema que ultimamente pulula no seu canto, numa relação que procura criar um tom entre blogues e escrita;
interessante, deveras interessante e a não perder a leitura, para que possamos perceber outras significações do nós e desta escrita;

objectos

ontem, em conversa com um colega, em âmbito profissional, considerei deveras interessante um tema que se levantou; a construção de objectos singulares para percebermos o seu conceito global; isto é, há necessidade de isolar e criar objectos específicos, seja por uma contrução artística ou conceptual, seja pela delimitação do conceito, para percebermos que não podem viver isoladamente, não são nada sem o seu contexto;
o exemplo partiu da consideração singular, isolada das ideias de paisagem/património/arte;
nenhuma destas ideias pode viver sem a outra; exemplos? a paisagem do douro vinhateiro é candidata a património mundial; a arte é feita sempre e incontornavelmente em função de um dado contexto (que é social, económico, cultural, mas também patrimonial, paisagístico); finalmente, só há património se existir intervenção humana, que altera a paisagem (física ou humana) conferindo-lhe algum sentido (artístico ou funcional);
interessante a conversa;

da demissão

ainda a propóstio de uma entrada neste quadro (a propósito da demissão do órgão de gestão da escola do meu filho), um colega pergunta-me se teriamos de ter dado por alguma coisa, se somos vistos ou achados nesse processo - quando refere o nós, é o nós pais/encarregados de educação;
ora aqui está uma evidência da claríssima falta e oportunidades dos professores;
então se andam por aí a dizer que os pais irão ser chamados a avaliar os professores não seria agora uma óptima oportunidade de comunicar das suas razões aos pais? de chamar para o seu lado, de acordo com razões e argumentos, os pais/encarregados de educação? não seria uma óptima oportunidade de juntar o binómio pais/professores contra o sempre omnipresente Estado omnipotente? não seria uma esplêndida oportunidade de considerar os pais como parceiros em interesses e objectivos que serão certamente pedagógicos e profissionais na defesa dos alunos?
são estas pequenas faltas de sentido que fazem com que a escola (e os professores) fiquem cada vez mais isolados, a bradar contra os céus!!!!

insatisfação

não sei o que fazer, nem como proceder;
a insatisfação generalizada é um hábitus português que apenas procura nos outros, do lado de fora de nós mesmos, pretextos e desculpas para a nossa generalizada desqualificação;
se está calor é porque está calor, se chove é porque chove, se está fresco é porque está fresco; independemente das circunstâncias a culpa, essa, ou é da câmara ou é do governo;
esquecem-se é que existe S. Pedro (?), esquecem-se é do nosso contributo para os efeitos de estufa, para o aquecimento global, para o El Niño, e para tudo o que se encontra associado ao desgaste do nosso ambiente;
de vez enquando sinto esgotar a paciência; não há pachorra;

terça-feira, junho 13

metáfora

peço antecipadamente desculpa, mas não encontro uma metáfora tão adequada ao que ontem senti que não seja traduzida na afirmação que me senti apalpado;
em conversa com um protagonista das cenas político-partidárias da cidade, que não as minhas, abordou-me de tal modo sobre a cidade, que me senti apalpado quando à possibilidade, viabilidade, oportunidade de se criar um movimento cívico alternativo aos partidos políticos para concorrer às próximas eleições autárquicas;
pois!?!?!?!?!?

fechou

no início do mês fechou uma das livrarias da cidade de Évora;
a única aberta ao fim-de-semana;
a única que disponibilizada títulos da Editorial Notícias, a qual era proprietária;
de acordo com comentários dos funcionários (todos despedidos) será a perspectivar a abertura de outros espaços de maiores dimensões;
até lá Évora fica, uma vez mais, parada, suspensa num marasmo que a todos procura entorpecer;
até quando?

segunda-feira, junho 12

da discussão

ainda sobre a discussão em volta da proposta do ECD quem tem ficado deveras mal visto no retrato são os professores, os profissionais da educação;
os argumentos atirados ao ar caiem, na generalidade dos casos e das situações, em cima de quem os atira; são de tal modo constrangedores e confrangedores que apenas envergonham quem pensa e reflecte sobre a sua organização;

curtas III

troquei ideias com um colega sobre a discussão da moda, a proposta do novo estatuto da carreira docente;
apenas dois apontamentos;
afinal o colega concorda com Bolonha e concorda com o sistema de avaliação da administração pública, o tal SIADAP; dois dos elementos exteriores (estranhos?) a uma classe que era especial e que fruto de circunstâncias várias, perdeu esse direito; Bolonha uniformiza a formação inicial, na qual se incluem os mestrados, o SIADAP define o processo de avaliação (metodologias, objectivos, quotas);
quanto a Bolonha não digo nada, por assumir ainda uma parte significativa de ignorância, quanto ao SIADAP não concordo com a metodologia nem com a lógica; considero necessáira a valiação de desempenho, mas não com teores exclusivos de lógicas quantitativas; há outras também viáveis e possíveis e necessárias;

curtas II

o conselho executivo da escola do meu filho mais velho demitiu-se;
segundo rezam as crónicas por desacordos com a direcção regional;
pois, e alguém deu por isso?

curtas I

tenho dois sítios onde escrevo coisas minhas, ideias soltas, apontamentos diversos que designo de curtas;
curtas textuais e curtas fotográficas, são os espaços de divagação e memória que~, por dificuldades de acesso à net, ainda não partilho (resta-me perceber se algum dia partilharei);
são algumas dessas ideias que hoje aqui deixo;

terça-feira, junho 6

da disciplina

trabalho, em termos de projecto de investigação na área da educação, o conceito de disciplina; procuro, a partir deste conceito, construir duas ideias (ainda não sei se serão argumentos, teses ou simples hipóteses de trabalho);
por um lado que o conceito valeu por si, durante a 1ª república como elemento justificador de um novo regime político, depois, durante o Estado Novo, como forma legitimadora de um construído político e ideológico de um cidadão "com tino e compustura";
na democracia, durante a construção do regime democrático (que se efectua no dia-a-dia) o conceito de disciplina sofre uma tensão, sente-se entalado entre, de um lado, a legitimação de um novo regime político e, do outro, a construção da pluralidade do sujeito;
é esta tensão, são estas aparentes contradições que fazem com que o conceito de disciplina (enquanto representação e acção), passe a valer pelo seu contrário, pela sua negação, pelo conceito de indisciplina;
é em face da incapacidade que os actores educativos, numa afirmada circularidade do poder (do topo à base e deste para aquele) têm manifestado de enfrentar estas contradições que fazem com que a temática seja recorrente e quase sempre anexa ao fim da ordem e da moral, ao fim dos valores, à decadência da sociedade, à indiferença de uns (os alunos) e ao aparente alheamento de outros (os professores);
é esta tensão que tem de ser enfrentada e torneada, sem a qual a ideia de indisciplina valerá sempre por si e não pela sua afirmação, enquato disciplina, conjunto de regras e posições fundamentais para que se possa desenvolver o trabalho pedagógico;

filme ao lado

há dias atrás a família foi toda ao cinema;
a mãe optou por entrar mais tarde, enquanto comprava pipocas e conversava com uma colega;
entrou, prescrutou a escuridão do cinema e, ne dificuldade de referenciar os restantes elementos sentou-se;
disse que se sentou equivocada, sentia dúvidas quanto ao filme, não estava a perceber nada, não se conseguia situar; por um lado porque não referenciava os restantes elementos, por outro porque pensava ver um filme e via outro;
esteve nesta hesitação mais de 5 minutos, quando se apercebeu que tinha entrado na sala errada;
levantou-se, saiu, dirigiu-se à sala correcta, procurou a família, sentou-se e riu;
é assim que me sinto em muita das situações políticas com que me confronto nos últimos tempos;
fico com a sensação que estou num filme errado, que entrei na sala ao lado, que o filme para o qual comprei bilhete não é aquele que vejo;
como a esposa, só espero que no final e esclarecido o engano, tenha vontade de rir e me sinta mais descontraído, do tipo, ufa, eu é que estava enganado, eu é que estava no lugar errado;

serviço público

há dias atrás, em conversa de café com um colega com ideias bem diferentes das minhas, apontava uma ideia clara e óbvia; que, nestes tempos, nos dias que correm, há necessidade de uma certa loucura para se assumir uma ideia de serviço público;
e é capaz de ser verdade;
os desafios são enormes, os constrangimentos apertam, alguns deslumbramentos iludem, as conversas ficam-se pelo corriqueiro lugar comum das vulgares abanalidades;
mas é nestes tempos, é em período de constrangimentos, que há que apelas à imaginação e destrinçar o acessório do essencial;
no meio de tanto ruído, de tanta poeira, como fazer esta separação? como identificar, no médio prazo, o que poderá ser útil daquilo que será prescindível?

quarta-feira, maio 31

avaliação

já agora um mix, entre a avaliação dos professores e a avaliação da administração pública, agora à luz das linhas que um tal SIADAP determina;
vai ser engraçado, e nada pacífico estou certo, a determinação de quotas de excelentes e de muito bons; como vai ser giro procurar perceber a definição de objectivos, próprios e alheios no meio de organizações em que não sabem o que andam a fazer;
o sistema integrado de avaliação da administração pública, criado pelo anterior governo e implementado por este, traz consigo um outro nível de responsabilização e dinâmica inerente às chefias; por um lado, na tentativa de ser objectivo, cria factores aleatórios de participação que vão ser difíceis de gerir organizacionalmente; por outro, na tentativa de quantificar e de distinguir objectivo de conteúdo, faz com que exista uma orientação normativa exterior à própria organização;
ou seja, de um controlo remoto burocrático e hierárquico, passa-se para um controlo funcional e de conteúdo; é o primeiro passo para o despedimentos de muitos quadros intermédios de chefias (muitos, ainda que não todos, desqualificamente inqualificáveis), como é um passo certo no combate às autonomias profissionais;
qual a zona mix entre administração pública e escola? fica ao critério de cada um determinar;

como nós

ontem fui apanhado no meio do turbilhão que é ver passar a selecção pelas ruas de Évora;
não resiti e também parei, ali fiquei especado a ver passar os artistas da bola;
no meio daquele desassossego uma velhota, na casa dos seus 60 e tantos, bem tostados pelo sol alentejano solta em tom bem audível: olha, afinal são como nós;
pois são, humanos, reais, tangíveis; na televeisão não parecem tão reais, tal o endeusamento que os rodeia, mas são, afinal, como nós;

coisas e loiças

no âmbito da discussão sobre o novo (?) Estatuto da Carreira Docente, há coisas (algumas bastante interessantes) e há loiças, isto é, divagações em torno de uma qualquer nota de música;
por partes
primeiro - opinião todos temos e deve-la-emos expressar sempre que solicitada e sempre que considerarmos pertinente, adequado, oportuno - é isto que faz com seja um incontinente verbal;
segundo - que as coisas não estão bem, é unanime, que devemos mudar muito, é assumido, que não podemos (nem devemos) continuar como estamos é do senso comum docente; que existe um claro mau estar docente e profissional é generalizado; que temos, enquanto pofissionais da educação, que tomar partido é incontestável;
terceiro - este é um período de discussão, foi apresentada uma proposta, são atiradas ideias, é definida uma linha de orientação; não concordamos, apresentemos argumentos (válidos e pertinentes, adequados e realistas - não se caia no rídiculo), tracemos alternativas (não nos fiquemos pela constatação que é mau sem alternativas, sem apresentar outras propostas, outras ideias), que não nos fiquemos pelo ponto de vista sindical (seja mediático seja profissional, pois esse é também ele um ponto de vista que tem enquistado o funcionamento da coisa); que seja assumido que não há receio nem da avaliação e menos ainda dos pais/encarregados de educação;
quarto - e fico-me por aqui, que saibamos separar argumentos e opiniões entre razão e emoção; são ambos fundamentais ao funcionamento da escola, mas deverão ser separadas e clarificados no contexto de uma discussão que se pretede profissional e plural;
só assim podemos defender uma ideia de professor, uma ideia de escola;
e nesta ideia de escola, peço desculpa da impertinência pessoal, defendo uma escola pública aberta, plural e inclusiva, perante a qual é incontornável, fundamental e insubstituível a participação de pais/encarregados de educação, mas também da autarquia, de associações...
é esta ideia de escola pública que se discute e dentro dela qual o papel de cada actor educativo;

terça-feira, maio 30

do quotidiano

Évora anda nacional, é bandeira nacional por todo o lado, montras engalanadas com as cores nacionais, ele é pinturas sobre a selecção, ele é refências desconcertantes de conversas e apontamentos;
e assim vai o nosso dia;

da violência

irá passar hoje na RTP1, provavelmente ao longo do dia e em destaque em horário nobre, uma reportagem sobre violência escolar, em concreto numa escola "problemática" dos arredores de Lisboa;
primeiro, coloco "problemática" entre aspas tendo em conta que não são referidos os factores que conduzem a essa definição; parte-se da ideia que o telespectador irá perceber os factores, que decorrem da violência;
segundo, apesar de ser crescentemente um problema, pela mediatização das circunstâncias, pela democratização do acesso, pela generalização de comportamentos desviantes, pela configuração de outros quadros de referência, a situação de violência escolar não é uma generalização, nem se pode minimamente dizer que é uma situação comum a muitas escolas;
terceiro, não sou apologista das políticas do eduquês do senhor professor Nuno Crato, mas cai que nem sopa no mel, para que o apelo ao autoritatismo, à preponderância hierárquica, a outras formas de violência, para uns legítima, se afirmar e se defender;
e isto para mim é que é grave quando não mesmo violento;

da avaliação

uma outra medida imaginada pelo Ministério da Educação consiste em que os pais/encarregados de educação participem na avaliação dos professores;
há sindicatos que afirmam que os pais/encarregados de educação não estão habilitatos nem técnica nem cientificamente para o efeito;
pois, quem está? quem estará habilitado para esse efeito?
eu, que sou professor do ensino básico e secundário, e representante dos pais/encarregados de educação da turma do meu filho daria nota negativa à generalidade dos professores daquela turma;
porquê?
pela desanteção, pelo alheamento, pela indiferença, pela pressa, pela desconcideração que têm quer pelos alunos, quer pelos pais;
já agora, só mais um pormenor; falta à tutela dizer que os órgãos de gestão também são responsáveis pela avaliação dos resultados das suas escolas e dos seus profissionais; e estes sim, são um dos principais responsáveis pelo estado das escolas;

da culpa

escrevo há tempo suficiente para estar descansado e não se poder dizer que cheguei agora, por vias socialistas, a esta ideia;
as notícias veiculadas pela comunicação social que afirmam que a senhora ministra da educação acusa os professores pelo insucesso escolar irão, quase decerteza, desencadear fogos e atear ânimos;
mas, regressando à minha escrita, culpados os professores não serão, pelo menos os únicos; mas que, na generalidade dos casos e das situações, os professores não se sentem responsáveis, isso é verdade;
a maior parte das vezes as questões do (in)sucesso são atiradas para fora do professor - ou o aluno não se empenha, ou não se interessa, ou a origem familiar é isto, ou o contexto socioeconómico é aquilo, ou os antecedentes são o outro - o certo é que, repito, na generalidade das situações, o professor não se sente responsável pelo (in)sucesso dos seus alunos, como se fosse entidade ausente/presente;

segunda-feira, maio 29

organização

no meio do combate à desertificação há uma, entre muitas, medidas que nos permitem minimizar circunstâncias;
diz respeito à capacidade de nos organizarmos, de definirmos um modo de actuação que compense a interioridade, que contrarie os resultados, que contorne alguns obstáculos;
não é fingir que somos litoral, estando no interior, que temos engarrafamentos ou horas de ponta em vielas acanhadas ou em caminhos de cabra;
a desorganização do jogo do passado sábado é disso exemplo;
anões em bicos de pés, desorganização a toda a prova, fingimento de quem pensa estar ou ser de Lisboa com a pequenez de um campo da bola que de estádio tem as intenções e de complexo as ambições;
um mau exemplo do que é o sonho de alguns e que foi o pesadelo de muitos;

desertificação

o presidente da República faz uma volta pelo Alentejo mais-ou-menos profundo e valoriza o combate à desertificação humana;
será possível e viável este combate?
que alternativas teremos nós, no interior, perante o combate à desertificação - chamo a atenção para esta questão, que poderá ser colocada de um outro modo, que fazer com o combate à desertificação?
há semanas atrás estive no interior do distrito da Guarda, onde o céu toca o verde das serras; também aí as conversas e os argumentos são de desencanto, de abandono, de frustração perante a incapacidade das gentes, e das políticas, fazerem frente ao êxodo;
se ficarmos o que nos resta?
se formos embora que teremos nós?
ao fim e ao cabo, que país queremos nós?

quinta-feira, maio 25

elogio

ando às voltas com o conceito de (in)disciplina escolar;
procuro, volto a procurar, dou voltas e reviravoltas;
faço leituras e troco opiniões num processo de construção de um objecto de estudo;
no meio de todas estas reviravoltas dou de frente com um título, que não conhecia, de Fernando Pessoa, O Elogio da Indisciplina;

da educação

ainda não tinha tido oportunidade de comentar a separação das águas, como se tal fosse necessário, entre as propostas educativas de PS e PSD, pelo menos no que diz respeito à gestão;
e a partir daqui tudo o resto;
não classifico, não opino, fica apenas à consideração e à divagação de todos quanto àquilo que pretendemos para a escola.

do sucesso

Encontra-se estacionado numa das portas da cidade um enorme camião, cor-de-rosa garrido, cheio de estrelas, que se dá pelo apelativo nome de Sucesso Instântaneo; é o que se pode ler ao longe, quase sem mais;
dá vontade, a inumera gente, de nos aproximarmos e de procurarmos o sucesso instântaneo;
mais perto percebo que é um camião dos jogos, daqueles que suportam a misericórdia e coisas que tais;
mas fica-me a questão, será o sucesso instântaneo?
poderá ser ele servido numa simples raspadinha?
como olhar para o esforço, a exigência, o rigor, o cumprimento, o método e a organização que tanto nos falam quando temos hipótese do sucesso instântaneo?
enfim...

terça-feira, maio 23

o espírito

há cartazes pela cidade que afirmam "évora, espírito de selecção";
não faço ideia do que queiram dizer com essa afirmação; será que évora é só para alguns? será que apenas alguns são seleccionados para a cidade? será que a cidade é luz, fama e confusão mediática?
sei é que o mandato irá terminar que nem ginjinhas ao meu camarada Zé;
tudo, ou quase, se compõe para esse efeito;
ele é pavilhão multiusos, ele é parque desportivo, ele é centros comerciais, ele é emprego, ele é habitação, ele é animação;
no meio de tudo isto, fica uma aparente sensação de dejá vu; ou não;

+ selecção

há bilhetes para os treino a circularem pela cidade a 15€;
há quem se aproveite, há quem faça negócio com o desejo de alguns;
ele há com cada uma;

évora

évora e a selecção nacional de futebol - um delírio, feito confusão e buzinas, bandeiras e olhares lânguidos à procura (à espera) de um autografo que dificilmente aparecerá;
uma confusão a hora do treino;

irritação

ando irritado com as minhas intermitências na blogosfera;
ora paro, ora escrevo, ora hesito, ora penso, ora repenso - caramba estou pior que o outro, não há meio de me decidir;

segunda-feira, maio 15

primeira tentativa

geralmente não faço nada à primeira; ou por defeito ou por feitio o que acontece é que tento uma e outra vez, faço uma primeira tentativa, depois outra;
para que fique registado, esta é a primeira tentativa de índice de uma proposta de investigação:

introdução
a temática - Conhecimento, decisão política e acção pública em educação
a problemática – (in)disciplina, modos de ver e estar na escola, mapeamento bibliográfico e instrumentos de análise – construção de uma problemática;
uma entrada – um novo referencial de aluno na criação de novos modelos de relacionamento entre o Estado e o sujeito;
o multiculturalismo – da unidade à diversidade; do homogéneo ao plural; do uno ao diverso;
dimensões – género, cultura, urbano, rural
,
articulação entre temática e problemática – a (in)disciplina como uma política pública, a relação com o conhecimento e a dimensão da acção pública da (in)disciplina – reconceptualização e reconfiguração de uma problemática à luz da análise cognitiva das políticas públicas;
o Estado – do quadro burocrático à pós-burocracia
o sujeito – a construção social do sujeito;
a relação social Estado-sujeito
a escola como instrumento de acção e de regulação da relação entre Estado e sujeito;
a disciplina como elemento de regulação
as novas reconfigurações políticas e organizacionais
o campo de investigação
os instrumentos e as metodologias de investigação

perspectivo, desde já, inúmeras mudanças, nem que seja para clarificar conceitos, explicitar ideias, delimitar hipóteses - tudo ainda muito ausente deste índice;

cruzamento

está difícil gerir os equilíbrios entre uma escrita eminentemente académica e uma escrita mais de carácter opinativo, como é esta;
há quem me aconselhe a suspender esta escrita;
mas, sempre que penso nisso, fico com saudades de um espaço onde sinto o fluir da escrita e das ideias, onde tenho oportunidade de divagar em torno de opiniões, próprias ou alheias;
com retirei contadores e delimitei o acesso aos comentários, não faço ideia se escrevo para mim ou se escrevo para mais gente;
cá me aguento, num cruzamento delicado de escritas.
a ver o que dá...