quarta-feira, maio 18

conversas

As conversas com História lá decorreram na serena normalidade da indiferença da escola. Há muito que reconheço que santos da casa não fazem (nunca fizeram) milagres. As expectativas, por isso mesmo, não eram elevadas no respeitante à participação.
No ano transacto, com a participação de alguns ilustres convidados, poucos mais eramos que este ano, quase tantos de um lado, como do outro.
Mas tenho que reconhecer que, depois de um início tímido, algo receoso ou envergonhado, foi difícil dar por terminada a conversa [afinal, são como as cerejas].
Há sempre tanto para falar, há sempre tanto para conversarmos e tão pouco o tempo disponível, as vontades e as oportunidades que, quando apanhadas, são esprimidas até...
Destaco uma ideia que, de algum modo me surpreendeu, o reconhecimento que o que falta mudar são as práticas docentes, o método pedagógico que permanece algo enclausurado numa tradição que teima em persistir depois de tudo o mais ter desaparecido.
é óbvio não é?! pois, para mim não é assim tão óbvio este reconhecimento explícito.
Para a semana há mais, sobre as tecnologias educativas no trabalho dos professores.

aniversário


Este senhor fez ontem dois anos de escritas de palavras à solta.
É um dos sítios mais antigos e mais veneráveis que reconheço. Nunca agradeci nem o link nem as visitas.
Bem hajas por muito e mais tempo.
Posted by Hello

terça-feira, maio 17

Vazio

As coisas, aparentemente, estão assim, vazias, ausentes, disponíveis.

Posted by Hello
Há bloguistas desaparecidos nos confins dos dias, da escrita.
Há ausências, entre o forçado e o desmotivado. Há, nota-se, o cansaço, que faz com que a estrada fique assim, vazia.
Espero que seja apenas um entretém de queimas, temporário, passageiro e que o tráfego aumente, se recuperem ânimos e vontades, escritas e emoções.

segunda-feira, maio 16

Equilíbrio

Para estar num lado, não consigo estar no outro.
Uma questão de simples equilíbrio e de gestão de espaços, tempo e interesses.
equilibrio Posted by Hello
A imagem retirei-a daqui, e serve apenas para ilustrar uma ideia.
Neste momento analiso portefólios, discuto e debato ideias com alunos, troco opiniões com pais, encarregados de educação e colegas de conselho de turma. Estruturo o princípio do fim. Prescruta-se aquilo que é possível fazer e as apostas que ainda faltam.
Para além disso, preparo umas Conversas com História, segunda edição, a iniciar já na próxima 4ª feira, este ano sobre a construção local da educação - políticas educativas, tecnologias e práticas pedagógicas.
Equilíbrio instável.

sábado, maio 14

links

A não perder para que se possa conhecer um pouco mais e um pouco melhor.

quinta-feira, maio 12

Blogs

A partir do Aviz, um texto imperdível sobre blogues, veio mesmo a calhar.

textos para coisa nenhuma

A partir desta imagem, de Nico Vassilakis, um pensamento, um texto para coisa nenhuma.

textos para coisa nenhuma Posted by Hello
Às páginas tantas, depois de tantas e tantas palavras, dos textos que produzimos e que nos produzem, que nos reproduzem quase que me sinto preso das minhas ideias, das palavras que troco, do pensamento que o suporta.
Não percebo, quando escrevo, se é a palavra que se solta se sou eu que quero ficar preso a ela.

Olhares

Aquilo que vemos quando para trás somos capazes de olhar.

moment1 Posted by Hello óleo sobre tela
Um conjunto de quadros que considero deveras interessantes

terça-feira, maio 10

estórias de professor

Não resisti, a partir deste texto, a partilhar um texto e um professor, um texto há muito guardado.

Não recordo se José Sena apareceu no primeiro se no segundo semestre do primeiro ano do meu curso. Sei que apareceu e nunca mais desapareceu, nunca mais se ausentou da minha memória de gente.
Leccionava um cadeirão (economia) difícil para elementos que pouco tinham apreciado da matemática, este homem tinha como principal características, que interiorizei, procurar simplificar o que é aparentemente difícil, brincar com coisas aparentemente sérias. Descobri, progressivamente, que se levam melhor, fazem-se melhor, custam menos.
O cadeirão foi feito, não apenas por mim mas pela generalidade dos alunos, à primeira, proeza assinalável num curso onde a média acontecia apenas à terceira. Mas ficou a relação, ficou uma amizade, tive oportunidade de lhe dizer que foi uma das pessoas que mais me marcou enquanto professor, enquanto profissional do ensino e enquanto pessoa.
Aprendi, com este homem, a organizar a vida, a fazer dela um prazer, a descobrir que as amizades valem sempre a pena, a reconhecer no reconhecimento do olhar, no brilhozinho que se pode notar nos olhos de alguém que o mundo é pequeno quando gostamos do que fazemos. Aprendi que só não temos tempo para aquilo que não queremos ou perante o qual não temos interesse.
José Sena era docente na Universidade de Évora, vereador na câmara municipal da sua terra, director do jornal local, colaborava em revistas e projectos de investigação da sua área, desenvolvia estudos pós graduados em Lisboa, mostrava interesse pela informática que então despontava, casado e pai ainda lhe sobrava tempo para degostar a vida nas tascas do Ti Zé D’Alter, no Xa Negra ou no Isaías.
Um dia perguntei-lhe como conseguia fazer tudo isso, respondeu-me que quanto menos tem para fazer, menos faz. Gosta de estar ocupado, gostava da vida como ela era e não como devia ser.
Aprendi com ele a gostar de me meter nas coisas, de fazer pela vida, de organizar o meu mundo, de me envolver com as pessoas, de fazer coisas que transmitam, de uma ou de outra maneira, de um ou de outro modo, gosto por aquilo que se faz, por aquilo que fazemos.
Morreu já eu era docente e ele presidente da câmara. Não fui ao funeral, preferi recordá-lo em vida, professor, de ponteiro na mão, virado para o tecto a perguntar, entre o sarcástico e o irónico, o ofendido e o exigente se a bancada da oposição, aquela que se sentava no fundo da sala a ver se passava despercebida, se importava de colaborar no desenvolvimento da economia, que não tivéssemos dúvidas que, por incrível que nos pudesse parecer, estávamos numa aula e numa aula de economia em particular.
Frases, atitudes, comportamentos e valores que me ficaram e das quais me apropriei como se fossem minhas. Memórias de um homem, a única referência profissional que afirmo reconhecer e que conheci em vida.
Foi com ele que aprendi, ao consciencializar esta relação, que o acto pedagógico é sempre um acto relacional, que apelam à interiorização, à consciencialização pessoal de situações, à superação das dúvidas que impelem ao avanço, à aquisição de saberes ou competências. Sendo um acto relacional, não pode ser destituído de afectos, sentimentos, emoções que orientam, conduzem e enformam essa relação.
Ainda hoje é este um dos meus princípios de orientação e apoio enquanto profissional. E tantas vezes sinto saudades do Prof. Sena.

acutilância

De quando em vez andamos tão entretidos nesta moda tão portuguesa de carpir mágoas, julgar os outros, encontrar culpados e desenhar agruras, dissecar cadáveres sem saber porquê ou para quê, e, de repente, felizmente, há quem nos obrigue a por os pés no chão, como que nos dá um sopapo para derpertarmos para a realidade.
O Miguel destaca um texto fundamental para que nós, nesta ilha chamada escola básica e secundária, tenhamos a noção que não somos assim tão bestas, nem tão feios, nem tão maus quantos nos querem fazer crer e nos pintam.
Há muito para fazer, é verdade, muito para formar e mostrar que existem outras alternativas, outros modos, outros meios, outras possibilidades. Mas também há coisas boas, ideias que se desenvolvem, projectos que se implementam, acções que se concretizam.
Há coisas boas nesta ilha.
Saibamos não as matar, pelo menos.

opinião

Hoje de manhã, enquanto vinha para a escola, ouvia a rádio, a Antena 1.
A propósito da proposta do presidente da República sobre a avaliação externa das universidades, o locutor pergunta ao presidente do conselho de reitores, Adriano Pimpão, a sua ideia sobre o ensino básico e secundário. Este senhor começa por dizer que não é a sua especialidade, mas que, fruto das relações que a sua universidade tem com esses níveis de ensino, há uma coisa a fazer desde já, aumentar os níveis de exigência dos alunos e das escolas, e não é ele especialista.
E diz que não é necessária a avaliação externa às universidades portuguesas. Porquê uns e não outros, porquê aumentar os níveis de exigência de um lado e manter o triste quotidiano do outro? Será que as Universidades - e não só - não terão qualquer tipo de responsabilidade nesta situação?
Será que estou numa ilha?

segunda-feira, maio 9

culpas

Ainda sobre as conversas na sala de professores, relativas ao comportamento dos alunos, é quase que unânime a culpabilização do aluno. A sua educação, a sua formação, a família, o ciclo de formação anterior áquele em que se encontra.
Há quem defenda que os conflitos apenas dependem de uma efectiva gestão da situação. E quem defenda que depende do bom senso do professor, da sua capacidade de lidar com a situação. Há quem defenda que passa pela dinâmica criada na sala de aula.
Culpar o aluno é a situação mais fácil, o modo de desresponsabilização mais directo.
Será que há necessidade de procurar culpados? Será que há um culpado?

orientações

Parece que existem orientações quanto aos actores políticos regionais, no âmbito da educação. Parece, segundo ouvi dizer, que há já prazos, datas para a tomada de posse - obviamente que nomes.
Entre o comentário e o discurso (aquela típica retórica educativa) duas ideias.
Não é necessário inventar a roda nem voltar a dominar o fogo, que a política regional sirva para apoiar as escolas, incentivar, discriminar aquilo que é feito, promover o que é bem feito, apoiar quem precisa, esclarecer e orientar quem solicita. Ouvir, escutar e sentir as escolas, o seu trabalho, as suas dinâmicas, os seus sentimentos.
Segundo ideia, promover um efectivo combate ao abandono, ao absentismo, à indiferença que graça nas escolas, quer dos docentes, quer dos alunos.
De resto nós cá continuamos, como se nada fosse. Minguém mais existisse.

quotidiano

Num dos cantos desta sala de professores, discutem-se temas recorrentes, a disciplina, o comportamento dos alunos. Entre um e outro argumento esgrimido, quer de um lado, do professor, quer de outro lado, em favor do aluno, nota-se, sobressai a autoridade (exercício, poder, sentidos e destinos) do professor.
Há quem, entre o assumido e o consternado, diga que não lhe ensinaram como agir nestas situações, não tem preparação para lidar com casos como este.
E existirá alguém preparado para isto?

sábado, maio 7

numa fila

Estava eu na fila do supermercado, como muitos outros. Olho em volto, puxo de uma revista que folheio aleatoriamente, à procura de imagens, de instantes. Escuto uma ou outra das conversas que ao lado ou atrás de mim ocorrem, como pretexto para segurar o tempo de espera.
Há uma, de repente, que desperta em mim algo entre curiosidade e estupfacção. Uma senhora pergunta a outra o porquê de não fazer a festa de anos do filho em casa, quando vive numa quinta e tem espaço de sobra.
A resposta, tu sabes lá, as crianças são umas autênticas feras, não respeitam nada nem ninguém, o ano passado viraram-me a casa do avesso, estragaram brinquedos ao rapaz. Não estou para isso.
Quem está? a Escola?
Quem remedeia? a escola?

quinta-feira, maio 5

citação

... de uma maneira geral, direi que as escolas ainda não compreenderam que, também elas, têm de se repensar. Permanecem na atitude negativa de se sentirem desfasadas, mal compreendidas e mal-amadas, ultrapassadas, talvez inúteis. Quedam-se à espera que alguém as venha transformar. E não perceberam ainda que só elas se podem transformar a si próprias. Por dentro. Com as pessoas que as constituem: professores, alunos, funcionários. Em interacção com a comunidade circundante...
I. Aalarcão, 2003. P.36.
sublinhado da autora.

da indiferença

Os comentários, pertinentes e estimulantes, ao meu texto sobre a diferença, ressaltam dois ou três aspectos que considero impertinente discutir. (impertinente porque não vou à procura de uma fundamentação teórico-metodológica, arregimentadora de ideias e conceitos; mas é a partir deste enquadramento assente, fundamentalmente em textos e ideias veiculadas por Perrenoud, Lima, Alarcão, Fullen, Hargraeves, Costa, Sarmento, Formosinho, entre outros, que construo uma opinião.)
Primeiro, que a escola não se esgota (nem deve ser apenas) um conjunto de aulas, independentemente das metodologias adoptadas. A escola é e deve ir muito para além disso e vai, de modo efectivo muito para além das aulas, daí todos os espaços que se criam nas escolas (desde os clubes, a acções organizadas ou pontuais). A escola deverá, em meu entendimento, ter a organização necessária e suficiente para que todas as actividades desenvolvidas dentro ou pela escola possam ser integradas em percursos de formação, experiência e reflexão crítica por parte dos seus actores. Um dos problemas é delimitarmos a escola ao espaço sala-de-aula, ao dar aulas e procurarmos todas as soluções, propostas ou ideias para resolver os problemas que surgem dentro da sala de aula. O que acontece, por vezes e em certas situações, é a resolução ou o apoio à resolução de um problema estar fora da sala-de-aula.
Segundo aspecto, a escola não está fora, nem ao lado, nem, muito menos, acima da sociedade. Como não estarão as pessoas que a constituem, lhe dão sentido e a organizam. Vai daí e a escola, na sua generalidade, mais não faz que reproduzir a ideia que a sociedade tem da escola e a escola tem de sociedade. A escola não será essa caixa negra por onde entram pessoas, do qual pouco ou nada se sabe e saem cidadãos. Não. A escola é o que a sociedade permite e aponta que seja, tanto ideologicamente, como politicamente, na ditadura, como na democracia. O que a nossa escola não tem dito é capacidade, as condições e o apoio necessário para se pensar e para se pensar face à sociedade. Todo o pensamento sobre a escola decorre fora da escola, por observadores (estudiosos, investigadores, projectos ou que tais) que estão fora da escola e que a procuram para a pensar.
Tantos uma como outra das situações descritas - abertas ao contraditório - arregimentam, muita vezes, sentimentos de impotência e de incapacidade, de frustração ou de cansaço. Porque não conseguimos que as acções (extracurriculares ou extralectivas) concorram para a formação dos alunos, porque a escola não é diferente do contexto que a enforma e condiciona e, muita das vezes, determina. Daí a resposta da escola. Ou a sua ausência.
PS - concordo com o Paulo no sentimento de alguma regeição do termo pedagogia diferenciada. Mas também não vou, pelos menos para já e directamente, atrás do conceito intercultural ou de multiculturalidade. Considero que a adopção de metodologias respeitadoras e integradoras da diferença vão para além, primeiro, da pedagogia, depois da própria cultura, no que se refere à sua relação com a escola, entenda-se. Reformulam uma, alargam outra.
Onde ficamos? ainda não sei. Mas quero um dia dar uma resposta.

quarta-feira, maio 4

cenas do quotidiano educativo

Dirijo-me à secretaria da escola para entregar o necessário pedido de autorização para uma falta no final do mês.
A funcionária diz-me ò professor, ainda falta tanto, quando faltarem 5 ou 6 dias venha cá.
Ainda penso, inicialmente, que estaria a brincar comigo. Mas não, está a falar a sério. Quando repara na minha cara de espantado, ainda reafirme, já viu!?, se eu levasse as coisas com tanto tempo de antecedência para o presidente assinar, nem ele se lembraria das coisas.
Peço apenas para que não me desorganizem os dias, nem a vida, mas estes serviços administrativos são, efectivamente, um poço de surpresas.

da diferença

Na sequência de um texto do Miguel, o Paulo levanta uma questão que alguns colocam, outros subentendem e muitos olham para o lado de modo a fingir que não é com eles (entendam-se, os professores)
Pergunta o Paulo uma escola que deve dar as mesmas oportunidades a todos deve ser igual para todos (?).
Resposta directa - Não, pelo contrário tem, deve ser diferente. Isto é, deve disciminar (não confundir com descriminação) e diferenciar para que se possam aceder às mesmas oportuidades.
O que os estudos no campo da História da Educação revelam quase que inequivocamente (o evidente é um deles) é o facto de a escola, em vez de homogeneizar as oportunidades, acentua as diferenças de origem social (e, em algums países, cultural, de género ou raça).
No meu entender (que é feito meu) a escola terá de diferenciar para apoiar a construção da igualdade. Aí sim, não será tão grave o choque quanto aos princípios de organização e de defesa da democracia. E tem sido isto que a escola pública portuguesa não tem sabido fazer - diferenciar.
O resultado é tratar todos como iguais, que não somos, de igual modo, que não queremos, com os mesmos interesses, que é falso, e com idêntidos objectivos ou expectativas, que é ainda mais falso.
A consequência é o insucesso, o desinteresse, o alheamento, o absentismo, o abandono, a indiferença do aluno face à escola, a incapacidade do professor face aos seus próprios límites e desafios.
Para termos uma educação cada vez mais igual para todos, temos de ter uma escola cada vez mais diferente e diferenciadora, que respeite a diferença, que assuma a diferença entre os seus elementos.

do antigamente (2)

O Paulo respondeu a uma pequena (ou grande, o adjectivo é mais do outro que nosso) provocação, sobre eu ser do antigamente.
Disse na posta anterior que não o sou, nem em ideologia, nem em princípios, nem em orientações ou práticas, nem em saudosismos. Descobri que se referia a este último, à saudade que muitos nutrem por aquela que habitualmente designam como sua escola, ao modelo de que foram alvo e objecto, e não às anteriores referências - se bem que uma dificilmente se despegue das outras.
E tenho de destacar duas ideias que retiro do seu comentário. Por um lado, a profunda delicadeza e sensatez com que o faz. Procura no texto não ferir susceptibilidades como procura ultrapassar ou colmatar aquelas que deduz que tenha despertado com a minha resposta. É bonito de se ver e melhor de se ler. Obrigado.
Como segunda ideia aquela que a idade é incontornável e sou, ou tenho sido, movido por ela. Tenho que reconhecer que não estarei propriamente numa crise etária, num qualquer estadio existencial ou coisa que se pareça, mas tenho sentido (e gostado de sentir) o peso do passar dos anos. Estou a caminho dos 42 (em Outubro) com 16 de docência, dois filhos, vários cães, preste a mudar de casa (aquela que, em princípio, me levará até ao fim), sinto os meus pais a apagarem-se, a envelhecerem, sinto aqueles que sempre vi velhos, e olho para trás e vejo o caminho que percorri, com quem tive o privilégio, a sorte e a fortuna de o ter feito. Olho em frente e apetece-me fazer mais e mais, aprender outras coisas, conhecer outras pessoas e outras ideias. O confronto entre um e outro, numa pessoa de meia idade, não mata, mas faz mossa.
Lá isso faz.

terça-feira, maio 3

do antigamente

Foi com alguma surpresa que verifiquei as referências feitas pelo Paulo, ainda assim gratificantes pelo facto de fazer parte de uma lista daqueles que considera os melhores blogues, os seus favoritos.
Mas nunca me imaginei ser da escola de outros tempos, nem em ideologia, nem em princípios, nem em orientações ou práticas, nem em saudosismos.
É uma surpresa quando descobrimos aquilo que transmitimos aos outros, uma vez que não tenho o privilégio de conhecer o Paulo. Não sei se será efectivamente esta a ideia que transmito, que faço passar. Mas, pelo menos nas acontecencias do Paulo, é essa a ideia que deixo.
Que sou opinativo? Sem a mais pequena sombra de dúvida. Os blogues, em meu entender são um espaço de opinião, de construção cívica, de exercício daquilo que designo como democracia participativa. Além do mais a minha área de trabalho reservo-a para um outro lado, onde discorro, e procuro fundamentar ideias, princípios e teorias, como na posição que estou (usualmente designada de professor do batente) pouco mais posso acrescentar do que a minha opinião ou a minha ideia sobre a escola.
Os blogues não são, como alguns quiseram fazer querer e/ou outros procuram promover, uma extensão de revistas científicas, académicas ou de referência política ou social.
Mas gostei, quer de me ver incluído naquela sua lista (quem não gosta) como da frescura não usual que, diz, me caracteriza.
Ora toma lá frescura.

correcção

outra vez.
Antes de tempo, porque perspectivo algumas alterações a este meu canto, descobri que tinha acontecencias mal escrito, por indicação do seu dono. Já está corrigido, apesar de o ter feito pensando na minha alentejaneidade, acontecências fica próximo deste meu linguarejar, o que tornava, também sob esta perspectiva, agradável a entoação. Mas está feita a correcção de acordo com as orientações do proprietário. Afinal estes espaços (como os outros todos) são aquilo que dele fazemos.

perdidos e achados

Ontem escrevi, e perdi, uma posta onde agradecia a rectificação que me fizeram, quando troquei as Marias (de Fátima Bonifácio e Filomena Mónica) numa das postas anteriores. Agradeço a rectificação.
E, ao mesmo tempo procurava trocar ideias com o colega relativamente à questão que, oportunamente, levantou cquando afirma que temos Uma escola onde impera o facilitismo, a falta de exigência e de disciplina.
No programa em questão um elemento ressaltou quando se abordaram as questões do rigor, da autoridade, da disciplina, uma certa confusão, aliás e infelizmente comum, entre autoridade e poder, disciplina e exigência e rigor. Como foi algo evidente a associação que se teima em fazer que maiores níveis de disciplina, exigência e rigor determinam maiores níveis de sucesso e de aproveitamento. Assim muitos certamente optariam pela ditadura, garantia quase certa de níveis de sucesso de invejar a qualquer finlandes ou sul-coreano.
A grande questão que foi aflorada entre os elementos decorre de qual ideia de escola que prevalece, que se defende, que se implementa. Poderá ser uma escola de conhecimento ou orientada para valores, como poderá ser uma escola de competências. Mas seja ela qual for há resultados e há práticas profissionais que valorizam o rigor e a exigência, a disciplina e a determinação sem se abdicar de uma educação participativa e de uma escola inclusiva.
O que claramente e em meu entender falta na escola é uma ideia de escola. Para que serve, quem serve, o que serve, como se serve - se é que serve para alguma coisa.
Em todo o caso agradeço a chamada de atenção. Não respondi mais cedo apenas e somente por questões de perdidos e achados. Obrigado.

crescimento

De quando em vez ponho-me a arrumar os meus papeis, este ano com a particularidade de serem em portefólio (os meus e os dos alunos). Situação que me permite perspectivar a evolução, o empenho, a dedicação que coloco no seu desenvolvimento, naquilo que obtenho.
Entre o ontem e o hoje dois factores, no contexto desta arrumação, me ocorreram.
Um de pena de não ter há mais tempo optado por esta forma de trabalho. Ter-me-ia permitido hoje perspectivar a evolução daquilo que fiz, do que procurei fazer e ser, do desenvolvimento das acções que promovi. Perdi um pouco das minhas memórias, pelo menos físicas, uma vez que não tenho registos do que fiz (projectos, feiras, fóruns, conversas, entre muitas outras).
Por outro, permitiu-me perspectivar um sentimento agradável de uma quase que permanente e consntante evolução. Ao longo de todos estes anos em que sou docente procurei adaptar-me aos contextos, recolher e obter a informação que, numa dada situação, considerei necessária, procurei mais conhecimentos técnicos e teóricos que permitissem uma melhor (digo eu) prática profissional. Sinto que não parei.
É óptimo este sentimento de crescer.

segunda-feira, maio 2

desterrados

Provavelmente já terão ouvido (e, eventualmente, visto) alguns apontamentos sobre uma realidade recentemente afirmada, a dos professores desterrados.
Conjunto de docentes que, fruto da alteração das regras de concurso, regressaram às escolas de origem, onde são efectivos, mas que, por efeitos de não existência de destacamento, ficaram desterrados, longe de casa e das famílias.
No fim-de-semana que terminou realizou-se um encontro deste conjunto de elementos. De acordo com contas várias serão pouco mais de 3.500 docentes. Participaram neste encontro, menos de 40.
Elucidativo de um espírito, de uma vontade, de uma ideia colectiva que marca os professores. Não apenas estes. A sua generalidade.
Acho que estamos todos desterrados na nossa profissão. Entre o enclausurado e o desterrado, de qualquer modo ou de qualquer maneira, fora de um jogo profissional que é o nosso mas que deixamos que nos passe ao lado. Optamos, preferimos que nos digam como, subservientes, dependentes de um Estado centralizador e castrador de ideias.
Até quando?

Da opinião

Ontem à noite, nas outras conversas, de Maria João Avilez, na Sic Notícias, duas sumidades (Maria Filomena Mónica e Manuel Braga da Cruz) trocaram ideias e disseram cobras e lagartos da escola (básica e secundária), dos professores, da organização do sistema, etc.
Entre uma e outra das ideias trocadas, da conversa em tom de amena cavaqueira, sobressaiu-me uma frase de Maria Filomena Mónica, que não tolera opiniões.
Diz a senhora que muito se fala, muito se opina sem uma fundamentação, sem o conhecimento da realidade, dos argumentos utilizados.
Por um lado tenho de concordar. Todos temos opinião sobre a escola e sobre a educação. Muitas e muitas barbaridades se dizem e se escrevem sobre o que é a escola e a educação, sobre o trabalho dos professores e o rendimento dos alunos.
Mas também tenho de concordar que a senhora é uma dessas figuras que, por diferentes motivos e factores, lhe atribuiram um protagonismo que dificilmente poderá ser consolidado fora do ambiente marcadamente opiniativo.
Mas é uma opinião.

domingo, maio 1

do ambiente

Há tempos atrás tive oportunidade de trocar um conjunto de ideias com o Gustavo (rápido regresso, que sinto saudades) sobre a arquitectura interior das escolas, nomeadamente a relação, de proximidade ou de distanciamento, entre sala de professores e órgão e gestão, sala de professores versus sala de funcionários ou de alunos.
Hoje, a partir de um texto onde se procura destacar um ambiente escolar, tão simples quanto bonito, despertou-me a memória das escolas por onde tenho andado.
Quase todas assentes numa lógica que intermedeia entre o fabril (um ou vários blocos com salas de aula, por onde se dispersam professores e alunos, onde se organizam, de modo sequencial e formal as relações e as dinâmicas pedagógicas, que se distribuem, pretensamente sobre uma qualquer noção de equilíbrio, entre funções pedagógicas, administrativas e de apoio) e o militar (amplos espaços exteriores, entre o campo de jogos ou aproveitado para esse efeito e a parada militar, onde se alinham conjuntos, onde se distribuem grupos e grupinhos, onde se constroem sentimentos e relações de pertença ou de exclusão, de tolerância ou de nem por isso.
Esta lógica de organização procurou, a seu tempo, definir um conjunto de relações marcadas, essencialmente, pela separação, pela hierarquia, pela consideração que há grupos mais importantes que outros, não apenas do ponto de vista social, mas também disciplinar, daí umas salas serem amplas outras nem tanto, uma estarem viradas ou orientadas de acordo com critérios definidos outras nem tanto, ou pela própria arrumação (organização interna) da sala.
Isto para destacar um dado óbvio, mas nem sempre evidente, que a arquitectura condiciona as relações humanas, define um dado fluir dessas mesmas relações, estrutura a sua dinâmica e permite criar uma dinâmica política (escolar) e institucional (educativa) que enforma a cultura (e o clima) de uma qualquer organização.
Nada é mais óbvio e evidente que as escolas de 1º ciclo (as primárias do antigamente) desde o plano do centenário, aos P (p1, p2, p3 e, mais recentemente, o p5) para realçar esta lógica que também está presente nos restantes ciclos.
É por estas e por outras que surgem planos e projectos que visam alterar ou re-condicionar de modo diferente, espero que assente em pressupostos diferentes, estas lógicas. Este é também um outro desafio que condiciona as relações internas de uma escola, que determina uma dada dinâmica de trabalho, que promove um dado ambiente educativo que, por sua vez e de modo articulado com outros factores, permite criar uma outra apetência na e pela escola, pelo sucesso e pela participação de uns e de outros.
Por vezes querem-se alterar todas as estruturas, todas as ramificações que mais não são que consequência de lógicas de utilização e apropriação dos espaços, dos fluxos de circulação e de respiração que acontecem numa escola sem se tocar no cerne da questão.
Na generalidade das situações são acções, invariavelmente, condenadas ao fracasso. E não é por resistência, nem obstinação de quem quer que seja. Apenas condicionantes de um espaço.

sexta-feira, abril 29

ainda + conversa

No seio de toda esta conversa acabamos sempre por valorizar um ou outro dos pontos de vista, aqueles onde estamos, por onde nos envolvemos.
Mas, atenção à impertinência, não esquecer que isto de educação é uma pescadinha de rebinho na boca. Pegue-se-lhe por onde se pegue ele liga pontas, une fins.
O princípio é importante, o primeiro ciclo, mas a universidade, as instituições de formação de professores serão, neste contexto, determinantes para equacionar não um mas vários, diferentes modelos, possibilidades e dinâmicas de trabalho.
O que se vê é chegarem estagiários com um modelo pré-definido, pré-determinado de dar aulas, independentemente das realidades, dos contextos, das situações com que se depara. A formação inicial, apesar de existirem honrosas excepções, está assente na fábrica educativa. A formação continua vai ao encontro de alguns, escassos, interesses.
E o resto, e as outras possibilidades?

das conversas

Em face das conversas que a discussão em torno das medidas de apoio ao ensino da matemática têm sucistado, permitam-me acrescentar dois ou três aspectos que designo, assumidamente, de banalidades e lugares comuns.
Qualquer medida adoptada necessita de tempo de maturação, de gestação para que, de modo efectivo, prático e real, se façam sentir os seus efeitos, os impactos (tanto os desejados como, inevitavelmente, os nem por isso). Ora a escola e nomeadamente o tempo educativo não se coaduna com o tempo político, com a celeridade mediática que um tempo político e social pensa determinar.
Se, genérica e globalmente, vejo como boas as medidas adoptadas, não deixo de considerar que elas não são vistas em função das capacidades reflexivas e críticas nem dos professores nem das escolas (entendidas como um colectivo profissional e social). Bem pelo contrário. Vêm encontro a consideração dos professores como claros funcionários públicos que apenas fazem quando se lhes diz para fazer, como fazer e o que fazer. Como profissional do ensino tenho pena, como cidadão reconheço muita da verdade, como pai e encarregado de educação considero as medidas, para além de legitimas, escassas, pouco ambiciosas.
Terceira ideia, na minha sala de professores não oiço um comentário fundamentado, consistente ou, sequer, coerente de crítica ou de oposição. apenas e genericamente falando, lugares comuns, defesa de um profissionalismo atávico, minimalista e cerceador de uma qualquer autonomia profissional.
Finalmente, considero que há, em imensas escolas, práticas eficazes, caminhos alternativos, casos de sucesso, reflexão crítica e pensamento assertivo sobre o que se faz, a construção local da escola e da educação. Ideias, práticas, caminhos e alternativas que há que apoiar, valorizar, incentivar e partilhar.
A conclusão que posso fazer destes meus lugares comuns vai no sentido que falta formação à formação, faltam ideias a quem as devia ter (aos professores), falta imaginação, ousadia, capacidade de ultrapassar a banalidade dos dias, desligar de um quotidiano amorfo e enfrentar a construção diária, continuada e persistente da escola. Com o apoio dos colegas, com a conversa na escola, com uma organização diferente dos espaços e dos tempos lectivos, com a construção de objectivos, com a definição de elementos de avaliação, com a aferição de possibilidades, com o envolvimento e a participação daqueles que estão interessados na escola e pela escola. Aprender com os erros, nossos e alheios, saber retirar as necessárias e devidas ilacções dos caminhos trilhados, do feito, do construído.
Três ideias básicas - participação, construção local, avaliação.

quinta-feira, abril 28

obviamente

São, aparentemente, tão óbvias as medidas anunciadas (1 e 2) para a educação que dificilmente conseguem suscitar uma crítica de fundo, se pode descortinar uma fundamentação de resistência, colocar um obstáculo inoportuno.
Apenas numa qualquer sala de professores se conseguem ouvir comentários menos bons, perceber a dualidade de perspectivas. Ontem de manhã ainda prevaleciam os comentários sobre a bestialidade do aluno, hoje realçam-se as condições que não temos, as eternas condições que podem, de modo claro e directo, ser substituídas pelo seu sinónimo, desculpas.
Obviamente.

frases

uma frase que gostava de ter escrito:
... Eu sei que a escola que temos não é uma inevitabilidade. É um produto de mil e um preconceitos e representações que afagam o nosso ego e reificam o passado no nosso olhar...
Ademar Santos.

quarta-feira, abril 27

dicotomias

Há muito que tenho consciência que no seio do Partido Socialista há duas correntes educativas que procuram, cada qual a seu modo e a seu tempo, afirmar a sua preponderância.
Uma, porventura humanista, defende que os professores e as escolas sabem o que querem e sabem trabalhar para alcançar esses objectivos. É uma corrente que defende a regulação, isto é, a definição dos possíveis dentro dos quais, escolas e professores, se manifestam e definem estratégias e implementam metodologias.
Mas há uma outra, mais regulamentadora, isto é, mais legisladora, mais directiva, que defende que se deve dizer às escolas e aos professores o que devem fazer e como devem fazer. É uma corrente mais tradicional, mais jurídico-administrativa que considera e sobreleva a necessidade de formação por parte dos professores e das escolas quanto à capacidade de definir e construir futuros.
Tanto uma como outra são evidentes nas propostas que se apresentam neste momento nos discursos da tutela. Com um claro ascendente daqueles que defendem que as escolas e os professores são gente bruta que, se não se lhes disser como, não fazem nada e procuram a gentileza da tradição, do comodismo, do mínimo denominador comum.
Sou, clara e objectivamente, apologista da primeira posição, mais regulador, valorizador das autonomias profissionais, das capacidades locais, mas, por vezes, aos ouvir os meus distintos colegas, convencço-me que o outro lado, o da regulamentação, o da ordem e do sentido directo e directivo, estarão mais correctos, serão mais adequados àquilo que temos nas escolas.
Convenço-me que se não existirem ordens directas continuamos, persistimos e insistimos no habitual. Não somos capazes, por razões várias, de inovar, de fazer diferente, de ousar.
Dicotomias. E nós no meio.

do princípio

Penso ter perdido uma posta sobre a ideia apresentada, um pequeno texto onde afirmava que, na generalidade, os professores reagem negativamente às ideias apresentadas, ideias diferentes, outras propostas que não se insiram num modelo ou numa fôrma habitual, esteriótipada.
Tenho consciência que a ideia que apresentei pode mexer com algumas ideis feitas, com aquele senso comum que se visibiliza, com os pré-conceitos que se descobrem que são isso mesmo, pré-conceitos.
O que aqui se revela não é má fé ou falta de vontade, apenas ignorância, falta de formação para podermos perspectivar outros modos, outros possíveis, equacionar aquilo que há muito defendo, um professor reflexivo, que pense aquilo que faz e não seja, apenas e somente um funcionário público.
Mas há ainda muito caminho a percorrer.

dificuldade

Hoje tem sido difícil postar ideias, uma vez que o blogger parece entre o virado e o atacado.
Devagar talvez lá se chegue.

de uma ideia

concretizo o que referi como uma ideia de trabalho.
Como disse é uma ideia (reconheço que aparentemente simples) que procura mexer na organização da escola (tempos, espaços e alguns recursos).
A minha prática pedagógica insere-se naquilo que alguns autores designam de pedagogia diferenciada (reconheço que não gosto muito desta designação). Neste sentido a escola é entendida como um local (global) de formação e aprendizagem. O que procuro na ideia que apresentei é que seja efectivamente isso, um espaço, coordenado por um elemento de História (não há nenhuma disciplina que não toque na - sua - História) e que faça a ponte sobre conhecimentos, práticas, metodologias, estratégias, recursos didáctivos.
Isto é, é um gabinete de ideias que coordena acções práticas, lectivas das disciplinas e dos docentes que para isso se disponibilizem, coordenando formas de compensação, estruturando apoios, definindo tarefas, implemento acções, apoiando docentes e práticas docentes.
Vai, ao fim e ao cabo, ao encontro de metodologias cooperativas e colaborantes, procura ultrapassar o monismo disciplinar e integrar a colaboração como factor de desenvolvimento, e a coordenação como elemento de motivação disciplinar e lectiva.
Aparentemente simples. Requer que a distribuição de horários seja feita em função de grupos e de objectivos. Requer que o foco seja o aluno (efectivamente e não apenas do ponto de vista retórico), implica disponibilidade prática, efectiva para a colaboração e não para o isolamento. Implica, ainda, que se trabalhe acompanhado na sala de aula e não apenas um elemento.
Coisas que são simples de pensar e de dizer. Mas muito complicadas de implementar. Mas não desisto.

terça-feira, abril 26

futuro

Apresentei hoje, para discussão amanhã em sede de departamento, uma ideia de trabalho que designei Futuro com História.
Uma ideia de trabalho que parte da disciplina de História, como se notará, e procura ir ao encontro de diferentes princípios.
Desde a organização da escola, de modo a ultrapassar a ideia que a escola é só para dar aulas, que a História é do passado, que as disciplinas são quintas fechadas, que o trabalho do professor é isolado ou que as aulas são uma seca.
Indiquei, ainda que sucintamente, uma justificação, objectivos e recursos (humanos e materiais, não quero acreditar nem ter a veleidade de permitirem que um projecto mexa em dinheiros), como deixei ideias quantos aos possíveis produtos a obter e uma proposta de avaliação, cruzada, isto é, por parte dos responsáveis do projecto e por eventual comissão/grupo com origem em Conselho Pedagógico.
Será porventura precipitado da minha parte, mas estou quase convencido que os primeiros comentários irão ao encontro do impossível, que não é viável. Ou seja, os primeiros comentários procurarão a inquestionabilidade do que temos.
Depois direi.

dúvida

Numa posta anterior referi um conceito que me é caro e que o Paulo há muito não via (ouvia), o de profissionalidade.
Só por uma questão de esclarecimento e se ele assim o entender, a dúvida que suscitou foi boa ou má? A recordação vale a pena ou não?

segunda-feira, abril 25

desafios

Mais a pensar no colega Luís, do geografismos, mas não só, deixo um link que recentemente me chegou e onde já perdi (?) algum tempo, a tentar acertar ou a tentar verificar o que não sei e julgo saber sobre geografia da europa.
Interessante mesmo para os mais crescidos.

escolhas

Enquanto subscritor da newsletter da amazon.com recebi a informação que transcrevo.
Dear Amazon.com Customer. As someone who has purchased parenting titles, or titles about children and school systems, you might like to know that "Basic Tools for Choosing a School: A Picky Parent Guide Quick Kit" is now available as an e-doc. You can order your copy by following the link below.
Interessante e elucidativa de eventuais caminhos que, por mim, não quero trilhar, mas que e ao mesmo tempo, reconheço alguma necessidade e pertinência pelo menos para despertar algumas consciências que consideram que não há outros possíveis.

domingo, abril 24

confronto

A escola e os professores precisam de outras realidades, de conhecer outros modos, de quebrar barreiras e ultrapassar tabus, ideias-feitas, pré-conceitos.
Se queremos uma escola diferente, se queremos uma outra profissionalidade, se queremos defender e afirmar outros modos de sermos considerados nada melhor que conhecer outros pontos de vista, outros olhares, outras perspectivas de sabermos de outras possibilidades.
Estamos tão perto e tão longe, tão juntos e tão separados.
Há, para além daquilo que nos ensinaram, para além dos modelos que concebemos e pelos quais fomos formados, há outras possibilidades.
Há mais mundos para além deste mundo. E de quando em vez teimamos em não os ver. Em não os querermos ver. Por medo, por insegurança, por receio da ignorância, de reconhecermos e assumirmos o que desconhecemos.
É importante que pontos de vista concretos, situações reais, caos práticos como o João apareçam, se façam conhecer. Talvez seja esta ua das formas de conhecermos outras possibilidades de ser professor.

diferente

Estou plenamente convencido que não fazemos diferente, não temos uma escola diferente, não por não querer, não por acreditar que este é o único modelo, o correcto e o adequado. Não por resistência à mudança ou ao diferente, como pretensamente se quer fazer querer.
Não fazemos diferente, não temos uma escola diferente pura e simplesmentne porque não sabemos fazer diferente. Não nos ensinaram outro modelos, outras formas, outras lógicas, não tivemos um modelo diferente de ensinar, de avaliar, de equacionar a relação pedagógica.
É o que decorre do comentário a esta posta do João.
Tenho perfeita consciência que, caso o João mantenha a sua presença, exisitirá pano para mangas, na consideração de um dos mais melindrosos processos na educação, a avaliação.
De tanta objectividade que se procura seremos efectivamente objectivos? será que as emoções não terão papel importante na avaliação do ensino básico, pelo menos?.
Será que não existem outros modos de ser, outros possíveis?

sexta-feira, abril 22

difícil

é verdade, é difícil vermo-nos livres das escola, mesmo sem professores e sem alunos não há quem as queira.
Imaginem se tivessem professores e alunos dentro.

novidades

Há já tempos que este colega tinha aberto o espaço mas, para além da simples apresentação de intenções, ficou-se por aí.
Parece que agora se lançará para outras intenções e de certeza absoluta enriquecerá este espaço. E fa-lo-á por três razões. A primeira porque é alentejano, de Vila Viçosa, pois claro, e é razão mais que suficiente para enriquecer a blogosfera. Depois porque é professor, reflexivo, que pensa e procura descobrir outros possíveis na sua e na nossa prática profissional. Por último porque trás à baila uma temática que muitos procuram, outros tantos já ouviram falar, mas poucos sabem abordar como ele, o portefólio.
Recomendo, vivamente, o acompanhamento deste espaço.

conversamos

Em vésperas de dia da Liberdade fico sempre entre o incomodado e o incomodativo.
Incomododado porque o tempo é curto para se falar de tudo o que queremos e de como queremos. Porque não existe quase espaço nos programas para se falar deste dia, deste acontecimento, apenas no final do programa de 6º ou de 9º ano.
Incomodativo porque procuro despertar curiosidades, trocar ideias. Como professor e como professor de História não posso nem deixo passar em claro este dia.
Troco palavras com os alunos, conversamos sobre isto e sobre aquilo, uso um ou outro exemplo, apresento memórias, peço-lhes para perguntarem em casa onde estavam, o que faziam, o que pensaram, como viveram (se viveram) essedia, esses tempos.
Há uns anos, numa escola por onde passei, convidei um colega (docente) e um pai para falar sobre este dia, as suas memórias, os seus tempos. A situação foi de tal modo intensa que houve lágrimas de parte a parte, de quem conversava e de quem ouvia. Foi, provavelmente, um dos momentos mais intensos de emoção que vivi enquanto professor (e professor de História).
Pois claro que conversamos, é a conversar ca gente se entende.

experiências

É impressionante como somos reflexo do conjunto de relações que estabelecemos com o outro, particularmente dentro de uma sala de aula.
Hoje fiz uma experiência com duas das turmas do dia. Defini um modo de estar, numa cansado, entre o amorfo e o indiferente. Numa outra empenhado, dinâmico, convicente.
Imaginam, claro está, o resultado.
Um único objectivo, procurar situações onde alicerçar a convicção que a dinâmica de grupos é determinante na gestão da relação pedagógica (não gosto nem utilizo a expressão ensino/aprendizagem), na relação que o aluno estabelece com o professor e, por intermédio deste, com a disciplina.
São experiências, é verdade, onde me conheço e percebo melhor e compreendo melhor como devo agir para centrar a relação no aluno e partir deste para um trabalho relacional e para uma construção que é social, a do conhecimento.

quinta-feira, abril 21

interessante

de quando em vez, neste imenso deserto de ideias mas cheinho de opiniões que é a blogosfera(digam lá se não sou um destes paradigmas), dou com uma surpresa destas - comunicar/publicar na internet.
parte-se, presumivelmente, da ideia que comunicar é uma e diferente coisa que publicar. O que poderá eventualmente presupor que podemos publicar e nada comunicar, mas considero mais difícil comunicar sem publicar. Mas...
ainda por cima tem lá sítios deveras interessantes. Outros nem tanto [obviamente que me refiro a este cantinho, impertinente, é verdade, despudorado, mas também nem tanto para andar a dizer mal de quem quer que seja...].
Mas que é interessante, lá isso é.

faz-de-conta

O Miguel volta à baila com um tema pertinente e perante o qual muitos de nós teimamos em não querer ver, em disfarçar, o faz-de-conta.
Ele refere-se explícita e directamente às assembleias de escola. Eu, sem qualquer desculpa pela impertinência, sou mais abrangente e pergunto quantas escolas, conselhos de turma, aulas, órgãos de gestão, reuniões de departamento ou sei lá do quê, não serão do reino do faz-de-conta.
Este faz-de-conta faz-se sentir, evidencia-se na quantidade de gente a pensar que está no tempo da outra senhora, em que existem liceus, em que a escola tem por objectivo a selecção social, que devemos premiar a méritocracia, que os meninos devem entrar mudos e sair calados, de modo a não incomodar o(a) senhor(a) professor(a), os projectos curriculares de escola ou de turma que mais não são que ideias (quando as há) avulsas de banalidades e generalidades sobre coisa nenhuma e para nada, verbo de preencher por que não enche nada nem ninguém, as áreas curriculares que viram disciplina porque não se faz ideia do que se pode fazer naqueles tempos, naqueles espaços, as incapacidades de fazer diferente disfarçadas com comentários de culpabilização do aluno, pela sua indiferença, pelo seu alheamento.
Este reino do faz-de-conta não é exclusivo da escola nem da educação. É marca genética da nossa cultura, do nosso país. Faz-de-conta até que não tenho razão e que tudo isto não passa de um faz-de-conta.
Faz-de-conta.

quarta-feira, abril 20

nem de propósito

... no zapping que faço dou por mim referenciado neste sítio (que agradeço) e dou com esta soberba frase, própria de um génio e que vai direitinha ao encontro do meu anterior post:
Se não receio o erro é porque estou sempre pronto a corrigi-lo (Bento de Jesus Caraça).
É uma cultura que não temos, que não promovemos. Apesar de o povo português usar a expressão "aprender com os nossos erros" ela foi quase que banida da escola e da vida quotidiana.
Quando digo a um aluno que pode errar, mas tem de saber reconhecer o seu erro, tem de o saber corrigir fica, entre o espantado e o estupidificado, a olhar para mim como se tivesse dito a maior das barbaridades.
E se calhar disse.
Com a certeza raramente se aprende. Nunca se avança.

imagens

Há determinadas imagens, há olhares que se nos colocam ao corpo e definem e condicionam aquilo que somos e, muito particularmente, como somos.
A Lucília, na sua elegante forma de colocar as questões, tráz à baila uma dessas imagens, a imagem que o professor tem de ser, é infalível, raramente tem dúvidas e nunca, jamais em tempo algum, erra.
É a tradição de uma cultura que premeia o saber pelo saber, a inquestionabilidade de quem sabe [de pretensamente saber], é o hábito e o modo de não se terem dúvidas, é a recusa de ser a partir do erro que se aprende, de ser a partir da dúvida que existe esclarecimento, clarividência.
Já durante a manhã esta imagem me foi colocada por uma colega quando, na sala de professores, me pergunta se a minha atitude e posição naquele momento, eram modos de se estar na sala de professores.
Que raios, há um modo de ser professor? Há uma imagem de professor? ou será que existem modos, imagens (no plural, na pluralidade) de se ser professor?

terça-feira, abril 19

à descrição

Mais do mesmo.
A senhora professora da filha (2º ano) sem qualquer tipo de explicação nem uma razão que na cabeça de uma criança de quase 8 anos possa parecer plausível ou justificável mudou-a de sítio e de companhia. A filha perguntou do porquê. Por que quero, foi a resposta.
E pronto.
E depois ainda me perguntam porque é que gosto de estar com os miúdos.
Porque não consigo aturar estes professores. Porra é demais.

É para ficar irritado

é sim senhor...
conta-me o filho (5º ano) que a senhor professora de matemática permitiu que uma aluna realizasse hoje o teste que aconteceu na passada semana, uma vez que a menina tinha estado doente. Óptimo.
Conta também que após a menina ter entregue o teste a senhora professora, enquanto a turma realizava um exercício, o corrigiu. Óptimo.
Só que após a correcção aproveitou um momento de sossego e disse, em voz bem alta, tens zero, és um zero e atirou o teste, com desprezo, para a secretária da menina.
A menina passou o intervalo na casa de banho a chorar e a dizer que não queria ir a mais aula nenhuma.
Se isto não irrita, o que será que irrita.

irritação

Há professores que se sentem irritados com a escola, com a sua profissão. Há professores que me irritam por que estão eterna e permanentemente insatisfeitos, desconfortáveis na sua pele. Por tudo o que se faça, por tudo o que se disponibilize, por tudo o que se possa pensar, fazer ou ser por estas pessoas, estão sempre desconfortáveis.
Não sabem fazer mais nada. São professores. E nem professores sabem ser.
Será que tenho de aturar esta gente? Que ganhamos nós com eles? Como se sentirão os alunos numa sala de aula com pessoas irritadas, desconfortáveis, descontentes?
Irritam-me.

surpresa

Tenho que reconhecer que a princípio estranhei o texto e a escrita do Paulo, daí a minha tardia referência ao seu canto.
Mas também tenho que reconhecer que, de quando em vez, me entranho nos seus textos, nas suas ideias. Será, porventura e com toda a minha impertinência, um dos poucos blogues do dito ensino superior que me surpreende. E me surpreende pela positiva.
Pelas considerações que tece, pelas cumplicidades que pressupõe, pelas conivências que destaca, pela insensatez opinativa de muitos profetas que desvela, pela inconsequência que desmonta em muitos textos, pela pertinência e pela assunção do seu próprio carácter opinativo, pelo desvio acdémico que de quando em vez assume.
Este texto vai nesse sentido. Fundamentado. Coerente, sólido, consistente. Mas opinativo. Vale a pena perder todo o tempo e ganhar um pouco mais de sentidos.
Parabéns Paulo.

paisagem e gabinete

Há quem tenha a sorte (será privilégio?) de ter um paisagem bucólica onde se descansa a vista e se distendem ideias. Como há quem tenha o prezer (será privilégio?) de usufruir de um gabinete.
Reconheço, assumo a minha inveja (é por estas e por outras que este país não sai do buraco, por causa destas invejas, quem o diz é José Gil). Não exigiria um gabinete, contentar-me-ia com um pequeno cantinho onde pudesse estar, ler, organizar ideias, escrever devaneios, preparar uma sessão.
Mas não tenho. Mas não deixo de estar, de ler, de organizar ideias, de escrever devaneios, de preparar as sessões de trabalho com os aluno.
Não tenho, então invento, desligo do ambiente. Isolo-me. Finjo que fujo e que tenho uma paisagem alentejana em fundo, agora salpicada entre o castanho seco e o verde pintalgado de papoilas e margaridas.
Não tenho. Então imagino. Imagino e construo o futuro com o que tenho, com o que posso. E, se quisermos, podemos tanto.

conversas

Num dos cantos desta sala de professores (onde passo cada vez menos tempo, mas é o único sítio onde posso, a partir da escola, aceder à net) há quem discuta a formação de docentes.
Entre as necessidades referenciadas e as certezas das certezas a abordagem vai directa, direitinha à necessidade de modelos de actuação, um pronto-a-vestir também pedagógico, também didáctico, pronto a implementar, receita infalível para a situação com que um ou outro se defronta e confronta na sala de aula.
Será que há um modelo de formação? Será que há uma receita, mesmo que falível, que possa ser adoptada, generalizada?
Conversas...

segunda-feira, abril 18

dos sentidos

...da escola, pois claro.
Uma outra realidade com que me confrontei este fim-de-semana.
Uma miuda a quem em tempos aconselhei sobre possibilidades, alternativas e futuros, no final do 9º ano, encontra-me e dirige-se-me. Obrigado professor, hoje reconheço que tinha razão. Pergunto do porque e diz-me que há três anos pensava abandonar a escola, optar por um qualquer trabalho que lhe aparecesse. Por indicação minha e decisão familiar ingressou numa escola profissional cá do sítio, em área que menos predicados lhe ofereceu. Hoje, a terminar o 3º ano, o equivalente ao 12º, disse-me que se preparara para os exames de acesso ao ensino superior com um média bastante razoável, e que tem um sentido de vida.
Fiquei contente e satisfeito, obviamente.
Assume-se, para além dos afectos, um outro aspecto que em demasiadas ocasiões a escola (e os professores) se esquecem de assumir, que entre os 11/12 anos e os 15/16 é necessário criar um sentido ao trabalho escolar e à vida destas pessoas que saiem da fase do armário e caminham para a dolescência mas que não são um nem outro.
Procuram sentidos, objectivos, propósitos. Têm demasiadas perguntas e não menos respostas nas cabecinhas que são ainda muito gelatinosas. Sem ajuda, sem apoio, sem orientação, que muita das vezes não têm em casa, acabam por se perder nas franjas do insucesso, da indiferença, do alheamento.

dos afectos

Cada vez tenho mais fundo no meu pensar e no sentir a escola que as relações que aqui se estabelecem, dentro ou fora da sala de aula, entre colegas docentes ou entre docentes e alunos ou com auxiliares, assentam na gestão dos afectos, dos sentimentos.
Cada vez mais me convenço que a relação pedagógica se sedimenta numa teia de relações afectivas, onde a palavra é determinante e a troca de cumplicidades não menos.
Hoje, numa aula, uma aluna mostra-se assertiva, mais que num qualquer outro dia. Aproximo-me e com algum receio de estragar a situação, dogo-lhe que gosto de a sentir assim, simpática. Que a sua simpatia do dia se reflecte no trabalho, quer em termos de rendimento, quer de qualidade. Olha para mim e sem dizer palavra abre-me um sorriso daqueles em que agradeço ser professor e poder admirar.

das referências

Não resisto a este exercício, ao de agradecer aos passantes, a todos aqueles (e aquelas) que têm a pachorra de por aqui passar, alguns de modo diário, vá-se lá saber com que masoquismo.
Ultrapassei a barreira [psicológica] dos 10 mil passantes. É certo que grande parte deles é da minha exclusiva responsabilidade. Gosto de me ler, de procurar os meus erros, de olhar as minhas contradições, de sentir um ou outro sentimento, de perspectivar o que sou, o que quero ser, o que gostaria de ser.
Mas há uns quantos que sei que não são meus, são de amigos (e amigas) que tive (e tenho) o privilégio de ler, de sentir perto, pertinho de mim. De sentir aqui tão perto quanto a amizade permite e possibilita.
É deles, de alguns destes amigos, a responsabilidade de por aqui continuar a escrever barbaridades, a ser impertinente, a deixar a minha opinião, sem que alguém me a peça, ideias sobre esta coisa que nos move e une, a escola, a educação, a profissão docente.
Obrigado pessoal.

desafios

Não sei se foi a partir daqui mas foi, de certeza, por sugestão deste amigo, que surgem um conjunto de perguntas e de respostas que podem pronunciar (aprofundar?) sobre quem somos nesta never land da blogosfera.
Exercício entre o académico e o pessoal, uma vez que, como é marcante na web, podemos procurar iludir o outro, iludindo-nos a nós, fazermos crer que somos um outro que, talvez, gostássemos mais de ser. Um pensar entre o momento de uma circuntância e o amadurecer do que há-de (pode?, deve?) ser escrito. É um exercício de como queremos ser vistos, como quem sai de casa e veste uma dada indumentária para que sejamos percebidos assim ou assado.
Independente de qualquer circunstancialismo, as minhas respostas, a minha imagem. Não se aceita contraditório.
1. Não podendo sair do Farheneit 451, que livro quererias ser?
Cem anos de solidão, por toda a companhia que um solitário pode gostar e ambicionar, uma história de enlevo, de construção não de personagens, mas de pessoas, das suas raízes, do futuro.
2. Já alguma vez ficaste apanhadinho por um personagem de ficção?
Houve, há, um personagem que sempre me impressionou, do qual fiz a minha primeira colecção de títulos, o capitão américa. Só já grande racionalizei a situação, e é uma racionalização, pode ser enganosa, a de que é uma pessoa normal que, de vez enquando, se arma em herói.
Recentemente o senhor Pera, dos Incríveis, pelas mesmas características, virou herói pessoal, personagem de adoração.
3. Qual foi o último livro que compraste?
Sem ser daqueles de obrigação, dois ao mesmo tempo, na pausa da Páscoa, Anjos e Demónios, Dan Brown, e As Memórias das minhas Tristes Putas, Gabriel Garcia Marquez.
4. Que livros estás a ler?
Perrnoud, Pedagogia Diferenciada da razão à acção. Evidentemente, A. Nóvoa.
5. Que livros (5) levarias para uma ilha deserta?
Cem anos de solidão, Os Maias, Em tempos de Amor e Cólera (nunca me canso de os reler, de voltar a eles como a porto de abrigo, a um recarregar de mim mesmo), Aparição (recordar o que sou (eborense e professor) e o que somos, portugueses. O Labirinto da saudade, para ter a certeza que não me apeteceria regressar.
6. A quem vais passar este testemunho (três pessoas) e porquê?
A alguns a que quereria passar a ideia, já me o fizeram, mas há sempre pessoas que gosto e que aprecio, pela escrita e pela simplicidade.
Proponho a Sofia, a Lucília e a Selma porque tenho aprendido a gostar de pessoas que não conheço, e porque são mulheres que me obrigam a ser o que sou.

quinta-feira, abril 14

das saudades

A propósito dos amigos de alex ou, mais apropriadamente, dos amigos do Ademar, repesco a temática para o meu lado, para assumir algumas saudades da gente com quem resisti e sobrevivi ao meu curso.
Já lá vão quase 20 anos da data de conclusão, faltam 3 anos para esse efeito. Provavelmente fruto de alguma saturação mútua, de um cansaço inevitável após um período de 5 intensos anos, de trabalho, de camaradagens, de cumplicidades e desgastes que, depois da separação, nunca mais tive conhecimento do pessoal. Excepção feita a um ou a outra que por aqui ficou (um António e dois joaquins), a uma colega com quem, em tempos, troquei picardias políticas, do resto nada.
Nem um sinal, nem uma troca de mimos.
Desse grupo de quase trinta pessoas recordo 4 ou cinco com quem acompanhei quase de princípio a fim. Com quem troquei opiniões e ideias e me formei enquanto pessoa e enquanto docente.
Não os encontro na blogosfera. Sei que andam por aí, algures. Que estejam bem.

quarta-feira, abril 13

das dúvidas

Na parte final de um comentário a um amigo, deixo duas perguntas que decorrem de um certo esmorecimento da blogosfera, de uma aparente acalmia, que uns justificam pela falta de tempo outros pela repetição das ideias e dos textos.
Por uma ou outra razão, ou por nenhuma delas, replico aqui as questões, deixando espaço para uma arqueologia do futuro, ou seja, para a tentativa de identificar aquilo que fica depois de tudo se passar, o que ficará destes textos, o que se fará destas ideias, destas vontades.
É em função desta arqueologia do futuro que pergunto (e que procuro condicionar o meu trabalho), como podemos nós partilhar experiências entre escolas, entre práticas, entre tentativas? Como podemos nós utilizar este espaço da blogosfera, este próximo distante, para sermos melhores, para melhorarmos práticas, para percebermos situações, para construir alternativas, para evitar o desgaste de ideias, para se evitar a re-invenção da roda?
Será esta a nova agenda da blogosfera?
Será?

do erro

Ontem, em conversa com um grupo de alunos (de 8º ano), reconhecemos que, ao contrário de José Gil em Portugal Hoje, o medo de existir, nós não temos medo de existir, temos vergonha de existir, de sermos o que somos, de nos reconhecermos ao espelho.
Podemos perguntar quem será melhor que nós. Podemos dar a resposta óbvia que não há quem nos alcance e nos atinja. Esta vertente umbilical de autoanálise é característica de um marasmo, de uma estupidificação reinante, esclerosada e petrificante.
Quem não é como eu é contra mim. Quem pensa o contrário é por que me inveja. Ingorância. Medo. Vergonha, apenas.
Na escola ou na sociedade, há quem tenha medo, procure a subserviência e a indiferença como armas de desculpabilização e desresponsabilização. Mas há os outros, aqueles que apenas e só têm vergonha de ser, de assumir o erro, de voltar atrás e procurar outras hipóteses.
Enleamo-nos em pormenores apenas para atrasar esse reconhecimento, para fugir à nossa incapacidade de assumir diferente, de ser diferente.
Precisamos de uma inscrição social e profissional. Precisamos de assumir erros e ignorância.
Começo por mim. Cada vez mais, cada dia que passa, com o assentuar dos anos e da idade estou mais parvo, idiota, estúpido e ignorante. Desfazado do tempo e de mim mesmo.
Preciso de educação. Preciso de formação.
Quem se segue?

Impressão (?)

Não sei, provavelmente será apenas e somente impressão minha, mas sinto os alunos alheados do que andamos a fazer e os professores indiferentes ao que fazem.
Será impressão minha? Será exclusivo da minha escolinha?

segunda-feira, abril 11

da vontade

... ou da falta dela.
Reconheço que ando com pouca vontade de escrever. As ideias, entre o nublado e o indefinido, custam a sair. Já antes aqui uma vez o escrevi, não me apetece escrever banalidades e menos ainda sobre coisa nenhuma.
Talvez fruto de um fim-de-semana demasiado comprido, com noites demasiadamente pequenas, talvez pelo desgaste inevitável que o tempo provoca na escrita de uma pessoa, estou parado, algo alentejano.
A escola escorre normalmente, entre o descomprometido e o não inscrito, isto é, entre a pessoa que está bem em qualquer lado e fazer qualquer coisa, e os colegas que procuram passar de mansinho, certos que para o ano há mais, nesta ou em outra qualquer escola.
Custa-me, de quando em vez, assumir a banalidade dos meus dias.
Fases.

sábado, abril 9

Mudanças

Perspectivam-se mudanças na escola, na educação e no ensino.
Seriam inevitáveis, face à alteração de sentidos e de paradigmas políticos e partidários.
São imprescindíveis no sentido de criar na escola um espaço de oportunidades (que tendencialmente a escola tem vindo a perder), isto é, permitir que a escola seja uma espaço de futuro e não apenas de um hoje periclitante, indefinido.
Algumas dessas mudanças, de acordo com o que se ouve, irão colidir com interesses mais particulares, com situações de conforto e comodismo, irão contrariar apatias e amorfismos instalados. Estou certo que não irão agradar a todos e que alguns sindicatos e sectores profissionais se insurgirão.
Mudanças que muito provavelmente procurarão mexer na organização (de tempos e espaços, e na gestão dos recursos), na definição de projectos e de objectivos.
Estou certo que muitos irão dizer que não há condições, apenas espero que o ministério considere oportunidades de trabalho e de formação local. Que permita, cada vez mais, a construção local e contextual da escola e da educação.

sexta-feira, abril 8

do fio

Não quero acreditar naquilo que parece que estou a ouvir. Pelas poucas e gotejadoras notícias oriunbdas do Ministério da Educação fico com a sensação, com a impressão que é mais do mesmo, que não há uma ideia sobre a escola, a educação, a formação, o ensino. que ainda estará carente na liderança ministerial qual o papel do professor e dos diferentes actores educativos neste processom, nesta construção social e política que é a educação e o espaço onde ela prioritariamente acontece, a escola.
Fico, em conversas aqui e ali, sobre tudo e para nada, que ainda não há uma ideia de qual o papel das estruturas desconcentradas, de quais as possíveis acções ou a necessária intervenção para apoiar escolas, colaborar na construção local da escola.
Fico com a manifesta sensação que, apesar de existir um programa de governo (perante o qual me reconheço enormemente) não há, ainda, por enquanto um fio de trabalho que consiga, pelo menos, transparecer na comunicação social e, menos ainda, perante o nosso trabalho quotidiano.
Será impressão minha?

da procura

Alguém me procurou, alguém procura este espaço na procura dos sentidos da escola.
Esta blogosfera é, para além de um espaço de participação e debate, um espaço de voeyrismo, onde vemos sem sermos vistos, onde procuramos aquilo que não queremos encontrar, onde lemos sem sermos lidos, onde procuramos ver o outro sem sermos vistos.
Nestas peripécias dou quem quem procura não um mas vários sentidos para a escola, para as identidades que aqui, na escola, são definidas e (de)formadas.
Se consigo esclarecer algo, é que não sei. Se consigo ir ao encontro de algum tipo de expectativa, não sei. Mas quem sabe?

quinta-feira, abril 7

do como

Como equilibrar a necessária unidade do sistema com a pluridade de ideias e opiniões, de práticas e da construção da escola enquanto realidade social e contextual?
Ainda mais prático, como promover a pluralidade e respeitar a unidade?

multirio

Um sítio brasileiro entre o excelente e o excepcional. Simplesmente a não perder para quem, como eu, ainda não o conhecia. Belíssimo. Assim se vê o que a escola pode ser.

da cidadania

Nem de propósito, depois da posta anterior, entre o cuscar quem por aqui procura ideias e opiniões, leituras e comentários, dei com este texto (uma breve sinopse) a partir de uma pesquisa do google brasileiro.
A educação para a cidadania só terá chance de produzir efeitos se for um problema de todos e se perpassar todas as disciplinas e todos os mornentos da vida escolar. Leva-la a sério significa, portanto, ir além das boas intenções e dos discursos, significa transformar profundamente os programas, as atitudes e as práticas ! Philippe Perrenoud, Escola e Cidadania.
Querem mais?!

viragem (?)

Ontem um amigo procura-me para me questionar sobre a situação em que está o ensino, foram estas as suas palavras.
Tinha estado, momentos antes, na reunião da escola de um dos seus filhos, que frequenta o 7º ano, onde ouviu cobras e lagartos da turma, desinteressados, mal educados, mal comportados, alheados do trabalho escolar, conflituantes.
Disse-me que já em conversas com a directora de turma da filha (5º ano) tinha ouvido o mesmo, no mais velho, 11º ano, o destaque foi à indiferença, à falta de objectivos, à falta de esforço para conseguir resultados, que não sabem o que querem.
Entre a dúvida e a surpresa por de uma só vez ter constatado a situação, pergunta-me o que se passa com a escola, o que é os professores andam a fazer, sobre a situação em que está o ensino.
Começo-me seriamente a convencer que estamos a atravessar um momento de viragem, de reconfiguração conceptual e metodológica, de viragem espistemológica, no que ao trabalho escolar e educativo diz respeito. Não consigo ainda perceber contornos, descrever situações ou, sequer, apontar pistas dos novos caminhos. Mas a situação é generalizável pelo menos em contexto alentejano. As respostas que têm sido definidas são as mesmas de há décadas. A carolice e a boa vontade de muitos professores fazem com que se procurem outras propostas de trabalho mas que acabam, de um modo ou de outro, por ser mais do mesmo, da mesma maneira com a desgraça de ser face a raízes diferentes.
Em que ponto estamos nós? qual o balanço que se pode fazer de 30 anos de democracia da escola? quais as razões deste desinteresse, do alheamento, da indiferença, da falta de sentidos e de objectivos face ao trabalho escolar? o que pode ser feito? qual o papel do professor nesta reconfiguração, nesta viragem?
Será que se justifica manter práticas, estratégias, metodologias, conteúdos e conceitos, organização e princípios que cheiram a bafio face aos desafios do hoje, do amanhã?
Fico na mesma expectativa de um amigo, prefiro sonhar que estamos a discutir currículos, a construir localmente a escola e a educação. Mas estaremos mesmo?

quarta-feira, abril 6

dos exames

Em face dos rumores sobre a possibilidade de se acabar com os exames de 9º ano, nem sequer ainda realizados, volto à conversa embalado que fui pelo diálogo entre o Ademar, em dois posts, 1 e 2 e Vital Moreira (em Causa Nossa).
Tendencialmente aproximo-me mais da opinião do Ademar perante o qual subscrevo a questão quanto ao facto de se procurar prolongar a escolaridade (facto com o qual concordo) e se colocarem barreiras, obstáculos no meio desse percurso (afinal, o que se pretende).
Estou do lado daqueles que consideram que os exames não são, necessária nem obrigatoriamente, marcos de exigência, rigor e qualidade do sistema.
Mas sinto, na escola, que a grande preocupação recai, por um lado, no receio de um prolongamento do deixa andar (os professores não sabem, em muitas situações ou contextos, como lidar com o crescente desinteresse, alheamento, indiferença do aluno, a falta de objectivos ou com o aparente facilitismo em que recai o trabalho escolar) e, por outro lado, num inquirir sobre o que fazer perante aqueles que não conseguirão ultrapassar o obstáculo exame.
São contradições, dúvidas a mais para um sistema que quotidianamente enfrenta múltiplas situações e momentos entre o angustiante e o decisivo.
Considero que os exames, pelo menos ao nível de 9º ano, não serão uma resposta cabal a esta dúvidas, nem o remédio que muitos professores e pais julgarão adequada em face da necessidade de exigência, rigor e qualidade que o sistema, aparentemente, carece.

da saudade

Uma colega da escola, ao fim de quase 41 anos de docência, passou à reforma.
Perguntei-lhe deixas ou levas saudades.
Pensou, olhou para mim e com uma calma e uma ponderação que não lhe conhecia disse-me, não sei, manel, como está hoje o ensino não sei se deixo ou se levo saudades.
Foi a minha vez de ficar a pensar. A pensar em como está hoje o ensino, nas saudades do futuro, no caminho que tenho pela frente, naquilo que me falta cumprir.

terça-feira, abril 5

da ilusão

Um professor preparou a sua aula considerando todos os seus pontos de vista, em função dos seus interesses, das suas preocupações. Preparou uma aula toda pimposa com recurso ao multimédia, a uma apresentação powerpoint de cerca de 25 a 30 minutos.
Estava contente, satisfeito com o seu trabalho, com o empenho, o esforço e a dedicação que tinha colocado naquela aula.
A turma é complicada, entre o desinteresse e a indiferença, com situações pessoais desestruturadas e desestruturadoras de uma dinâmica de grupos. Mas aquela preparação estava, reconhecia, excelente. Não havia desinteresse que pudesse resistir.
No dia da aula, da apresentação do produto e do empenho da sua preparação, montou ele próprio toda a parafernália, não fosse algo falhar sem ser por sua responsabilidade, testou e voltou a testar a apresentação.
Alunos presentes. Esperou que os ânimos acalmassem, ficassem prontos para receber o fruto do seu trabalho.
Rotundo fracasso. Falhanço absoluto. Sentiu-se ir pelo cano, desesperar frente aos alunos, aos colegas, aos docentes orientadores.
Na conversa que tivemos, descobriu que a preparação foi a sua, a preocupção e o interesse o seu, o empenho apenas o pessoal. Apenas ele se envolveu, participou. Os alunos foram considerados em face de um outro centro de interesse, de um outro fóco de motivação, de outras experiências. Os alunos não foram nem vistos nem achados no processo. Não foram envolvidos nem ouvidos.
Quantas e quantas vezes isto sucede, a preparação de uma aula considerando o nosso ponto de vista, o nosso interesse e as nossas capacidades, um gosto pessoal. Se esquece o aluno.

da "não-inscrição"

Os comentários que por vezes oiço na sala de professores, leva-me a ser abusivo e pretensioso (mais ainda) e a transferir para esta nossa área o pensamento do Prof. José Gil, no seu último livro, Portugal Hoje, o medo de existir.
Ninguém se quer comprometer com nada, ninguém inscreve uma posição, defende uma ideia, afirma uma convicção.
Descubro que não é por que não existam ideias, opiniões, posições definidas, claras sobre os assuntos.
Apenas alguns, porventura excessivos, procuram ficar bem com Deus e com o o Diabo, com os Gregos e com os Troianos. Nada de compromissões, nada de uma posição firme e convicta sobre...
Há, também nas nossas escolas, uma cultura de não-inscrição, de acordo com a caracterização que dela é feita por José Gil, de não comprometimento, de não assunção de posições e de ideias.
Até que ponto passamos nós, professores, esta atitude para as crianças que procuramos formar?

dos buracos

De repente repescam-se velhas ideias com um novo (?) figurino, o de garantir que os alunos não têm buracos no horário.
Perpassam por esta ideia que tenho ouvido nos noticiários, duas sensações. Uma de absorção, isto é, sou eu, professor, o culpado inveterado de os meninos terem buracos, pois sou eu, professor, que falto muito, que prevarico, que não cumpro, que não sou cumpridor das minhas obrigações. (Há algo de verdadeiro nesta ideia, não procuro desculpar os professores, procuro perceber justificações de um discurso).
Uma outra sensação é a de negócio. As afirmações da senhora ministra confrontadas com posições do sindicato, fazem-me pensar que entramos num medir de forças, num nivelar de argumentos, numa procura de conceitos e de ideias, vamos vver se para discutir, partir, outra vez, tudo de princípio, se apenas para aferir posições.
Para terminar o meu ponto de vista: deixem as escolas fazer o seu papel. Formem as pessoas, disponibilzem a formação aos órgãos de gestão para que, na sua maioria, consigam ir para além da gestãozinha do seu quotidiano, do umbilicalismo das suas preocupações, saber o que se quer fazer das escolas, se centros ocupacionais se centros de formação de pessoas.
Não estou contra a proposta. Estou contra a forma como são apresentadas as coisas e o modo como são expostas na praça pública. Não valorizam as políticas (opções, ideias, programa), nem valorizam os profissionais.

segunda-feira, abril 4

mais do mesmo

Apetece-me repetir a designação do Nelson. Ao fim de um dia de trabalho é mais do mesmo.
Uma colega, à saída da escola, aborda-me sobre uma dada turma, o seu carácter irriquieto, o seu manifesto desinteresse, a indiferença perante tudo o que se lhes coloca pela frente.
Pergunta-me, entre o aflita e o desesperado, o que se pode fazer.
A resposta terá demorado provavelmente mais que uma hora, para chegarmos à brilhante conclusão que isoladamente, sózinhos, pouco ou nada podemos fazer.
Há todo um trabalho a montante da situação herdada a desenvolver, há que consensualizar conceitos, definir rumos, valorizar competências e descobrir sentidos.
Um professor pode fazer muita diferença, pode ser fundamental. Mas não será solitária e indivudalmente o eixo de mudança. são necessárias mais vontades, outros pontos de apoio.
As mudanças terão de ser pequenas, por intermédio de pequenos passos, uns inseguros, outros mais convicentes. Com pequenas convicções, mas com grande determinação.
Alterar a indiferença de uma criança? criar sentidos ao que faz na escola e na aula? Como, repercuto eu a questão.

de regresso

Cá estamos para o que falta, para o resto de um ano lectivo que, pelo menos aparentemente e por estes lados tem decorrido pela normalidade.
Regressaram os dias de levantar cedo, distribuir os filhotes, dinamizar ideias e apoiar a construção de sentidos.
Regressaram os gostos e as vontades de fazer mais, melhor e diferente. Como também regressaram ângustias, desanimos, falta de vontades e desinteresses.
Nas primeiras horas da manhã as vontades arrastaram-se pelas cadeiras, alteraram-se ruídos, levantaram-se vozes. Foi, há que reconhecer, algo arrastado o iniciar desta fase.
Mas estamos de regresso. Vamos a isto.

domingo, abril 3

das vontades

Terminei ontem uma acção de formação - sobre portefólios - onde me inscrevi por obrigação e necessidade de créditos e que termino com claras saudades das conversas, das discussões, da troca de ideias e de opiniões que ali houve oportunidade, espaço e tempo para trocarmos.
Num momento final, entre a obrigatoriedade das avaliações, confirma-se e reforça-se no meu espírito a massa crítica, disponível e voluntariosa que existe na nossas escolas, em todos os graus de ensino.
Confirma-se a vontade, o gosto e a necessidade que há em aprender outras coisas, em conhecer outros modos, em fazer de maneira diferente, em procurar ir ao encontro daqueles com quem quotidianamente trabalhamos.
Confirma-se que as reformas não vingam não é por causa dos professores. Confirma-se que existe pre-disposição, vontade por parte de muitos professores em aprender.
Confirma-se que a formação docente está mal orientada, é mal gerida e responde a um pequeno grupo de interesses e de interessados.
Confirma-se a carência de formação, a necessidade de ser contextualizada, personalizada, não ao professor, mas às necessidades das escolas, da realidade de cada escola.
A escola é, cada vez mais, um mundo e um espaço de oportunidades. Serão perdidas?

da eucaristia

Não é pela morte do papa que destaco esta eucaristia. Faço-o por reconhecer nela tanto de verdade como de fé;
Uma aula não deve ser uma eucaristia. Nesta há o assegurar de um hábito, a tranquilidade do gesto repetido, a força da palavra que é pedra de margem, a serenidade de um deus responsável pelos alicerces da Terra. Numa aula há o incómodo da coisa nova, o difícil desenrolar de uma história, a força da palavra que é ideia de ponte, o aprender que de milagres apenas este de sermos.
in ruminações digitais.

sábado, abril 2

do dia

É o dia internacional do livro infantil.
Em vez de discorrer sobre algo que conheço pouco, deixo um link para uma regressada amiga. Vale a pena e mostra que sabe do que fala.

da História

Não sei se fui descoberto por alguém que possa conhecer se apenas é uma descoberta prazenteira deste espaço, da escrita que por aqui acontece, das ideias que deixo e que com os amigos troco.
Mas a Cândida deixa-me não um, nem dois mas três comentários, fazendo transparecer algo entre o sotaque do norte e o prazer do Alentejo.
Será que estou assim tão errado?

a propósito e está escarrapachado no lado direito deste blogue que sou indecente de História.

de um gosto

de quando em vez descobrimo-nos, um piouco mais um pouco melhor. Geralmente nas conversas, nos olhares que trocamos.
Gostei desta troca de conversa. Fico com vontade que ela se prolongue um pouco mais. São estas as cumplicidades partilhadas da blogosfera.

sexta-feira, abril 1

impertinência

impertinência é como, habitualmente, me designam quando trago à liça daqueles temas que poucos querem discutir e menos ainda quando acontece em final de dia, após uma catrefada de horas e montes de gente.
Mas o Ademar parece que juntou toda a sua impertinência nesta pausa pascal e traz à baila um tema que, infelizmente, pouco ou nada se discute nas nossas escolas.
Acrescento um elemento a esta estória com todo o risco assumido de dizerem que pactuo com o laxismo ou o deixa andar não te amoles, mas quem me conhece, quem comigo trabalha sabe que assim não é.
Sou, genericamente, contra a retenção de um aluno a meio de um qualquer ciclo de ensino. Estou convencido (apesar de reconhecer que há muita gente que reprovou e que reconhece méritos e benefícios nessa sua reprovação) que não é por reprovar, por ficar retido um ano que a alminha se regenerará, que a cabecinha se tornará mas apta e capaz para as provas ou que os desempenhos e comportamentos se normalizarão.
Isto por que o hábito é deixar andar e o aluno repetir a mesma dose, da mesma maneira e, o mais das vezes, pelos mesmos que antes o reprovaram. Existe, neste aspecto uma completa, total e ineficaz desresponsabilização do professor e da escola face a medidas de apoio, compensação, recuperação, incentivo e integração do aluno e do seu contexto e dos problemas ou situações que estiveram na base dessa retenção. Geralmente é situação remetida à exclusiva responsabilidade do aluno (problema dele, desinteresse, alheamento, indiferença, falta de estudo, incapacidade são os mimos com que a pessoa é prendada e catalogada).
Neste aspecto e considerando genericamente a situação descrita, a escola é inimiga do aluno. Eu diria mais. A generalidade dos professores continuam a apostar e a fomentar uma escola de elites, de indiferença perante os que, por uma qualquer razão, apresentam dificuldades e carência de resultados naquele ranking que a generalidade dos professores concebe e pelo qual se orienta - seja de conheicmentos, seja de comportamentos, seja de empenhos.
E não basta referir que as escolas não têm condições (é sabido que estão montadas apenas e quase que exclusivamente para se darem aulas), que os professores têm mais que fazer (e têm), que o problema está no sistema (do qual todos fazemos parte e integramos) ou que não há recursos ou oportunidade.
Muitas vezes não se faz por que pura e simplesmente os professores não sabem (evito o não querem) fazer de maneira diferente. Fazem-se esquecidos que do outro lado estão pessoas, com sentimentos, com opinião. Muitas das vezes os professores tratam e analisam uma situação como se de um procedimento administrativo se tratasse.
Por isso, optei pela distanciação no final do período, pela pausa reconfortante. Procurei evitar comentários que fossem para além da minha mera e simples opinião e caíssem na fulanização, que sempre evitei.
Mas não tenho a mínima das dúvidas em subscrever a opinião do Ademar, a escola é (não em todos nem por todos os docentes) inimiga do aluno.

voltei

Espero, obviamente, que poucos ou mesmo e preferencialmente ninguém me tenha levado muito a sério, no que se refere à minha anterior confidência. Hoje, como diz o Ademar, um dia para não levar a sério.
dentro do que podia ser uma mentirinha optei por aquela. Ainda bem que poucos repararam.

confidência

Ainda agora regressei de uma pausa pedagógica, ainda agora regressei depois de um afastamento profilático e já estou de saída.
Peço desculpa, mas regresso quando for possível.
Um abraço.