domingo, outubro 21

da mudança

e pronto, lá mudei de escalão, lá mudei o conta kilómetros, lá se alterou a posição estática em que periodicamente nos encontramos;
entrei numa fase designada de 4x4, isto é, todo o terreno, venha o que vier, de onde vier e vá para onde for e como for, o certo é que tenho condições para me agarrar ao terreno e saber que resvalar pode significar tão somente o descarrilar;
isto é, o meu perfil mudou e com ele a idade, já são 44 e, por muito incrível que pareça, um estado de espírito que não se consome no quotidiano e no imediatismo desse instante, mas que procura ir para além da espuma dos dias;
a experiência vái-se acumulando, os dias passam por nós qual rolo de massa que nos comprime em experiência de saber feito, ou saber de experiência feito; por muitos balanços que possa fazer há uma conclusão, incontornável, inolvidável, é que já cá cantam todos estes outonos que esperam e trabalham para outras primaveras;
o resto... logo se verá...

da formação

política
ontem, pela bandas da federação de Évora, foi organizado um encontro denominado ao encontro da regionalização, com a presença de elementos responsáveis pela saúde e segurança social;
não estive presente, não faço comentários tendo e consideração que optei por aproveitar o tempo bom e ficar a charruar a terra que me consome;
mas fiquei a saber que no Algarve, a mesma temática, contou com Jaime Gama, António José Seguro, António Vitorino e outros nomes de águas profundas num curso com a temática em fundo; no Norte, contou com diferentes ministros e diferentes secretários de Estado;
felizmente que a distrital de Évora sabe valorizar a prata da casa e chamou os respectivos directores e responsáveis regionais;
a isto se chama valorização de quadros, o resto é conversa... ou formação

sábado, outubro 20

do..

de um e de outro;
apenas a referência à modança de estatuto que faz com que divague, troque ideias a partir do ruído ou da sua ausência;

do silêncio

de quando em vez temos de fazer silêncio para podermos ouvir o som que nos rodeia;
há silêncio quando não há ruído ou quando o ruído nos convém, caso dos passarinhos no campo, o escutar de uma sonata, o ouvir um cochichar doce;
provavelmente não haverá silêncio, quanto muito ausência de ruído;
isto também para destacar o que este espaço não tem sido ou, pelo contrário, naquilo que ele se tornou, entre entradas minhas e comentários anónimos, cresce a afirmação de um espaço de participação e de troca de ideias;
nem de todos, nem de todas as ideias; a blogosfera não é um espaço democrático, ou, se o é, é pela ausência de uns quantos, pelo silêncio de outros, pela conivência de outros tantos, pelo ranger de dentes de outros mais;
dizem-me que o silêncio se vira contra mim; saberão eles dos meus interesses, das minhas vontades? que assumo o meu estatuto de sempre, mas se é de sempre será que o perdi?
o silêncio é importante, gosto do silêncio, da ausência de ruído; sabem porquê? para poder ouvir o bater do meu coração, sentir que estou vivo, sentir as paixões e os sentimentos a apressarem ou a diminuírem as batidas;
por isso, comentar que me chove em cima ou que assumo o meu estatuto de sempre apenas faz com que me escute e sinta o silêncio, não, não é de solidão, é de sossego;

do ruído

em vésperas de mudança de escalão alguns apontamentos;
o primeiro sobre o ruído que nos rodeia; tal como noutras situações, o que para mim é ruído pode-lo-á não ser para outra pessoa, por exemplo, o som do heavy metal pode ser encarado como ruído, depende de gerações e de estados de espírito; Steve Reich criou uma sinfonia com sons da 5ª avenida de Nova York;
mas há ruído a mais na nossa sociedade, circunstância que nos limita e condiciona o ouvir outras coisas, não têm de ser nem melhores nem piores, apenas outras, apenas diferentes;
dentro deste ruído ontem um colega comentava que a situação local e regional da política partidária sempre assim foi, está como sempre esteve, estão os que sempre estiveram; o porquê de só agora existirem manifestações? o porquê de só agora ficarmos espantados? o porque de só agora haver todo este ruído? ele que sempre se insurgiu contra a coisas, que sempre foi apontado por falar (e escrever) estas coisas; não respondi, mas penso agora, até para o 25 de Abril de 1974 foram precisos 48 anos de repetição dos mesmos ruídos, dos mesmos sons, a presença dos mesmos para que uns se insurgissem após todo esse tempo;
estamos sempre a tempo de cortar com os ruídos incomodativos, de destacar outros ruídos, de criar alternativas sonoras; pode não acontecer nada, mas incomoda;

sexta-feira, outubro 19

da reunião

apesar de não assumir a minha escola como lócus de construção do meu projecto de investigação, não resisto a assistir, na primeira fila, a determinadas situações que se relacionam, de modo muito directo, com a problemática que trabalho e defino como objecto de estudo, a disciplina e os comportamentos educativos;
na próxima segunda-feira há um conselho de turma com um único ponto na ordem de trabalho, analisar os comportamentos da turma;
solicitei, pelo meu interesse, autorização ao director de turma para poder assistir, qual fantasma invísivel; estou interessado em ouvir as ideias que se tecem nessa análise, qual o papel que compete a uns e a outros, qual o nível de responsabilização atribuído e definido, quais os recursos inventariados para lhe fazer face, quais os instrumentos e a sua coerência para que se afirmem as conformidades (social e pedagógica);
correctamente o director de turma disse-me que ia colocar a situação ao conselho e que, em face da resposta, poderia, ou não, participar;
é uma oportunidade de perceber como se constroem instrumentos de regulação de comportamentos;

da crítica

a manifestação de ontem deverá trazer para a discussão pública (e política) dois elementos que me parecem remetidos para áreas secundárias ou minimizados na sua determinação;
um deles refere-se à capacidade de afirmar políticas, de construir futuros, de decidir pelas opções; apesar de ter algumas reservas a esta ideia de "flexigurança" (eventualmente por carência de um conhecimento mais fundo) há que entender que não deixa de ser um modelo social de afirmação de um espaço que desde sempre privilegiou a acção central do Estado na gestão da previdência e da providência; neste sentido, o que se discute é mais que Estado pretendemos ter no futuro, se social, mantendo a sua raiz e a sua tradição, se um Estado ausente, presente pela omissão, deixando espaço aos grupos privados e à gestão individual dessa mesma previdência; o modelo em que tem assente o Estado-Providência está manifestamente esgotado; as alternativas que se poderão colocar referem-se à assunção colectiva das responsabilidades, salvaguardando a acção fundamental do Estado social ou a privatização que muitos sectores defendem e perspectivam, quer em termos de retórica política, quer em face de modelos de acção;
segundo aspecto importante a realçar, refere-se à capacidade de ganhar eleições; certamente que o meu PS nacional não estará a pensar ganhar eleições a partir de Lisboa, qual controlo remoto, que defina a dinâmica de um zapping político; estou certo que a acção política central é condição necessária para se ganhar uma eleição (mas não suficiente, mas a acção local e regional das estruturas partidárias poderão determinar se há, ou não, uma maioria (estável, relativa, absoluta) e aqui sente-se algum "desligamento" entre estruturas e dinâmicas nacionais e lógicas de acção funcionalistas locais e regionais, umas distante das outras com possibilidades de interferência mútua;
como ficaremos, agora que os sorrisos e abraços da cimeira de Lisboa darão espaço e oportunidade à afirmação sindical na discussão do Orçamento para 2008? como serão definidas as ligações entre lógicas nacionais e estruturas regionais com a intenção de se ganharem eleições? se queremos e defendemos um Estado europeu qual a oportunidade e a pertinência para a afirmação dos espaços regionais? se defendemos uma liderança europeia e de afirmação global, qual o papel dos actores regionais na afirmação de interesses colectivos?
o tempo responderá...

quinta-feira, outubro 18

da imaginação


quem não me conhece imagine-me - despudorado, mau feitio, chato, muito frontal, um pouco (enfim, enfim) desbocado;
quem me conhece reveja-me o olhar e pense naquilo que terei ficado a pensar quando me dizem que a sede regional do Instituto Português da Juventude irá para Beja e que a do Desporto para Portalegre?
será assim mesmo? não quero acreditar; certamente que ainda há tempo para equacionar a coisa;
a ser verdade, certamente que alguns protagonistas regionais terão assegurado ou, pelo menos, procurado assegurar as necessárias contrapartidas políticas e partidárias;
é que na lógica das merceeirias, entre o deve e o haver, há sempre quem perca e quem ganhe e o resultado geralmente é a favor do merceeiro e não do cliente - pois é, falta saber quem faz o quê, quem é quem nesta fábula - onde encaixar o costas largas do Estado, os políticos locais/regionais (era bom, era), o Alentejo (clara e objectivamente perdedor, muito provavelmente o cliente da estória);
será que me faço entender?
espero bem que não... pois é imaginação pura, crua e um pouco mole...

da contradição

reconheço que já não vou tendo grande pachorra para aquelas conversas tipo pastilha elástica, mastiga, mastiga mas não engole nem deita fora;
nestes casos sentem-se a falta de argumentos, de ideias, de alguma inconsistência opinativa;
isto por que hoje, em conversa de sala de professores, alguém criticava a política educativa (e bem, pois claro), atirava paus e pedras à equipa (não sei se algum atingiu o alvo, espero que sim) e quando alguém pergunta então como fazemos? esse mesmo que rezava cobras e lagartos ao Polvo todo poderoso da 5 de Outubro, da 24 de Julho e de muitos outros sítios então não diz, e sem pinga de ironia, nem qualquer ameaça sarcástica, com atitude e pose professoral e sabedora, que teremos de aguardar a promulgação da legislação para saber como fazer;
ora bolas, se isto não é contradição, não sei o que seja;
o problema é que muitos caiem nesta contradição; critica-se, mas aguardam-se por ordens em vez de se definir um rumo, optar por sentidos, definir e construir uma individualidade;

da noite

na noite (quase) todos os gatos são pardos...
há muito que não ficava até mais tarde a trabalhar; aproveitei a espertina de medicamentos para teclar, passar para o papel ideias e argumentos;
a estas horas sente-se o sossego, o silêncio, consigo trabalhar mais e produzir melhor;
há que aproveitar;

quarta-feira, outubro 17

das coincidências

eu que acredito no Pai Natal e no coelhinho da Páscoa, tenho sérias dificuldades em acreditar ou entender as coincidências;
talvez não seja uma coincidência, mas no dia em que se assina o "contrato" que permite ao país receber qualquer coisas como 21 mil milhões de euros ao abrigo do novo QREN, surgem também notícias da incapacidade de, em determinados sectores, se executarem as verbas existentes;
como ficamos?
talvez seja a confirmação económica que nem para gastar dinheiro somos bons;

terça-feira, outubro 16

da educação do PSD

a partir do congresso do PSD e das suas linhas gerais (ainda haverá muito a particularizar) de orientação surge, de forma clara e de modo óbvio, aquilo que se pugnará para a educação;
e estarão muito proximamente dois modelos em discussão;
por um lado, o do actual governo, assente na escola pública (ainda que muito deixe a desejar no que se refere aos seus relacionamentos),numa escola a tempo inteiro, na adopção de práticas de autonomia que terão de ser negociadas entre a conquista dos professores e a imposição do Ministério; na assunção de um lugar privilegiado ao aluno (ainda que a educação não se lhe possa reduzir), na afirmação tecnológica e do desenvolvimento de competências;
por outro, o modelo do PSD, irá certamente recuperar a ideia da privatização de importantes sectores educativos, a méritocracia, os rankings escolares (outra forma de regular as práticas docentes), a recuperação da metáfora empresarial para a escola (um outro modo de acentuar a função contábil da escola) e, muito provavelmente, a afirmação de que menos ministério fará todo o sentido (mas definindo áreas de intervenção específica para o ministério);
no cruzamento destes dois modelos, por que de duas ideias sociais se tratam, seria importante equacionar outras perspectivas, outros modelos; não direi numa terceira via, mas reduzir a educação a um debate maniqueista corre o risco de empobrecer a discussão e se procurar despolitizar um sector que precisa avidamente de política, de discussão de ideias, de rumos, de grandes opções que ultrapassem circunstancialismo e situações mais ou menos imediatistas; a educação só se faz na longa ou na muito longa duração; querer resultados imediatos é esquecer esta importante dimensão educativa;

da escola a tempo inteiro

entre a minha entrada referente ao "cansaço" pessoal e o "escape" a que se sujeita a educação, de um modo geral, e a escola de modo muito particular, há um comentário de todo em todo pertinente e que remete para esta lógica (ou política) recentemente preconizada no nosso país (por este governo socialista) mas já com alguma tradição europeia (nomeadamente em Espanha, França, Alemanha, Brasil, entre outros) e que se refere à escola a tempo inteiro;
escola a tempo inteiro mais por questões sociais que pedagógicas, mais por questões familiares que escolares;
se é certo que o prolongamento das actividades escolares não contribui, de modo directo, pelo menos, para um sucesso escolar, o certo é que este mesmo prolongamento permite um outro descanso à família; neste sentido é fundamental, é essencial que a escola se organize de modo diferente, de modo a permitir não apenas a guarda social e familiar, mas a eficiência pedagógica e educativa inerente à sua missão e às suas funções; esta organização deverá passar, em meu entendimento, pela articulação com outros actores locais que, directa ou indirectamente, se relacionam com as questões da educação, mesmo na sua dimensão não formal; e há experiências nesse sentido que corroboram esta minha afirmação, seja, por exemplo, nas escolas de Paredes de Coura, seja no concelho de Borba onde esta "extensão" curricular é articulada com associações;
só assim, pela articulação, cooperação e colaboração a escola poderá fazer mais e melhor e não mais do mesmo e da mesma maneira, evitando-se a culpabilização da escola por coisas para as quais o seu contributo é mínimo;
obrigado pelo comentário;

dos comentários

apesar de, por vezes, muito pouco pertinentes, quando não mesmo insultuosos, nunca retirei um comentário deste meu espaço, nunca limitei ou condicionei as opiniões, que são livres e valem o que valem;
se algum comentário desapareceu terá sido feito pelo próprio e não pela minha pessoa, como se poderá constatar pela presença de outros, bem mais inoportunos;

domingo, outubro 14

do escape

a partir de um entrada da LN dei com um apontamento que tem tudo de útil e pertinente num período em que se atribuem à escola crescentes funções, como responsabilidades e culpabilizações;
dizer que os males da sociedade residem na escola e no sistema educativo é querer tapar o sol com a peneira e esquecer que quem define uma dinâmica educativa, mesmo em países liberais como sejam os EUA, Canadá ou Austrália, é o poder político, quer por orientações normativas, quer por práticas regulatórias do sistema;
não há que olvidar que a escola tem as suas responsabilidades (nomeadamente pelas práticas, pela organização, pelos princípios e pelos modelos que institui), mas não é a única entidade com culpas neste cartório de desculpabilizações ou de escapes para o que a sociedade acaba por ser e se transformar;
desde os anos 60 do século passado se trocam argumentos entre a ideia de a escola reflectir a sociedade (qual microcosmos social e educativo), como o contexto social determinar a escola (particularmente pelos guettos, pelos bairros sociais, pelos contexto sócio-económicos);
estou certo que ambos terão a sua cota parte de razão, competindo à escola criar as condições para a definição de um equilíbrio precário e muito, muito instável, de reprodução social como de transformação social;
a revista Proteste, da DECO, traz no corrente mês um daqueles apontamentos óbvios, mas insuficientes para poder alertar a opinião pública e os decisores políticos quanto às condições em que se trabalha e se aprende nas nossas escolas;
óbvio para todos aqueles que trabalham e vivem na escola; as condições arquitectónicas e climatéricas de muitas das nossas escolas deixam muito, mesmo muito a desejar; a climatização simplesmente é, no mínimo, rudimentar, quando não mesmo inexistente;
não serão poucos aqueles que passaram por salas de aula que abrasam no Verão e congelam no Inverno; em salas onde se vê a respiração e onde se tolhe a imaginação no final (ou simplesmente a meio) de um dia de aulas, com suores, respirações, transpirações, calores e coisa que tal;
insuficiente pois há que reconhecer que seria impossível recomeçar tudo de novo, dotar das melhores condições os espaços de trabalho educativo; mas é recomendável que, no contexto das reestruturações ou das novas construções, sejam acauteladas as características regionais em face da construção da escola, como seria positivo que os conselhos executivos se começassem a preocupar com estas situações que, apesar de administrativas, em muito contribuem para o sucesso pedagógico;

sábado, outubro 13

do cansaço


há um cansaço, pessoal, que só sinto quando estou na escola;
já estive cansado, muito cansado, desgastado mas não como me começo a sentir;
hoje fui por duas vezes ao frigorifico sem saber o que ia fazer;
é este cansaço a que me refiro, daquele que consome, aos poucos os poucos neurónios que tenho;

sexta-feira, outubro 12

da Comenda

ora vamos lá dar azo e oportunidades ao meu mau feitio;
não tenho escrito nada sobre o tema da escola da Comenda essencialmente por duas razões;
considero que não sou defensor de nada nem de ninguém, menos ainda de quem considero que se sabe defender; como têm sido ditas tantas coisas, algumas das quais claras enormidades, que dizer e escrever mais é chover no molhado;
mas, mesmo que assim o considere, tenho de dizer que o meu receio, neste momento, vai no sentido de a emenda ser pior que o soneto;
concordo com a posição adoptada pela câmara municipal, de deslocar os alunos, devidamente enquadrados num dado projecto e acompanhados por quem sabe do trânsito, da cidade e da relação afectiva com as crianças;
e atenção esta situação acontece em Évora, como acontece em Montemor-o-Novo, Vendas Novas, Lisboa ou Sintra, entre muitas outras localidades onde os estabelecimentos do 1º ciclo não reúnem as condições para o fornecimento de refeições a crianças;
o que estranho em toda esta discussão, é a ausência dos protagonistas, liderados por uma dita oposição obscurecida e enroscada no anonimato, num toca e foge, no desgaste jornalístico como se fosse caso ou situação única, numa ausência do PS local na defesa de um programa de requalificação do parque escolar e da afirmação de um projecto educativo de matriz socialista;
o que estranho nesta discussão é o assumido desgaste de uma situação como se nada mais existisse para discutir ou comentar ao nível autárquico; o que estranho na situação é a incapacidade de trazer para boca de cena outras situações, seja por parte da vereação socialista, seja pelos vereadores da oposição, tão distantes e quedos face à discussão;
concordo com a posição da Câmara Municipal, como concordo com a assunção de um projecto educativo que permita antecipar estas (e outras) situações antes do início de um qualquer ano lectivo;

da avaliação

a avaliação profissional, de uma qualquer profissão, deverá ter, em meu entender, dois grandes objectivos;
por um lado, identificar situações, circunstâncias que favorecem ou dificultam o desempenho profissional, a assunção das responsabilidades, o assumir das atitudes que se relacionam com uma dada profissão; neste campo podem-se incluir objectivos (tanto qualitativos como quantitativos), as estratégias e as metodologias adoptadas, a organização funcional, entre outros;
por outro, permitir pensar, racionalizar práticas, modos e atitudes associadas a essa prática profissional; por vezes fazemos coisas sem saber que as fazemos, por vezes mesmo sem perceber como é que as adoptámos, as implementamos;
o cruzamento entre um e outro dos objectivos permite relacionar conhecimentos, saberes feitos e produzidos, tanto pelo próprio, como por outros (parceiros ou terceiros) com práticas numa mistura entre teoria e prática que permita a correcção de situações, o reforço de posições ou o colmatar de lacunas identificadas entre essa prática e a teoria;
ora o que o nosso Ministério da Educação propõe vai ao arrepio dessa concepção, limitando-se a insistir na funcionalização da profissão docente, no cumprimento administrativo de procedimentos, a elencar situações quantitativas que pouco contribuem para um desempenho profissional;
corre-se o sério risco de a avaliação de desempenho docente não agradar a ninguém nem a nada, a se alterar assim que a equipa ministerial se mudar, a ser um rosário de comentários que ninguém leva em consideração, a ser inócuo do ponto de vista profissional e de qualificação da escola como uma organização aprendente;
esta proposta, na sequência das anteriores, é mais do mesmo e da pior maneira de pensar o trabalho do professor;
e é pena...

quinta-feira, outubro 11

do parado

tenho de reconhecer e assumir que tenho tido a minha tese em banho maria;
não sei se há espera de ideias, se apenas a descansar sobre alguns dos assuntos que me preocupam;
no meio das conversas tenho tido a oportunidade de ler o Terrear e daí reforçada a minha opção de assumir a disciplina e não a indisciplina na escola como elemento central do processo de investigação;
isto porque toda a concepção das regras, das normas e da definição das condutas pressupõe um determinado modelo de organização da escola e da sociedade, de qual o papel que compete a cada um, das relações que se podem estabelecer;
as situações de indisciplina, muito mais contextuais e individuais (ainda que sempre relacionais e decorrentes de uma interacção) olham um momento, uma situação, um acontecimento;
prefiro ir além disso e procurar perspectivar como se integra a alteração de comportamentos, de públicos e de situações no quotidiano educativo e escolar e isso se reflecte quer na disciplina da escola quer no quadro de regulação do professor face à conformidade social e pedagógica;
agora falar disto não é fácil;porque é um tema premente e urgente, quente e pertinente onde se procuram soluções tipo pronto-a-vestir, que não existem, medidas práticas e individuais, onde são todas circunstanciais, onde todos temos uma ideia, uma opinião sobre as situações e, acima de tudo, uma responsabilidade a atribuir (aos pais que não educam, à sociedade permissiva, ao aluno irrequieto, ao Estado desqualificador, ao governo incumpridor, desautorizador);
mas tenho de deixar de estar parado e procurar avançar, para algum lado...