quarta-feira, março 28

interior


acho engraçado - e algo contraditório - o facto de cada vez mais se escrever neste espaço da blogosfera para nós mesmos, mais virados para o interior, para um intimismo que considera o outro, que aceita e tolera o outro na sua mais estreita dimensão individual;
a Sofia condicionou o acesso ao seu espaço, numa claríssima afirmação daquilo que afirmo;
eu próprio dou por mim a escrever sobre coisas vulgares, vícios e prazeres banais (por que individuais, próprios e pessoais), mais do que procurar discorrer sobre o mundo, a política ou a profissão;
por ventura esta dimensão da blogosfera entra num nível (eventualmente assumido, possivelmente mais explícito) do que sempre foi, de um voyerismo sobre o outro, nas suas diferentes manifestações, inclusivamente intelectuais;
ou serão devaneios meus? talvez

adaptação


nunca de forma tão evidente como agora se sente que os tempos exigem caacidade de adaptação, adaptabilidade, flexibilidade onde, sem quebrar regras, princípios e valores, nos consigamos a adaptar a novas e a diferentes situações, circunstâncias, exigências, requisitos;
constantemente e de modo recorrente nos pedem que nos adaptemos, saibamos utilizar novos processos e novos procedimentos;
o que está agora em jogo, mais que antes, é a adaptação funcional, organizacional, saber interpretar os sinais e (re)definir novos rumos, outros sentidos;
é esta capacidade de adaptabilidade que torna fundamental e imperiososo os tempos que correm, sejam eles em que área for;
sem ela, sem se criarem os mecanismos de adaptabilidade corremos o risco de cair em lógicas de darwinismo social, onde apenas alguns, os mais fortes, sobrevivem;

cumplicidades


gosto das cumplicidades, gosto dos pequenos devaneios que nos aceleram o sangue pelo corpo;
gosto dos pequenos prazeres, das fugas, dos fetiches (dos permitidos e dos outros), gosto de (d)escrever as emoções e as sensações que se sentem, que perpassam pelo corpo, qual fuga de nós mesmos;
gosto de quebrar quotidianos, romper rotinas;
afinal, quem não gosta de feitiços, de cumplicidades, sejam elas quais forem, tenham elas que forma tiverem;

domingo, março 25

devagar


uma das razões pelas quais gosto de viver na aldeia é a manifesta sensação de lentidão com que o tempo passa e as coisas acontecem;
independentemente do que há que há para fazer, das peripécias dos quotidianos, as coisas acontecem a uma velocidade que permite perceber o que se passa e o que acontece;
hoje ande de enchada na mão e, quando dei por mim, apenas era meio da tarde; a ateração da hora também favorece essa sensação, mas gosto de viver aqui, de estar aqui, de disfrutar deste espaço onde as coisas não acontecem, vão acontecendo;

pdm


depois de muitas peripécias, de muitas trocas e algumas baldrocas, vai-se começar a discutir o PDM (plano director municipal) da cidade/concelho de Évora;
é certo que irá dar pano para mangas, entre trocas de argumentos e de opções, opiniões e vontades, mas a verdade é que há, queira-se ou não, goste-se ou não, base para que se possa discutir;
entre opções e ideias, argumentos técnicos e opiniões políticas o menú é diversificado e plural; estou certo que aparecerão ideias de construtores e de bem intencionados, de santos e de pecadores, que o passado (fantasmas ?) marcará presença e o futuro será consciência pesada;
mas Évora e o Alentejo precisam de futuro, nós precisamos de futuro;

quinta-feira, março 22

profes

esta não é uma ideia recente - nem muito original - mas interessante para quem é professor - e eu não abdico desse estatuto:

os profes nunca têm razão;
Se é jovem, não tem experiência;
Se é velho, está ultrapassado.
Se não tem carro, é um coitado;
Se tem carro, chora de barriga cheia.
Se fala em voz alta, grita;
Se fala em tom normal, ninguém o ouve.
Se nunca falta às aulas, é parvo;
Se falta, é um "turista".
Se conversa com outros professores, está a dizer mal do Sistema;
Se não conversa, é um desligado.
Se dá a matéria toda, não tem dó dos alunos;
Se não dá , não prepara os alunos.
Se brinca com a turma, é palhaço;
Se não brinca, é um chato.
Se chama a atenção, é um autoritário;
Se não chama, não se sabe impor.
Se o teste é longo, não dá tempo nenhum;
Se o teste é curto, tira a oportunidade aos alunos bons.
Se escreve muito, não explica;
Se explica muito, o caderno não tem nada.
Se fala correctamente, ninguém entende patavina;
Se usa a linguagem do aluno, não tem vocabulário.
Se o aluno reprova, é perseguição;
Se o aluno passa, o professor facilitou.
É verdade, os profs. nunca têm razão... Mas se você conseguiu ler tudo até
aqui, agradeça-lhes a eles.

pergunta

hoje uma amiga telefonou-me e perguntava-me se tenho feito alguma coisa;
descansou ela e descansei eu;
qual quê, o tempo tem sido curto, escasso para tudo o resto;
resta muito pouco para um trabalho que se pretende maturado, pensado, consolidado;
há que ter fé, quando nada mais há - pelo menos não tem havido trabalho;

...

quinta-feira e é o primeiro dia desta semana em que me sento no meu cantinho, a disfrutar dos meus pequenos prazeres;
algo vai mal neste reino, quando nem para mim consigo organizar espaço e condições para disfrutar do que gosto;

quarta-feira, março 21

...


serão necessárias palavras?

efervescência


Évora, cidade e região, anda nos últimos tempos numaefervescência que escapa à maior parte das pessoas e das atenções;
vá-se lá saber porquê;
politicamente as coisas não andam fáceis de gerir e sentem-se as movimentações, umas mais casuais que outras, umas mais subtis que outras, outras mais expressas que outras;
transversalmente ao partidos políticos, repercutem-se na sociedade, na cidade e nas dinâmicas, os jogos e a procura de outras estratégias, outros alvos para os mesmos objectivos;
já aqui tinha escrito que 2007 ia ser um ano deveras interessante e está a ser, por todos os motivos e mais alguns;
e é engraçado perceber o que não se percebe, os sub-entendidos, os desvios de atenção, as chamadas ao passado, o que fica por dizer, as ausências ou os silêncios;
é engraçado, no contexto de uma análise de políticas públicas, perceber que o que fica por dizer, o não dito é, por vezes, muito mais importante do que aquilo que se diz;
e ainda apenas passaram 3 meses;

e chegou


e ela chegou, a Primvera, quase sem se dar por isso e já com saudade dos dias mais quentes, do sol e da alegria que permite, aliada à descontracção dos dias mais longos;
pode não parecer, mas a primavera chegou;

sábado, março 17

sítios da minha terra


Um regresso a esta temática, para destacar um pequeno concelho, uma pequena vila e como dos pequenos pormenores se podem retirar dividendos e mais valias;
esta imagem é da vila de Borba, mais conhecida pelo seu vinho, pelas adegas e, ultimamente, pelo azeite;
aparentemente entalada entre Vila Viçosa e Estremoz, dois expoentes da exploração do outro branco, a reviravolta política de 2001 soube retirar dividendos desse posicionamento e ganhar brilho que, neste momento, emsobra uma e outra das vizinhas;
é um espaço pequeno, agradável de percorrer a pé, com pequenos recantos, com muitas tasquinhas (apesar da sua acelerada transformação em cervejarias, restaurantes ou casas de pasto);
é um canto de que gosto;

química


a ideia com que fiquei do estudo da química é a de um conjunto de pequenas ligações que estruturam (quando não mesmo determinam) todo o mundo macro;
é o que senti com o pedido colocado rede (sobre notícias em redor das questões da disciplina escolar); de um pequeno ponto enchi uma caixa de correio;
sinal evidente de várias coisas das quais destaco duas;
esta rede é o que dela fazemos, e para o que queremos;
as cumplicidades e as amizades, a colaboração e as partilhas ainda existem nesta rede virtual, que vai para além do desconhecido e se envolve de emoções;
obrigado;

quinta-feira, março 15

redes


Há tempos um colega desta rede, fez-me chegar um apontamento que foi directo ao centro do meu interesse académico;
a partir desse apontamento surgiu-me a ideia de solicitar a colaboração desta rede virtual de companheirismo e de interesses;
nesse sentido, replico para este espaço um pedido efectuado a um grupo mais restrito de colegas;
dizia assim:

pedido de colaboração/ajuda na perspectiva das redes colaborativas;
se não souberem passarão a saber que me encontro a desenvolver o meu projecto de tese de doutoramento em torno de uma coisa que designo como regulação dos quotidianos (mais não é que uma perspectiva de análise, assente no conceito das políticas públicas, em torno das questões disciplinares);
neste contexto, estou interessado em referenciar artigos de jornais, revistas ou outras publicações - menos regulares, menos divulgadas, menos conhecidas - onde se discorra sobre disciplina escolar, indisciplina, comportamentos disruptivos e, mesmo até, violência em contexto escolar/educativo, seja decorrente de situações concretas, seja de medidas de política, seja pela análise académica;
peço, assim, a V/ colaboração/ajuda/apoio mediante a indicação (referência)de:
- artigo
- fonte
- data
- autor
- tema/âmbito (indisciplina, violência, comportamentos, trabalho académico, política educativa...)
- observações que considerem pertinentes
ou, muito simplesmente, que me façam chegar o endereço electrónico (caso esteja disponível on-line);
se puderem ajudar/colaborar fico agradecido e reconhecido;
se não puderem também não será por isso que desisto;

terça-feira, março 13

movimento


contudo os tempos movem-se e atrás do tempo vêem mais tempos;
estamos em tempos em que a hesitação custa a todos, se repecute no funcionamento organizacional e se estende à cidade;
ou somos capazes de definir um dado sentido (pessoal, político, institucional, social...) ou somos atropelados pelas dinâmicas que alguém pretensamente terá definido e incutido;
esperar é sinal de ausência, parar é perder um espaço e um tempo que pode ser determinante na acção estratégica;
e cada vez mais os tempos são estratégicos;

das emoções


sou transparente nas minhas emoções, nos meus sentimentos;
quero acreditar que todos o somos um pouco, mas uns conseguem guardar melhor e para si aquilo que sentem, como estão, como se sentem;
provavelmente decorrente da conjugação de ser balança (e volátil como o ar) aliado ao facto de sempre ter dado viva expressão às minhas emoções (como filho único) sou transparente;
se estou bem levo tudo à frente, puxo e empurro, motivo e emotivo; alegria e disposição a rodos, pronto para tudo, de peito aberto e disponível;
mas se estou menos bem, também se nota, também se faz sentir;
ultimamente, fruto do cansaço, do trabalho, das hesitações de outros, da turbulência político-administrativa, tenho-me deixado enredar em contradições e numa panaceia de marasmo que me irrita e que acaba por contagiar família e amigos, colaboradores e colegas e se repercute no relacionamento;
resta-me esperar, sentado, que isto passe e se amenizem os estados de espírito;

segunda-feira, março 12

pelo contrário

em termos de escrita a minha precisa de marinar, de descansar para perceber para onde vai e como vai;
no meio de precalços só me resta retirar dividendos;
uma vez mais a pen, onde guardo os apontamentos, pifou; diz que precisa de ser formatada;
a última cópia que lhe fiz será da passada semana; uma vez mais o fim-de-semana foi pacífico e inerte em termos de escrita, li mais do que escrevi;
mas lá tenho de recuperar as coisas do passado;
nesta recuperação soltou-se-me uma ideia, agora evidente;
tratar as questões da indisciplina no presente reflecte uma forma de pensar a escola, de realçar um conjunto de ideias, valores e pressupostos, muita das vezes contrapostos a um tempo de pretensa disciplina, rigor e autoridade;
mas, afinal, apenas destacamos ideias e valores e, acima de tudo, uma ideia de escola;
resta-me, eventualmente por questões de facilitação metodológica, trata a ideia pelo seu contrário, tendo em conta que a escolha de instrumentos e procedimentos (no caso disciplinares ou de disciplinação) nunca é inocente;

somos

somos fruto dos elementos fundamentais deste planeta - terra, ar, água, fogo - ou são eles que são feitos de nós?
há dias ouvia comentários sobre os elementos que nos constituem e como nos complementamos, como nos acrescentamos um ao outro nesta massa de formas;
estas questões, como aquelas em redor do zodiaco, são daquelas em que progressivamente deixamos de acreditar, por que nos convém, mas que persiste, lá no fundo, num misto de incerteza, de dúvida;
afinal, eu não acredito em bruxas, mas que elas existem existem;

domingo, março 11

11 de Março


passaram 3 anos;
parece que nunca aconteceu;
parece que foi ontem;
é preciso não esquecer, é preciso recordar;
acordei com estas imagens a varrerem diferentes canais de televisão;
escrevo para não esquecer que o terror existe e que pode acontecer;

sábado, março 10

passado - futuro


sinceramente, sinceramente nunca me preocupei em definir futuros;
há dias perguntaram-me que planos tinha para o futuro, a resposta deixou o interlocutor a olhar emudecido para mim, simplesmente disfrutar do presente;
com formação inicial em História (prazer da qual não abdico de regressar de quando em vez para pensar o meu tempo) relativizo o futuro, sabendo que ele só pode ser se houver presente, se este for coerente e consistente, assentar em fundos fixos e estruturantes;
uma música diz que "o passado foi lá atrás", eu digo que o futuro fica lá atrás; para a frente apenas as consequências daquilo que hoje fazemos, frutos do que semeamos;
por isso descanso em paz, durmo sossegado, sabendo que o futuro acontecerá, naturalmente;