domingo, janeiro 28

mil


ultrapassou-se uma fasquia, a dos mil passantes;
vale o que vale (se é que vale alguma coisa), mas não deixa de servir como uma referência, metáforas da curiosidade e, e acima de tudo, das amizades;
dos espaços por onde tenho passado, nesta blogosfera, tenho construído diferentes amizades, deixado algumas saudades mas aquilo que deveras me interessa e gosto e sinto um enorme privilégio, é de perceber aquelas amizades que mantenho, que persistem apesar de algumas reviravoltas na minha escrita, nos temas em que me centro, nos destaques que crio;
é um enorme privilégio ter e sentir amizades que perduram, em ambientes virtuais é certo, mas com pujança bem real - e vocês, uns e outro, sabem quem são;
obrigado;

vá lá


apesar de rijinhos, apesar de bem cozidinhos, lá se paparam os ditos pasteis de belém; a azia ainda ameaçou, mas nada que fosse além da ansiedade, da espectativa;
este já está; e neste fim-de-semana já ganhámos em vários campos;
teremos pernas e engenho para persistir?

sábado, janeiro 27

a união


apetece-me escrever que a união faz a força, mas sinto algum receio que os pastelinhos de belém me possam azedar o estomago depois do jantar;
como o cego da minha terra costuma dizer, logo se verá.

diferenciação


A convite de uma editora estive ontem numa acção de formação (propaganda) sobre pedagogia diferenciada face às competências específicas da disciplina de História;
primeira ideia, dos colegas presentes muitos me perguntaram se ainda sou professor; sou e não vou nunca deixar de o ser; quando me perguntam o que faço continuo a afirmar que sou professor dos ensinos básico e secundário; no resto estou de passagem [não sei é para que margem];
segundo, antes de se iniciar a acção, já muitos diziam que tinham a certeza de que não iriam ouvir nada de novo, nem aprender nada de jeito; provavelmente terão razão, apenas aprendemos o que queremos e com quem queremos e não por que alguém quer;
terceiro, é a uma reconfiguração de estratégias editoriais, face à nova redacção do ECD, no campo das acções de formação, e na limitação de publicidade dentro das escolas (ou fora delas) opta-se por um misto entre acção de formação sobre os seus produtos e divulgação dos seus conteúdos; é o dois em um tuga de contornar limitações e dificuldades;
quarto, de tão curta que foi muito ficou por dizer e consciente que a senhora que falou omitiu que é a linguagem que cria os significados e não o inverso, isto é, falou de diferenciação e não definiu o que é isso, o que implica, as relações que estrutura, as ideias que pressupõe;
último, nem tocou num dos pontos mais determinantes de uma estratégia de diferenciação pelas competências, a avaliação;

sexta-feira, janeiro 26

pêlo não


voto sim.
retirei esta imagem deste canto (de quando em vez passo por lá para ler prazeres alheios, descobrir gostos próprios);
o tema da interrupção voluntária da gravidez e toda a discussão que por aí anda, não me leva a escrever;
mas (uma vez mais) a posta de hoje de JPP leva-me a considerar a pertinência da sua escrita e dos seus argumentos;
ninguém vai aprender ou esclarecer o que seja nesta discussão; trocam-se emoções e opiniões, mais que razões, menos ainda argumentos;
procura-se encostar o adversário às lógicas da ideologia (partidária), dos valores, quando o que aqui está em causa é saber se aquilo que já está legislado (a interrupção voluntária da gravidez a pedido da mulher) é crime, ou não;
mais parece um diálogo de surdos, uma conversa de mudos;
utilizo a imagem para dizer que pêlo não, voto sim;

maravilhas da técnica


A região de turismo de Évora, segundo os jornais cá da terra, encontra-se a promover o palácio ducal de Vila Viçosa às 7 maravilhas nacionais, omitindo outras propostas, Templo Romano de Évora e a aldeia de Monsaraz;
se dúvidas existissem ficam minimizadas do excelente trabalho técnico que os senhores por ali desenvolvem;
e não há problema pois estão longe de opções políticas, foi apenas, estou certo dos seus argumentos, uma maravilha da técnica;

quinta-feira, janeiro 25

mudança


como balança que sou é algo instável encontrar-me em estabilidade;
vai daí e mudei de look, de visual;
há mais de 5 anos que usava óculos sem aros, daqueles fininhos, que passavam quase que despercebidos entre o agarrado às orelhas e em suporte no topo do nariz;
a minha filha, por exemplo, não me conhecia outra cara, outra imagem que não a de agarrado a esses óculos;
agora mudei-me, de armas e bagagens, para os de massa, assumindo a caixa d'óculos que sou, a referência em destaque da utilização desse artefacto;
obviamente que todos estranham, se nota; uns para melhor, outros para pior, ninguém indiferente;
mas ou bem que mudava e se sentia a mudança ou se ficaria pelas meias tintas, aquela de mudar, mas não se sentir;
não gosto de meias tintas, se era para mudar, mude-se;
já está;

do debate


Esta entrada de JPP, no seu não menos famoso abrupto, cria a vontade de discorrer em torno da ideia;
genericamente concordo com ela;
chegaram ao patamar do protagonismo político um conjunto de elementos (consoante a corrente poder-se-ão designar de actores), nascidos ainda antes de 74 (década de 50), formados nos ventos da primavera marcelistas e consolidados entre o PREC e a democracia pré-CEE;
apesar de pertencerem aos diferentes partidos políticos, têm, como traços comuns, estarem no mesmo intervalo etário (grosso modo entre os 45 e os 55), estão nos partidos pelos menos desde meados da década de 80, têm uma excessiva consideração, quando não valorização, pelos ventos da Europa, na generalidade têm uma formação que raramente exerceram ou praticaram, estão imbuídos de um misto entre o espírito da retórica parlamentar (com laivos normativos, juridico-legais) e uma tecnocracia saxónica (dos modelos de gestão, das lógicas de organização, da mediatização da coisa pública);
combinar a operacionalidade de um com outro é que é difícil, como é difícil a sua implementação;
neste sentido, por vezes faz-se sentir o desacordo entre um quadro conceptual(formado em lógicas mais políticas que partidárias, mais europeias que nacionais, mais urbanas que rurais) e um quadro mental ainda manifestamente português (do desenrasca, do logo se vê, da resposta mais retórica do que prática, da ausência de resultados ou de avaliação, da pequenez mesquinha);
onde divirjo com JPP (qual pretensão e arrogância) é a de que também ele pertence a esta geração, a este conjunto de actores que comanda (e estou certo que irão comandar) os destinos da nação;
onde diverge ela da geração que a antecede, dos 35-45, aquela mesma onde me situo (pelo menos na faixa etária)? quais as diferenças entre uma e outra?
em meu entender em dois planos, por um lado, numa maior harmonização entre o quadro conceptual e o quadro mental (já aqui o tenho dito e escrito, não me prendem fantasmas no sótão, nem tenho esqueletos no armário) e, por outro lado, o dos resultados (não tão práticos, mas claramente obtidos mediante processos substancialmente diferentes (menos oligárquicos, menos reticulares, de uma maior autonomia e responsabilização);
considero que não há divergência de posições (entre o dissecado por JPP e aquilo que desmonto ou desvelo);
mas há um risco, há muito assumido pela minha própria prática pessoal, organizacional e política, a de o meu grupo ficar a ver passar os comboios, perder oportunidades e não conseguir (por demérito de uns e por falta de mérito de outros) aceder aos patamares da gestão da coisa pública;
onde nos colocaram mais não é que um rebuçado, um entretém para que não moa, não resmungue, não fale e, mais importante, não se pense;
erro craso este o de desvalorizar o outro;

quarta-feira, janeiro 24

oportunidades


em 1999/2000 quando os donos do google compraram esta plataforma, blogger, questionei-me sobre a oportunidade e a consistência do negócio. Já tinha ouvido falar da coisa, mas, sinceramente, não lhe augurava grandes expectativas - como se nota, falhanço total;
quando, no final do ano passado, se teve conhecimento da pipa de massa dada pelos mesmos patrões pelo youtube, já nem me questionei, nem surpreendi;
mais rapidamente que antes, é negócio confirmado, oportunidade assegurada;
de momento é difícil passar por dois blogues simultaneamente em que um deles não tenha um vídeo do youtube acoplado;
o mundo pula e avança, como bola colorida... oportunidades.

visibilidade


sempre gostei de arquitectura; da sua representação, dos seus pressupostos, das lógicas de organização não apenas do espaço mas das lógicas que organizam esse mesmo espaço - por isso gosto deste espaço;
historicamente é uma das referências de marca na interpretação da coisa passada (quando não mesmo da presente); é através dela que podemos perceber lógicas do pensamente, culturas de relacionamento, pressupostos de acção e de intervenção - a transição entre o românico e o gótico não se faz apenas assente em pressupostos técnicos, a volumetria do barroco não é um adereço, entre outros exemplos;
há dias, nas minhas leituras, confirmei a ideia e o gosto; num texto sobre a pós-modernidade (seja lá isso o que for) encontro a referência que a arquitectura é das artes que permite visibilizar conceitos, neste caso o de pós-modernismos, mediante lógicas de organização dos espaços que mais não são que lógicas de fluxos, de redes, de partilhas, de fluências, de modos de encarar a relação entre o espaço público e o espaço privado, a decomposição do complexo;
olhar a arquitectura sob o signo do conceito é um outro desafio e percebemos a estruturação do espaço em nossa volta, o que ele significa, o que ele nos quer transmitir, a diferença entre o project e o vivenciado pela pessoa determina uma outra rede de significações.
é este espaço de visibilidade que muita das vezes nos impede de ver o óbvio; óbvio quando alguém nos chama a atenção, nos prende o olhar, nos explica o que estamos a ver;

terça-feira, janeiro 23

texto


estive quase um dia inteiro a tentar escrever um resumo, uma síntese (sintética e resumida) daquilo que pretendo fazer (quase por algumas variações e alguma dispersão);
o objectivo, para além de escrever um resumo do que pretendo fazer, relaciona-se com a apresentação do registo definitivo da tese, registo que se pretende claro, curto, conciso e concreto;
este esforço, aparentemente inglório e inconsequente, quando não mesmo despropositado, permite-me aferir das minhas ideias, quer quanto aos conceitos que quero trabalhar (por ordem, as políticas públicas, a disciplina escolar a regulação social e a organização pedagógica da escola), quer quanto à relação entre questão/objecto/metodologia e, no meio disto, a coerência e a consistência entre as suas diferentes partes;
tenho por hábito, por um lado, gostar daquilo que escrevo, mas, por outro, sentir a necessidade de deixar marinar, repousar as ideias, secar a tinta da escrita e perceber se efectivamente o texto corresponde ao pretendido, está perceptível;
a ver vamos;

urbanas


Vivo no campo, gosto de me afastar da cidade, de me distanciar do ruído e da maralha, mas sou profundamente urbano;
gosto das cidades, das ruas, das esquinas, dos espaços, da fluidez de imagens e de registos, dos sentimentos que incutem e fazem pressupor;
este é um apontamento (entre muitos que possuo) que reflecte esse meu sentimento;
é um pormenor da estação do Senhor Roubado, onde espero por boleia, tirada há precisamente um ano, em fim de dia;
é um pormenor que nos permite compreender o que somos, mais do que por onde passamos;

segunda-feira, janeiro 22

aragem


por manifesto bom senso e reconhecimento (pessoal e público) coloco aqui ao lado uma aragem oriunda do norte;
começou por ser uma leve brisa individual, está assumidamente uma corrente de ar colectiva;
partilho muitas das ideias relativamente à escola e à educação; mas não o tom pessimista e algo desencantado que algumas das entradas deixam transparecer;
faço minhas algumas das críticas ao sistema, à sua organização, às políticas e aos políticos;
mas também sou capaz de referenciar práticas desajustadas, atitudes passadista, ideologias de exclusão, teorias de darwinismo social;
afinal, partilho de um mesmo sentimento, para o bom e para o mau, gosto de ser professor;

discernimento


então não é que um amigo destas bandas diz que leva uma cabeça para discernimento; logo a minha da qual não discorro nada, nem discernimento nem vento;
sente-se a ausência de uma conversa, provavelmente agora de Inverno, no regaço do calor da lareira;
considero agradável perceber as diferenças de opinião, as valorizações que são feitas, as percepções de que damos contas;
para uns somos uma carta a mais, um joker incomodativo, para outros um ponto de discernimento;
afinal somos aquilo que o outro quer que sejamos;
ou seremos alguma coisa de modus próprio?

devagarinho


quase que subtilmente, deixo para trás a dimensão partidária nesta minha escrita;
restrinjo-me às políticas públicas, no contexto de um projecto de investigação;
as políticas partidárias, essas, ficam para trás, fruto de circunstâncias várias;
não é ela que está mal ou chocha, sou eu que estou cansado;
de quando em quando rendo-me à minha insignificância de gente; para quê discutir se já está decidido; para quê escutar quando somos surdos; para quê falar se não me faço entender;
poderá existir uma democracia participativa sem partidos participativos?
qual a correspondência entre saúde democrática e saúde partidária?
qual o sentido colectivo de um somatório de acções individuais?

sábado, janeiro 20

sítios da minha terra


em tempos, tempos de estudante, ainda com todo o gosto pela História, referenciei, juntamente com colegas da área, mais de 200 locais de culto na cidade de Évora;
capelas e capelinhas, umas públicas outras particulares, umas abertas outras fechadas, umas acessíveis outras nem tanto, igrejas, pequenas e grandes, mais antigas ou mais recentes;
foi um trabalho de que gostei e que me atirou para uma primeira abordagem à investigação, num trabalho que nunca cheguei a concluir denominado geografia da fé;
a alteração ao trânsito na cidade de Évora levou a identificar uma dessas capelas, um dos locais por onde muito poucos passam, desviada de circuitos e roteiros, é um local que nunca vi aberto - fica perto do mercado 1º de Maio, não sei sequer o nome da rua;
como não sei nem o nome nem qual o(a) santo(a); um apontamento dos sítios da minha terra e do muito que ela esconde;

silêncio


a última entrada da Sofia, ainda por cima em reacção às minhas saudades, trouxe-me à memória duas situações;
por um lado, a minha pessoa e uma das razões pela qual trabalho a ideia de disciplina escolar enquanto elemento de regulação da acção social; no inicio dos anos 90 era o último a chegar à escola, a ser colocado, ficava com os horários e as turmas que os outros não queriam, o resultado é fácil de imaginar; mas, face às circunstâncias tinha duas hipóteses, ou amargurava ou desistia; optei por procurar alternativas que recairam num misto de pedagogia diferenciada, trabalho de projecto ou pedagogia pela descoberta;
por outro e já no contexto do trabalho que desenvolvo, encontro uma afirmação lapidar, Num extremo, a disciplina é o valor do silêncio ..." (Benavente, 1994, Revista Educação, Sociedade & Culturas)
e não é o silêncio que queremos nas nossas salas de aula;
pois não Sofia?!?!?!?!?!

sexta-feira, janeiro 19

inutilidades


costumo dizer que quando não há nada para fazer façam-se meninos;
pois bem, não é bem isso, é uma outra coisa mas anda lá perto, pelo menos dá jeito quando se pensa nisso;
passem por este sítio e percebam a V/ temperatura;
a minha está referenciada - não estavam a pensar que o publicaria caso fosse cold ou chilly, pois não!?!? :)

saudades



é um inicio de ano entre o normal e o anormal; incoerente? é verdade; imperceptível? tento fazer perceber; mas que é esquisito, lá isso assim o sinto;
os dois amigos referenciados nas imagens (uns e outro, companheiros de escritas e de ideias, de sentimentos e de algumas cumplicidades andam arredios;
que se passa? certo que é um ano normal - stress, exigências, prazos, obrigações, devoções o certo é que sinto a falta da sua escrita;
para mim, no meu entendimento, a blogosfera é também feita desta coisas, cumplicidades não cumplíces, proximidades afastadas, aconchegos distantes;

entalados


somos filhos e somos pais; estamos entalados entre uns que nos exigem atenção (os filhos), e outros que nos exigem atenção (os pais);
penso que tenha sido J. M. Vaz que tenha definido esta situação como "a geração sanduiche";
quando tudo corre bem, nada se assinala, afinal tudo está bem e é um prazer saborear uma sanduiche, sempre é uma variação à tradicional culinária;
mas, e há sempre um mas, quando as coisas não estão bem (constipações, doenças, moengas da velhice ou traquinices da fase do armário) então ai Jesus - logo eu, agnóstico confesso;
é como eu hoje me sinto; entalado, ensanduichado, os avós aceleram na idade e desgastam-nos a paciência (logo eu), uma constipação na velhice dá pano para mangas e é um respirar fundo de suspiros (ainda se fossem doces); os manos esses andam que só à marretada se separam;
a esposa estica para um lado e para o outro, acode aqui e ali, apaga (procura apagar) fogos e fogachos, consciente que se o deixamos em banho maria então é que ninguém domina nada;
por mim nem sei o que faça; apesar de 6ª feira ainda há moengas pela noite, resultado, não posso ir degostar o fim-de-semana, o fim do mês, recarregar pipas de paciência;
cada um tem o que merece e eu estou entalado;