terça-feira, maio 31
das escolhas
Oiço conversas de professores a escolherem livros de trabalho (?), manuais para o aluno.
Há, no meio das conversas, quem aponte critérios como a cor, o sentido da autonomia do aluno, os textos, a profusão de exemplos ou exercícios. Outros defendem a concepção, o preço, coisas que constam de uma lista de mercearia onde o professor deve registar as suas opiniões.
Outros queixam-se que receberam poucos livros, que algumas editoras foram parcas na distribuição ou no convite.
Não comento, nem intervenho. Não uso manual, não tenho livro de texto, não tenho documento de trabalho organizado ou disponibilizado por uma qualquer editora. Utilizo, como elemento de orientação aquele que adoptaram na escola. Mas sempre com a preocupação de referir aos alunos que é um olhar, revela um conjunto de preocupações, evidencia uma dada leitura do que é a educação, qual o papel da escola e, entre um e outro, qual o destaque da disciplina.
Prefiro construir os meus materiais, trocá-los com alunos, construir o meu olhar, o nosso olhar, definir as minhas e as nossas valorizações e/ou destaque.
Não sou nem melhor nem pior que os autores dos manuais e claramente muito menos profissional que eles.
Mas estamos ao alcance de uns e de outros na justificação das nossas escolhas, das nossas opções.
competência
Quase em final de ano há aqueles que estão preocupados com os conhecimentos, com a realização de testes, com a quantificação dos conhecimentos, com o rigor que uma folha de cálculo pode evidenciar.
Apologista que sou que o conhecimento é uma construção social, que a sala de aula é um permanente degladiar de equilíbrios e uma gestão delicada de sensibilidades revelo a minha preocupação pela gestão das competências, pelo crescimento da pessoa do aluno, pela consolidação de ideias e princípios que, sem grandes teorias nem enquadramento conceptual, possam perspectivar ganhos, evolução, sedimentação, construção do ser e da pessoa.
Como defensor que o ensino e a aprendizagem decorre de um processo interaccionista, onde se definem, constroem e negoceiam objectivos, interesses e sentidos a minha preocupação vai para as emoções, para os afectos, para a assunção que avaliar envolve sentimentos, mútuos, reciprocos.
Procuro, no processo de avaliação, perceber o que se aprendeu, não na História, mas na capacidade de a utilizar para compreender, perceber e questionar o mundo.
Procuro competências, os conhecimentos virão depois.
Assumidamente.
segunda-feira, maio 30
comportamento
Num dos cantos da sala decorre, aparentemente, um encontro de professores onde se discute comportamento, regras, atitudes.
Uns defendem que o órgão de gestão deve fazer uma circular onde ponha travão a um conjunto de comportamentos que designam de irresponsáveis.
Outros que se devem responsabilizar os pais, a família.
A questão, afinal, estará no desfazamento de atitudes, valores, comportamentos e ideias entre uns (alunos) e outros (docentes).
Criar e gerir este equilíbiro é fundamental para que um processo (o pedagógico) possa ocorrer.
Responsabilizar a família não pode significar a desresponsabilização dos docentes.
oportunidade
Ainda não tive oportunidade de ver e sentir o novo desafio colocado pelo Miguel.
O fim-de-semana foi prolongado e imposta uma necessária e saudável distanciação desta máquina e deste mundo. Nem correio electrónico consultei, situação que faz com que ainda não tenha respondido.
A seu tempo e o necessário pedido de desculpas ao Miguel.
sentido
Na sequência da última conversa uma ideia se destaca, a criação de sentidos ao que se faz na escola e, em particular, na sala de aula.
Para uns esta construção de sentidos é da exclusiva responsabilidade do aluno, para outros o professor é o elemento central.
Para mim, e para muitos outros, é uma construção social, uma relação dinâmica (há quem a designe por interactiva), entre aluno, professor, família.
Uma santíssima trindade na construção de sentidos ao trabalho escolar.
quarta-feira, maio 25
Mais conversa
Estou na escola à espera de mais conversa. No âmbito de uma iniciativa organizada pelo departamento a que pertenço, mais umas conversas hoje sobre tecnologias educativas e o trabalho dos professores. Mas uma oportunidade para perceber se as conversas são como as cerejas ou se são organizadas para o umbigo.
A ver vamos de conversa.
quase
Nesta altura, uma qualquer sala de professores, peço desculpa da generalização, é percorrida por um claro e objectivo sentimento do quase, que está quase, que falta pouco para que termine. Alguns é uma saturação, uma ângustia, uma trabalheira (como diria um amigo) para o qual falta pouco para terminar.
Para outros é apenas cansaço, saturação (de aulas, de alunos, de viagens, de dias desconfortáveis).
Para para outros ainda é apenas a aproximação do final de mais um ano lectivo, de mais um período, de mais uma marca neste evoluir.
A minha sala de professores, e é desta que eu falo, é marcada por este sentimento de quase, que está quase, que falta pouco.
Uns sopram, outros revelam muita da sua saturação, há níveis de impaciência, intolerância claramente (digo eu) marcados por esta sensação do quase.
Como há a clara e assumida revelação daqueles outros que estão aqui como podiam estar noutro qualquer lado, que gostam tanto da escola, das aulas e dos alunos como, certamente, gostariam de estar a encher chouriço, ou à sombra do ar condicionado de uma qualquer repartição pública.
é a sensação do quase, que está quase. Mas ainda não está.
terça-feira, maio 24
este rigor
Não quero cair nem em generalizações nem em abrangências ou que não conheço ou que não domino, mas que existe um excessivo rigor, quase ao nível do preciosismo, no número do buraco público, estes 6.38%, disso não tenho dúvidas, nem pinga de incerteza.
Como escreveu um amigo (a circular por mail) não são os seis por cento que me incomodam, não são as décimas que chateiam, o que me aborrece mesmo é este rigor, quase tão fingido como as contas públicas, do valor centésimal de 0.08%.
Fosse tudo assim, tão rigoroso e pormenorizado como este valor centésimal e não teríamos, quase que garantidamente, o buraco que temos. Nem os governantes que temos tido.
do que tem de ser
As conversas na sala de professores, são como as cerejas, vêem umas atrás das outras. Fala-se disto e daquilo, do que gostamos e do que pensamos.
Hoje, provavelmente de forma invariável a muitos e muitos recantos deste país, fala-se do déficite, do deve e do haver das contas públicas e, muito mais importantes, dos mesmos, sempre os mesmos que têm de pagar, que não podem, não conseguem fugir, nós mesmos, professores, funcionários públicos.
Engraçado como neste momento existe uma clara e directa associação - professor/funcionário público.
segunda-feira, maio 23
do nada
É impressionante o momento em que ficamos sem nada para dizer.
Não é possível.
Tanta coisa que acontece, mesmo aquilo que não acontece na escola pode ser notícia, oportunidade para cuscar, momento para blogar.
Mas é verdade. Sinto que pouco ou nada tenho para dizer, menos para escrever.
Por isso calo-me, não escrevo, ausento-me daqui e aqui fico a olhar, a ver quem passa.
Não estou em estágio, mas podia (será que devia) estar. Não estou por aí além atarefado, geralmente só não tenho tempo para o que não quero ou não me interessa. Mas apetece-me não ter tempo, talvez apenas não ter interesse.
Vazio. Pleno, total, sentido, o vazio. O nada.
Tão bom que é.
quinta-feira, maio 19
mais um
Hoje é mais um colega que faz um aninho.
Um colega que, nas suas palavras, anda em trânsito pela vida, por este mundo, por este país...
Afirmou-se devagar, como convém a todos aqueles que fazem um percurso de fundo e que procuram ir fundo nas pequenas (e nas grandes) coisas da vida.
Afirmou-se devagar, como convém a todos aqueles que fazem um percurso de fundo e que procuram ir fundo nas pequenas (e nas grandes) coisas da vida.
Que por cá continues, é o que conta. Parabéns e obrigado.
quarta-feira, maio 18
conversas
As conversas com História lá decorreram na serena normalidade da indiferença da escola. Há muito que reconheço que santos da casa não fazem (nunca fizeram) milagres. As expectativas, por isso mesmo, não eram elevadas no respeitante à participação.
No ano transacto, com a participação de alguns ilustres convidados, poucos mais eramos que este ano, quase tantos de um lado, como do outro.
Mas tenho que reconhecer que, depois de um início tímido, algo receoso ou envergonhado, foi difícil dar por terminada a conversa [afinal, são como as cerejas].
Há sempre tanto para falar, há sempre tanto para conversarmos e tão pouco o tempo disponível, as vontades e as oportunidades que, quando apanhadas, são esprimidas até...
Destaco uma ideia que, de algum modo me surpreendeu, o reconhecimento que o que falta mudar são as práticas docentes, o método pedagógico que permanece algo enclausurado numa tradição que teima em persistir depois de tudo o mais ter desaparecido.
é óbvio não é?! pois, para mim não é assim tão óbvio este reconhecimento explícito.
Para a semana há mais, sobre as tecnologias educativas no trabalho dos professores.
aniversário

Este senhor fez ontem dois anos de escritas de palavras à solta.
É um dos sítios mais antigos e mais veneráveis que reconheço. Nunca agradeci nem o link nem as visitas.
Bem hajas por muito e mais tempo.

É um dos sítios mais antigos e mais veneráveis que reconheço. Nunca agradeci nem o link nem as visitas.
Bem hajas por muito e mais tempo.

terça-feira, maio 17
Vazio
As coisas, aparentemente, estão assim, vazias, ausentes, disponíveis.
Há bloguistas desaparecidos nos confins dos dias, da escrita.
Há ausências, entre o forçado e o desmotivado. Há, nota-se, o cansaço, que faz com que a estrada fique assim, vazia.
Espero que seja apenas um entretém de queimas, temporário, passageiro e que o tráfego aumente, se recuperem ânimos e vontades, escritas e emoções.
segunda-feira, maio 16
Equilíbrio
Para estar num lado, não consigo estar no outro.
Uma questão de simples equilíbrio e de gestão de espaços, tempo e interesses.
A imagem retirei-a daqui, e serve apenas para ilustrar uma ideia.
Neste momento analiso portefólios, discuto e debato ideias com alunos, troco opiniões com pais, encarregados de educação e colegas de conselho de turma. Estruturo o princípio do fim. Prescruta-se aquilo que é possível fazer e as apostas que ainda faltam.
Para além disso, preparo umas Conversas com História, segunda edição, a iniciar já na próxima 4ª feira, este ano sobre a construção local da educação - políticas educativas, tecnologias e práticas pedagógicas.
Equilíbrio instável.
sábado, maio 14
quinta-feira, maio 12
textos para coisa nenhuma
A partir desta imagem, de Nico Vassilakis, um pensamento, um texto para coisa nenhuma.

textos para coisa nenhuma

textos para coisa nenhuma

Às páginas tantas, depois de tantas e tantas palavras, dos textos que produzimos e que nos produzem, que nos reproduzem quase que me sinto preso das minhas ideias, das palavras que troco, do pensamento que o suporta.
Não percebo, quando escrevo, se é a palavra que se solta se sou eu que quero ficar preso a ela.
Olhares
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