terça-feira, setembro 11

caminhos


e trajectos de uma qualquer vida;
entretenho-me a comentar os comentários que tenho merecido, seja por uma boa ou por uma má razão, por gosto ou por simples desgosto;
até hoje nunca me arrependi do que fiz nem de quem tive o privilégio de conhecer; arrependo-me, apenas, daquilo que não fiz, das pessoas que não tive possibilidades de conhecer;
sempre (está aí a primeirissima posta para o comprovar) me assumi e assumo como socialista; desde o final dos anos 80 que tenho dado a cara e o corpo ao manifesto pelo PS, e desde o final dos anos 90 como militante, na qual me reconheço e identifico, como tive o privilégio de assumir determinadas posições por via socialista que, de outro modo, seria manifestamente difícil senão mesmo impossível;
por via disto, não me furto a discutir, com quer que seja e em que circunstâncias forem, o trabalho que desenvolvi, as relações que mantive e que construi; que não agradei a todos? é natural, direi eu, nem JC o conseguiu;
não comento dissabores, invejas ou outros tipos de angústia; a minha consciência está tranquila, durmo descansado, sei do que sou capaz e conheço alguns dos muitos defeitos que possuo, como sou reconhecedor das amizades com que tenho o privilégio de me brindarem;
assumo causas, princípios, ideias e valores; é natural que não agrade a todos, nunca estive preocupado com isso; tenho é pena que não sejam capazes de discutir e trocar ideias, argumentos ou meras opiniões de forma aberta como o faço, está aqui a minha escrita para isso mesmo, com erros, omissões ou dislexias por vezes imperdoáveis, mas presente, de perfil e de frente; não é como os outros que se escudam na indiferença, no toca e foge;
o resto são caminhos, percursos de cada um, talvez sem intersecções, a não ser no infinito;
(imagem da rua 5 de Outubro, Évora);

sábado, setembro 8

arquivo


comcei à séria a trabalhar no arquivo que serve de acervo à minha tese de doutoramento;
entre o pó e o calor que ali se faz sentir, a clara diferença entre escolas; aquelas que não guardam a memória e aquelas outras que preservam o passado como se de futuro se tratasse;
isto é, por exemplo, as actas de conselhos de turma apenas são necessárias durante 5 anos; a maior parte das escolas (pelo menos aquelas que conheço, por esta zona) não guardam o acervo, por falta de espaço, por não ser necessário, por etc;
esta tem a memória guardada; consegui, por enquanto, organizar as actas de conselhos de turmas desde o ano lectivo de 1950/51 a 1984/85;
um repositório excecional para perceber a dimensão diacrónica das políticas educativas;

cantos


este centro histórico da minha cidade tem cantos e recantos de um perfeito encanto;
percorrer as suas artérias, entre ruas e travessas, é descobrir, no olhar, pequenos (grandes) pormenores; daqueles que fazem efectivamente a diferença;
persiste o cuidar das malvas, como se de flores (ou arbustos) próprios se tratasse;
é um cuidar que, aos poucos, desaparece;
um outro apontamento também da rua do Muro;

texturas


não é só no Alentejo que se equilibram diferentes texturas, mas é por estas bandas que ganham uma dimensão cromática e de equilíbrio perfeitamente fora de série, de fazer inveja a muitos entendidos;
no passado, mais do que no presente, as necessidades de conjugar texturas e tons em equilíbrio estáveis;
(imagem: Évora, rua do Muro)

sexta-feira, setembro 7

fim-de-semana

ao longo dos dias que se seguem (fim-de-semana) já tenho um índice de trabalho;
organizar e estruturar o relatório do ano, que terei de entregar até final do mês;
estruturar e arrumar os apontamentos em redor do conceito de instrumentos de acção pública, que gostaria de redigir até final do ano;
entre um e outro, tenho uma transcrição para fazer, que me deverá levar qualquer coisa como entre 4 a 5 horas (foi quase uma hora e meia de conversa);
e depois se verá o que sobra...

quinta-feira, setembro 6

e de frente


mas não é apenas de perfil que me podem julgar;
ao contrário de outros, também de frente, frente às coisas, aos argumentos, às opiniões, às ideias;
estou cá também para isso;

na mesma


a filhota, depois de olhar as fotografias da escola, diz que está na mesma, depois de dois anos (só passaram dois anos, por muito incrível que possa parecer) a escola continua na mesma;
tenho de lhe reconhecer a razão;
há coisas que dificilmente mudam; para quem está no meio do turbilhão até poderá pensar que tudo muda e à velocidade da luz; para quem (re)chega as coisas até não mudaram assim tanto;
será uma questão de perspectiva ou de valorização?

eu mesmo


há quem diga cobras e lagartos da minha pessoa;
como há quem diga outras coisas menos más;
terei perfil para quê?
há quem fale sem saber do que fala; como há quem fale do que não sabe, nem fala do que sabe;
a maravilha da blogosfera é isto mesmo, a possibilidade, quase sem limites de irmos muito para além de nós mesmos;
fica o perfil, para ver se alguém descortina qual será o meu perfil;

quarta-feira, setembro 5

abandono

os números do abandono escolar hoje revelados e os seus diferentes comentários (1, 2, 3) são reveladores de muitas coisas, destaco três, para não ser nem exaustivo, nem extensivo;
1. a escola falha no seu alcance da proficiência educativa e escolar - razões várias podem ser apontadas, mas não se desculpabilize, nem se desresponsabilize a escola num objecto que é (ou devia ser) seu por direito, o direito (de todos) à educação;
2. as políticas educativas andam centradas em questões que, entre o essencial e o determinante, esquecem pequenos pormenores que fazem toda a diferença; desde os anos 90, com Roberto Carneiro, que se criou um gabinete denominado Educação para Todos (PEPT2000) que nem de perto nem de longe alcançou os seus objectivos, tudo o que lhe tem seguido, tem ficado pelas boas intenções, das quais os inferno está cheio;
3. a leitura mais preocupante destes números é o destaque das fragilidades da nossa democracia, em tempos de crise, as famílias não se coíbem de recorrer aos mais novos para que possam apoiar o sustento da casa; esta é mais preocupante e reveladora das profundas assimetrias que ainda persistem no nosso país;

interesses

afinal não é apenas na juventude que os Alentejanos (alguns alentejanos) se deixam ultrapassar por outros;
também na novel comissão executiva do CREN regional, os interesses alentejanos irão ser representados pelo autarca de rio Maior;
o Alentejo alarga-se; os alentejanos estreitam as suas visões;
interesses? quais? de quem? por quê? para quê?

da amizade

em apoios póstumos, valem-me as amizades;
apesar dos feitios e dos modos, as companhias substituem, e bem, os comentários;
as reuniões de trabalho são trocadas por almoços onde se esmiúçam sentidos e sentimentos;
apesar de tudo, resta-nos o que fica, a amizade e a camaradagem de uns quantos que não estão preocupados com modos ou feitios, apesar das significativas diferenças;
é a amizade que nos vale;
de resto, o QUE É TEMOS DE FAZER?

terça-feira, setembro 4

centralidade

uma das coisas em que reparei neste regresso foi uma questão de centralidade numa das salas de aula em que reuni;
o antigo centro ocupado por J. Cristo, a encimar o quadro negro (que esta escola nunca teve, mas que marcou presença assídua em muitas salas) é agora ocupado por um relógio;
é agora o tempo o omnisciente e omnipresente ser que tudo controla e comanda, que orienta e condiciona os seres humanos;
o tempo, essa coisa nefasta de que todos se queixam, particularmente pela ausência e perenidade;
será que também está nas restantes salas? será apenas naquela? se sim, porquê?

de regresso

e foi hoje o primeiro dia do resto da minha vida;
o eterno retorno (gostei desta, que saiu quase sem querer) a um lugar onde me sinto bem acolhido e recebido, onde, apesar do meu feitio, sou considerado pelo menos como um entre iguais;
como era de esperar fico em apoio administrativo, sem horário lectivo;
vamos lá a ver se a escola consegue lidar com uma situação destas e não está apenas preparada para professores regentes;
é o regresso...

a volta à coisa

Luís Maneta pergunta, na sequência de uma entrevista minha, como é possível dar a volta à inexistência de lideres na região Alentejo;
em primeiro lugar é excepcionalmente difícil eles aparecerem fora das estruturas político-partidárias;
segundo é fundamental que estas estruturas estejam interessadas na sua assunção, e não no derrube dos nomes que, por uma ou outra razão, sobressaem no panorama regional;
terceiro é essencial que esse elemento não seja gelatinoso, que goste de estar bem com Deus e com o Diabo, que diga sim porque é para agradar, que saiba defender a sua opinião e as posições regionais, que saiba construir pontes e use o bom senso (saber de experiência feito, como diria Camões) para definir consensos;
quarto, que saiba afirmar a região a partir de um pólo regional e não de atomismos locais, que saiba ultrapassar a sua dimensão local e afirmar-se, pela capacidade de argumentação e diálogo, no contexto regional; que não seja um sim senhor ministro só porque perspectiva o curto prazo, mas saiba agir de acordo com interesses de longo (ou pelo menos médio) prazo;
quinto, todos os restantes que sejamos capazes de inventariar e que possam ir ao encontro dos interesses colectivos regionais e não na afirmação de interesses particulares ou individuais;
fácil não é?

palavras de ordem


ontem tive oportunidade de ir apreciar e desfrutar P. Abrunhosa, na Feira da Luz, Montemor-o-Novo;
simplesmente um espectáculo, pela viagem que faz pela música desde os anos 60 ao presente, ecléctico, flexível, versátil, melómano;
é, no meu entender, um dos maiores cantores de intervenção pós a corrente dos anos 70 (composta por Zeca Afonso, Sérgio Godinho, Fausto, Zé Mário Branco, Fanha, etc, etc); constróe a canção não como uma arma, mas como um modo de intervenção;
achei belíssimo o concerto, quer pela dinâmica, pela história, pela organização e pelo profissionalismo;
como gostei das novas palavras de ordem, a fazer lembrar Sex Pistols:
o que é preciso fazer?
TALVEZ FODER, TALVEZ FODER.

segunda-feira, setembro 3

reprogramação

entretenho-me a reprogramar o trabalho em redor a minha tese;
agora, enquanto não conheço ainda as novas dinâmicas e solicitações, procuro recuperar algum do tempo que não tive para um projecto que gostaria de concluir em 2009;
há muita coisa que ficou em stand by, como houve outra que correu mais lentamente que o expectável e que o desejável; é tempo de recuperar algum do tempo, dos afazeres que ficaram preteridos;
como é oportunidade de poder "comparar" situações e retirar, do meu regresso à minha escola, oportunidades de trabalho e de conhecimento; será que os contextos influenciam os instrumentos? que diferenças podem ser identificadas em face das recriações dadas aos instrumentos normativos em face dos contextos?
é tempo de ter tempo...

avaliação interna


estou entretido com um relatório final de avaliação interna na qual tive o privilégio de ter participado como amigo crítico, assim designado o elemento que se entretinha a comentar os procedimentos e as conversas havidas em redor do processo;
agora que chegou (quase) ao final, há diferentes ilações que se podem retirar, quer enquanto amigo crítico, quer enquanto profissional da educação;
enquanto elemento crítico, o envolvimento de todo um conjunto de actores foi preponderante para se ultrapassar a ideia escolocentrica que ainda predomina em muitos lados, mas não se consegue ultrapassar uma predominância professorocentrica, isto é, os docente dominam não apenas a técnica, mas o próprio envolvimento social do processo;
enquanto profissional da educação ressaltam os procedimentos soltos, o pouco e frágil rigor com que muitos dos processos se fazem, dando azo a que, por um lado, fiquemos sujeitos à crítica da inspecção e, por outro, se perca muito do rigor passível de um tratamento científico assente nos acervos documentais de uma qualquer escola;
entre uma e outra posição, uma questão, o que fazer com este relatório de avaliação interna? qual o resultado que daí pode advir em termos de organização da escola, dos procedimentos, do envolvimento de actores e parceiros?
o tempo o dirá...

da festa



a festa, provavelmente como qualquer outra festa, foi rija e vistosa;
ficam apenas dois apontamentos, dos muitos que se roubaram na noite de sábado para domingo, quando o fogo de artifício rasgou o céu e estalou lá em cima, iluminando a noite e alegrando (se tal era necessário) os espíritos;

sábado, setembro 1

festas



e a festa decorre, entre ruas enfeitadas, música tradicional, garraiadas entre o dia e a noite, muita febra e franganito na brasa e muita, muita, muita cerveja;
é tempo de passear pelas ruas com a melhor vestimenta, beber-se cerveja e falar-se alto, rever amigos e amizades, dar tiros na saudade e contar as novenas à Senhora da Consolação.
as ruas, por enquanto, ainda estão carentes de gente, logo mais à noite estarão, certamente, apinhadas, preenchidas;
é uma festa...

bitaites


referencio aqui ao lado, um colega de há muito, muito tempo;
coisas da escola nos uniram e nunca mais nos separaram, apesar do seu tom excessivamente verde, mas pronto, ninguém é perfeito;
acresce uma visão entre o pragmático e o circunstancial numa lógica que gosta de cruzar o desporto com a cidade e com a escola;
são bitaites interessantes com uma designação ainda mais interessante mais vale ter mau hálito que não ter hálito nenhum; exactamente...