quinta-feira, março 1

sítios da minha terra


ontem passei por Beja, em trabalho.
Lá estive a cruzar-me com gentes e modos, obras e promessas, futuros e passados;
tem, como tudo, apontamentos de enlevo;
olhar-lhe o perfil, perceber o que dele sobressai, perceber contornos de estórias e de presentes, marcas de gentes e de ideias, cruzamentos de tempos;
como tudo, há muitas cidades dentro da cidade, ruas que são marcas de tempos e de modos, de ideias ou de desejos;
gosto de Beja, como gosto de qualquer sítio da minha terra;

repetição


a repetição, como quase tudo na vida, tem um lado mau (desgasta, moi, leva ao cansaço, provoca monotonia, previsibilidade) e um lado bom (a previsibilidade pode ser interessante, sabe-se com o que se conta, há um aparente sentimento de segurança);
dosear esta repetição, para que ela que ela não ganhe um sentimento negativo de monotonia, mas saibamos com o que contar, é uma arte difícil de conseguir; é um equilíbrio excepcionalmente instável;
na vida, no trabalho, nas relações, no casamento, há sempre um certo gosto pela previsibilidade, mas um desejo de arrojo, um apetite de sossego, mas um desejo de irreverência juvenil, uma vontade de estabilidade, mas a recordação da ousadia;
a idade (desculpo-me com a idade) provoca-me este jogo de contradições, de opostos, de dicotomias;
ajudam-me a perceber e a entender algumas coisas, simplificam excessivamente outras;
quero ousar, mas apetece-me sopas e descanço; quero fugir à monotonia, mas estou cansado de correr;
em fico, por onde páro? vá-se lá saber...

segunda-feira, fevereiro 26

confusão


e de repente descubro que a pen onde tenho a tese - textos, apontamentos, bases de dados, tudo - se apresenta como hieroglifos, gatafunhos da qual não se percebe nada e se dá conta que há necessidade de formatar o disco;
é um sentimento de frustração, ainda que tenha as coisas guardadas por diferentes sítios; mas o trabalho de fim-de-semana (ainda bem que foi pouco) foi-se;
contingências tecnológicas :(

participação e política

O meu amigo Miguel, cada vez mais politizado e político (ainda bem, faz falta e permite outro tipo de discussão e outro nível de consideração) associa a participação da blogosfera à participação política e, provavelmente porque não me explicitei com a necessária clarificação, diz que menosprezo o espaço político que é a blogosfera;
certamente fui eu que, na economia das conversas escritas, não me terei explicado;
não menosprezo nem a dimensão política da blogosfera, nem a dimensão de participação que ela complementa e induz;
o que crítico, é o espaço de participação, antes aberto e plural, ser hoje a sequência da opinião publicada de alguns cronistas do reino, sejam eles a favor ou contra o governo, a favor ou contra as políticas, a favor ou contra as correntes;
o que aponto e destaco é que hoje a blogosfera (aquela que percorro) é a assunção de mais do mesmo e não do diferente;
por participação entendo a criação de espaços plurais de opinião e discussão que vão para além daquele espaço limitado e circunscrito que nos fazem crer que é único, mais pela afirmação do pensamento contra-hegemónico (na esteira do defendido por Boaventura de Sousa Santos) do que pela uniformidade e uniformização, pela standardização da grande superfície do pensamento;
o que defendo é que este espaço se deve de alargar a outras correntes de pensanmento e preocupação habitualmente não discutidas nas páginas dos tabloides, remetidos para pé de página ou para simples apontamentos, na melhor das hipóteses;
o que defendo é que este espaço pode e deve ser um espaço de políticas, de participações e não de mais do mesmo, de correntes dos outros que nos impõem modos e modas;
corre-se o risco de se perder o sentido crítico e quando mudarem as políticas e os políticos, pois eles mudarão um dia, nos instituirmos como críticos de quem está, independentemente de quem está e fazermos mais do mesmo;
falo por mim, pela blogosfera que percorro, pela minha escrita; generalizar seria abusivo e, eventualmento, pernicioso;

domingo, fevereiro 25

sequência


uma das razões que me levou (e leva) ao afastamento deste meu cantinho, prende-se com o facto de a blogosfera (pelo menos aquela que percorro) pouco acrescentar às ideias e às opiniões que circulam;
sinto que esta blogosfera (a que percorro) vai atrás da restante mediatização, deixando de criar um espaço próprio, seja ele de opinião, seja ele de posição (face a assuntos ou temas, preocupações ou problemas);
fico com a sensação que a blogosfera se institui como um veículo ou da comunicação social, ou uma extensão de alguns fazedores de opinião;
ou seja, um espaço que era plural e participado, aberto e desbragado, é hoje uma sequência da escrita mediatizada - de um conjunto de interesses e de interessados, de uns quantos que condicionam a opinião nacional publicada, de uns quantos que definem modas e ritmos, tempos e modos;
não quero com isto dizer que antes é que era bom e hoje é isto ou aquilo; quero apenas destacar que perde muito do interesse que antes tinha, provavelmente ganhando outro (que ainda não referenciei individualmente);
mas leva ao meu afastamento, por sentir uma manifesta e clara incapacidade de acrescentar coisas úteis e interessantes ao que é dito por tudo e por todos;

ontem, ao fim de largos fins-de-semana, tive oportunidade de me passear pela cidade;
olhar quem circulava e quem, como eu, passeava distraidamente entre pombos, gentes e fresco de um entardecer de Évora;
a praça de Giraldo estava cheia de gente, entre o ribombar dos sons do Paúl, e os transeuntes de outras bandas, as esplanadas estavam vazias;
fico com a sensação que não se está na cidade, passasse por ela, sem tempo para nos sentarmos a disfrutar de um simples café;

escrita

há demasiado tempo afastado da escrita, quase que me custa voltar;
penso entre o que quero escrever, o que devo, o que posso e como sou lido;
entre o condicionar das ideias - somos sempre condicionados por algo ou por alguém - e a liberdade criativa - porque gosto de escrever o que passa por mim - de quando em vez sinto-me aperriado, apertado;
afinal, sinto a criação de distâncias entre este meu espaço e o que nele escrevo;
de diário e de cabeça, passa por ser um veículo de debate e desabafo; de crescimento e de afirmação;
por vezes não sei se minha se dos outros;

quarta-feira, fevereiro 14


há dias perguntaram-me o endereço electrónico de um colega, lá o disse - fulano.tal@yahoo.com;
depois disseram-me que a mensagem tinha sido devolvida; não podia ser, sabia que o endereço era aquele;
olhei para a máquina e tive oportunidade de ver o que tinha sido escrito - fulano.tal@iau.com;
tá bem;

feitios, tal como os chapéus, há muitos, mas reconheço que me reconheci num texto de Paulo Portas :(
mas é verdade;
sinto, cada vez mais, que consegui recolher contributos de um lado e do outro da parentalidade;
tenho mau feitio mas um bom carácter;

em dia de namorados não quero, não posso, não devo passar em branco um valente beijã àquela que faz o favor de ser minha namorada há quase 20 anos (ufa, que é tempo);
um beijão;

terça-feira, fevereiro 13

Estado


finalmente, uma última nota em torno desta conversa com o Miguel;
para além dos mecanismos e dos instrumentos de regulação do sistema, um outro elemento (não menos determinante) está aqui em causa, face às políticas educativas, que é o papel do Estado;
papel do Estado leva à necessária explicitação que não se fica pelo papel do governo (este sempre mais curto, mais restrito e condicionado);
entre poderes e autoridades, actores e relacionamentos, protagonistas e conhecimentos as bases (antes sacrosantas) do poder do Estado esbatem-se, diluem-se em esquemas alargados de participação, de consulta pública, de flexibilização social, de argumentação individual;
quase que de modo inevitável que esta diluição de poderes e autoridades, se repercutiria na escola (começou há muito mais tempo nas igrejas, passou pelo exército e instala-se nos poderes laicos - escola e justiça); como se faria sentir naqueles que eram, então, os guardadores dessas formas (simbólicas ou efectivas) do poder, os professores;
hoje muitos pretendem reforçar ou recuperar os seus poderes indo atrás buscar antigos modos e modelos de exercício dos poderes (autoritarismo, colectivização, uniformização, homogeneização); apenas se esquecem (?) que os tempos são outros, os contextos diferentes e as oportunidades mais debatidas e argumentadas que impostas;
e a escola - e os seus profissionais - continuam a fazer percursos de fé, quando a realidade é cada vez mais agnóstica;
enquanto perdurar esta relação desencontrada, estou certo que não há escola, nem profissionais que resistam à sua inevitável erosão (social e política);
alternativas?
organizar os espaços e os tempos pedagógicos de modo diferente - ultrapassar a visão de ensinar a muitos como se de um só se tratasse;
integrar o contexto, enquanto complememento e não como concorrente - chamar os pais, os poderes e os protagonistas locais, fazer funcionar a assembleia de escola para além da sua rotina de dramatização político-educativa;
instituir os conselhos municipais de educação como elementos reguladores do local - mediando a transposição do estado central ao local, definindo percursos e meios, inventariando futuros;
considerando o aluno como sujeito e não como objecto pedagógico;
apresentar argumentos e não apenas opiniões;

dúvida


a questão anterior leva-me a considerar o centro da mudança educativa (mas não só), há muito discutido, debatido, dissecado e maltratado;
como leva a considerar um dos conceitos mais debatidos dos últimos tempo no campo educativo, a regulação do sistema;
há quem defenda que a mudança faz-se apenas por indução exterior à escola - pressão social, controlo parental, políticas partidárias, correntes pedagógicas;
como há quem defenda que as mudanças se fazem por dentro da escola - aproveitando práticas, enquadrando modos de trabalhar, disseminando conteúdos;
entre um e outro ponto teremos de considerar diferentes mecanismos, modos, procedimentos e, acima de tudo, instrumentos de regulação;
regulação das práticas, dos comportamentos, dos modos de relacionamento, de entendimento da coisa educativa;
ora o que tem marcado ausência deste campo de debate têm sido exactamente os professores e as suas estruturas;
a agenda educativa, há muito (provavelmente desde 1986, com a LDSE) que está longe da intervenção dos professores (ou se afastaram ou foram afastado?);
será tempo de a recuperar, será tempo de os professores defenirem a sua agenda, os seus interesses, os seus mecanismos de regulação;
em contrário, corre-se o sério risco de quem vier a seguir (por que há mais tempo para além deste senhora ministra) fazer mais e, muito provavelmente, acentuar o processso dedes-regulação da escola;
e, afinal, o que queremos (nós professores, nós pais, nós cidadão) que a escola seja?

diálogo


Ora cá está um dos argumentos, fortes, que me traz à escrita, as amizades e as conversas que elas promovem, induzem, estimulam;
inevitavelmente o Miguel foi atrás do meu comentário entre a defesa de uma escola situada e os receios da balcanização das relações profissionais - estou certo que não contarás com esta como dependente dos poderes locais;
a questão até pode ser (aparentemente) mais simples do que aquilo que fazemos crer, isto é, e indo para um questionar crítico, permitam-me:
se não houvesse estimulo externo (imposição dos poderes políticos, por exemplo, um ministério da educação, por exemplo) as escolas mudariam de práticas e modelos de comportamento?
se não existissem regras contrárias à retenção simples e directa do aluno quantos chegariam à conclusão da escolaridade obrigatória?
se não existissem orientações nesse sentido, quantos docentes organizariam o seu trabalho pedagógico?
se não existissem orientações nesse sentido, quantas escolas tinham um projecto educativo?
ou seja:
têm as escolas condições internas para a mudança? mudariam elas se não existisse uma determinação exterior nesse sentido?

domingo, fevereiro 11

Regulação


Este meu amigo, de quando em quando oscila entre registos e troca ideias e mistura sentimentos;
Por um lado, é um convicto defensor da escola situada, logo local, localizada, contextual e contextualizada;
por outro, desconfia (provavelmente com razão) de tudo o que surge de diferente, seja para reforçar a dimensão situada da escola, seja para retirar mecanismos e/ou instrumentos de regulação ao Estado Central;
praticamente desde o princípio que acompanho (e admiro) a sua escrita, mas fico sempre com a sensação que (mais que eu) responde mais pelo lado das emoções do que pelo lado das razões, revelando aquilo que uns caracterizam por "um estado de suspeição permanente em relação a tudo o que pretende alterar o status quo";
entre um ponto, a regulação normativa e distante do Estado central, assente no que tudo pode prever e determinar, e um outro, a definição de instrumentos e mecanismos de regulação assentes no local, seja ele pela via dos resultados, pela escolha parental da escola ou por qualquer outro, assumo que prefiro o local;
é certo que é mais pessoalizado, mais fulanizado, mas, por isso mesmo, passível de um maior controlo (não burocrático-administrativo, mas social);
a questão que pode assustar, para além dos pretensos clientelismos ou amiguismos (cada vez mais difíceis de sustentar em democracia) releva para as questões dos poderes e das autoridades; estávamos, professores, habituados a um poder e a uma autoridade delegada pelo Estado Central, olhados como elementos desse Estado reconhecia-se no professor o domínio de técnicas, instrumentos e preceitos que configuravam uma dada relação de poder e autoridade entre o professor (a escola) e o aluno (o cidadão, a sociedade);
hoje, fruto de processos diversos e diversificados, essa relação está alterada, sendo fundamental a clarificação dos instrumentos e de elementos locais de regulação; mais do que a criação de novos ou diferentes instrumentos, é a assunção daqueles que sempre existiram e sempre vingaram nas nossas escolas mas em zonas de penumbra, zonas cinzentas, mais por acções individuais do que por opção colectiva, que é preciso destacar e afirmar;
muito sinceramente, não acredito que o Miguel tenha receio de negociar os poderes e as autoridades, de defender novos e diferentes modelos de poder e de relacionamento entre figuras do Estado;
apenas crítica, por que sente a diluição de elementos que antes garantiam a estabilidade e a segurança e hoje nos podem conduzir ao fundo;

ausências


mais do que gosto e mais do que quero, estou ausente deste espaço;
imposições outras e afazeres mais prementes a isso conduzem, relegando um dos meus prazeres (o da escrita, o das amizades) para cantos mais recôndidos;
não é um abandono, é apenas (?) uma ausência forçada;
[a imagem designa-se ausência e pode ser visto aqui]

domingo, fevereiro 4

escrita


no meio de tudo isto, entre os afazeres e as obrigações, os deveres e as devoções não sinto vontade de escrever;
a escrita torna-se-me difícil, lenta nas ideias, curta nos argumentos, fugaz nos sentimentos;
entre a sensação de dificuldade da escrita e o dizer mais e maiores barbaridades, opto simplesmente por não escrever;
talvez amanhã.
talvez...

stress


não o devia dizer e, menos ainda, escrever, mas tenho andado em stress, circunstância que me afasta deste meu canto e das divagações em torno dele;
stress, considero eu, é a situação em que me sinto pressionado pela quantidade de coisas para fazer e constrangido pela sensação de falta de tempo para as concretizar;
seria uma situação aparentemente normal nos tempos que correm; mas gosto de fazer jus à fama de alentejano e não gosto (por hábito, organização e mania) dizer que tenho falta de tempo ou, menos ainda, que estou stressado;
mas é verdade, entre sexta e hoje, agora que escrevo, a sensação é a de ter mil e uma coisa para fazer e manifestamente pouco tempo, muito pouco tempo para o fazer;
de tal modo que já uso o portátil para fazer trabalho de casa;
há com cada uma que me causa cabelos brancos e me faz sentir, mais ainda, saudades da escola;
apenas stress, nada mais...

quinta-feira, fevereiro 1

outro


e pronto, quase de mansinho, pé ante pé, chuva aqui friozinho dali, entrámos no mês do carnaval;
se antes não havia novidades, agora ninguém leva a mal;
ou será que leva?

novidades


apesar de ausente e apesar de não ter acompanhado de muito perto os acontecimentos e as notícias, parece que não há novidades;
o primeiro-ministro está para fora, o ministro da economia diz das suas, ir-se-ão gastar chinesices de tinta para corrigir as afirmações do senhor ministro da economia, a região de turismo de Évora explica o inexplicável, trocam-se galhardetes e mimoseiras entre partidos e figuras de sempre...
tudo normal, neste país à beira mar incrustrado;

afastamento


por razões várias, tenho estado afastado deste espaço, deste que designo como meu cantinho;
afinal, parece que uns quantos atravessamos um período de algum distanciamento - imposto ou forçado, por opção ou por obrigação;
pessoalmente tenho estado afastado não apenas da blogosfera, como também do meu pc; como resultado, aqui chegado e tinha 153 mensagens de correio; já está tudo em dia, mas demorou;