quarta-feira, abril 27

de uma ideia

concretizo o que referi como uma ideia de trabalho.
Como disse é uma ideia (reconheço que aparentemente simples) que procura mexer na organização da escola (tempos, espaços e alguns recursos).
A minha prática pedagógica insere-se naquilo que alguns autores designam de pedagogia diferenciada (reconheço que não gosto muito desta designação). Neste sentido a escola é entendida como um local (global) de formação e aprendizagem. O que procuro na ideia que apresentei é que seja efectivamente isso, um espaço, coordenado por um elemento de História (não há nenhuma disciplina que não toque na - sua - História) e que faça a ponte sobre conhecimentos, práticas, metodologias, estratégias, recursos didáctivos.
Isto é, é um gabinete de ideias que coordena acções práticas, lectivas das disciplinas e dos docentes que para isso se disponibilizem, coordenando formas de compensação, estruturando apoios, definindo tarefas, implemento acções, apoiando docentes e práticas docentes.
Vai, ao fim e ao cabo, ao encontro de metodologias cooperativas e colaborantes, procura ultrapassar o monismo disciplinar e integrar a colaboração como factor de desenvolvimento, e a coordenação como elemento de motivação disciplinar e lectiva.
Aparentemente simples. Requer que a distribuição de horários seja feita em função de grupos e de objectivos. Requer que o foco seja o aluno (efectivamente e não apenas do ponto de vista retórico), implica disponibilidade prática, efectiva para a colaboração e não para o isolamento. Implica, ainda, que se trabalhe acompanhado na sala de aula e não apenas um elemento.
Coisas que são simples de pensar e de dizer. Mas muito complicadas de implementar. Mas não desisto.

terça-feira, abril 26

futuro

Apresentei hoje, para discussão amanhã em sede de departamento, uma ideia de trabalho que designei Futuro com História.
Uma ideia de trabalho que parte da disciplina de História, como se notará, e procura ir ao encontro de diferentes princípios.
Desde a organização da escola, de modo a ultrapassar a ideia que a escola é só para dar aulas, que a História é do passado, que as disciplinas são quintas fechadas, que o trabalho do professor é isolado ou que as aulas são uma seca.
Indiquei, ainda que sucintamente, uma justificação, objectivos e recursos (humanos e materiais, não quero acreditar nem ter a veleidade de permitirem que um projecto mexa em dinheiros), como deixei ideias quantos aos possíveis produtos a obter e uma proposta de avaliação, cruzada, isto é, por parte dos responsáveis do projecto e por eventual comissão/grupo com origem em Conselho Pedagógico.
Será porventura precipitado da minha parte, mas estou quase convencido que os primeiros comentários irão ao encontro do impossível, que não é viável. Ou seja, os primeiros comentários procurarão a inquestionabilidade do que temos.
Depois direi.

dúvida

Numa posta anterior referi um conceito que me é caro e que o Paulo há muito não via (ouvia), o de profissionalidade.
Só por uma questão de esclarecimento e se ele assim o entender, a dúvida que suscitou foi boa ou má? A recordação vale a pena ou não?

segunda-feira, abril 25

desafios

Mais a pensar no colega Luís, do geografismos, mas não só, deixo um link que recentemente me chegou e onde já perdi (?) algum tempo, a tentar acertar ou a tentar verificar o que não sei e julgo saber sobre geografia da europa.
Interessante mesmo para os mais crescidos.

escolhas

Enquanto subscritor da newsletter da amazon.com recebi a informação que transcrevo.
Dear Amazon.com Customer. As someone who has purchased parenting titles, or titles about children and school systems, you might like to know that "Basic Tools for Choosing a School: A Picky Parent Guide Quick Kit" is now available as an e-doc. You can order your copy by following the link below.
Interessante e elucidativa de eventuais caminhos que, por mim, não quero trilhar, mas que e ao mesmo tempo, reconheço alguma necessidade e pertinência pelo menos para despertar algumas consciências que consideram que não há outros possíveis.

domingo, abril 24

confronto

A escola e os professores precisam de outras realidades, de conhecer outros modos, de quebrar barreiras e ultrapassar tabus, ideias-feitas, pré-conceitos.
Se queremos uma escola diferente, se queremos uma outra profissionalidade, se queremos defender e afirmar outros modos de sermos considerados nada melhor que conhecer outros pontos de vista, outros olhares, outras perspectivas de sabermos de outras possibilidades.
Estamos tão perto e tão longe, tão juntos e tão separados.
Há, para além daquilo que nos ensinaram, para além dos modelos que concebemos e pelos quais fomos formados, há outras possibilidades.
Há mais mundos para além deste mundo. E de quando em vez teimamos em não os ver. Em não os querermos ver. Por medo, por insegurança, por receio da ignorância, de reconhecermos e assumirmos o que desconhecemos.
É importante que pontos de vista concretos, situações reais, caos práticos como o João apareçam, se façam conhecer. Talvez seja esta ua das formas de conhecermos outras possibilidades de ser professor.

diferente

Estou plenamente convencido que não fazemos diferente, não temos uma escola diferente, não por não querer, não por acreditar que este é o único modelo, o correcto e o adequado. Não por resistência à mudança ou ao diferente, como pretensamente se quer fazer querer.
Não fazemos diferente, não temos uma escola diferente pura e simplesmentne porque não sabemos fazer diferente. Não nos ensinaram outro modelos, outras formas, outras lógicas, não tivemos um modelo diferente de ensinar, de avaliar, de equacionar a relação pedagógica.
É o que decorre do comentário a esta posta do João.
Tenho perfeita consciência que, caso o João mantenha a sua presença, exisitirá pano para mangas, na consideração de um dos mais melindrosos processos na educação, a avaliação.
De tanta objectividade que se procura seremos efectivamente objectivos? será que as emoções não terão papel importante na avaliação do ensino básico, pelo menos?.
Será que não existem outros modos de ser, outros possíveis?

sexta-feira, abril 22

difícil

é verdade, é difícil vermo-nos livres das escola, mesmo sem professores e sem alunos não há quem as queira.
Imaginem se tivessem professores e alunos dentro.

novidades

Há já tempos que este colega tinha aberto o espaço mas, para além da simples apresentação de intenções, ficou-se por aí.
Parece que agora se lançará para outras intenções e de certeza absoluta enriquecerá este espaço. E fa-lo-á por três razões. A primeira porque é alentejano, de Vila Viçosa, pois claro, e é razão mais que suficiente para enriquecer a blogosfera. Depois porque é professor, reflexivo, que pensa e procura descobrir outros possíveis na sua e na nossa prática profissional. Por último porque trás à baila uma temática que muitos procuram, outros tantos já ouviram falar, mas poucos sabem abordar como ele, o portefólio.
Recomendo, vivamente, o acompanhamento deste espaço.

conversamos

Em vésperas de dia da Liberdade fico sempre entre o incomodado e o incomodativo.
Incomododado porque o tempo é curto para se falar de tudo o que queremos e de como queremos. Porque não existe quase espaço nos programas para se falar deste dia, deste acontecimento, apenas no final do programa de 6º ou de 9º ano.
Incomodativo porque procuro despertar curiosidades, trocar ideias. Como professor e como professor de História não posso nem deixo passar em claro este dia.
Troco palavras com os alunos, conversamos sobre isto e sobre aquilo, uso um ou outro exemplo, apresento memórias, peço-lhes para perguntarem em casa onde estavam, o que faziam, o que pensaram, como viveram (se viveram) essedia, esses tempos.
Há uns anos, numa escola por onde passei, convidei um colega (docente) e um pai para falar sobre este dia, as suas memórias, os seus tempos. A situação foi de tal modo intensa que houve lágrimas de parte a parte, de quem conversava e de quem ouvia. Foi, provavelmente, um dos momentos mais intensos de emoção que vivi enquanto professor (e professor de História).
Pois claro que conversamos, é a conversar ca gente se entende.

experiências

É impressionante como somos reflexo do conjunto de relações que estabelecemos com o outro, particularmente dentro de uma sala de aula.
Hoje fiz uma experiência com duas das turmas do dia. Defini um modo de estar, numa cansado, entre o amorfo e o indiferente. Numa outra empenhado, dinâmico, convicente.
Imaginam, claro está, o resultado.
Um único objectivo, procurar situações onde alicerçar a convicção que a dinâmica de grupos é determinante na gestão da relação pedagógica (não gosto nem utilizo a expressão ensino/aprendizagem), na relação que o aluno estabelece com o professor e, por intermédio deste, com a disciplina.
São experiências, é verdade, onde me conheço e percebo melhor e compreendo melhor como devo agir para centrar a relação no aluno e partir deste para um trabalho relacional e para uma construção que é social, a do conhecimento.

quinta-feira, abril 21

interessante

de quando em vez, neste imenso deserto de ideias mas cheinho de opiniões que é a blogosfera(digam lá se não sou um destes paradigmas), dou com uma surpresa destas - comunicar/publicar na internet.
parte-se, presumivelmente, da ideia que comunicar é uma e diferente coisa que publicar. O que poderá eventualmente presupor que podemos publicar e nada comunicar, mas considero mais difícil comunicar sem publicar. Mas...
ainda por cima tem lá sítios deveras interessantes. Outros nem tanto [obviamente que me refiro a este cantinho, impertinente, é verdade, despudorado, mas também nem tanto para andar a dizer mal de quem quer que seja...].
Mas que é interessante, lá isso é.

faz-de-conta

O Miguel volta à baila com um tema pertinente e perante o qual muitos de nós teimamos em não querer ver, em disfarçar, o faz-de-conta.
Ele refere-se explícita e directamente às assembleias de escola. Eu, sem qualquer desculpa pela impertinência, sou mais abrangente e pergunto quantas escolas, conselhos de turma, aulas, órgãos de gestão, reuniões de departamento ou sei lá do quê, não serão do reino do faz-de-conta.
Este faz-de-conta faz-se sentir, evidencia-se na quantidade de gente a pensar que está no tempo da outra senhora, em que existem liceus, em que a escola tem por objectivo a selecção social, que devemos premiar a méritocracia, que os meninos devem entrar mudos e sair calados, de modo a não incomodar o(a) senhor(a) professor(a), os projectos curriculares de escola ou de turma que mais não são que ideias (quando as há) avulsas de banalidades e generalidades sobre coisa nenhuma e para nada, verbo de preencher por que não enche nada nem ninguém, as áreas curriculares que viram disciplina porque não se faz ideia do que se pode fazer naqueles tempos, naqueles espaços, as incapacidades de fazer diferente disfarçadas com comentários de culpabilização do aluno, pela sua indiferença, pelo seu alheamento.
Este reino do faz-de-conta não é exclusivo da escola nem da educação. É marca genética da nossa cultura, do nosso país. Faz-de-conta até que não tenho razão e que tudo isto não passa de um faz-de-conta.
Faz-de-conta.

quarta-feira, abril 20

nem de propósito

... no zapping que faço dou por mim referenciado neste sítio (que agradeço) e dou com esta soberba frase, própria de um génio e que vai direitinha ao encontro do meu anterior post:
Se não receio o erro é porque estou sempre pronto a corrigi-lo (Bento de Jesus Caraça).
É uma cultura que não temos, que não promovemos. Apesar de o povo português usar a expressão "aprender com os nossos erros" ela foi quase que banida da escola e da vida quotidiana.
Quando digo a um aluno que pode errar, mas tem de saber reconhecer o seu erro, tem de o saber corrigir fica, entre o espantado e o estupidificado, a olhar para mim como se tivesse dito a maior das barbaridades.
E se calhar disse.
Com a certeza raramente se aprende. Nunca se avança.

imagens

Há determinadas imagens, há olhares que se nos colocam ao corpo e definem e condicionam aquilo que somos e, muito particularmente, como somos.
A Lucília, na sua elegante forma de colocar as questões, tráz à baila uma dessas imagens, a imagem que o professor tem de ser, é infalível, raramente tem dúvidas e nunca, jamais em tempo algum, erra.
É a tradição de uma cultura que premeia o saber pelo saber, a inquestionabilidade de quem sabe [de pretensamente saber], é o hábito e o modo de não se terem dúvidas, é a recusa de ser a partir do erro que se aprende, de ser a partir da dúvida que existe esclarecimento, clarividência.
Já durante a manhã esta imagem me foi colocada por uma colega quando, na sala de professores, me pergunta se a minha atitude e posição naquele momento, eram modos de se estar na sala de professores.
Que raios, há um modo de ser professor? Há uma imagem de professor? ou será que existem modos, imagens (no plural, na pluralidade) de se ser professor?

terça-feira, abril 19

à descrição

Mais do mesmo.
A senhora professora da filha (2º ano) sem qualquer tipo de explicação nem uma razão que na cabeça de uma criança de quase 8 anos possa parecer plausível ou justificável mudou-a de sítio e de companhia. A filha perguntou do porquê. Por que quero, foi a resposta.
E pronto.
E depois ainda me perguntam porque é que gosto de estar com os miúdos.
Porque não consigo aturar estes professores. Porra é demais.

É para ficar irritado

é sim senhor...
conta-me o filho (5º ano) que a senhor professora de matemática permitiu que uma aluna realizasse hoje o teste que aconteceu na passada semana, uma vez que a menina tinha estado doente. Óptimo.
Conta também que após a menina ter entregue o teste a senhora professora, enquanto a turma realizava um exercício, o corrigiu. Óptimo.
Só que após a correcção aproveitou um momento de sossego e disse, em voz bem alta, tens zero, és um zero e atirou o teste, com desprezo, para a secretária da menina.
A menina passou o intervalo na casa de banho a chorar e a dizer que não queria ir a mais aula nenhuma.
Se isto não irrita, o que será que irrita.

irritação

Há professores que se sentem irritados com a escola, com a sua profissão. Há professores que me irritam por que estão eterna e permanentemente insatisfeitos, desconfortáveis na sua pele. Por tudo o que se faça, por tudo o que se disponibilize, por tudo o que se possa pensar, fazer ou ser por estas pessoas, estão sempre desconfortáveis.
Não sabem fazer mais nada. São professores. E nem professores sabem ser.
Será que tenho de aturar esta gente? Que ganhamos nós com eles? Como se sentirão os alunos numa sala de aula com pessoas irritadas, desconfortáveis, descontentes?
Irritam-me.

surpresa

Tenho que reconhecer que a princípio estranhei o texto e a escrita do Paulo, daí a minha tardia referência ao seu canto.
Mas também tenho que reconhecer que, de quando em vez, me entranho nos seus textos, nas suas ideias. Será, porventura e com toda a minha impertinência, um dos poucos blogues do dito ensino superior que me surpreende. E me surpreende pela positiva.
Pelas considerações que tece, pelas cumplicidades que pressupõe, pelas conivências que destaca, pela insensatez opinativa de muitos profetas que desvela, pela inconsequência que desmonta em muitos textos, pela pertinência e pela assunção do seu próprio carácter opinativo, pelo desvio acdémico que de quando em vez assume.
Este texto vai nesse sentido. Fundamentado. Coerente, sólido, consistente. Mas opinativo. Vale a pena perder todo o tempo e ganhar um pouco mais de sentidos.
Parabéns Paulo.

paisagem e gabinete

Há quem tenha a sorte (será privilégio?) de ter um paisagem bucólica onde se descansa a vista e se distendem ideias. Como há quem tenha o prezer (será privilégio?) de usufruir de um gabinete.
Reconheço, assumo a minha inveja (é por estas e por outras que este país não sai do buraco, por causa destas invejas, quem o diz é José Gil). Não exigiria um gabinete, contentar-me-ia com um pequeno cantinho onde pudesse estar, ler, organizar ideias, escrever devaneios, preparar uma sessão.
Mas não tenho. Mas não deixo de estar, de ler, de organizar ideias, de escrever devaneios, de preparar as sessões de trabalho com os aluno.
Não tenho, então invento, desligo do ambiente. Isolo-me. Finjo que fujo e que tenho uma paisagem alentejana em fundo, agora salpicada entre o castanho seco e o verde pintalgado de papoilas e margaridas.
Não tenho. Então imagino. Imagino e construo o futuro com o que tenho, com o que posso. E, se quisermos, podemos tanto.