quarta-feira, junho 21

companhia

e depois há a companhia dos sonhos, ou o seu inverso, isto é, do Mário;
ele é um dos principais, senão mesmo o principal (ir)responsável por eu escrever por estas bandas;
bastas vezes trocámos ideias e comentários, cruzamos opiniões e esta vontade da escrita;
vai na volta e pensamos em escrever em conjunto; acontece que foi em tempo de férias, na lassidão do Verão (que hoje começa), e isso não se proporcionou;
felizmente;
os seus textos, o seu cantinho dá-nos a oportunidade de descansar o pensamento em textos e ideias à volta dos sonhos;

escrita

por vezes penso que este meu canto é desconhecido, que passa despercebido;
procuro nele cruzar ideias sobre projectos pessoais, ideias individuais, sonhos e alguns pesadelos que me acompanham no dia a dia;
mas sempre pensei e considero algum do receio em escrever para além de mim mesmo; o despir palavras e sentimentos é algo que constrange;
considero que a Patrícia tem esta qualidade; a assumida capacidade de se despir de palavras (e, diga-se, de preconceitos) e desvelar sentimentos, aquilo que vai fundo na alma e nos sentimentos;
chamo a atenção dos que por aqui passam para um conjunto de pequenos textos que revelam uma grande pessoa;
textos simples, bonitos e claramente irreverentes.

terça-feira, junho 20

apontamentos

um apontamento solto sobre um projecto;
O desafio de construir a disciplina (ideia e conceito) enquanto narrativa pedagógica, política e educativa, isto é, um construto que para além de social e político é eminentemente contextual e ideológico (reflecte uma dada ideia de escola, uma dada ideia do posicionamento do aluno e do professor, do Estado e da escola), e definido numa triangulação entre o conhecimento das ciências da educação, as orientações da administração educativa (tutela e órgãos executivos) e actores locais na interacção social e pedagógica;
qual o referencial que enquadra a ideia de disciplina? que suportes se podem inventariar? o que fica do que passa (na evolução legislativa, particularmente na democracia)?

exames

começou, ontem, a época de exames;
duas notas;
gostei da observação da JCP, a apelar à avaliação contínua, à participação do aluno na sua avaliação, à consideração de outros momentos e outras circunstâncias que não apenas o exame, redutor de ideias e do trabalho desenvolvido;
gostei da descoberta de alguns jornais diários na afirmação que os alunos de ciências saem claramente beneficiados nos exames, por terem mais dias para o estudo - desde o fim das aulas à realização da prova - em detrimento dos alunos de letras, que terminaram no mesmo dia e que ontem começaram os exames;
entre um e outro dos apontamentos a manifesta sensação que nem os exames cumprem o seu ritual (de certificação exterior) nem que há propostas credíveis alterativas a implementar no contexto pedagógico.
Resumindo, tudo na acalmia dos deuses e em preocupações outras.

quarta-feira, junho 14

tom

há muito que não chamava a atenção para o blog do Luís Carmelo;
faço-o agora, porventura a destempo, considerando a importância e a pertinência do tema que ultimamente pulula no seu canto, numa relação que procura criar um tom entre blogues e escrita;
interessante, deveras interessante e a não perder a leitura, para que possamos perceber outras significações do nós e desta escrita;

objectos

ontem, em conversa com um colega, em âmbito profissional, considerei deveras interessante um tema que se levantou; a construção de objectos singulares para percebermos o seu conceito global; isto é, há necessidade de isolar e criar objectos específicos, seja por uma contrução artística ou conceptual, seja pela delimitação do conceito, para percebermos que não podem viver isoladamente, não são nada sem o seu contexto;
o exemplo partiu da consideração singular, isolada das ideias de paisagem/património/arte;
nenhuma destas ideias pode viver sem a outra; exemplos? a paisagem do douro vinhateiro é candidata a património mundial; a arte é feita sempre e incontornavelmente em função de um dado contexto (que é social, económico, cultural, mas também patrimonial, paisagístico); finalmente, só há património se existir intervenção humana, que altera a paisagem (física ou humana) conferindo-lhe algum sentido (artístico ou funcional);
interessante a conversa;

da demissão

ainda a propóstio de uma entrada neste quadro (a propósito da demissão do órgão de gestão da escola do meu filho), um colega pergunta-me se teriamos de ter dado por alguma coisa, se somos vistos ou achados nesse processo - quando refere o nós, é o nós pais/encarregados de educação;
ora aqui está uma evidência da claríssima falta e oportunidades dos professores;
então se andam por aí a dizer que os pais irão ser chamados a avaliar os professores não seria agora uma óptima oportunidade de comunicar das suas razões aos pais? de chamar para o seu lado, de acordo com razões e argumentos, os pais/encarregados de educação? não seria uma óptima oportunidade de juntar o binómio pais/professores contra o sempre omnipresente Estado omnipotente? não seria uma esplêndida oportunidade de considerar os pais como parceiros em interesses e objectivos que serão certamente pedagógicos e profissionais na defesa dos alunos?
são estas pequenas faltas de sentido que fazem com que a escola (e os professores) fiquem cada vez mais isolados, a bradar contra os céus!!!!

insatisfação

não sei o que fazer, nem como proceder;
a insatisfação generalizada é um hábitus português que apenas procura nos outros, do lado de fora de nós mesmos, pretextos e desculpas para a nossa generalizada desqualificação;
se está calor é porque está calor, se chove é porque chove, se está fresco é porque está fresco; independemente das circunstâncias a culpa, essa, ou é da câmara ou é do governo;
esquecem-se é que existe S. Pedro (?), esquecem-se é do nosso contributo para os efeitos de estufa, para o aquecimento global, para o El Niño, e para tudo o que se encontra associado ao desgaste do nosso ambiente;
de vez enquando sinto esgotar a paciência; não há pachorra;

terça-feira, junho 13

metáfora

peço antecipadamente desculpa, mas não encontro uma metáfora tão adequada ao que ontem senti que não seja traduzida na afirmação que me senti apalpado;
em conversa com um protagonista das cenas político-partidárias da cidade, que não as minhas, abordou-me de tal modo sobre a cidade, que me senti apalpado quando à possibilidade, viabilidade, oportunidade de se criar um movimento cívico alternativo aos partidos políticos para concorrer às próximas eleições autárquicas;
pois!?!?!?!?!?

fechou

no início do mês fechou uma das livrarias da cidade de Évora;
a única aberta ao fim-de-semana;
a única que disponibilizada títulos da Editorial Notícias, a qual era proprietária;
de acordo com comentários dos funcionários (todos despedidos) será a perspectivar a abertura de outros espaços de maiores dimensões;
até lá Évora fica, uma vez mais, parada, suspensa num marasmo que a todos procura entorpecer;
até quando?

segunda-feira, junho 12

da discussão

ainda sobre a discussão em volta da proposta do ECD quem tem ficado deveras mal visto no retrato são os professores, os profissionais da educação;
os argumentos atirados ao ar caiem, na generalidade dos casos e das situações, em cima de quem os atira; são de tal modo constrangedores e confrangedores que apenas envergonham quem pensa e reflecte sobre a sua organização;

curtas III

troquei ideias com um colega sobre a discussão da moda, a proposta do novo estatuto da carreira docente;
apenas dois apontamentos;
afinal o colega concorda com Bolonha e concorda com o sistema de avaliação da administração pública, o tal SIADAP; dois dos elementos exteriores (estranhos?) a uma classe que era especial e que fruto de circunstâncias várias, perdeu esse direito; Bolonha uniformiza a formação inicial, na qual se incluem os mestrados, o SIADAP define o processo de avaliação (metodologias, objectivos, quotas);
quanto a Bolonha não digo nada, por assumir ainda uma parte significativa de ignorância, quanto ao SIADAP não concordo com a metodologia nem com a lógica; considero necessáira a valiação de desempenho, mas não com teores exclusivos de lógicas quantitativas; há outras também viáveis e possíveis e necessárias;

curtas II

o conselho executivo da escola do meu filho mais velho demitiu-se;
segundo rezam as crónicas por desacordos com a direcção regional;
pois, e alguém deu por isso?

curtas I

tenho dois sítios onde escrevo coisas minhas, ideias soltas, apontamentos diversos que designo de curtas;
curtas textuais e curtas fotográficas, são os espaços de divagação e memória que~, por dificuldades de acesso à net, ainda não partilho (resta-me perceber se algum dia partilharei);
são algumas dessas ideias que hoje aqui deixo;

terça-feira, junho 6

da disciplina

trabalho, em termos de projecto de investigação na área da educação, o conceito de disciplina; procuro, a partir deste conceito, construir duas ideias (ainda não sei se serão argumentos, teses ou simples hipóteses de trabalho);
por um lado que o conceito valeu por si, durante a 1ª república como elemento justificador de um novo regime político, depois, durante o Estado Novo, como forma legitimadora de um construído político e ideológico de um cidadão "com tino e compustura";
na democracia, durante a construção do regime democrático (que se efectua no dia-a-dia) o conceito de disciplina sofre uma tensão, sente-se entalado entre, de um lado, a legitimação de um novo regime político e, do outro, a construção da pluralidade do sujeito;
é esta tensão, são estas aparentes contradições que fazem com que o conceito de disciplina (enquanto representação e acção), passe a valer pelo seu contrário, pela sua negação, pelo conceito de indisciplina;
é em face da incapacidade que os actores educativos, numa afirmada circularidade do poder (do topo à base e deste para aquele) têm manifestado de enfrentar estas contradições que fazem com que a temática seja recorrente e quase sempre anexa ao fim da ordem e da moral, ao fim dos valores, à decadência da sociedade, à indiferença de uns (os alunos) e ao aparente alheamento de outros (os professores);
é esta tensão que tem de ser enfrentada e torneada, sem a qual a ideia de indisciplina valerá sempre por si e não pela sua afirmação, enquato disciplina, conjunto de regras e posições fundamentais para que se possa desenvolver o trabalho pedagógico;

filme ao lado

há dias atrás a família foi toda ao cinema;
a mãe optou por entrar mais tarde, enquanto comprava pipocas e conversava com uma colega;
entrou, prescrutou a escuridão do cinema e, ne dificuldade de referenciar os restantes elementos sentou-se;
disse que se sentou equivocada, sentia dúvidas quanto ao filme, não estava a perceber nada, não se conseguia situar; por um lado porque não referenciava os restantes elementos, por outro porque pensava ver um filme e via outro;
esteve nesta hesitação mais de 5 minutos, quando se apercebeu que tinha entrado na sala errada;
levantou-se, saiu, dirigiu-se à sala correcta, procurou a família, sentou-se e riu;
é assim que me sinto em muita das situações políticas com que me confronto nos últimos tempos;
fico com a sensação que estou num filme errado, que entrei na sala ao lado, que o filme para o qual comprei bilhete não é aquele que vejo;
como a esposa, só espero que no final e esclarecido o engano, tenha vontade de rir e me sinta mais descontraído, do tipo, ufa, eu é que estava enganado, eu é que estava no lugar errado;

serviço público

há dias atrás, em conversa de café com um colega com ideias bem diferentes das minhas, apontava uma ideia clara e óbvia; que, nestes tempos, nos dias que correm, há necessidade de uma certa loucura para se assumir uma ideia de serviço público;
e é capaz de ser verdade;
os desafios são enormes, os constrangimentos apertam, alguns deslumbramentos iludem, as conversas ficam-se pelo corriqueiro lugar comum das vulgares abanalidades;
mas é nestes tempos, é em período de constrangimentos, que há que apelas à imaginação e destrinçar o acessório do essencial;
no meio de tanto ruído, de tanta poeira, como fazer esta separação? como identificar, no médio prazo, o que poderá ser útil daquilo que será prescindível?

quarta-feira, maio 31

avaliação

já agora um mix, entre a avaliação dos professores e a avaliação da administração pública, agora à luz das linhas que um tal SIADAP determina;
vai ser engraçado, e nada pacífico estou certo, a determinação de quotas de excelentes e de muito bons; como vai ser giro procurar perceber a definição de objectivos, próprios e alheios no meio de organizações em que não sabem o que andam a fazer;
o sistema integrado de avaliação da administração pública, criado pelo anterior governo e implementado por este, traz consigo um outro nível de responsabilização e dinâmica inerente às chefias; por um lado, na tentativa de ser objectivo, cria factores aleatórios de participação que vão ser difíceis de gerir organizacionalmente; por outro, na tentativa de quantificar e de distinguir objectivo de conteúdo, faz com que exista uma orientação normativa exterior à própria organização;
ou seja, de um controlo remoto burocrático e hierárquico, passa-se para um controlo funcional e de conteúdo; é o primeiro passo para o despedimentos de muitos quadros intermédios de chefias (muitos, ainda que não todos, desqualificamente inqualificáveis), como é um passo certo no combate às autonomias profissionais;
qual a zona mix entre administração pública e escola? fica ao critério de cada um determinar;

como nós

ontem fui apanhado no meio do turbilhão que é ver passar a selecção pelas ruas de Évora;
não resiti e também parei, ali fiquei especado a ver passar os artistas da bola;
no meio daquele desassossego uma velhota, na casa dos seus 60 e tantos, bem tostados pelo sol alentejano solta em tom bem audível: olha, afinal são como nós;
pois são, humanos, reais, tangíveis; na televeisão não parecem tão reais, tal o endeusamento que os rodeia, mas são, afinal, como nós;

coisas e loiças

no âmbito da discussão sobre o novo (?) Estatuto da Carreira Docente, há coisas (algumas bastante interessantes) e há loiças, isto é, divagações em torno de uma qualquer nota de música;
por partes
primeiro - opinião todos temos e deve-la-emos expressar sempre que solicitada e sempre que considerarmos pertinente, adequado, oportuno - é isto que faz com seja um incontinente verbal;
segundo - que as coisas não estão bem, é unanime, que devemos mudar muito, é assumido, que não podemos (nem devemos) continuar como estamos é do senso comum docente; que existe um claro mau estar docente e profissional é generalizado; que temos, enquanto pofissionais da educação, que tomar partido é incontestável;
terceiro - este é um período de discussão, foi apresentada uma proposta, são atiradas ideias, é definida uma linha de orientação; não concordamos, apresentemos argumentos (válidos e pertinentes, adequados e realistas - não se caia no rídiculo), tracemos alternativas (não nos fiquemos pela constatação que é mau sem alternativas, sem apresentar outras propostas, outras ideias), que não nos fiquemos pelo ponto de vista sindical (seja mediático seja profissional, pois esse é também ele um ponto de vista que tem enquistado o funcionamento da coisa); que seja assumido que não há receio nem da avaliação e menos ainda dos pais/encarregados de educação;
quarto - e fico-me por aqui, que saibamos separar argumentos e opiniões entre razão e emoção; são ambos fundamentais ao funcionamento da escola, mas deverão ser separadas e clarificados no contexto de uma discussão que se pretede profissional e plural;
só assim podemos defender uma ideia de professor, uma ideia de escola;
e nesta ideia de escola, peço desculpa da impertinência pessoal, defendo uma escola pública aberta, plural e inclusiva, perante a qual é incontornável, fundamental e insubstituível a participação de pais/encarregados de educação, mas também da autarquia, de associações...
é esta ideia de escola pública que se discute e dentro dela qual o papel de cada actor educativo;

terça-feira, maio 30

do quotidiano

Évora anda nacional, é bandeira nacional por todo o lado, montras engalanadas com as cores nacionais, ele é pinturas sobre a selecção, ele é refências desconcertantes de conversas e apontamentos;
e assim vai o nosso dia;

da violência

irá passar hoje na RTP1, provavelmente ao longo do dia e em destaque em horário nobre, uma reportagem sobre violência escolar, em concreto numa escola "problemática" dos arredores de Lisboa;
primeiro, coloco "problemática" entre aspas tendo em conta que não são referidos os factores que conduzem a essa definição; parte-se da ideia que o telespectador irá perceber os factores, que decorrem da violência;
segundo, apesar de ser crescentemente um problema, pela mediatização das circunstâncias, pela democratização do acesso, pela generalização de comportamentos desviantes, pela configuração de outros quadros de referência, a situação de violência escolar não é uma generalização, nem se pode minimamente dizer que é uma situação comum a muitas escolas;
terceiro, não sou apologista das políticas do eduquês do senhor professor Nuno Crato, mas cai que nem sopa no mel, para que o apelo ao autoritatismo, à preponderância hierárquica, a outras formas de violência, para uns legítima, se afirmar e se defender;
e isto para mim é que é grave quando não mesmo violento;

da avaliação

uma outra medida imaginada pelo Ministério da Educação consiste em que os pais/encarregados de educação participem na avaliação dos professores;
há sindicatos que afirmam que os pais/encarregados de educação não estão habilitatos nem técnica nem cientificamente para o efeito;
pois, quem está? quem estará habilitado para esse efeito?
eu, que sou professor do ensino básico e secundário, e representante dos pais/encarregados de educação da turma do meu filho daria nota negativa à generalidade dos professores daquela turma;
porquê?
pela desanteção, pelo alheamento, pela indiferença, pela pressa, pela desconcideração que têm quer pelos alunos, quer pelos pais;
já agora, só mais um pormenor; falta à tutela dizer que os órgãos de gestão também são responsáveis pela avaliação dos resultados das suas escolas e dos seus profissionais; e estes sim, são um dos principais responsáveis pelo estado das escolas;

da culpa

escrevo há tempo suficiente para estar descansado e não se poder dizer que cheguei agora, por vias socialistas, a esta ideia;
as notícias veiculadas pela comunicação social que afirmam que a senhora ministra da educação acusa os professores pelo insucesso escolar irão, quase decerteza, desencadear fogos e atear ânimos;
mas, regressando à minha escrita, culpados os professores não serão, pelo menos os únicos; mas que, na generalidade dos casos e das situações, os professores não se sentem responsáveis, isso é verdade;
a maior parte das vezes as questões do (in)sucesso são atiradas para fora do professor - ou o aluno não se empenha, ou não se interessa, ou a origem familiar é isto, ou o contexto socioeconómico é aquilo, ou os antecedentes são o outro - o certo é que, repito, na generalidade das situações, o professor não se sente responsável pelo (in)sucesso dos seus alunos, como se fosse entidade ausente/presente;

segunda-feira, maio 29

organização

no meio do combate à desertificação há uma, entre muitas, medidas que nos permitem minimizar circunstâncias;
diz respeito à capacidade de nos organizarmos, de definirmos um modo de actuação que compense a interioridade, que contrarie os resultados, que contorne alguns obstáculos;
não é fingir que somos litoral, estando no interior, que temos engarrafamentos ou horas de ponta em vielas acanhadas ou em caminhos de cabra;
a desorganização do jogo do passado sábado é disso exemplo;
anões em bicos de pés, desorganização a toda a prova, fingimento de quem pensa estar ou ser de Lisboa com a pequenez de um campo da bola que de estádio tem as intenções e de complexo as ambições;
um mau exemplo do que é o sonho de alguns e que foi o pesadelo de muitos;

desertificação

o presidente da República faz uma volta pelo Alentejo mais-ou-menos profundo e valoriza o combate à desertificação humana;
será possível e viável este combate?
que alternativas teremos nós, no interior, perante o combate à desertificação - chamo a atenção para esta questão, que poderá ser colocada de um outro modo, que fazer com o combate à desertificação?
há semanas atrás estive no interior do distrito da Guarda, onde o céu toca o verde das serras; também aí as conversas e os argumentos são de desencanto, de abandono, de frustração perante a incapacidade das gentes, e das políticas, fazerem frente ao êxodo;
se ficarmos o que nos resta?
se formos embora que teremos nós?
ao fim e ao cabo, que país queremos nós?

quinta-feira, maio 25

elogio

ando às voltas com o conceito de (in)disciplina escolar;
procuro, volto a procurar, dou voltas e reviravoltas;
faço leituras e troco opiniões num processo de construção de um objecto de estudo;
no meio de todas estas reviravoltas dou de frente com um título, que não conhecia, de Fernando Pessoa, O Elogio da Indisciplina;

da educação

ainda não tinha tido oportunidade de comentar a separação das águas, como se tal fosse necessário, entre as propostas educativas de PS e PSD, pelo menos no que diz respeito à gestão;
e a partir daqui tudo o resto;
não classifico, não opino, fica apenas à consideração e à divagação de todos quanto àquilo que pretendemos para a escola.

do sucesso

Encontra-se estacionado numa das portas da cidade um enorme camião, cor-de-rosa garrido, cheio de estrelas, que se dá pelo apelativo nome de Sucesso Instântaneo; é o que se pode ler ao longe, quase sem mais;
dá vontade, a inumera gente, de nos aproximarmos e de procurarmos o sucesso instântaneo;
mais perto percebo que é um camião dos jogos, daqueles que suportam a misericórdia e coisas que tais;
mas fica-me a questão, será o sucesso instântaneo?
poderá ser ele servido numa simples raspadinha?
como olhar para o esforço, a exigência, o rigor, o cumprimento, o método e a organização que tanto nos falam quando temos hipótese do sucesso instântaneo?
enfim...

terça-feira, maio 23

o espírito

há cartazes pela cidade que afirmam "évora, espírito de selecção";
não faço ideia do que queiram dizer com essa afirmação; será que évora é só para alguns? será que apenas alguns são seleccionados para a cidade? será que a cidade é luz, fama e confusão mediática?
sei é que o mandato irá terminar que nem ginjinhas ao meu camarada Zé;
tudo, ou quase, se compõe para esse efeito;
ele é pavilhão multiusos, ele é parque desportivo, ele é centros comerciais, ele é emprego, ele é habitação, ele é animação;
no meio de tudo isto, fica uma aparente sensação de dejá vu; ou não;

+ selecção

há bilhetes para os treino a circularem pela cidade a 15€;
há quem se aproveite, há quem faça negócio com o desejo de alguns;
ele há com cada uma;

évora

évora e a selecção nacional de futebol - um delírio, feito confusão e buzinas, bandeiras e olhares lânguidos à procura (à espera) de um autografo que dificilmente aparecerá;
uma confusão a hora do treino;

irritação

ando irritado com as minhas intermitências na blogosfera;
ora paro, ora escrevo, ora hesito, ora penso, ora repenso - caramba estou pior que o outro, não há meio de me decidir;

segunda-feira, maio 15

primeira tentativa

geralmente não faço nada à primeira; ou por defeito ou por feitio o que acontece é que tento uma e outra vez, faço uma primeira tentativa, depois outra;
para que fique registado, esta é a primeira tentativa de índice de uma proposta de investigação:

introdução
a temática - Conhecimento, decisão política e acção pública em educação
a problemática – (in)disciplina, modos de ver e estar na escola, mapeamento bibliográfico e instrumentos de análise – construção de uma problemática;
uma entrada – um novo referencial de aluno na criação de novos modelos de relacionamento entre o Estado e o sujeito;
o multiculturalismo – da unidade à diversidade; do homogéneo ao plural; do uno ao diverso;
dimensões – género, cultura, urbano, rural
,
articulação entre temática e problemática – a (in)disciplina como uma política pública, a relação com o conhecimento e a dimensão da acção pública da (in)disciplina – reconceptualização e reconfiguração de uma problemática à luz da análise cognitiva das políticas públicas;
o Estado – do quadro burocrático à pós-burocracia
o sujeito – a construção social do sujeito;
a relação social Estado-sujeito
a escola como instrumento de acção e de regulação da relação entre Estado e sujeito;
a disciplina como elemento de regulação
as novas reconfigurações políticas e organizacionais
o campo de investigação
os instrumentos e as metodologias de investigação

perspectivo, desde já, inúmeras mudanças, nem que seja para clarificar conceitos, explicitar ideias, delimitar hipóteses - tudo ainda muito ausente deste índice;

cruzamento

está difícil gerir os equilíbrios entre uma escrita eminentemente académica e uma escrita mais de carácter opinativo, como é esta;
há quem me aconselhe a suspender esta escrita;
mas, sempre que penso nisso, fico com saudades de um espaço onde sinto o fluir da escrita e das ideias, onde tenho oportunidade de divagar em torno de opiniões, próprias ou alheias;
com retirei contadores e delimitei o acesso aos comentários, não faço ideia se escrevo para mim ou se escrevo para mais gente;
cá me aguento, num cruzamento delicado de escritas.
a ver o que dá...

quinta-feira, maio 11

confusão

ontem passei a tarde numa aparente confusão; digo aparente por que falo por mim e das minhas ideias;
uma reunião onde se falou de inovação e desenvolvimento com lógicas de tradição e uso; um encontro onde se falou de futuro a pensar e a agir no presente; uma conversa onde as ideias feitas sobre mais do mesmo mas de maneira diferente imperaram;
apesar dos esforços, apesar das solicitações de que temos sido alvo e sujeito, começo-me a convencer que há lógicas que persistem, há racionalidades enquistadas, petrificadas e que apesar dos discursos irem num sentido as práticas teimam em persistir e insistir nas racionalidades tradicionais, nos procedimentos usuais, em manter o que temos;
fico convencido que a estrutura da sociedade portuguesa pouco mudou nos últimos tempos e que não será ainda desta que se procederá a uma alteração de lógicas e racionalidades, funionamentos e processos;
os quadros intermédios não deixam, interessados que estão em defender as suas pequenininhas situações e quintinhas;
assim, dificilmente lá iremos;

Maio

este é um dos meses, senão mesmo o mês mais lindo da planície alentejana; as cores, os cambiantes, as misturas, o ondular das cearas, os pássaros, o sol, o calor, as primeiras noites em que apetece estar de cabeça na lua;
falta-lhe apenas que os polens não fossem tão intensos, que as mudanças de temperatura não fossem tão bruscas, que as amplitudes térmicas fossem menores, que os amigos estivessem mais perto, que as preocupações com as calorias não se acentuassem tanto, pelo menos à volta da cintura, e seria um mundo perfeito;
assim, entre um e outro parágrafo, é apenas o que temos; e eu gosto, lá isso gosto;

quarta-feira, maio 10

nem de propósito

na sequência das ideias anteriores, nem de propósito fico a perceber qual o papel que a escola do meu filho considera aos encarregados de educação;
fui agora mesmo contactado e informado que se realizará uma reunião de Conselho de Turma às 14h30 e que, lamentavelmente, não me tinham informado por que, consideravam, não seria necessário;
assim se vê a posição que é atribuída aos pais/encarregados de educação - afinal só incomodam, só servem para chatear;

política

reforço a ideia anterior do eduquês e que há muito defendo, neste e noutros espaços;
tem faltado política e politização aos profissionais da escola e da educação;
temo-nos enredado em argumentos que variam entre o técnico-profissional (defesa da classe, enquistamento profissional, distanciação quando não mesmos snobismo, arrogância) e o pedagógico (valorização do aluno, dos contextos e dos ambientes educativos) e esquecido que enquanto nos distraímos com conversas acessórias, outros aproveitam o político para trocar as voltas, as ideias e as acções aos profissionais;
falta, tem faltado nas nossas escolas, formação e organização; formação pessoal, académicas, pedagógica, política aos professores; organização às escolas, para que se possam determinar outras respostas a problemas novos, aos mesmos problemas mas que revestem dimensões e carecteríticas diferentes de outrora;
a junção e articulação de um (formação) e de outro (organização) faz com que tenhamos andado muito pouco; se juntarmos a isto o facto de santos da casa nunca fazerem milagres e de muitos professores não serem capazes de apresentar uma ideia de escola ou de educação (para que serve, qual o objectivo, qual a organização, qual o sentido da escola, quais as dimensões valorizadas, o que se pretende daquele aluno, o papel da escola e do aluno naquela comunidade), se assumirmos que todos temos um pouco o espírito de treinador de bancada então estão criadas as condições para que o pó seja muito, a discussão sempre acalorada mas o aproveitamento, o rendimento que daí se retira muito, muito incipiente;

eduquês

a escola anda, mais do que antes, com outro tipo de conversas e de argumentos, com incidiosas opiniões, no alvo das atenções, num centro mediático que não tem nem centro nem periferia, antes de cruza entre opiniões e ideologias;
reconheço que resisti a comprar o Eduquês; primeiro por que não me revejo nos argumentos utilizados, segundo por que sou assumidamente defensor das teorias construtivistas e do papel da pedagogia (da paideia) na escola e na educação, por último e não menos importante, por que a crítica ao eduquês utiliza nem mais nem menos que o próprio eduquês, agora floreado em conversas de rigor e exigência, qualidade e certificação, exigência e liberismo educativo;
uns ou outros argumentos faceis na entrada social, na crítica aos professores, no apontar o dedo à escola e aos profissionais da educação, no achincalhar das políticas educativas, no vilependiar do que também de bom há e se faz nas escolas;
meter tudo no mesmo saco é má fé, para além de evidenciar uma profunda ignorância ao que é a educação.
de acordo com notícias da antena 1, este senhor e outros estiveram reunidos em tertúlia onde certamente a escola e os seus profissionais terão sido o alvo fácil da brincadeira, o centro daquilo que eles próprios promovem em termos de desconsideração e de facilitismo discursivo.
e tudo isto conduz ao quê?
qual o sentido final dos argumentos?
o que se pretende nesta troca de ideias e de crítica às teorias pedagógicas?

segunda-feira, maio 8

hipocrisia

ainda no contexto da análise das organizações, nomeadamente as educativas, permitam-me chamar a atenção para um título antigo (a primeira edição é de 1986) mas recente no mercado português (2006) assente numa versão inglesa de 2002;
A organização da hipocrisia - os grupos em acção: dialogar, decidir e agir assenta nos pressupostos que se tornaram dominantes, passados alguns anos, em contexto educativo e designados por garbage can ou anarquias organizadas ou as teorias da ambiguidade organizacional.
mas o título é válido, em meu entender, por outras duas razões;
primeiro porque permite destacar a antiguidade de algumas modas, afinal o mundo não nasceu hoje (nem ontem) e há temas que já têm barbas, os nossos intelectuais, os fazedores de opinião da nossa praça é que andam (ou andavam) entretidos com outros assuntos;
segundo o prefácio do prof. L. C. Lima é deveras interessante para quem quer perceber os caminhos e os sentidos da reconfiguração das políticas públicas, nomeadamente na sua vertente mais neo-institucionalista;

disciplina

na passada 6ª feira apresentei um ante-projecto de investigação (na área da política educativa) assente numa ideia - a disciplina em tensão dialéctica entre o sossego para uma relação de ensino-aprendizagem de sucesso e o desassossego necessário para a auto-aprendizagem - e em dois pressupostos; por um lado que as questões da disciplina assentam em lógicas que se podem designar por uma "microfísica do poder" (Foucault) de carácter relacional e socio-profissional, por outro, que decorre da própria reconfiguração do papel e dos objectivos que suportam a relação entre o Estado (a escola) e o cidadão (aluno, professor, pais/encarregados de educação) nesta lenta mas segura transposição do campo da burocracia (caracterizado pelas linhas hierárquicas, sentido unívoco do poder, papeis claros e diferenciados, posições definidas, formalização institucional, rigor e autoridade, predomínio da tecno-esrutura) para o que alguns autores designam como pós-burocracia (assente em sistema matriciais, diluição da relações formais e autoritárias, predomínio dos fluxos, valorização dos aspectos afectivo e orgânico);
fico na expectativa para perceber se é ou não aceite; na próxima 6ª feira será a audição e a troca de ideias com quem manda nestas coisas;

quarta-feira, maio 3

discursos

no decorrer do passado fim-de-semana foi-me possível ouvir um conjunto de discurso que ficam marcados por algum carácter gelatinoso, entre o movediço e o estaladiço;
ideia sobre políticas que procuram afirmar novos discursos, novas retóricas, uma outra narrativa política mas que esbarra na pouca consistência dos argumentos, em alguma incoerência ideológica;
típico, digo eu, de uma pretensa nova modernidade - ou de novos ricos(?);

do tempo

quando pouco há para dizer falamos do tempo;
hoje, por estas bandas da cidade de Évora, está como eu, parvo e pronto final.

voltas e baldrocas

ando às voltas com uma ideia, com um trabalho, com um projecto para o qual questiono as minhas capacidades e, muito particularmente, as minhas disponibilidades.
criar uma ideia de tese não está fácil.
já falhei dois textos, dois momentos cruciais.
na próxima 6ª feira é o 3º momento, e não há mais.
já andei às voltas com o plano tecnológico, com a educação para além da escola (claramente o mais interessante), neste momento troco ideias entre a disciplina e os sentidos do trabalho escolar numa relação entre autoridade do professor e reconfiguração das relações sociais entre Estado e cidadão;
durante a semana tenho estado ausente por quase que completamente absorvido na recuperação de leituras, de algum do tempo, de algum do trabalho desenvolvido.
amanhã é inteiramente dedicado à escrita
assim saia alguma coisa.

quarta-feira, abril 26

do público

geralmente há duas ou três ideias feitas sobre o trabalho que se desenvolve na administração pública;
ou é pouco e quase todo ele alentejano, isto é, lento, moroso e burocrático;
ou os chefes têm grandes poderes e grandes tachos;
ou qualquel outro conjunto de situações;
pelo trabalho que desenvolvo no âmbito da administração pública, e já passei por alguns lugares, não tenho esta imagem;
pelo contrário, há qualidade nos serviços que se desenvolvem, pessoas interessadas, competências e disponibilidade para que os processos não fiquem a dormir;
mas também é verdade que os serviços estão organizados disformemente, que não existe confiança, nem administrativa nem organizacional, para já não falar em política ou técnica;
como resultado disto, sinto que nem instrumento sou; não há orientações, apenas quotidiano; falta uma linha estratégica, a não ser aquela que eu desenho; falta equipa, no que sobra em alumas individualidades;
começo, lentamente, a descobrir que ainda não será desta que nos adaptamos a outros modos, a outras formas de organização, outros processos de trabalho;
teria que doer mais, muito mais, para que efectivamente nos sentissemos arrancádos à estagnação e fossemos em frente.

distância

por acaso [?] estou fora da escola, apesar de a continuar a pensar, a sentir e a considerarmos, antes de qualquer outra coisa, professor do ensino básico e secundário;
no entanto, em miha casa nunca foi hábito a entrada e saída de professores, as conversas em torno da escola, da educação, dos alunos, das políticas, dos medidas e da legislação, ao fim e ao cabo das coisas que moem a cabeça aos professores;
penso que um dos poucos momentos que tive oportunidade de trocar ideias profissionais de modo descontraído foi quando o Miguel me deu o prazer da sua visita;
e é com ele que tenho mantido uma agradável conversa, assente na distância, no olhar comum, em algumas divergência e, muito particularmente, na amizade da qual faço questão de encher a boca com que ele me brindou.
nunca acharei demais, obrigado Miguel.

visual

desde que ando nesta blogosfera que tanto eu como o Miguel somos tentado a mudar frequentemente de visual.
restam-nos as ideias e a coerência, a persistência de há muito dizermos, pensarmos e escrevermos quase o mesmo.
mas há que mudar, nem que seja para que quase tudo fique na mesma.

segunda-feira, abril 24

escrita

neste meu cantinho, ou noutros que tais onde deixo ideias e solto apontamentos, a minha escrita sai de mdo quase que automático.
vou pensando e escrevendo, numa quase simultaneidade de acções.
quando me chego ao meu computador, para escrever ideias sobre um tese, aí é que são elas, um quase estancar da escrita, uma quase secura de ideias.
sábado à noite fui com energias sufientes e disponibilidade bastante para escrever. sento-me, ligo o computador, arrumo os papeis e organizo as ideias e vá de ... não escrever nada.
não saiu uma letra, quanto mais uma linha.

imprensa

esta notícia, do aparecimento físico de um meio de comunicação social quase sempre virtual, desperta em mim curiosidade.
por um lado para perceber da capacidade de afirmação local/regional.
a comunicação social eborense tem sido sucessivamente atravessado por uma profunda turbolência, que faz com que apenas um título (o Diário do Sul) resista, para além de um outro ligado á igreja (a Defesa) .
depois disto ficamo-nos pelo deserto.
houve em tempos e em fase de uma ou de outra onda, tentativas de reedição, de afirmação jornalística.
seria fundamental, na e para a afirmação social e política da cidade, que outros meios de comunicação social se afirmassem, mas dificilmente o conseguirão fazer fora de fortes ligações que condicionam, ou delimitam, a sua afirmação.
esta nova tentativa aparenta fazer o que os outros já fazem, distribuir equilíbrios por sensibilidades e opinões, chamar a si os nomes já consagrados, jogar em alguma segurança, em equipa feita por outros.
reside aqui exactamente a sua aparente fragilidade.
por um lado por que dificilmente estes nomes consagrados apresentarão aqui as suas novidades, obviamente que as guardarão para a sua referência.
depois por que se perde em capacidade de arriscar, de inovar, de apresentar outros pontos de vista, outras formas de organizar a informação, outros modelos de comunicação.
mas que faz falta à região disso não tenho dúvidas.

quinta-feira, abril 20

dívida

o diário de notícias de hoje traz um apontamento sobre o endividamento das autarquias.
folheei o jornal na procura de apontamentos sobre esta minha/nossa santa terrinha e outras que tais por estas bandas alentejanas.
para quem ainda não o leu aconselho-o vivamente.
sabem por quê?
é que as únicas localidades (entre vilas e cidades) a sul do Tejo que aparecem são Setúbal, Palmela e Faro.
o Alentejo?
das duas três, ou não foi alvo de estudo, ou se esqueceram dele ou estamos naquele limbo que nem bem, nem mal, antes assim.
um estado que entre o pobrezinho, mas honesto, marcadamente do tempo da outra senhora, e o mais vale parado que morto, do politicamente correcto e juridicamente inóquo de uma modernidade tardia, faz com que esta região dependa de terceiros para o seu próprio e sustentado desenvolvimento.
até quando? pergunto eu.

dimensão

quem acompanha a minha escrita, particularmente ex-alunos, queixam-se que o tamanho das postas tem crescido.
antes apresentava pequenos apontamentos, ideias soltas, de fácil e particularmente rápida leitura.
ultimamente alargo o texto, desdobro ideias, arranjo mais confusão.
pois é, na certeza dos mundos serem outros que não os da escola, se descobre como nos condicionam a escrita.

mercado

entrei hoje, pela primeira vez, no mercado municipal de Évora.
gostei.
bonito, amplo, numa simpática articulação de materiais e texturas, entre o granito, o mármore, o ferro fundido.
iluminado de forma natural, evidente na sua mostra de produtos e serviços.
uma clarissima demonstração como as tecnologias podem influenciar, quando não mesmo determinar, a tradição. Isto é, pelas características da arquitectura, pela determinação de fluxos de circulação, pela organização do espaço o comérico tradicional sente-se obrigação de procurar outras respostas para problemas de sempre, o de atrair clientela.
aquele espaço, o espaço do mercado municipal, é, no meu entendimento, uma das grandes afirmações da cidade de Évora como palco de uma urbanidade marcadamente europeia.
valeu apena o atraso? penso que sim. Évora fica bem servida.
Falta apenas um pequeno apontamento de outras memórias. O espaço entre o mercado das hortaliças e a peixaria destinado à massa frita.

aluno

na procura, quase incessante, quase paranoica de um tema de tese que me permita articular três dimensões (conhecimento, decisão política e acção pública em educação) na impossibilidade de casar o associativismo juvenil, por claro impedimento, regresso a um tema que me é caro e no qual tenho trabalho há já vários anos, o aluno.
a partir de dois princípios, por um lado a legislação que define o estatuto do aluno do ensino não superior (decr. lei 270/98 e lei 30/2002) e partir destas para perceber as dimensões sociais (valores, ideologias, princípios e ideias) que partem da escola para a sociedade, como se condiciona o devir social a partir de uma política educativa;
por outro, procurar peceber quais os caminhos da construção de sentidos ao trabalho desenvolvido na escola;
o aluno, sendo um elemento de ligação entre múltiplas esferas (um go-between, nas palavras de Perrenoud) permite analisar, considerando como foco de estudo e sujeito de observação, diferentes realidades, duas das quais são determinantes neste (e num qualquer outro) princípio de século, a dimensão profissional dos professores e a organização da escola.
a pergunta, para já, é se irei a tempo de apresentar um projecto minimamente coerente, minimamente estruturado.

quarta-feira, abril 19

festa

no sítio onde estou, IPJ, iniciam-se hoje as festas do 25 de Abril.
irão dizer que é um movimento de revivalismo, de regresso ao futuro.
será? como será?

medo

pergunto-me, perante o envelhecimento, a proximidade do fim, se a minha mãe tem medo de ter um cancro ou se apenas tem medo de não o ter.

às voltas

de volta, com estas voltas e reviravoltas que fazem e me obrigam a estar ausente, longe daqui.
não foram nem férias nem pausa, apenas distância, inacessibilidade, contrariedade.

segunda-feira, abril 3

informação

um dos jornais de fim-de-semana publicou aquilo que designa como estratégia de informação do governo e em particular do primeiro-ministro. Quer na consertação de ideias, quer na definição de timmings de execução.
Até pode ser que tenha razão e que, entre outras medidas, uma das estratégias assente na informação, naquilo que outros designavam como central de comunicação e informação.
Mas não há partido, nem governo, nem produto nenhum que se aguente se não aliar conteúdo ao embrulho, pode ser mais tarde, pode ser depois, mas existirá sempre a revelação da desadequação entre o que se promove e o que efectivamente se obtém.
quanto ao timming ele é inerente à acção política e só por distracção se poderá culpabilizar quem quer que seja.
Porventura o que o jornal não gostará é de perder exactamente esta possibilidade e este constrangimento público, circunstância que até o faz perder vendas.

aflito2

passei um fim-de-semana sem internet, coisa que não é vulgar uma vez que desde que mudei para o campo que não tenho internet.
Mas acresce a isto o facto de ter passado um fim-de-semana apenas com os 4 canais de televisão terrestres.
Um sacrífico, uma pena demasiadamente pesada.
Sobraram poucos apontamentos e quase que exclusivos à 2. Como registei o regresso de csi;
isto é uma cosia impensável e há pessoas que não têm cabo.
Devia ser uma medida a incluir no serviço público básico.

quinta-feira, março 30

Estado

Serão hoje apresentadas, segundo tudo indica, as linhas de orientação da reforma do Estado, do qual existem inúmeros comentários, algumas vozes, mas muito poucos argumentos.
fala-se da extinção de serviços, da fusão de outros, da reorganização de outros ainda. Da alteração das tutelas, da redefinição de conteúdos, de funções e funcionalidades, de objectivos e de estratégias.
globalmente não haverá nada nem ninguém que não concorde, pelo menos genericamente, com a ideia.
Este Estado que temos e que conhecemos não nasceu assim.
Formou-se ao longo do período da ditadura (centralizador, desconfiante relativamente ao cidadão, hierárquico, constrangedor, homogeneizador), consolidou-se com a democracia (nomeadamente no alargamento da sua influência, na gestão de interesses, na abrangência partidária, no imobilismo técnico, no rigor desqualificante).
Hoje todos percebemos que o Estado não pode nem deve continuar como até aqui. Hoje facilmente temos consciência que tem de mudar.
Mas só pode mudar se duas condições, dois factores determinantes mudarem.
Por um lado, em face de uma assumida confiança nas pessoas. Sem esta confiança, sem este estabelecer de laços e de uma relação consistente não há nada que nos valha. Não estou preocupado com partidos, clubes ou simpatias. Estou apenas a afirmar a confiança pessoal e técnica que não tem existido.
Por outro na assunção das responsabilidades que sustêm as autonomias pessoais. Sem esta assunção, que muita das vezes culpabiliza os outros, o sistema, o governo, os chefes, nada se alterará. E esta assunção passa quase que exclusivamente pela formação. Não basta a formação inicial, há necessidade, é imperioso desenvolver uma consciência reflexiva e avaliativa que permita ultrapassar quezílias fulanizadas e implementar lógicas organizacionais.
Entre a confiança e a responsabilização oscilará muito do nosso futuro, muitas das oportunidades de (re)afirmação do Estado.
E atenção, defendo o papel determinante do Estado, na regulação não apenas económica (provavelmente esfera onde cada vez faz menos sentido), mas enquanto elemento estruturante da regulação social e cultural.
É esperar e ouvir, uma vez que, pela segunda vez, o governo de Sócrates consegue manter no fundo da gaveta as ideias e as principais notícias, circunstância que, estou certo, será alvo fácil de críticas por parte da esquerda pertensamente defensora da participação.

aflito

por razões tecnológicas que qualquer racionalidade lógica desconhece, a minha caixa negra de acesso à tv cabo emperrou.
Diz-me a rapariguinha da loja que é problema de software, bloqueou quando fazia a actualização.
pois e então quando desbloqueia?
ai meu caro senhor, isso não depende nem de mim nem de Deus. é do sistema.
tábem, mas há alguma previsibilidade?
nada. é esperar.

resultado, estou de regresso à idade das trevas, apenas os 4 canais areais, sem internet e sem telefone fixo.
se isto é o choque tecnológico já estou frito.

obrigado

é impressionante como pessoas que nunca se viram conseguem, por intermédio da escrita e das ideias, trocar sentimentos e ficar próximas.
tão próximas que, por vezes, o silêncio é ruidoso e constrange.
vale-nos a vida, quando as coisas não nos correm bem. Valem-nos as amizades.
este post tem nome, chama-se Miguel Pinto e só lhe tenho a agradecer a amizade.
obrigado.

quarta-feira, março 29

topografia

no contexto do trabalho académico que procuro desenvolver, em torno das políticas educativas e da dimensão educativa do movimento associativo juvenil, encontro-me algo enterrado, emperrado.
uma colega, ao procurar descrever um esboço da sua problemática, utilizou a metáfora da topografia.
nem mais.
este percurso é marcado por uma topografia irregular, disforme, nuns momentos em alto, onde consigo pensar e escrever, digerir ideias e leituras, apontar pistas e hipóteses, ver para além do meu próprio horizonte.
Outras claramente em baixo, numa pediplanície onde, aparentemente, não existem constrangimentos mas onde não nos apercebemos do evoluir, do caminhar, do percurso feito a não ser quando paramos e olhamos para trás e temos noção do percorrido.
neste momento estou nesta fase, entre o descendente e a planície. Sinto claras dificuldades de leitura, de escrita. Estou emperrado. Nas últimas duas semanas não escrevi uma linha, situação que é manifestamente grave numa faculdade e com um orientador que procura, incistentemente, conteúdos, redacções, textos.
há que continuar o caminho.

mimetismo

manifestamente em favor da corrente a CGTP convocou uma manifestação de jovens contra a precariedade no trabalho.
será que procura ir a reboque de desinteresses franceses e e trazer para Portugal uma problemática mal colocada?
mal colocada tendo em conta que a juventude portuguesa se depara com inúmeras situações adversas, mas esta manipulação e o claro mimetismo não fica bem a uma intersindical ela própria à procura de novos espaços e de novos protagonistas.

espaço

depois da tomada de posse do novo presidente da República este tem sido notado pela ausência, pelo silêncio.
não creio que seja para durar muito ainda que uma das lógicas que subjaz a Cavaco Silva (será mito?) seja a de alguma distanciação face aos media.
contudo e na sequência do congresso do PSD e do agendamento do PP parece algo claro que a direita procura o seu novo espaço, uma nova forma de afirmação e de demarcação.
pela primeira vez confronta-se com o poder em Belém e, ainda por cima, sendo esse poder um dos seus fantasmas.
há, em face desta nova distribuição, que criar novos espaços, novos protagonismos que, não caíndo no rídiculo e no vazio das propostas e das ideias, seja capaz de criar alternativas políticas.
vamos ver é se acordam a tempo.

Alentejo 2015

Foi ontem apresentado, na CCDR, com alguma pompa mas sem grandes circunstancialismos, as linhas estratégicas do percurso que pretensamente nos conduzirá a 2015.
Na ausência de um ministro claramente fora do tempo e desenquadrado de contextos e de muitas das realidades políticas nacionais, houve espaço para que um dos seus secretários de estado apresentasse as linhas gerais do que será o novo QCA e para que o Prof. Augusto Mateus, há muito estudioso da realidade económica alentejana, sintetizasse os grandes objectivos, as metas em torno das quais terá de existir algum consenso. Um apontamento onde são visíveis alguns dos mitos que rodeiam o Alentejo, afinal não é uma região intensamente desfavorecida (faz a ligação entres o pelotão avançado e a retaguarda – em 7 regiões está num 4 lugar, em termos de competitividade e coesão), tem potencialidades endógenas há muito reconhecidas e algumas já afirmadas, tem ritmos perfeitamente distintos de afirmação, entre o litoral e o Baixo Alentejo, entre as mais valias empresariais e as afirmações industriais, entre outros, num trabalho que aconselho a ver.
Eram visíveis na plateia inúmeros protagonistas locais e regionais, organismos desconcentrados da administração pública, autarcas, quadros técnicos, sindicalistas, empresários, etc.
No computo das afirmações, algumas marcadamente lugares comuns, outras em tentativa de romper com o senso comum, foi também visível, pela ausência, um factor determinante e que neste momento o Alentejo não tem, uma liderança.
Para que o Alentejo se afirme, para que seja possível alcançar o pelotão da frente, por que é possível para além de ser desejável, há que se afirmar uma liderança que afirme a democracia, isto é, respeite as diferenças políticas e partidárias, acentua as pluralidades regionais, dê destaque às particularidades pessoais e visibilidade às especificidades locais mas que, para além de tudo isso, seja capaz de congregar em torno de si uma ideia mobilizadora, uma força impulsionadora, uma liderança que afirme um projecto.
E isso, neste momento, o Alentejo não tem.

terça-feira, março 28

idade

habitualmente não tenho problemas com a idade, com o passar dos tempos e o fluir das Primaveras (quase 43) que já cá cantam.
Um dos velhotes que me ajudou a crescer sempre disse para me sentir bem com a idade, para disfrutar cada ano pois só o temos uma vez, para o disfrutarmos como único sabendo que virão outros.
e, algo pretensiosamente, não tenho sentido muito este peso que me confere a ternura dos 40.
mas este fim-de-semana fui confrontado com as diferenças etárias e com as consequentes diferenças de perspectiva que acarreta essa diferença. De tal modo que um jovem, na casa dos 20 e pouco, me confrontou e disse que pertenço aos velhos, aos outros.
ficou-me atravessado na garganta, qual espinha, ao longo de todo o fim-de-semana. É um facto, é um dado incontornável perceber que, apesar de não sentir as diferenças, elas existem e cada vez mais se acentuam.
Tempos e idade.

expectativa

digo uma vez mais que Koeman não é dos treinadores que desperte em mim grande entusiasmo. Contudo, reconheço-lhe méritos na gestão da equipa, nomeadamente na liga dos campeões onde soube montar estratégias persuasivas e eficazes. Cá por casa tem sido mais difícil de gerir, circunstância que faz com que haja, de forma efectiva, uma equipa de consumo nacional e uma outra para inglês (e espanhois) verem e admirar.
Como será hoje a equipa? a equipa de hoje não é inglesa, não tem um modelo esteriótipado de futebol e os treinadores conhecem-se e prezam a mesma escola. Resultado do confronto? no final do jogo logo lhes direi, mas vou no empate a uma bola.

....

cheguei ao fim do meu moleskine.
durou de meados de Outubro a final de Março.
são apontamentos diversos, ideias soltas, pensamentos dispersos de um itinerário académico, numa tentativa de estudar as políticas educativas para além da escola.
venha outro.

segunda-feira, março 27

sinais

as medidas propostas pelo governo de Sócrates, no contexto da designada reestruturação do Estado, desencadeia um conjunto diverso de sinais.
uns preocupantes, outros reveladores, outros que esclarecem e outros ainda que ocultam.
preocupantes quando são solicitados sacríficios aos portugueses, apesar de existir um amplo consenso, e de repente sentimos que pode haver o refrear de ânimos, o condicionar da acção política, o apelo a que tudo se mude para que tudo fique na mesma. Faço votos e para isso trabalharei para que assim não seja.
reveladores do peso que algumas corporações (desde sindicatos a ordens, desde lbies de interesse a grupos de intervenção) adquiriram e da petrificação social e política que impuseram a determinadas áreas profissionais. Há tempos M. S. Tavares escreveu, e bem, que todos concordamos com as medidas de reestruturação desde que não nos afectem. Percebemos facilmente os comentários daqueles que não são os profissionais abrangidos e as diferenças com aqueles que sentem na pele as mudanças.
esclarecedores de qual o papel que se pretende para o Estado neste início de milénio. Obrigatoriamente diferente daquele que se afirmou no início do século XX e que se consolidou no pós guerra. As situações são outras, os contextos manifestamente diferentes, as exigências muito mais altas, os índices de participação e representatividade claramente outros. Não pode o Estado, seja ao nível da educação, da saúde ou da justiça, permanecer imóvel como se nada se tivesse alterado à sua volta. Haja capacidade, ousadia e temeridade (aquilo que alguns chamam de obstinação) para levar ávante esta reconfiguração.
Agora o que me preocupa é começar a sentir que existem sinais que há interesses que se insurgem. Uns dizem que decorrem do "aparelho" do PS (seja isso o que for), outros dos poderosos grupos de interesse que se movimentam em torno de áreas ou sectores de actividade (assim não têm rosto, são tudo, não sendo nada). Outros apontam as fugas cirurgicas de informação que causam constrangimentos e promovem agitações sem sentido e, particularmente, sem fundamento.
Passado pouco mais de um ano sobre a tomada de posse deste governo socialista há sinais que devemos levar em consideração e saber interpretar. Serão apenas sinais? sinais do quê? sinais para quê?

contradições

Não sei se é uma contradição se apenas um desabafo. Como não sei qual a dimensão da legitimidade e da fundamentação da ideia.
Mas cham de contradição ao facto de num tempo marcado pela aldeia global em que tudo sabemos sobre quase tudo, quase tudo nos passa despercebido.
Ou seja, sinto que cada vez mais há um escasso número de fazedores de opinião, essencial quando não exclusivamente lisboetas, que determinam modas, fazem as ondas, definem o que é in ou o que está out, condicionam gostos e, não menos importante, criam as manchetes editoriais.
Cada vez mais me apercebo que neste Portugal interior, desde a aldeia à cidade, passando pelas inúmeras colectividades, há cada vez mais e cada vez melhores acontecimentos.
Em Beja, durante a semana, começou sábado, marca presença um evento claramente diferente sobre jazz.
Em Portalegre há uma constante dinâmica musical e artística que marca ritmos, dita correntes.
Em Évora é uma miríade de acontecimentos, uns pequenos, outros grandes.
Em Sines é um centro de arte que orgulharia qualquer cidade europeia.
Em Mértola são dinâmica culturais que cruzam mundos e definem olhares.
Em Montemor-o-Novo são cruzares de culturas e de artes.
Em Alcáçovas são dinâmicas juvenis que determinam dinâmicas e ritmos.
Tantas e tantas coisas podiam ser referenciadas, apontadas.
Manifestamente quando olhamos para as diferentes agendas culturais dos municípios alentejanos facilmente nos apercebemos da quantidade de coisas, de dinâmicas, de acções, de projectos, do fervilhar de ideias. Para já não falar daquelas que por razões várias, ficam a marinar em lume brando, à espera de melhores oportunidades, de outras condições.
E nós sabemos sabemos o quê? o que circula como notícia? o que é facto jornalístico? com o que deparamos quando acedemos à televisão?
e não é uma situação excluvia desta região, do Alentejo profundo. É uma consciente contradição que alguns fazedores de opinião teimam em afirmar e que alguns editorialistas em fazer passar.
valem-nos alguns blogues que permitem conhecer outras dinâmicas, permitem cruzar outras perspectivas, e apercebermo-nos de outros prontos de vista.

quinta-feira, março 23

participação

entre amanhã e sábado tenho oportunidade de participar numa iniciativa que permite a discussão sobre a construção de políticas públicas de juventude.
é uma iniciativa que tem como principal imagem de marca procurar juntar todo um conjunto de características que marcam a juventude com a criação de um fórum de debate sobre políticas públicas.
entre a festa e o debate, discutem-se políticas de juventude.

lata

irritam-me as pessoas que pensam que Portugal é só delas.
há pouco, ao circular pelas ruas desta cidade, há uma senhora que resolve parar em plena faixa de rodagem no meio da Praça de Giraldo, descer, ier atrás da viatura, abrir a mala, retirar algo de dentro, ir entregar ali ao lado, voltar a entrar e seguir em frente.
tudo isto enquanto inúmera gente esperava atrás.
uns buzinavam, outros barafustavam, todos sopravam.
mas a senhora calmamente lá cumpriu o seu objectivo e seguiu como se os outros, todos os outros, não tivessem razão para estarem incomodados.
é preciso ter lata.

quarta-feira, março 22

ritual

cumpri o meu ritual anual que irei estranhar nos próximos tempos, ou seja, já enviei a candidatura inteligente (?) ao concurso de professores para o próximo ano.
uma vâ tentativa de me aproximar um pouco mais de casa. Cá fico à espera dos resultados, certo que dificilmente me moverei.

escrita

a minha escrita está diferente, dizem uns. As ideias são agora mais políticas, mais partidárias, dizem outros.
aceito os comentários. Como há quem diga que a minha escrita é militante, participativa e reivindicativa (circunstância que academicamente me constrange e dificulta algum desenvolvimento);
provavelmente será verdade, fruto de contextos, e somos quase sempre nós e o nosso contexto, a minha escrita adquire outras características, outras dimensões, podem não ser melhores, podem não ser maiores, apenas outras, apenas diferentes.
estou fora da escola, apesar de manter uma profunda ligação a essa paixão da qual não abdico, mais exposto, quer política quer institucionalmente, mais envolvido com um trabalho académico de pesquisa e investigação, que me faculta outras lentes (alguém diria um outro olhar).
Fruto de tudo isto o meu olhar à escola e à realidade é diferente.
perdem-se algumas características que permitiram que uns quantos amigos por aqui passassem e perdessem tempo a ler as minhas divagações; ganham-se, conquistam-se outros que descobrem outras formas de ver a discussão que nos cerca.

primavera

como na primavera, a alergia ao trabalho faz-se sentir.
sinto-me cansado, entupido de ideias, constrito de opiniões.
o cansaço, nesta altura do ano, fruto de re-adaptações, de ritmos diferentes e novos, de circunstâncialismo vários, pesa mais, manifesta-se com uma outra intensidade e bloqueia a vontade de pensar.
tenho uma reduzidissima capacidade de concentração, sinto manifestas dificuldades em ler, em articular ideias, em escrever.
como resultado o trabalho, particularmente o académico, não flui e sinto-me entre o assustado e o angustiado.
a escrita ressente-se e há quem me aconselhe a suspender a escrita a concentrar-me apenas em um ou dois focos de atenção.
Mas não consigo. Prefiro a dispersão e esperar a recuperação se ela ainda acontecer a tempo.

quinta-feira, março 16

telefonia

tenho o gosto, o privilégio e o prazer de participar num fórum radiofónico com mais dois colegas simpatizantes e militantes respectivamente do PCP (Diamantino Dias) e do PSD (Florival Pinto). digo prazer por que gosto de falar e de trocar ideias; digo privilégio por que efectivamente é um espaço de debate e um palco de onde é relativamente fácil atingir o boneco;
ontem discutiu-se um tema que poucos gostam e ninguém simpatiza, o encerramento de maternidades na região.
Podemos não concordar, podemos, inclusivamente, discordar.
Mas, pela primeira vez, existe uma articulação entre unidades de saúde (centro de saúde e hospital) e distritos (Beja, Ébora e Portalegre).
Desgraçadamente não temos gente, pessoas e os investimentos na área da saúde são demasiadamente avultados para que o erário público, aquilo que todos pagamos, seja disperso, não rentabilizado.
Há que salvaguardar duas coisas, por um lado a prestação de cuidados de saúde com qualidade, por outro, a necessária articulação entre valências e entre sectores de modo a que não se disperse sem que se assumam responsabilidades.

crise? qual crise?

Não haverá texto sobre a escola e sobre a educação que, mesmo que superficial ou afloradamente, não aborde, defenda ou afirme com firme convicção que a escola, a educação, os valores, os jovens estão em crise.
Se olharmos a floresta até podemos pensar que ela não está como gostariamos. Legitimo, as sem grande sentido.
Ontem tive oportunidade de estar com mais de 10 jovens, oriundos de escolas secundárias, na fase distrital de um jogo promovido pelo IPJ, o Hemiciclo, onde tive oportunidade de ver e sentir um enorme prazer nesta juventude, no modo como afirma a defesa das suas ideias e de pontos de vista, no esgrimir de argumentos, na utilização do contraditório.
Olhando a escola, a educação e a juventude a partir deste ponto, é um foco de atenção como qualquer outro, resta-me perguntar que crise existe? onde é que ela está?

quarta-feira, março 15

irra

pagar 60 cêntimos (120 melreis) por um mau café custa.
foi o que me custou, há pouco, no arcada, um mau café por 120 escudos. irra.

de regresso

o Mário, o Simões, está de regresso. Faço votos para que seja para ficar, por muito e bons tempos, escrita, queria eu dizer.
em www.sonhosecompanhia.blogspot.

eleições

o PS cá da terra, seja de âmbito concelhio ou distrital (federação) irá a votos em breve.
Procura-se, aceita-se uma discussão de projectos e de ideias;
qual o papel dos partidos políticos em contexto local ou regional?
qual a acção política pretendida na consolidação das democracia locais e na sua articulação com democriacias nacionais ou transnacionais?
qual o papel dos actores locais na afirmação de ideias nacionais, como, no inverso, a afirmação de ideias nacionais em contextos locais?
afinal, que pretendemos nós afirmar, uma posição de poder ou uma posição de afirmação de um projecto?
qual o espaço, sempre necessário, à participação independente?
O PS sempre foi rico no debate e na troca de ideias, na pluralidade de pontos de vista e ambições, de afirmações e de estratégias. Dentro dessa pluralidade sempre soube concertar acções, harmonizar objectivos, integrar divergências.
Mas os tempos presentes são de mudança, são, assumidamente, de mutação. Há uns quantos que procuram as continuidades, outros que se escondem nos afazeres para esperar por outros ou por outras oportunidades. Corre-se o sério risco de ficar na mesma e se adiarem circunstâncias de mudança que são inevitáveis, quer na revita~lização da acção política quer na afirmação de ideologias.
e, ao contrário do que se poderia imaginar e do que alguns defendem, não estão gastas, nem são todas iguais.

prime time

há pouco mais de um ano eram os políticos (de um ou de outro lado) que abriam os telejornais, enchiam as manchetes da imprensa escrita.
hoje, de há poucos meses a esta parte, são os grandes grupos económicos que optam por conferências de imprensa à hora dos telejornais;
mudança de antena ou apenas mudança dos tempos?
predomiínio económico ou simplesmente preponderância sectorial?

exame

a propósito das notícias - qual versão a ver o que dá - do ME ir obrigar os candidatos à docência a realizar exame de acesso à carreira, encontrei uma referência nos blogues que percorri (não foi uma procura nem sistemática, nem intensiva, portanto vale o que vale se é que vale alguma coisa).
não é novidade, algumas ordens já o fazem (será uma eventual procura de equiparação a estas realidades mais, digo, ordeiras??);
noutros países é norma desde o final dos anos 80, onde, particularmente, se debateram com idêntico problemas, a de excesso de procura para uma oferta que é cada vez mais escassa;
e cá? qual o teor da discussão? qual o sentido das conversas? qual a pertinência da medida? quais os impactos previsionais?

ausências

a maior parte das vezes digo que não escrevo por que não tenho um acesso à net em casa, circunstância que me constrange na actualização e na edição diária deste espaço.
mas outras é apenas por que procuro não escrever.
Arranjo desculpas para não verter ideias a quente, procurar alguma distância, algum distanciamento a factos ou acontecimentos que me obrigam a pensar aquilo que escrevo.
coisa com a qual, reconheço e assumo, não simpatizo muito.
gosto de escrever de rompante, aos soluços de uma paixão apenas pelo debate, pela troca de ideias.
sentir que me auto-condiciono na escrita é sentir-me coartado.
mas acontece e, afinal, há que pensar aquilo que se escreve pois não sou apenas eu o implicado.

quinta-feira, março 9

geração

Cada vez mais sinto a força dos tempos, a mudança, o que persiste em ficar e aquilo que quer mudar.
Onde nos situamos nós?
Onde nos queremos posicionar?
Será uma coisa de geração?
há dias uma colega docente dizia-me que sente os rapazes diferentes, que seria capaz de apontar diferenças entre aqueles com que trabalhou no final dos anos 90 e aqueles com quem agora trabalha. E, acrescentou, não são apenas os rapazes, são também os pais deles.
O que muda?
o que fica?
o que muda do que fica?
o que fica do que muda?
Como andam estas coisas polí­ticas por estas terras alentejanas?
Sinceramente não percebo, não tenho elementos suficientes que me permitam perceber e compreender o que se passa, isto é, e aparentemente, nada, mas, pelo contrário, uma guerra surda, onde peixes de águas profundas mexem e remexem, e agitam águas, se faz sentir a turbulência da calma aparente; será assim tão aparente?;
Será um contar de espingardas?
será um acerto de equilíbrios?
será um verificar de posições?
o que é?
sinto a força de alçgumas individualidades em projectos que deveriam ser colectivos; sei que me ponho a jeito de levar no lombo, de cascarem em mim, mas que raio é isto que não compreendo;
Aparentemente sou dispensável por que eventualmente indesejável?
Sinto, a partir de diferentes patamares, ventos de outras paragens de outros tempos, um tenta-te que não cais, um enrolar de coisas... que descamba em confusão, em indecisão, em distanciação face às pessoas e às ideias centrais de um projecto.
Não compreendo, provavelmente por falta de lementos e de capacidade. Será?

glorioso

se eu, nos outros momentos, tenho orgulhjo em ser benfiquista, imagem agora, hoje, claramente ressacado de uma vitória que nã oé apenas gloriossa, é histórica.
àh ganda benfica.
Venham os próximos, sejam eles quem forem.

quarta-feira, março 8

escrita

sou de rompantes, marcado por um quase movimento pendular, de um lado e do outro, raramente em equilíbrio dito perfeito.
Ou hei-de escrever de fio a pavio, ora sentir-me estagnado, empancado.
Há dias escrevi cinco folhas de uma só vez, a espaço simples. Foi uma vitória.
Depois de leituras, depois de alguma organização de ideias e de argumentos foi um despachar de palavras.
De repente páro. Não consigo concentrar-me o suficiente para ler com a atenção que necessito. Questiono as minhas possibilidades, interrogo-me sobre a oportunidade da decisão.
Não consigo nem escrever nem ler. Perco tempo.
Não sei se me sinto cansado ou apenas se é apenas a necessidade de clarificar ideias.

mulher

é o dia delas.
é merecido, é de festejar, éde louvar e agradecer
a elas, hoje e sempre, um bom dia.

março

ontem esteve uma noite como desde Outubro não se sentia. Agradável, convidativa. Com um frio agradável de sentir, reconfortante, mas também com um claro sentimento que se aproxima a Primavera.
Gostei. Marca este Março em que desde pequeno me lembro de ouvir dizer
março, marçagão,
manhãs de inverno,
tardes de verão.

miudinho

tou nervoso, tou.
é um nervoso miudinho, pois quero acreditar (será fé?) que empatamos a um, mas tou nervoso, tou.

terça-feira, março 7

simples

sempre gostei das coisas simples, ainda que nada tenha de simples e, muitas das vezes, seja um complicadinho dos diabos - na escrita, nas ideias, na organização, nos afazeres. Mas não invalidade que simpatize e aprecie as coisas simples.
O desenho, o retrato oficial do presidente da República cessante, Jorge Sampaio, da autoria de Paula Rego é isso mesmo. Uma coisa simples. Uma coisa duplamente simples. Um retrato que mostra, destaca, retrata uma pessoa simples de um modo aparentemente simples.
Brilhante.

espanto

espanto-me sempre quando descubro sintonias, cumplicidades nas conversas que tenho com gentes diferentes.
Gosto, realmente, de me re-encontrar nas palavras dos outros, nas ideias diferentes, nas discussões, na troca de opinião.

segunda-feira, março 6

nokia

Em finais dos anos 90 tive oportunidade de participar num encontro realizado na região de Hamm, na Finlândia e de tomar conta da organização e das opções estratégicas daquela região.
Passados estes anos é a vez de o primeiro ministro perceber o que por lá se faz.
Não tenho a mínima das dúvidas que muitas vozes se levantarão na análise daquilo que não temos, das desvantagens incomparativas.
Mas, neste contexto, realço um pormenor de todo em todo determinante na observação que mais me marcou naquele período, a formação dos professores.
Poucos são os professores que se ficam pela formação inicial. E não é por determinação legislativa, é por opção.
Quem fez formação pós graduada percebe que este pequeno pormenor, faz toda a diferença.

final

Jorge Sampaio está de saída, chega ao final do seu segundo mandato.
Assumo que desde os idos 80 que gosto de Sampaio. Foi com ele que me aproximei da militância política e partidária. É uma pessoa com carisma, para ser simples e prático.
Não se lhe arvoravam grandes expectativas aquando da sua tomada de posse. Convenhamos que substituir Mário Soares não era, nem certamente terá sido, tarefa fácil.
Mas soube fazê-lo, com elegância, com distanciamento ao exercício da governação, escolhendo dois ou três temas que atravessaram de forma incontornável o seu período, nomeadamente questões em torno da escola, da educação e da formação, questões da inovação e desenvolvimento organizacional e, por último e o menos conseguido, o da justiça.
A grande questão neste momento é perceber quais as linhas de orientação do novo presidente. Se levarmos em consideração a sua primeira entrevista como presidente é de suspeitar que iremos sentir as diferenças.

quinta-feira, março 2

zapping

percorri, de forma ligeira, uma vasta extensão das ligações mais afectivas daqueles blogues onde gosto de parar, de sentir, de ler, de folhear.
ainda que de forma quase que descomprometida encontro três situações.
Uma permanência pelo prazer da escrita, pela assunção de um espaço de participação, mas também de catarse - social, pessoal, profissional. Um espaço agradável pela diversidade de pontos de vista e de olhares;
um esmorecimento de olhares, algum desencanto, alguma desilusão que perpassa pela escrita. Seja pelos constrangimentos de um tempo presente, seja pela solidão da escrita. Mas é uma escrita cada vez mais virada para os interiores - das pessoas, profissionais, sociais, contextuais.
Por último e não menos importante a permanente profusão de blogues, pela alteridade que muitos denotam, pela assunção da mudança e da evolução.
Uma blogosfera feita de contrastes onde nos é permitido e possibilitado um maior conhecimento, senão do outro, pelo menos de nós por intermédio do outro.

portuguesices

Cheguei quase com uma semana de atraso a um sítio onde não resisti, ainda assim, a comentar.
Não são coisas típicas, específicas, exclusivas dos professores. É um sentimento que atravessa grande parte do português, num queixume que A. Variações tão bem caracterizou, só estou bem onde não estou.
pela lista - e não quero parecer desconcertante dizendo que poderia ser de supermercado - até parece que a origem dos problemas está fora da escola ou de nós (nas famílias, nos políticos, na sociedade, nos outros) e a escola mais não fosse que uma qualquer ilha onde com recursos (humanos, materiais e financeiros), formação, outros alunos, outro meio, uma outra comunidade, outros pais, etc... seria um paraíso.
Felizmente não é, e grande parte dos problemas não estão fora da escola, estão na escola e em muitos dos modos de os professores olharem e pensarem (?) a sua profissão, o seu papel e o papel da escola pública em contextos desafiantes, polifacetados, heterogéneos, diversificados e instáveis.
Mas é uma discussão que dificilmente levará a algum lado. Não por falta de consenços, uma vez que nas críticas estaremos amplamente de acordo, mas nas propostas que eventualmente se coloquem e aí é que se diz mal dos políticos, pois nenhuns interessam, nem os que lá estiveram, nem os que lá estão, nem os que lá venham a estar.
Esta atitude, diria típica de um qualquer profissional português, é uma das principais causas do que se poderá designar como atraso português. Sempre descontente com o que se tem, sempre a querer preservar o que se tem, não se vá mudar para pior. Mas mam já estamos n´so. Afinal, em que ficamos?.

quarta-feira, março 1

troca

Agora com uma idea de trabalho em fundo e na sequência de uma abordagem matinal aos sucessivos temas que se colam à escola - no caso a protecão civil, mas podia ser a revenção rodoviária, o tabagismo, o alcoolismo ou outra.
Os tempos contemporâneo têm produzido uma, direi, excessiva escolarização dos problemas sociais. Isto é, em face da incapacidade de a sociedade, e os seus mecanismos, responderem com eficácia e adequadção a um sem número de solicitações e/ou problemas remetem-nos para a escola, escolarizam-nos, como se esta fosse uma panaceia deresolução de situações e constrangimentos.
Como se sabe não é e tem sido um dos factores que mais tem destacado a ideia de crise da escola ou crise da educação.
Proponho agora o contrário, isto é, que se socializem os problemas educativos. Isto é, que aqueles problemas com os quais a escola tem tido dificuldades em lidar ou gerir, caso da violência ou da delinquência juvenil, das aulas de substituição, do planeamento ou da prevenção (seja da saúde ou de outra ideia), da sensibilização artística ou científica, seja adjudicada a organismos da sociedade, por exemplo, as organizações juvenis.
Marcadas pela adesão voluntária, pelas afectividades e pelas informalidades podem ser espaços onde a escola encontra apoio na resolução de alguns dos seus problemas ou constrangimentos.
É certo que há que definir elementos de ligação e conexão, mecanismos de regulação e articulação, entre outros, mas será um caminho, uma possibilidade.
Poderá ser, e só para picar um amigo, uma efectiva construção da escola situada.

invisível

O mundo é cada vez mais uma aldeia global, marcado, essencialmente, pela comunicação social, pela mediatização pelo conehcimento de massas.
Tudo aquilo que nós não conhecemos não acontece, não existe.
Pode-se contrapor e dizer que foi quase sempre o contrário. Maior o número de acontecimentos do que a nossa possbilidade de os conhecer. Só há relativamente pouco tempo se inverteu esta permissa; Mas não corresponderá à verdade.
Há um sem número de pequenos (e de grandes) acontecimentos que marcam ritmos, definem dinâmicas, respiram energias próprias dos quais não fazemos ieia. Mas existem. Ontem tive disso, uma vez mais, experiência e consciência.
Dois carnavais pequenos (Alcáçovas e Igrejinha), mas enormes para as aldeias onde se realizaram. Totalmente fora dos grandes circuitos, mas com enormes tradições e personalidade marcada.
São fruto de práticas locais ancestrais, que teimam em permanecer vivas fruto de vontades individuais que arregimentam o colectivo, o grupo.
E que dão gosto ver. Pela simplicidade, pela vivência e pela tradição.

interrupções

é sem querer, coisa que eu não gosto, mas de quando em vez fico algum tempo sem marcar presença. Foi uma das razões (sei que há muita gente a apontar-me outras) que levou à interruipção prolongada da escrita.
Mas decorre da minha ainda não ligação à net, circunstância que já me começa a chatear, mas perante a qual pouco posso ainda fazer.
Resta-me apelar à compreensão.