quinta-feira, maio 25

da educação

ainda não tinha tido oportunidade de comentar a separação das águas, como se tal fosse necessário, entre as propostas educativas de PS e PSD, pelo menos no que diz respeito à gestão;
e a partir daqui tudo o resto;
não classifico, não opino, fica apenas à consideração e à divagação de todos quanto àquilo que pretendemos para a escola.

do sucesso

Encontra-se estacionado numa das portas da cidade um enorme camião, cor-de-rosa garrido, cheio de estrelas, que se dá pelo apelativo nome de Sucesso Instântaneo; é o que se pode ler ao longe, quase sem mais;
dá vontade, a inumera gente, de nos aproximarmos e de procurarmos o sucesso instântaneo;
mais perto percebo que é um camião dos jogos, daqueles que suportam a misericórdia e coisas que tais;
mas fica-me a questão, será o sucesso instântaneo?
poderá ser ele servido numa simples raspadinha?
como olhar para o esforço, a exigência, o rigor, o cumprimento, o método e a organização que tanto nos falam quando temos hipótese do sucesso instântaneo?
enfim...

terça-feira, maio 23

o espírito

há cartazes pela cidade que afirmam "évora, espírito de selecção";
não faço ideia do que queiram dizer com essa afirmação; será que évora é só para alguns? será que apenas alguns são seleccionados para a cidade? será que a cidade é luz, fama e confusão mediática?
sei é que o mandato irá terminar que nem ginjinhas ao meu camarada Zé;
tudo, ou quase, se compõe para esse efeito;
ele é pavilhão multiusos, ele é parque desportivo, ele é centros comerciais, ele é emprego, ele é habitação, ele é animação;
no meio de tudo isto, fica uma aparente sensação de dejá vu; ou não;

+ selecção

há bilhetes para os treino a circularem pela cidade a 15€;
há quem se aproveite, há quem faça negócio com o desejo de alguns;
ele há com cada uma;

évora

évora e a selecção nacional de futebol - um delírio, feito confusão e buzinas, bandeiras e olhares lânguidos à procura (à espera) de um autografo que dificilmente aparecerá;
uma confusão a hora do treino;

irritação

ando irritado com as minhas intermitências na blogosfera;
ora paro, ora escrevo, ora hesito, ora penso, ora repenso - caramba estou pior que o outro, não há meio de me decidir;

segunda-feira, maio 15

primeira tentativa

geralmente não faço nada à primeira; ou por defeito ou por feitio o que acontece é que tento uma e outra vez, faço uma primeira tentativa, depois outra;
para que fique registado, esta é a primeira tentativa de índice de uma proposta de investigação:

introdução
a temática - Conhecimento, decisão política e acção pública em educação
a problemática – (in)disciplina, modos de ver e estar na escola, mapeamento bibliográfico e instrumentos de análise – construção de uma problemática;
uma entrada – um novo referencial de aluno na criação de novos modelos de relacionamento entre o Estado e o sujeito;
o multiculturalismo – da unidade à diversidade; do homogéneo ao plural; do uno ao diverso;
dimensões – género, cultura, urbano, rural
,
articulação entre temática e problemática – a (in)disciplina como uma política pública, a relação com o conhecimento e a dimensão da acção pública da (in)disciplina – reconceptualização e reconfiguração de uma problemática à luz da análise cognitiva das políticas públicas;
o Estado – do quadro burocrático à pós-burocracia
o sujeito – a construção social do sujeito;
a relação social Estado-sujeito
a escola como instrumento de acção e de regulação da relação entre Estado e sujeito;
a disciplina como elemento de regulação
as novas reconfigurações políticas e organizacionais
o campo de investigação
os instrumentos e as metodologias de investigação

perspectivo, desde já, inúmeras mudanças, nem que seja para clarificar conceitos, explicitar ideias, delimitar hipóteses - tudo ainda muito ausente deste índice;

cruzamento

está difícil gerir os equilíbrios entre uma escrita eminentemente académica e uma escrita mais de carácter opinativo, como é esta;
há quem me aconselhe a suspender esta escrita;
mas, sempre que penso nisso, fico com saudades de um espaço onde sinto o fluir da escrita e das ideias, onde tenho oportunidade de divagar em torno de opiniões, próprias ou alheias;
com retirei contadores e delimitei o acesso aos comentários, não faço ideia se escrevo para mim ou se escrevo para mais gente;
cá me aguento, num cruzamento delicado de escritas.
a ver o que dá...

quinta-feira, maio 11

confusão

ontem passei a tarde numa aparente confusão; digo aparente por que falo por mim e das minhas ideias;
uma reunião onde se falou de inovação e desenvolvimento com lógicas de tradição e uso; um encontro onde se falou de futuro a pensar e a agir no presente; uma conversa onde as ideias feitas sobre mais do mesmo mas de maneira diferente imperaram;
apesar dos esforços, apesar das solicitações de que temos sido alvo e sujeito, começo-me a convencer que há lógicas que persistem, há racionalidades enquistadas, petrificadas e que apesar dos discursos irem num sentido as práticas teimam em persistir e insistir nas racionalidades tradicionais, nos procedimentos usuais, em manter o que temos;
fico convencido que a estrutura da sociedade portuguesa pouco mudou nos últimos tempos e que não será ainda desta que se procederá a uma alteração de lógicas e racionalidades, funionamentos e processos;
os quadros intermédios não deixam, interessados que estão em defender as suas pequenininhas situações e quintinhas;
assim, dificilmente lá iremos;

Maio

este é um dos meses, senão mesmo o mês mais lindo da planície alentejana; as cores, os cambiantes, as misturas, o ondular das cearas, os pássaros, o sol, o calor, as primeiras noites em que apetece estar de cabeça na lua;
falta-lhe apenas que os polens não fossem tão intensos, que as mudanças de temperatura não fossem tão bruscas, que as amplitudes térmicas fossem menores, que os amigos estivessem mais perto, que as preocupações com as calorias não se acentuassem tanto, pelo menos à volta da cintura, e seria um mundo perfeito;
assim, entre um e outro parágrafo, é apenas o que temos; e eu gosto, lá isso gosto;

quarta-feira, maio 10

nem de propósito

na sequência das ideias anteriores, nem de propósito fico a perceber qual o papel que a escola do meu filho considera aos encarregados de educação;
fui agora mesmo contactado e informado que se realizará uma reunião de Conselho de Turma às 14h30 e que, lamentavelmente, não me tinham informado por que, consideravam, não seria necessário;
assim se vê a posição que é atribuída aos pais/encarregados de educação - afinal só incomodam, só servem para chatear;

política

reforço a ideia anterior do eduquês e que há muito defendo, neste e noutros espaços;
tem faltado política e politização aos profissionais da escola e da educação;
temo-nos enredado em argumentos que variam entre o técnico-profissional (defesa da classe, enquistamento profissional, distanciação quando não mesmos snobismo, arrogância) e o pedagógico (valorização do aluno, dos contextos e dos ambientes educativos) e esquecido que enquanto nos distraímos com conversas acessórias, outros aproveitam o político para trocar as voltas, as ideias e as acções aos profissionais;
falta, tem faltado nas nossas escolas, formação e organização; formação pessoal, académicas, pedagógica, política aos professores; organização às escolas, para que se possam determinar outras respostas a problemas novos, aos mesmos problemas mas que revestem dimensões e carecteríticas diferentes de outrora;
a junção e articulação de um (formação) e de outro (organização) faz com que tenhamos andado muito pouco; se juntarmos a isto o facto de santos da casa nunca fazerem milagres e de muitos professores não serem capazes de apresentar uma ideia de escola ou de educação (para que serve, qual o objectivo, qual a organização, qual o sentido da escola, quais as dimensões valorizadas, o que se pretende daquele aluno, o papel da escola e do aluno naquela comunidade), se assumirmos que todos temos um pouco o espírito de treinador de bancada então estão criadas as condições para que o pó seja muito, a discussão sempre acalorada mas o aproveitamento, o rendimento que daí se retira muito, muito incipiente;

eduquês

a escola anda, mais do que antes, com outro tipo de conversas e de argumentos, com incidiosas opiniões, no alvo das atenções, num centro mediático que não tem nem centro nem periferia, antes de cruza entre opiniões e ideologias;
reconheço que resisti a comprar o Eduquês; primeiro por que não me revejo nos argumentos utilizados, segundo por que sou assumidamente defensor das teorias construtivistas e do papel da pedagogia (da paideia) na escola e na educação, por último e não menos importante, por que a crítica ao eduquês utiliza nem mais nem menos que o próprio eduquês, agora floreado em conversas de rigor e exigência, qualidade e certificação, exigência e liberismo educativo;
uns ou outros argumentos faceis na entrada social, na crítica aos professores, no apontar o dedo à escola e aos profissionais da educação, no achincalhar das políticas educativas, no vilependiar do que também de bom há e se faz nas escolas;
meter tudo no mesmo saco é má fé, para além de evidenciar uma profunda ignorância ao que é a educação.
de acordo com notícias da antena 1, este senhor e outros estiveram reunidos em tertúlia onde certamente a escola e os seus profissionais terão sido o alvo fácil da brincadeira, o centro daquilo que eles próprios promovem em termos de desconsideração e de facilitismo discursivo.
e tudo isto conduz ao quê?
qual o sentido final dos argumentos?
o que se pretende nesta troca de ideias e de crítica às teorias pedagógicas?

segunda-feira, maio 8

hipocrisia

ainda no contexto da análise das organizações, nomeadamente as educativas, permitam-me chamar a atenção para um título antigo (a primeira edição é de 1986) mas recente no mercado português (2006) assente numa versão inglesa de 2002;
A organização da hipocrisia - os grupos em acção: dialogar, decidir e agir assenta nos pressupostos que se tornaram dominantes, passados alguns anos, em contexto educativo e designados por garbage can ou anarquias organizadas ou as teorias da ambiguidade organizacional.
mas o título é válido, em meu entender, por outras duas razões;
primeiro porque permite destacar a antiguidade de algumas modas, afinal o mundo não nasceu hoje (nem ontem) e há temas que já têm barbas, os nossos intelectuais, os fazedores de opinião da nossa praça é que andam (ou andavam) entretidos com outros assuntos;
segundo o prefácio do prof. L. C. Lima é deveras interessante para quem quer perceber os caminhos e os sentidos da reconfiguração das políticas públicas, nomeadamente na sua vertente mais neo-institucionalista;

disciplina

na passada 6ª feira apresentei um ante-projecto de investigação (na área da política educativa) assente numa ideia - a disciplina em tensão dialéctica entre o sossego para uma relação de ensino-aprendizagem de sucesso e o desassossego necessário para a auto-aprendizagem - e em dois pressupostos; por um lado que as questões da disciplina assentam em lógicas que se podem designar por uma "microfísica do poder" (Foucault) de carácter relacional e socio-profissional, por outro, que decorre da própria reconfiguração do papel e dos objectivos que suportam a relação entre o Estado (a escola) e o cidadão (aluno, professor, pais/encarregados de educação) nesta lenta mas segura transposição do campo da burocracia (caracterizado pelas linhas hierárquicas, sentido unívoco do poder, papeis claros e diferenciados, posições definidas, formalização institucional, rigor e autoridade, predomínio da tecno-esrutura) para o que alguns autores designam como pós-burocracia (assente em sistema matriciais, diluição da relações formais e autoritárias, predomínio dos fluxos, valorização dos aspectos afectivo e orgânico);
fico na expectativa para perceber se é ou não aceite; na próxima 6ª feira será a audição e a troca de ideias com quem manda nestas coisas;

quarta-feira, maio 3

discursos

no decorrer do passado fim-de-semana foi-me possível ouvir um conjunto de discurso que ficam marcados por algum carácter gelatinoso, entre o movediço e o estaladiço;
ideia sobre políticas que procuram afirmar novos discursos, novas retóricas, uma outra narrativa política mas que esbarra na pouca consistência dos argumentos, em alguma incoerência ideológica;
típico, digo eu, de uma pretensa nova modernidade - ou de novos ricos(?);

do tempo

quando pouco há para dizer falamos do tempo;
hoje, por estas bandas da cidade de Évora, está como eu, parvo e pronto final.

voltas e baldrocas

ando às voltas com uma ideia, com um trabalho, com um projecto para o qual questiono as minhas capacidades e, muito particularmente, as minhas disponibilidades.
criar uma ideia de tese não está fácil.
já falhei dois textos, dois momentos cruciais.
na próxima 6ª feira é o 3º momento, e não há mais.
já andei às voltas com o plano tecnológico, com a educação para além da escola (claramente o mais interessante), neste momento troco ideias entre a disciplina e os sentidos do trabalho escolar numa relação entre autoridade do professor e reconfiguração das relações sociais entre Estado e cidadão;
durante a semana tenho estado ausente por quase que completamente absorvido na recuperação de leituras, de algum do tempo, de algum do trabalho desenvolvido.
amanhã é inteiramente dedicado à escrita
assim saia alguma coisa.

quarta-feira, abril 26

do público

geralmente há duas ou três ideias feitas sobre o trabalho que se desenvolve na administração pública;
ou é pouco e quase todo ele alentejano, isto é, lento, moroso e burocrático;
ou os chefes têm grandes poderes e grandes tachos;
ou qualquel outro conjunto de situações;
pelo trabalho que desenvolvo no âmbito da administração pública, e já passei por alguns lugares, não tenho esta imagem;
pelo contrário, há qualidade nos serviços que se desenvolvem, pessoas interessadas, competências e disponibilidade para que os processos não fiquem a dormir;
mas também é verdade que os serviços estão organizados disformemente, que não existe confiança, nem administrativa nem organizacional, para já não falar em política ou técnica;
como resultado disto, sinto que nem instrumento sou; não há orientações, apenas quotidiano; falta uma linha estratégica, a não ser aquela que eu desenho; falta equipa, no que sobra em alumas individualidades;
começo, lentamente, a descobrir que ainda não será desta que nos adaptamos a outros modos, a outras formas de organização, outros processos de trabalho;
teria que doer mais, muito mais, para que efectivamente nos sentissemos arrancádos à estagnação e fossemos em frente.

distância

por acaso [?] estou fora da escola, apesar de a continuar a pensar, a sentir e a considerarmos, antes de qualquer outra coisa, professor do ensino básico e secundário;
no entanto, em miha casa nunca foi hábito a entrada e saída de professores, as conversas em torno da escola, da educação, dos alunos, das políticas, dos medidas e da legislação, ao fim e ao cabo das coisas que moem a cabeça aos professores;
penso que um dos poucos momentos que tive oportunidade de trocar ideias profissionais de modo descontraído foi quando o Miguel me deu o prazer da sua visita;
e é com ele que tenho mantido uma agradável conversa, assente na distância, no olhar comum, em algumas divergência e, muito particularmente, na amizade da qual faço questão de encher a boca com que ele me brindou.
nunca acharei demais, obrigado Miguel.

visual

desde que ando nesta blogosfera que tanto eu como o Miguel somos tentado a mudar frequentemente de visual.
restam-nos as ideias e a coerência, a persistência de há muito dizermos, pensarmos e escrevermos quase o mesmo.
mas há que mudar, nem que seja para que quase tudo fique na mesma.

segunda-feira, abril 24

escrita

neste meu cantinho, ou noutros que tais onde deixo ideias e solto apontamentos, a minha escrita sai de mdo quase que automático.
vou pensando e escrevendo, numa quase simultaneidade de acções.
quando me chego ao meu computador, para escrever ideias sobre um tese, aí é que são elas, um quase estancar da escrita, uma quase secura de ideias.
sábado à noite fui com energias sufientes e disponibilidade bastante para escrever. sento-me, ligo o computador, arrumo os papeis e organizo as ideias e vá de ... não escrever nada.
não saiu uma letra, quanto mais uma linha.

imprensa

esta notícia, do aparecimento físico de um meio de comunicação social quase sempre virtual, desperta em mim curiosidade.
por um lado para perceber da capacidade de afirmação local/regional.
a comunicação social eborense tem sido sucessivamente atravessado por uma profunda turbolência, que faz com que apenas um título (o Diário do Sul) resista, para além de um outro ligado á igreja (a Defesa) .
depois disto ficamo-nos pelo deserto.
houve em tempos e em fase de uma ou de outra onda, tentativas de reedição, de afirmação jornalística.
seria fundamental, na e para a afirmação social e política da cidade, que outros meios de comunicação social se afirmassem, mas dificilmente o conseguirão fazer fora de fortes ligações que condicionam, ou delimitam, a sua afirmação.
esta nova tentativa aparenta fazer o que os outros já fazem, distribuir equilíbrios por sensibilidades e opinões, chamar a si os nomes já consagrados, jogar em alguma segurança, em equipa feita por outros.
reside aqui exactamente a sua aparente fragilidade.
por um lado por que dificilmente estes nomes consagrados apresentarão aqui as suas novidades, obviamente que as guardarão para a sua referência.
depois por que se perde em capacidade de arriscar, de inovar, de apresentar outros pontos de vista, outras formas de organizar a informação, outros modelos de comunicação.
mas que faz falta à região disso não tenho dúvidas.

quinta-feira, abril 20

dívida

o diário de notícias de hoje traz um apontamento sobre o endividamento das autarquias.
folheei o jornal na procura de apontamentos sobre esta minha/nossa santa terrinha e outras que tais por estas bandas alentejanas.
para quem ainda não o leu aconselho-o vivamente.
sabem por quê?
é que as únicas localidades (entre vilas e cidades) a sul do Tejo que aparecem são Setúbal, Palmela e Faro.
o Alentejo?
das duas três, ou não foi alvo de estudo, ou se esqueceram dele ou estamos naquele limbo que nem bem, nem mal, antes assim.
um estado que entre o pobrezinho, mas honesto, marcadamente do tempo da outra senhora, e o mais vale parado que morto, do politicamente correcto e juridicamente inóquo de uma modernidade tardia, faz com que esta região dependa de terceiros para o seu próprio e sustentado desenvolvimento.
até quando? pergunto eu.

dimensão

quem acompanha a minha escrita, particularmente ex-alunos, queixam-se que o tamanho das postas tem crescido.
antes apresentava pequenos apontamentos, ideias soltas, de fácil e particularmente rápida leitura.
ultimamente alargo o texto, desdobro ideias, arranjo mais confusão.
pois é, na certeza dos mundos serem outros que não os da escola, se descobre como nos condicionam a escrita.

mercado

entrei hoje, pela primeira vez, no mercado municipal de Évora.
gostei.
bonito, amplo, numa simpática articulação de materiais e texturas, entre o granito, o mármore, o ferro fundido.
iluminado de forma natural, evidente na sua mostra de produtos e serviços.
uma clarissima demonstração como as tecnologias podem influenciar, quando não mesmo determinar, a tradição. Isto é, pelas características da arquitectura, pela determinação de fluxos de circulação, pela organização do espaço o comérico tradicional sente-se obrigação de procurar outras respostas para problemas de sempre, o de atrair clientela.
aquele espaço, o espaço do mercado municipal, é, no meu entendimento, uma das grandes afirmações da cidade de Évora como palco de uma urbanidade marcadamente europeia.
valeu apena o atraso? penso que sim. Évora fica bem servida.
Falta apenas um pequeno apontamento de outras memórias. O espaço entre o mercado das hortaliças e a peixaria destinado à massa frita.

aluno

na procura, quase incessante, quase paranoica de um tema de tese que me permita articular três dimensões (conhecimento, decisão política e acção pública em educação) na impossibilidade de casar o associativismo juvenil, por claro impedimento, regresso a um tema que me é caro e no qual tenho trabalho há já vários anos, o aluno.
a partir de dois princípios, por um lado a legislação que define o estatuto do aluno do ensino não superior (decr. lei 270/98 e lei 30/2002) e partir destas para perceber as dimensões sociais (valores, ideologias, princípios e ideias) que partem da escola para a sociedade, como se condiciona o devir social a partir de uma política educativa;
por outro, procurar peceber quais os caminhos da construção de sentidos ao trabalho desenvolvido na escola;
o aluno, sendo um elemento de ligação entre múltiplas esferas (um go-between, nas palavras de Perrenoud) permite analisar, considerando como foco de estudo e sujeito de observação, diferentes realidades, duas das quais são determinantes neste (e num qualquer outro) princípio de século, a dimensão profissional dos professores e a organização da escola.
a pergunta, para já, é se irei a tempo de apresentar um projecto minimamente coerente, minimamente estruturado.

quarta-feira, abril 19

festa

no sítio onde estou, IPJ, iniciam-se hoje as festas do 25 de Abril.
irão dizer que é um movimento de revivalismo, de regresso ao futuro.
será? como será?

medo

pergunto-me, perante o envelhecimento, a proximidade do fim, se a minha mãe tem medo de ter um cancro ou se apenas tem medo de não o ter.

às voltas

de volta, com estas voltas e reviravoltas que fazem e me obrigam a estar ausente, longe daqui.
não foram nem férias nem pausa, apenas distância, inacessibilidade, contrariedade.

segunda-feira, abril 3

informação

um dos jornais de fim-de-semana publicou aquilo que designa como estratégia de informação do governo e em particular do primeiro-ministro. Quer na consertação de ideias, quer na definição de timmings de execução.
Até pode ser que tenha razão e que, entre outras medidas, uma das estratégias assente na informação, naquilo que outros designavam como central de comunicação e informação.
Mas não há partido, nem governo, nem produto nenhum que se aguente se não aliar conteúdo ao embrulho, pode ser mais tarde, pode ser depois, mas existirá sempre a revelação da desadequação entre o que se promove e o que efectivamente se obtém.
quanto ao timming ele é inerente à acção política e só por distracção se poderá culpabilizar quem quer que seja.
Porventura o que o jornal não gostará é de perder exactamente esta possibilidade e este constrangimento público, circunstância que até o faz perder vendas.

aflito2

passei um fim-de-semana sem internet, coisa que não é vulgar uma vez que desde que mudei para o campo que não tenho internet.
Mas acresce a isto o facto de ter passado um fim-de-semana apenas com os 4 canais de televisão terrestres.
Um sacrífico, uma pena demasiadamente pesada.
Sobraram poucos apontamentos e quase que exclusivos à 2. Como registei o regresso de csi;
isto é uma cosia impensável e há pessoas que não têm cabo.
Devia ser uma medida a incluir no serviço público básico.

quinta-feira, março 30

Estado

Serão hoje apresentadas, segundo tudo indica, as linhas de orientação da reforma do Estado, do qual existem inúmeros comentários, algumas vozes, mas muito poucos argumentos.
fala-se da extinção de serviços, da fusão de outros, da reorganização de outros ainda. Da alteração das tutelas, da redefinição de conteúdos, de funções e funcionalidades, de objectivos e de estratégias.
globalmente não haverá nada nem ninguém que não concorde, pelo menos genericamente, com a ideia.
Este Estado que temos e que conhecemos não nasceu assim.
Formou-se ao longo do período da ditadura (centralizador, desconfiante relativamente ao cidadão, hierárquico, constrangedor, homogeneizador), consolidou-se com a democracia (nomeadamente no alargamento da sua influência, na gestão de interesses, na abrangência partidária, no imobilismo técnico, no rigor desqualificante).
Hoje todos percebemos que o Estado não pode nem deve continuar como até aqui. Hoje facilmente temos consciência que tem de mudar.
Mas só pode mudar se duas condições, dois factores determinantes mudarem.
Por um lado, em face de uma assumida confiança nas pessoas. Sem esta confiança, sem este estabelecer de laços e de uma relação consistente não há nada que nos valha. Não estou preocupado com partidos, clubes ou simpatias. Estou apenas a afirmar a confiança pessoal e técnica que não tem existido.
Por outro na assunção das responsabilidades que sustêm as autonomias pessoais. Sem esta assunção, que muita das vezes culpabiliza os outros, o sistema, o governo, os chefes, nada se alterará. E esta assunção passa quase que exclusivamente pela formação. Não basta a formação inicial, há necessidade, é imperioso desenvolver uma consciência reflexiva e avaliativa que permita ultrapassar quezílias fulanizadas e implementar lógicas organizacionais.
Entre a confiança e a responsabilização oscilará muito do nosso futuro, muitas das oportunidades de (re)afirmação do Estado.
E atenção, defendo o papel determinante do Estado, na regulação não apenas económica (provavelmente esfera onde cada vez faz menos sentido), mas enquanto elemento estruturante da regulação social e cultural.
É esperar e ouvir, uma vez que, pela segunda vez, o governo de Sócrates consegue manter no fundo da gaveta as ideias e as principais notícias, circunstância que, estou certo, será alvo fácil de críticas por parte da esquerda pertensamente defensora da participação.

aflito

por razões tecnológicas que qualquer racionalidade lógica desconhece, a minha caixa negra de acesso à tv cabo emperrou.
Diz-me a rapariguinha da loja que é problema de software, bloqueou quando fazia a actualização.
pois e então quando desbloqueia?
ai meu caro senhor, isso não depende nem de mim nem de Deus. é do sistema.
tábem, mas há alguma previsibilidade?
nada. é esperar.

resultado, estou de regresso à idade das trevas, apenas os 4 canais areais, sem internet e sem telefone fixo.
se isto é o choque tecnológico já estou frito.

obrigado

é impressionante como pessoas que nunca se viram conseguem, por intermédio da escrita e das ideias, trocar sentimentos e ficar próximas.
tão próximas que, por vezes, o silêncio é ruidoso e constrange.
vale-nos a vida, quando as coisas não nos correm bem. Valem-nos as amizades.
este post tem nome, chama-se Miguel Pinto e só lhe tenho a agradecer a amizade.
obrigado.

quarta-feira, março 29

topografia

no contexto do trabalho académico que procuro desenvolver, em torno das políticas educativas e da dimensão educativa do movimento associativo juvenil, encontro-me algo enterrado, emperrado.
uma colega, ao procurar descrever um esboço da sua problemática, utilizou a metáfora da topografia.
nem mais.
este percurso é marcado por uma topografia irregular, disforme, nuns momentos em alto, onde consigo pensar e escrever, digerir ideias e leituras, apontar pistas e hipóteses, ver para além do meu próprio horizonte.
Outras claramente em baixo, numa pediplanície onde, aparentemente, não existem constrangimentos mas onde não nos apercebemos do evoluir, do caminhar, do percurso feito a não ser quando paramos e olhamos para trás e temos noção do percorrido.
neste momento estou nesta fase, entre o descendente e a planície. Sinto claras dificuldades de leitura, de escrita. Estou emperrado. Nas últimas duas semanas não escrevi uma linha, situação que é manifestamente grave numa faculdade e com um orientador que procura, incistentemente, conteúdos, redacções, textos.
há que continuar o caminho.

mimetismo

manifestamente em favor da corrente a CGTP convocou uma manifestação de jovens contra a precariedade no trabalho.
será que procura ir a reboque de desinteresses franceses e e trazer para Portugal uma problemática mal colocada?
mal colocada tendo em conta que a juventude portuguesa se depara com inúmeras situações adversas, mas esta manipulação e o claro mimetismo não fica bem a uma intersindical ela própria à procura de novos espaços e de novos protagonistas.

espaço

depois da tomada de posse do novo presidente da República este tem sido notado pela ausência, pelo silêncio.
não creio que seja para durar muito ainda que uma das lógicas que subjaz a Cavaco Silva (será mito?) seja a de alguma distanciação face aos media.
contudo e na sequência do congresso do PSD e do agendamento do PP parece algo claro que a direita procura o seu novo espaço, uma nova forma de afirmação e de demarcação.
pela primeira vez confronta-se com o poder em Belém e, ainda por cima, sendo esse poder um dos seus fantasmas.
há, em face desta nova distribuição, que criar novos espaços, novos protagonismos que, não caíndo no rídiculo e no vazio das propostas e das ideias, seja capaz de criar alternativas políticas.
vamos ver é se acordam a tempo.

Alentejo 2015

Foi ontem apresentado, na CCDR, com alguma pompa mas sem grandes circunstancialismos, as linhas estratégicas do percurso que pretensamente nos conduzirá a 2015.
Na ausência de um ministro claramente fora do tempo e desenquadrado de contextos e de muitas das realidades políticas nacionais, houve espaço para que um dos seus secretários de estado apresentasse as linhas gerais do que será o novo QCA e para que o Prof. Augusto Mateus, há muito estudioso da realidade económica alentejana, sintetizasse os grandes objectivos, as metas em torno das quais terá de existir algum consenso. Um apontamento onde são visíveis alguns dos mitos que rodeiam o Alentejo, afinal não é uma região intensamente desfavorecida (faz a ligação entres o pelotão avançado e a retaguarda – em 7 regiões está num 4 lugar, em termos de competitividade e coesão), tem potencialidades endógenas há muito reconhecidas e algumas já afirmadas, tem ritmos perfeitamente distintos de afirmação, entre o litoral e o Baixo Alentejo, entre as mais valias empresariais e as afirmações industriais, entre outros, num trabalho que aconselho a ver.
Eram visíveis na plateia inúmeros protagonistas locais e regionais, organismos desconcentrados da administração pública, autarcas, quadros técnicos, sindicalistas, empresários, etc.
No computo das afirmações, algumas marcadamente lugares comuns, outras em tentativa de romper com o senso comum, foi também visível, pela ausência, um factor determinante e que neste momento o Alentejo não tem, uma liderança.
Para que o Alentejo se afirme, para que seja possível alcançar o pelotão da frente, por que é possível para além de ser desejável, há que se afirmar uma liderança que afirme a democracia, isto é, respeite as diferenças políticas e partidárias, acentua as pluralidades regionais, dê destaque às particularidades pessoais e visibilidade às especificidades locais mas que, para além de tudo isso, seja capaz de congregar em torno de si uma ideia mobilizadora, uma força impulsionadora, uma liderança que afirme um projecto.
E isso, neste momento, o Alentejo não tem.

terça-feira, março 28

idade

habitualmente não tenho problemas com a idade, com o passar dos tempos e o fluir das Primaveras (quase 43) que já cá cantam.
Um dos velhotes que me ajudou a crescer sempre disse para me sentir bem com a idade, para disfrutar cada ano pois só o temos uma vez, para o disfrutarmos como único sabendo que virão outros.
e, algo pretensiosamente, não tenho sentido muito este peso que me confere a ternura dos 40.
mas este fim-de-semana fui confrontado com as diferenças etárias e com as consequentes diferenças de perspectiva que acarreta essa diferença. De tal modo que um jovem, na casa dos 20 e pouco, me confrontou e disse que pertenço aos velhos, aos outros.
ficou-me atravessado na garganta, qual espinha, ao longo de todo o fim-de-semana. É um facto, é um dado incontornável perceber que, apesar de não sentir as diferenças, elas existem e cada vez mais se acentuam.
Tempos e idade.

expectativa

digo uma vez mais que Koeman não é dos treinadores que desperte em mim grande entusiasmo. Contudo, reconheço-lhe méritos na gestão da equipa, nomeadamente na liga dos campeões onde soube montar estratégias persuasivas e eficazes. Cá por casa tem sido mais difícil de gerir, circunstância que faz com que haja, de forma efectiva, uma equipa de consumo nacional e uma outra para inglês (e espanhois) verem e admirar.
Como será hoje a equipa? a equipa de hoje não é inglesa, não tem um modelo esteriótipado de futebol e os treinadores conhecem-se e prezam a mesma escola. Resultado do confronto? no final do jogo logo lhes direi, mas vou no empate a uma bola.

....

cheguei ao fim do meu moleskine.
durou de meados de Outubro a final de Março.
são apontamentos diversos, ideias soltas, pensamentos dispersos de um itinerário académico, numa tentativa de estudar as políticas educativas para além da escola.
venha outro.

segunda-feira, março 27

sinais

as medidas propostas pelo governo de Sócrates, no contexto da designada reestruturação do Estado, desencadeia um conjunto diverso de sinais.
uns preocupantes, outros reveladores, outros que esclarecem e outros ainda que ocultam.
preocupantes quando são solicitados sacríficios aos portugueses, apesar de existir um amplo consenso, e de repente sentimos que pode haver o refrear de ânimos, o condicionar da acção política, o apelo a que tudo se mude para que tudo fique na mesma. Faço votos e para isso trabalharei para que assim não seja.
reveladores do peso que algumas corporações (desde sindicatos a ordens, desde lbies de interesse a grupos de intervenção) adquiriram e da petrificação social e política que impuseram a determinadas áreas profissionais. Há tempos M. S. Tavares escreveu, e bem, que todos concordamos com as medidas de reestruturação desde que não nos afectem. Percebemos facilmente os comentários daqueles que não são os profissionais abrangidos e as diferenças com aqueles que sentem na pele as mudanças.
esclarecedores de qual o papel que se pretende para o Estado neste início de milénio. Obrigatoriamente diferente daquele que se afirmou no início do século XX e que se consolidou no pós guerra. As situações são outras, os contextos manifestamente diferentes, as exigências muito mais altas, os índices de participação e representatividade claramente outros. Não pode o Estado, seja ao nível da educação, da saúde ou da justiça, permanecer imóvel como se nada se tivesse alterado à sua volta. Haja capacidade, ousadia e temeridade (aquilo que alguns chamam de obstinação) para levar ávante esta reconfiguração.
Agora o que me preocupa é começar a sentir que existem sinais que há interesses que se insurgem. Uns dizem que decorrem do "aparelho" do PS (seja isso o que for), outros dos poderosos grupos de interesse que se movimentam em torno de áreas ou sectores de actividade (assim não têm rosto, são tudo, não sendo nada). Outros apontam as fugas cirurgicas de informação que causam constrangimentos e promovem agitações sem sentido e, particularmente, sem fundamento.
Passado pouco mais de um ano sobre a tomada de posse deste governo socialista há sinais que devemos levar em consideração e saber interpretar. Serão apenas sinais? sinais do quê? sinais para quê?

contradições

Não sei se é uma contradição se apenas um desabafo. Como não sei qual a dimensão da legitimidade e da fundamentação da ideia.
Mas cham de contradição ao facto de num tempo marcado pela aldeia global em que tudo sabemos sobre quase tudo, quase tudo nos passa despercebido.
Ou seja, sinto que cada vez mais há um escasso número de fazedores de opinião, essencial quando não exclusivamente lisboetas, que determinam modas, fazem as ondas, definem o que é in ou o que está out, condicionam gostos e, não menos importante, criam as manchetes editoriais.
Cada vez mais me apercebo que neste Portugal interior, desde a aldeia à cidade, passando pelas inúmeras colectividades, há cada vez mais e cada vez melhores acontecimentos.
Em Beja, durante a semana, começou sábado, marca presença um evento claramente diferente sobre jazz.
Em Portalegre há uma constante dinâmica musical e artística que marca ritmos, dita correntes.
Em Évora é uma miríade de acontecimentos, uns pequenos, outros grandes.
Em Sines é um centro de arte que orgulharia qualquer cidade europeia.
Em Mértola são dinâmica culturais que cruzam mundos e definem olhares.
Em Montemor-o-Novo são cruzares de culturas e de artes.
Em Alcáçovas são dinâmicas juvenis que determinam dinâmicas e ritmos.
Tantas e tantas coisas podiam ser referenciadas, apontadas.
Manifestamente quando olhamos para as diferentes agendas culturais dos municípios alentejanos facilmente nos apercebemos da quantidade de coisas, de dinâmicas, de acções, de projectos, do fervilhar de ideias. Para já não falar daquelas que por razões várias, ficam a marinar em lume brando, à espera de melhores oportunidades, de outras condições.
E nós sabemos sabemos o quê? o que circula como notícia? o que é facto jornalístico? com o que deparamos quando acedemos à televisão?
e não é uma situação excluvia desta região, do Alentejo profundo. É uma consciente contradição que alguns fazedores de opinião teimam em afirmar e que alguns editorialistas em fazer passar.
valem-nos alguns blogues que permitem conhecer outras dinâmicas, permitem cruzar outras perspectivas, e apercebermo-nos de outros prontos de vista.

quinta-feira, março 23

participação

entre amanhã e sábado tenho oportunidade de participar numa iniciativa que permite a discussão sobre a construção de políticas públicas de juventude.
é uma iniciativa que tem como principal imagem de marca procurar juntar todo um conjunto de características que marcam a juventude com a criação de um fórum de debate sobre políticas públicas.
entre a festa e o debate, discutem-se políticas de juventude.

lata

irritam-me as pessoas que pensam que Portugal é só delas.
há pouco, ao circular pelas ruas desta cidade, há uma senhora que resolve parar em plena faixa de rodagem no meio da Praça de Giraldo, descer, ier atrás da viatura, abrir a mala, retirar algo de dentro, ir entregar ali ao lado, voltar a entrar e seguir em frente.
tudo isto enquanto inúmera gente esperava atrás.
uns buzinavam, outros barafustavam, todos sopravam.
mas a senhora calmamente lá cumpriu o seu objectivo e seguiu como se os outros, todos os outros, não tivessem razão para estarem incomodados.
é preciso ter lata.

quarta-feira, março 22

ritual

cumpri o meu ritual anual que irei estranhar nos próximos tempos, ou seja, já enviei a candidatura inteligente (?) ao concurso de professores para o próximo ano.
uma vâ tentativa de me aproximar um pouco mais de casa. Cá fico à espera dos resultados, certo que dificilmente me moverei.

escrita

a minha escrita está diferente, dizem uns. As ideias são agora mais políticas, mais partidárias, dizem outros.
aceito os comentários. Como há quem diga que a minha escrita é militante, participativa e reivindicativa (circunstância que academicamente me constrange e dificulta algum desenvolvimento);
provavelmente será verdade, fruto de contextos, e somos quase sempre nós e o nosso contexto, a minha escrita adquire outras características, outras dimensões, podem não ser melhores, podem não ser maiores, apenas outras, apenas diferentes.
estou fora da escola, apesar de manter uma profunda ligação a essa paixão da qual não abdico, mais exposto, quer política quer institucionalmente, mais envolvido com um trabalho académico de pesquisa e investigação, que me faculta outras lentes (alguém diria um outro olhar).
Fruto de tudo isto o meu olhar à escola e à realidade é diferente.
perdem-se algumas características que permitiram que uns quantos amigos por aqui passassem e perdessem tempo a ler as minhas divagações; ganham-se, conquistam-se outros que descobrem outras formas de ver a discussão que nos cerca.

primavera

como na primavera, a alergia ao trabalho faz-se sentir.
sinto-me cansado, entupido de ideias, constrito de opiniões.
o cansaço, nesta altura do ano, fruto de re-adaptações, de ritmos diferentes e novos, de circunstâncialismo vários, pesa mais, manifesta-se com uma outra intensidade e bloqueia a vontade de pensar.
tenho uma reduzidissima capacidade de concentração, sinto manifestas dificuldades em ler, em articular ideias, em escrever.
como resultado o trabalho, particularmente o académico, não flui e sinto-me entre o assustado e o angustiado.
a escrita ressente-se e há quem me aconselhe a suspender a escrita a concentrar-me apenas em um ou dois focos de atenção.
Mas não consigo. Prefiro a dispersão e esperar a recuperação se ela ainda acontecer a tempo.

quinta-feira, março 16

telefonia

tenho o gosto, o privilégio e o prazer de participar num fórum radiofónico com mais dois colegas simpatizantes e militantes respectivamente do PCP (Diamantino Dias) e do PSD (Florival Pinto). digo prazer por que gosto de falar e de trocar ideias; digo privilégio por que efectivamente é um espaço de debate e um palco de onde é relativamente fácil atingir o boneco;
ontem discutiu-se um tema que poucos gostam e ninguém simpatiza, o encerramento de maternidades na região.
Podemos não concordar, podemos, inclusivamente, discordar.
Mas, pela primeira vez, existe uma articulação entre unidades de saúde (centro de saúde e hospital) e distritos (Beja, Ébora e Portalegre).
Desgraçadamente não temos gente, pessoas e os investimentos na área da saúde são demasiadamente avultados para que o erário público, aquilo que todos pagamos, seja disperso, não rentabilizado.
Há que salvaguardar duas coisas, por um lado a prestação de cuidados de saúde com qualidade, por outro, a necessária articulação entre valências e entre sectores de modo a que não se disperse sem que se assumam responsabilidades.

crise? qual crise?

Não haverá texto sobre a escola e sobre a educação que, mesmo que superficial ou afloradamente, não aborde, defenda ou afirme com firme convicção que a escola, a educação, os valores, os jovens estão em crise.
Se olharmos a floresta até podemos pensar que ela não está como gostariamos. Legitimo, as sem grande sentido.
Ontem tive oportunidade de estar com mais de 10 jovens, oriundos de escolas secundárias, na fase distrital de um jogo promovido pelo IPJ, o Hemiciclo, onde tive oportunidade de ver e sentir um enorme prazer nesta juventude, no modo como afirma a defesa das suas ideias e de pontos de vista, no esgrimir de argumentos, na utilização do contraditório.
Olhando a escola, a educação e a juventude a partir deste ponto, é um foco de atenção como qualquer outro, resta-me perguntar que crise existe? onde é que ela está?

quarta-feira, março 15

irra

pagar 60 cêntimos (120 melreis) por um mau café custa.
foi o que me custou, há pouco, no arcada, um mau café por 120 escudos. irra.

de regresso

o Mário, o Simões, está de regresso. Faço votos para que seja para ficar, por muito e bons tempos, escrita, queria eu dizer.
em www.sonhosecompanhia.blogspot.

eleições

o PS cá da terra, seja de âmbito concelhio ou distrital (federação) irá a votos em breve.
Procura-se, aceita-se uma discussão de projectos e de ideias;
qual o papel dos partidos políticos em contexto local ou regional?
qual a acção política pretendida na consolidação das democracia locais e na sua articulação com democriacias nacionais ou transnacionais?
qual o papel dos actores locais na afirmação de ideias nacionais, como, no inverso, a afirmação de ideias nacionais em contextos locais?
afinal, que pretendemos nós afirmar, uma posição de poder ou uma posição de afirmação de um projecto?
qual o espaço, sempre necessário, à participação independente?
O PS sempre foi rico no debate e na troca de ideias, na pluralidade de pontos de vista e ambições, de afirmações e de estratégias. Dentro dessa pluralidade sempre soube concertar acções, harmonizar objectivos, integrar divergências.
Mas os tempos presentes são de mudança, são, assumidamente, de mutação. Há uns quantos que procuram as continuidades, outros que se escondem nos afazeres para esperar por outros ou por outras oportunidades. Corre-se o sério risco de ficar na mesma e se adiarem circunstâncias de mudança que são inevitáveis, quer na revita~lização da acção política quer na afirmação de ideologias.
e, ao contrário do que se poderia imaginar e do que alguns defendem, não estão gastas, nem são todas iguais.

prime time

há pouco mais de um ano eram os políticos (de um ou de outro lado) que abriam os telejornais, enchiam as manchetes da imprensa escrita.
hoje, de há poucos meses a esta parte, são os grandes grupos económicos que optam por conferências de imprensa à hora dos telejornais;
mudança de antena ou apenas mudança dos tempos?
predomiínio económico ou simplesmente preponderância sectorial?

exame

a propósito das notícias - qual versão a ver o que dá - do ME ir obrigar os candidatos à docência a realizar exame de acesso à carreira, encontrei uma referência nos blogues que percorri (não foi uma procura nem sistemática, nem intensiva, portanto vale o que vale se é que vale alguma coisa).
não é novidade, algumas ordens já o fazem (será uma eventual procura de equiparação a estas realidades mais, digo, ordeiras??);
noutros países é norma desde o final dos anos 80, onde, particularmente, se debateram com idêntico problemas, a de excesso de procura para uma oferta que é cada vez mais escassa;
e cá? qual o teor da discussão? qual o sentido das conversas? qual a pertinência da medida? quais os impactos previsionais?

ausências

a maior parte das vezes digo que não escrevo por que não tenho um acesso à net em casa, circunstância que me constrange na actualização e na edição diária deste espaço.
mas outras é apenas por que procuro não escrever.
Arranjo desculpas para não verter ideias a quente, procurar alguma distância, algum distanciamento a factos ou acontecimentos que me obrigam a pensar aquilo que escrevo.
coisa com a qual, reconheço e assumo, não simpatizo muito.
gosto de escrever de rompante, aos soluços de uma paixão apenas pelo debate, pela troca de ideias.
sentir que me auto-condiciono na escrita é sentir-me coartado.
mas acontece e, afinal, há que pensar aquilo que se escreve pois não sou apenas eu o implicado.

quinta-feira, março 9

geração

Cada vez mais sinto a força dos tempos, a mudança, o que persiste em ficar e aquilo que quer mudar.
Onde nos situamos nós?
Onde nos queremos posicionar?
Será uma coisa de geração?
há dias uma colega docente dizia-me que sente os rapazes diferentes, que seria capaz de apontar diferenças entre aqueles com que trabalhou no final dos anos 90 e aqueles com quem agora trabalha. E, acrescentou, não são apenas os rapazes, são também os pais deles.
O que muda?
o que fica?
o que muda do que fica?
o que fica do que muda?
Como andam estas coisas polí­ticas por estas terras alentejanas?
Sinceramente não percebo, não tenho elementos suficientes que me permitam perceber e compreender o que se passa, isto é, e aparentemente, nada, mas, pelo contrário, uma guerra surda, onde peixes de águas profundas mexem e remexem, e agitam águas, se faz sentir a turbulência da calma aparente; será assim tão aparente?;
Será um contar de espingardas?
será um acerto de equilíbrios?
será um verificar de posições?
o que é?
sinto a força de alçgumas individualidades em projectos que deveriam ser colectivos; sei que me ponho a jeito de levar no lombo, de cascarem em mim, mas que raio é isto que não compreendo;
Aparentemente sou dispensável por que eventualmente indesejável?
Sinto, a partir de diferentes patamares, ventos de outras paragens de outros tempos, um tenta-te que não cais, um enrolar de coisas... que descamba em confusão, em indecisão, em distanciação face às pessoas e às ideias centrais de um projecto.
Não compreendo, provavelmente por falta de lementos e de capacidade. Será?

glorioso

se eu, nos outros momentos, tenho orgulhjo em ser benfiquista, imagem agora, hoje, claramente ressacado de uma vitória que nã oé apenas gloriossa, é histórica.
àh ganda benfica.
Venham os próximos, sejam eles quem forem.

quarta-feira, março 8

escrita

sou de rompantes, marcado por um quase movimento pendular, de um lado e do outro, raramente em equilíbrio dito perfeito.
Ou hei-de escrever de fio a pavio, ora sentir-me estagnado, empancado.
Há dias escrevi cinco folhas de uma só vez, a espaço simples. Foi uma vitória.
Depois de leituras, depois de alguma organização de ideias e de argumentos foi um despachar de palavras.
De repente páro. Não consigo concentrar-me o suficiente para ler com a atenção que necessito. Questiono as minhas possibilidades, interrogo-me sobre a oportunidade da decisão.
Não consigo nem escrever nem ler. Perco tempo.
Não sei se me sinto cansado ou apenas se é apenas a necessidade de clarificar ideias.

mulher

é o dia delas.
é merecido, é de festejar, éde louvar e agradecer
a elas, hoje e sempre, um bom dia.

março

ontem esteve uma noite como desde Outubro não se sentia. Agradável, convidativa. Com um frio agradável de sentir, reconfortante, mas também com um claro sentimento que se aproxima a Primavera.
Gostei. Marca este Março em que desde pequeno me lembro de ouvir dizer
março, marçagão,
manhãs de inverno,
tardes de verão.

miudinho

tou nervoso, tou.
é um nervoso miudinho, pois quero acreditar (será fé?) que empatamos a um, mas tou nervoso, tou.

terça-feira, março 7

simples

sempre gostei das coisas simples, ainda que nada tenha de simples e, muitas das vezes, seja um complicadinho dos diabos - na escrita, nas ideias, na organização, nos afazeres. Mas não invalidade que simpatize e aprecie as coisas simples.
O desenho, o retrato oficial do presidente da República cessante, Jorge Sampaio, da autoria de Paula Rego é isso mesmo. Uma coisa simples. Uma coisa duplamente simples. Um retrato que mostra, destaca, retrata uma pessoa simples de um modo aparentemente simples.
Brilhante.

espanto

espanto-me sempre quando descubro sintonias, cumplicidades nas conversas que tenho com gentes diferentes.
Gosto, realmente, de me re-encontrar nas palavras dos outros, nas ideias diferentes, nas discussões, na troca de opinião.

segunda-feira, março 6

nokia

Em finais dos anos 90 tive oportunidade de participar num encontro realizado na região de Hamm, na Finlândia e de tomar conta da organização e das opções estratégicas daquela região.
Passados estes anos é a vez de o primeiro ministro perceber o que por lá se faz.
Não tenho a mínima das dúvidas que muitas vozes se levantarão na análise daquilo que não temos, das desvantagens incomparativas.
Mas, neste contexto, realço um pormenor de todo em todo determinante na observação que mais me marcou naquele período, a formação dos professores.
Poucos são os professores que se ficam pela formação inicial. E não é por determinação legislativa, é por opção.
Quem fez formação pós graduada percebe que este pequeno pormenor, faz toda a diferença.

final

Jorge Sampaio está de saída, chega ao final do seu segundo mandato.
Assumo que desde os idos 80 que gosto de Sampaio. Foi com ele que me aproximei da militância política e partidária. É uma pessoa com carisma, para ser simples e prático.
Não se lhe arvoravam grandes expectativas aquando da sua tomada de posse. Convenhamos que substituir Mário Soares não era, nem certamente terá sido, tarefa fácil.
Mas soube fazê-lo, com elegância, com distanciamento ao exercício da governação, escolhendo dois ou três temas que atravessaram de forma incontornável o seu período, nomeadamente questões em torno da escola, da educação e da formação, questões da inovação e desenvolvimento organizacional e, por último e o menos conseguido, o da justiça.
A grande questão neste momento é perceber quais as linhas de orientação do novo presidente. Se levarmos em consideração a sua primeira entrevista como presidente é de suspeitar que iremos sentir as diferenças.

quinta-feira, março 2

zapping

percorri, de forma ligeira, uma vasta extensão das ligações mais afectivas daqueles blogues onde gosto de parar, de sentir, de ler, de folhear.
ainda que de forma quase que descomprometida encontro três situações.
Uma permanência pelo prazer da escrita, pela assunção de um espaço de participação, mas também de catarse - social, pessoal, profissional. Um espaço agradável pela diversidade de pontos de vista e de olhares;
um esmorecimento de olhares, algum desencanto, alguma desilusão que perpassa pela escrita. Seja pelos constrangimentos de um tempo presente, seja pela solidão da escrita. Mas é uma escrita cada vez mais virada para os interiores - das pessoas, profissionais, sociais, contextuais.
Por último e não menos importante a permanente profusão de blogues, pela alteridade que muitos denotam, pela assunção da mudança e da evolução.
Uma blogosfera feita de contrastes onde nos é permitido e possibilitado um maior conhecimento, senão do outro, pelo menos de nós por intermédio do outro.

portuguesices

Cheguei quase com uma semana de atraso a um sítio onde não resisti, ainda assim, a comentar.
Não são coisas típicas, específicas, exclusivas dos professores. É um sentimento que atravessa grande parte do português, num queixume que A. Variações tão bem caracterizou, só estou bem onde não estou.
pela lista - e não quero parecer desconcertante dizendo que poderia ser de supermercado - até parece que a origem dos problemas está fora da escola ou de nós (nas famílias, nos políticos, na sociedade, nos outros) e a escola mais não fosse que uma qualquer ilha onde com recursos (humanos, materiais e financeiros), formação, outros alunos, outro meio, uma outra comunidade, outros pais, etc... seria um paraíso.
Felizmente não é, e grande parte dos problemas não estão fora da escola, estão na escola e em muitos dos modos de os professores olharem e pensarem (?) a sua profissão, o seu papel e o papel da escola pública em contextos desafiantes, polifacetados, heterogéneos, diversificados e instáveis.
Mas é uma discussão que dificilmente levará a algum lado. Não por falta de consenços, uma vez que nas críticas estaremos amplamente de acordo, mas nas propostas que eventualmente se coloquem e aí é que se diz mal dos políticos, pois nenhuns interessam, nem os que lá estiveram, nem os que lá estão, nem os que lá venham a estar.
Esta atitude, diria típica de um qualquer profissional português, é uma das principais causas do que se poderá designar como atraso português. Sempre descontente com o que se tem, sempre a querer preservar o que se tem, não se vá mudar para pior. Mas mam já estamos n´so. Afinal, em que ficamos?.

quarta-feira, março 1

troca

Agora com uma idea de trabalho em fundo e na sequência de uma abordagem matinal aos sucessivos temas que se colam à escola - no caso a protecão civil, mas podia ser a revenção rodoviária, o tabagismo, o alcoolismo ou outra.
Os tempos contemporâneo têm produzido uma, direi, excessiva escolarização dos problemas sociais. Isto é, em face da incapacidade de a sociedade, e os seus mecanismos, responderem com eficácia e adequadção a um sem número de solicitações e/ou problemas remetem-nos para a escola, escolarizam-nos, como se esta fosse uma panaceia deresolução de situações e constrangimentos.
Como se sabe não é e tem sido um dos factores que mais tem destacado a ideia de crise da escola ou crise da educação.
Proponho agora o contrário, isto é, que se socializem os problemas educativos. Isto é, que aqueles problemas com os quais a escola tem tido dificuldades em lidar ou gerir, caso da violência ou da delinquência juvenil, das aulas de substituição, do planeamento ou da prevenção (seja da saúde ou de outra ideia), da sensibilização artística ou científica, seja adjudicada a organismos da sociedade, por exemplo, as organizações juvenis.
Marcadas pela adesão voluntária, pelas afectividades e pelas informalidades podem ser espaços onde a escola encontra apoio na resolução de alguns dos seus problemas ou constrangimentos.
É certo que há que definir elementos de ligação e conexão, mecanismos de regulação e articulação, entre outros, mas será um caminho, uma possibilidade.
Poderá ser, e só para picar um amigo, uma efectiva construção da escola situada.

invisível

O mundo é cada vez mais uma aldeia global, marcado, essencialmente, pela comunicação social, pela mediatização pelo conehcimento de massas.
Tudo aquilo que nós não conhecemos não acontece, não existe.
Pode-se contrapor e dizer que foi quase sempre o contrário. Maior o número de acontecimentos do que a nossa possbilidade de os conhecer. Só há relativamente pouco tempo se inverteu esta permissa; Mas não corresponderá à verdade.
Há um sem número de pequenos (e de grandes) acontecimentos que marcam ritmos, definem dinâmicas, respiram energias próprias dos quais não fazemos ieia. Mas existem. Ontem tive disso, uma vez mais, experiência e consciência.
Dois carnavais pequenos (Alcáçovas e Igrejinha), mas enormes para as aldeias onde se realizaram. Totalmente fora dos grandes circuitos, mas com enormes tradições e personalidade marcada.
São fruto de práticas locais ancestrais, que teimam em permanecer vivas fruto de vontades individuais que arregimentam o colectivo, o grupo.
E que dão gosto ver. Pela simplicidade, pela vivência e pela tradição.

interrupções

é sem querer, coisa que eu não gosto, mas de quando em vez fico algum tempo sem marcar presença. Foi uma das razões (sei que há muita gente a apontar-me outras) que levou à interruipção prolongada da escrita.
Mas decorre da minha ainda não ligação à net, circunstância que já me começa a chatear, mas perante a qual pouco posso ainda fazer.
Resta-me apelar à compreensão.

quinta-feira, fevereiro 23

Micro

M. Castells (2006) defende que os fenómenos da micro-economia condicionam a acção da macro economia, numa teia de relações e conexões que vão para além do seu próprio contexto.
A pergunta que se impõe refere-se à possibilidade de transposição desta ideia para o campo da política e perguntar até que ponto os fenómenos da micro-política podem condicionar os fenómenos da macro-política, isto num pressuposto da relação, da interconexão e da interdependência entre estes dois mundos - micro e macro.
Se assim for então que questões se podem colocar a partir do pressuposto que a política (e os restantes fenómenos sociais) não são uma justaposição (local, regional, nacional, global - ou uma cascata em sentido inverso) nem uma simples aritmética sumativa (do tipo a+b=c), mas antes um equilíbrio instável, porventura dinâmico, talvez de interesses, provavelmente de objectivos, certamente de recursos, de quando em vez de intenções, onde, como alguém e num outro contexto definiu, o que é hoje verdade amanhã pode não o ser.
Neste contexto, o que pode ser determinante serão os canais que permitem a ligação entre estas diferentes dimensões, ou perspectivas, e perceber quais os fenómenos de tradução entre eles na adequação ou clarificação daquela panóplia de conceitos (interesses, redes, parceiros, objectivos, acções, projectos...).

quarta-feira, fevereiro 22

glorioso

e viva o glorioso.
É nestes momentos que sinto o enorme privilégio de ser benfiquista - nos outros também, pronto.

genealogia

No meio das afirmações políticas e pessoais, no meio do confronto de ideias e projectos, evidencia-se, aqui e ali, que a genealogia da decisão política se prende a uma mesma árvore e apresenta, em anos e quase que gerações sucessivas, as mesmas ramificações.
A sociedade portuguesa está cada vez mais fechada na sua aparente abertura. A participação esbate-se em ideias feitas e conclusões absolutas. O enredo social enleia-se em projectos pessoais algo confundidos com ideologias políticas.
Descobre-se, descubro, que há outros mundos, outros entes que poem e dispoe de modo para eles natural, para mim afirmativamente sobre o natural.

nuclear

Hoje, na generalidade da comunicação social que oiço e pela qual passo os olhos, fala-se de energia nuclear. Alguns prós, alguns contras, pontos de vista de uns e de outros, considerações mais ou menos pertinentes e discute-se, como há muito não se fazia (talvez desde aqueles tempos de nuclear?, não, obrigado!).
Não sei se será uma opção, não tenho conhecimento pessoais sobre o assunto e as considerações de terceiros deixam-me, no mínimo, duvidoso.
Agora sei que têm de existir alternativas ao actual, e velhinho, modelo de exploração industrial e energético.
Há apenas 50 anos, e face aos valores de crescimento de então, havia expectativas de muitos milénios pela frente, face à exploração dos recursos naturais então existentes. Hoje ficamos coma clara sensação que rapamos o fundo ao tacho e sobre exploramos recursos que não são capazes de renovação no espaço de uma geração.
O modelo económico exige alternativas e um futuro. Se ele passa pelo nuclear não sei, sei que, pessoalmente, gostaria que passasse pelas designadas energias renováveis, sol, vento, marés. Estas têm futuro. Se são alternativa isso já não sei.

reconhecimento

Parabéns.
Devia e pensei ficar por aqui. Opto por o não fazer. Esta votação, valendo o que vale, é também o reconhecimento da coerência, da persistência, da insistência e, acima de tudo, do reconhecido profissionalismo de uma pessoa com quem confrontei (e confronto) ideias e opiniões, com quem descobri olhares, com quem divirjo sabendo da comunhão de pontos de vista.
Fico enormemente satisfeito.

terça-feira, fevereiro 21

para além da escola

A educação não se circunscreve à escola e o local, em educação, não é a escola.
Um texto maravilhoso de F. I. Ferreira, numa obra do final do ano passado designada "O local em Educação", publicação da Fund. Calouste Gulbenkiam e que corre o sério risco de passar despercebida tal é a hesiguidade da distribuição.

avaliação

ontem, ao final da tarde, estive na minha escola como convidado e como amigo crítico.
No contexto de um processo de avaliação interna, desenvolvido por uma colega que, simultaneamente, procura fazer a sua dissertação de mestrado, fui convidado como conhecedor da realidade, mas também crítico de muitas e diversificadas situações que atravessam a escola, em geral e aquela em particular.
No seguimento de uma agradável e algo surpreendente troca de ideias entre os elementos, pais, professores e alunos, desataquei três ideias que por ali circulavam e que certamente se poderão, com os devidos respeitos, generalizar.
Que foi um local de confluência e de catarse algo colectiva, um local onde houve oportunidade de, olhos nos olhos, trocar ideias e saber que existem pontos de consenso;
que há quem defenda os interesses dos alunos em função dos interesses dos professores e, nesse caso, pouco se avança na consideração do aluno como sujeito de uma relação e não apenas objecto de trabalho pedagógico - por muito útil que seja;
que muitas vezes se discutem problemas quando as soluções estão ali mesmo à mão de semear, quando valorizamos a amargura e a contrariedade e temos, mesmo ao nosso lado (mesmo à nossa beira) possibilidade de resolver aqueles problemas, aqueles constrangimentos, bastaria um outro olhar, uma outra atenção, uma outra valorização.

traduções

Escrevo há tempo suficiente para saber que não passo despercebido, não posso nem o quero fazer. Mas nunca imaginei que tivesse tanto ruído à volta de um apontamento que uma rádio onde habitualmente participo (às 4ª à noite) fez num seu sítio na net. Uma tradução simples de uma ideia da qual não retiro uma virgula - além do mais está gravado e certamente já terá passado por mais que uma vez.
A afirmação ia no seguimento da situação referente à instalação de uma empresa de aviação na zona e ao modo como foi tratado o caso.
Como é referido em comunicado, represento-me a mim mesmo, à minha pessoa, e às ideias. Sou apoiante de José Ernesto de Oliveira, mas fazer de uma situação de divergência uma caso sério é demasiado para o meu entendimento.
Menos adequada será a utilização da rádio que furta um comentário ao seu contexto e à ideia central de um pensamento para vender.
Afinal todos temos de ter cuidado com o que se diz.

segunda-feira, fevereiro 20

sentidos

no âmbito da procura de ideias e da troca de opiniões, destaco uma frase de J. Barroso (2005, p. 82):
"a escola deve ser vista como um lugar social, como uma cidade política (…) onde os professores, os alunos e outros membros constroem a sua identidade (ou pelo menos parte dela) pela pertença ao grupo a que estão unidos, por laços de solidariedade, resultantes da partilha de um bem comum. A construção de uma democracia política requer, assim, a afirmação de um sentido de comunidade de modo a que as escolas funcionem, claramente, como lugares de construção de sentidos".
E serão elas estes locais? E permitirão elas esta construção? E terão elas estes laços?

memória

Provavelmente muitos já perderam o tempo suficiente a ver o canal RTPMemória e muitos se riram, se surpreenderam com a imagem, com as recordações, com toda a memória que ali se retransmite.
Ontem perdi eu um pouco do meu tempo a recuperar memórias de tempos idos, a recordar imagens de outros tempos.
Fico com uma clara sensação, a de surpresa, a de me inquirir como já fomos, o que mudou, o que permaneceu.
Desde a valorização de pontos de vista, de imagens, de adereços, a rábulas que não têm tempo a modos de nos relacionarmos com a televisão.
O que se ganhou desde então. Parece um outro país. Mas não é, somos os mesmos. Um tempo urbano num espaço rural.

greve

começam hoje os concursos docentes, coincidentemente com a greve ao tapa buraco.
Pergunto, qual o papel que os sindicatos consideram ser o da escola pública?
Qual o papel que os professores concebem na construção da escola pública?

sexta-feira, fevereiro 17

íntimo

este é um espaço mais íntimo e mais ínfimo, num jogo duplo de sensações e sentimentos.
Este De Cabeça é mais pessoal e mais individual, mais eu e mais intransmissivel.

...

sempre que procuro ficar em casa, entre o descanso e o sossego, há, invariavelmente, um conjunto de desatenção.
Por tudo e por nada me telefonam, me inquirem, me questionam. Resultado o descanço não existe e o sossego é quase nulo. E estou eu no meio do campo.

saudades

depois de algum tempo de afastamento deste mundo e desta blogosfera, tenho que reconhecer que tinha algumas saudades.
Podia dizer de todos ou de quase de todos, mas destes então não vos digo nada:
http://uns-e-outros.blogspot.com/
http://olhardomiguel.blogspot.com/
http://abnoxio3.blogs.sapo.pt/
http://conversamos.blogspot.com/
http://inquietacaopedagogica.blogspot.com/

hábitus

Os novos instrumentos criam novos e diferentes hábitos.
Por causa de um telemóvel com câmara habituei-me a recolher apontamentos fotográficos, pequenos instantes, pequenos pormenores que guardo num diário que designei de Fotográficas.
Ao olhar para o conjunto que já tenho, faço esta captação desde meados de Dezembro passado, reparo que são eminentemente urbanas e de pormenores. Não há telas, não há grandes imagens, como há muito pouca gente. São, na sua quase totalidade, pormenores urbanos.
isto em como novas ferramentas podem induzir novos [ou outros] comportamentos.

quinta-feira, fevereiro 16

fluxos

E a cidade flui, debaixo dos nossos pés, sucumbindo ao nosso passar e ao peso das gentes.
A cidade é um fluxo migratório de gentes, de desejos não concretizados, de passos de descoberta.
Há tempos deparei com um adizer que afirmava: a cidade é um livro que se lê com os pés.

nós

gosto desta palavra. Tanto se pode relacionar com um plural colectivo de pessoas como de enredos e tranças, malhas que se tecem.
Neste sentido, que nós são necessários para construir territorializadamente a escola e a educação?
Que nós são necessários para irmos além da escola e considerarmos a educação como uma oportunidade?
que nós precisamos nós?

exterior

Neste meu regresso tenho de aqssumir alguma exterioridade à escola, mas não à educação.
Continuo relacionado com a escolae com educação. Mas não estou a exercer. Permaneço como pai e encarregado de educação e, nesse ccontexto, a lidar com docentes (muitas vezesc a ouvir comentários indelicados, impropérios e outras coisas que tais), sou investigador na área das políticas educativas e da construção local da educação (onde quero desenvolver a minha tese de doutoramento). Continuo como profissiobal da educação, professor, em todos os seus sentidos e sentimentos.
Mas nenhuma dessas situações faz com que olhe de modo indiferenciado e/ou alheado a escola e a acção de muitos professores.
Nas qualidades (ou papéis) que referencio, continuo a ouvir os professores a dizerem barbaridades dos seus alunos, a encará-los como problemas e não como oportunidades. Continuo a ouvir diatribes imensas na relação com parceiros sociais ou outros actores educativos. Continuo a olhar a desconsideração com que muitos votam e desconsideram a profissão, fazendo dela um modelo operativo de funcionamento e não uma oportunidade de reflexividade profissional.
Enquanto não predominar a reflexividade, a consideração que somos parceiros, e não rivais, que complemementamos e não rivalizamos, nada feito, permaneceremos iguais, parados e, muito particularmente, desconsiderados.

quarta-feira, fevereiro 15

sentidos

No meio das conversas e das discussões sobre a reconfiguração da educação e da escola, fico com a ligeira sensação que estamos a discutir o acessório e não o essencial, isto é, os sentidos e as funções, os objectivos e os conteúdos da escola pública neste início de milénio.
Será que não há outras formas de organização da escola? será que o figurino escolar está petrificado e é imutável? qual o espaço do local na escola e na educação?
Não sou nem mais inteligente, nem mais esperto que os outros, mas não se discutem estas problemáticas. Por que?

futebol

e, quase de repente, o mundo do futebol resolveu inúmeros problemas a inúmera gente nesta cidade da planície alentejana.
De repetente até aparecemos na televisão e o que anda há quase 5 anos para ser resolvido, aparece ultrapassado.
é maravilhoso o poder do futebol.

segunda-feira, fevereiro 13

escola pública

ao longo da manhã, na antena aberta da Antena 1, falou-se e discutiu-se a intenção (que é mais que isso) do governo encerrar as pequenas escolas.
Entre ideias feitas que conduzem à desertificação do interior (mas, quando existiram, nunca promoveram a fixação), à ideia do combate ao insucesso (mas afinal, a redução do número de alunos por turma não é uma exigência?), até muitas outras coisas, passou-se genericamente ao lado da discussão essencial neste tema, a do papel da escola pública, o papel da educação no local.
Na generaidade dos países europeus este foi um tema que nunca se colocou. Em Espanha foi resolvido em meados dos anos 80 com a criação dos centros educativos. Apenas por cá consideramos que o atomismo educativo pode salvar uma aldeia, combater o insucesso, promover o desenvolvimento.
O que pode promover a fixação das pessoas, o combate ao insuceso educativo e escolar, apelar ao desenvolvimento do interior é a existência concertada de estratégias e projectos, dinâmicas e acções que colectiva e conjugadamente procurem o mesmo fim e os mesmos objectivos.

de cabeça

Pois é, na reconfiguração deste meu espaço, onde escrevo sobre tudo e para nada, não faria grande sentido estar com uma designação de educação. É certo que predominará esta área. Mas outros temas, outros assuntos marcarão este meu cantinho, mais em jeito de um diário do que de qualquer outra coisa.
Daí a alteração da designação, de cabeça, do modo como me atiro para a vida, nome próprio, sujeito pensamente. Enfim.

quinta-feira, fevereiro 9

arranque

Na construção de um objecto de estudo e de investigação sinto claras dificuldades de arranque, em passar para uma escrita articulada, coerente e sistematizada, leituras que fiz, ideias que desenvolvo, argumentos que arranjei.
Não sei como transpor este obstáculo, um constrangimento natural, direi eu, no contexto deste projecto.
A ver vamos como lhe dou a volta.

sardinha

Uma coelga de escola, com quem partilhei alguns sonhos e muitas arrelias, com quem tive oportunidade de aprender e de descobrir o prazer de conhecer, escreveu-me. Encontrou-me por estes espaços e teve a simpatia de me contactar.
Entre a saudade e a amargura dos dias de tempestade que a educação, e a escola em particular, sempre viveram, pergunta-me, em jeito de afirmação, como é que as escolas mudam. Diz que talvez por fora, uma vez que por dentro é difícil.
Estou certo que por fora nunca mudarão, façam o que fizerem, venha quem vier, digam o que disserem.
É por dentro, é com os professores, mas também com pais, com alunos, com autarquias, om funcionários, com associações locais, com parceiros que elas mudam.
Uma das principais dificuldades da mudança educativa é que se procura - ou se tem promovido de forma - isolada, descontextualizada, desgarrada, solta.
A educação requere tempo, espaço. É esta sensação que coduz muitas vezes à sensação de amargura quando não vimos resultados.

quarta-feira, fevereiro 8

biblioteca

É sabido que as coisas e as pessoas se têm que adaptar, se isso significa evoluir, isso é uma outra questão.
No âmbito do projecto de investigação que desenvolvo optei, por questões de economia e disponibilidade, aceder ao acervo da biblioteca pública. Em boa hora o fiz.
Está um espaço bastante diferente daquele que eu conheci há muitos anos atrás. Mais aberto, com mais luz, com cheiro para além dos livros, com simpatia (essa é a mesma de sempre), com disponibilidade, com coisas interessantes, com lógicas de organização e funcionamento que interessam ao público que a visita. Um espaço aberto pronto para (re)descobertas.
Se puderem passem por lá.

tentativa

entre a educação, o meu mundo de paixão, e o desempenho profissional onde presentemente me insiro, instituto português da juventude, procuro criar uma relação e um objecto de estudo passível de servir de suporte a um projecto de investigação.
nesta tentativa de criação de relações e de cumplicidades pergunto-me se é possível definir o movimento associativo juvenil como objecto de estudo. Ou seja, será possível considerar a educação para além da sua vertente escolar?.
eu quero crer que sim.
Nem que seja pelo simples facto de a escola ter naturalizado uma ideia de educação, isto é, hoje, ao pensar em educação, circunscrevemo-nos a uma quase que exclusiva possibilidade, a escola. Ora a educação vai muito para além da escola. Há outros espaços, outros territórios onde é possível a educação e onde se aprendem outras práticas, como sejam as da cidadania, as da participação ou as da convivência democrática. Espaços e oportunidades que a escola não tem integrado no seu próprio espaço, não se tem apropriado.
É exactamente nesta dimensão que é possível constituir o associativismo como um objecto de estudo no campo educativo.

terça-feira, fevereiro 7

voltar

é hábito dizer-se que o ladrão regressa [quase sempre] ao lugar do crime. Pois é também eu, sinto saudades de escrever por estas bandas, de escrever publicamente.
Não há nada nem ninguém que não escreve para ser lido. Tenho escrito, por razões profissionais e académicas, em diferentes suportes, com diferentes objectivos e diferentes propósitos.
Regresso à escrita dos blogues para trocar ideias, debater opiniões, construir sentidos.
Sempre com um pano de fundo, o da educação, o da escola, o das políticas educativas. Afinal o da vida, coisas soltas sobre tudo e para nada. Ou, pelo menos, para me perceber um pouco melhor, um pouco mais.
Haja tempo e oportunidade.