segunda-feira, maio 19

das coisas

isto de passear de blogue em blogue será curiosidade? interesse? ou simples voyerismo virtual?

da escrita

cada vez mais me apetece escrever cada vez menos...

terça-feira, maio 13

californication

não consigo ver isto sem me lembrar do detective Mulder, de extraterrestres e afins;
ou de me lembrar dos poetas malditos dos anos 30 e 40 do século passado;
não deixa de ser uma revisitação que varia entre o erótico e o subliminar;
(interessante o de ontem, na referência aos novos suportes de escrita, blogues incluídos);

registo

apareceu um novo Registo nas bancas regionais;
um jornal semanal que dá conta do que por cá se passa;
terá pernas para andar? ou ficar-se-á pelo Registo...

trabalho autónomo

isto de realizar um projecto de investigação a residir na província e ter um orientador na capital do império (e viajado) não é fácil;
acentua o trabalho autónomo, é certo, mas é leeeennnnnttttooooo...

segunda-feira, maio 12

sobre o fim

terminou o campeonato da amargura (dos benfiquistas, pois claro);
um quarto lugar sem apelo nem agravo, fruto da qualidade e da desorientação;
resta-nos agora esperar pelos nervos do europeu para podermos gritar e sofrer;
e entretanto tudo o mais segue, serenamente, o seu caminho;
circula pela Net, à semelhança de outros exemplos tão ou mais caricatos do que este, um apontamento reflexo de tantas coisas do que não se passa na escola:

A obra dramática de Gil Vicente, vista por um a aluno do ensino secundário

«Eu não tenho dúvidas que o Gil Vicente é muito importante, apesar de nunca ter ganhado o campionato de futebol. É importante porque ás vezes ganha ao Benfica, otras ao Sporting e otras ao Porto, tirando a eles o primeiro logar. E também por isto é que a sua obra é dramática porque é um drama para os benfiquistas, os sportinguistas e os portistas quando ganha.»

Esta foi a a resposta de um aluno do secundário a uma pergunta sobre a obra dramática de Gil Vicente.

quinta-feira, maio 8

início do fim

o que me custa na escola é o princípio do fim ser o início de quase tudo;
as ditas cujas actividades de enriquecimento curricular (AEC), na minha escola, decorrem, consideração minha e pessoal, de modo impecável e pertinente; seja pela oferta que, por acasos, foi criada, pela cooperação e articulação que tem existido entre os responsáveis das AEC's, pelas lógicas que lhe estão instituídas de assegurar ligações futuras;
há coisas menos boas e algumas mesmos más, obviamente, mas globalmente considero positiva a experiência;
sem avaliação nem ponderação já se pensa alterar o figurino e mudar as ofertas; contingências, dizem, limitações, afirmam;
o certo é que o início do próximo ano lectivo será, uma vez mais, o princípio de tudo, como se não existisse história na escola, como se o feito fosse arrumado em arquivo morto; como se as situações fossem descartáveis;
é pena...

divisões

na parte final de um ano lectivo que foi declaradamente conturbado, o bom senso custa a prevalecer em algumas escolas;
na minha, de roda de um projecto educativo transitório, o conselho pedagógico divide-se a meio, aparentemente sem possibilidades de desempate;
as discussões tornam-se redondas e as saídas inoportunas;
convenço-me das dimensões que o director pode vir a assumir, definindo objectivos, indicando coordenadores, assumindo controlo, centralizando unipessoalmente a decisão;
não sei como irá ser na generalidade, mas na minha escola vai ser giro, áh vai, vai;

quarta-feira, maio 7

sobre chumbos

Quem lê estas linhas saberá, quase de certeza, o que é um chumbo. Se não chumbou terá alguém, nas suas relações de amizade escolar, que tenha passado pela situação.
Chumbo, retenção, raposa, reprovação são conceitos diferentes que procuram explicar uma mesma coisa, a não transição de ano de um aluno. Os conceitos, como é facilmente perceptível, modificaram-se com os tempos, respondendo a modas pedagógico-educativas ou a simples opções de política educativa ou tão só aos modos de olhar a situação de retenção, reprovação, chumbo ou que se diga a seu respeito.
Há quem defenda a retenção (reprovação) de um aluno em face de critérios de rigor, exigência e excelência académica. Como há quem defenda que chumbar (reprovar) um aluno é elucidativo das situações de facilitismo, de remeter para uma única responsabilização (do aluno) algo que é partilhável pela própria lógica de um processo educativo que é relacional (professor-aluno-família). Foi o caso de uma entrevista (análise) na passada semana feita pela própria ministra da educação.
Não há muito tempo atrás, penso que em 1998, caiu o Carmo e Trindade educativos quando se decidiu que nenhum aluno ficaria retido na transição do 1º para o 2º ano (da primeira para a segunda classe, a persistência desta terminologia é também ela elucidativa do modus de ver a escola). Hoje é dado adquirido, pacífico mas trabalhoso para quem enfrenta a situação e a considera até normal.
Entre defensores da retenção, mais assumidos e públicos, e os defensores da não retenção do aluno, mais resguardados e insinuantes que os primeiros, há todo um conjunto de elementos que se cruzam, seja por intermédio da análise educativa e pedagógica, seja na esfera política e partidária ou simplesmente na consideração social desta opção.
Para que não restem dúvidas quanto à minha posição, digo desde já que não sou apologista da retenção, chumbo, reprovação do aluno. Não é por ficar retido num mesmo ano, que o aluno melhora os seus níveis de desempenho escolar, aprofunda os seus interesses ou melhora o seu comportamento. A escola está cheia de provas disso mesmo, de elementos que retidos assentuam o seu desinteresse, desligam de todo o processo escolar, acentuam o seu absentismo quando não caiem em situações de abandono. Para já não falar nos reflexos familiares, nas diferentes considerações que são tecidas aos pais pela comunidade, seja por palavras, seja por olhares.
Sou assumido defensor que o aluno, mesmo não adquirindo os conhecimentos inerentes a um ano de escolaridade, os poderá obter posteriormente e, ainda que de modo desfasado, possa cumprir, como os outros, os objectivos de ciclo.
Agora justificar uma opção em face de critérios eminentemente financeiros, decorrente do custo de um aluno, é perverter não apenas uma discussão que deve ser pedagógica e de política educativa, como é questionar o próprio papel da escola pública. E esta situação é abrir frentes de batalha na qual ninguém, nem ministério, nem professores ou alunos ou comunidade, podem sair ganhadores.

terça-feira, maio 6

sobre as cartas na mesa (III)

para concluir a partida de cartas, apenas uma referência mais;
se o discurso (redondinho e politicamente correcto) da senhora ministra vai no sentido de se encontrarem e implementarem diferentes respostas e propostas de trabalho (de sucesso do aluno, de trabalho do professor, de organização da escola, de opção educativa) então porque é que toda a regulamentação vai no sentido de cingir o trabalho do professor à sala de aula?
quem assegura a organização de outros modos diferenciados do trabalho? quem é responsável pela organização dos trabalhos na escola? quem assume outras respostas educativas que não as tradicionais?
com muita pena minha (enquanto socialista) noto alguma incoerência entre uma retórica discursiva para eleitor ouvir e uma prática legislativa cerceadora das autonomias profissionais;
mas poderá ser problema meu;

sobre as cartas na mesa (II)

dos naipes que a senhora ministra mandou para a mesa, nada de novo no horizonte;
não sei se é trunfo, mas fico com espírito santo de orelha com os exames de 9º ano, uma vez que, como dito, se realizam em quase todos os países da Europa;
como insinuado pela parceira da bisca, afinal os exames não deixam de ser instrumentos de avaliação dos professores - opto pelo conceito de instrumentos de regulação, uma vez que permitem aferir não apenas das qualidades do processo de ensino-aprendizagem, como destacam as particularidades que lhe são inerentes (contextos sociais e familiares, organização educativa, entre outros);

sobre as cartas na mesa

na falta de um programa de entrevista directa a TVI pôs as cartas na mesa e vá de começar pelo lado mais óbvio das audiências, a educação;
como cartas na mesa que são, fizeram-me lembrar as partidas da bisca ali na taberna do lado, onde uns gritam com outros, onde se trocam comentários e piropos e onde há mais fumo que fogo;
os tablóides, sejam eles em papel ou em vídeo, mandam nos esquemas e impõem regras de funcionamento;
querer discutir os problemas da educação, com cartas na mesa, em pouco mais de 30' é querer meter o Rossio na Betesga;
fico com a sensação que faltaram os trunfos, de um e de outro lado;

segunda-feira, maio 5

sobre textos

na distância deste espaço consegui organizar e produzir um esboço de texto sobre aquilo que ando a fazer, em redor de comportamentos, da regulação social da escola ou dos instrumentos disciplinares;
a resposta do orientador, sempre pertinente e oportuna, vai no sentido que "uma tese ganha-se com contenção teórica e metodológica";
isto porque persisto em misturar conceitos, uns oriundos das políticas públicas (onde me devo centrar), outros oriundos da análise organizacional;
contenção, precisa-se; como preciso de organização do meu espaço mental para que possa ter contenção metodológica;
e já lá vão quase três anos de trabalho; sinceramente, sinceramente, apenas um ano e qualquer coisa...
é que há males que vêm por bem...

sobre os dias

o fim-de-semana foi passado entre o dia das mães e os anos do sogro;
entre uns e outros deu-me para afiar facas, de modo a que pudessem escorregar melhor pelos cortes finos dos pratos e tachos que se preparavam;
foram bem afiadas, o jeitinho deu-me para cortar a mão e um dedo;
felizmente sem consequências no assado;

no silêncio

apetece-me criar distâncias;
distância deste espaço onde careço de ideias e de uma vontade de escrita;
distância do borbulhar quotidiano, dos afazeres de todos os dias;
distância do mediatismo que me empurra para cenas diárias de troca de conversa e de opiniões;
apenas se impõe o silêncio;

quarta-feira, abril 30

nomeações


de quando em vez, na blogosfera, surgem indicações, nomeações, referências que são resquícios de ligações afectivas dos inícios deste processo;
uma ou outra vez lá sou referenciado, quase sempre pelo mesmo, pelo amigo Miguel que faz o favor de por aqui passar, de deixar amizades e trazer saudades, animar conversas e agruras (do glorioso e da escola);
foi o que aconteceu uma vez mais; nomeou-me, lá saberá explicar do porquê, e, não fosse eu passar por cima, alertou para a situação, quase que implicando a continuidade desta cadeia de afectos e disposições de escrita;
pois bem, cá ficam as minhas referências, apesar de ordenadas sem uma hierarquia formal ou oficial; são espaços por onde passo quotidianamente para me perceber e para procurar compreender o mundo em que me movimento - são quase todos os que constam do lado, mas para destaque incontornável:

- a Sofia, pois faz os dias assim;
- o Paulo, pois também temos de olhar ao nosso umbigo;
- o Matias Alves, porque navegar pelos mesmos mares é terrear desejos e ambições;
- As senhoras professoras que, com as suas inquietações, despertam curiosidades e revelam o bom senso que conhecimento e experiência permitem;
- o café Portugal cá da terra, porque gosto do convívio e da terra, dos comentários e da discussão;
- o Miguel, porque é, para mim e desde praticamente o princípio, uma referência incontornável do que pode ser um espaço virtual de aprendizagem e partilha;

e pronto venham mais uns quantos...

sábado, abril 26

sobre desenhos


na passada 5ª feira, passou pela minha escola um ilustrador de estórias, contador de desenhos, de nome André Letria;
no contexto de uma semana dedicada aos livros e à leitura, em iniciativa organizada pelos docentes responsáveis pela biblioteca e centro de recursos da escola, foi ver o pessoal a fazer perguntas ao senhor - como é que começou, se ganha muito, que técnicas utiliza, como foi a passagem pela escola, que livros mais gostou de desenhar, entre muitas e muitas outras;
gostei de o conhecer, pela simplicidade que colocava nas respostas, pelo espicaçar da curiosidade dos presentes face aos seus livros, pela disponibilidade que desde que chegou evidenciou para estar próximo dos alunos;
iniciativas que revelam o muito que não é sujeito a avaliação de desempenho;

sobre Abril


Andar a escrever apontamentos diários e deixar passar a comemoração de Abril, como algo de especial e de particular, seria quase como que uma aleivosia.
Mas tenho pensado sobre o que poderia escrever de modo a dizer, ou escrever, algo que passasse a acrescentar alguma coisa a esta efeméride. Aproveitar este virtual seria sempre uma oportunidade para tal situação. Mas não a considero pertinente o suficiente para fazer dela um apontamento particular. Dizer o que é habitual pouco ou nada acrescentaria à comemoração e nada valeria a um espaço que adopta características que há 34 anos atrás apenas podia residir na imaginação, muito avançada, de um qualquer extraterrestre.
Por outro lado, para aqueles que por aqui passam estou certo que será difícil de acrescentar alguma coisa nova, de diferente, de uma qualquer aparente mais valia a mais um aniversário de Abril, da reconquista da democracia, da conquista da liberdade e do pluralismo.
Reconhecidamente tenho andado a pensar no que escrever nesta altura, numa data que para mim o importante é a simples liberdade de escrita e de pensamento, coisa hoje tão simples e banal que não se valoriza como de especial ou particular. E pode não ser assim, assoberbados que estamos por um pensamento único, oriundo do liberalismo económico como do socialismo governativo, que se fundem numa aparente harmonia ideológica de conivências cúmplices.
Fazer ou procurar escrever uma qualquer estória do que para mim é Abril, seria não apenas uma arrogância, muito própria da minha pessoa, como seria, acima de tudo, uma pretensão desmedida de criar um espaço individual num campo que é marcadamente colectivo.
Pois bem, e então que escrever sobre este dia que, para mim e para a minha pessoa, é tão marcante quanto o dia em que nasci, como o dia em que senti os meus filhos respirar o ar que os circunda?
Muito provavelmente direi viva as banalidade, força as trivialidades, reforço das repetições inconfessáveis, pois é em tudo isso que se insinua a democracia e a liberdade, se institui um modo de ser muito típico de Abril. Deste Abril em que apenas houve um, aquele em que alguém resolveu dizer basta, que escreveu com cravos a palavra fim e sorveu, de um trago só, a palavra democracia.
Nem tudo foi, ou é, perfeito. Nem tudo está acabado. Muito falta por porvir, fruto de um sistema que é feito por pessoas, homens e mulheres imperfeitos mas que fazem as perfeições de uma democracia, de um sistema que permite tudo, o seu princípio e o seu fim, o in e o out de nós mesmos.
Hoje e sempre, cumpre-me comemorar Abril como se fosse único. Mas é todos os dias. É sempre que um Homem quiser.

quarta-feira, abril 23

no regime

no regime de autonomia, administração e coisa que tal;
para além dos comentários (alguns oportunos, outros pertinentes) acrescento uma ideia a este novo regime;
requer (ou vai requerer) uma coisa que aparentemente tem estado escondida na escola e que designo como gestão política;
a negociação dos interesses, a gestão das possibilidades vai ser uma das peças predominantes neste novo (?) normativo;
talvez caia a metáfora da escola enquanto democracia (com a sua divisão de poderes, a distribuição de equilíbrios) para se instalar a metáfora da escola enquanto arena política - onde (quase) tudo é negociável, onde os equilíbrios são precários, onde os interesses (e consequentes valores e ideias) se destacam e procuram prevalecer uns contra/sobre os outros;
(ao escrever lembro-me de um livro, de J. A. Costa, Imagens organizacionais da escola, ed. Asa, oportuno para uma leitura deste diploma)