domingo, fevereiro 3

das coisas

ele há coisas que apenas com alguma distância nos conseguimos perceber e rir;
geralmente os miúdos deliciam-se com carros, motas, sexo e coisa e tal;
contudo, tenho um aluno em que os seus olhinhos brilham, o rosto se ilumina, o sorriso se rasga sempre que começa a falar de... tractores, isso mesmo, tractores;

da dúvida

na passada 6ª feira fui à cidade ouvir conversas que se cruzam com os meus interesses de momento;
para além de perceber que o mundo continua a rodar, serena e pacatamente, também tive oportunidade de rever amigos e amizades e ouvir daquelas coisas que de tão óbvias são difíceis de encarar;
disse T. Popkewitz que o futuro se constrói entre medos e esperanças - esperanças nas tecnologias, num Homem novo, em novas oportunidades, em desafios novos, em curas, e nos medos de crises económicas, de alterações ambientais, de impactos demográficos, de pandemias, etc;
entre dúvidas e angústias não temos outro remédio senão o de ir em frente - com aquilo que conseguimos reunir do nosso passado e que hoje, neste presente, utilizamos - bem ou mal isso já é outra conversa;

sábado, fevereiro 2

do alvo

há falta de melhor atira-se ao boneco;
já que as políticas estão gelatinosas, fugidias, então que o alvo seja outro, mais quieto, mais vulnerável;
será que se inicia por estes lados e deste modo, uma americanização da política nacional?
será que uma parte de gastos são destinados à pessoa do adversário?
haverá quem diga que é normal, correcto e adequado;
eu não...

do melhor

nada melhor para descansar a cabecinha do que cansar o corpo;
andei todo o dia de roda da horta; não percebo nada da coisa, mas cavei, sachei, cultivei e arrumei o que pude e como pude;
se dá alguma coisa? já deu, descanso da cabecita;

sexta-feira, fevereiro 1

dos apontamentos

Há dias tive oportunidade de encontrar um artigo onde se dava conta que a biblioteca britânica tinha encomendado um estudo sobre os cientistas do futuro, os futuros utilizadores dos seus recursos e que designou como geração google.
O estudo visa a adaptação dos meios, recursos e condições da biblioteca àquelas que serão as solicitações, necessidades e interesses de uma geração que nasceu depois de 1995.
Geração esta que cresceu a pensar que a Internet sempre existiu, que a velocidade das ligações só pode é crescer, que o clique num qualquer botão ou link deve ter uma resposta instantânea, que esperar é uma maçada, que as pedras da calçada deveriam ter botões de configuração entre muitas outras coisas. É uma geração que não sentiu a passagem do hipertexto para o youtube e menos se apercebeu da passagem do simples e prolixo html para o dinâmico xtml, dando oportunidade a que blogues, primeiro passivos depois dinâmicos ou os hi5 se afirmassem e se desenvolvessem. Afinal, afirmam, assim é que as coisas deveriam ter sido sempre.
Quem tem filhos dentro desta faixa etária, quem frequenta os locais desta geração, sejam as escolas ou os espaços Internet, tem facilidade de perceber a diferença de modos, os tiques típicos, a linguagem comum, os trejeitos específicos e todo um conjunto de sinais que identificam de modo muito claro esta geração.
Diferentes situações se colocam, quando pensamos e nos confrontamos com esta geração.
Primeiro e de modo mais fácil e directo, a questão em redor do valores, das atitudes e dos comportamentos que caracteriza esta geração, sempre preocupados que estamos com a conformidade social.
Como será licito perguntarmo-nos, à semelhança da biblioteca, se nos estamos a preparar para dar respostas a esta geração. Respostas que decorrerão de outras perguntas, de perguntas que muito provavelmente nós ainda não colocámos ou se o fizemos foram feitas de acordo com outras lógicas e uma outra perspectiva. Se os instrumentos que hoje utilizamos para definir algumas das conformidades necessárias à vivência social, serão efectivamente adequadas a esta geração, se irão ao encontro dos seus interesses e das suas motivações ou se, pelo contrário, estaremos a desperdiçar tempo e energias e a formar longe dos objectivos pretendidos.
Factor determinante e que não nos pode sossegar, é que esta geração depende da escola, mas apenas numa específica e curta porção do seu tempo. Ao contrário do meu tempo, em que a escola me consumia praticamente todo o tempo de aprendizagem e do conhecimento, hoje é apenas uma mera fatia desse tempo. A escola é importante, é sim senhor, como é importante o papel e a acção do professor. Mas não é nem única e muito menos exclusiva.

do estado

ontem, dois periódicos traziam notícias sobre a mesma coisa mas de modos diferentes;
um (Visão) dava conta da debandada (sic) que poderá ocorrer nas escolas com a abertura da aposentação antes do tempo no âmbito da administração pública;
outro (correio da manhã), dava conta do clima vivido em muitas escolas, de desgates, angústias, comportamentos;
há qualquer coisa que falha na procura de equilíbrios entre quem trabalha na escola e quem passa pela escola;
quem trabalha questiona-se, questiona as políticas, discute com os colegas, troca argumentos e opiniões em reuniões, utiliza as reuniões para dissertar sobre isto e sobre aquilo;
quem passa pela escola pergunta-se para quê, com que fim, com que objectivos, com que proveitos;
olhemos para outros países, outras realidades e procuremos perceber o que fazer;
antes que seja tarde demais...

da escola

os miúdos estão eléctricos, eufóricos, nervosos e expectantes;
afinal o Carnaval também é para eles e vão passear pelas ruas, mostrarem-se a quem passa, exibir os sorrisos, os fatos e as fatiotas feitas propositadamente para o dia;
é sempre um dia diferente, uma festa ...

do óptimismo

talvez sem graça, porventura sem coincidência, mas na directa proporção em que os indicadores sociais e económicos teimam em persistir no clima de pessimismo espalham-se as iniciativas em redor do Carnaval, dos corsos, das paródias, das festas;
afinal, tristezas não pagam dívidas e o Carnaval só são três dias;

quinta-feira, janeiro 31

dos momentos

afinal até há bons momentos numa sala de professores;
numa pausa pedagógica entre um bebericar de café e dois dedos de conversa, perpassam estórias de cada um de nós, momentos de uns e de outros, situações mais ou menos caricatas;
soltam-se risotas e constroem-se amizades;
no final alguém ousa dizer - atenção, se a ministra sabe que estamos bem dispostos ainda publica mais dois ou três normativos para nos ocuparmos ainda mais;
mais um sorriso e um encolher de ombros, tipo, paciência se assim for, e seguimos, cada qual para seu lado;

da consciência

quando escrevo faço para mim mesmo, primeiro porque gosto, mas também para dizer que estou por aqui; depois para, por intermédio da escrita, reflectir sobre as minhas ideias e as minhas coisas;
tenho alguma consciência dos impactos e influências que a minha escrita não tem por essa blogosfera fora;
mas fico sempre muito distante parante alguns comentários, a surpresa daqueles que me leêm;
isto a propósito de uma das minhas entradas estar escarrapachada no espelho de um salão de cabeleireira;
surpresa e consciência que quando escrevemos, por muito que o façamos para nós próprios, vamos muito, mas muito mais além...

do virar

para manter a escrita e a presença, tenho diferentes hipóteses;
manter uma escita interventiva e participante;
definir um sentido mais sócio-profissional;
criar um campo mais diarístico;
fujo a todo eles e vou à procura de sentido que esteja mais perto da crónica do quotidiano;
do meu quotidiano; de mim mesmo;
não sei se será um virar de página, mas é um questionar a minha escrita e, por seu intermédio, reflectir-me e pensar-me, sempre;

terça-feira, janeiro 29

de pausa

uma pausa;
uma interrupção pedagógica, para poder pensar noutros modos e ter aquilo que sinto falta, paciência;

sábado, janeiro 26

da crise

ele não há momentos ou situações ideais para largar vícios;
mas há uns momentos mais chatos que outros, mais incomodativos;
reconheço e assumo que me está a ser mais difícil largar o vício que antes, que já tive descaídas;
mas resisto, considero que é apenas uma situação de crise e que, como tal, terá de ser vencida;

sexta-feira, janeiro 25

do adiar

adoramos adiar, protelar, esperar, protestar;
as recomendações do conselho de escolas, face à avaliação do desempenho docente, são reflexo disso mesmo, de adiar, de atirar para a frente as responsabilidades presentes;
estes comentários, reflectem cabalmente aquilo que é a escola, a vida dos professores e os sentimentos da profissão; um misto de crítica sindical com perspectivas anarquistas e/ou independentistas; uma irreverencia militante de cariz político com argumentos de distanciamento partidário; uma visão da profissão entalada entre os deveres profissionais e os sentimentos sociais; âncoras postas em nenhures de uma ilusão de antigamente é que era bom;
está sempre tudo mal, tudo errado - ora era por culpa do PSD, ora é por culpa do PS, ora é por culpa deste ou daquele ministro, desta ou daquela medida, desta ou daquela iniciativa, mas está sempre tudo mal, tudo errado;
serão eles que nos governam que estarão errados ou seremos nós, os governados que estaremos do lado errado da vida;
assumam-se as posições, não se protelem as responsabilidades; cada vez estamos mais entalados e é bem feita - talvez sirva para separar o trigo do joio e eu fique preso no limbo que me atira ao ar;

da morte

cresci com velhos;
velhos que vi partir, um depois do outro, um após outro; amigos, familiares, conhecidos, parentes...
sempre que um partia sentia-me atirado para frente, nesta fila incondicional que conduz à partida;
esta semana foi o meu tio chico, marceneiro de profissão, carpinteiro por ocupação, amante da vida por opção;
ficou junto daquela que amou durante toda a vida, desde que tinha memória de gostar de alguém;
partiu descansado, por que queria partir, apenas porque tinha saudades...

do azedo

sempre fui transparente nos meus sentimentos, no modo de estar, ser e sentir;
é fácil olhar para mim e perceber como estou, como me sinto;
não sabia é que essa transparência também se fazia sentir na escrita;
há dias alguém me questionava afirmando que a minha escrita anda "muito azeda";
talvez sim, talvez não... antes pelo contrário...

terça-feira, janeiro 22

da atenção

tenho de assumir uma certa quebra de produtividade no desenvolvimento da minha tese;
seja pelo envolvimento em que me sinto, em processos que decorrem na escola, seja por alguma dificuldade de digerir as leituras, de momento há um marcar passo;
talvez avance um destes dias e me solte o pensamento e a escrita;

da tensão

ou da atenção que não se tem a um processo de avaliação de desempenho que corre sérios riscos de descambar em animosidades e conflitos;
caso não haja lideranças que assumam os processos e, pelo menos, bom senso não tenho dúvidas que se correrá o risco de animosidades, de quezílias e coisas que tais;

segunda-feira, janeiro 21

das escolhas

foi engraçado ouvir e perceber um pouco melhor das escolhas de Marcelo;
tratou de opinar sobre este e aquele ministro, esta e a outra acção governamental;
mas palavras ou ideias sobre a entrevista e as posições de Santana Lopes, dada na passada 3ª feira à Sic Notícias, nada, zero, népias, niet;
elucidativo, esclarecedor;

da referência

tenho consciência que, pelas posições que assumo e defendo, pelo feitio e modos que tenho, não estou referenciado em muitos sítios;
quando dou com um onde estou referenciado, seja pela questões que aqui discuto e opino, seja por uma qualquer outra, fico contente e retribuo;
descobri que estou referenciado num blogue sobre patrimónios, certamente porque faço parte de um qualquer património;
aqui fica a referência e a indicação lateral, pois parece que é cá do burgo e merecerá ser identificado pelo facto de ser uma cabeça da terra;