segunda-feira, janeiro 21

do esgotamento

a produtividade do Ministério da Educação anda que não se pode;
ainda não acabámos as leituras de um dos normativos e já lá surge mais um e mais outro e outro ainda;
desde o final do ano transacto e esta 3ª semana deste ano ele já não cabem numa mão os normativos, portarias, decretos, decretos regulamentares que saíram daquela avenida;
claramente se terá que assumir que existem sintomas de alguma incontinência normativa e que objectivamente querem ganhar os professores mais pelo esgotamento do que pelo envolvimento;

domingo, janeiro 20

da fartura

de quando em vez sinto uma enorme fartura da escrita, da minha escrita, uma vontade terrível de acabar com isto, de pôr ponto final, de acabar com aquilo que não é um compromisso;
mas tornou-se como que um substituto de outras coisas, uma compensação para aquilo que não obtenho noutros espaços ou noutros terrenos; uma forma de me auto-compensar pelo que não digo ou não faço;
uma obrigação que o meu inconsciente determinou e implicou a mim mesmo;
apetece-me parar mas fico de consciência pesada, como se fosse uma qualquer obrigação; não é, mas assim a sinto, hoje e agora, mais do que nunca, quando me apetece escrever coisas que não devo;

do possível

quase nunca estou de acordo com a lógica, os princípios e os argumentos utilizados pelo meu compadre Palma Rita; há muita coisa a separar-nos mas um dos seus últimos apontamentos, apesar da diferença significativa que nos separa, há um traço que pode ser identificado como comum às nossas preocupações, a do papel que Évora, em particular, e o Alentejo genericamente estarão disposto a assumir a propósito da opção Alcochete em detrimento da Ota;
vai daí e repesco um apontamento publicado noutro espaço no passado dia 14 de Janeiro:

A decisão do governo de optar pela construção de um novo aeroporto internacional aproveitando o campo de tiro de Alcochete, em detrimento da Ota, vem colocar (ou realçar) um conjunto significativo de desafios à região Alentejo.
(...) a circunstância da zona mais afastada do Alentejo (provavelmente Vila Verde de Ficalho) ficar a pouco mais de 120 minutos de um aeroporto internacional é deveras significativa e elucidativa das oportunidades que se colocam.
Global e genericamente, escassos serão os locais deste Alentejo que ficarão a pouco mais de 90 minutos do aeroporto. Se considerarmos a disponibilização de novas acessibilidades, caso de rodovias, mas também de ferróvias, então temos o cenário montado para que esta região se torne alvo apetitoso de especuladores imobiliários, coutadas de caça, de turismo de circunstância ou, simplesmente, de apreciadores do exotismo alentejano. Será isso que queremos?
Estou certo que fazem falta coutadas, novos empreendimentos turísticos (...), como urge manter algum do exotismo alentejano. Mas só isso será escasso e algo contraproducente quanto ao futuro que ambicionamos para esta região e que passa por garantir estabilidade de vida, trabalho para as novas gerações, como garantir alguma da qualidade de vida que ainda temos.
O que está aqui em causa (...) é a de assegurar coerência regional, sustentabilidade das decisões, articulação de interesses, coesão regional e acima de tudo liderança regional face às opções de futuro.
Há futuros imaginados e há futuros possíveis. Entre uns e outros a diferença reside na capacidade de conduzir os nossos próprios destinos ou sermos conduzidos por ele ou pelos interesses que uns quantos nele poderão colocar.
Face ao que esses futuros podem implicar é essencial que haja protagonistas capazes de representar condignamente a região e os interesses alentejanos. Estaremos nós preparados?
O futuro o dirá…

do simples

as coisas simples nem sempre são fáceis; as coisas fáceis nem sempre são simples;
lugares comuns que permitem pensar que entre um e outro existe o eterno dilema do espaço que nós ocupamos, ou aquele que queremos ocupar ou aquele que pensamos que poderíamos ou pensamos que deveríamos ocupar;
pois o espaço que ocupamos pode ser apenas transitório, circunstancial ou momentâneo;
uma coisa é certa, simples não é e nós ainda por cima o complicamos;

quinta-feira, janeiro 17

da partilha

o Miguel destaca no seu espaço, uma vez mais, a necessidade de uma cultura de partilha, do desenvolvimento das bases de um trabalho colaborativo entre docentes, tão habituados que estamos ao espaço individual de sala de aula, a pensar isoladamente estratégias e metodologias de trabalho, à acção solitária de avaliar e planificar;
concordo em absoluto com o Miguel quando se destaca essa necessidade imperiosa, fundamental da partilha;
destaca-se esta necessidade decorrente do facto que a legislação que se nos apresenta, independentemente das suas (des)virtudes, impele a esse trabalho colaborativo, implica essa partilha, impõe essa cooperação;
mas continuamos a agir como se tudo se mantivesse como dantes, inalterado;
caminhamos apressadamente para o abismo que cavámos e nem nos apercebemos disso?????

do desconhecimento

quando, numa organização, não se sabe o que se há-de fazer ou como agir, faz-se uma reunião;
na minha escola as reuniões sucedem-se em catadupas, reflexo não apenas do que não se sabe, mas também consequência da sua própria e total ineficácia - sua das reuniões, pois claro;

da falta de presença

um blogue cá do burgo deixou-me um comentário, que servia de indicação para o seu aparecimento;
denomina-se Templo do Giraldo e, mais do que um blogue, aparentemente quer divulgar notícias da terra e da região;
venha bem quem vem por bem, mas...
facto engraçado, deixou-me um comentário, circunstância que indicia que conhece este meu espaço e que o utiliza para seu proveito e divulgação, mas nos links que tem disponíveis, este meu espaço não está referenciado - talvez por não ser um blogue regional, será?;

quarta-feira, janeiro 16

das conversas

são horas de conversa, alguma discussão e muitas e diferentes ideias;
um ou outro argumento no meio de muitas opiniões, um ou outro apontamento pertinente no meio de muito ruído dispersivo;
faz-se de menos para o muito que se fala e conversa;

terça-feira, janeiro 15

do poder

o carácter relacional do poder;
o poder nunca é uma propriedade, não é uma potência, o poder nunca passa de uma relação que só podemos e devemos estudar em função dos termos entre os quais se joga essa relação
;

dos dias

há uns dias mais difíceis que outros, uns mais cinzentos que outros;
hoje é um desses dias;
casa cheia, confusão generalizável, troca de piropos e argumentos, conversas cruzadas, puxa daqui e dali, prá'qui e prá'li, num quero-te mais que o outro;
e ainda falta um bom bocado para o final do dia;

das posições

em conversa de professores pode-se perspectivar que se não existirem normativos que imponham uma qualquer ideia ou situação, dificilmente alguma coisa se fará em algumas escolas;
não é generalizável nem é a prática comum na imensa maioria das escolas, mas, convenhamos, também há muitas onde sem uma indicação (mesmo que nebulosa) da tutela não se daria um passo para o que fosse - a não ser na conformidade pedagógica;

do nada

convenhamos que se ouvirmos algumas das estórias, dos pequenos apontamentos de que são feitos os quotidianos nas escolas, podemos chegar à conclusão que algumas delas dariam azo a muita risota para quem não conhecesse os contextos e as circunstâncias educativas;
foi assim que me senti ao longo de boa parte do dia de ontem, entre o sorriso amarelo e a estupefacção da risota geral;

segunda-feira, janeiro 14

do parecer

via JMA, no seu Terrear, chega-se ao parecer do Prof. J. Barroso relativamente à proposta em discussão do novo regime de autonomia, gestão e administração;
mais palavras para quê? está tudo lá, preto no branco, curto e grosso como é hábito na pessoa do Pr. J. Barroso;
duas grandes ideias sínteses:
1. se o 115-A/98 ainda não foi plenamente implementado, para quê criar um outro?
2. faltam ideias de política educativa onde sobram posições individuais sobre a escola e os professores;

domingo, janeiro 13

da ignorância

é maravilhosos sermos ignorantes;
é admirável sabermos que não sabemos de nada e que nada se passa;
é óptimo e prazenteiro irmos em frente como se este pedaço de terra fosse único e exemplar para tudo o resto;
mas não é assim;
6º e sábado estive com colegas de outras regiões do país, oriundos de diferentes sectores da administração pública, uns desempenham papéis político-institucionais nesses sectores, outros são apenas funcionários;
são inevitáveis as comparações, sejam entre serviços, como entre regiões;
áh o teu serviço é isso, então imagina o meu...
áh o teu está assim, então escuta como está o meu...
na tua região fazem assim, então escuta como fizeram lá pelo meu lado...
por mim, fico mudo, quedo e calado quando me apercebo como as coisas correm pelas outras regiões e as comparo com a minha região; não sou propriamente um desconhecedor da realidade administrativa regional, mas fico sem palavras quando se comparam realidades político-administrativas;
há algo que me ultrapassa, me transcende; estou certo que o Alentejo estará muito à frente da realidade nacional, que será por estes lados que as coisas estão certas, correctas e no modo adequado;
mas que somos, estamos e agimos de modo muito diferente do resto do país disso não há dúvidas; talvez estejamos à frente e os outros não se apercebam...

quinta-feira, janeiro 10

da confusão

o decreto regulamentar hoje publicado é, para quem conhece, uma autêntica cópia do SIADAP (sistema integrado de avaliação de desempenho da administração pública);
poucos foram os serviços onde este sistema não deu bronca e se levantaram processos, se instaurou a confusão e foi pródigo em desacatos;
estou certo e firmemente convencido que irá dar bronca da grossa na educação, onde as coisas acontecem, na generalidade das ocasiões, de modo bastante diferente do habitual funcionamento administrativo;
tenho sérias dúvidas que as lógicas existentes nas escolas dificultarão, e muito, a implementação deste sistema e de uma lógica quantitativa, numérica, de resultados;
como tudo se irá equilibrar? estou certo que mal, e depois de muita faísca;

da disponibilidade


está disponível, para quem assim entender, um conjunto de artigos sobre a temática que integro, conhecimento, decisão política e acção pública em educação;
acreditem que vale a pena - mesmo para a discussão que presentemente se encontra na ordem do dia;
não estou porquê? por que na altura andava às voltas com o saneamento do meu anterior local de trabalho e não tinha cabeça para escrever uma linha, quanto mais um artigo;

do referendo

Já fui um acérrimo defensor do referendo às questões europeias.
Os argumentos invocados para a sua não realização, reforçavam a minha convicção quanto à sua necessidade.
hoje, concordo com a decisão do primeiro-ministro, mas discordo dos argumentos apresentados;
Por muito que se queira discutir a Europa, os seus sentidos e o seu modelo social, o referendo não é um dos momentos para o efeito;
Como foi possível observar em França e na Holanda, quando ambos os países recusaram a constituição europeia, o não foi interno e não a recusa à Europa ou a um modelo social europeu.
Tenho pena que se tenham perdido oportunidades sucessivas de se discutir a Europa e de qual o papel que nós, portugueses, pensamos poder ter neste processo,
neste momento a grande preocupação sobre a Europa é que funcione e o tratado de Lisboa, por muito que muitos procurem dizer o contrário, mais não é que uma proposta organizacional para que a Europa funcione com 27 membros, o que implica um conjunto substancialmente diferente de condições de funcionamento quando era constituída por 6, passou para 9, depois 12 e assim sucessivamente e que não irá parar;
o tratado constitucional até podia não ter grandes diferenças com este tratado de Lisboa, mas há um elemento que faz toda a diferença; o primeiro visava objectivamente um estado federal, o tratado é apenas uma recomposição organizacional - com implicações no peso e nas possibilidades dos diferentes países, é certo, mas não deixa de ser uma reconfiguração da organização dos serviços;

do porquê

na sequência das leituras que tenho feito (para ver se percebo) a proposta em redor do novo regime jurídico de autonomia, administração e gestão, há uma ideia que desde o primeiro momento me assola as ideias;
se o governo (não apenas este) defende o reforço da "participação das famílias e comunidades na direcção estratégica dos estabelecimentos de ensino" (...) "mas também a efectiva capacidade de intervenção de todos os que mantêm um interesse legítimo na actividade e na vida de cada escola", porque é que este mesmo princípio não é alargado para os centros de saúde (não terei eu interesses legítimos nessa actividade?) ou nas estruturas dos centros de emprego ou formação profissional (pelas mesmas razões?);

ou seja, há aqui uma retórica que é mais persuasiva do que justificativa; persuasiva pois procura, uma vez mais, isolar os maus (os professores) dos bons (a população), e falta a justificação, uma vez que os interesses das famílias e da comunidade já estão, há muito representados nas estruturas das escolas (conselho pedagógico, assembleia de escola) e em noutros locais (conselho municipal de educação); se a justificação é alterar a relação percentual, essa é uma outra questão;

discutir é preciso

como profissional da coisa educativa, como defensor da escola e do interesse público na educação, como socialista e cidadão digo, afirmo e subsrescrevo, discutir é preciso;

é fundamental que a sociedade e, em particular, os mais directamente envolvidos na definição, construção e implementação de políticas públicas, participem, debatam, contribuam, opinem, se troquem argumentos;
mas é também essencial perceber que o debate não deverá servir para virar do avesso uma qualquer proposta, alterar-lhe sentidos ou perverter princípios, mas contribuir para que as propostas possam ser melhoradas ou reforçadas de acordo com as lógicas de construção de uma política pública;

reafirmo, participar é preciso;

quarta-feira, janeiro 9

da surpresa

trabalhar com grupos/turma de 4º ano, neste minha escola tem trazido com ele duas surpresas;
uma assente na característica de queixinhas que a generalidade dos alunos gosta de evidenciar; fazer queixas disto ou daquilo, deste ou daquela, é uma quase constante e permanente referência nestes grupos; considero eu, e é um juízo pessoal, que esta atitude terá de se incentivada, apoiada e legitimada por adultos com que as crianças de relacionam, seja a família ou o/a docente oficial da turma; era coisa à qual não estava habituado e que desincentivo;
uma outra, mais comparativa com modelos de trabalho pedagógico, diz respeito ao facto de não saberem trabalhar em grupo, isto é, criarem factores de respeito entre os elementos de um mesmo grupo, saberem partilhar objectivos, dividir tarefas, puxar para o mesmo lado; esta uma clarissima surpresa, quando todos temos de trabalhar em grupos, com elementos com quem simpatizamos pouco ou simplesmente não simpatizamos e a escola não habituar aos factores de respeito, tolerância e cooperação;
viver e aprender, mesmo que seja à base da surpresa;