segunda-feira, dezembro 3

da falta

o Miguel colocou-me um comentário deveras pertinente na minha entrada sobre a greve;
comentário a apelar à conversa, à troca de ideias, a fazer lembrar os primeiros tempos de uma boa discussão - ainda por cima pública;
não receio os penduras, receio a incapacidade de, por intermédio da greve, não se perspectivar saída, de se radicalizarem posições e situações a que pouco ou nada conduzem - a não ser à afirmação de um ou outro interesse;
como alguém escreveu os tempos são pós-modernos (?) enquanto as formas de luta, a estruturação do confronto social se mantém numa lógica moderna;
sinceramente, sinceramente, não consigo perspectivar outros modos onde o trabalhador possa fazer valer as suas posições e, acima de tudo, as suas reivindicações;
mas a greve não é uma delas, pelo impasse que cria;
não considero justas nem a posição do governo nem as dos sindicatos, que entram para as negociações com valores perfeitamente descabidos, desencontrados e impossíveis de uma qualquer negociação;
é isto que critico, mais do que a acção em si;
mas sou defensor da politização dos processos, nãos os receios, enquanto afirmadores de posições, ideias, ideais e valores; os partidos políticos no nosso contexto é que são mais coorporativistas que políticos; não sei se será uma consequência dos tempos, mas será certamente pela intervenção das pessoas;

domingo, dezembro 2

do triste


ontem, em dia de amenas cavaqueiras cá por casa, de confraternização e amizades, ao princípio da noite fiquei assim;
tristonho e macambúzio com aquele resultado;
enfim, contrariedades...

quinta-feira, novembro 29

do estatuto

texto a não perder sobre o estatuto a carreira docente;

da greve

muito provavelmente de hoje a segunda-feira o tema predominante será a greve geral, agendada pelas três centrais sindicais para amanhã;
sigo (como é muito meu hábito) em contraciclo, não faço greve; farei, como todos os dias, os meus 100 km para ir e vir à minha escolinha;
reconheço que, ao nível das políticas educativas as coisas têm sido tratadas (?) com os pés e sem pés nem cabeça; reconheço que, ao nível da educação, as mesmas coisas podiam e deviam ser feitas de modo diferente; mas reconheço pertinência na defesa da escola pública (por muito que alguns queiram omitir ou esquecer esta dimensão), em particular na sua vertente de escola inclusiva, a tempo inteiro, organizacional e funcional; devia era ser conduzida de uma outra forma, não referenciado os maus da fita, mas, preferencialmente, as oportunidades e os desafios sociais que são colocados hoje em dia à escola e aos professores;
reconheço na greve (alguma) pertinência na administração pública mais genérica, essencialmente pela ausência de uma discussão política que envolva actores e dimensões organizacionais na redefinição dos seus próprios papéis, estatudo e espacialidade;
contesto a greve pela excessiva dimensão partidária, que ultrapassa em muito a sua dimensão sindical, como a contesto pelos próprios argumentos defendidos pelo secretário geral da CGTP (na sua tese de doutoramento), em que os instrumentos de luta e de afirmação dos interesses das "classes trabalhadoras" estão hoje desadequados de uma realidade profissional e social;
ir-se-ão medir forças, esgrimir números, trocar argumentos por vezes contraditórios e, estou certo, que sairão reforçadas as duas posições que se confrontam; de um lado, a inevitabilidade das reformas, o seu reconhecimento europeu e institucional; por outro, a força dos trabalhadores, o assumido cartão amarelo ao governo, a imprescindibilidade da luta;

no meio de tudo isto, onde fico eu, simples trabalhador, assalariado da função pública, emparedado entre a catrapiler governativo e a especulação sindical?

da participação

um outro assunto a que alguns sectores eborenses gostam de recorrer refere-se à falta de participação e intervenção de órgãos, organismos ou cidadãos na vida da cidade;
também me queixo do mesmo, de os espaços de participação serem limitados, confinados a uma vida institucional da qual o comum cidadão ou não se reconhece, ou se sente emedrontado pelo peso institucional ou, simplesmente, se desliga de coisas que até considera terem pouco relevo;
mas esta discussão parte de um pressuposto errado, no meu entendimento; é que a participação (que implica a vontade de intervenção e de condicionar a decisão), não deve ser confundida com a alteração dos sentidos e dos objectivos que presidem a uma opção de política; isto é, querer participar não pode significar querer alterar radicalmente (como alguns fazem transparecer) os planos do outro no meu plano, querer substituir uma maioria legitimada por uma minoria que é mais irreverente que fundamentada;
e esta participação é tanto válida aquando da discussão do PDM cá da terra como do orçamento municipal, como se quem governa o fosse fazer com os instrumentos e os objectivos dos outros e não os seus próprios;
mas é a "moenga" que se procura, mais do que a participação, ainda que por vezes envolta nos interesses dos cidadãos e de Évora; só falta perceber de que cidadão falam, de que Évora se quer;

do local - os "factus"

como pessoa e como cidadão, não me restrinjo a um olhar a escola; gosto, sempre gostei, de opinar sobre a minha terra e a minha região numa troca de ideias (com quem por aqui passa) sobre política (por vezes partidária, assumo a minha militância) mas que parte dos circunstancialismo locais;
vai daí e não consigo resistir a comentar dois factos que circulam pela cidade;
um refere-se à qualidade da água, que uns pretendem que seja o papão político da câmara e se transforme no imenso lago de imersão das políticas; a criação deste factu político - para além dos dados existentes - mostra o incómodo que se faz sentir pelas hostes que, por um lado, durante tanto tempo desbarataram esta preocupação (sou do tempo em que, pela falta de água, se restabeleciam antigos fontanários, que a conduta da rua do Muro rebentava pelas costuras, que as torneiras pingavam...) e, por outro, do assumido desconhecimento do que é a história desta cidade que condiciona o arranque e a definição de alternativas; a criação e a difusão destas notícias revelam, ainda, que a imprensa local ainda não sabe lidar com o contraditória, que assenta mais no voluntarismo que nas competências, que procura criar distâncias políticas mediante a criação de eventos do que na discussão plural e real das situações;
o outro factu relaciona-se com a localização do novo hospital, que é contestado por alguns, refutado por outros e silenciado por outros ainda;
esta discussão traz-me à ideia uma anedota do tempo em que Abílio Fernandes e o PCP comandavam os destinos do burgo; dizia-se que alguém abordou o presidente da câmara (Abílio Fernandes) com um projecto de construir uma pirâmide de vidro na praça de Giraldo (o centro cá da terra); grande ideia, sublinha o então autarca, por que é que nunca me terei lembrado de uma coisa destas; converse com o vereador das obras para se definir o projecto; da receptividade e simplicidade do atendimento, partia-se para todo um conjunto de obstáculos perfeitamente incontornáveis; e, obviamente, nada se fazia, nem ali, nem noutro lugar; e assim ficou Évora durante 25 anos;
isto é, será que um hospital de dimensão regional deveria ficar na praça de Giraldo? afinal é um espaço central, com rápidas ligações a norte, sul, leste e oeste; será que se a localização fosse na Estrada de Beja não se iria defender que seria melhor que ficasse mais perto da zona norte de modo a permitir a ligação à A6? afinal, quem afirma que o trânsito se encontra congestionado e que as infraestruturas existentes não comportam a expansão da cidade a sul, se esquece (ou omite) que o afluxo a um Hospital é tanto ou maior que a certas zonas comerciais?

há discussões por esta cidade que percebo em face da tentativa de se criarem factus políticos, onde nem sequer acontecimentos existem (relembro, mais atrás, a discussão sobre os contentores do lixo no centro histórico, do pavilhão multiusos e das suas casas de banho, a discussão em redor da escola da comenda, entre outras) onde todas se esgotaram na inevitabilidade da falta de consolidação e coerência dos argumentos; mas são recorrentes na clara tentativa de não matar à primeira, mas moer a discussão que o PS não tem feito e se tem manifestado pela ausência;

um toque final, lamento a extensão, gosto de entradas mais escorreitas para poderem ser lidas e digeridas rapidamente, aproveitando a fugacidade destes espaços; como lamento a impossibilidade de comentários anónimos, limitando e condicionando a troca de ideias, em particular de anónimos que por aqui passam e gostam de discutir os pontos de vista, lembro-me do meu amigo DD, mas fico disponível para a conversa, em circuito aberto ou fechado;

quarta-feira, novembro 28

do silêncio

há muito que há uma sociologia dos silêncios, das ausências, do não dito;
por vezes, estes silêncios, as ausências ou as omissões dizem tanto (ou mais) do que aquilo que é dito;
esta características adquire uma dimensão importante no contexto político; procuram-se as entrelinhas, os subterfúgios do discurso, as insinuações, as quebras ou variações da voz, o que ficou por dizer daquilo que foi dito, a interpretação de um sobre a interpretação do outro;
neste momento, a política eborense faz-se neste campo; não é nem bom nem é mau, é um estadio em que a cidade (a pólis política) e a sua vivência se encontra fruto de interesses e objectivos que se jogam mais nos bastidores do que na boca de cena;
de repente somos confrontados com os factos, com as circunstâncias; como há aqueles que se dizem desconhecedores e conhecem mais do que afirmam, apenas pela insinuação, apenas pelo jogo das omissões, apenas para procurar perceber o que o outro sabe e afirma conhecer;
os fóruns de discussão, muito escassos nos tempos que correm e mais legitimatórios que participativos, são disso exemplo;
valem pelos silêncios, de opção ou vocação, de presença ou de ausência;
é o silêncio que faz o ruído;

do sítio

não é a primeira vez que o escrevo, mas sou, sinto-me muito marcado pelos contextos em que me insiro;
apesar de profundamente esquisito, características que ficaram de filho único, também sou extraordinariamente maleável e adapto-me, com relativa facilidade, aos sítios, aos contextos, às características de cada espaço por onde circulo;
crio as minhas próprias gavetas de arrumação, processos de defesa pessoal e psicológica de modo a que me possa enquadrar, dentro das minhas limitações;
já passei por tanto sítio (quer escolas quer outros serviços) que já não estranho e retiro dessas passagens duas coisas (que destaco entre muitas); a minha capacidade de adaptabilidade à diferença; as saudades que sinto de certas pessoas por onde passei, onde estive - das conversas, dos sorrisos, das agruras, dos modos, da convivência;
uma e outra fazem com que cada vez mais goste de apreciar as conversas, de ouvir os outros, de perceber como com eles me relaciono, como podemos ser tão diferentes e assumir pontos de semelhança que permitem que nos relacionemos;
os sítios fazem-me e, neste momento, a escola faz-me, até através da escrita;

do estar

a sala de professores não é para mim um lugar onde goste de estar;
provavelmente poucos gostarão de ali estar; é um espaço colectivo partilhado com formas e modos muito individuais;
reúnem-se os grupos com alguma afinidade, mais pessoal e social que profissional, ainda que aqui e ali aflore esta ligação;
não é desta sala que falo, falo de todas aquelas que conheci, e já foram algumas e que, grosso modo, possuem o mesmo arranjo, a mesma distribuição de gentes, a mesma arrumação de interesses (grupos pedagógicos, etários, sociais...);
provavelmente a partir desta arrumação será possível perceber como é que a escola está organizada (modelos e práticas pedagógicas, lógicas de acção e de interacção, interesses e objectivos ali colocados), qual a cultura predominante (os valores, as ideias, os conceitos), o clima que se faz sentir (tensões pedagógicas, sindicais, até de políticas educativas, do jogo dos diferentes interesses, das situações que se levantam entre os diferentes grupos);
é um espaço onde raramente se está, passasse por lá, em trânsito, qual gare de partidas e chegadas, cada qual com as suas histórias e as suas saudades;

do choro

um miúdo, pequeno, franzino, resultado eventualmente de um andar livre e independente, estava recostado no fundo da biblioteca;
como não tem boa fama aproximei-me para perceber o que fazia; chorava;
sentado, pernas dobradas, cabeça encostadas aos joelhos, abraçado às pernas, chorava;
em tom de brincadeira perguntei o que se passava; que não se passava nada; rapidamente fomos rodeados por outros pequenos actores da escola que, há boa maneira tuga, procuravam cuscar o qe se passava, alvitravam hipóteses, atiravam comentários;
peguei no miúdo e sai para o corredor, quase deserto aquela hora;
voltei a perguntar o que se passava; se era de casa, se tinha sido na escola;
respondeu-me que, depois de uma brincadeira entre rapazes que não correu como o esperado, os amigos não lhe falavam, que ninguém lhe ligava;
fiquei entre o surpreendido e o mudo; afinal, um reguila traquina também precisa de amizades, também precisa da atenção daqueles com quem brinca em tons de empurra prá'qui e prá'li, um puxa e desembaraça;
afinal, nem tudo o que parece agressividade é agressividade; até pode ser apenas e simplesmente um modo de alguém expressar os seus sentimentos e o gosto que tem pelo outro;
ao fim de um bocado, acalmou e lá seguiu pelo corredor a fora, limpando as lágrimas à manga da blusa; fiquei a olhar, a vê-lo ir, pois conheci uma faceta naquele miúdo que não era comum e de mim desconhecida;

terça-feira, novembro 27

da alternativa

é na sequência de pensar alternativas que, se me mantiver pela minha escola, irei propor a criação de uma turma, não a pensar nos alunos, pelo menos de modo directo e mais imediato, mas de professores;
uma turma onde existam professores com diferentes sensibilidades e pontos de vista, mas reconheçam o papel preponderante do trabalho colaborativo, na definição de estratégias comuns na e para a resolução das situações pedagógicas com que nos deparamos nas escolas; onde sejamos capazes de ir além do pedido e da conformidade profissional e seja possível pensar o trabalho dos professores de modo comum, articulado e equilibrado entre todos; é apelar ao currículo para desenvolver capacidades, competências, mas também saberes e desejos;
será um desafio e uma oportunidade;

dos modelos

uma das ideias que sobressai neste título é que quando emitimos uma opinião sobre a escola (seja sobre o seu funcionamento, organização ou simplesmente sobre as suas rotinas) não emitimos apenas uma opinião mas associamos-lhe um conjunto de ideias e de valores que podem pressupor um dado modelo quer pedagógico, quer social;
na defesa de pontos de vista sobre a escola (as avaliações, as práticas, os processos, os comportamentos, os modos...) temos, quase sempre, subjacente uma dada ideia de como as coisas deviam ser; e, na generalidade dos casos, em vez de ser uma ideia de interpelação, de questionamento orientado, de perspectiva crítica, são modelos que remetem para passados (públicos ou pessoais), para modos (de conformidade) com que nos formamos e com que nos fomos formando;
nos tempos que correm em que as políticas apelam à conformidade social e profissional, onde ambicionamos uma estabilidade inexistente e que garantidamente não regressará atrás, é determinante agir-se em face de um perspectiva crítica, isto é, questionar o que temos e avançar para modos, práticas e modelos alternativos - de escola, de organização, de práticas lectivas e pedagógicas, de relação com alunos e pais/encarregados de educação, com a comunidade em que a escola se situa;
neste contexto os professores têm mais possibilidades do que aquelas que imaginam e perante as quais se cerceiam na sua capacidade interventiva (e social);
pensar e implementar práticas colaborativas, abrir espaços de diálogo, conversa e entendimento com os outros, procurar diversificar processos e práticas, envolver o aluno mediante os seus interesses e opções, dar a conhecer outras realidades, outras perspectivas a partir da sua disciplina são coisas que, na generalidade, os professores já fazem; mas não o fazem habitualmente nem de modo sistemático e coerente, nem reflectido, em face de resultados ou de produtos;
e isto é determinante que aconteça;

das opiniões


há muito que procurava este título e que teimava em não encontrar;
uma vez solicitei-o a uma livraria do Porto, que me encontra quase tudo o que pretendo e preciso, mas levaram tanto tempo a enviar que, quando o fizeram, não estava por casa e acabou devolvido à precedência;
encontrei-o agora, no meio de um conjunto de livros vindos a pensar no Natal;
o título não é o mais apelativo comercialmente, implica, por outro lado, ter em conta outras referências bibliográficas, nomeadamente a discussão dos anos 70 entre Bourdieu e Passeron sobre a violência simbólica da escola e dos sistemas educativos;
apesar de já ter passado algum tempo sobre a sua edição, talvez seja de todo em todo pertinente o regresso às ideias e aos pensamentos que ali se espraiam;
é o livro que mais prazer me deu ler no contexto da problemática da violência e da indisciplina nas escolas;

segunda-feira, novembro 26

da ausência


não tenho escrito, não me tem apetecido;
olho a página, percorro sítios e não me apetece escrever;
não faltam temas (os comentários de Alegre e Soares à governação, as políticas de emigração, a política local e a sua arrumação..), ideias (do Natal, das amizades, dos afazeres...), mas não me apetece;
fico-me enroscado no meu pensamento, na oportunidade de regressar a vontade da escrita;

quarta-feira, novembro 21

do contrário

numa reunião na escola há quem defenda a redução da burocracia dos processos, em particular daqueles que se relacionam com a sala de aula, com o processo de ensino aprendizagem; todos concordam e reafirmam a ideia;
logo de seguida, a mesma pessoa defende a criação de grupos de trabalho para a análise de casos s situações que possam ir da indisciplina ao insucesso e colaborar com os professores;
resta perguntar, afinal, o que se entende por burocracia, o que se entende por mais grupos de trabalho; por um lado, procuram-se simplificar procedimentos, por outro, complexificar processos;
é uma assumida mistura entre o que é o trabalho individual (sempre solitário e algo angustiante) e o que são ou podem ser (e deveriam ser) estratégias colaborativas; conhecessem os professores outras realidades administrativas e chegariam a conclusão que a burocracia na escola até não é por aí e além;

do óbvio


... um velho atavismo, gostamos de ser mandados no corpo e na cabeça, nunca queremos responsabilidade, mas aceitamos a obediência. Somos desorganizados e incumpridores e desleixados, mas gostamos de saber que, algures, permanece uma ordem qualquer, para os outros claro, para os desviantes, para os mal-pensantes que têm a arrogância de não se entusiasmar com as regras do rebanho, Abrupto;

escrito assim até parece óbvio, pelo menos para mim, que o defendo há muito, por outras palavras, com outras ideias, com uma outra lógica política e partidária, mas escrito assim realça aquilo que hoje, cada vez mais, somos e nos querem impor;

terça-feira, novembro 20

do sem fim


realizar um projecto de investigação é como descascar uma imensa cebola, há sempre mais qualquer coisa, algo de interesse, uma outra camada;
assim sendo, torna-se uma questão de opções, de valorizações, de escolhas, de apostas de modo a evitar que o projecto se eternize;
a este facto acresce a acutilante pertinência de considerar a disciplina na escola pública (ou a indisciplina) como centro da abordagem de onde brotam, jorram referências, títulos, apontamentos, notícias, toda uma diversidade de textos que levam a considerar o trabalho plenamente inacabado;
por opção, terei de dar por terminado o mapeamento deste conceito até final do ano, prescindindo de tudo o que possa vir a ser encontrado posteriormente; como me terei de concentrar (focalizar) em três ou quatro referências (Jorge do Ó, Nikolas Rose, M. Foucault, Teresa Estrela) que se revelam, por construção teórica, determinantes no meu processo de abordagem; têm em comum o facto de partirem das ideias, dos valores e dos modelos que, quer a disciplina, quer as situações de indisciplina revelam, fazem realçar na organização e no modo de agir da escola pública e na construção de si, da pessoa, do aluno, do cidadão;

do trabalho


a escola é um mundo de diversidades, pluralidades e contradições - alunos, formação, idades, ideias, modelos e valores, entendimentos e conceitos, práticas e teorias;
temos olhado para esta situação como se de um constrangimento se tratasse, como condicionadora do desenvolvimento do trabalho e dos resultados - em particular dos alunos, mas agora também das escolas;
olhar para esta diversidade como uma oportunidade de trabalho considero que é o desafio dos próximos tempos; desafio assente em modelos diversos de trabalho, numa organização diferenciada dos processos, um atendimento mais individualizado, quer ao professor, quer, em particular, ao aluno;
é isto que leio e entendo nesta entrada do JMA em que, apesar da sua extensão, estão lá todos aqueles pormenores, grandes e pequenos, que desafiam a organização educativa a reformular estratégias, a repensar objectivos, a re-utilizar, de um outro modo e com outras consequências, o trabalho dos seus profissionais;
a escola que queremos não deverá estar dependente de um ministro (ou iluminado) mas da capacidade local e situada da sua construção, com todas as dificuldades e constrangimentos que se lhe podem associar, mas também com a oportunidade e as possibilidades que só localmente são e podem ser perspectivados;

do local


a política por estas bandas corre, desliza, flui quase como espaço entretecido entre o público e a socapa;
isto é, entre um grupo de interesses e um conjunto de interessados; algo distante do comum cidadão, da vida quotidiana, do nosso dia-a-dia;
talvez tenha de ser assim; damos importância e valorizamos aquilo que queremos, quando queremos e porque queremos, fruto de contextos, circunstâncias, momentos;
afastado que estou deste processo, entretenho-me a apreciar a passagem das figuras, qual metáfora da chegada do circo à cidade em desfile simultaneamente alegórico e plubicitário das suas maravilhas, das acrobacias, do exotismo, dos receios colectivo, mas também dos desafios, das oportunidades, do desfrute;
mas a malha aperta-se e os adizeres dos poucos espaços bloguistas que se dedicam à política local/regional são disso sintoma;
é um outro espaço, aquele em que procuro desfrutar esta vista e os movimentos (ou movimentações) dos artistas; aqueles que se transfiguram de um momento para o outro de vendedor de pipocas a contorcionista, ou de domador das feras a apresentador da cena seguinte;

segunda-feira, novembro 19

do que fica


da visita, da entrada e saída de museus e de espaços culturais, há uma questão que se me destaca, o que fica depois do que se passa; que deixaremos nós como marca da nossa passagem, do nosso olhar, da nossa forma e do nosso modo de estar neste século;
considerando o mundo como um palco, um espaço de artes e de encenações, de representação e de descoberta, há uma coisa que não tenho grandes dúvidas que deixaremos, para além da fugacidade dos dias e das circunstâncias, a arte;
a arte nas suas mais diferentes formas e representações, da arquitectura à música. passando pela fotografia, pela pintura e escultura, pelos adizeres;
uma das coisas que gostei de ver foram os quadros de Pollok e o que eles representam de corte com correntes anteriores; como a encenação presente que considera o mundo como um palco, por vezes em peep show, mas elucidativo de um olhar sobre a contemporaneidade;