há muito que há uma sociologia dos silêncios, das ausências, do não dito;
por vezes, estes silêncios, as ausências ou as omissões dizem tanto (ou mais) do que aquilo que é dito;
esta características adquire uma dimensão importante no contexto político; procuram-se as entrelinhas, os subterfúgios do discurso, as insinuações, as quebras ou variações da voz, o que ficou por dizer daquilo que foi dito, a interpretação de um sobre a interpretação do outro;
neste momento, a política eborense faz-se neste campo; não é nem bom nem é mau, é um estadio em que a cidade (a pólis política) e a sua vivência se encontra fruto de interesses e objectivos que se jogam mais nos bastidores do que na boca de cena;
de repente somos confrontados com os factos, com as circunstâncias; como há aqueles que se dizem desconhecedores e conhecem mais do que afirmam, apenas pela insinuação, apenas pelo jogo das omissões, apenas para procurar perceber o que o outro sabe e afirma conhecer;
os fóruns de discussão, muito escassos nos tempos que correm e mais legitimatórios que participativos, são disso exemplo;
valem pelos silêncios, de opção ou vocação, de presença ou de ausência;
é o silêncio que faz o ruído;
quarta-feira, novembro 28
do sítio
não é a primeira vez que o escrevo, mas sou, sinto-me muito marcado pelos contextos em que me insiro;
apesar de profundamente esquisito, características que ficaram de filho único, também sou extraordinariamente maleável e adapto-me, com relativa facilidade, aos sítios, aos contextos, às características de cada espaço por onde circulo;
crio as minhas próprias gavetas de arrumação, processos de defesa pessoal e psicológica de modo a que me possa enquadrar, dentro das minhas limitações;
já passei por tanto sítio (quer escolas quer outros serviços) que já não estranho e retiro dessas passagens duas coisas (que destaco entre muitas); a minha capacidade de adaptabilidade à diferença; as saudades que sinto de certas pessoas por onde passei, onde estive - das conversas, dos sorrisos, das agruras, dos modos, da convivência;
uma e outra fazem com que cada vez mais goste de apreciar as conversas, de ouvir os outros, de perceber como com eles me relaciono, como podemos ser tão diferentes e assumir pontos de semelhança que permitem que nos relacionemos;
os sítios fazem-me e, neste momento, a escola faz-me, até através da escrita;
apesar de profundamente esquisito, características que ficaram de filho único, também sou extraordinariamente maleável e adapto-me, com relativa facilidade, aos sítios, aos contextos, às características de cada espaço por onde circulo;
crio as minhas próprias gavetas de arrumação, processos de defesa pessoal e psicológica de modo a que me possa enquadrar, dentro das minhas limitações;
já passei por tanto sítio (quer escolas quer outros serviços) que já não estranho e retiro dessas passagens duas coisas (que destaco entre muitas); a minha capacidade de adaptabilidade à diferença; as saudades que sinto de certas pessoas por onde passei, onde estive - das conversas, dos sorrisos, das agruras, dos modos, da convivência;
uma e outra fazem com que cada vez mais goste de apreciar as conversas, de ouvir os outros, de perceber como com eles me relaciono, como podemos ser tão diferentes e assumir pontos de semelhança que permitem que nos relacionemos;
os sítios fazem-me e, neste momento, a escola faz-me, até através da escrita;
do estar
a sala de professores não é para mim um lugar onde goste de estar;
provavelmente poucos gostarão de ali estar; é um espaço colectivo partilhado com formas e modos muito individuais;
reúnem-se os grupos com alguma afinidade, mais pessoal e social que profissional, ainda que aqui e ali aflore esta ligação;
não é desta sala que falo, falo de todas aquelas que conheci, e já foram algumas e que, grosso modo, possuem o mesmo arranjo, a mesma distribuição de gentes, a mesma arrumação de interesses (grupos pedagógicos, etários, sociais...);
provavelmente a partir desta arrumação será possível perceber como é que a escola está organizada (modelos e práticas pedagógicas, lógicas de acção e de interacção, interesses e objectivos ali colocados), qual a cultura predominante (os valores, as ideias, os conceitos), o clima que se faz sentir (tensões pedagógicas, sindicais, até de políticas educativas, do jogo dos diferentes interesses, das situações que se levantam entre os diferentes grupos);
é um espaço onde raramente se está, passasse por lá, em trânsito, qual gare de partidas e chegadas, cada qual com as suas histórias e as suas saudades;
provavelmente poucos gostarão de ali estar; é um espaço colectivo partilhado com formas e modos muito individuais;
reúnem-se os grupos com alguma afinidade, mais pessoal e social que profissional, ainda que aqui e ali aflore esta ligação;
não é desta sala que falo, falo de todas aquelas que conheci, e já foram algumas e que, grosso modo, possuem o mesmo arranjo, a mesma distribuição de gentes, a mesma arrumação de interesses (grupos pedagógicos, etários, sociais...);
provavelmente a partir desta arrumação será possível perceber como é que a escola está organizada (modelos e práticas pedagógicas, lógicas de acção e de interacção, interesses e objectivos ali colocados), qual a cultura predominante (os valores, as ideias, os conceitos), o clima que se faz sentir (tensões pedagógicas, sindicais, até de políticas educativas, do jogo dos diferentes interesses, das situações que se levantam entre os diferentes grupos);
é um espaço onde raramente se está, passasse por lá, em trânsito, qual gare de partidas e chegadas, cada qual com as suas histórias e as suas saudades;
do choro
um miúdo, pequeno, franzino, resultado eventualmente de um andar livre e independente, estava recostado no fundo da biblioteca;
como não tem boa fama aproximei-me para perceber o que fazia; chorava;
sentado, pernas dobradas, cabeça encostadas aos joelhos, abraçado às pernas, chorava;
em tom de brincadeira perguntei o que se passava; que não se passava nada; rapidamente fomos rodeados por outros pequenos actores da escola que, há boa maneira tuga, procuravam cuscar o qe se passava, alvitravam hipóteses, atiravam comentários;
peguei no miúdo e sai para o corredor, quase deserto aquela hora;
voltei a perguntar o que se passava; se era de casa, se tinha sido na escola;
respondeu-me que, depois de uma brincadeira entre rapazes que não correu como o esperado, os amigos não lhe falavam, que ninguém lhe ligava;
fiquei entre o surpreendido e o mudo; afinal, um reguila traquina também precisa de amizades, também precisa da atenção daqueles com quem brinca em tons de empurra prá'qui e prá'li, um puxa e desembaraça;
afinal, nem tudo o que parece agressividade é agressividade; até pode ser apenas e simplesmente um modo de alguém expressar os seus sentimentos e o gosto que tem pelo outro;
ao fim de um bocado, acalmou e lá seguiu pelo corredor a fora, limpando as lágrimas à manga da blusa; fiquei a olhar, a vê-lo ir, pois conheci uma faceta naquele miúdo que não era comum e de mim desconhecida;
como não tem boa fama aproximei-me para perceber o que fazia; chorava;
sentado, pernas dobradas, cabeça encostadas aos joelhos, abraçado às pernas, chorava;
em tom de brincadeira perguntei o que se passava; que não se passava nada; rapidamente fomos rodeados por outros pequenos actores da escola que, há boa maneira tuga, procuravam cuscar o qe se passava, alvitravam hipóteses, atiravam comentários;
peguei no miúdo e sai para o corredor, quase deserto aquela hora;
voltei a perguntar o que se passava; se era de casa, se tinha sido na escola;
respondeu-me que, depois de uma brincadeira entre rapazes que não correu como o esperado, os amigos não lhe falavam, que ninguém lhe ligava;
fiquei entre o surpreendido e o mudo; afinal, um reguila traquina também precisa de amizades, também precisa da atenção daqueles com quem brinca em tons de empurra prá'qui e prá'li, um puxa e desembaraça;
afinal, nem tudo o que parece agressividade é agressividade; até pode ser apenas e simplesmente um modo de alguém expressar os seus sentimentos e o gosto que tem pelo outro;
ao fim de um bocado, acalmou e lá seguiu pelo corredor a fora, limpando as lágrimas à manga da blusa; fiquei a olhar, a vê-lo ir, pois conheci uma faceta naquele miúdo que não era comum e de mim desconhecida;
terça-feira, novembro 27
da alternativa
é na sequência de pensar alternativas que, se me mantiver pela minha escola, irei propor a criação de uma turma, não a pensar nos alunos, pelo menos de modo directo e mais imediato, mas de professores;
uma turma onde existam professores com diferentes sensibilidades e pontos de vista, mas reconheçam o papel preponderante do trabalho colaborativo, na definição de estratégias comuns na e para a resolução das situações pedagógicas com que nos deparamos nas escolas; onde sejamos capazes de ir além do pedido e da conformidade profissional e seja possível pensar o trabalho dos professores de modo comum, articulado e equilibrado entre todos; é apelar ao currículo para desenvolver capacidades, competências, mas também saberes e desejos;
será um desafio e uma oportunidade;
uma turma onde existam professores com diferentes sensibilidades e pontos de vista, mas reconheçam o papel preponderante do trabalho colaborativo, na definição de estratégias comuns na e para a resolução das situações pedagógicas com que nos deparamos nas escolas; onde sejamos capazes de ir além do pedido e da conformidade profissional e seja possível pensar o trabalho dos professores de modo comum, articulado e equilibrado entre todos; é apelar ao currículo para desenvolver capacidades, competências, mas também saberes e desejos;
será um desafio e uma oportunidade;
dos modelos
uma das ideias que sobressai neste título é que quando emitimos uma opinião sobre a escola (seja sobre o seu funcionamento, organização ou simplesmente sobre as suas rotinas) não emitimos apenas uma opinião mas associamos-lhe um conjunto de ideias e de valores que podem pressupor um dado modelo quer pedagógico, quer social;
na defesa de pontos de vista sobre a escola (as avaliações, as práticas, os processos, os comportamentos, os modos...) temos, quase sempre, subjacente uma dada ideia de como as coisas deviam ser; e, na generalidade dos casos, em vez de ser uma ideia de interpelação, de questionamento orientado, de perspectiva crítica, são modelos que remetem para passados (públicos ou pessoais), para modos (de conformidade) com que nos formamos e com que nos fomos formando;
nos tempos que correm em que as políticas apelam à conformidade social e profissional, onde ambicionamos uma estabilidade inexistente e que garantidamente não regressará atrás, é determinante agir-se em face de um perspectiva crítica, isto é, questionar o que temos e avançar para modos, práticas e modelos alternativos - de escola, de organização, de práticas lectivas e pedagógicas, de relação com alunos e pais/encarregados de educação, com a comunidade em que a escola se situa;
neste contexto os professores têm mais possibilidades do que aquelas que imaginam e perante as quais se cerceiam na sua capacidade interventiva (e social);
pensar e implementar práticas colaborativas, abrir espaços de diálogo, conversa e entendimento com os outros, procurar diversificar processos e práticas, envolver o aluno mediante os seus interesses e opções, dar a conhecer outras realidades, outras perspectivas a partir da sua disciplina são coisas que, na generalidade, os professores já fazem; mas não o fazem habitualmente nem de modo sistemático e coerente, nem reflectido, em face de resultados ou de produtos;
e isto é determinante que aconteça;
na defesa de pontos de vista sobre a escola (as avaliações, as práticas, os processos, os comportamentos, os modos...) temos, quase sempre, subjacente uma dada ideia de como as coisas deviam ser; e, na generalidade dos casos, em vez de ser uma ideia de interpelação, de questionamento orientado, de perspectiva crítica, são modelos que remetem para passados (públicos ou pessoais), para modos (de conformidade) com que nos formamos e com que nos fomos formando;
nos tempos que correm em que as políticas apelam à conformidade social e profissional, onde ambicionamos uma estabilidade inexistente e que garantidamente não regressará atrás, é determinante agir-se em face de um perspectiva crítica, isto é, questionar o que temos e avançar para modos, práticas e modelos alternativos - de escola, de organização, de práticas lectivas e pedagógicas, de relação com alunos e pais/encarregados de educação, com a comunidade em que a escola se situa;
neste contexto os professores têm mais possibilidades do que aquelas que imaginam e perante as quais se cerceiam na sua capacidade interventiva (e social);
pensar e implementar práticas colaborativas, abrir espaços de diálogo, conversa e entendimento com os outros, procurar diversificar processos e práticas, envolver o aluno mediante os seus interesses e opções, dar a conhecer outras realidades, outras perspectivas a partir da sua disciplina são coisas que, na generalidade, os professores já fazem; mas não o fazem habitualmente nem de modo sistemático e coerente, nem reflectido, em face de resultados ou de produtos;
e isto é determinante que aconteça;
das opiniões

há muito que procurava este título e que teimava em não encontrar;
uma vez solicitei-o a uma livraria do Porto, que me encontra quase tudo o que pretendo e preciso, mas levaram tanto tempo a enviar que, quando o fizeram, não estava por casa e acabou devolvido à precedência;
encontrei-o agora, no meio de um conjunto de livros vindos a pensar no Natal;
o título não é o mais apelativo comercialmente, implica, por outro lado, ter em conta outras referências bibliográficas, nomeadamente a discussão dos anos 70 entre Bourdieu e Passeron sobre a violência simbólica da escola e dos sistemas educativos;
apesar de já ter passado algum tempo sobre a sua edição, talvez seja de todo em todo pertinente o regresso às ideias e aos pensamentos que ali se espraiam;
é o livro que mais prazer me deu ler no contexto da problemática da violência e da indisciplina nas escolas;
segunda-feira, novembro 26
da ausência

não tenho escrito, não me tem apetecido;
olho a página, percorro sítios e não me apetece escrever;
não faltam temas (os comentários de Alegre e Soares à governação, as políticas de emigração, a política local e a sua arrumação..), ideias (do Natal, das amizades, dos afazeres...), mas não me apetece;
fico-me enroscado no meu pensamento, na oportunidade de regressar a vontade da escrita;
quarta-feira, novembro 21
do contrário
numa reunião na escola há quem defenda a redução da burocracia dos processos, em particular daqueles que se relacionam com a sala de aula, com o processo de ensino aprendizagem; todos concordam e reafirmam a ideia;
logo de seguida, a mesma pessoa defende a criação de grupos de trabalho para a análise de casos s situações que possam ir da indisciplina ao insucesso e colaborar com os professores;
resta perguntar, afinal, o que se entende por burocracia, o que se entende por mais grupos de trabalho; por um lado, procuram-se simplificar procedimentos, por outro, complexificar processos;
é uma assumida mistura entre o que é o trabalho individual (sempre solitário e algo angustiante) e o que são ou podem ser (e deveriam ser) estratégias colaborativas; conhecessem os professores outras realidades administrativas e chegariam a conclusão que a burocracia na escola até não é por aí e além;
logo de seguida, a mesma pessoa defende a criação de grupos de trabalho para a análise de casos s situações que possam ir da indisciplina ao insucesso e colaborar com os professores;
resta perguntar, afinal, o que se entende por burocracia, o que se entende por mais grupos de trabalho; por um lado, procuram-se simplificar procedimentos, por outro, complexificar processos;
é uma assumida mistura entre o que é o trabalho individual (sempre solitário e algo angustiante) e o que são ou podem ser (e deveriam ser) estratégias colaborativas; conhecessem os professores outras realidades administrativas e chegariam a conclusão que a burocracia na escola até não é por aí e além;
do óbvio

... um velho atavismo, gostamos de ser mandados no corpo e na cabeça, nunca queremos responsabilidade, mas aceitamos a obediência. Somos desorganizados e incumpridores e desleixados, mas gostamos de saber que, algures, permanece uma ordem qualquer, para os outros claro, para os desviantes, para os mal-pensantes que têm a arrogância de não se entusiasmar com as regras do rebanho, Abrupto;
escrito assim até parece óbvio, pelo menos para mim, que o defendo há muito, por outras palavras, com outras ideias, com uma outra lógica política e partidária, mas escrito assim realça aquilo que hoje, cada vez mais, somos e nos querem impor;
terça-feira, novembro 20
do sem fim

realizar um projecto de investigação é como descascar uma imensa cebola, há sempre mais qualquer coisa, algo de interesse, uma outra camada;
assim sendo, torna-se uma questão de opções, de valorizações, de escolhas, de apostas de modo a evitar que o projecto se eternize;
a este facto acresce a acutilante pertinência de considerar a disciplina na escola pública (ou a indisciplina) como centro da abordagem de onde brotam, jorram referências, títulos, apontamentos, notícias, toda uma diversidade de textos que levam a considerar o trabalho plenamente inacabado;
por opção, terei de dar por terminado o mapeamento deste conceito até final do ano, prescindindo de tudo o que possa vir a ser encontrado posteriormente; como me terei de concentrar (focalizar) em três ou quatro referências (Jorge do Ó, Nikolas Rose, M. Foucault, Teresa Estrela) que se revelam, por construção teórica, determinantes no meu processo de abordagem; têm em comum o facto de partirem das ideias, dos valores e dos modelos que, quer a disciplina, quer as situações de indisciplina revelam, fazem realçar na organização e no modo de agir da escola pública e na construção de si, da pessoa, do aluno, do cidadão;
do trabalho

a escola é um mundo de diversidades, pluralidades e contradições - alunos, formação, idades, ideias, modelos e valores, entendimentos e conceitos, práticas e teorias;
temos olhado para esta situação como se de um constrangimento se tratasse, como condicionadora do desenvolvimento do trabalho e dos resultados - em particular dos alunos, mas agora também das escolas;
olhar para esta diversidade como uma oportunidade de trabalho considero que é o desafio dos próximos tempos; desafio assente em modelos diversos de trabalho, numa organização diferenciada dos processos, um atendimento mais individualizado, quer ao professor, quer, em particular, ao aluno;
é isto que leio e entendo nesta entrada do JMA em que, apesar da sua extensão, estão lá todos aqueles pormenores, grandes e pequenos, que desafiam a organização educativa a reformular estratégias, a repensar objectivos, a re-utilizar, de um outro modo e com outras consequências, o trabalho dos seus profissionais;
a escola que queremos não deverá estar dependente de um ministro (ou iluminado) mas da capacidade local e situada da sua construção, com todas as dificuldades e constrangimentos que se lhe podem associar, mas também com a oportunidade e as possibilidades que só localmente são e podem ser perspectivados;
do local
a política por estas bandas corre, desliza, flui quase como espaço entretecido entre o público e a socapa;
isto é, entre um grupo de interesses e um conjunto de interessados; algo distante do comum cidadão, da vida quotidiana, do nosso dia-a-dia;
talvez tenha de ser assim; damos importância e valorizamos aquilo que queremos, quando queremos e porque queremos, fruto de contextos, circunstâncias, momentos;
afastado que estou deste processo, entretenho-me a apreciar a passagem das figuras, qual metáfora da chegada do circo à cidade em desfile simultaneamente alegórico e plubicitário das suas maravilhas, das acrobacias, do exotismo, dos receios colectivo, mas também dos desafios, das oportunidades, do desfrute;
mas a malha aperta-se e os adizeres dos poucos espaços bloguistas que se dedicam à política local/regional são disso sintoma;
é um outro espaço, aquele em que procuro desfrutar esta vista e os movimentos (ou movimentações) dos artistas; aqueles que se transfiguram de um momento para o outro de vendedor de pipocas a contorcionista, ou de domador das feras a apresentador da cena seguinte;
segunda-feira, novembro 19
do que fica
da visita, da entrada e saída de museus e de espaços culturais, há uma questão que se me destaca, o que fica depois do que se passa; que deixaremos nós como marca da nossa passagem, do nosso olhar, da nossa forma e do nosso modo de estar neste século;
considerando o mundo como um palco, um espaço de artes e de encenações, de representação e de descoberta, há uma coisa que não tenho grandes dúvidas que deixaremos, para além da fugacidade dos dias e das circunstâncias, a arte;
a arte nas suas mais diferentes formas e representações, da arquitectura à música. passando pela fotografia, pela pintura e escultura, pelos adizeres;
uma das coisas que gostei de ver foram os quadros de Pollok e o que eles representam de corte com correntes anteriores; como a encenação presente que considera o mundo como um palco, por vezes em peep show, mas elucidativo de um olhar sobre a contemporaneidade;
das práticas
uma coisa que gosto de ver e apreciar quando vou lá fora são as escolas e procurar perceber, ainda que por traços leves e muito passageiros, a forma de organização quer do sistema quer da escola;
uma coisa visível é a diferença da escolha das práticas;
no norte da Europa uma das grandes defesas retóricas dos sistemas educativos é a liberdade de escolha; os pais podem escolher quer o estabelecimento de ensino, quer o projecto educativo predominante numa dada escola; sem comentários;
mas os professores ficam condicionados a essa escolha e a esses projectos; se por cá o professor escolhe o seu método de ensino de acordo com a sua formação, a sua experiência, o grupo/turma que tem pela frente (em face das suas características), por lá não há liberdades de práticas; o professor insere-se no quadro de um determinado projecto educativo, que tem associado a si uma determinada prática; queira ou não, concorde ou não assume uma orientação definida pelo órgão de gestão;
um modelo ou outro, o nosso, onde há liberdade de prática pedagógica, mas algum condicionamento na escolha da escola, e o dos outros (onde se escolhe a escola mas não a prática pedagógica) há diferenças incomensuráveis - quer de resultados, quer de processos;
o que fica é apenas a diferença;
uma coisa visível é a diferença da escolha das práticas;
no norte da Europa uma das grandes defesas retóricas dos sistemas educativos é a liberdade de escolha; os pais podem escolher quer o estabelecimento de ensino, quer o projecto educativo predominante numa dada escola; sem comentários;
mas os professores ficam condicionados a essa escolha e a esses projectos; se por cá o professor escolhe o seu método de ensino de acordo com a sua formação, a sua experiência, o grupo/turma que tem pela frente (em face das suas características), por lá não há liberdades de práticas; o professor insere-se no quadro de um determinado projecto educativo, que tem associado a si uma determinada prática; queira ou não, concorde ou não assume uma orientação definida pelo órgão de gestão;
um modelo ou outro, o nosso, onde há liberdade de prática pedagógica, mas algum condicionamento na escolha da escola, e o dos outros (onde se escolhe a escola mas não a prática pedagógica) há diferenças incomensuráveis - quer de resultados, quer de processos;
o que fica é apenas a diferença;
do regresso
e pronto, de regresso ao meu cantinho, para trocar ideias e argumentos, opiniões e pensamentos;
de regresso aos falantes da língua de Camões e Pessoa, do cantinho onde sentimos as saudades e se faz o eterno regresso;
de regresso aos falantes da língua de Camões e Pessoa, do cantinho onde sentimos as saudades e se faz o eterno regresso;
sábado, novembro 17
da seguranca
por estas bandas da terra de sua magestade, a seguranca nao e' completamente perceptivel nem visivel, mas insinua-se em praticamente todos os poros da cidade, da comum convivialidade social;
nao assusta, nem amedronta turista ou o pacato cidadao, mas a percepcao da presenca do big brother, constrange movimentos e leva-me a perguntar se, apesar de todas as medidas, elas serao garantias do que?
nao assusta, nem amedronta turista ou o pacato cidadao, mas a percepcao da presenca do big brother, constrange movimentos e leva-me a perguntar se, apesar de todas as medidas, elas serao garantias do que?
daqui
de um qualquer lado, desde que queiramos, conseguimos perceber, ver e sentir as diferencas (nao tenho caracteres nacionais, dai alguma falta de acentos e cedilhas):
mas, para quem gosta de perceber como e' que as coisas acontecem, a diferenca, a pluralidade, a mistura da' para perceber que ha' razoes mais de um lado do que do outro;
afinal e apesar de todo o spam, o mundo pula e avanca como bola colorida nas maos de uma crianca;
vai dai e por que os comentarios tocam a animosidade, alteram-se as regras e quebra-se o spam, pelo menos algum...
mas, para quem gosta de perceber como e' que as coisas acontecem, a diferenca, a pluralidade, a mistura da' para perceber que ha' razoes mais de um lado do que do outro;
afinal e apesar de todo o spam, o mundo pula e avanca como bola colorida nas maos de uma crianca;
vai dai e por que os comentarios tocam a animosidade, alteram-se as regras e quebra-se o spam, pelo menos algum...
segunda-feira, novembro 12
dali
agora, depois de uma simples pausa, vou ali e já venho;
não sei se terei oportunidade de escrever; se tiver, fá-lo-ei sem acentos; senão tiver essa oportunidade fica para depois, para a próxima semana;
não desisto, é apenas uma saída deste local, um desvio para um outro, em que me ausento, sem deixar este espaço, apenas uma pausa, um interregno;
vou ali e já venho;
não sei se terei oportunidade de escrever; se tiver, fá-lo-ei sem acentos; senão tiver essa oportunidade fica para depois, para a próxima semana;
não desisto, é apenas uma saída deste local, um desvio para um outro, em que me ausento, sem deixar este espaço, apenas uma pausa, um interregno;
vou ali e já venho;
da recepção
tive hoje numa recepção ao professor;
entre convites de uns e obrigatoriedade de outros lá fomos ouvir o ponto político sindical do momento;
na mesa uma santíssima trindade comum, um representante sindical (logo o de topo da FENPROF, Mário Nogueira), um académico, irrepreensivelmente dejavu na pessoa do Prof. da ESE de Santarém, Santana Castilho e o excelentíssimo director regional de educação, manifestamente em desequilíbrio na cena;
obviamente que agradou a uns e outros nem tanto, que desagradou a alguns, que foi excessivamente sindical e partidarizado sem ser político;
o que sobressai desta santíssima trindade diz respeito à facilidade com que hoje, na cena política educativa nacional pode sobressair o herói-anti-herói, isto é, aquele que mais com a opinião do que com argumentos, crítica a equipa governativa, sabe o q.b. das posições sócio-profissionais para agradar às plateias e, sem contraponto nem alternativa, faz figura de herói descosendo tudo e todos sem nada ter apresentado de sério;
isto não é política... é demagogia, pura e simples, ainda por cima alimentada e sustentada pelo governo da nação;
entre convites de uns e obrigatoriedade de outros lá fomos ouvir o ponto político sindical do momento;
na mesa uma santíssima trindade comum, um representante sindical (logo o de topo da FENPROF, Mário Nogueira), um académico, irrepreensivelmente dejavu na pessoa do Prof. da ESE de Santarém, Santana Castilho e o excelentíssimo director regional de educação, manifestamente em desequilíbrio na cena;
obviamente que agradou a uns e outros nem tanto, que desagradou a alguns, que foi excessivamente sindical e partidarizado sem ser político;
o que sobressai desta santíssima trindade diz respeito à facilidade com que hoje, na cena política educativa nacional pode sobressair o herói-anti-herói, isto é, aquele que mais com a opinião do que com argumentos, crítica a equipa governativa, sabe o q.b. das posições sócio-profissionais para agradar às plateias e, sem contraponto nem alternativa, faz figura de herói descosendo tudo e todos sem nada ter apresentado de sério;
isto não é política... é demagogia, pura e simples, ainda por cima alimentada e sustentada pelo governo da nação;
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