sábado, novembro 17

daqui

de um qualquer lado, desde que queiramos, conseguimos perceber, ver e sentir as diferencas (nao tenho caracteres nacionais, dai alguma falta de acentos e cedilhas):
mas, para quem gosta de perceber como e' que as coisas acontecem, a diferenca, a pluralidade, a mistura da' para perceber que ha' razoes mais de um lado do que do outro;
afinal e apesar de todo o spam, o mundo pula e avanca como bola colorida nas maos de uma crianca;
vai dai e por que os comentarios tocam a animosidade, alteram-se as regras e quebra-se o spam, pelo menos algum...

segunda-feira, novembro 12

dali

agora, depois de uma simples pausa, vou ali e já venho;
não sei se terei oportunidade de escrever; se tiver, fá-lo-ei sem acentos; senão tiver essa oportunidade fica para depois, para a próxima semana;
não desisto, é apenas uma saída deste local, um desvio para um outro, em que me ausento, sem deixar este espaço, apenas uma pausa, um interregno;
vou ali e já venho;

da recepção

tive hoje numa recepção ao professor;
entre convites de uns e obrigatoriedade de outros lá fomos ouvir o ponto político sindical do momento;
na mesa uma santíssima trindade comum, um representante sindical (logo o de topo da FENPROF, Mário Nogueira), um académico, irrepreensivelmente dejavu na pessoa do Prof. da ESE de Santarém, Santana Castilho e o excelentíssimo director regional de educação, manifestamente em desequilíbrio na cena;
obviamente que agradou a uns e outros nem tanto, que desagradou a alguns, que foi excessivamente sindical e partidarizado sem ser político;
o que sobressai desta santíssima trindade diz respeito à facilidade com que hoje, na cena política educativa nacional pode sobressair o herói-anti-herói, isto é, aquele que mais com a opinião do que com argumentos, crítica a equipa governativa, sabe o q.b. das posições sócio-profissionais para agradar às plateias e, sem contraponto nem alternativa, faz figura de herói descosendo tudo e todos sem nada ter apresentado de sério;
isto não é política... é demagogia, pura e simples, ainda por cima alimentada e sustentada pelo governo da nação;

quinta-feira, novembro 8

do juiz


no âmbito do processo que inquiro, referenciei que o aluno, com 13 anos de idade, já tem uma pena pelo tribunal de menores, fruto de atitudes fora da escola;
a pena? esta é que me surpreendeu, qual pena suspensa, durante dois anos o aluno é obrigado a frequentar a escola; assim mesmo, definido e determinado por uma meretíssima juíza do tribunal de menores;
onde reside a minha surpresa?
por um lado, no facto de a senhora fazer cumprir o que está estipulado na lei de bases, a obrigatoriedade de frequência da escola para todos os alunos até que perfaçam a idade de 15 anos;
por outro, no facto de a senhora, certamente ciente de todo o seu juízo, encarar a escola como um castigo ou um local de pena; e não como um dever de qualquer cidadão;
ele há coisas que continuo a não perceber, mas certamente o problema é meu, a incapacidade é minha;

do terrorista

um dos alunos que tenho está catalogado como um pequeno terrorista; provavelmente não chegará ao metro de gente, mas geniquento, quezilento, provocador, perturbador de tudo e de todos;
ontem pus-me de volta dele, fizemos um cartão para o Natal, todo colorido, imagens alusivas e o nome por baixo, logo a seguir à dedicatória à mãe;
pedi-lhe para ir imprimir o cartão; quando voltou, papel na mão, sorriso rasgado de orelha a orelha, orgulho cheio pelo produto do seu trabalho, vira-se para mim e de olhos bem abertos lança-me, obrigado;
fiquei sem palavras; sem qualquer capacidade de argumentação; apenas perguntei, como se fosse desconhecedor, obrigado porquê J? ao que respondeu, como se não se tivesse feito ouvir, obrigado, stor;
e é ele um terrosita, fará se não fosse...

da crítica

é bom perceber que este meu cantinho virou espaço de opinião literária, de dissecação de ortografia e da gramática; é bom perceber e sentir que há pessoas atentas a estas coisas e que, ainda que pontualmente, deixem de lado a opinião e os argumentos e se fiquem pelo erro;
pena é a incapacidade, pelo menos de alguns comentaristas e críticos de opinião, não chegarem ao conteúdo;
mas pronto, eu é que sou o "dotor" (foi mesmo assim o escrito, propositado, deliberado);

quarta-feira, novembro 7

dos resultados

não são rankings mas os jornais de hoje trazem (breves ou mais prolongados) apontamentos de análise sobre as provas de aferição realizadas no 4º e 6º anos da escolaridade;
grande descoberta a da perda de competências em apenas dois anos, seja ao nível da lógica, do cálculo ou da língua;
provavelmente será situação que se repete na passagem do 6º para o 9º e deste para o 12º (onde se destaca apenas a tecnicidade de conhecimentos amestrados);
provavelmente alguns dos discursos que dizem que os alunos vêem mal preparados ter-se-ão que refazer e adequar mais ao sentimentos que preparamos mal os nossos alunos;
isto de assumir responsabilidades é que é mais difícil;

da parcimónia

à que vontade de escrever e saber que não sou lido por ninguém;
à que saudades de uma escrita livre e espontânea, fluente como as ideias, que escorra por onde tenha e descubra e construa brechas de fugas;
à que saudades de escrever aqui e sentir apenas o texto a ir para onde as emoções o empurram;
à que saudade...

do ontem

no dia de ontem uma tarde, no parlamento, para recordar que saudades só do futuro;
uma noite, escocesa, para esquecer, em particular aquela segunda parte...

segunda-feira, novembro 5

das curvas

nesta cidade e nesta região, o contrário é o que mais se parece com as curvas de uma vida social;
aparentemente rectilínea, a vida política manifesta-se nas inúmeras curvas, umas não assinaladas no mapa partidário, outras claras e mais óbvias, com que o percurso social se faz, com que se cruzam ideias e sombras, montes e vales, ideias e modelos, vontades e desejos, mas também insuspeições e situações inesperadas;
a vida político-partidária nesta região, cada vez mais se faz pela sombra, pela insinuação, pelo não dito, pela ausência do que pela presença, do que pelo dito, pelo afirmado, pelo directo ou pelo manifesto;
tenho consciência que muito da política é subreptício, feito por detrás dos panos, na amena cavaqueira de um petisco, de uma confraternização, de um aglomerado de ideias e opiniões que, apesar de divergentes ou, mesmo, rivais, identificam pontos de consenso e ameno concentimento;
talvez seja eu que ainda não tenha arrumado a gaveta da política, que ande ressabiado ou ressentido; talvez seja eu que tenha um outro modo de ver e sentir esta coisa da política regional, mas não me conformo, não me submeto a que apenas dois ou três actores definam e determinem o devir de tantos e tantos outros;
atenção, esta situação não se confina ao meu PS, é mais vasta e abrangente, vai além de um partido e aninha-se na gestão dos interesses partidários e no mando que todos gostam tanto de usufruir, sejam da esquerda ou da direita;

da disciplina

à medida que a escola se diversifica, que as situações conjunturais mais influência e presença têm sobre a escola, mais e mais graves situações relacionadas com a disciplina se manifestam;
se é certo que, genericamente, o interior não denota ainda as situações de indisciplina "típicas" de algumas zonas suburbanas ou de guetos sociais dos arrabaldes das grandes cidades (onde, mais que indisciplina, é a violência a graçar), é também certo que existem cada vez em maior número situações de incómodo, transtorno, irregularidade dos quotidianos educativos;
agora, na minha escola, fui nomeado instrutor de um processo disciplinar; mais uma oportunidade para ouvir de sua justiça e perceber o que está por detrás de tantas destas situações e procurar compreender eventuais modos de os contornar;
certo que não existem soluções tipo aspirina ou pronto-a-vestir, mas situações que precisam de contextos, situações e circunstâncias próprias, sempre individualizadas, sempre fulanizadas;

do senso

esta notícia remete para outros tempos em que as situações, estas e outras como estas, eram rápida e eficazmente resolvidas desde que mediatizadas;
pergunto, não haverá gente com bom senso nestes serviços, de âmbito regional e subregional, que consiga avaliar a situação sem intermediação da comunicação social ou sem interferência de um ministro?
será que para a resolução destes casos, e outros como estes, será necessária a sua mediatização (ou mediação social)?

domingo, novembro 4

da família

a morte tem uma coisa boa (certamente entre várias); a de proporcionar a reunião da família; juntar aqueles que, por afinidades consaguíneas mas afazeres distintos, há muito não se juntavam, não se encontravam, não se reuniam, não falavam;
a morte tem a particularidade de reunir conversas, pôr em dia assuntos passados, "matar" aquelas saudades que decorrem da família e de uma amizade familiar;
numa família claramente abrangente sempre fiquei a saber que as águas andam revoltas até pelo PC, que a acalmia do PPD/PSD é mais ilusão de óptica que outra coisa;
tantas as coisas que se sabem quando a família s reúne, se junta; pena é ter quase sempre como pretexto a morte;
mas é a morte que marca uma qualquer família, que faz com que se sinta família, pretensamente unida, pretensamente junta e una;

da morte

este fim de semana estive ocupado em visita ao cemitério da terra, que ganhou mais um residente com o mesmo apelido;
o cemitério estava bonito, enfeitado que estava com inúmeras flores, multicolorido, um jardim assumidamente desenhado por efeitos do dia de finados - com variações entre o natural e o plastificado, aquelas que murcham e aquelas que nunca murchando também não se decompõem (que imagens associar a uma e a outra, que razões alencar para uma e para outra?);
a morte daqueles que nos são próximos atira-nos para a frente, para o futuro; sentimos, eu sinto pelo menos, que subimos mais um degrau, passamos mais um nível e que um dia atingiremos a plenitude do jogo e será chegada a nossa hora;
os rituais dizem-me pouco; a fé não abunda na minha consciência presente; já foi chão que deu uvas, fruto de uma infância assumidamente cristã e que, por vicissitudes várias, deixo para trás, para a memória, hoje envolta num agnosticismo crente;
é a morte senhores, aquela que nos impele e faz com que possamos viver a vida...

quinta-feira, novembro 1

da metáfora

na azeitona, sem mais para fazer, faz-se e pensa-se, criam-se metáforas que possam associar uma acção/actividade com as minhas preocupações, para já (por muito incrível que possa parecer) só tenho uma, a minha tese;
no meio dos ramos ocorria-me a ideia, por vezes, para ver o próximo temos de nos afastar; outras, apesar de vermos temos de nos desviar para conseguir alcançar o objectivo;
como dei por mim a perceber que o fácil nem sempre é o mais imediato; os ramos mais próximos ficavam para o fim, para a segunda ou terceira volta; aqueles que estavam mais distantes por vezes eram os mais rápidos;
são metáforas, senhores, essas as ideias que nos servem para alguma coisa;

da rama

hoje foi dia de andar à azeitona;
antigamente, em tempos que já lá vão, era uma acção colectiva, onde se entretinham amores e companhias, gostos e alguns desgostos;
è engraçado ouvir as histórias do antigamente, repetidas até à infinitésima parte, sempre com o mesmo tom;
hoje não houve companhia, foi uma atitude solitária, andar de árvore em árvore, a esgalhar os ramos e a pensar na vida;
ramas que o tempo tece;

do silêncio

quase que me apetecia comentar os comentários deixados na duas postas anteriores;
por mero pudor, não o faço; deixo o comboio andar, entre carris e percursos mais ou menos sinuosos;
agora há coisas com as quais não compactuo, nem silencio;
muitos partidos dos partidos alentejanos são constituídos por pouca gente, militantes empenhados mas sempre dependentes de outros interesses; militantes empenhados, mas seriamente condicionados pela vontade de poucos;
pergunto a mim mesmo e a uns quantos que me rodeiam, o que queremos nós?
sem esperar pela resposta digo, de forma aberta e convincente, como sempre foi meu apanágio, que não me importa nem o suor, nem as lágrimas, nem a dor, desde que sirva para que as coisas não fiquem como sempre estiveram, na mãos de uns quantos, no interesse de outros;
um partido político não é uma associação benemérita, visa o poder e a sua consolidação; disso não há troco, espinhas ou caroços; quem se julgar ao contrário será por que está enganado, equivocado;
agora não pode nem deve ser o poder de uns quantos, nem o interesse de outros tantos;
se queremos um projecto socialista há que assumir, de forma aberta, clara e frontal, os princípios, valores e ideias; e não apenas os interesses;
para isso, entre o silêncio ruidoso e o ruído silencioso, estarei cá, para o que der e para o que vier;

quarta-feira, outubro 31

da sombra

podia ter chamado a esta entrada "de Évora", opto por um mais escuro, as sombras;
há uma profunda movimentação política e partidária nesta santa terrinha;
movimentação pelas sombras, pelas esquinas, qual desconfiado do outro e de tudo;
mexe-se o xadrez partidário num perplexo jogo de sombras, onde vale mais a insinuação que a manifestação; hesita-se no movimento, sabendo que pode ter um efeito de borboleta;
à esquerda e à direita do PS local contam-se espingardas, definem-se alvos a abater (mesmo que não se mexam, mesmo que impávidos e serenos na sua bonomia), sondam-se opiniões e perspectivam-se eleições, arrumos;
no PS local fico com a sensação que o silêncio é pronúncio de confusão, de trovoada; diz-se que sim para logo a seguir se afirmar o talvez e convictamente se dizer que nunca se disse; procura-se a influência, a mestria de um passe, de uma desmarcação que mais pode ser uma colagem ao outro, talvez adversário, talvez cúmplice;
a política não ganha com estes jogos, a cidadania sente-se alheada do seu próprio destino, os mimetismos parlamentares não têm, pela cidade e por esta região, passos perdidos, apenas oportunidades perdidas;
é nas sombras que os gatos são parvos - não pardos...

das políticas

critico as políticas? áh pois claro que crítico;
deste governo, que apoio de forma militante? sem dúvida; apesar de boy e, de quando em quando utilizador de cargos, considero que nem tudo é correcto e, menos ainda, adequado;
agora o que sinto de diferente perante a crítica política é a de construir para além do normativo, para além do procedimento institucional;
por vezes, e já me custou algumas dores de cabeça, mesmo contra o instituído, contra o determinado, na defesa de uma ideia e de uma prática docente que não fica presa à regra ou ao partido e procura uma prática social fortemente politizada (mas não partidarizada);
não crítico apenas pela crítica, nem para desmontar o preceituado, muita das vezes enformado do seu próprio contrário, procuro uma afirmação situada da escola e da acção do professor; defendo que o normativo se deve construir a partir das práticas, mais do que das vontades de um qualquer governante;
a crítica essencial que faço a esta ministra, já aqui o escrevi, é a de estar a produzir legislação à revelia dos principais interessados e envolvidos, correndo-se o sério risco, mais que previsível, de tudo se alterar quando for embora;
e isto não é política e menos ainda educativa (que leva tempo a sedimentar); é asneira da grossa;

da diferença

uma das diferenças que sinto entre a minha pessoa e a restante sala de professores (não toda), é a minha defesa da escola por aqueles que estão na escola;
tento explicar, à semelhança de outros defendo uma escola situada, feita por aqueles que lhe dão corpo, vida e alma; não espero (nem deste nem de outros governos ou ministros) soluções que me facilitem a vida, descompliquem procedimentos, organizem as actividades, definam os objectivos;
as minhas mais essenciais discussões passam pela defesa da capacidade dos professores agirem em face do seu contexto, das suas situações e não de esperar que me digam como tenho de fazer e o que fazer;
mas reconheço alguma pertinência ao sentido normativo da acção pública; sem algumas orientações, sem algumas opções de política educativa emanadas de uma qualquer secretaria, certamente não teríamos a escola que temos, teríamos uma outra;
dentro deste aspecto, para mim determinante, configura-se um outro, melhor explicado por quem percebe da poda, que se traduz na alteração dos procedimentos em sala de aula; estamos habituados, fomos formados para ensinar a muitos como de um só se tratasse (frase feliz de Perrenoud e Barroso), numa escola mais ou menos homogénea, mais ou menos equilibrada, mais ou menos pacífica, mais ou menos interessada, mais ou menos empenhada, mais ou menos acompanhada;
mas não é isso que temos, pois não;