quarta-feira, outubro 31

da sombra

podia ter chamado a esta entrada "de Évora", opto por um mais escuro, as sombras;
há uma profunda movimentação política e partidária nesta santa terrinha;
movimentação pelas sombras, pelas esquinas, qual desconfiado do outro e de tudo;
mexe-se o xadrez partidário num perplexo jogo de sombras, onde vale mais a insinuação que a manifestação; hesita-se no movimento, sabendo que pode ter um efeito de borboleta;
à esquerda e à direita do PS local contam-se espingardas, definem-se alvos a abater (mesmo que não se mexam, mesmo que impávidos e serenos na sua bonomia), sondam-se opiniões e perspectivam-se eleições, arrumos;
no PS local fico com a sensação que o silêncio é pronúncio de confusão, de trovoada; diz-se que sim para logo a seguir se afirmar o talvez e convictamente se dizer que nunca se disse; procura-se a influência, a mestria de um passe, de uma desmarcação que mais pode ser uma colagem ao outro, talvez adversário, talvez cúmplice;
a política não ganha com estes jogos, a cidadania sente-se alheada do seu próprio destino, os mimetismos parlamentares não têm, pela cidade e por esta região, passos perdidos, apenas oportunidades perdidas;
é nas sombras que os gatos são parvos - não pardos...

das políticas

critico as políticas? áh pois claro que crítico;
deste governo, que apoio de forma militante? sem dúvida; apesar de boy e, de quando em quando utilizador de cargos, considero que nem tudo é correcto e, menos ainda, adequado;
agora o que sinto de diferente perante a crítica política é a de construir para além do normativo, para além do procedimento institucional;
por vezes, e já me custou algumas dores de cabeça, mesmo contra o instituído, contra o determinado, na defesa de uma ideia e de uma prática docente que não fica presa à regra ou ao partido e procura uma prática social fortemente politizada (mas não partidarizada);
não crítico apenas pela crítica, nem para desmontar o preceituado, muita das vezes enformado do seu próprio contrário, procuro uma afirmação situada da escola e da acção do professor; defendo que o normativo se deve construir a partir das práticas, mais do que das vontades de um qualquer governante;
a crítica essencial que faço a esta ministra, já aqui o escrevi, é a de estar a produzir legislação à revelia dos principais interessados e envolvidos, correndo-se o sério risco, mais que previsível, de tudo se alterar quando for embora;
e isto não é política e menos ainda educativa (que leva tempo a sedimentar); é asneira da grossa;

da diferença

uma das diferenças que sinto entre a minha pessoa e a restante sala de professores (não toda), é a minha defesa da escola por aqueles que estão na escola;
tento explicar, à semelhança de outros defendo uma escola situada, feita por aqueles que lhe dão corpo, vida e alma; não espero (nem deste nem de outros governos ou ministros) soluções que me facilitem a vida, descompliquem procedimentos, organizem as actividades, definam os objectivos;
as minhas mais essenciais discussões passam pela defesa da capacidade dos professores agirem em face do seu contexto, das suas situações e não de esperar que me digam como tenho de fazer e o que fazer;
mas reconheço alguma pertinência ao sentido normativo da acção pública; sem algumas orientações, sem algumas opções de política educativa emanadas de uma qualquer secretaria, certamente não teríamos a escola que temos, teríamos uma outra;
dentro deste aspecto, para mim determinante, configura-se um outro, melhor explicado por quem percebe da poda, que se traduz na alteração dos procedimentos em sala de aula; estamos habituados, fomos formados para ensinar a muitos como de um só se tratasse (frase feliz de Perrenoud e Barroso), numa escola mais ou menos homogénea, mais ou menos equilibrada, mais ou menos pacífica, mais ou menos interessada, mais ou menos empenhada, mais ou menos acompanhada;
mas não é isso que temos, pois não;

terça-feira, outubro 30

do regime

ainda a propósito de uma das grandes discussões pedagógicas (?), sobre o regime disciplinar do aluno, uma nota de acrescento;
não é à toa, não foi sem querer, não foi despropositado e menos ainda inocente que o primeiro regime disciplinar do aluno, definido na portaria 679/77 de 8 de Novembro se manteve inalterado desde a sua fundação, em 1977, até 1998, 21 anos, apesar de todo o seu articulado não referente ao regime disciplinar ter sido revogado; que o definido pelo decreto-lei 270/98 se conseguisse aguentar 5 anos, substituído que foi pela Lei 30/2002 e que passados outros 5 anos surja um novo;
primeira referência, a alteração do acto em si, que vai de portaria a lei, conferindo-lhe um enquadramento e um regime processual substancialmente diferente;
segunda referência, o próprio enquadramento do regime, que passa por um quadro "pedagógico" de organização da escola, definido pela referida portaria 679/77, até a uma assumida judicialização da situação, claramente evidente na lei 30/2002;
o acrescento, se não é evidente nesta mutação de enquadramento e configuração uma ideia de sociedade e de relação de actores (professores, alunos, pais/encarregados de educação) então esclareçam-me, p.f.;
que este regime corre o risco de vigorar ainda menos tempo? é certo; que não irá resolver os problemas de indisciplina e violência que consomem muitas das nossas escolas, é também clarinho; primeiro, porque grande parte das medidas estão a ser tomadas à revelia dos seus mais directos interessados, segundo por que não há soluções administrativas ou normativas que ponham fim à angústia de quem trabalha na escola e assume a educação como profissão;
fundamental neste processo é equacionarem-se outros modos de organização da escola e da educação - neste momento estou mais preocupado com a escola;

dos cuidados

até pensava em não escrever, não sentia grande entusiasmo nem predisposição;
mas o hálito tem destas coisas;
uma metáfora;
a esposa tem gostos estranhos (basta estar comigo) por uma área designada de cuidados paliativos, isto é, cuidados em fim de vida;
utilizando esta área como metáfora face ao aluno absentista, ao aluno que não se reconhece na escola nem reconhece à escola qualquer validade, falo do aluno que terá entre os 12/13 anos e os 15/16 (fase crítica da relação escolar) pergunto, deixa-mo-lo morrer, deixa-mo-lo ir? porque não quer, por que não gosta, porque não vale a pena contrariar?
afinal quem são os filhos de Rousseau? aqueles que simplesmente desistem do aluno, porque não o querem contrariar, nem contradizer mas pugnam por uma escola para alguns, os interessados, os limpinhos, os assertivos e cordatos, ou aqueles que procuram mostrar que há alternativas, que essas alternativas passam pela escola?
o que está em causa no regime disciplinar do aluno, neste ou nos que o antecederam, referem-se a modelos de escola e de educação, do aluno perante a escola e do professor perante a sociedade que integra;
estou certo que aqueles docentes que trabalham na Cova da Moura ou noutros guetos terão outro tipo de argumento, outros factores a considerar, agora dizer que o director de turma tem de escrever diariamente ou simplesmente organizar mais uns papeis ou que o conselho pedagógico se deva debruçar sobre as suas responsabilidades peço desculpa, mas não são argumentos, são desculpas...

segunda-feira, outubro 29

das faltas

só para contrariar aquilo que parece ser uma opinião generalizada, deixem-me dissertar sobre o novo regime disciplinar do aluno, aquele mesmo que considera que as faltas podem não ser consideradas para a retenção do aluno;
aparentemente, da esquerda à direita, tecem-se comentários de leviandade, de laxismo, de desresponsabilização que pode decorrer deste novo diploma;
uma questão, por mero acaso já terão lido o diploma? é que não é essa a leitura que faço; remete para a escola e para os seus órgãos de gestão a responsabilidade de definição de mecanismos para se procurar perceber o porquê da falta e de, a partir daí, se definirem os instrumentos e os modos de contrariar essa prevaricação, envolvendo as diferentes partes e não apenas um sector;
a discussão em redor deste diploma, parece trazer para a boca de cena uma ideia de escola que, direi eu, assenta no antigamente, uma escola de alguns, para alguns e que apenas alguns eram merecedores da atenção, do acompanhamento e da orientação educativa;
a escola que temos, pelo menos por enquanto, assenta numa lógica, nem sempre clara, nem sempre definida, de equidade, de a escola procurar colmatar carências do agregado familiar; é pôr os professores a fazerem mais? é sim senhor, de modo a que a escola possa ser para todos e todos possam ter as mesmas oportunidades;
a questão que se coloca, e que decorre dos poderes que a escola e os professores têm, é a de se organizarem de um outro modo, para poderem fazer face ao desafio da integração, daqueles que não se reconhecem na escola, na sua cultura, nos seus modos e preceitos mas que têm direito a ela; o que se institui mais não é que uma escola para todos, pois a escola cresceu e massificou-se mas não se democratizou;
o que esta legislação traz é uma assumida divisão entre a escola que temos e a escola que pretendemos, e há quem pretenda voltar atrás defendendo que se está a avançar, e é mentira;

da administração

um relatório dá conta, clara, daquilo que muitos já suspeitávamos;
a administração pública trabalha mal é pouco produtiva;
contudo, na comparação efectuada com o sector privado, há diferentes ideias que me ocorrem;
primeiro, trabalha mal e é pouco produtiva porquê? por causa do simples funcionário que cumpre regras e obrigações? por causa dos objectivos que são definidos exteriormente e aleatoriamente ao funcionário e ao sector? ou porque os chefes, as chefias da administração pública são fracas, pouco formadas, pouco conhecedoras de lógicas organizacionais e de articulação dos seus recursos humanos?
segundo, ao se rotular a administração pública de pouco produtiva e desorganizada, comparativamente ao sector privado, está-se a querer dizer que se privatizássemos os serviços eles seriam melhores? mais produtivos? mais rentáveis? considero esta ideia enganadora e preocupante, pois revela o retorno de um velha ideia que quanto menos Estado melhor Estado;
terceiro, no contexto da produtividade e qualidade do trabalho da administração pública, foram equacionados os sectores que, apesar de trabalharem mal, estarem indevidamente organizados, são fundamentais a um Estado de direito, ao Estado previdência, ao serviço público que, neste sentido, o privado nem dado quereria?
sou defensor do papel do Estado e conheço alguns dos seus meandros; considero a acção pública como fundamental na correcção de desequilíbrios e da equidade social; é por isto que defendo, há muito, que a administração pública funciona mal por causa das chefias intermédias, geralmente perpétuaveis nos cargos, independentemente das políticas, sempre defensoras de um função técnica, formadas em lógicas do antigamente, funcionais, hierárquicas, com linha de comando definida, cerceadoras das iniciativas individuais, das autonomias institucionais, sempre receosas da fuga do mando;
mais do que se reconhecer que a administração pública funciona mal seria procurar perceber porque é que funciona mal, onde, por que factores e em que circunstâncias;
este trabalho, pouco adianta ao senso comum, a não ser a progressiva desqualificação e desconsideração de um sector que é, apenas, o mais importante no contexto da economia nacional;

domingo, outubro 28

do acordo

para destacar que não podia estar em maior acordo com
JMA
destaco um ideia de Boltanski e Chiapello (em livro de 1999) ainda que sobre a realidade francesa, fácil de transcrever e adoptar no nosso país:
(...) o pôr em questão das formas até aqui dominantes do controlo hierárquico, bem como a concessão duma maior margem de liberdade são apresentadas (...) como uma resposta às exigências de autonomia oriundas de assalariados mais qualificados, que frequentaram mais tempo a escola e, particularmente, de jovens quadros que, formados num ambiente familiar e escolar mais permissivo, suportam com dificuldade a disciplina da empresa e o controlo apertado dos chefes e não só se revoltam contra o autoritarismo quando são submetidos a ele, como também lhes repugna exercê-lo sobre os seus subordinados
mais do que nunca, com possibilidade substancialmente diferentes daquelas a que até agora a escola e os professores se depararam, o futuro será aquilo que quisermos e dele fizermos (por construir e por merecer);
que há tentativas de contrariar essa oportunidade? sem dúvida, mas por claro receio de o poder central perder o protagonismo que sempre assumiu na liderança do sistema e que sente escorrer por entre os dedos da mão, qual areia de praia que queremos agarrar e que nos escapa; quanto maior a força, menor o número de grãos de areia que prendemos;
a autonomia passa por isso mesmo, pela assunção das responsabilidades e, muito especialmente, do querer de quantos constroem a escola no seu quotidiano - na diferença, na divergência, nos contrários;

da tradição


cá pela terra a tradição ainda ganha, em certas circunstâncias, laivos de se manter, de procurar a sua permanente afirmação;
as castanhas ainda se vendem em motas reelaboradas com assador, se embrulham em folhas da lista telefónica ou de revistas ultrapassadas;
os preços, esses, é que pouco têm a ver com a tradição ou, pelo contrário, se actualizam em face das solicitações;
ao ver esta imagem (captada por mim ontem de manhã na cidade) lembro-me de um livro de um autor eborense sobre figuras típicas da cidade de Évora, onde fazia parte determinante uma família com diferentes vertentes; ela vendia castanhas, sempre ali em frente do que foi o café Portugal, ele engraxador, as filhas viviam de coisas mais modernas e os filhos viraram videntes e outras coisas;
Évora, lentamente, perde as suas figuras mais típicas, mais marcantes de uma história rural e urbana, para ganhar outras figuras, menos marcantes, mas figuras que reconhecemos na praça;

sábado, outubro 27

da brincadeira


coisas do antigamente, que nos avivam e despertam memórias;
coisas de crianças de antigamente, hoje para turista ver, apreciar e, se entender, comprar;

do conhecer

e valeu bem a pena o momento de conversa;
afinal sempre conversamos;
as conversas fluiam, tropeçavam umas nas outras, descobriam-se ligações e cumplicidades,
valeu bem a pena ouvir falar de coisas óbivias e que, afinal, não são assim tão óbvias;

quinta-feira, outubro 25

do conhecer

hoje, assim espero, irei conhecer pessoalmente uma pessoa que conheço destes espaços da blogosfera, que demonstra um bom senso de saber e experiência feito;
estou curioso;

do contrário


não é pouco frequente as pessoas, em que situação ou contexto for, colocarem-se no lado dos problemas;
há situações e circunstâncias que se prestam mais a isso que outras, mas considero engraçado sentir a divisão entre quem assume o problema e quem assume a solução;
é uma situação muito nacional, muito tuga, reminiscência de passados recentes, que têm reflexo no presente;
e são poucas as circunstâncias em que há consciência desses contrários, das posições; habitualmente estamos sempre do lado certo, correctos, com a razão, com os argumentos;
mesmo que seja do contrário;

do parado


de quando em vez sabe bem parar, estacionar por um lado que não seja este;
evitam-se comentários mais emotivos, desabafos inoportunos ou inconvenientes;
é bom estacionar e parar;

terça-feira, outubro 23

da estruturação

das conversas, do pensar, dos diálogos;
nas coisas que envolvem os comportamentos, as situações de indisciplina (sejam elas o que forem) há sempre, entre diferentes dimensões, duas que se destacam na e para a sua análise e avaliação;
uma diz respeito aos modelos de comportamento que se encontram, ou podem encontrar, associadas à indisciplina; ou seja, uma determinada situação, um comportamento, um acontecimento que terá de ser considerado imprevisto, não perspectivado, traz um modelo contrário, de relação entre alunos e professores, um padrão de comportamento (como é que o aluno se deve comportar em sala de aula, como é que o professor se deve comportar nesse contexto); estes modelos e estes padrões estão de tal modo "naturalizados" na acção educativa que, muita das vezes, é impensável perspectivar outros modos, outros modelos, outros padrões; e, habitual e genericamente, eles remetem para um tempo em que o sistema educativo era para uns quantos, a selectividade "quase" que natural, as diversidades eram homogéneas e as autoridades impostas e assumidas; por muito que gostássemos, por muito que o queiramos, por muito aprazível que pudesse ser para a prática pedagógica hoje não é bem assim;
um segundo relaciona-se com aquilo que se poderá designar de "fontes de estruturação do quotidiano" (frase feliz e certeira de Machado Pais na "Sociologia do Quotidiano"); fontes que, muita das vezes, são as mediáticas, que impõem determinados conceitos e determinadas problemáticas; ontem, aquilo que sobressaiu em alguns dos comentários foi a implicação dos relacionamentos entre professores e alunos no contexto da avaliação de desempenho dos docentes;
entre os modelos "naturalizados" e as "fontes de estruturação do quotidiano" há que pensar e discutir, falar e analisar, criticamente, reflexivamente, esses quotidianos para que se possa ultrapassar essa naturalização e pensar outros modos de organizar a escola e a relação pedagógica;
estes são os desafios de uma outra estruturação dos nossos quotidianos;

dos comportamentos

tive oportunidade de assistir a uma reunião onde se abordavam os comportamentos; num grupo/turma rotulado de complicado, com casos complicados deu-se conta da análise e do diagnóstico da situação como se procuraram definir caminhos de, direi, remediação;
duas notas neste contexto;
a ausência quer dos alunos, quer dos encarregados de educação; apesar de o director de turma ter dado conta dos contactos efectuados e dos procedimentos adoptados que visaram, particularmente, os encarregados de educação, nenhum foi convidado a estar presente, nenhum foi ouvido na sua quota parte de responsabilidade na acção e nos comportamentos dos filhos; como os alunos, apesar de visados em todo o processo, apesar de reconhecedores, como foi dito, dos comportamentos e das atitudes, conscientes das suas implicações, a discussão ficou cingida aos professores; tal situação leva ao dilema das incapacidades, quando são os professores os únicos a definir os procedimentos, a criar os processos, os únicos actores de uma acção que envolve e implica diferentes partes, pode conduzir à situação de impasse, bloqueio, incapacidade; e não é incapacidade, é má estratégia;
segunda referência, o dito, os comentários, a análise foram sempre no sentido de envolver os alunos na resolução das estratégias, na implementação das medidas; poucos foram os comentários a ficar fora deste contexto, ainda que numa ou noutra situação se procurasse uma "clinização" dos comportamentos, isto é, remetê-los para a sua dimensão clínica, para os apoios educativos, para a despistagem de problemas psicossociais, o certo é que as medidas visavam, nos ditos, o envolvimento e o comprometimento; mas o que acabou decidido vai no sentido de estratégias intimidatórias, longe do envolvimento e comprometimento dos alunos; vai no sentido de se comunicarem situações em vez de se procurar um diálogo com as partes envolvidas;
ou muito me engano ou, no curto prazo a estratégia até poderá surtir alguns resultados, a intimidação é sempre curta, mas, no médio prazo a situação tenderá a repetir-se senão mesmo a agravar-se e os sentimentos de incapacidade, impotência, angústia e stresse a manifestarem-se;

segunda-feira, outubro 22

de manhã

de manhã relativamente cedo, 08h25, estava sentado na praça de Giraldo;
via quem passava, quem chegava, quem seguia; via o sol a descobrir de detrás dos prédios, ouvia os comentários ao fim-de-semana, sentia a pressa e o vagar de quem por ali se cruzava;
folheava o jornal, passava os olhos pelas notícias, descobria outros modos de se descobrir a cidade;

domingo, outubro 21

da continuidade

tenho que reconhecer alguma amargura, algum incómodo, se não o fizesse sentir-me-ia preso a uma consciência que não tenho;
dos elementos que não foram reconduzidos após a renovação do IPJ, apenas os alentejanos não têm qualquer elemento de continuidade; podia pensar que era apenas pela minha incompetência e incapacidade, mas o facto de sentir que acompanho os restantes alentejanos neste rol, faz-me pensar e querer, que o problema não será apenas meu, mas regional;
e não será assim, pois não?
é que considerar que o desconhecimento da coisa nacional é assumido pelos outros é uma coisa, considerar que somos todos tolos e ignorantes é outra, como outra é assumir que, seja pelo que for, as coisas funcionam assim mesmo, isto é a mais grave de todas;
onde é que nós estamos? onde nos querem meter?
em dia de alteração de contador, não tenho pachorra para aguentar, comer e calar; gosto do que faço, como gosto demasiadamente da minha terra e da minha região para simplesmente assistir ao comboio a passar;
não me calo agora, como não me calarei no futuro; por muito que isso me possa doer e prejudicar; mas não me calo...

da mudança

e pronto, lá mudei de escalão, lá mudei o conta kilómetros, lá se alterou a posição estática em que periodicamente nos encontramos;
entrei numa fase designada de 4x4, isto é, todo o terreno, venha o que vier, de onde vier e vá para onde for e como for, o certo é que tenho condições para me agarrar ao terreno e saber que resvalar pode significar tão somente o descarrilar;
isto é, o meu perfil mudou e com ele a idade, já são 44 e, por muito incrível que pareça, um estado de espírito que não se consome no quotidiano e no imediatismo desse instante, mas que procura ir para além da espuma dos dias;
a experiência vái-se acumulando, os dias passam por nós qual rolo de massa que nos comprime em experiência de saber feito, ou saber de experiência feito; por muitos balanços que possa fazer há uma conclusão, incontornável, inolvidável, é que já cá cantam todos estes outonos que esperam e trabalham para outras primaveras;
o resto... logo se verá...

da formação

política
ontem, pela bandas da federação de Évora, foi organizado um encontro denominado ao encontro da regionalização, com a presença de elementos responsáveis pela saúde e segurança social;
não estive presente, não faço comentários tendo e consideração que optei por aproveitar o tempo bom e ficar a charruar a terra que me consome;
mas fiquei a saber que no Algarve, a mesma temática, contou com Jaime Gama, António José Seguro, António Vitorino e outros nomes de águas profundas num curso com a temática em fundo; no Norte, contou com diferentes ministros e diferentes secretários de Estado;
felizmente que a distrital de Évora sabe valorizar a prata da casa e chamou os respectivos directores e responsáveis regionais;
a isto se chama valorização de quadros, o resto é conversa... ou formação