apesar de não assumir a minha escola como lócus de construção do meu projecto de investigação, não resisto a assistir, na primeira fila, a determinadas situações que se relacionam, de modo muito directo, com a problemática que trabalho e defino como objecto de estudo, a disciplina e os comportamentos educativos;
na próxima segunda-feira há um conselho de turma com um único ponto na ordem de trabalho, analisar os comportamentos da turma;
solicitei, pelo meu interesse, autorização ao director de turma para poder assistir, qual fantasma invísivel; estou interessado em ouvir as ideias que se tecem nessa análise, qual o papel que compete a uns e a outros, qual o nível de responsabilização atribuído e definido, quais os recursos inventariados para lhe fazer face, quais os instrumentos e a sua coerência para que se afirmem as conformidades (social e pedagógica);
correctamente o director de turma disse-me que ia colocar a situação ao conselho e que, em face da resposta, poderia, ou não, participar;
é uma oportunidade de perceber como se constroem instrumentos de regulação de comportamentos;
sexta-feira, outubro 19
da crítica
a manifestação de ontem deverá trazer para a discussão pública (e política) dois elementos que me parecem remetidos para áreas secundárias ou minimizados na sua determinação;
um deles refere-se à capacidade de afirmar políticas, de construir futuros, de decidir pelas opções; apesar de ter algumas reservas a esta ideia de "flexigurança" (eventualmente por carência de um conhecimento mais fundo) há que entender que não deixa de ser um modelo social de afirmação de um espaço que desde sempre privilegiou a acção central do Estado na gestão da previdência e da providência; neste sentido, o que se discute é mais que Estado pretendemos ter no futuro, se social, mantendo a sua raiz e a sua tradição, se um Estado ausente, presente pela omissão, deixando espaço aos grupos privados e à gestão individual dessa mesma previdência; o modelo em que tem assente o Estado-Providência está manifestamente esgotado; as alternativas que se poderão colocar referem-se à assunção colectiva das responsabilidades, salvaguardando a acção fundamental do Estado social ou a privatização que muitos sectores defendem e perspectivam, quer em termos de retórica política, quer em face de modelos de acção;
segundo aspecto importante a realçar, refere-se à capacidade de ganhar eleições; certamente que o meu PS nacional não estará a pensar ganhar eleições a partir de Lisboa, qual controlo remoto, que defina a dinâmica de um zapping político; estou certo que a acção política central é condição necessária para se ganhar uma eleição (mas não suficiente, mas a acção local e regional das estruturas partidárias poderão determinar se há, ou não, uma maioria (estável, relativa, absoluta) e aqui sente-se algum "desligamento" entre estruturas e dinâmicas nacionais e lógicas de acção funcionalistas locais e regionais, umas distante das outras com possibilidades de interferência mútua;
como ficaremos, agora que os sorrisos e abraços da cimeira de Lisboa darão espaço e oportunidade à afirmação sindical na discussão do Orçamento para 2008? como serão definidas as ligações entre lógicas nacionais e estruturas regionais com a intenção de se ganharem eleições? se queremos e defendemos um Estado europeu qual a oportunidade e a pertinência para a afirmação dos espaços regionais? se defendemos uma liderança europeia e de afirmação global, qual o papel dos actores regionais na afirmação de interesses colectivos?
o tempo responderá...
um deles refere-se à capacidade de afirmar políticas, de construir futuros, de decidir pelas opções; apesar de ter algumas reservas a esta ideia de "flexigurança" (eventualmente por carência de um conhecimento mais fundo) há que entender que não deixa de ser um modelo social de afirmação de um espaço que desde sempre privilegiou a acção central do Estado na gestão da previdência e da providência; neste sentido, o que se discute é mais que Estado pretendemos ter no futuro, se social, mantendo a sua raiz e a sua tradição, se um Estado ausente, presente pela omissão, deixando espaço aos grupos privados e à gestão individual dessa mesma previdência; o modelo em que tem assente o Estado-Providência está manifestamente esgotado; as alternativas que se poderão colocar referem-se à assunção colectiva das responsabilidades, salvaguardando a acção fundamental do Estado social ou a privatização que muitos sectores defendem e perspectivam, quer em termos de retórica política, quer em face de modelos de acção;
segundo aspecto importante a realçar, refere-se à capacidade de ganhar eleições; certamente que o meu PS nacional não estará a pensar ganhar eleições a partir de Lisboa, qual controlo remoto, que defina a dinâmica de um zapping político; estou certo que a acção política central é condição necessária para se ganhar uma eleição (mas não suficiente, mas a acção local e regional das estruturas partidárias poderão determinar se há, ou não, uma maioria (estável, relativa, absoluta) e aqui sente-se algum "desligamento" entre estruturas e dinâmicas nacionais e lógicas de acção funcionalistas locais e regionais, umas distante das outras com possibilidades de interferência mútua;
como ficaremos, agora que os sorrisos e abraços da cimeira de Lisboa darão espaço e oportunidade à afirmação sindical na discussão do Orçamento para 2008? como serão definidas as ligações entre lógicas nacionais e estruturas regionais com a intenção de se ganharem eleições? se queremos e defendemos um Estado europeu qual a oportunidade e a pertinência para a afirmação dos espaços regionais? se defendemos uma liderança europeia e de afirmação global, qual o papel dos actores regionais na afirmação de interesses colectivos?
o tempo responderá...
quinta-feira, outubro 18
da imaginação

quem não me conhece imagine-me - despudorado, mau feitio, chato, muito frontal, um pouco (enfim, enfim) desbocado;
quem me conhece reveja-me o olhar e pense naquilo que terei ficado a pensar quando me dizem que a sede regional do Instituto Português da Juventude irá para Beja e que a do Desporto para Portalegre?
será assim mesmo? não quero acreditar; certamente que ainda há tempo para equacionar a coisa;
a ser verdade, certamente que alguns protagonistas regionais terão assegurado ou, pelo menos, procurado assegurar as necessárias contrapartidas políticas e partidárias;
é que na lógica das merceeirias, entre o deve e o haver, há sempre quem perca e quem ganhe e o resultado geralmente é a favor do merceeiro e não do cliente - pois é, falta saber quem faz o quê, quem é quem nesta fábula - onde encaixar o costas largas do Estado, os políticos locais/regionais (era bom, era), o Alentejo (clara e objectivamente perdedor, muito provavelmente o cliente da estória);
será que me faço entender?
espero bem que não... pois é imaginação pura, crua e um pouco mole...
da contradição
reconheço que já não vou tendo grande pachorra para aquelas conversas tipo pastilha elástica, mastiga, mastiga mas não engole nem deita fora;
nestes casos sentem-se a falta de argumentos, de ideias, de alguma inconsistência opinativa;
isto por que hoje, em conversa de sala de professores, alguém criticava a política educativa (e bem, pois claro), atirava paus e pedras à equipa (não sei se algum atingiu o alvo, espero que sim) e quando alguém pergunta então como fazemos? esse mesmo que rezava cobras e lagartos ao Polvo todo poderoso da 5 de Outubro, da 24 de Julho e de muitos outros sítios então não diz, e sem pinga de ironia, nem qualquer ameaça sarcástica, com atitude e pose professoral e sabedora, que teremos de aguardar a promulgação da legislação para saber como fazer;
ora bolas, se isto não é contradição, não sei o que seja;
o problema é que muitos caiem nesta contradição; critica-se, mas aguardam-se por ordens em vez de se definir um rumo, optar por sentidos, definir e construir uma individualidade;
nestes casos sentem-se a falta de argumentos, de ideias, de alguma inconsistência opinativa;
isto por que hoje, em conversa de sala de professores, alguém criticava a política educativa (e bem, pois claro), atirava paus e pedras à equipa (não sei se algum atingiu o alvo, espero que sim) e quando alguém pergunta então como fazemos? esse mesmo que rezava cobras e lagartos ao Polvo todo poderoso da 5 de Outubro, da 24 de Julho e de muitos outros sítios então não diz, e sem pinga de ironia, nem qualquer ameaça sarcástica, com atitude e pose professoral e sabedora, que teremos de aguardar a promulgação da legislação para saber como fazer;
ora bolas, se isto não é contradição, não sei o que seja;
o problema é que muitos caiem nesta contradição; critica-se, mas aguardam-se por ordens em vez de se definir um rumo, optar por sentidos, definir e construir uma individualidade;
da noite
na noite (quase) todos os gatos são pardos...
há muito que não ficava até mais tarde a trabalhar; aproveitei a espertina de medicamentos para teclar, passar para o papel ideias e argumentos;
a estas horas sente-se o sossego, o silêncio, consigo trabalhar mais e produzir melhor;
há que aproveitar;
há muito que não ficava até mais tarde a trabalhar; aproveitei a espertina de medicamentos para teclar, passar para o papel ideias e argumentos;
a estas horas sente-se o sossego, o silêncio, consigo trabalhar mais e produzir melhor;
há que aproveitar;
quarta-feira, outubro 17
das coincidências
eu que acredito no Pai Natal e no coelhinho da Páscoa, tenho sérias dificuldades em acreditar ou entender as coincidências;
talvez não seja uma coincidência, mas no dia em que se assina o "contrato" que permite ao país receber qualquer coisas como 21 mil milhões de euros ao abrigo do novo QREN, surgem também notícias da incapacidade de, em determinados sectores, se executarem as verbas existentes;
como ficamos?
talvez seja a confirmação económica que nem para gastar dinheiro somos bons;
talvez não seja uma coincidência, mas no dia em que se assina o "contrato" que permite ao país receber qualquer coisas como 21 mil milhões de euros ao abrigo do novo QREN, surgem também notícias da incapacidade de, em determinados sectores, se executarem as verbas existentes;
como ficamos?
talvez seja a confirmação económica que nem para gastar dinheiro somos bons;
terça-feira, outubro 16
da educação do PSD
a partir do congresso do PSD e das suas linhas gerais (ainda haverá muito a particularizar) de orientação surge, de forma clara e de modo óbvio, aquilo que se pugnará para a educação;
e estarão muito proximamente dois modelos em discussão;
por um lado, o do actual governo, assente na escola pública (ainda que muito deixe a desejar no que se refere aos seus relacionamentos),numa escola a tempo inteiro, na adopção de práticas de autonomia que terão de ser negociadas entre a conquista dos professores e a imposição do Ministério; na assunção de um lugar privilegiado ao aluno (ainda que a educação não se lhe possa reduzir), na afirmação tecnológica e do desenvolvimento de competências;
por outro, o modelo do PSD, irá certamente recuperar a ideia da privatização de importantes sectores educativos, a méritocracia, os rankings escolares (outra forma de regular as práticas docentes), a recuperação da metáfora empresarial para a escola (um outro modo de acentuar a função contábil da escola) e, muito provavelmente, a afirmação de que menos ministério fará todo o sentido (mas definindo áreas de intervenção específica para o ministério);
no cruzamento destes dois modelos, por que de duas ideias sociais se tratam, seria importante equacionar outras perspectivas, outros modelos; não direi numa terceira via, mas reduzir a educação a um debate maniqueista corre o risco de empobrecer a discussão e se procurar despolitizar um sector que precisa avidamente de política, de discussão de ideias, de rumos, de grandes opções que ultrapassem circunstancialismo e situações mais ou menos imediatistas; a educação só se faz na longa ou na muito longa duração; querer resultados imediatos é esquecer esta importante dimensão educativa;
e estarão muito proximamente dois modelos em discussão;
por um lado, o do actual governo, assente na escola pública (ainda que muito deixe a desejar no que se refere aos seus relacionamentos),numa escola a tempo inteiro, na adopção de práticas de autonomia que terão de ser negociadas entre a conquista dos professores e a imposição do Ministério; na assunção de um lugar privilegiado ao aluno (ainda que a educação não se lhe possa reduzir), na afirmação tecnológica e do desenvolvimento de competências;
por outro, o modelo do PSD, irá certamente recuperar a ideia da privatização de importantes sectores educativos, a méritocracia, os rankings escolares (outra forma de regular as práticas docentes), a recuperação da metáfora empresarial para a escola (um outro modo de acentuar a função contábil da escola) e, muito provavelmente, a afirmação de que menos ministério fará todo o sentido (mas definindo áreas de intervenção específica para o ministério);
no cruzamento destes dois modelos, por que de duas ideias sociais se tratam, seria importante equacionar outras perspectivas, outros modelos; não direi numa terceira via, mas reduzir a educação a um debate maniqueista corre o risco de empobrecer a discussão e se procurar despolitizar um sector que precisa avidamente de política, de discussão de ideias, de rumos, de grandes opções que ultrapassem circunstancialismo e situações mais ou menos imediatistas; a educação só se faz na longa ou na muito longa duração; querer resultados imediatos é esquecer esta importante dimensão educativa;
da escola a tempo inteiro
entre a minha entrada referente ao "cansaço" pessoal e o "escape" a que se sujeita a educação, de um modo geral, e a escola de modo muito particular, há um comentário de todo em todo pertinente e que remete para esta lógica (ou política) recentemente preconizada no nosso país (por este governo socialista) mas já com alguma tradição europeia (nomeadamente em Espanha, França, Alemanha, Brasil, entre outros) e que se refere à escola a tempo inteiro;
escola a tempo inteiro mais por questões sociais que pedagógicas, mais por questões familiares que escolares;
se é certo que o prolongamento das actividades escolares não contribui, de modo directo, pelo menos, para um sucesso escolar, o certo é que este mesmo prolongamento permite um outro descanso à família; neste sentido é fundamental, é essencial que a escola se organize de modo diferente, de modo a permitir não apenas a guarda social e familiar, mas a eficiência pedagógica e educativa inerente à sua missão e às suas funções; esta organização deverá passar, em meu entendimento, pela articulação com outros actores locais que, directa ou indirectamente, se relacionam com as questões da educação, mesmo na sua dimensão não formal; e há experiências nesse sentido que corroboram esta minha afirmação, seja, por exemplo, nas escolas de Paredes de Coura, seja no concelho de Borba onde esta "extensão" curricular é articulada com associações;
só assim, pela articulação, cooperação e colaboração a escola poderá fazer mais e melhor e não mais do mesmo e da mesma maneira, evitando-se a culpabilização da escola por coisas para as quais o seu contributo é mínimo;
obrigado pelo comentário;
escola a tempo inteiro mais por questões sociais que pedagógicas, mais por questões familiares que escolares;
se é certo que o prolongamento das actividades escolares não contribui, de modo directo, pelo menos, para um sucesso escolar, o certo é que este mesmo prolongamento permite um outro descanso à família; neste sentido é fundamental, é essencial que a escola se organize de modo diferente, de modo a permitir não apenas a guarda social e familiar, mas a eficiência pedagógica e educativa inerente à sua missão e às suas funções; esta organização deverá passar, em meu entendimento, pela articulação com outros actores locais que, directa ou indirectamente, se relacionam com as questões da educação, mesmo na sua dimensão não formal; e há experiências nesse sentido que corroboram esta minha afirmação, seja, por exemplo, nas escolas de Paredes de Coura, seja no concelho de Borba onde esta "extensão" curricular é articulada com associações;
só assim, pela articulação, cooperação e colaboração a escola poderá fazer mais e melhor e não mais do mesmo e da mesma maneira, evitando-se a culpabilização da escola por coisas para as quais o seu contributo é mínimo;
obrigado pelo comentário;
dos comentários
apesar de, por vezes, muito pouco pertinentes, quando não mesmo insultuosos, nunca retirei um comentário deste meu espaço, nunca limitei ou condicionei as opiniões, que são livres e valem o que valem;
se algum comentário desapareceu terá sido feito pelo próprio e não pela minha pessoa, como se poderá constatar pela presença de outros, bem mais inoportunos;
se algum comentário desapareceu terá sido feito pelo próprio e não pela minha pessoa, como se poderá constatar pela presença de outros, bem mais inoportunos;
domingo, outubro 14
do escape
a partir de um entrada da LN dei com um apontamento que tem tudo de útil e pertinente num período em que se atribuem à escola crescentes funções, como responsabilidades e culpabilizações;
dizer que os males da sociedade residem na escola e no sistema educativo é querer tapar o sol com a peneira e esquecer que quem define uma dinâmica educativa, mesmo em países liberais como sejam os EUA, Canadá ou Austrália, é o poder político, quer por orientações normativas, quer por práticas regulatórias do sistema;
não há que olvidar que a escola tem as suas responsabilidades (nomeadamente pelas práticas, pela organização, pelos princípios e pelos modelos que institui), mas não é a única entidade com culpas neste cartório de desculpabilizações ou de escapes para o que a sociedade acaba por ser e se transformar;
desde os anos 60 do século passado se trocam argumentos entre a ideia de a escola reflectir a sociedade (qual microcosmos social e educativo), como o contexto social determinar a escola (particularmente pelos guettos, pelos bairros sociais, pelos contexto sócio-económicos);
estou certo que ambos terão a sua cota parte de razão, competindo à escola criar as condições para a definição de um equilíbrio precário e muito, muito instável, de reprodução social como de transformação social;
dizer que os males da sociedade residem na escola e no sistema educativo é querer tapar o sol com a peneira e esquecer que quem define uma dinâmica educativa, mesmo em países liberais como sejam os EUA, Canadá ou Austrália, é o poder político, quer por orientações normativas, quer por práticas regulatórias do sistema;
não há que olvidar que a escola tem as suas responsabilidades (nomeadamente pelas práticas, pela organização, pelos princípios e pelos modelos que institui), mas não é a única entidade com culpas neste cartório de desculpabilizações ou de escapes para o que a sociedade acaba por ser e se transformar;
desde os anos 60 do século passado se trocam argumentos entre a ideia de a escola reflectir a sociedade (qual microcosmos social e educativo), como o contexto social determinar a escola (particularmente pelos guettos, pelos bairros sociais, pelos contexto sócio-económicos);
estou certo que ambos terão a sua cota parte de razão, competindo à escola criar as condições para a definição de um equilíbrio precário e muito, muito instável, de reprodução social como de transformação social;
a revista Proteste, da DECO, traz no corrente mês um daqueles apontamentos óbvios, mas insuficientes para poder alertar a opinião pública e os decisores políticos quanto às condições em que se trabalha e se aprende nas nossas escolas;
óbvio para todos aqueles que trabalham e vivem na escola; as condições arquitectónicas e climatéricas de muitas das nossas escolas deixam muito, mesmo muito a desejar; a climatização simplesmente é, no mínimo, rudimentar, quando não mesmo inexistente;
não serão poucos aqueles que passaram por salas de aula que abrasam no Verão e congelam no Inverno; em salas onde se vê a respiração e onde se tolhe a imaginação no final (ou simplesmente a meio) de um dia de aulas, com suores, respirações, transpirações, calores e coisa que tal;
insuficiente pois há que reconhecer que seria impossível recomeçar tudo de novo, dotar das melhores condições os espaços de trabalho educativo; mas é recomendável que, no contexto das reestruturações ou das novas construções, sejam acauteladas as características regionais em face da construção da escola, como seria positivo que os conselhos executivos se começassem a preocupar com estas situações que, apesar de administrativas, em muito contribuem para o sucesso pedagógico;
óbvio para todos aqueles que trabalham e vivem na escola; as condições arquitectónicas e climatéricas de muitas das nossas escolas deixam muito, mesmo muito a desejar; a climatização simplesmente é, no mínimo, rudimentar, quando não mesmo inexistente;
não serão poucos aqueles que passaram por salas de aula que abrasam no Verão e congelam no Inverno; em salas onde se vê a respiração e onde se tolhe a imaginação no final (ou simplesmente a meio) de um dia de aulas, com suores, respirações, transpirações, calores e coisa que tal;
insuficiente pois há que reconhecer que seria impossível recomeçar tudo de novo, dotar das melhores condições os espaços de trabalho educativo; mas é recomendável que, no contexto das reestruturações ou das novas construções, sejam acauteladas as características regionais em face da construção da escola, como seria positivo que os conselhos executivos se começassem a preocupar com estas situações que, apesar de administrativas, em muito contribuem para o sucesso pedagógico;
sábado, outubro 13
do cansaço
sexta-feira, outubro 12
da Comenda
ora vamos lá dar azo e oportunidades ao meu mau feitio;
não tenho escrito nada sobre o tema da escola da Comenda essencialmente por duas razões;
considero que não sou defensor de nada nem de ninguém, menos ainda de quem considero que se sabe defender; como têm sido ditas tantas coisas, algumas das quais claras enormidades, que dizer e escrever mais é chover no molhado;
mas, mesmo que assim o considere, tenho de dizer que o meu receio, neste momento, vai no sentido de a emenda ser pior que o soneto;
concordo com a posição adoptada pela câmara municipal, de deslocar os alunos, devidamente enquadrados num dado projecto e acompanhados por quem sabe do trânsito, da cidade e da relação afectiva com as crianças;
e atenção esta situação acontece em Évora, como acontece em Montemor-o-Novo, Vendas Novas, Lisboa ou Sintra, entre muitas outras localidades onde os estabelecimentos do 1º ciclo não reúnem as condições para o fornecimento de refeições a crianças;
o que estranho em toda esta discussão, é a ausência dos protagonistas, liderados por uma dita oposição obscurecida e enroscada no anonimato, num toca e foge, no desgaste jornalístico como se fosse caso ou situação única, numa ausência do PS local na defesa de um programa de requalificação do parque escolar e da afirmação de um projecto educativo de matriz socialista;
o que estranho nesta discussão é o assumido desgaste de uma situação como se nada mais existisse para discutir ou comentar ao nível autárquico; o que estranho na situação é a incapacidade de trazer para boca de cena outras situações, seja por parte da vereação socialista, seja pelos vereadores da oposição, tão distantes e quedos face à discussão;
concordo com a posição da Câmara Municipal, como concordo com a assunção de um projecto educativo que permita antecipar estas (e outras) situações antes do início de um qualquer ano lectivo;
não tenho escrito nada sobre o tema da escola da Comenda essencialmente por duas razões;
considero que não sou defensor de nada nem de ninguém, menos ainda de quem considero que se sabe defender; como têm sido ditas tantas coisas, algumas das quais claras enormidades, que dizer e escrever mais é chover no molhado;
mas, mesmo que assim o considere, tenho de dizer que o meu receio, neste momento, vai no sentido de a emenda ser pior que o soneto;
concordo com a posição adoptada pela câmara municipal, de deslocar os alunos, devidamente enquadrados num dado projecto e acompanhados por quem sabe do trânsito, da cidade e da relação afectiva com as crianças;
e atenção esta situação acontece em Évora, como acontece em Montemor-o-Novo, Vendas Novas, Lisboa ou Sintra, entre muitas outras localidades onde os estabelecimentos do 1º ciclo não reúnem as condições para o fornecimento de refeições a crianças;
o que estranho em toda esta discussão, é a ausência dos protagonistas, liderados por uma dita oposição obscurecida e enroscada no anonimato, num toca e foge, no desgaste jornalístico como se fosse caso ou situação única, numa ausência do PS local na defesa de um programa de requalificação do parque escolar e da afirmação de um projecto educativo de matriz socialista;
o que estranho nesta discussão é o assumido desgaste de uma situação como se nada mais existisse para discutir ou comentar ao nível autárquico; o que estranho na situação é a incapacidade de trazer para boca de cena outras situações, seja por parte da vereação socialista, seja pelos vereadores da oposição, tão distantes e quedos face à discussão;
concordo com a posição da Câmara Municipal, como concordo com a assunção de um projecto educativo que permita antecipar estas (e outras) situações antes do início de um qualquer ano lectivo;
da avaliação
a avaliação profissional, de uma qualquer profissão, deverá ter, em meu entender, dois grandes objectivos;
por um lado, identificar situações, circunstâncias que favorecem ou dificultam o desempenho profissional, a assunção das responsabilidades, o assumir das atitudes que se relacionam com uma dada profissão; neste campo podem-se incluir objectivos (tanto qualitativos como quantitativos), as estratégias e as metodologias adoptadas, a organização funcional, entre outros;
por outro, permitir pensar, racionalizar práticas, modos e atitudes associadas a essa prática profissional; por vezes fazemos coisas sem saber que as fazemos, por vezes mesmo sem perceber como é que as adoptámos, as implementamos;
o cruzamento entre um e outro dos objectivos permite relacionar conhecimentos, saberes feitos e produzidos, tanto pelo próprio, como por outros (parceiros ou terceiros) com práticas numa mistura entre teoria e prática que permita a correcção de situações, o reforço de posições ou o colmatar de lacunas identificadas entre essa prática e a teoria;
ora o que o nosso Ministério da Educação propõe vai ao arrepio dessa concepção, limitando-se a insistir na funcionalização da profissão docente, no cumprimento administrativo de procedimentos, a elencar situações quantitativas que pouco contribuem para um desempenho profissional;
corre-se o sério risco de a avaliação de desempenho docente não agradar a ninguém nem a nada, a se alterar assim que a equipa ministerial se mudar, a ser um rosário de comentários que ninguém leva em consideração, a ser inócuo do ponto de vista profissional e de qualificação da escola como uma organização aprendente;
esta proposta, na sequência das anteriores, é mais do mesmo e da pior maneira de pensar o trabalho do professor;
e é pena...
por um lado, identificar situações, circunstâncias que favorecem ou dificultam o desempenho profissional, a assunção das responsabilidades, o assumir das atitudes que se relacionam com uma dada profissão; neste campo podem-se incluir objectivos (tanto qualitativos como quantitativos), as estratégias e as metodologias adoptadas, a organização funcional, entre outros;
por outro, permitir pensar, racionalizar práticas, modos e atitudes associadas a essa prática profissional; por vezes fazemos coisas sem saber que as fazemos, por vezes mesmo sem perceber como é que as adoptámos, as implementamos;
o cruzamento entre um e outro dos objectivos permite relacionar conhecimentos, saberes feitos e produzidos, tanto pelo próprio, como por outros (parceiros ou terceiros) com práticas numa mistura entre teoria e prática que permita a correcção de situações, o reforço de posições ou o colmatar de lacunas identificadas entre essa prática e a teoria;
ora o que o nosso Ministério da Educação propõe vai ao arrepio dessa concepção, limitando-se a insistir na funcionalização da profissão docente, no cumprimento administrativo de procedimentos, a elencar situações quantitativas que pouco contribuem para um desempenho profissional;
corre-se o sério risco de a avaliação de desempenho docente não agradar a ninguém nem a nada, a se alterar assim que a equipa ministerial se mudar, a ser um rosário de comentários que ninguém leva em consideração, a ser inócuo do ponto de vista profissional e de qualificação da escola como uma organização aprendente;
esta proposta, na sequência das anteriores, é mais do mesmo e da pior maneira de pensar o trabalho do professor;
e é pena...
quinta-feira, outubro 11
do parado
tenho de reconhecer e assumir que tenho tido a minha tese em banho maria;
não sei se há espera de ideias, se apenas a descansar sobre alguns dos assuntos que me preocupam;
no meio das conversas tenho tido a oportunidade de ler o Terrear e daí reforçada a minha opção de assumir a disciplina e não a indisciplina na escola como elemento central do processo de investigação;
isto porque toda a concepção das regras, das normas e da definição das condutas pressupõe um determinado modelo de organização da escola e da sociedade, de qual o papel que compete a cada um, das relações que se podem estabelecer;
as situações de indisciplina, muito mais contextuais e individuais (ainda que sempre relacionais e decorrentes de uma interacção) olham um momento, uma situação, um acontecimento;
prefiro ir além disso e procurar perspectivar como se integra a alteração de comportamentos, de públicos e de situações no quotidiano educativo e escolar e isso se reflecte quer na disciplina da escola quer no quadro de regulação do professor face à conformidade social e pedagógica;
agora falar disto não é fácil;porque é um tema premente e urgente, quente e pertinente onde se procuram soluções tipo pronto-a-vestir, que não existem, medidas práticas e individuais, onde são todas circunstanciais, onde todos temos uma ideia, uma opinião sobre as situações e, acima de tudo, uma responsabilidade a atribuir (aos pais que não educam, à sociedade permissiva, ao aluno irrequieto, ao Estado desqualificador, ao governo incumpridor, desautorizador);
mas tenho de deixar de estar parado e procurar avançar, para algum lado...
não sei se há espera de ideias, se apenas a descansar sobre alguns dos assuntos que me preocupam;
no meio das conversas tenho tido a oportunidade de ler o Terrear e daí reforçada a minha opção de assumir a disciplina e não a indisciplina na escola como elemento central do processo de investigação;
isto porque toda a concepção das regras, das normas e da definição das condutas pressupõe um determinado modelo de organização da escola e da sociedade, de qual o papel que compete a cada um, das relações que se podem estabelecer;
as situações de indisciplina, muito mais contextuais e individuais (ainda que sempre relacionais e decorrentes de uma interacção) olham um momento, uma situação, um acontecimento;
prefiro ir além disso e procurar perspectivar como se integra a alteração de comportamentos, de públicos e de situações no quotidiano educativo e escolar e isso se reflecte quer na disciplina da escola quer no quadro de regulação do professor face à conformidade social e pedagógica;
agora falar disto não é fácil;porque é um tema premente e urgente, quente e pertinente onde se procuram soluções tipo pronto-a-vestir, que não existem, medidas práticas e individuais, onde são todas circunstanciais, onde todos temos uma ideia, uma opinião sobre as situações e, acima de tudo, uma responsabilidade a atribuir (aos pais que não educam, à sociedade permissiva, ao aluno irrequieto, ao Estado desqualificador, ao governo incumpridor, desautorizador);
mas tenho de deixar de estar parado e procurar avançar, para algum lado...
da antena
ontem voltei às amenas cavaqueiras de um final de tarde, numa das rádios cá da terra com mais dois companheiros;
depois de uma pausa de quase dois meses, reconheço o gostinho do regresso às conversas e à troca de ideias;
no meio da conversa, saiu-me uma frase:
"falta política onde sobra partido", política no sentido da discussão de ideias, na troca de argumentos sobre as opções (de vida, sociais, entre outras), partido na clara assunção do protagonismo excessivo de pretensos actores, que apenas procuram ser mais papistas que o papa;
quarta-feira, outubro 10
escola e quartel
não é a primeira vez que o escrevo (mas não me apetece ir atrás à procura desses escritos), mas ontem, enquanto olhava pela janela da sala de aula voltou-me à ideia a associação da escola com o quartel;
a escola (a minha escola, pelo menos) padece ainda de vícios que a enformam de democraticidade;
há uma porta de armas, onde se inicia a selecção de patentes e se faz a triagem dos visitantes; há uma parada onde deambulam adolescentes irrequietos, uma sala de oficiais, uma de sargentos e outra de praças, ainda que haja, pontual e circunstancialmente, algumas misturas, onde as conversas são típicas e, direi, naturais dos postos e das funções de cada um;
esta lógica implementa um conjunto de relações (de poder, de saber, de autoridade, de afectos) que se transpõe para a sociedade em geral, relações hierarquizadas, formalizadas, institucionais;
há dias tive oportunidade de ver outras concepções de escola, numa revista americana sobre arquitectura escolar, onde os espaços agora se apresentam mais fluídos, mais reticulares, mais próximos, mais comunicativos entre si e a provocarem uma maior proximidade das pessoas, um maior contacto informal, muito próximo do que designei como um centro comercial, onde as salas de aula bem que podiam ser as lojas, onde os espaços, ainda que definidos e delimitados, se interligam e articulam com uma outra fluidez;
passados mais de trinta anos sobre a implementação da democracia, a escola permanece, na sua estrutura e funcionalidade, muito pouco democrática - ainda que se apele à participação e ao debate, os elementos simbólicos permanecem (quase) todos lá;
mas há excepções, já se notam alterações;
também já não era sem tempo;
a escola (a minha escola, pelo menos) padece ainda de vícios que a enformam de democraticidade;
há uma porta de armas, onde se inicia a selecção de patentes e se faz a triagem dos visitantes; há uma parada onde deambulam adolescentes irrequietos, uma sala de oficiais, uma de sargentos e outra de praças, ainda que haja, pontual e circunstancialmente, algumas misturas, onde as conversas são típicas e, direi, naturais dos postos e das funções de cada um;
esta lógica implementa um conjunto de relações (de poder, de saber, de autoridade, de afectos) que se transpõe para a sociedade em geral, relações hierarquizadas, formalizadas, institucionais;
há dias tive oportunidade de ver outras concepções de escola, numa revista americana sobre arquitectura escolar, onde os espaços agora se apresentam mais fluídos, mais reticulares, mais próximos, mais comunicativos entre si e a provocarem uma maior proximidade das pessoas, um maior contacto informal, muito próximo do que designei como um centro comercial, onde as salas de aula bem que podiam ser as lojas, onde os espaços, ainda que definidos e delimitados, se interligam e articulam com uma outra fluidez;
passados mais de trinta anos sobre a implementação da democracia, a escola permanece, na sua estrutura e funcionalidade, muito pouco democrática - ainda que se apele à participação e ao debate, os elementos simbólicos permanecem (quase) todos lá;
mas há excepções, já se notam alterações;
também já não era sem tempo;
memória

ontem, quase por mero acaso, num zapping televisivo, dei com um dos episódios de uma das séries que mais me marcou, Hill Street blues, na RTP Memória;
foi uma série da qual, durante todo o tempo que esteve em cena, apenas terei perdido dois ou três dos seus episódios;
fiquei contente pelo facto de o tempo não ter passado por cima daquele conjunto de polícias e daquela esquadra; os temas permanecem actuais, pertinentes, acutilantes; a técnica de filmagem, inovadora para a época, não perdeu o seu comprometimento com o espectador, as relações ali desenvolvidas permanecem hoje como ontem plenas de emoção e envolvimento, a música tornou-se um hit parade;
foi memória...
terça-feira, outubro 9
Nobel
começou ontem, pela medicina como tradicional, a apresentação do prémio Nobel deste ano;
as categorias são várias, todas ilustres, a criarem laços de popularidade e de (maior) credibilidade aos seus ganhadores - Saramago que o diga;
este ano fui levado a questionar-me e porque é que não há um prémio Nobel da Educação? porque é que não há um prémio, reconhecido e valorizado, que destaque o trabalho, a investigação, o estudo, a compreensão do que é a Educação?
tenho conhecimento de pequenos prémios, mais de reconforto do que de reconhecimento, mais de incentivo do que de divulgação, mesmo no nosso país;
será que não faz falta um prémio da Educação?
as categorias são várias, todas ilustres, a criarem laços de popularidade e de (maior) credibilidade aos seus ganhadores - Saramago que o diga;
este ano fui levado a questionar-me e porque é que não há um prémio Nobel da Educação? porque é que não há um prémio, reconhecido e valorizado, que destaque o trabalho, a investigação, o estudo, a compreensão do que é a Educação?
tenho conhecimento de pequenos prémios, mais de reconforto do que de reconhecimento, mais de incentivo do que de divulgação, mesmo no nosso país;
será que não faz falta um prémio da Educação?
coisas
ele há coisas neste meu país incrustado à beira mar que são difíceis de percepcionar, de entender, de perceber; talvez o defeito seja meu e pronto;
se compreendo, numa primeira fase da governação, a necessidade de se ultrapassar o ónus do diálogo a que os governos de António Guterres ficaram agarrados, já numa segunda fase, esta em que se entra em contagem decrescente para as eleições, torna-se-me difícil de entender, de perceber algumas atitudes de arrogância, de pequenas prepotências, de devaneios travestidos de democráticos;
será que há gente que confunde, no meu PS, maioria absoluta com poder absoluto? por onde pára a capacidade argumentativa, o despudor de enfrentar a crítica com outras críticas, com outras ideias, com outros argumentos? por onde param os fazedores de opinião que criem alternativas de ideias e de argumentos aos comentários que se fazem à acção política e governativa? será que, como eu, estão espantados, incrédulos, ignorantes? silenciados?
se são entendíveis, até certo ponto, um conjunto de medidas designadas de reforma, não deveriam ser também compreensíveis a presença e a argumentação de políticos e actores governativos na sua afirmação, na sua defesa, na sua negociação?
ou será que já há uns quantos a pensarem que isto são favas contadas e pouco basta fazer (por desconsideração do povinho)?
ele há coisas...
se compreendo, numa primeira fase da governação, a necessidade de se ultrapassar o ónus do diálogo a que os governos de António Guterres ficaram agarrados, já numa segunda fase, esta em que se entra em contagem decrescente para as eleições, torna-se-me difícil de entender, de perceber algumas atitudes de arrogância, de pequenas prepotências, de devaneios travestidos de democráticos;
será que há gente que confunde, no meu PS, maioria absoluta com poder absoluto? por onde pára a capacidade argumentativa, o despudor de enfrentar a crítica com outras críticas, com outras ideias, com outros argumentos? por onde param os fazedores de opinião que criem alternativas de ideias e de argumentos aos comentários que se fazem à acção política e governativa? será que, como eu, estão espantados, incrédulos, ignorantes? silenciados?
se são entendíveis, até certo ponto, um conjunto de medidas designadas de reforma, não deveriam ser também compreensíveis a presença e a argumentação de políticos e actores governativos na sua afirmação, na sua defesa, na sua negociação?
ou será que já há uns quantos a pensarem que isto são favas contadas e pouco basta fazer (por desconsideração do povinho)?
ele há coisas...
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