a partir do congresso do PSD e das suas linhas gerais (ainda haverá muito a particularizar) de orientação surge, de forma clara e de modo óbvio, aquilo que se pugnará para a educação;
e estarão muito proximamente dois modelos em discussão;
por um lado, o do actual governo, assente na escola pública (ainda que muito deixe a desejar no que se refere aos seus relacionamentos),numa escola a tempo inteiro, na adopção de práticas de autonomia que terão de ser negociadas entre a conquista dos professores e a imposição do Ministério; na assunção de um lugar privilegiado ao aluno (ainda que a educação não se lhe possa reduzir), na afirmação tecnológica e do desenvolvimento de competências;
por outro, o modelo do PSD, irá certamente recuperar a ideia da privatização de importantes sectores educativos, a méritocracia, os rankings escolares (outra forma de regular as práticas docentes), a recuperação da metáfora empresarial para a escola (um outro modo de acentuar a função contábil da escola) e, muito provavelmente, a afirmação de que menos ministério fará todo o sentido (mas definindo áreas de intervenção específica para o ministério);
no cruzamento destes dois modelos, por que de duas ideias sociais se tratam, seria importante equacionar outras perspectivas, outros modelos; não direi numa terceira via, mas reduzir a educação a um debate maniqueista corre o risco de empobrecer a discussão e se procurar despolitizar um sector que precisa avidamente de política, de discussão de ideias, de rumos, de grandes opções que ultrapassem circunstancialismo e situações mais ou menos imediatistas; a educação só se faz na longa ou na muito longa duração; querer resultados imediatos é esquecer esta importante dimensão educativa;
terça-feira, outubro 16
da escola a tempo inteiro
entre a minha entrada referente ao "cansaço" pessoal e o "escape" a que se sujeita a educação, de um modo geral, e a escola de modo muito particular, há um comentário de todo em todo pertinente e que remete para esta lógica (ou política) recentemente preconizada no nosso país (por este governo socialista) mas já com alguma tradição europeia (nomeadamente em Espanha, França, Alemanha, Brasil, entre outros) e que se refere à escola a tempo inteiro;
escola a tempo inteiro mais por questões sociais que pedagógicas, mais por questões familiares que escolares;
se é certo que o prolongamento das actividades escolares não contribui, de modo directo, pelo menos, para um sucesso escolar, o certo é que este mesmo prolongamento permite um outro descanso à família; neste sentido é fundamental, é essencial que a escola se organize de modo diferente, de modo a permitir não apenas a guarda social e familiar, mas a eficiência pedagógica e educativa inerente à sua missão e às suas funções; esta organização deverá passar, em meu entendimento, pela articulação com outros actores locais que, directa ou indirectamente, se relacionam com as questões da educação, mesmo na sua dimensão não formal; e há experiências nesse sentido que corroboram esta minha afirmação, seja, por exemplo, nas escolas de Paredes de Coura, seja no concelho de Borba onde esta "extensão" curricular é articulada com associações;
só assim, pela articulação, cooperação e colaboração a escola poderá fazer mais e melhor e não mais do mesmo e da mesma maneira, evitando-se a culpabilização da escola por coisas para as quais o seu contributo é mínimo;
obrigado pelo comentário;
escola a tempo inteiro mais por questões sociais que pedagógicas, mais por questões familiares que escolares;
se é certo que o prolongamento das actividades escolares não contribui, de modo directo, pelo menos, para um sucesso escolar, o certo é que este mesmo prolongamento permite um outro descanso à família; neste sentido é fundamental, é essencial que a escola se organize de modo diferente, de modo a permitir não apenas a guarda social e familiar, mas a eficiência pedagógica e educativa inerente à sua missão e às suas funções; esta organização deverá passar, em meu entendimento, pela articulação com outros actores locais que, directa ou indirectamente, se relacionam com as questões da educação, mesmo na sua dimensão não formal; e há experiências nesse sentido que corroboram esta minha afirmação, seja, por exemplo, nas escolas de Paredes de Coura, seja no concelho de Borba onde esta "extensão" curricular é articulada com associações;
só assim, pela articulação, cooperação e colaboração a escola poderá fazer mais e melhor e não mais do mesmo e da mesma maneira, evitando-se a culpabilização da escola por coisas para as quais o seu contributo é mínimo;
obrigado pelo comentário;
dos comentários
apesar de, por vezes, muito pouco pertinentes, quando não mesmo insultuosos, nunca retirei um comentário deste meu espaço, nunca limitei ou condicionei as opiniões, que são livres e valem o que valem;
se algum comentário desapareceu terá sido feito pelo próprio e não pela minha pessoa, como se poderá constatar pela presença de outros, bem mais inoportunos;
se algum comentário desapareceu terá sido feito pelo próprio e não pela minha pessoa, como se poderá constatar pela presença de outros, bem mais inoportunos;
domingo, outubro 14
do escape
a partir de um entrada da LN dei com um apontamento que tem tudo de útil e pertinente num período em que se atribuem à escola crescentes funções, como responsabilidades e culpabilizações;
dizer que os males da sociedade residem na escola e no sistema educativo é querer tapar o sol com a peneira e esquecer que quem define uma dinâmica educativa, mesmo em países liberais como sejam os EUA, Canadá ou Austrália, é o poder político, quer por orientações normativas, quer por práticas regulatórias do sistema;
não há que olvidar que a escola tem as suas responsabilidades (nomeadamente pelas práticas, pela organização, pelos princípios e pelos modelos que institui), mas não é a única entidade com culpas neste cartório de desculpabilizações ou de escapes para o que a sociedade acaba por ser e se transformar;
desde os anos 60 do século passado se trocam argumentos entre a ideia de a escola reflectir a sociedade (qual microcosmos social e educativo), como o contexto social determinar a escola (particularmente pelos guettos, pelos bairros sociais, pelos contexto sócio-económicos);
estou certo que ambos terão a sua cota parte de razão, competindo à escola criar as condições para a definição de um equilíbrio precário e muito, muito instável, de reprodução social como de transformação social;
dizer que os males da sociedade residem na escola e no sistema educativo é querer tapar o sol com a peneira e esquecer que quem define uma dinâmica educativa, mesmo em países liberais como sejam os EUA, Canadá ou Austrália, é o poder político, quer por orientações normativas, quer por práticas regulatórias do sistema;
não há que olvidar que a escola tem as suas responsabilidades (nomeadamente pelas práticas, pela organização, pelos princípios e pelos modelos que institui), mas não é a única entidade com culpas neste cartório de desculpabilizações ou de escapes para o que a sociedade acaba por ser e se transformar;
desde os anos 60 do século passado se trocam argumentos entre a ideia de a escola reflectir a sociedade (qual microcosmos social e educativo), como o contexto social determinar a escola (particularmente pelos guettos, pelos bairros sociais, pelos contexto sócio-económicos);
estou certo que ambos terão a sua cota parte de razão, competindo à escola criar as condições para a definição de um equilíbrio precário e muito, muito instável, de reprodução social como de transformação social;
a revista Proteste, da DECO, traz no corrente mês um daqueles apontamentos óbvios, mas insuficientes para poder alertar a opinião pública e os decisores políticos quanto às condições em que se trabalha e se aprende nas nossas escolas;
óbvio para todos aqueles que trabalham e vivem na escola; as condições arquitectónicas e climatéricas de muitas das nossas escolas deixam muito, mesmo muito a desejar; a climatização simplesmente é, no mínimo, rudimentar, quando não mesmo inexistente;
não serão poucos aqueles que passaram por salas de aula que abrasam no Verão e congelam no Inverno; em salas onde se vê a respiração e onde se tolhe a imaginação no final (ou simplesmente a meio) de um dia de aulas, com suores, respirações, transpirações, calores e coisa que tal;
insuficiente pois há que reconhecer que seria impossível recomeçar tudo de novo, dotar das melhores condições os espaços de trabalho educativo; mas é recomendável que, no contexto das reestruturações ou das novas construções, sejam acauteladas as características regionais em face da construção da escola, como seria positivo que os conselhos executivos se começassem a preocupar com estas situações que, apesar de administrativas, em muito contribuem para o sucesso pedagógico;
óbvio para todos aqueles que trabalham e vivem na escola; as condições arquitectónicas e climatéricas de muitas das nossas escolas deixam muito, mesmo muito a desejar; a climatização simplesmente é, no mínimo, rudimentar, quando não mesmo inexistente;
não serão poucos aqueles que passaram por salas de aula que abrasam no Verão e congelam no Inverno; em salas onde se vê a respiração e onde se tolhe a imaginação no final (ou simplesmente a meio) de um dia de aulas, com suores, respirações, transpirações, calores e coisa que tal;
insuficiente pois há que reconhecer que seria impossível recomeçar tudo de novo, dotar das melhores condições os espaços de trabalho educativo; mas é recomendável que, no contexto das reestruturações ou das novas construções, sejam acauteladas as características regionais em face da construção da escola, como seria positivo que os conselhos executivos se começassem a preocupar com estas situações que, apesar de administrativas, em muito contribuem para o sucesso pedagógico;
sábado, outubro 13
do cansaço
sexta-feira, outubro 12
da Comenda
ora vamos lá dar azo e oportunidades ao meu mau feitio;
não tenho escrito nada sobre o tema da escola da Comenda essencialmente por duas razões;
considero que não sou defensor de nada nem de ninguém, menos ainda de quem considero que se sabe defender; como têm sido ditas tantas coisas, algumas das quais claras enormidades, que dizer e escrever mais é chover no molhado;
mas, mesmo que assim o considere, tenho de dizer que o meu receio, neste momento, vai no sentido de a emenda ser pior que o soneto;
concordo com a posição adoptada pela câmara municipal, de deslocar os alunos, devidamente enquadrados num dado projecto e acompanhados por quem sabe do trânsito, da cidade e da relação afectiva com as crianças;
e atenção esta situação acontece em Évora, como acontece em Montemor-o-Novo, Vendas Novas, Lisboa ou Sintra, entre muitas outras localidades onde os estabelecimentos do 1º ciclo não reúnem as condições para o fornecimento de refeições a crianças;
o que estranho em toda esta discussão, é a ausência dos protagonistas, liderados por uma dita oposição obscurecida e enroscada no anonimato, num toca e foge, no desgaste jornalístico como se fosse caso ou situação única, numa ausência do PS local na defesa de um programa de requalificação do parque escolar e da afirmação de um projecto educativo de matriz socialista;
o que estranho nesta discussão é o assumido desgaste de uma situação como se nada mais existisse para discutir ou comentar ao nível autárquico; o que estranho na situação é a incapacidade de trazer para boca de cena outras situações, seja por parte da vereação socialista, seja pelos vereadores da oposição, tão distantes e quedos face à discussão;
concordo com a posição da Câmara Municipal, como concordo com a assunção de um projecto educativo que permita antecipar estas (e outras) situações antes do início de um qualquer ano lectivo;
não tenho escrito nada sobre o tema da escola da Comenda essencialmente por duas razões;
considero que não sou defensor de nada nem de ninguém, menos ainda de quem considero que se sabe defender; como têm sido ditas tantas coisas, algumas das quais claras enormidades, que dizer e escrever mais é chover no molhado;
mas, mesmo que assim o considere, tenho de dizer que o meu receio, neste momento, vai no sentido de a emenda ser pior que o soneto;
concordo com a posição adoptada pela câmara municipal, de deslocar os alunos, devidamente enquadrados num dado projecto e acompanhados por quem sabe do trânsito, da cidade e da relação afectiva com as crianças;
e atenção esta situação acontece em Évora, como acontece em Montemor-o-Novo, Vendas Novas, Lisboa ou Sintra, entre muitas outras localidades onde os estabelecimentos do 1º ciclo não reúnem as condições para o fornecimento de refeições a crianças;
o que estranho em toda esta discussão, é a ausência dos protagonistas, liderados por uma dita oposição obscurecida e enroscada no anonimato, num toca e foge, no desgaste jornalístico como se fosse caso ou situação única, numa ausência do PS local na defesa de um programa de requalificação do parque escolar e da afirmação de um projecto educativo de matriz socialista;
o que estranho nesta discussão é o assumido desgaste de uma situação como se nada mais existisse para discutir ou comentar ao nível autárquico; o que estranho na situação é a incapacidade de trazer para boca de cena outras situações, seja por parte da vereação socialista, seja pelos vereadores da oposição, tão distantes e quedos face à discussão;
concordo com a posição da Câmara Municipal, como concordo com a assunção de um projecto educativo que permita antecipar estas (e outras) situações antes do início de um qualquer ano lectivo;
da avaliação
a avaliação profissional, de uma qualquer profissão, deverá ter, em meu entender, dois grandes objectivos;
por um lado, identificar situações, circunstâncias que favorecem ou dificultam o desempenho profissional, a assunção das responsabilidades, o assumir das atitudes que se relacionam com uma dada profissão; neste campo podem-se incluir objectivos (tanto qualitativos como quantitativos), as estratégias e as metodologias adoptadas, a organização funcional, entre outros;
por outro, permitir pensar, racionalizar práticas, modos e atitudes associadas a essa prática profissional; por vezes fazemos coisas sem saber que as fazemos, por vezes mesmo sem perceber como é que as adoptámos, as implementamos;
o cruzamento entre um e outro dos objectivos permite relacionar conhecimentos, saberes feitos e produzidos, tanto pelo próprio, como por outros (parceiros ou terceiros) com práticas numa mistura entre teoria e prática que permita a correcção de situações, o reforço de posições ou o colmatar de lacunas identificadas entre essa prática e a teoria;
ora o que o nosso Ministério da Educação propõe vai ao arrepio dessa concepção, limitando-se a insistir na funcionalização da profissão docente, no cumprimento administrativo de procedimentos, a elencar situações quantitativas que pouco contribuem para um desempenho profissional;
corre-se o sério risco de a avaliação de desempenho docente não agradar a ninguém nem a nada, a se alterar assim que a equipa ministerial se mudar, a ser um rosário de comentários que ninguém leva em consideração, a ser inócuo do ponto de vista profissional e de qualificação da escola como uma organização aprendente;
esta proposta, na sequência das anteriores, é mais do mesmo e da pior maneira de pensar o trabalho do professor;
e é pena...
por um lado, identificar situações, circunstâncias que favorecem ou dificultam o desempenho profissional, a assunção das responsabilidades, o assumir das atitudes que se relacionam com uma dada profissão; neste campo podem-se incluir objectivos (tanto qualitativos como quantitativos), as estratégias e as metodologias adoptadas, a organização funcional, entre outros;
por outro, permitir pensar, racionalizar práticas, modos e atitudes associadas a essa prática profissional; por vezes fazemos coisas sem saber que as fazemos, por vezes mesmo sem perceber como é que as adoptámos, as implementamos;
o cruzamento entre um e outro dos objectivos permite relacionar conhecimentos, saberes feitos e produzidos, tanto pelo próprio, como por outros (parceiros ou terceiros) com práticas numa mistura entre teoria e prática que permita a correcção de situações, o reforço de posições ou o colmatar de lacunas identificadas entre essa prática e a teoria;
ora o que o nosso Ministério da Educação propõe vai ao arrepio dessa concepção, limitando-se a insistir na funcionalização da profissão docente, no cumprimento administrativo de procedimentos, a elencar situações quantitativas que pouco contribuem para um desempenho profissional;
corre-se o sério risco de a avaliação de desempenho docente não agradar a ninguém nem a nada, a se alterar assim que a equipa ministerial se mudar, a ser um rosário de comentários que ninguém leva em consideração, a ser inócuo do ponto de vista profissional e de qualificação da escola como uma organização aprendente;
esta proposta, na sequência das anteriores, é mais do mesmo e da pior maneira de pensar o trabalho do professor;
e é pena...
quinta-feira, outubro 11
do parado
tenho de reconhecer e assumir que tenho tido a minha tese em banho maria;
não sei se há espera de ideias, se apenas a descansar sobre alguns dos assuntos que me preocupam;
no meio das conversas tenho tido a oportunidade de ler o Terrear e daí reforçada a minha opção de assumir a disciplina e não a indisciplina na escola como elemento central do processo de investigação;
isto porque toda a concepção das regras, das normas e da definição das condutas pressupõe um determinado modelo de organização da escola e da sociedade, de qual o papel que compete a cada um, das relações que se podem estabelecer;
as situações de indisciplina, muito mais contextuais e individuais (ainda que sempre relacionais e decorrentes de uma interacção) olham um momento, uma situação, um acontecimento;
prefiro ir além disso e procurar perspectivar como se integra a alteração de comportamentos, de públicos e de situações no quotidiano educativo e escolar e isso se reflecte quer na disciplina da escola quer no quadro de regulação do professor face à conformidade social e pedagógica;
agora falar disto não é fácil;porque é um tema premente e urgente, quente e pertinente onde se procuram soluções tipo pronto-a-vestir, que não existem, medidas práticas e individuais, onde são todas circunstanciais, onde todos temos uma ideia, uma opinião sobre as situações e, acima de tudo, uma responsabilidade a atribuir (aos pais que não educam, à sociedade permissiva, ao aluno irrequieto, ao Estado desqualificador, ao governo incumpridor, desautorizador);
mas tenho de deixar de estar parado e procurar avançar, para algum lado...
não sei se há espera de ideias, se apenas a descansar sobre alguns dos assuntos que me preocupam;
no meio das conversas tenho tido a oportunidade de ler o Terrear e daí reforçada a minha opção de assumir a disciplina e não a indisciplina na escola como elemento central do processo de investigação;
isto porque toda a concepção das regras, das normas e da definição das condutas pressupõe um determinado modelo de organização da escola e da sociedade, de qual o papel que compete a cada um, das relações que se podem estabelecer;
as situações de indisciplina, muito mais contextuais e individuais (ainda que sempre relacionais e decorrentes de uma interacção) olham um momento, uma situação, um acontecimento;
prefiro ir além disso e procurar perspectivar como se integra a alteração de comportamentos, de públicos e de situações no quotidiano educativo e escolar e isso se reflecte quer na disciplina da escola quer no quadro de regulação do professor face à conformidade social e pedagógica;
agora falar disto não é fácil;porque é um tema premente e urgente, quente e pertinente onde se procuram soluções tipo pronto-a-vestir, que não existem, medidas práticas e individuais, onde são todas circunstanciais, onde todos temos uma ideia, uma opinião sobre as situações e, acima de tudo, uma responsabilidade a atribuir (aos pais que não educam, à sociedade permissiva, ao aluno irrequieto, ao Estado desqualificador, ao governo incumpridor, desautorizador);
mas tenho de deixar de estar parado e procurar avançar, para algum lado...
da antena
ontem voltei às amenas cavaqueiras de um final de tarde, numa das rádios cá da terra com mais dois companheiros;
depois de uma pausa de quase dois meses, reconheço o gostinho do regresso às conversas e à troca de ideias;
no meio da conversa, saiu-me uma frase:
"falta política onde sobra partido", política no sentido da discussão de ideias, na troca de argumentos sobre as opções (de vida, sociais, entre outras), partido na clara assunção do protagonismo excessivo de pretensos actores, que apenas procuram ser mais papistas que o papa;
quarta-feira, outubro 10
escola e quartel
não é a primeira vez que o escrevo (mas não me apetece ir atrás à procura desses escritos), mas ontem, enquanto olhava pela janela da sala de aula voltou-me à ideia a associação da escola com o quartel;
a escola (a minha escola, pelo menos) padece ainda de vícios que a enformam de democraticidade;
há uma porta de armas, onde se inicia a selecção de patentes e se faz a triagem dos visitantes; há uma parada onde deambulam adolescentes irrequietos, uma sala de oficiais, uma de sargentos e outra de praças, ainda que haja, pontual e circunstancialmente, algumas misturas, onde as conversas são típicas e, direi, naturais dos postos e das funções de cada um;
esta lógica implementa um conjunto de relações (de poder, de saber, de autoridade, de afectos) que se transpõe para a sociedade em geral, relações hierarquizadas, formalizadas, institucionais;
há dias tive oportunidade de ver outras concepções de escola, numa revista americana sobre arquitectura escolar, onde os espaços agora se apresentam mais fluídos, mais reticulares, mais próximos, mais comunicativos entre si e a provocarem uma maior proximidade das pessoas, um maior contacto informal, muito próximo do que designei como um centro comercial, onde as salas de aula bem que podiam ser as lojas, onde os espaços, ainda que definidos e delimitados, se interligam e articulam com uma outra fluidez;
passados mais de trinta anos sobre a implementação da democracia, a escola permanece, na sua estrutura e funcionalidade, muito pouco democrática - ainda que se apele à participação e ao debate, os elementos simbólicos permanecem (quase) todos lá;
mas há excepções, já se notam alterações;
também já não era sem tempo;
a escola (a minha escola, pelo menos) padece ainda de vícios que a enformam de democraticidade;
há uma porta de armas, onde se inicia a selecção de patentes e se faz a triagem dos visitantes; há uma parada onde deambulam adolescentes irrequietos, uma sala de oficiais, uma de sargentos e outra de praças, ainda que haja, pontual e circunstancialmente, algumas misturas, onde as conversas são típicas e, direi, naturais dos postos e das funções de cada um;
esta lógica implementa um conjunto de relações (de poder, de saber, de autoridade, de afectos) que se transpõe para a sociedade em geral, relações hierarquizadas, formalizadas, institucionais;
há dias tive oportunidade de ver outras concepções de escola, numa revista americana sobre arquitectura escolar, onde os espaços agora se apresentam mais fluídos, mais reticulares, mais próximos, mais comunicativos entre si e a provocarem uma maior proximidade das pessoas, um maior contacto informal, muito próximo do que designei como um centro comercial, onde as salas de aula bem que podiam ser as lojas, onde os espaços, ainda que definidos e delimitados, se interligam e articulam com uma outra fluidez;
passados mais de trinta anos sobre a implementação da democracia, a escola permanece, na sua estrutura e funcionalidade, muito pouco democrática - ainda que se apele à participação e ao debate, os elementos simbólicos permanecem (quase) todos lá;
mas há excepções, já se notam alterações;
também já não era sem tempo;
memória

ontem, quase por mero acaso, num zapping televisivo, dei com um dos episódios de uma das séries que mais me marcou, Hill Street blues, na RTP Memória;
foi uma série da qual, durante todo o tempo que esteve em cena, apenas terei perdido dois ou três dos seus episódios;
fiquei contente pelo facto de o tempo não ter passado por cima daquele conjunto de polícias e daquela esquadra; os temas permanecem actuais, pertinentes, acutilantes; a técnica de filmagem, inovadora para a época, não perdeu o seu comprometimento com o espectador, as relações ali desenvolvidas permanecem hoje como ontem plenas de emoção e envolvimento, a música tornou-se um hit parade;
foi memória...
terça-feira, outubro 9
Nobel
começou ontem, pela medicina como tradicional, a apresentação do prémio Nobel deste ano;
as categorias são várias, todas ilustres, a criarem laços de popularidade e de (maior) credibilidade aos seus ganhadores - Saramago que o diga;
este ano fui levado a questionar-me e porque é que não há um prémio Nobel da Educação? porque é que não há um prémio, reconhecido e valorizado, que destaque o trabalho, a investigação, o estudo, a compreensão do que é a Educação?
tenho conhecimento de pequenos prémios, mais de reconforto do que de reconhecimento, mais de incentivo do que de divulgação, mesmo no nosso país;
será que não faz falta um prémio da Educação?
as categorias são várias, todas ilustres, a criarem laços de popularidade e de (maior) credibilidade aos seus ganhadores - Saramago que o diga;
este ano fui levado a questionar-me e porque é que não há um prémio Nobel da Educação? porque é que não há um prémio, reconhecido e valorizado, que destaque o trabalho, a investigação, o estudo, a compreensão do que é a Educação?
tenho conhecimento de pequenos prémios, mais de reconforto do que de reconhecimento, mais de incentivo do que de divulgação, mesmo no nosso país;
será que não faz falta um prémio da Educação?
coisas
ele há coisas neste meu país incrustado à beira mar que são difíceis de percepcionar, de entender, de perceber; talvez o defeito seja meu e pronto;
se compreendo, numa primeira fase da governação, a necessidade de se ultrapassar o ónus do diálogo a que os governos de António Guterres ficaram agarrados, já numa segunda fase, esta em que se entra em contagem decrescente para as eleições, torna-se-me difícil de entender, de perceber algumas atitudes de arrogância, de pequenas prepotências, de devaneios travestidos de democráticos;
será que há gente que confunde, no meu PS, maioria absoluta com poder absoluto? por onde pára a capacidade argumentativa, o despudor de enfrentar a crítica com outras críticas, com outras ideias, com outros argumentos? por onde param os fazedores de opinião que criem alternativas de ideias e de argumentos aos comentários que se fazem à acção política e governativa? será que, como eu, estão espantados, incrédulos, ignorantes? silenciados?
se são entendíveis, até certo ponto, um conjunto de medidas designadas de reforma, não deveriam ser também compreensíveis a presença e a argumentação de políticos e actores governativos na sua afirmação, na sua defesa, na sua negociação?
ou será que já há uns quantos a pensarem que isto são favas contadas e pouco basta fazer (por desconsideração do povinho)?
ele há coisas...
se compreendo, numa primeira fase da governação, a necessidade de se ultrapassar o ónus do diálogo a que os governos de António Guterres ficaram agarrados, já numa segunda fase, esta em que se entra em contagem decrescente para as eleições, torna-se-me difícil de entender, de perceber algumas atitudes de arrogância, de pequenas prepotências, de devaneios travestidos de democráticos;
será que há gente que confunde, no meu PS, maioria absoluta com poder absoluto? por onde pára a capacidade argumentativa, o despudor de enfrentar a crítica com outras críticas, com outras ideias, com outros argumentos? por onde param os fazedores de opinião que criem alternativas de ideias e de argumentos aos comentários que se fazem à acção política e governativa? será que, como eu, estão espantados, incrédulos, ignorantes? silenciados?
se são entendíveis, até certo ponto, um conjunto de medidas designadas de reforma, não deveriam ser também compreensíveis a presença e a argumentação de políticos e actores governativos na sua afirmação, na sua defesa, na sua negociação?
ou será que já há uns quantos a pensarem que isto são favas contadas e pouco basta fazer (por desconsideração do povinho)?
ele há coisas...
segunda-feira, outubro 8
conversas
há muito que defendo que as escolas são, em muitos dos concelhos nacionais, um autêntico alfobre de quadros e de massa cinzenta; paralelamente aos centros de saúde deverão existir poucas, muito poucas instituições por esses concelhos fora que tenham tantos quadros por metro quadrado como as escolas;
mas sempre muito mal aproveitados, sempre muito virados para a sua simples e mais directa função, como a de leccionar, como a de ocupar as criancinhas;
se é certo que santos da casa nunca fizeram milagres (gostamos muito que outros, de fora, venham dizer aquilo que um ou outro na nossa casa diz há muito) é também certo que as qualificações dos docentes se tem acentuado significativamente nos últimos anos;
vai daí e surgiu a ideia de se trocarem ideias, conversas sobre as coisas mais variadas, utilizando a prata da casa; vamos ver como corre;
mas, na minha escola, há mestres em ciências, em administração educacional/escolar, em didácticas, em tecnologias educativas e nada melhor do que trocar ideias, racionalizar práticas, trocar experiências, partilhar ansiedades e angústias sobre a nossa profissão;
é um desafio que vamos experimentar, conversas em redor da escola, com a prata da casa; não será, certamente, para muitos, mas faço votos que bons;
mas sempre muito mal aproveitados, sempre muito virados para a sua simples e mais directa função, como a de leccionar, como a de ocupar as criancinhas;
se é certo que santos da casa nunca fizeram milagres (gostamos muito que outros, de fora, venham dizer aquilo que um ou outro na nossa casa diz há muito) é também certo que as qualificações dos docentes se tem acentuado significativamente nos últimos anos;
vai daí e surgiu a ideia de se trocarem ideias, conversas sobre as coisas mais variadas, utilizando a prata da casa; vamos ver como corre;
mas, na minha escola, há mestres em ciências, em administração educacional/escolar, em didácticas, em tecnologias educativas e nada melhor do que trocar ideias, racionalizar práticas, trocar experiências, partilhar ansiedades e angústias sobre a nossa profissão;
é um desafio que vamos experimentar, conversas em redor da escola, com a prata da casa; não será, certamente, para muitos, mas faço votos que bons;
prova
no meio dos meus afazeres profissionais, entre o horário zero e as solicitações pelas quais acabo de ser alvo, sou a prova provada (sic) que as escolas precisam de gente docente sem horário, para apoios noutras coisas e acções;
apesar de entrar em horário zero, isto é, sem componente lectivo, acabo, bem vistas as coisas, por ter uma carga horária muito superior a um docente do meu escalão e da minha categoria;
neste momento e de modo directo, dou apoio ao primeiro ciclo (uma experiência que, para já, está a ser altamente gratificante), cumpro horário e funções na biblioteca onde elaboro (em colaboração, é certo) a newsletter da dita, coordeno projectos de 2º e 3º ciclos, dinamizo o jornal escolar, colaboro com o gabinete dos apoios educativos e ainda respondo a solicitações pontuais do conselho executivo (seja em regime de substituição, seja em regime de apoio ou colaboração);
decorre daqui que as escolas estão preparadas para as aulas, mas de momento, as suas solicitações vão muito para além disso e não estão preparadas para o efeito;
caso não se olhasse apenas e simplesmente àquela educação contábil, onde o que conta são os números, seria perfeitamente possível as escolas organizarem-se para dar uma outra resposta às solicitações e exigências, quer da comunidade, quer das próprias políticas educativas - de sucesso, de organização, de estrutura e apoio, de complementos educativos, entre muitas outras;
afinal, acabo por ser a prova que as escolas têm condições, se as deixarem, para se organizarem de um outro modo;
apesar de entrar em horário zero, isto é, sem componente lectivo, acabo, bem vistas as coisas, por ter uma carga horária muito superior a um docente do meu escalão e da minha categoria;
neste momento e de modo directo, dou apoio ao primeiro ciclo (uma experiência que, para já, está a ser altamente gratificante), cumpro horário e funções na biblioteca onde elaboro (em colaboração, é certo) a newsletter da dita, coordeno projectos de 2º e 3º ciclos, dinamizo o jornal escolar, colaboro com o gabinete dos apoios educativos e ainda respondo a solicitações pontuais do conselho executivo (seja em regime de substituição, seja em regime de apoio ou colaboração);
decorre daqui que as escolas estão preparadas para as aulas, mas de momento, as suas solicitações vão muito para além disso e não estão preparadas para o efeito;
caso não se olhasse apenas e simplesmente àquela educação contábil, onde o que conta são os números, seria perfeitamente possível as escolas organizarem-se para dar uma outra resposta às solicitações e exigências, quer da comunidade, quer das próprias políticas educativas - de sucesso, de organização, de estrutura e apoio, de complementos educativos, entre muitas outras;
afinal, acabo por ser a prova que as escolas têm condições, se as deixarem, para se organizarem de um outro modo;
da ilusão
no âmbito do meu projecto de investigação, tenho entrevistado professores sobre as suas considerações relativamente às alterações do sistema educativo;
tenho procurado aqueles docentes que, por uma ou outra razão, há mais tempo estão na escola; e tenho tido a felicidade de referenciar elementos que ali estão desde os anos 70;
nas suas considerações sobre as modificações do sistema, há uma ideia que atravessa, de modo mais ou menos expresso, os diferentes docentes, a de desilusão; logo após o 25 de Abril de 1974 todos pensavam mudar o mundo, o sistema, trabalhar com e para a comunidade, formar outro tipo de cidadão, outras mentalidades, outras lógicas;
passado o tempo o que encontro situa-se entre a conformidade (funcional) e a resignação do fim das ilusões;
e isto é grave, pois a profissão de professor não vive sem ilusões;
tenho procurado aqueles docentes que, por uma ou outra razão, há mais tempo estão na escola; e tenho tido a felicidade de referenciar elementos que ali estão desde os anos 70;
nas suas considerações sobre as modificações do sistema, há uma ideia que atravessa, de modo mais ou menos expresso, os diferentes docentes, a de desilusão; logo após o 25 de Abril de 1974 todos pensavam mudar o mundo, o sistema, trabalhar com e para a comunidade, formar outro tipo de cidadão, outras mentalidades, outras lógicas;
passado o tempo o que encontro situa-se entre a conformidade (funcional) e a resignação do fim das ilusões;
e isto é grave, pois a profissão de professor não vive sem ilusões;
domingo, outubro 7
e exprimo-me
desafiam-me para comentar a transferência de um serviço para Beja;
nada mais triste quando a análise social e institucional é feita em contabilidade de mercearia, de um deve e de um haver, de uma perda e de ganhos;
lá ficam uns todos contentes por que retiraram algum do protagonismos aos de sempre; lá ficam os de sempre, entalados entre uns e outros; lá ficam outros a contabilizar o que perderam;
esta é uma das razões pelas quais afirmo que o Alentejo está sem rei nem roque; há serviços para todos, há espaços para todos; saibam os actores regionais entenderem-se (coisa que não tem sido possível nem fácil) e o Alentejo ganharia mais do que simples contas de aritmética entre quem perde e quem ganha;
olhe-se o centro, olhe-se o Norte, para percebermos como tem sido feita a gestão da coisa pública para perceber que quem manda é quem lá está, que as imposições não se toleram, negoceiam-se, que entre 6/7 distritos (caso da zona centro) quem tem perdido, nesta legislatura, tem sido o Alentejo;
nada mais triste quando a análise social e institucional é feita em contabilidade de mercearia, de um deve e de um haver, de uma perda e de ganhos;
lá ficam uns todos contentes por que retiraram algum do protagonismos aos de sempre; lá ficam os de sempre, entalados entre uns e outros; lá ficam outros a contabilizar o que perderam;
esta é uma das razões pelas quais afirmo que o Alentejo está sem rei nem roque; há serviços para todos, há espaços para todos; saibam os actores regionais entenderem-se (coisa que não tem sido possível nem fácil) e o Alentejo ganharia mais do que simples contas de aritmética entre quem perde e quem ganha;
olhe-se o centro, olhe-se o Norte, para percebermos como tem sido feita a gestão da coisa pública para perceber que quem manda é quem lá está, que as imposições não se toleram, negoceiam-se, que entre 6/7 distritos (caso da zona centro) quem tem perdido, nesta legislatura, tem sido o Alentejo;
sexta-feira, outubro 5
do professor
hoje é dia do professor;
as cerimónias da República tiveram a particularidade de associar duas comemorações que, cada qual a seu modo e a seu tempo, marcam gerações, provocam revoluções, conduzem a alterações;
a República mudou o país para que o país pudesse continuar (quase) na mesma; a educação, a acção dos professores forma gentes e mudam ideias, constróem pessoas e definem rumos de um país para que, progressiva e muito lentamente tudo mude, tudo se transfigure;
a escola e consequentemente os professores, sofrem dos males do crescimento, da massificação, da democratização; todos julgam e consideram oportuno um qualquer juízo de valor, uma qualquer opinião, um qualquer comentário sobre esta acção, sobre esta profissão; ou por que se simpatiza com o professor, ou por que a sua acção foi assim ou cozido, há sempre uma qualquer razão; além do mais (quase) todos por lá passámos e nos julgamos e consideramos conhecedores do mundo, da coisa educativa;
é uma profissão que se assume em diferentes vertentes, desde as de vocação (qual carreira eclesiástica), às mais instrumentais (é para ensinar a aprender a ler, escrever e contar), ou mais tecnocráticas (preparar para o mundo do trabalho) há de tudo um pouco;
mas o maior encanto desta profissão é ver, é sentir as pessoas a crescerem, a afirmarem-se na sua autonomia, na defesa das suas ideias e do seu pensamento;
por que é um confronto diário, sempre inesperado e surpreendente, quem gosta gosta mesmo daquilo que faz, das correrias nos corredores, dos gritos dos jovens, dos argumentos impertinentes, da troca de ideias afirmativas de todas as certezas, da permanente negociação, do permanente confronto;
por um lado, é pena a coincidência do dia do professor com a República, permitira um outro destaque a uma profissão tão vilipendiada; por outro, é uma sorte esta associação, por que de revoluções se trata;
as cerimónias da República tiveram a particularidade de associar duas comemorações que, cada qual a seu modo e a seu tempo, marcam gerações, provocam revoluções, conduzem a alterações;
a República mudou o país para que o país pudesse continuar (quase) na mesma; a educação, a acção dos professores forma gentes e mudam ideias, constróem pessoas e definem rumos de um país para que, progressiva e muito lentamente tudo mude, tudo se transfigure;
a escola e consequentemente os professores, sofrem dos males do crescimento, da massificação, da democratização; todos julgam e consideram oportuno um qualquer juízo de valor, uma qualquer opinião, um qualquer comentário sobre esta acção, sobre esta profissão; ou por que se simpatiza com o professor, ou por que a sua acção foi assim ou cozido, há sempre uma qualquer razão; além do mais (quase) todos por lá passámos e nos julgamos e consideramos conhecedores do mundo, da coisa educativa;
é uma profissão que se assume em diferentes vertentes, desde as de vocação (qual carreira eclesiástica), às mais instrumentais (é para ensinar a aprender a ler, escrever e contar), ou mais tecnocráticas (preparar para o mundo do trabalho) há de tudo um pouco;
mas o maior encanto desta profissão é ver, é sentir as pessoas a crescerem, a afirmarem-se na sua autonomia, na defesa das suas ideias e do seu pensamento;
por que é um confronto diário, sempre inesperado e surpreendente, quem gosta gosta mesmo daquilo que faz, das correrias nos corredores, dos gritos dos jovens, dos argumentos impertinentes, da troca de ideias afirmativas de todas as certezas, da permanente negociação, do permanente confronto;
por um lado, é pena a coincidência do dia do professor com a República, permitira um outro destaque a uma profissão tão vilipendiada; por outro, é uma sorte esta associação, por que de revoluções se trata;
quinta-feira, outubro 4
sangria
um outro comentário que apreciei, volto a repetir, ainda que não tenham sido essas as intenções, refere-se à região e à sua história política e social;
se há coisas onde posso dizer que conheço, ainda que minimamente (ao contrário do comentário), é a história política e social desta minha região;
a minha (de)formação inicial (em História) deixa um lastro significativo da qual não posso nem me quero separar, vai daí as leituras, o conhecimento, a informação e a curiosidade têm determinado muito daquilo que digo e escrevo sobre esta minha região;
ao contrário do comentário, re-afirmo que a história tem sérias implicações no devir político e social da região;
sempre fomos muito subservientes; de tal modo que, para evitar o seu sentimento negativo, isto é, de lutarmos e nos insurgirmos contra a situação, simplesmente saímos daqui; ou por opção, à procura de melhores condições de vida ou por imposição, política e social - é certo que esta predominou em determinado período da nossa história, entre os anos 50 e 70 do século passado;
a questão que hoje se nos coloca não é essa, antes pelo contrário; é a capacidade de atrairmos quem de cá saiu; e esta passa por uma ideia de qual o papel da região no contexto nacional;
se é certo que pelo predomínio que o PCP tem tido tem sido um obstáculo a uma afirmação social e política regional, também é certo que a ausência de ideias dos lideres socialistas regionais (Beja, Évora e Portalegre) tem sido um outro impedimento à afirmação regional; o degladiar de reivindicações, a luta fréticida de pelouros, a negociação sempre periclitante dos pequenos poderes têm determinado um claro e assumido desequilibrio entre os três distritos;
o facto de cada um deles ter à frente, partidariamente, elementos carentes de uma formação cívica e social que permita ultrapassar os pequenos ditames circunstanciais tem ditado o resto;
o Alentejo é hoje uma região sem rei nem roque, sem orientação e sem ideias, sem papel nem protagonismo, sem actores próprios nem vontade própria;
e isto é, no meu entender, o mais grave que se coloca a esta região;
não apenas pelos equilíbrios que o PCP procura estabelecer em função dos seus interesses, mas do próprio PS (na qual me reconheço) enleado em interesses mais pessoais e fulanizados que regionais e colectivos;
o PSD pouco tem contado e, pelo que nos é dado ver, pouco contará nesta afirmação;
o que nos resta? quem sobra desta sangria imposta e forçada? que papel queremos nós Alentejanos assumir? queremos ser, como sempre, mandados ou queremos mandar no nosso devir?
há elementos, pessoas, actores e protagonistas que se esquecem desta mensagem ou que, simplesmente, estão demasiadamente embrenhados na coisa política e se esquecem dos pequenos (mas determinantes) pormenores;
se há coisas onde posso dizer que conheço, ainda que minimamente (ao contrário do comentário), é a história política e social desta minha região;
a minha (de)formação inicial (em História) deixa um lastro significativo da qual não posso nem me quero separar, vai daí as leituras, o conhecimento, a informação e a curiosidade têm determinado muito daquilo que digo e escrevo sobre esta minha região;
ao contrário do comentário, re-afirmo que a história tem sérias implicações no devir político e social da região;
sempre fomos muito subservientes; de tal modo que, para evitar o seu sentimento negativo, isto é, de lutarmos e nos insurgirmos contra a situação, simplesmente saímos daqui; ou por opção, à procura de melhores condições de vida ou por imposição, política e social - é certo que esta predominou em determinado período da nossa história, entre os anos 50 e 70 do século passado;
a questão que hoje se nos coloca não é essa, antes pelo contrário; é a capacidade de atrairmos quem de cá saiu; e esta passa por uma ideia de qual o papel da região no contexto nacional;
se é certo que pelo predomínio que o PCP tem tido tem sido um obstáculo a uma afirmação social e política regional, também é certo que a ausência de ideias dos lideres socialistas regionais (Beja, Évora e Portalegre) tem sido um outro impedimento à afirmação regional; o degladiar de reivindicações, a luta fréticida de pelouros, a negociação sempre periclitante dos pequenos poderes têm determinado um claro e assumido desequilibrio entre os três distritos;
o facto de cada um deles ter à frente, partidariamente, elementos carentes de uma formação cívica e social que permita ultrapassar os pequenos ditames circunstanciais tem ditado o resto;
o Alentejo é hoje uma região sem rei nem roque, sem orientação e sem ideias, sem papel nem protagonismo, sem actores próprios nem vontade própria;
e isto é, no meu entender, o mais grave que se coloca a esta região;
não apenas pelos equilíbrios que o PCP procura estabelecer em função dos seus interesses, mas do próprio PS (na qual me reconheço) enleado em interesses mais pessoais e fulanizados que regionais e colectivos;
o PSD pouco tem contado e, pelo que nos é dado ver, pouco contará nesta afirmação;
o que nos resta? quem sobra desta sangria imposta e forçada? que papel queremos nós Alentejanos assumir? queremos ser, como sempre, mandados ou queremos mandar no nosso devir?
há elementos, pessoas, actores e protagonistas que se esquecem desta mensagem ou que, simplesmente, estão demasiadamente embrenhados na coisa política e se esquecem dos pequenos (mas determinantes) pormenores;
a construção do aluno
começo pela construção do aluno;
o comentário deixado é de todo em todo pertinente, ainda que possa não ter sido essa a intenção nem o objectivo;
ao tratar a questão da disciplina e não a da indisciplina na escola, vou exactamente à procura dessa dimensão da construção não apenas do aluno mas do próprio cidadão;
se é certo que o Estado Novo procurou e inculcou uma determinada ideia de aluno e de cidadão, a democracia não lhe ficou isenta e tem procurado, de acordo com os seus objectivos e as finalidades que se lhe encontram inerentes, definir um dada ideia de cidadão; os discursos em redor da autonomia das escolas, do sucesso educativo ou simplesmente do papel da escola a tempo inteiro ou do tal plano tecnológico, são disso exemplo e consideram a escola enquanto elemento instrumental ou funcional na acção discursiva - e política;
a questão que se coloca é a de que a uma ideia de escola corresponde, inevitável e incontornavelmente, uma ideia de sociedade e, por seu intermédio, uma ideia de qual a posição, a atitude e os valores que o aluno, enquanto futuro cidadão, deve veicular, para o qual deve estar preparado;
o Estado Novo teve a particularidade de preparar o cidadão como se não precisasse da norma, levando à própria construção interna da norma, enquanto preceito individual, natural e não enquanto imposição; é por isso que muitas dessas normas ainda hoje vigoram, quase que subliminarmente - naturais, normais;
ora a ideia que procuro tratar passa exactamente pela ideia de cidadão que a escola, por intermédio de uma dada ideia de disciplina escolar, tem veiculado enquanto imagem do cidadão, da pessoa, da democracia; nesta construção cruzam-se saberes (sociais, políticos, educativos, médicos, entres outros) que acabam por ter sérias implicações nos currícula, nos instrumentos de regulação dos comportamentos individuais;
é esta construção do aluno, enquanto futuro cidadão, que, apesar de poder soar muito a Estado Novo (e aqui o comentário tem toda a pertinência) faz sentido perceber como tem influenciado as políticas educativas e definido o papel da escola e da acção docente neste contexto;
obrigado pelo comentário;
o comentário deixado é de todo em todo pertinente, ainda que possa não ter sido essa a intenção nem o objectivo;
ao tratar a questão da disciplina e não a da indisciplina na escola, vou exactamente à procura dessa dimensão da construção não apenas do aluno mas do próprio cidadão;
se é certo que o Estado Novo procurou e inculcou uma determinada ideia de aluno e de cidadão, a democracia não lhe ficou isenta e tem procurado, de acordo com os seus objectivos e as finalidades que se lhe encontram inerentes, definir um dada ideia de cidadão; os discursos em redor da autonomia das escolas, do sucesso educativo ou simplesmente do papel da escola a tempo inteiro ou do tal plano tecnológico, são disso exemplo e consideram a escola enquanto elemento instrumental ou funcional na acção discursiva - e política;
a questão que se coloca é a de que a uma ideia de escola corresponde, inevitável e incontornavelmente, uma ideia de sociedade e, por seu intermédio, uma ideia de qual a posição, a atitude e os valores que o aluno, enquanto futuro cidadão, deve veicular, para o qual deve estar preparado;
o Estado Novo teve a particularidade de preparar o cidadão como se não precisasse da norma, levando à própria construção interna da norma, enquanto preceito individual, natural e não enquanto imposição; é por isso que muitas dessas normas ainda hoje vigoram, quase que subliminarmente - naturais, normais;
ora a ideia que procuro tratar passa exactamente pela ideia de cidadão que a escola, por intermédio de uma dada ideia de disciplina escolar, tem veiculado enquanto imagem do cidadão, da pessoa, da democracia; nesta construção cruzam-se saberes (sociais, políticos, educativos, médicos, entres outros) que acabam por ter sérias implicações nos currícula, nos instrumentos de regulação dos comportamentos individuais;
é esta construção do aluno, enquanto futuro cidadão, que, apesar de poder soar muito a Estado Novo (e aqui o comentário tem toda a pertinência) faz sentido perceber como tem influenciado as políticas educativas e definido o papel da escola e da acção docente neste contexto;
obrigado pelo comentário;
comentários
há dois comentários deixados em ideias atrás que, apesar de visarem outros objectivos, considero de todo em todo pertinentes na ideia que deixam e, essencialmente, naquilo que lhes fica implicito;
apesar de não comentar comentários anónimos, não resisto a aprofundar a ideia, ou as ideias, que são trocadas;
sempre é uma forma de enriquecer a minha pobre, triste e errática escrita;
apesar de não comentar comentários anónimos, não resisto a aprofundar a ideia, ou as ideias, que são trocadas;
sempre é uma forma de enriquecer a minha pobre, triste e errática escrita;
quarta-feira, outubro 3
do acessório
das reuniões que tenho tido na escola, e têm sido muitas, destaco a perda de tempo que se efectua a falar daquilo que considero como acessório;
em reuniões com três ou quatro pontos de ordem de trabalho, onde o primeiro é informações e o último outros assuntos, gastam-se horas; no meio, naquilo que seria efectivamente o cerne da questão o core da reunião, passa-se de fugida;
as conversas cruzam-se em enredos de desvios de atenção, de inércias de indiferença perante o que se discute;
é uma diferença que sinto, daquilo que designo como economia de uma reunião, tentar perceber quanto tempo se despende com cada um dos assuntos; um conselho pedagógico que passa três horas a trocar ideias administrativas e meia hora a trata de assuntos marcadamente pedagógicos; uma reunião de departamento, que passa duas horas a tratar da correspondência que chegou e pouco menos de 15 minutos a falar de articulação curricular ou de modelos de avaliação;
os trejeitos de quem conduz as reuniões enformam da função que exercem, são muito professorais, exemplificativos, procuram descrever, por vezes minuciosamente, determinados pontos para os quais (pretensão minha) seriam suficientes duas ou três palavras (para bom entendedor...);
as imposições normativas e regulamentares que são impostas às escolas e ao trabalho docente carecem ainda que tempo e de outros modus de organização para que se possa rentabilizar o trabalho dos professores, que a maioria designa como administrativo por que pretensamente se desvia da sala de aula;
são coisas do acessório...
em reuniões com três ou quatro pontos de ordem de trabalho, onde o primeiro é informações e o último outros assuntos, gastam-se horas; no meio, naquilo que seria efectivamente o cerne da questão o core da reunião, passa-se de fugida;
as conversas cruzam-se em enredos de desvios de atenção, de inércias de indiferença perante o que se discute;
é uma diferença que sinto, daquilo que designo como economia de uma reunião, tentar perceber quanto tempo se despende com cada um dos assuntos; um conselho pedagógico que passa três horas a trocar ideias administrativas e meia hora a trata de assuntos marcadamente pedagógicos; uma reunião de departamento, que passa duas horas a tratar da correspondência que chegou e pouco menos de 15 minutos a falar de articulação curricular ou de modelos de avaliação;
os trejeitos de quem conduz as reuniões enformam da função que exercem, são muito professorais, exemplificativos, procuram descrever, por vezes minuciosamente, determinados pontos para os quais (pretensão minha) seriam suficientes duas ou três palavras (para bom entendedor...);
as imposições normativas e regulamentares que são impostas às escolas e ao trabalho docente carecem ainda que tempo e de outros modus de organização para que se possa rentabilizar o trabalho dos professores, que a maioria designa como administrativo por que pretensamente se desvia da sala de aula;
são coisas do acessório...
balanço
ao fim de uma semana e de ter percorrido todas as turmas de 4º ano no trabalho que com elas desenvolvo será ainda prematuro definir um balanço, mas há ideias que se destacam;
os primeiros momentos foram péssimos; o meu hábito, o ritmo e a dinâmica de grupos estava muito (ou totalmente) orientado para a relação com alunos de 3º ciclo, o confronto com alunos de 1º ciclo implicou a necessidade de repensar a minha própria dinâmica de grupos, redefinir estratégias e metodologias;
é uma descoberta, esta a que faço com turmas de 1º ciclo;
passado o primeiro impacto, corrigidas as orientações e as coisas até não têm corrido mal; gratificante do ponto de vista dos afectos, mais dependentes do que a pretensa frieza que os mais velhos procuram incutir, mediante uma pretensa relação mais distante, mais formal;
mas há ritmos manifestamente diferentes entre ciclos; e estou a aprender bastante [incluindo a escrever];
os primeiros momentos foram péssimos; o meu hábito, o ritmo e a dinâmica de grupos estava muito (ou totalmente) orientado para a relação com alunos de 3º ciclo, o confronto com alunos de 1º ciclo implicou a necessidade de repensar a minha própria dinâmica de grupos, redefinir estratégias e metodologias;
é uma descoberta, esta a que faço com turmas de 1º ciclo;
passado o primeiro impacto, corrigidas as orientações e as coisas até não têm corrido mal; gratificante do ponto de vista dos afectos, mais dependentes do que a pretensa frieza que os mais velhos procuram incutir, mediante uma pretensa relação mais distante, mais formal;
mas há ritmos manifestamente diferentes entre ciclos; e estou a aprender bastante [incluindo a escrever];
périplos

procuro-me concentrar, focalizar na escrita que tenho de desenvolver, mas, de quando em vez, efectuo desvios, dou por mim a cirandar de um lado para o outro;
ele é mais um artigo, um apontamento, uma referência, ele são tantas as coisas que me desviam que está difícil dar o pontapé de saída para a escrita obrigatória; talvez também por carência de mais leituras, do reforço das ideias;
hoje, a partir do Terrear, foi mais um apontamento sobre (in)disciplina (abre em pdf); interessante, mas não inédito, na utilização da teoria de B. Bernstein; reforça-se a ideia que a normalidade não é comum a todos, o que é normal para uns num momento, pode não o ser num outro momento, nem para outros no mesmo momento; as situações de indisciplina variam em função de circunstâncias, contextos, momentos, sensações, relações, entre muita outra coisa; a própria definição apontada é ainda muito funcionalista, isto é, aponta para as funções definidas por uma relação;
vai daí e a minha proposta é a de estudar a disciplina na escola, mais difícil de definir e de delimitar, mas mais interessante sob o ponto de vista da construção do aluno e da pessoa e das relações estabelecidas em contexto educativo;
segunda-feira, outubro 1
professores e desemprego
numa altura em que às escolas é solicitada a ocupação dos tempos livres dos alunos, em que aos professores crescem as solicitações e as exigências (de acompanhamento, de apoio, de organização, de extensão de funções) é caricato darmos com estas notícias;
as escolas continuam organizadas (por força das orientações de política educativa e por inércia docente) como há trinta ou mais anos; as escolas são espaços de aula e pouco mais;
quando se exige e determina que o aluno não seja retido, que os professores planifiquem, organizem, estruturem apoios e acções, quando se apela a uma maior relação escola-meio porque não criar condições para que outros quadros (mesmo que docentes) possam apoiar a escola? servir de elementos de ligação turma-família-meio? estruturar acções extra-curriculares? definir outros campos de acção educativa? o cruzamento entre educação formal e educação não formal? estruturar os apoios educativos, sociais e curriculares?
apelar a que sejam sempre os mesmos a fazer mais é não apenas não perceber o que é ser professor, como é ter uma ideia escassa, curta e restrita da escola e da educação;
a "educação contábil" tem de ir não apenas à eficácia da acção escolar mas à organização do sistema, conferindo às escolas a possibilidade de uma outra organização;
se assim fosse, provavelmente o sistema custaria mais ao erário público, mas os proveitos seriam substancialmente maiores e existiram menos professores desempregados;
são opções de política educativa; são opções nacionais;
as escolas continuam organizadas (por força das orientações de política educativa e por inércia docente) como há trinta ou mais anos; as escolas são espaços de aula e pouco mais;
quando se exige e determina que o aluno não seja retido, que os professores planifiquem, organizem, estruturem apoios e acções, quando se apela a uma maior relação escola-meio porque não criar condições para que outros quadros (mesmo que docentes) possam apoiar a escola? servir de elementos de ligação turma-família-meio? estruturar acções extra-curriculares? definir outros campos de acção educativa? o cruzamento entre educação formal e educação não formal? estruturar os apoios educativos, sociais e curriculares?
apelar a que sejam sempre os mesmos a fazer mais é não apenas não perceber o que é ser professor, como é ter uma ideia escassa, curta e restrita da escola e da educação;
a "educação contábil" tem de ir não apenas à eficácia da acção escolar mas à organização do sistema, conferindo às escolas a possibilidade de uma outra organização;
se assim fosse, provavelmente o sistema custaria mais ao erário público, mas os proveitos seriam substancialmente maiores e existiram menos professores desempregados;
são opções de política educativa; são opções nacionais;
domingo, setembro 30
quase

dias imperfeitos, pela chuva, pelo desconforto que a mudança de estação sempre nos confere e que, quase de repente, se torna quase, quase perfeito;
aqui dentro, entretenho-me nas coisas que gosto, ler, navegar, escrever e ouvir música que dá o toque surpreendente da perfeição;
oiço Hendel, sonata para cravo e piano;
dias imperfeitos que são quase perfeitos;
insisto
e persisto na afirmação
são estas ideias, expressas num jornal regional, defendidas por diferentes actores político-partidários, argumentadas pelas populações e suportadas pelas acções que o Alentejo, algum Alentejo e alguns alentejanos, não conseguem, não querem não podem fazer;
começo-me a convencer que a história política e social desta região, sempre subserviente, persiste e insiste nos modos e nas acções, ainda que com outros modos e outros protagonistas;
a sério?
são estas ideias, expressas num jornal regional, defendidas por diferentes actores político-partidários, argumentadas pelas populações e suportadas pelas acções que o Alentejo, algum Alentejo e alguns alentejanos, não conseguem, não querem não podem fazer;
começo-me a convencer que a história política e social desta região, sempre subserviente, persiste e insiste nos modos e nas acções, ainda que com outros modos e outros protagonistas;
a sério?
sábado, setembro 29
metodologias

Na Aragem fresca do Norte, trocam-se ideias em redor da formas e dos modos de se aprender;
dou, à distância, o meu contributo, numa peça que ontem referenciei;
Considerando que a metodologia actual se afasta dos esquemas livrescos tradicionais;
considerando que os compêndios devem ser utilizados sem prejuízo das técnicas modernas da didáctica, viradas para a aprendizagem e não para a memorização;
considerando que ainda que o espírito científico é, por definição, o espírito de pesquisa e não o da facilidade do "já aprendido", determino:
1. que os docentes procurem utilizar apenas compêndios de tipo tradicional quando haja manifesta impossibilidade de recorrer a outro tipo de apoios;
2. que continue a utilizar-se a documentação distribuída por este Ministério a qual supõe a metodologia activa que importa desenvolver;
o Secretário de Estado da Orientação Pedagógica, Romero de Magalhães;
não conhecem o senhor, não é? pensam que troquei o nome da secretaria de estado?
não senhor, nada disso; o texto refere-se ao despacho n.º 103/76 de 4 de Novembro de 1976;
surpresa

tenho que reconhecer alguma surpresa na vitória eleitoral de Filipe Menezes, pensava que o estabelecido poderia sair vencedor, ainda que as críticas, durante a campanha interna, tenham sido certeiras e cáusticas para a liderança;
depois desta vitória, algumas questões, de sublinhado socialista;
como reagirá o PS (e o governo) a uma crítica que se perspectiva aguda e intensa?
como se recolocarão as hostes, fruto dos receios, das ansiedades e dos realinhamentos da oposição?
quando as comadres se zangarem, que verdades se descobrirão?
apesar de Marques Mendes ser (também) um homem do norte, mas excessivamente lisboeta, como se poderá perspectivar o arrumar de ideias entre o Norte e Lisboa nas disputas do PSD (e do país)?
em termos locais/regionais como se (re)organizará o PSD (e como sairá desta re-organização) uma vez que os lideres locais assumiram uma posição, hoje perdedora?
qual ou quais poderão ser as implicações locais/regionais deste realinhamento de forças e de equilíbrios de posição?
a estas, e a outras questões, o tempo se encarregará de responder;
mas perspectivo uma, assente no receio e em alguma sobranceria, a de que alguns lideres do PS até tenham ficado contentes e se regozijem com esta vitória e façam parecer que tudo está bem; será????
quinta-feira, setembro 27
distâncias
nos tempos que correm as distâncias acentuam-se entre o que pensamos e queremos fazer e o que podemos ou nos deixam fazer;
talvez tenha sido sempre assim, mas, nos últimos anos, no último quartel do século XX, acentuou-se a ideia (e a expectativa) que podíamos influir na mudança, na alteração das coisas, que nós, cidadãos, pessoas, tínhamos voto na matéria, que éramos capazes de influir e intervir na sociedade; nomeadamente naquilo que considerávamos (bem ou mal) desajustamentos, injustiças, precariedades;
a democracia participativa parecia ganhar terreno; sucederam-se os fóruns, as assembleias, a participação (cívica, de cidadania), as tertúlias, os botequins;
já não recuo aos anos 60 onde se pensava, para além de mudar a sociedade, (re)criar o mundo; fico-me pelos anos 80/90, mais próximos, dos quais (quase) todos temos memória viva;
não era contra nada nem contra ninguém, apenas pela vontade de corrigir as injustiças, de nos sentirmos a participar na estonteante mudança dos tempos;
pelo contrário, recentemente parece que nos ficamos pelas intenções, que somos tolhidos pela inércia, que ficamos condicionados, por outros, por algo ou por alguém, na capacidade de intervir e agir, que somos coartados pela insinuação;
será que se confirma a oligarquia democrática?
será que estamos em tempos de uns que se sentem esvair mas que teimam e persistem em condicionar os outros?
será que temos, efectivamente, fantasmas que nos corrompem os movimentos e cerceiam os pensamentos?
será que os tempos, afinal, não mudaram que uns (poucos) continuam a mandar nos outros (nos muitos)?
qual a nossa capacidade individual de participação?
qual o espaço reservado aos fóruns de cidadania?
talvez tenha sido sempre assim, mas, nos últimos anos, no último quartel do século XX, acentuou-se a ideia (e a expectativa) que podíamos influir na mudança, na alteração das coisas, que nós, cidadãos, pessoas, tínhamos voto na matéria, que éramos capazes de influir e intervir na sociedade; nomeadamente naquilo que considerávamos (bem ou mal) desajustamentos, injustiças, precariedades;
a democracia participativa parecia ganhar terreno; sucederam-se os fóruns, as assembleias, a participação (cívica, de cidadania), as tertúlias, os botequins;
já não recuo aos anos 60 onde se pensava, para além de mudar a sociedade, (re)criar o mundo; fico-me pelos anos 80/90, mais próximos, dos quais (quase) todos temos memória viva;
não era contra nada nem contra ninguém, apenas pela vontade de corrigir as injustiças, de nos sentirmos a participar na estonteante mudança dos tempos;
pelo contrário, recentemente parece que nos ficamos pelas intenções, que somos tolhidos pela inércia, que ficamos condicionados, por outros, por algo ou por alguém, na capacidade de intervir e agir, que somos coartados pela insinuação;
será que se confirma a oligarquia democrática?
será que estamos em tempos de uns que se sentem esvair mas que teimam e persistem em condicionar os outros?
será que temos, efectivamente, fantasmas que nos corrompem os movimentos e cerceiam os pensamentos?
será que os tempos, afinal, não mudaram que uns (poucos) continuam a mandar nos outros (nos muitos)?
qual a nossa capacidade individual de participação?
qual o espaço reservado aos fóruns de cidadania?
modernidade, burocracia e pdagogia
um excerto (abre em pdf) excelente para uma outra visão/compreensão dos tempos educativos;
aguarda-se a publicação;
aguarda-se a publicação;
entre o inferno e o céu
ele há coisas ...
quando nos pensam fazer mal e nos corre bem; quando nos querem prejudicar e ficamos melhor, quando nos procuram fazer mal e nos fazem bem...
ele há coisas que mais parece uma volta ao contrário;
quando nos pensam fazer mal e nos corre bem; quando nos querem prejudicar e ficamos melhor, quando nos procuram fazer mal e nos fazem bem...
ele há coisas que mais parece uma volta ao contrário;
quarta-feira, setembro 26
desafios

hoje deverei iniciar um novo desafio educativo, uma oportunidade que, provavelmente, tão depressa não repetirei;
irei, em princípio, iniciar os apoios ao 1º ciclo do ensino básico;
na falta de outro recurso, foi-me solicitada esta colaboração; respondi afirmativamente com todos os receios inerentes a um outro desafio, ao relacionamento e conhecimento de uma realidade que me está algo afastada;
tenho preparado materiais, pesquisado informação que possa ser útil, tentado pensar em desafios para os alunos;
é um desafio, vamos ver como me saio;
à janela
está aqui ao lado uma ligação que se me tornou passagem obrigatória, o diário de um professor catedrático cá da terra, "diário de uma cátedra à janela";
à partida podia - e assim está exposto no editorial - ser mais um apontamento de registo diário, entre a acção pessoal e o pensamento público;
mas, considero que vai além disso e é uma óptima base para percebermos um outro ponto de vista sobre este nosso contexto, a cidade, a região e as políticas educativas;
não tive oportunidade de ser aluno do professor, mas fui aluno da esposa, com quem mantenho uma relação cordial e simpática;
agora é a possibilidade de (re)descobrir outros olhares sobre a coisa educativa, nomeadamente a universidade, e o seu papel no contexto regional - é pena ser dos poucos a assumir, publicamente, esta faceta;
ao contrário de outros não faz uma autocentração exagerada e abusiva; parte dessa centralidade pessoal para pensar (e colaborar no pensamento) regional e educativo;
passagem obrigatória diariamente;
subidas e descidas

neste meu espaço tenho consciência, de entre várias coisas, de duas situações;
por um lado, que sempre que escrevo sobre política lá sobem os acessos e as páginas vistas;
por outro, que escrevo em face dos meus contextos;
já aqui o escrevi por várias vezes, que sou eu e o meu contexto; não me consigo desmarcar, desligar daquilo que me rodeia, do meu mundo ou, como alguns diriam, do meu umbigo;
é esta relação umbilical que determina muito do que escrevo, seja sobre a escola, a política ou a região, os meus mundos;
agora gosto mais de escrever sobre a escola, a minha escola, sobre aquilo que me rodeia e enleia, onde me sinto envolvido e activo;
tudo o resto aparece quase por mero acaso, resultados fortuitos dos dias que passam;
mas sentem-se os seus reflexos nas subidas e descidas do contador;
terça-feira, setembro 25
deixem-nos trabalhar
às páginas tantas sinto-me confrontado entre o desejo de se fazer e de se construir localmente a escola e os desejos do ministério de tudo controlar, emanar, regular, regulamentar;
as orientações do ministério mais não são que considerações que fogem a contextos, que procuram a uniformização estereotipada e desarticulada de uma realidade que há muito é diversa, heterogénea, multiforme;
entre as orientações e as políticas fazem-se sentir contradições e expectativas; contradição porque se definiu uma escola a tempo inteiro, expectativas de não sobrecarregar o aluno, menor de idade, frágil na acção, delicado na consideração;
em que ficamos?
as orientações do ministério mais não são que considerações que fogem a contextos, que procuram a uniformização estereotipada e desarticulada de uma realidade que há muito é diversa, heterogénea, multiforme;
entre as orientações e as políticas fazem-se sentir contradições e expectativas; contradição porque se definiu uma escola a tempo inteiro, expectativas de não sobrecarregar o aluno, menor de idade, frágil na acção, delicado na consideração;
em que ficamos?
horários
se é certo que existem acertos e construções acordadas, também é certo que existem opções que valorizam o aluno e os interesses da comunidade;
as notícias dão conta dos horários dos professores feitos a pensar nos professores, apontando a excessiva carga horária dos alunos;
será que se esquecem que a carga horária, decorrente de uma estrutura curricular nacional, homogénea e uniforme, é definida pelo ME?
será que se esquecem que existe uma política designada de "escola a tempo inteiro" que mais não é que ocupar todo o tempo do aluno em jornada continua?
será que se esquecem que os números crescem, como a senhora ministra teve oportunidade de referir, e os espaços se mantém?
será que se esquecem que existem políticas de integração escolar, de agrupamentos de escolas, de diversificação de ofertas e que têm de ser integradas no horário do aluno?
talvez sejam esquecimentos a mais para serem apenas casuais, mas é importante dar conta de outras racionalidades inerentes ao trabalho docente e à organização da escola;
as notícias dão conta dos horários dos professores feitos a pensar nos professores, apontando a excessiva carga horária dos alunos;
será que se esquecem que a carga horária, decorrente de uma estrutura curricular nacional, homogénea e uniforme, é definida pelo ME?
será que se esquecem que existe uma política designada de "escola a tempo inteiro" que mais não é que ocupar todo o tempo do aluno em jornada continua?
será que se esquecem que os números crescem, como a senhora ministra teve oportunidade de referir, e os espaços se mantém?
será que se esquecem que existem políticas de integração escolar, de agrupamentos de escolas, de diversificação de ofertas e que têm de ser integradas no horário do aluno?
talvez sejam esquecimentos a mais para serem apenas casuais, mas é importante dar conta de outras racionalidades inerentes ao trabalho docente e à organização da escola;
segunda-feira, setembro 24
agir ou reagir
eis a questão que se coloca, na generalidade dos casos, aos diferentes partidos políticos, àqueles que assumem processos de liderança e de orientação partidária;
os próximos tempos, que se estenderão, grosso modo, deste Outono à próxima Primavera, irão ser determinantes na (re)configuração de forças, no arregimentar de espingardas, no contar dos parceiros e na identificação dos adversários;
mais que projectos, mais que ideias, mais que propostas serão fundamentais, nos próximos tempos, perceber os modos de organização da acção política que irá conduzir a 2009 e às eleições que aí decorrerão - legislativas e autárquicas;
será este processo, conduzido de forma clara ou por intermédio de insinuações encapotadas, que determinarão muito do sentido de voto e das opções que se apresentarão;
tudo isto para destacar o artigo de hoje de Manuel Maria Carrilho; tal como outros pode estar comprometido politicamente, mas tem uma capacidade de análise e de prospectiva política que poucos se atrevem a considerar, pelo menos publicamente;
e a situação exposta não tem apenas contornos nacionais; é perfeitamente extensível ao contexto regional e local onde o PS se terá de assumir - ou por aquilo que localmente sempre foi ou por aquilo que pública e politicamente é reconhecido;
agir ou reagir, eis a questão;
os próximos tempos, que se estenderão, grosso modo, deste Outono à próxima Primavera, irão ser determinantes na (re)configuração de forças, no arregimentar de espingardas, no contar dos parceiros e na identificação dos adversários;
mais que projectos, mais que ideias, mais que propostas serão fundamentais, nos próximos tempos, perceber os modos de organização da acção política que irá conduzir a 2009 e às eleições que aí decorrerão - legislativas e autárquicas;
será este processo, conduzido de forma clara ou por intermédio de insinuações encapotadas, que determinarão muito do sentido de voto e das opções que se apresentarão;
tudo isto para destacar o artigo de hoje de Manuel Maria Carrilho; tal como outros pode estar comprometido politicamente, mas tem uma capacidade de análise e de prospectiva política que poucos se atrevem a considerar, pelo menos publicamente;
e a situação exposta não tem apenas contornos nacionais; é perfeitamente extensível ao contexto regional e local onde o PS se terá de assumir - ou por aquilo que localmente sempre foi ou por aquilo que pública e politicamente é reconhecido;
agir ou reagir, eis a questão;
conhecimento

para quem gosta da escola e de perceber como as coisas se organizam e combinam, deixo, para apreciação, duas ligações que podem ser interessantes;
o know and pol tem a particularidade de cruzar conhecimento e decisão política e de nele me enquadrar no projecto de investigação que procuro desenvolver;
o new modes of governance a particularidade de cruzar instrumentos e formas/modelos de governação;
se o primeiro está directamente relacionado com a educação, o segundo já necessita de contextualização, considerando que tem como fóco as áreas da saúde e da economia;
um e outro têm como contexto a União Europeia, elemento determinante nos arranjos que os sistemas vão tendo, fruto de orientações, umas reguladoras outras mais regulamentadoras da acção pública;
domingo, setembro 23
portefólio

O Miguel pergunta, a propósito da ideia do portefólio como instrumento de avaliação docente, "E quem avalia esse documento? O delegado de grupo (titular ou não)? O PC Executivo? A Inspecção? Quem tem competência e que competência deve ter para avaliar?";
apesar de considerar que santos da casa não fazem milagres, considero que deveria ser o conselho pedagógico a definir a equipa de avaliação, procurando respeitar três vértices essenciais ao sistema, os pares de docentes (da área ou de fora dela, mas pares docentes), a comunidade (por intermédio da associação de pais, dos conselhos municipais de educação ou pela simples e pura participação comunitária) e as estruturas do conhecimento, nomeadamente instituições da formação contínua (centros de formação, universidades, politécnicos);
concordo com o pressuposto que a avaliação dos docentes deverá levar em consideração o projecto educativo de escola, ora será por intermédio deste que se configurarão as competências a avaliar e, acima de tudo, as legitimidades de avaliação;
chamo a atenção para o facto de esta minha reflexão não decorrer de um pensamento profundo sobre a temática; pelo contrário, apenas pretendo apresentar outras alternativas ao modelo instituído (apresentado) pelo ministério, na tentativa de não me ficar pela crítica, procurando contrapor alternativas;
políptico avaliativo
seria, no meu entender, muito mais lógico que se assumisse o políptico discursivo, de práticas e de concepções que se confrontam na escola;
como? por intermédio de uma reflexão crítica que permitisse respeitar especificidades e contextos, lógicas e racionalidades;
reflexão crítica assente, por exemplo, num portefólio do professor, onde pudessem ser perspectivadas as opções, os objectivos, os contextos, os meios e as soluções;
seria de maior dificuldade de uniformização, é verdade, mas respeitar-se-iam contextos, percursos, pensamentos, modelos e concepções que prevalecem nas escolas;
como? por intermédio de uma reflexão crítica que permitisse respeitar especificidades e contextos, lógicas e racionalidades;
reflexão crítica assente, por exemplo, num portefólio do professor, onde pudessem ser perspectivadas as opções, os objectivos, os contextos, os meios e as soluções;
seria de maior dificuldade de uniformização, é verdade, mas respeitar-se-iam contextos, percursos, pensamentos, modelos e concepções que prevalecem nas escolas;
compreender a avaliação

decorrente de algumas arrumações do meu espaço tive oportunidade de reencontrar um livro de meados de 2006 deveras interessante e pertinente para a discussão em torno das questões da avaliação - sejam elas dos professores, dos alunos ou da escola;
num capítulo do livro, L. Lima defende a tese que "toda e qualquer acção de avaliar em contexto escolar baseia-se numa concepção organizacional da escola, implícita ou explícita, que ao instituir um determinado quadro de racionalidades permite definir a natureza dos objectivos e das tecnologias, estabelecer relações entre meios e fins e entre estrutura e agência, legitimar determinados processos de planeamento e de decisão, bem como a inclusão/exclusão de certos actores nesses processos (...)";
ora o que considero que está em causa na proposta apresentada de avaliação do corpo docente, é uma clara mistura entre meios e fins, relegando para plano meramente secundário quem é alvo da avaliação, quantificando situações de duvidosa classificação e olhando a função docente como se "educação contábil" (define a educação que conta em função do carácter contável, mensurável e comparável dos resultados educativos produzidos) se tratasse;
sábado, setembro 22
alfazema
engulhos
isto de andar a querer investigar, tal como é exigido num processo de doutoramento, e trabalhar tem as suas coisas e os seus engulhos;
ontem tive a oportunidade de me cruzar com duas colegas que, como eu, andam neste processo;
uma equaciona desistir, fruto das assumidas dificuldades de conjugar o processo de investigação com a profissão e a família; outra, ao fim de praticamente dois anos de trabalho e de ter apresentado um projecto que se encontrava claramente estruturado e orientado ter optado por refazer tudo e regressar à estaca zero, ao ponto de partida;
não é fácil a gestão destes processos fora dos meios académicos e do seu enquadramento universitário;
requer organização e concentração, focalização e rigor;
ao contrário das colegas agora sou eu que tenho espaço e tempo, oportunidade e benefícios para me dedicar a este enredo;
lá para finais de 2009 se dirá de sua justiça;
ontem tive a oportunidade de me cruzar com duas colegas que, como eu, andam neste processo;
uma equaciona desistir, fruto das assumidas dificuldades de conjugar o processo de investigação com a profissão e a família; outra, ao fim de praticamente dois anos de trabalho e de ter apresentado um projecto que se encontrava claramente estruturado e orientado ter optado por refazer tudo e regressar à estaca zero, ao ponto de partida;
não é fácil a gestão destes processos fora dos meios académicos e do seu enquadramento universitário;
requer organização e concentração, focalização e rigor;
ao contrário das colegas agora sou eu que tenho espaço e tempo, oportunidade e benefícios para me dedicar a este enredo;
lá para finais de 2009 se dirá de sua justiça;
avaliação e uniformidade
ora cá está uma das razões pelas quais a blogosfera é um espaço interessante e pertinente.
a partir de uma entrada de Paulo Guinote, a oportunidade de conhecer as famosas grelhas de avaliação do pessoal docente - espero que em versão de discussão (?);
nada tenho contra a avaliação; pelo contrário, considero que pode ser um instrumento interessante na regulação das práticas educativas na relação da escola com a comunidade;
mas o que nos é apresentado está longe desse figurino e dessa pretensão; o Ministério persiste em trocar e baralhar meios e fins, sejam os da educação e do trabalho docente, sejam os da própria avaliação; a divisão ali apresentada não deixa dúvidas para a mistela que é produzida com a agravante de ali se quererem colocar todas e mais alguma situação, as de Lisboa com as de Barrancos, as de Coimbra com as de Beja, as de Évora com as de Tordosendo, etc; não tem sentido, é quer uniformizar, por via do processo de avaliação, as práticas e os procedimentos educativos e pretender que todos, independentemente dos contextos e das circunstâncias (da escola, dos alunos, das comunidades) procedam do mesmo modo e da mesma maneira;
é tão estúpido quanto considerar que o sistema é igual de uma ponta à outra;
a partir de uma entrada de Paulo Guinote, a oportunidade de conhecer as famosas grelhas de avaliação do pessoal docente - espero que em versão de discussão (?);
nada tenho contra a avaliação; pelo contrário, considero que pode ser um instrumento interessante na regulação das práticas educativas na relação da escola com a comunidade;
mas o que nos é apresentado está longe desse figurino e dessa pretensão; o Ministério persiste em trocar e baralhar meios e fins, sejam os da educação e do trabalho docente, sejam os da própria avaliação; a divisão ali apresentada não deixa dúvidas para a mistela que é produzida com a agravante de ali se quererem colocar todas e mais alguma situação, as de Lisboa com as de Barrancos, as de Coimbra com as de Beja, as de Évora com as de Tordosendo, etc; não tem sentido, é quer uniformizar, por via do processo de avaliação, as práticas e os procedimentos educativos e pretender que todos, independentemente dos contextos e das circunstâncias (da escola, dos alunos, das comunidades) procedam do mesmo modo e da mesma maneira;
é tão estúpido quanto considerar que o sistema é igual de uma ponta à outra;
quinta-feira, setembro 20
instrumentos
tenho andado a trabalhar um conceito, o de instrumentos de acção pública, originários da economia e das ciências do ambiente;
o objectivo é transpo-los para a área da educação, mediante a sua recontextualização em termos de caracterização e dimensionalidades;
referenciei recentemente um sítio na net que dá conta de um trabalho, dirigido por um sociólogo francês, que aborda o mesmo conceito mas na área da saúde;
tirei-me de poeiras e vá de lhe enviar um mail para trocar ideias, leituras, referências, oportunidades;
atão não é que já respondeu?
interessante as analogias que se podem perspectivar e a riqueza da partilha de contributos;
o objectivo é transpo-los para a área da educação, mediante a sua recontextualização em termos de caracterização e dimensionalidades;
referenciei recentemente um sítio na net que dá conta de um trabalho, dirigido por um sociólogo francês, que aborda o mesmo conceito mas na área da saúde;
tirei-me de poeiras e vá de lhe enviar um mail para trocar ideias, leituras, referências, oportunidades;
atão não é que já respondeu?
interessante as analogias que se podem perspectivar e a riqueza da partilha de contributos;
de início
o ano lectivo começou com todas as coisas que lhe conferem uma chamada normalidade;
em virtude do projecto a que me dedico, tenho possibilidades de recordar outros inícios, daqueles em que não havia professores (em alguns casos ao longo de todo o ano), em que as manifestações (de professores, alunos, pais/encarregados de educação) aconteciam por todo o lado e a propósito de tudo e de nada;
a escola mudou; permaneceu o atrito entre professores e ministério, numa clara aceitação de relações tensas que se cruzam entre uma estrutura funcionalizada e uma acção que se pretende pedagógica;
este é um início, como todos os outros, de princípio...
em virtude do projecto a que me dedico, tenho possibilidades de recordar outros inícios, daqueles em que não havia professores (em alguns casos ao longo de todo o ano), em que as manifestações (de professores, alunos, pais/encarregados de educação) aconteciam por todo o lado e a propósito de tudo e de nada;
a escola mudou; permaneceu o atrito entre professores e ministério, numa clara aceitação de relações tensas que se cruzam entre uma estrutura funcionalizada e uma acção que se pretende pedagógica;
este é um início, como todos os outros, de princípio...
quarta-feira, setembro 19
da chuva
na minha primeira posta, já lá vão uns tempos, dizia que pretendia sair do anonimato e entrar na imensa minoria da blogosfera;
desde essa vez, este espaço ganhou dimensões, protagonistas e oportunidades;
desde a simples crónica ao diário ritualista, a blogosfera tornou-se ponto de passagem obrigatório, até para se poderem perspectivar determinadas situações ou acontecimentos (factuais ou não) e uma visibilidade que pode variar entre o fórum participativo e cosmopolita e a simples arruaça insinuadora e mordaz;
cada um faz deste espaço o que quer e o que pretende, o que pode e o que consegue; como retira as ilações que consegue e que quer; mas é um espaço individual que se colectivizou pela participação; por isso nunca retirei os comentários, reconhecedor que quem anda à chuva se pode molhar;
mas não comungo de arruaças e de arruaceiros, como não gosto de brincar ao toca e foge; desde sempre assumi e assumo as minhas ideias e os meus argumentos, sabendo que valem pouco ou nada;
mas não abdico de falar daquilo que gosto, da minha cidade, da minha região da minha profissão, da minha vida;
tenham outros os argumentos para poderem, abertamente, falar; ou têm vergonha de quê?
desde essa vez, este espaço ganhou dimensões, protagonistas e oportunidades;
desde a simples crónica ao diário ritualista, a blogosfera tornou-se ponto de passagem obrigatório, até para se poderem perspectivar determinadas situações ou acontecimentos (factuais ou não) e uma visibilidade que pode variar entre o fórum participativo e cosmopolita e a simples arruaça insinuadora e mordaz;
cada um faz deste espaço o que quer e o que pretende, o que pode e o que consegue; como retira as ilações que consegue e que quer; mas é um espaço individual que se colectivizou pela participação; por isso nunca retirei os comentários, reconhecedor que quem anda à chuva se pode molhar;
mas não comungo de arruaças e de arruaceiros, como não gosto de brincar ao toca e foge; desde sempre assumi e assumo as minhas ideias e os meus argumentos, sabendo que valem pouco ou nada;
mas não abdico de falar daquilo que gosto, da minha cidade, da minha região da minha profissão, da minha vida;
tenham outros os argumentos para poderem, abertamente, falar; ou têm vergonha de quê?
spam
tenho de reconhecer que tenho um conjunto de comentários que mais se parecem com spam do que com comentários;
irritadiços, reveladores de alguma dor de cotovelo, cheios daquela inveja mesquinha, do feitiozinho recambulesco do bota abaixo, incapazes de discernir entre a opinião e o argumento;
é certo que alguns gostariam que eu desaparecesse, não apenas da blogosfera mas da face da terra, deixasse de incomodar, de irritar quem julga tudo poder e mandar;
continuem-se a irritar, a sentir mesquinhos e pequenininhos pois por aqui irei andar, a largar postas de pescada, como digo, de cabeça, comigo em fundo por tudo e para nada;
talvez se ultrapassarem essa fase freudiana do toque e foge, do anonimato envergonhado possamos trocar ideias e argumentos e chegar à brilhante conclusão que afinal, é muita parra e nenhuma uva;
irritadiços, reveladores de alguma dor de cotovelo, cheios daquela inveja mesquinha, do feitiozinho recambulesco do bota abaixo, incapazes de discernir entre a opinião e o argumento;
é certo que alguns gostariam que eu desaparecesse, não apenas da blogosfera mas da face da terra, deixasse de incomodar, de irritar quem julga tudo poder e mandar;
continuem-se a irritar, a sentir mesquinhos e pequenininhos pois por aqui irei andar, a largar postas de pescada, como digo, de cabeça, comigo em fundo por tudo e para nada;
talvez se ultrapassarem essa fase freudiana do toque e foge, do anonimato envergonhado possamos trocar ideias e argumentos e chegar à brilhante conclusão que afinal, é muita parra e nenhuma uva;
terça-feira, setembro 18
prós e contras
o de ontem, na rtp1, foi, uma vez mais, sobre a educação, o que muda e o que não muda;
do debate, que considero ter sido dos melhorzitos, algumas ideias soltas:
a educação é um tema que mediaticamente vende, é rentável, dá audiências; não quero exagerar, mas terá sido o terceiro programa este ano sobre a educação, diferentes facetas é verdade, mas sobre a educação; nenhum outro tema consegue suplantar o mediatismo televisivo da educação;
foi um claro sinal de como estão as coisas, entrincheirados em cada um dos lados, ninguém parece mostrar bom senso, agarrar uma das pontas que permita ir até ao lado; mais se parece com um ataque ao castelo onde, não interessa vindo de onde nem quais os seus objectivos, o importante é deitar abaixo, de um lado e do outro, e os lados em educação são muitos;
a escola tem assente a sua estrutura na acção (e funcionalização) dos professores; tem sido excessivo, como tem sido excessivo centrar as políticas educativas no papel dos professores, como pretendem os sindicatos; mas não se pode passar do 88 ao 8; não há política educativa que sirva ou que perdure se for contra os professores, não se pode fazer política educativa sem os professores (de resto como não se pode fazer política de saúde sem os médicos, de justiça sem os advogados, etc) e, aparentemente, a senhora sinistra isolou o que pretensamente considera um dos focos do problema - erradamente direi eu;
sobre o tema, o que muda em educação, uma banalidade, tudo muda para que tudo fique na mesma; as mudanças, ou a sua sensação, é de tudo se alterar de governo para governo, de governante para governante; contudo, na essência, a estrutura (organizacional, funcional, política, social) da educação tem permanecido estável, perdura na longa duração;
um conclusão, pessoal, enquanto as escolas (e os professores) não se conseguirem afirmar enquanto elementos de mudança, de afirmação contextual (localizada dirá um amigo), de organização diferenciada, da assunção de outras lógicas de trabalho, o ministério prevalecerá porque os operários, cedo ou tarde, feliz ou infelizmente, perdem quase sempre;
do debate, que considero ter sido dos melhorzitos, algumas ideias soltas:
a educação é um tema que mediaticamente vende, é rentável, dá audiências; não quero exagerar, mas terá sido o terceiro programa este ano sobre a educação, diferentes facetas é verdade, mas sobre a educação; nenhum outro tema consegue suplantar o mediatismo televisivo da educação;
foi um claro sinal de como estão as coisas, entrincheirados em cada um dos lados, ninguém parece mostrar bom senso, agarrar uma das pontas que permita ir até ao lado; mais se parece com um ataque ao castelo onde, não interessa vindo de onde nem quais os seus objectivos, o importante é deitar abaixo, de um lado e do outro, e os lados em educação são muitos;
a escola tem assente a sua estrutura na acção (e funcionalização) dos professores; tem sido excessivo, como tem sido excessivo centrar as políticas educativas no papel dos professores, como pretendem os sindicatos; mas não se pode passar do 88 ao 8; não há política educativa que sirva ou que perdure se for contra os professores, não se pode fazer política educativa sem os professores (de resto como não se pode fazer política de saúde sem os médicos, de justiça sem os advogados, etc) e, aparentemente, a senhora sinistra isolou o que pretensamente considera um dos focos do problema - erradamente direi eu;
sobre o tema, o que muda em educação, uma banalidade, tudo muda para que tudo fique na mesma; as mudanças, ou a sua sensação, é de tudo se alterar de governo para governo, de governante para governante; contudo, na essência, a estrutura (organizacional, funcional, política, social) da educação tem permanecido estável, perdura na longa duração;
um conclusão, pessoal, enquanto as escolas (e os professores) não se conseguirem afirmar enquanto elementos de mudança, de afirmação contextual (localizada dirá um amigo), de organização diferenciada, da assunção de outras lógicas de trabalho, o ministério prevalecerá porque os operários, cedo ou tarde, feliz ou infelizmente, perdem quase sempre;
segunda-feira, setembro 17
primeiro dia
o primeiro dia de aulas é quase uma festa;
é o matar saudades dos amigos, é a recepção um novo espaço, como se de um processo de iniciação se tratasse, é o confrontar com novas e diferentes realidades, são os ruídos diferentes, os ambientes;
é o primeiro dia do resto das nossas vidas;
na minha escola, apesar dos planos tecnológicos, dos choques electrónicos, os professores continuam a disputar os computadores como se de matéria rara se tratasse, e trata efectivamente;
os ambientes na sala de professores são ainda entre o circunstancial e o coloquial, fruto das caras novas, das novidades, das diferenças;
mas os ruídos são os mesmos de sempre, as correrias, as brincadeiras, as descobertas;
são coisas que, apesar das modas e das vicissitudes, não passam de moda e de serem um eterno princípio;
é o matar saudades dos amigos, é a recepção um novo espaço, como se de um processo de iniciação se tratasse, é o confrontar com novas e diferentes realidades, são os ruídos diferentes, os ambientes;
é o primeiro dia do resto das nossas vidas;
na minha escola, apesar dos planos tecnológicos, dos choques electrónicos, os professores continuam a disputar os computadores como se de matéria rara se tratasse, e trata efectivamente;
os ambientes na sala de professores são ainda entre o circunstancial e o coloquial, fruto das caras novas, das novidades, das diferenças;
mas os ruídos são os mesmos de sempre, as correrias, as brincadeiras, as descobertas;
são coisas que, apesar das modas e das vicissitudes, não passam de moda e de serem um eterno princípio;
erros
a propósito das diversas referências que são feitas (todas lógicas e correctas) aos meus erros, ortográficos ou gramaticais, deixo dois comentários;
um pessoal, continua-se a olhar a escola e os seus professores de baixo de uma lógica instrumental, isto é, depois de passar pela escola, ou de dela nunca (ou quase) ter saído, os erros são imperdoáveis, censuráveis, limitadores da função e do exercício; mas é com o erro que se aprende, ou não?
uma outra baseada no senso comum, "O único modo de evitar os erros é adquirindo experiência; mas a única maneira de adquirir experiência é cometendo erros", retirada daqui;
um pessoal, continua-se a olhar a escola e os seus professores de baixo de uma lógica instrumental, isto é, depois de passar pela escola, ou de dela nunca (ou quase) ter saído, os erros são imperdoáveis, censuráveis, limitadores da função e do exercício; mas é com o erro que se aprende, ou não?
uma outra baseada no senso comum, "O único modo de evitar os erros é adquirindo experiência; mas a única maneira de adquirir experiência é cometendo erros", retirada daqui;
domingo, setembro 16
normalidade
amanhã é dia de regresso à normalidade, digo, o regresso da escola para toda a família, impondo regras, definindo horários, ditando dinâmicas e ritmos;
já se sente a falta da escola, ainda que à pergunta se estão preparados respondam "que remédio", sente-se que se anseia pelo regresso;
para ela por ser, para além de um novo ano, um espaço novo, para ele por ser um ano novo;
as apresentações foram q.b., entre as regras de conduta e de orientação pelos comportamentos, aos apelos ao trabalho e ao empenho dos pais para que acompanhem os filhos e os educandos nas suas tarefas domésticas;
para mim é um regresso sempre esperado, para os desafios que se impõe a um espaço e a um modo de se e estar;
vamos a eles que se faz tarde...
já se sente a falta da escola, ainda que à pergunta se estão preparados respondam "que remédio", sente-se que se anseia pelo regresso;
para ela por ser, para além de um novo ano, um espaço novo, para ele por ser um ano novo;
as apresentações foram q.b., entre as regras de conduta e de orientação pelos comportamentos, aos apelos ao trabalho e ao empenho dos pais para que acompanhem os filhos e os educandos nas suas tarefas domésticas;
para mim é um regresso sempre esperado, para os desafios que se impõe a um espaço e a um modo de se e estar;
vamos a eles que se faz tarde...
fim-de-semana
ao fim-de-semana refugiu-me até de mim mesmo; fujo para o meu cantinho e desligo-me do mundo; apenas pontualmente percebo o que acontece, ou por um zapping intempestivo ou por um click fortuito me permitir aceder a um ou outro jornal;
de resto gosto de fugir daquilo que me rodeia e sentir apenas o silêncio prazenteiro da vida na aldeia;
de resto gosto de fugir daquilo que me rodeia e sentir apenas o silêncio prazenteiro da vida na aldeia;
quinta-feira, setembro 13
actualizações
procedi a algumas alterações (e re-configurações) neste meu cantinho;
dividi os interesses e alguns argumentos;
não vai tudo, ao desbarato, ali para o lado, seja sobre a escola/educação, seja sobre esta minha cidade/região;
ficam apenas aquelas com as quais, por uma ou outra razão, me identifico, me construo e percebo; não significa isto que concorde com todas elas, com as escritas ou as opiniões, mas são formas de entender o que sou, o que faço e o que pretendo nos espaços que percorro;
para qualquer comentário fico à disposição, pois continua aberto ao spam livre :))
normatividade

uma das situações que desde sempre me complicou os nervos é o excesso de normatividade, de directividade da acção pública, particularmente na área da educação; esta situação cerceia oportunidades, constrange soluções, nega alternativas, impõe decisões; resumidamente, empobrece os contextos, sempre ricos em diversidade de situações e alternativas;
é típico de dois contextos, por um lado da centralização, de quem tem a pretensão de tudo poder e mandar; por outro, da dúvida, do receio, da angustia perante a acção do outro;
sempre combati esta situação, sempre me insurgi contra ela; volto a senti-la, na escola, com a força do arrogante de quem tudo pode e quer, e a pretensão de quem tudo sabe e conhece;
"quem nos faz como somos"

«Por um lado são os genes que nos obrigam a fazer certas coisas para eles sobreviverem e se aperfeiçoarem no futuro. Por outro são as culturas, incluindo a linguagem, as religiões, os media e todos esses instrumentos de manipulação que também nos usam para assegurar a sua sobrevivência. E, em terceiro lugar, são as relações entre pessoas, às vezes complexas e paradoxais, mas que nos dão alguma margem de liberdade. Felizmente que as imposições biológicas entram muitas vezes em contradição com a formação cultural, se não seríamos autênticos robots! É neste conflito que não ganhamos a liberdade. A possibilidade de sermos como somos.»
uma muito boa surpresa, encontrada quase por acaso nas estantes de uma livraria da terra;
terça-feira, setembro 11
do arquivo
o trabalho em arquivo tem sido riquíssimo;
apesar da minha primeira baliza cronológica assentar em 1977, fruto da primeira publicação do regime disciplinar do aluno, recuei a 1970, para me poder aperceber das principais alterações pós implantação da democracia;
e aí tenho dado com relatos claramente interessantes, que vão desde greves de alunos, ainda antes de 74, a manifestações culturais de professores, logo após 74, a manifestos sindicais, ou a reivindicações de alunos contra determinados programas disciplinares;
entre uns e outros, a percepção que os problemas disciplinares, relacionados com comportamentos, simplesmente não existem, e não existem porque estes alunos eram, pura e simplesmente, excluídos do sistema, por excesso de faltas, do absentismo; restava aquela franja de normalidade que permitia o desenrolar das aulas de forma "normal";
texturas
gosto da política, gosto da discussão, gosto de trocar ideais, gosto de conversar;
seja com quem for, seja pelo que for;
o DD nada tem a ver comigo mas é um privilégio poder trocar ideias com ele, beber a sua experiência e os seus argumentos; outros, a que pouco me liga, idem aspas;
gosto da conversa, da sua textura, de perceber como as coisas funcionam, como as coisas se ligam e interligam;
gosto de perceber o que está por baixo da primeira capa, das primeiras impressões; sei que somos, muitas vezes, avaliados pelas primeiras impressões, não gosto de me ficar por aí; talvez um problema da minha deformação inicial em História;
reconheço-me, por vezes, lento a perceber as coisas; defeitos pessoais com implicações individuais, é certo, mas não me arrependo, gosto de as sentir, de as ver passar, de as sentir - fruto, talvez, da idade;
caminhos
e trajectos de uma qualquer vida;
entretenho-me a comentar os comentários que tenho merecido, seja por uma boa ou por uma má razão, por gosto ou por simples desgosto;
até hoje nunca me arrependi do que fiz nem de quem tive o privilégio de conhecer; arrependo-me, apenas, daquilo que não fiz, das pessoas que não tive possibilidades de conhecer;
sempre (está aí a primeirissima posta para o comprovar) me assumi e assumo como socialista; desde o final dos anos 80 que tenho dado a cara e o corpo ao manifesto pelo PS, e desde o final dos anos 90 como militante, na qual me reconheço e identifico, como tive o privilégio de assumir determinadas posições por via socialista que, de outro modo, seria manifestamente difícil senão mesmo impossível;
por via disto, não me furto a discutir, com quer que seja e em que circunstâncias forem, o trabalho que desenvolvi, as relações que mantive e que construi; que não agradei a todos? é natural, direi eu, nem JC o conseguiu;
não comento dissabores, invejas ou outros tipos de angústia; a minha consciência está tranquila, durmo descansado, sei do que sou capaz e conheço alguns dos muitos defeitos que possuo, como sou reconhecedor das amizades com que tenho o privilégio de me brindarem;
assumo causas, princípios, ideias e valores; é natural que não agrade a todos, nunca estive preocupado com isso; tenho é pena que não sejam capazes de discutir e trocar ideias, argumentos ou meras opiniões de forma aberta como o faço, está aqui a minha escrita para isso mesmo, com erros, omissões ou dislexias por vezes imperdoáveis, mas presente, de perfil e de frente; não é como os outros que se escudam na indiferença, no toca e foge;
o resto são caminhos, percursos de cada um, talvez sem intersecções, a não ser no infinito;
(imagem da rua 5 de Outubro, Évora);
sábado, setembro 8
arquivo
comcei à séria a trabalhar no arquivo que serve de acervo à minha tese de doutoramento;
entre o pó e o calor que ali se faz sentir, a clara diferença entre escolas; aquelas que não guardam a memória e aquelas outras que preservam o passado como se de futuro se tratasse;
isto é, por exemplo, as actas de conselhos de turma apenas são necessárias durante 5 anos; a maior parte das escolas (pelo menos aquelas que conheço, por esta zona) não guardam o acervo, por falta de espaço, por não ser necessário, por etc;
esta tem a memória guardada; consegui, por enquanto, organizar as actas de conselhos de turmas desde o ano lectivo de 1950/51 a 1984/85;
um repositório excecional para perceber a dimensão diacrónica das políticas educativas;
cantos
este centro histórico da minha cidade tem cantos e recantos de um perfeito encanto;
percorrer as suas artérias, entre ruas e travessas, é descobrir, no olhar, pequenos (grandes) pormenores; daqueles que fazem efectivamente a diferença;
persiste o cuidar das malvas, como se de flores (ou arbustos) próprios se tratasse;
é um cuidar que, aos poucos, desaparece;
um outro apontamento também da rua do Muro;
texturas
não é só no Alentejo que se equilibram diferentes texturas, mas é por estas bandas que ganham uma dimensão cromática e de equilíbrio perfeitamente fora de série, de fazer inveja a muitos entendidos;
no passado, mais do que no presente, as necessidades de conjugar texturas e tons em equilíbrio estáveis;
(imagem: Évora, rua do Muro)
sexta-feira, setembro 7
fim-de-semana
ao longo dos dias que se seguem (fim-de-semana) já tenho um índice de trabalho;
organizar e estruturar o relatório do ano, que terei de entregar até final do mês;
estruturar e arrumar os apontamentos em redor do conceito de instrumentos de acção pública, que gostaria de redigir até final do ano;
entre um e outro, tenho uma transcrição para fazer, que me deverá levar qualquer coisa como entre 4 a 5 horas (foi quase uma hora e meia de conversa);
e depois se verá o que sobra...
organizar e estruturar o relatório do ano, que terei de entregar até final do mês;
estruturar e arrumar os apontamentos em redor do conceito de instrumentos de acção pública, que gostaria de redigir até final do ano;
entre um e outro, tenho uma transcrição para fazer, que me deverá levar qualquer coisa como entre 4 a 5 horas (foi quase uma hora e meia de conversa);
e depois se verá o que sobra...
quinta-feira, setembro 6
e de frente
na mesma
a filhota, depois de olhar as fotografias da escola, diz que está na mesma, depois de dois anos (só passaram dois anos, por muito incrível que possa parecer) a escola continua na mesma;
tenho de lhe reconhecer a razão;
há coisas que dificilmente mudam; para quem está no meio do turbilhão até poderá pensar que tudo muda e à velocidade da luz; para quem (re)chega as coisas até não mudaram assim tanto;
será uma questão de perspectiva ou de valorização?
eu mesmo
há quem diga cobras e lagartos da minha pessoa;
como há quem diga outras coisas menos más;
terei perfil para quê?
há quem fale sem saber do que fala; como há quem fale do que não sabe, nem fala do que sabe;
a maravilha da blogosfera é isto mesmo, a possibilidade, quase sem limites de irmos muito para além de nós mesmos;
fica o perfil, para ver se alguém descortina qual será o meu perfil;
quarta-feira, setembro 5
abandono
os números do abandono escolar hoje revelados e os seus diferentes comentários (1, 2, 3) são reveladores de muitas coisas, destaco três, para não ser nem exaustivo, nem extensivo;
1. a escola falha no seu alcance da proficiência educativa e escolar - razões várias podem ser apontadas, mas não se desculpabilize, nem se desresponsabilize a escola num objecto que é (ou devia ser) seu por direito, o direito (de todos) à educação;
2. as políticas educativas andam centradas em questões que, entre o essencial e o determinante, esquecem pequenos pormenores que fazem toda a diferença; desde os anos 90, com Roberto Carneiro, que se criou um gabinete denominado Educação para Todos (PEPT2000) que nem de perto nem de longe alcançou os seus objectivos, tudo o que lhe tem seguido, tem ficado pelas boas intenções, das quais os inferno está cheio;
3. a leitura mais preocupante destes números é o destaque das fragilidades da nossa democracia, em tempos de crise, as famílias não se coíbem de recorrer aos mais novos para que possam apoiar o sustento da casa; esta é mais preocupante e reveladora das profundas assimetrias que ainda persistem no nosso país;
1. a escola falha no seu alcance da proficiência educativa e escolar - razões várias podem ser apontadas, mas não se desculpabilize, nem se desresponsabilize a escola num objecto que é (ou devia ser) seu por direito, o direito (de todos) à educação;
2. as políticas educativas andam centradas em questões que, entre o essencial e o determinante, esquecem pequenos pormenores que fazem toda a diferença; desde os anos 90, com Roberto Carneiro, que se criou um gabinete denominado Educação para Todos (PEPT2000) que nem de perto nem de longe alcançou os seus objectivos, tudo o que lhe tem seguido, tem ficado pelas boas intenções, das quais os inferno está cheio;
3. a leitura mais preocupante destes números é o destaque das fragilidades da nossa democracia, em tempos de crise, as famílias não se coíbem de recorrer aos mais novos para que possam apoiar o sustento da casa; esta é mais preocupante e reveladora das profundas assimetrias que ainda persistem no nosso país;
interesses
afinal não é apenas na juventude que os Alentejanos (alguns alentejanos) se deixam ultrapassar por outros;
também na novel comissão executiva do CREN regional, os interesses alentejanos irão ser representados pelo autarca de rio Maior;
o Alentejo alarga-se; os alentejanos estreitam as suas visões;
interesses? quais? de quem? por quê? para quê?
também na novel comissão executiva do CREN regional, os interesses alentejanos irão ser representados pelo autarca de rio Maior;
o Alentejo alarga-se; os alentejanos estreitam as suas visões;
interesses? quais? de quem? por quê? para quê?
da amizade
em apoios póstumos, valem-me as amizades;
apesar dos feitios e dos modos, as companhias substituem, e bem, os comentários;
as reuniões de trabalho são trocadas por almoços onde se esmiúçam sentidos e sentimentos;
apesar de tudo, resta-nos o que fica, a amizade e a camaradagem de uns quantos que não estão preocupados com modos ou feitios, apesar das significativas diferenças;
é a amizade que nos vale;
de resto, o QUE É TEMOS DE FAZER?
apesar dos feitios e dos modos, as companhias substituem, e bem, os comentários;
as reuniões de trabalho são trocadas por almoços onde se esmiúçam sentidos e sentimentos;
apesar de tudo, resta-nos o que fica, a amizade e a camaradagem de uns quantos que não estão preocupados com modos ou feitios, apesar das significativas diferenças;
é a amizade que nos vale;
de resto, o QUE É TEMOS DE FAZER?
terça-feira, setembro 4
centralidade
uma das coisas em que reparei neste regresso foi uma questão de centralidade numa das salas de aula em que reuni;
o antigo centro ocupado por J. Cristo, a encimar o quadro negro (que esta escola nunca teve, mas que marcou presença assídua em muitas salas) é agora ocupado por um relógio;
é agora o tempo o omnisciente e omnipresente ser que tudo controla e comanda, que orienta e condiciona os seres humanos;
o tempo, essa coisa nefasta de que todos se queixam, particularmente pela ausência e perenidade;
será que também está nas restantes salas? será apenas naquela? se sim, porquê?
o antigo centro ocupado por J. Cristo, a encimar o quadro negro (que esta escola nunca teve, mas que marcou presença assídua em muitas salas) é agora ocupado por um relógio;
é agora o tempo o omnisciente e omnipresente ser que tudo controla e comanda, que orienta e condiciona os seres humanos;
o tempo, essa coisa nefasta de que todos se queixam, particularmente pela ausência e perenidade;
será que também está nas restantes salas? será apenas naquela? se sim, porquê?
de regresso
e foi hoje o primeiro dia do resto da minha vida;
o eterno retorno (gostei desta, que saiu quase sem querer) a um lugar onde me sinto bem acolhido e recebido, onde, apesar do meu feitio, sou considerado pelo menos como um entre iguais;
como era de esperar fico em apoio administrativo, sem horário lectivo;
vamos lá a ver se a escola consegue lidar com uma situação destas e não está apenas preparada para professores regentes;
é o regresso...
o eterno retorno (gostei desta, que saiu quase sem querer) a um lugar onde me sinto bem acolhido e recebido, onde, apesar do meu feitio, sou considerado pelo menos como um entre iguais;
como era de esperar fico em apoio administrativo, sem horário lectivo;
vamos lá a ver se a escola consegue lidar com uma situação destas e não está apenas preparada para professores regentes;
é o regresso...
a volta à coisa
Luís Maneta pergunta, na sequência de uma entrevista minha, como é possível dar a volta à inexistência de lideres na região Alentejo;
em primeiro lugar é excepcionalmente difícil eles aparecerem fora das estruturas político-partidárias;
segundo é fundamental que estas estruturas estejam interessadas na sua assunção, e não no derrube dos nomes que, por uma ou outra razão, sobressaem no panorama regional;
terceiro é essencial que esse elemento não seja gelatinoso, que goste de estar bem com Deus e com o Diabo, que diga sim porque é para agradar, que saiba defender a sua opinião e as posições regionais, que saiba construir pontes e use o bom senso (saber de experiência feito, como diria Camões) para definir consensos;
quarto, que saiba afirmar a região a partir de um pólo regional e não de atomismos locais, que saiba ultrapassar a sua dimensão local e afirmar-se, pela capacidade de argumentação e diálogo, no contexto regional; que não seja um sim senhor ministro só porque perspectiva o curto prazo, mas saiba agir de acordo com interesses de longo (ou pelo menos médio) prazo;
quinto, todos os restantes que sejamos capazes de inventariar e que possam ir ao encontro dos interesses colectivos regionais e não na afirmação de interesses particulares ou individuais;
fácil não é?
em primeiro lugar é excepcionalmente difícil eles aparecerem fora das estruturas político-partidárias;
segundo é fundamental que estas estruturas estejam interessadas na sua assunção, e não no derrube dos nomes que, por uma ou outra razão, sobressaem no panorama regional;
terceiro é essencial que esse elemento não seja gelatinoso, que goste de estar bem com Deus e com o Diabo, que diga sim porque é para agradar, que saiba defender a sua opinião e as posições regionais, que saiba construir pontes e use o bom senso (saber de experiência feito, como diria Camões) para definir consensos;
quarto, que saiba afirmar a região a partir de um pólo regional e não de atomismos locais, que saiba ultrapassar a sua dimensão local e afirmar-se, pela capacidade de argumentação e diálogo, no contexto regional; que não seja um sim senhor ministro só porque perspectiva o curto prazo, mas saiba agir de acordo com interesses de longo (ou pelo menos médio) prazo;
quinto, todos os restantes que sejamos capazes de inventariar e que possam ir ao encontro dos interesses colectivos regionais e não na afirmação de interesses particulares ou individuais;
fácil não é?
palavras de ordem
ontem tive oportunidade de ir apreciar e desfrutar P. Abrunhosa, na Feira da Luz, Montemor-o-Novo;
simplesmente um espectáculo, pela viagem que faz pela música desde os anos 60 ao presente, ecléctico, flexível, versátil, melómano;
é, no meu entender, um dos maiores cantores de intervenção pós a corrente dos anos 70 (composta por Zeca Afonso, Sérgio Godinho, Fausto, Zé Mário Branco, Fanha, etc, etc); constróe a canção não como uma arma, mas como um modo de intervenção;
achei belíssimo o concerto, quer pela dinâmica, pela história, pela organização e pelo profissionalismo;
como gostei das novas palavras de ordem, a fazer lembrar Sex Pistols:
o que é preciso fazer?
TALVEZ FODER, TALVEZ FODER.
segunda-feira, setembro 3
reprogramação
entretenho-me a reprogramar o trabalho em redor a minha tese;
agora, enquanto não conheço ainda as novas dinâmicas e solicitações, procuro recuperar algum do tempo que não tive para um projecto que gostaria de concluir em 2009;
há muita coisa que ficou em stand by, como houve outra que correu mais lentamente que o expectável e que o desejável; é tempo de recuperar algum do tempo, dos afazeres que ficaram preteridos;
como é oportunidade de poder "comparar" situações e retirar, do meu regresso à minha escola, oportunidades de trabalho e de conhecimento; será que os contextos influenciam os instrumentos? que diferenças podem ser identificadas em face das recriações dadas aos instrumentos normativos em face dos contextos?
é tempo de ter tempo...
agora, enquanto não conheço ainda as novas dinâmicas e solicitações, procuro recuperar algum do tempo que não tive para um projecto que gostaria de concluir em 2009;
há muita coisa que ficou em stand by, como houve outra que correu mais lentamente que o expectável e que o desejável; é tempo de recuperar algum do tempo, dos afazeres que ficaram preteridos;
como é oportunidade de poder "comparar" situações e retirar, do meu regresso à minha escola, oportunidades de trabalho e de conhecimento; será que os contextos influenciam os instrumentos? que diferenças podem ser identificadas em face das recriações dadas aos instrumentos normativos em face dos contextos?
é tempo de ter tempo...
avaliação interna
estou entretido com um relatório final de avaliação interna na qual tive o privilégio de ter participado como amigo crítico, assim designado o elemento que se entretinha a comentar os procedimentos e as conversas havidas em redor do processo;
agora que chegou (quase) ao final, há diferentes ilações que se podem retirar, quer enquanto amigo crítico, quer enquanto profissional da educação;
enquanto elemento crítico, o envolvimento de todo um conjunto de actores foi preponderante para se ultrapassar a ideia escolocentrica que ainda predomina em muitos lados, mas não se consegue ultrapassar uma predominância professorocentrica, isto é, os docente dominam não apenas a técnica, mas o próprio envolvimento social do processo;
enquanto profissional da educação ressaltam os procedimentos soltos, o pouco e frágil rigor com que muitos dos processos se fazem, dando azo a que, por um lado, fiquemos sujeitos à crítica da inspecção e, por outro, se perca muito do rigor passível de um tratamento científico assente nos acervos documentais de uma qualquer escola;
entre uma e outra posição, uma questão, o que fazer com este relatório de avaliação interna? qual o resultado que daí pode advir em termos de organização da escola, dos procedimentos, do envolvimento de actores e parceiros?
o tempo o dirá...
da festa
sábado, setembro 1
festas
e a festa decorre, entre ruas enfeitadas, música tradicional, garraiadas entre o dia e a noite, muita febra e franganito na brasa e muita, muita, muita cerveja;
é tempo de passear pelas ruas com a melhor vestimenta, beber-se cerveja e falar-se alto, rever amigos e amizades, dar tiros na saudade e contar as novenas à Senhora da Consolação.
as ruas, por enquanto, ainda estão carentes de gente, logo mais à noite estarão, certamente, apinhadas, preenchidas;
é uma festa...
bitaites
referencio aqui ao lado, um colega de há muito, muito tempo;
coisas da escola nos uniram e nunca mais nos separaram, apesar do seu tom excessivamente verde, mas pronto, ninguém é perfeito;
acresce uma visão entre o pragmático e o circunstancial numa lógica que gosta de cruzar o desporto com a cidade e com a escola;
são bitaites interessantes com uma designação ainda mais interessante mais vale ter mau hálito que não ter hálito nenhum; exactamente...
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sexta-feira, agosto 31
Alentejo

não resisto a colocar um apontamento que sairá oportunamente e com mais desenvolvimento; estou certo que irá alimentar muitas coisas; fica um excerto:
Hoje o Alentejo está confinado à actuação de actores menores, secundários na capacidade de afirmarem a região e os seus interesses. Mesmo aqueles que por razões várias adquiriram um estatuto nacional mais não fazem que lutar para a sustentabilidade da sua posição, descurando ou minimizando muitas vezes os interesses colectivos regionais, até podem ter boas razões e melhores intenções, mas a região precisa de vozes presentes, actores insistentes, referências individuais para projectos colectivos. E isso não existe neste momento. E não é exclusivo do PS.
Há lideranças locais incontestáveis e incontornáveis, mas que não conseguem adquirir uma dimensão regional, ao contrário de outras regiões.
Sem estas referência será muito difícil afirmar uma região, as suas necessidades e a apresentação de argumentos que permitam criar uma rede de desenvolvimento sustentado e sustentável que não fique atomizada a uma ou a outra localidade mas olhe a região como um todo, apesar das suas particularidades e especificidades. Não é necessário unanimismo, são necessários elementos capazes de criar pontos de consenso, nós de uma rede regional de interesses, apesar das diferenças regionais, apesar das diferenças políticas e partidárias, pois é nestas diferenças e no seu respeito que somos o que somos, alentejanos.
festarolas

este fim de semana é tempo de festas pela aldeia, em honra de Nª. Shª. da Consolação, o último fim de semana de Agosto ou os primeiros dia de Setembro, são de festa - um sítio para conhecer o programa das festas, e outras coisas da terra;
uma festa aparentemente igual a muitas outras que acontecem, neste período, um pouco por todo o país; tempo de quem regressa à terra poder desfrutar de conhecidos e amigos, de desafogo e retempero, de copos e bebes; mas também com particularidades que a distinguem de todas as outras;
a festa começou à pouco com os foguetes a assinalarem o momento, prolongar-se-á até à noite de segunda;
(imagem retirada daqui)
life itself
este livro (que me custou os olhos da cara e é o mais fiel protótipo da globalização, uma vez que efectuei o pedido na Amazon inglesa, veio de uma livraria das Américas, com selo postal de Zurique) é um maravilhoso apontamento sobre a política da vida como ela é - numa tradução livre - the politics of life itself;
através dele é possível perceber as evoluções (ou involuções) dos sentidos do poder e da subjectividade influenciados que estão pelas artes médicas;
a medicina sempre foi um dos elementos que mais influenciou a nossa percepção da vida, dos sentidos e dos sentimentos; não apenas a medicina, mas todo um conjunto de áreas que com ela se relacionam, caso da biologia (e as metáforas biológicas ainda estão muito presentes) até à área da psicanálise e psiquiatria, tendo em consideração que o entendimento da doença é uma outra forma de entender a saúde e, por seu intermédio, explicar os comportamentos e os mecanismos da sua regulação;
duro de ler, mas um prazer imenso de descobrirmos outros apontamentos de nós mesmos;
em frente
e o passado foi lá atrás...
agora é tempo de ir em frente - mas parece que está (ligeiramente) difícil arranjar quem queira ir para aquele lugar;
agora é tempo de ir em frente - mas parece que está (ligeiramente) difícil arranjar quem queira ir para aquele lugar;
quinta-feira, agosto 30
saltos
e pronto
uns poderão dizer que o tipo está ressabiado;
outros dirão que está magoado, ferido;
outros dirão que até terá alguma parte de razão;
neste momento não procuro racionalizar uma situação individual e menos ainda pessoal;
gostaria de compreender uma situação regional, de actores e interesses regionais que não se conseguem afirmar;
sejam quais forem as razões que me possam ser apontadas - de feitio, de crítica, de ser mais conceptual que operacional - há uma que não conseguirão referenciar, assenta ela nos resultados do trabalho desenvolvido; essa é intocável, na afirmação do movimento associativo, das políticas de juventude, das dinâmicas jovens, na afirmação de uma dinâmica distrital, nos resultados de cada um dos sectores do ipj/évora;
e pronto...
outros dirão que está magoado, ferido;
outros dirão que até terá alguma parte de razão;
neste momento não procuro racionalizar uma situação individual e menos ainda pessoal;
gostaria de compreender uma situação regional, de actores e interesses regionais que não se conseguem afirmar;
sejam quais forem as razões que me possam ser apontadas - de feitio, de crítica, de ser mais conceptual que operacional - há uma que não conseguirão referenciar, assenta ela nos resultados do trabalho desenvolvido; essa é intocável, na afirmação do movimento associativo, das políticas de juventude, das dinâmicas jovens, na afirmação de uma dinâmica distrital, nos resultados de cada um dos sectores do ipj/évora;
e pronto...
um esclarecimento
todos os delegados do ipj cessaram funções, fruto da entrada em vigor da nova lei orgânica;
mas apenas os alentejanos se apresentam nos seus locais de origem; todos os restantes, das restantes regiões, têm conhecimento de qual o seu futuro e que passa, na mesma pela tutela;
ainda pensei ser o único, mas o envolvimento dos delegados alentejanos deixa espaço de manobra para se poder pensar que as estruturas regionais do PS não souberam (não quiseram? não puderam?) segurar os seus elementos;
porquê? faltará uma liderança que não sendo directiva seja consensual, passível de definir ligações, nós de uma rede, capaz de construir as pontes necessárias para ligar os interesses?
faltará uma liderança que passando pela afirmação do local, seja capaz de afirmar o regional?
faltará uma linha de orientação que seja capaz de ir além do seu umbigo, dos interesses mais imediatos e seja capaz de perspectivar e, mais ainda, antecipar o futuro?
o que falta ao Alentejo para que possa defender aqueles que são são seus interesses perante o Estado Central?
mas apenas os alentejanos se apresentam nos seus locais de origem; todos os restantes, das restantes regiões, têm conhecimento de qual o seu futuro e que passa, na mesma pela tutela;
ainda pensei ser o único, mas o envolvimento dos delegados alentejanos deixa espaço de manobra para se poder pensar que as estruturas regionais do PS não souberam (não quiseram? não puderam?) segurar os seus elementos;
porquê? faltará uma liderança que não sendo directiva seja consensual, passível de definir ligações, nós de uma rede, capaz de construir as pontes necessárias para ligar os interesses?
faltará uma liderança que passando pela afirmação do local, seja capaz de afirmar o regional?
faltará uma linha de orientação que seja capaz de ir além do seu umbigo, dos interesses mais imediatos e seja capaz de perspectivar e, mais ainda, antecipar o futuro?
o que falta ao Alentejo para que possa defender aqueles que são são seus interesses perante o Estado Central?
reconhecimento
tenho de me sentir agradecido pelas atenções de que tenho sido alvo; uma espontâneas, outras mais consistentes, uma esperadas outras nem por isso;
os telefonemas foram tais que me conseguiram deitar a bateria abaixo;
apesar de tudo e por tudo, restam-me as amizades e essas são incontornáveis nestes momentos
os telefonemas foram tais que me conseguiram deitar a bateria abaixo;
apesar de tudo e por tudo, restam-me as amizades e essas são incontornáveis nestes momentos
quarta-feira, agosto 29
por um lado
até me fazem sentir importantes, isto de me dispensarem, numa altura em que os resultados do instituto falam por si, certamente porque alguém me valoriza e atribui intenções e acções que nem eu mesmo perspectivo;
já aqui o escrevi por diversas vezes, não temos a importância nem o valor que julgamos ter, mas o valor e a importância que os outros nos atribuem;
para ser dispensado numa fase em que se apela ao equilíbrio e estabilidade, só me podem estar a atribuir um valor que poderá ser útil no futuro;
saiba eu utilizá-lo...
já aqui o escrevi por diversas vezes, não temos a importância nem o valor que julgamos ter, mas o valor e a importância que os outros nos atribuem;
para ser dispensado numa fase em que se apela ao equilíbrio e estabilidade, só me podem estar a atribuir um valor que poderá ser útil no futuro;
saiba eu utilizá-lo...
e por outro
por outro saio com a consciência que procurei fazer o que pude e o que a minha consciência manda, certo da afirmação de políticas e de uma região;
região (partidária entenda-se) que, mais do que a minha pessoa, não fica lá muito bem vista, seja pela incapacidade de prender os seus próprios quadros, seja pela incapacidade de justificar as suas opções; por isso, Lisboa sobrepõe-se e afirma-se superior;
até quando;
região (partidária entenda-se) que, mais do que a minha pessoa, não fica lá muito bem vista, seja pela incapacidade de prender os seus próprios quadros, seja pela incapacidade de justificar as suas opções; por isso, Lisboa sobrepõe-se e afirma-se superior;
até quando;
e pronto
a vida é como as marés, vão e vêm, umas mais intensas que outras, outras mais frouxas, mas sucedem-se ininterruptamente, umas a seguir às outras;
esta minha maré já passou, chego ao fim de mais um ciclo da minha vida;
a minha (curta) vida política está terminada;
Setembro é tempo de reiniciar na escola, com a mesma determinação, empenho e vontade que sempre coloquei em tudo o que fiz;
só tenho pena do que não fiz, de tudo o resto, consciência tranquilo...
e pronto, chegou ao fim a minha passagem pelo IPJ;
esta minha maré já passou, chego ao fim de mais um ciclo da minha vida;
a minha (curta) vida política está terminada;
Setembro é tempo de reiniciar na escola, com a mesma determinação, empenho e vontade que sempre coloquei em tudo o que fiz;
só tenho pena do que não fiz, de tudo o resto, consciência tranquilo...
e pronto, chegou ao fim a minha passagem pelo IPJ;
terça-feira, agosto 28
frases
quase perfeitas;
que subscrevo na plena totalidade do prazer de ler um bom... blogue;
e sentir cumplicidades, conivências...
que subscrevo na plena totalidade do prazer de ler um bom... blogue;
e sentir cumplicidades, conivências...
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