quarta-feira, outubro 10

memória


ontem, quase por mero acaso, num zapping televisivo, dei com um dos episódios de uma das séries que mais me marcou, Hill Street blues, na RTP Memória;
foi uma série da qual, durante todo o tempo que esteve em cena, apenas terei perdido dois ou três dos seus episódios;
fiquei contente pelo facto de o tempo não ter passado por cima daquele conjunto de polícias e daquela esquadra; os temas permanecem actuais, pertinentes, acutilantes; a técnica de filmagem, inovadora para a época, não perdeu o seu comprometimento com o espectador, as relações ali desenvolvidas permanecem hoje como ontem plenas de emoção e envolvimento, a música tornou-se um hit parade;
foi memória...

terça-feira, outubro 9

Nobel

começou ontem, pela medicina como tradicional, a apresentação do prémio Nobel deste ano;
as categorias são várias, todas ilustres, a criarem laços de popularidade e de (maior) credibilidade aos seus ganhadores - Saramago que o diga;
este ano fui levado a questionar-me e porque é que não há um prémio Nobel da Educação? porque é que não há um prémio, reconhecido e valorizado, que destaque o trabalho, a investigação, o estudo, a compreensão do que é a Educação?
tenho conhecimento de pequenos prémios, mais de reconforto do que de reconhecimento, mais de incentivo do que de divulgação, mesmo no nosso país;
será que não faz falta um prémio da Educação?

coisas

ele há coisas neste meu país incrustado à beira mar que são difíceis de percepcionar, de entender, de perceber; talvez o defeito seja meu e pronto;
se compreendo, numa primeira fase da governação, a necessidade de se ultrapassar o ónus do diálogo a que os governos de António Guterres ficaram agarrados, já numa segunda fase, esta em que se entra em contagem decrescente para as eleições, torna-se-me difícil de entender, de perceber algumas atitudes de arrogância, de pequenas prepotências, de devaneios travestidos de democráticos;
será que há gente que confunde, no meu PS, maioria absoluta com poder absoluto? por onde pára a capacidade argumentativa, o despudor de enfrentar a crítica com outras críticas, com outras ideias, com outros argumentos? por onde param os fazedores de opinião que criem alternativas de ideias e de argumentos aos comentários que se fazem à acção política e governativa? será que, como eu, estão espantados, incrédulos, ignorantes? silenciados?
se são entendíveis, até certo ponto, um conjunto de medidas designadas de reforma, não deveriam ser também compreensíveis a presença e a argumentação de políticos e actores governativos na sua afirmação, na sua defesa, na sua negociação?
ou será que já há uns quantos a pensarem que isto são favas contadas e pouco basta fazer (por desconsideração do povinho)?
ele há coisas...

segunda-feira, outubro 8

conversas

há muito que defendo que as escolas são, em muitos dos concelhos nacionais, um autêntico alfobre de quadros e de massa cinzenta; paralelamente aos centros de saúde deverão existir poucas, muito poucas instituições por esses concelhos fora que tenham tantos quadros por metro quadrado como as escolas;
mas sempre muito mal aproveitados, sempre muito virados para a sua simples e mais directa função, como a de leccionar, como a de ocupar as criancinhas;
se é certo que santos da casa nunca fizeram milagres (gostamos muito que outros, de fora, venham dizer aquilo que um ou outro na nossa casa diz há muito) é também certo que as qualificações dos docentes se tem acentuado significativamente nos últimos anos;
vai daí e surgiu a ideia de se trocarem ideias, conversas sobre as coisas mais variadas, utilizando a prata da casa; vamos ver como corre;
mas, na minha escola, há mestres em ciências, em administração educacional/escolar, em didácticas, em tecnologias educativas e nada melhor do que trocar ideias, racionalizar práticas, trocar experiências, partilhar ansiedades e angústias sobre a nossa profissão;
é um desafio que vamos experimentar, conversas em redor da escola, com a prata da casa; não será, certamente, para muitos, mas faço votos que bons;

prova

no meio dos meus afazeres profissionais, entre o horário zero e as solicitações pelas quais acabo de ser alvo, sou a prova provada (sic) que as escolas precisam de gente docente sem horário, para apoios noutras coisas e acções;
apesar de entrar em horário zero, isto é, sem componente lectivo, acabo, bem vistas as coisas, por ter uma carga horária muito superior a um docente do meu escalão e da minha categoria;
neste momento e de modo directo, dou apoio ao primeiro ciclo (uma experiência que, para já, está a ser altamente gratificante), cumpro horário e funções na biblioteca onde elaboro (em colaboração, é certo) a newsletter da dita, coordeno projectos de 2º e 3º ciclos, dinamizo o jornal escolar, colaboro com o gabinete dos apoios educativos e ainda respondo a solicitações pontuais do conselho executivo (seja em regime de substituição, seja em regime de apoio ou colaboração);
decorre daqui que as escolas estão preparadas para as aulas, mas de momento, as suas solicitações vão muito para além disso e não estão preparadas para o efeito;
caso não se olhasse apenas e simplesmente àquela educação contábil, onde o que conta são os números, seria perfeitamente possível as escolas organizarem-se para dar uma outra resposta às solicitações e exigências, quer da comunidade, quer das próprias políticas educativas - de sucesso, de organização, de estrutura e apoio, de complementos educativos, entre muitas outras;
afinal, acabo por ser a prova que as escolas têm condições, se as deixarem, para se organizarem de um outro modo;

da ilusão

no âmbito do meu projecto de investigação, tenho entrevistado professores sobre as suas considerações relativamente às alterações do sistema educativo;
tenho procurado aqueles docentes que, por uma ou outra razão, há mais tempo estão na escola; e tenho tido a felicidade de referenciar elementos que ali estão desde os anos 70;
nas suas considerações sobre as modificações do sistema, há uma ideia que atravessa, de modo mais ou menos expresso, os diferentes docentes, a de desilusão; logo após o 25 de Abril de 1974 todos pensavam mudar o mundo, o sistema, trabalhar com e para a comunidade, formar outro tipo de cidadão, outras mentalidades, outras lógicas;
passado o tempo o que encontro situa-se entre a conformidade (funcional) e a resignação do fim das ilusões;
e isto é grave, pois a profissão de professor não vive sem ilusões;

domingo, outubro 7

e exprimo-me

desafiam-me para comentar a transferência de um serviço para Beja;
nada mais triste quando a análise social e institucional é feita em contabilidade de mercearia, de um deve e de um haver, de uma perda e de ganhos;
lá ficam uns todos contentes por que retiraram algum do protagonismos aos de sempre; lá ficam os de sempre, entalados entre uns e outros; lá ficam outros a contabilizar o que perderam;
esta é uma das razões pelas quais afirmo que o Alentejo está sem rei nem roque; há serviços para todos, há espaços para todos; saibam os actores regionais entenderem-se (coisa que não tem sido possível nem fácil) e o Alentejo ganharia mais do que simples contas de aritmética entre quem perde e quem ganha;
olhe-se o centro, olhe-se o Norte, para percebermos como tem sido feita a gestão da coisa pública para perceber que quem manda é quem lá está, que as imposições não se toleram, negoceiam-se, que entre 6/7 distritos (caso da zona centro) quem tem perdido, nesta legislatura, tem sido o Alentejo;

sexta-feira, outubro 5

do professor

hoje é dia do professor;
as cerimónias da República tiveram a particularidade de associar duas comemorações que, cada qual a seu modo e a seu tempo, marcam gerações, provocam revoluções, conduzem a alterações;
a República mudou o país para que o país pudesse continuar (quase) na mesma; a educação, a acção dos professores forma gentes e mudam ideias, constróem pessoas e definem rumos de um país para que, progressiva e muito lentamente tudo mude, tudo se transfigure;
a escola e consequentemente os professores, sofrem dos males do crescimento, da massificação, da democratização; todos julgam e consideram oportuno um qualquer juízo de valor, uma qualquer opinião, um qualquer comentário sobre esta acção, sobre esta profissão; ou por que se simpatiza com o professor, ou por que a sua acção foi assim ou cozido, há sempre uma qualquer razão; além do mais (quase) todos por lá passámos e nos julgamos e consideramos conhecedores do mundo, da coisa educativa;
é uma profissão que se assume em diferentes vertentes, desde as de vocação (qual carreira eclesiástica), às mais instrumentais (é para ensinar a aprender a ler, escrever e contar), ou mais tecnocráticas (preparar para o mundo do trabalho) há de tudo um pouco;
mas o maior encanto desta profissão é ver, é sentir as pessoas a crescerem, a afirmarem-se na sua autonomia, na defesa das suas ideias e do seu pensamento;
por que é um confronto diário, sempre inesperado e surpreendente, quem gosta gosta mesmo daquilo que faz, das correrias nos corredores, dos gritos dos jovens, dos argumentos impertinentes, da troca de ideias afirmativas de todas as certezas, da permanente negociação, do permanente confronto;
por um lado, é pena a coincidência do dia do professor com a República, permitira um outro destaque a uma profissão tão vilipendiada; por outro, é uma sorte esta associação, por que de revoluções se trata;

quinta-feira, outubro 4

sangria

um outro comentário que apreciei, volto a repetir, ainda que não tenham sido essas as intenções, refere-se à região e à sua história política e social;
se há coisas onde posso dizer que conheço, ainda que minimamente (ao contrário do comentário), é a história política e social desta minha região;
a minha (de)formação inicial (em História) deixa um lastro significativo da qual não posso nem me quero separar, vai daí as leituras, o conhecimento, a informação e a curiosidade têm determinado muito daquilo que digo e escrevo sobre esta minha região;
ao contrário do comentário, re-afirmo que a história tem sérias implicações no devir político e social da região;
sempre fomos muito subservientes; de tal modo que, para evitar o seu sentimento negativo, isto é, de lutarmos e nos insurgirmos contra a situação, simplesmente saímos daqui; ou por opção, à procura de melhores condições de vida ou por imposição, política e social - é certo que esta predominou em determinado período da nossa história, entre os anos 50 e 70 do século passado;
a questão que hoje se nos coloca não é essa, antes pelo contrário; é a capacidade de atrairmos quem de cá saiu; e esta passa por uma ideia de qual o papel da região no contexto nacional;
se é certo que pelo predomínio que o PCP tem tido tem sido um obstáculo a uma afirmação social e política regional, também é certo que a ausência de ideias dos lideres socialistas regionais (Beja, Évora e Portalegre) tem sido um outro impedimento à afirmação regional; o degladiar de reivindicações, a luta fréticida de pelouros, a negociação sempre periclitante dos pequenos poderes têm determinado um claro e assumido desequilibrio entre os três distritos;
o facto de cada um deles ter à frente, partidariamente, elementos carentes de uma formação cívica e social que permita ultrapassar os pequenos ditames circunstanciais tem ditado o resto;
o Alentejo é hoje uma região sem rei nem roque, sem orientação e sem ideias, sem papel nem protagonismo, sem actores próprios nem vontade própria;
e isto é, no meu entender, o mais grave que se coloca a esta região;
não apenas pelos equilíbrios que o PCP procura estabelecer em função dos seus interesses, mas do próprio PS (na qual me reconheço) enleado em interesses mais pessoais e fulanizados que regionais e colectivos;
o PSD pouco tem contado e, pelo que nos é dado ver, pouco contará nesta afirmação;
o que nos resta? quem sobra desta sangria imposta e forçada? que papel queremos nós Alentejanos assumir? queremos ser, como sempre, mandados ou queremos mandar no nosso devir?
há elementos, pessoas, actores e protagonistas que se esquecem desta mensagem ou que, simplesmente, estão demasiadamente embrenhados na coisa política e se esquecem dos pequenos (mas determinantes) pormenores;

a construção do aluno

começo pela construção do aluno;
o comentário deixado é de todo em todo pertinente, ainda que possa não ter sido essa a intenção nem o objectivo;
ao tratar a questão da disciplina e não a da indisciplina na escola, vou exactamente à procura dessa dimensão da construção não apenas do aluno mas do próprio cidadão;
se é certo que o Estado Novo procurou e inculcou uma determinada ideia de aluno e de cidadão, a democracia não lhe ficou isenta e tem procurado, de acordo com os seus objectivos e as finalidades que se lhe encontram inerentes, definir um dada ideia de cidadão; os discursos em redor da autonomia das escolas, do sucesso educativo ou simplesmente do papel da escola a tempo inteiro ou do tal plano tecnológico, são disso exemplo e consideram a escola enquanto elemento instrumental ou funcional na acção discursiva - e política;
a questão que se coloca é a de que a uma ideia de escola corresponde, inevitável e incontornavelmente, uma ideia de sociedade e, por seu intermédio, uma ideia de qual a posição, a atitude e os valores que o aluno, enquanto futuro cidadão, deve veicular, para o qual deve estar preparado;
o Estado Novo teve a particularidade de preparar o cidadão como se não precisasse da norma, levando à própria construção interna da norma, enquanto preceito individual, natural e não enquanto imposição; é por isso que muitas dessas normas ainda hoje vigoram, quase que subliminarmente - naturais, normais;
ora a ideia que procuro tratar passa exactamente pela ideia de cidadão que a escola, por intermédio de uma dada ideia de disciplina escolar, tem veiculado enquanto imagem do cidadão, da pessoa, da democracia; nesta construção cruzam-se saberes (sociais, políticos, educativos, médicos, entres outros) que acabam por ter sérias implicações nos currícula, nos instrumentos de regulação dos comportamentos individuais;
é esta construção do aluno, enquanto futuro cidadão, que, apesar de poder soar muito a Estado Novo (e aqui o comentário tem toda a pertinência) faz sentido perceber como tem influenciado as políticas educativas e definido o papel da escola e da acção docente neste contexto;
obrigado pelo comentário;

comentários

há dois comentários deixados em ideias atrás que, apesar de visarem outros objectivos, considero de todo em todo pertinentes na ideia que deixam e, essencialmente, naquilo que lhes fica implicito;
apesar de não comentar comentários anónimos, não resisto a aprofundar a ideia, ou as ideias, que são trocadas;
sempre é uma forma de enriquecer a minha pobre, triste e errática escrita;

quarta-feira, outubro 3

do acessório

das reuniões que tenho tido na escola, e têm sido muitas, destaco a perda de tempo que se efectua a falar daquilo que considero como acessório;
em reuniões com três ou quatro pontos de ordem de trabalho, onde o primeiro é informações e o último outros assuntos, gastam-se horas; no meio, naquilo que seria efectivamente o cerne da questão o core da reunião, passa-se de fugida;
as conversas cruzam-se em enredos de desvios de atenção, de inércias de indiferença perante o que se discute;
é uma diferença que sinto, daquilo que designo como economia de uma reunião, tentar perceber quanto tempo se despende com cada um dos assuntos; um conselho pedagógico que passa três horas a trocar ideias administrativas e meia hora a trata de assuntos marcadamente pedagógicos; uma reunião de departamento, que passa duas horas a tratar da correspondência que chegou e pouco menos de 15 minutos a falar de articulação curricular ou de modelos de avaliação;
os trejeitos de quem conduz as reuniões enformam da função que exercem, são muito professorais, exemplificativos, procuram descrever, por vezes minuciosamente, determinados pontos para os quais (pretensão minha) seriam suficientes duas ou três palavras (para bom entendedor...);
as imposições normativas e regulamentares que são impostas às escolas e ao trabalho docente carecem ainda que tempo e de outros modus de organização para que se possa rentabilizar o trabalho dos professores, que a maioria designa como administrativo por que pretensamente se desvia da sala de aula;
são coisas do acessório...

balanço

ao fim de uma semana e de ter percorrido todas as turmas de 4º ano no trabalho que com elas desenvolvo será ainda prematuro definir um balanço, mas há ideias que se destacam;
os primeiros momentos foram péssimos; o meu hábito, o ritmo e a dinâmica de grupos estava muito (ou totalmente) orientado para a relação com alunos de 3º ciclo, o confronto com alunos de 1º ciclo implicou a necessidade de repensar a minha própria dinâmica de grupos, redefinir estratégias e metodologias;
é uma descoberta, esta a que faço com turmas de 1º ciclo;
passado o primeiro impacto, corrigidas as orientações e as coisas até não têm corrido mal; gratificante do ponto de vista dos afectos, mais dependentes do que a pretensa frieza que os mais velhos procuram incutir, mediante uma pretensa relação mais distante, mais formal;
mas há ritmos manifestamente diferentes entre ciclos; e estou a aprender bastante [incluindo a escrever];

périplos


procuro-me concentrar, focalizar na escrita que tenho de desenvolver, mas, de quando em vez, efectuo desvios, dou por mim a cirandar de um lado para o outro;
ele é mais um artigo, um apontamento, uma referência, ele são tantas as coisas que me desviam que está difícil dar o pontapé de saída para a escrita obrigatória; talvez também por carência de mais leituras, do reforço das ideias;
hoje, a partir do Terrear, foi mais um apontamento sobre (in)disciplina (abre em pdf); interessante, mas não inédito, na utilização da teoria de B. Bernstein; reforça-se a ideia que a normalidade não é comum a todos, o que é normal para uns num momento, pode não o ser num outro momento, nem para outros no mesmo momento; as situações de indisciplina variam em função de circunstâncias, contextos, momentos, sensações, relações, entre muita outra coisa; a própria definição apontada é ainda muito funcionalista, isto é, aponta para as funções definidas por uma relação;
vai daí e a minha proposta é a de estudar a disciplina na escola, mais difícil de definir e de delimitar, mas mais interessante sob o ponto de vista da construção do aluno e da pessoa e das relações estabelecidas em contexto educativo;

segunda-feira, outubro 1

professores e desemprego

numa altura em que às escolas é solicitada a ocupação dos tempos livres dos alunos, em que aos professores crescem as solicitações e as exigências (de acompanhamento, de apoio, de organização, de extensão de funções) é caricato darmos com estas notícias;
as escolas continuam organizadas (por força das orientações de política educativa e por inércia docente) como há trinta ou mais anos; as escolas são espaços de aula e pouco mais;
quando se exige e determina que o aluno não seja retido, que os professores planifiquem, organizem, estruturem apoios e acções, quando se apela a uma maior relação escola-meio porque não criar condições para que outros quadros (mesmo que docentes) possam apoiar a escola? servir de elementos de ligação turma-família-meio? estruturar acções extra-curriculares? definir outros campos de acção educativa? o cruzamento entre educação formal e educação não formal? estruturar os apoios educativos, sociais e curriculares?
apelar a que sejam sempre os mesmos a fazer mais é não apenas não perceber o que é ser professor, como é ter uma ideia escassa, curta e restrita da escola e da educação;
a "educação contábil" tem de ir não apenas à eficácia da acção escolar mas à organização do sistema, conferindo às escolas a possibilidade de uma outra organização;
se assim fosse, provavelmente o sistema custaria mais ao erário público, mas os proveitos seriam substancialmente maiores e existiram menos professores desempregados;
são opções de política educativa; são opções nacionais;

domingo, setembro 30

quase


dias imperfeitos, pela chuva, pelo desconforto que a mudança de estação sempre nos confere e que, quase de repente, se torna quase, quase perfeito;
aqui dentro, entretenho-me nas coisas que gosto, ler, navegar, escrever e ouvir música que dá o toque surpreendente da perfeição;
oiço Hendel, sonata para cravo e piano;
dias imperfeitos que são quase perfeitos;

insisto

e persisto na afirmação
são estas ideias, expressas num jornal regional, defendidas por diferentes actores político-partidários, argumentadas pelas populações e suportadas pelas acções que o Alentejo, algum Alentejo e alguns alentejanos, não conseguem, não querem não podem fazer;
começo-me a convencer que a história política e social desta região, sempre subserviente, persiste e insiste nos modos e nas acções, ainda que com outros modos e outros protagonistas;
a sério?

sábado, setembro 29

metodologias


Na Aragem fresca do Norte, trocam-se ideias em redor da formas e dos modos de se aprender;
dou, à distância, o meu contributo, numa peça que ontem referenciei;

Considerando que a metodologia actual se afasta dos esquemas livrescos tradicionais;
considerando que os compêndios devem ser utilizados sem prejuízo das técnicas modernas da didáctica, viradas para a aprendizagem e não para a memorização;
considerando que ainda que o espírito científico é, por definição, o espírito de pesquisa e não o da facilidade do "já aprendido", determino:
1. que os docentes procurem utilizar apenas compêndios de tipo tradicional quando haja manifesta impossibilidade de recorrer a outro tipo de apoios;
2. que continue a utilizar-se a documentação distribuída por este Ministério a qual supõe a metodologia activa que importa desenvolver;
o Secretário de Estado da Orientação Pedagógica, Romero de Magalhães;


não conhecem o senhor, não é? pensam que troquei o nome da secretaria de estado?
não senhor, nada disso; o texto refere-se ao despacho n.º 103/76 de 4 de Novembro de 1976;

surpresa


tenho que reconhecer alguma surpresa na vitória eleitoral de Filipe Menezes, pensava que o estabelecido poderia sair vencedor, ainda que as críticas, durante a campanha interna, tenham sido certeiras e cáusticas para a liderança;
depois desta vitória, algumas questões, de sublinhado socialista;
como reagirá o PS (e o governo) a uma crítica que se perspectiva aguda e intensa?
como se recolocarão as hostes, fruto dos receios, das ansiedades e dos realinhamentos da oposição?
quando as comadres se zangarem, que verdades se descobrirão?
apesar de Marques Mendes ser (também) um homem do norte, mas excessivamente lisboeta, como se poderá perspectivar o arrumar de ideias entre o Norte e Lisboa nas disputas do PSD (e do país)?
em termos locais/regionais como se (re)organizará o PSD (e como sairá desta re-organização) uma vez que os lideres locais assumiram uma posição, hoje perdedora?
qual ou quais poderão ser as implicações locais/regionais deste realinhamento de forças e de equilíbrios de posição?
a estas, e a outras questões, o tempo se encarregará de responder;
mas perspectivo uma, assente no receio e em alguma sobranceria, a de que alguns lideres do PS até tenham ficado contentes e se regozijem com esta vitória e façam parecer que tudo está bem; será????

quinta-feira, setembro 27

distâncias

nos tempos que correm as distâncias acentuam-se entre o que pensamos e queremos fazer e o que podemos ou nos deixam fazer;
talvez tenha sido sempre assim, mas, nos últimos anos, no último quartel do século XX, acentuou-se a ideia (e a expectativa) que podíamos influir na mudança, na alteração das coisas, que nós, cidadãos, pessoas, tínhamos voto na matéria, que éramos capazes de influir e intervir na sociedade; nomeadamente naquilo que considerávamos (bem ou mal) desajustamentos, injustiças, precariedades;
a democracia participativa parecia ganhar terreno; sucederam-se os fóruns, as assembleias, a participação (cívica, de cidadania), as tertúlias, os botequins;
já não recuo aos anos 60 onde se pensava, para além de mudar a sociedade, (re)criar o mundo; fico-me pelos anos 80/90, mais próximos, dos quais (quase) todos temos memória viva;
não era contra nada nem contra ninguém, apenas pela vontade de corrigir as injustiças, de nos sentirmos a participar na estonteante mudança dos tempos;
pelo contrário, recentemente parece que nos ficamos pelas intenções, que somos tolhidos pela inércia, que ficamos condicionados, por outros, por algo ou por alguém, na capacidade de intervir e agir, que somos coartados pela insinuação;
será que se confirma a oligarquia democrática?
será que estamos em tempos de uns que se sentem esvair mas que teimam e persistem em condicionar os outros?
será que temos, efectivamente, fantasmas que nos corrompem os movimentos e cerceiam os pensamentos?
será que os tempos, afinal, não mudaram que uns (poucos) continuam a mandar nos outros (nos muitos)?
qual a nossa capacidade individual de participação?
qual o espaço reservado aos fóruns de cidadania?