domingo, setembro 30

quase


dias imperfeitos, pela chuva, pelo desconforto que a mudança de estação sempre nos confere e que, quase de repente, se torna quase, quase perfeito;
aqui dentro, entretenho-me nas coisas que gosto, ler, navegar, escrever e ouvir música que dá o toque surpreendente da perfeição;
oiço Hendel, sonata para cravo e piano;
dias imperfeitos que são quase perfeitos;

insisto

e persisto na afirmação
são estas ideias, expressas num jornal regional, defendidas por diferentes actores político-partidários, argumentadas pelas populações e suportadas pelas acções que o Alentejo, algum Alentejo e alguns alentejanos, não conseguem, não querem não podem fazer;
começo-me a convencer que a história política e social desta região, sempre subserviente, persiste e insiste nos modos e nas acções, ainda que com outros modos e outros protagonistas;
a sério?

sábado, setembro 29

metodologias


Na Aragem fresca do Norte, trocam-se ideias em redor da formas e dos modos de se aprender;
dou, à distância, o meu contributo, numa peça que ontem referenciei;

Considerando que a metodologia actual se afasta dos esquemas livrescos tradicionais;
considerando que os compêndios devem ser utilizados sem prejuízo das técnicas modernas da didáctica, viradas para a aprendizagem e não para a memorização;
considerando que ainda que o espírito científico é, por definição, o espírito de pesquisa e não o da facilidade do "já aprendido", determino:
1. que os docentes procurem utilizar apenas compêndios de tipo tradicional quando haja manifesta impossibilidade de recorrer a outro tipo de apoios;
2. que continue a utilizar-se a documentação distribuída por este Ministério a qual supõe a metodologia activa que importa desenvolver;
o Secretário de Estado da Orientação Pedagógica, Romero de Magalhães;


não conhecem o senhor, não é? pensam que troquei o nome da secretaria de estado?
não senhor, nada disso; o texto refere-se ao despacho n.º 103/76 de 4 de Novembro de 1976;

surpresa


tenho que reconhecer alguma surpresa na vitória eleitoral de Filipe Menezes, pensava que o estabelecido poderia sair vencedor, ainda que as críticas, durante a campanha interna, tenham sido certeiras e cáusticas para a liderança;
depois desta vitória, algumas questões, de sublinhado socialista;
como reagirá o PS (e o governo) a uma crítica que se perspectiva aguda e intensa?
como se recolocarão as hostes, fruto dos receios, das ansiedades e dos realinhamentos da oposição?
quando as comadres se zangarem, que verdades se descobrirão?
apesar de Marques Mendes ser (também) um homem do norte, mas excessivamente lisboeta, como se poderá perspectivar o arrumar de ideias entre o Norte e Lisboa nas disputas do PSD (e do país)?
em termos locais/regionais como se (re)organizará o PSD (e como sairá desta re-organização) uma vez que os lideres locais assumiram uma posição, hoje perdedora?
qual ou quais poderão ser as implicações locais/regionais deste realinhamento de forças e de equilíbrios de posição?
a estas, e a outras questões, o tempo se encarregará de responder;
mas perspectivo uma, assente no receio e em alguma sobranceria, a de que alguns lideres do PS até tenham ficado contentes e se regozijem com esta vitória e façam parecer que tudo está bem; será????

quinta-feira, setembro 27

distâncias

nos tempos que correm as distâncias acentuam-se entre o que pensamos e queremos fazer e o que podemos ou nos deixam fazer;
talvez tenha sido sempre assim, mas, nos últimos anos, no último quartel do século XX, acentuou-se a ideia (e a expectativa) que podíamos influir na mudança, na alteração das coisas, que nós, cidadãos, pessoas, tínhamos voto na matéria, que éramos capazes de influir e intervir na sociedade; nomeadamente naquilo que considerávamos (bem ou mal) desajustamentos, injustiças, precariedades;
a democracia participativa parecia ganhar terreno; sucederam-se os fóruns, as assembleias, a participação (cívica, de cidadania), as tertúlias, os botequins;
já não recuo aos anos 60 onde se pensava, para além de mudar a sociedade, (re)criar o mundo; fico-me pelos anos 80/90, mais próximos, dos quais (quase) todos temos memória viva;
não era contra nada nem contra ninguém, apenas pela vontade de corrigir as injustiças, de nos sentirmos a participar na estonteante mudança dos tempos;
pelo contrário, recentemente parece que nos ficamos pelas intenções, que somos tolhidos pela inércia, que ficamos condicionados, por outros, por algo ou por alguém, na capacidade de intervir e agir, que somos coartados pela insinuação;
será que se confirma a oligarquia democrática?
será que estamos em tempos de uns que se sentem esvair mas que teimam e persistem em condicionar os outros?
será que temos, efectivamente, fantasmas que nos corrompem os movimentos e cerceiam os pensamentos?
será que os tempos, afinal, não mudaram que uns (poucos) continuam a mandar nos outros (nos muitos)?
qual a nossa capacidade individual de participação?
qual o espaço reservado aos fóruns de cidadania?

modernidade, burocracia e pdagogia

um excerto (abre em pdf) excelente para uma outra visão/compreensão dos tempos educativos;
aguarda-se a publicação;

entre o inferno e o céu

ele há coisas ...
quando nos pensam fazer mal e nos corre bem; quando nos querem prejudicar e ficamos melhor, quando nos procuram fazer mal e nos fazem bem...
ele há coisas que mais parece uma volta ao contrário;

quarta-feira, setembro 26

desafios


hoje deverei iniciar um novo desafio educativo, uma oportunidade que, provavelmente, tão depressa não repetirei;
irei, em princípio, iniciar os apoios ao 1º ciclo do ensino básico;
na falta de outro recurso, foi-me solicitada esta colaboração; respondi afirmativamente com todos os receios inerentes a um outro desafio, ao relacionamento e conhecimento de uma realidade que me está algo afastada;
tenho preparado materiais, pesquisado informação que possa ser útil, tentado pensar em desafios para os alunos;
é um desafio, vamos ver como me saio;

à janela


está aqui ao lado uma ligação que se me tornou passagem obrigatória, o diário de um professor catedrático cá da terra, "diário de uma cátedra à janela";
à partida podia - e assim está exposto no editorial - ser mais um apontamento de registo diário, entre a acção pessoal e o pensamento público;
mas, considero que vai além disso e é uma óptima base para percebermos um outro ponto de vista sobre este nosso contexto, a cidade, a região e as políticas educativas;
não tive oportunidade de ser aluno do professor, mas fui aluno da esposa, com quem mantenho uma relação cordial e simpática;
agora é a possibilidade de (re)descobrir outros olhares sobre a coisa educativa, nomeadamente a universidade, e o seu papel no contexto regional - é pena ser dos poucos a assumir, publicamente, esta faceta;
ao contrário de outros não faz uma autocentração exagerada e abusiva; parte dessa centralidade pessoal para pensar (e colaborar no pensamento) regional e educativo;
passagem obrigatória diariamente;

subidas e descidas


neste meu espaço tenho consciência, de entre várias coisas, de duas situações;
por um lado, que sempre que escrevo sobre política lá sobem os acessos e as páginas vistas;
por outro, que escrevo em face dos meus contextos;
já aqui o escrevi por várias vezes, que sou eu e o meu contexto; não me consigo desmarcar, desligar daquilo que me rodeia, do meu mundo ou, como alguns diriam, do meu umbigo;
é esta relação umbilical que determina muito do que escrevo, seja sobre a escola, a política ou a região, os meus mundos;
agora gosto mais de escrever sobre a escola, a minha escola, sobre aquilo que me rodeia e enleia, onde me sinto envolvido e activo;
tudo o resto aparece quase por mero acaso, resultados fortuitos dos dias que passam;
mas sentem-se os seus reflexos nas subidas e descidas do contador;

terça-feira, setembro 25

deixem-nos trabalhar

às páginas tantas sinto-me confrontado entre o desejo de se fazer e de se construir localmente a escola e os desejos do ministério de tudo controlar, emanar, regular, regulamentar;
as orientações do ministério mais não são que considerações que fogem a contextos, que procuram a uniformização estereotipada e desarticulada de uma realidade que há muito é diversa, heterogénea, multiforme;
entre as orientações e as políticas fazem-se sentir contradições e expectativas; contradição porque se definiu uma escola a tempo inteiro, expectativas de não sobrecarregar o aluno, menor de idade, frágil na acção, delicado na consideração;
em que ficamos?

horários

se é certo que existem acertos e construções acordadas, também é certo que existem opções que valorizam o aluno e os interesses da comunidade;
as notícias dão conta dos horários dos professores feitos a pensar nos professores, apontando a excessiva carga horária dos alunos;
será que se esquecem que a carga horária, decorrente de uma estrutura curricular nacional, homogénea e uniforme, é definida pelo ME?
será que se esquecem que existe uma política designada de "escola a tempo inteiro" que mais não é que ocupar todo o tempo do aluno em jornada continua?
será que se esquecem que os números crescem, como a senhora ministra teve oportunidade de referir, e os espaços se mantém?
será que se esquecem que existem políticas de integração escolar, de agrupamentos de escolas, de diversificação de ofertas e que têm de ser integradas no horário do aluno?
talvez sejam esquecimentos a mais para serem apenas casuais, mas é importante dar conta de outras racionalidades inerentes ao trabalho docente e à organização da escola;

segunda-feira, setembro 24

agir ou reagir

eis a questão que se coloca, na generalidade dos casos, aos diferentes partidos políticos, àqueles que assumem processos de liderança e de orientação partidária;
os próximos tempos, que se estenderão, grosso modo, deste Outono à próxima Primavera, irão ser determinantes na (re)configuração de forças, no arregimentar de espingardas, no contar dos parceiros e na identificação dos adversários;
mais que projectos, mais que ideias, mais que propostas serão fundamentais, nos próximos tempos, perceber os modos de organização da acção política que irá conduzir a 2009 e às eleições que aí decorrerão - legislativas e autárquicas;
será este processo, conduzido de forma clara ou por intermédio de insinuações encapotadas, que determinarão muito do sentido de voto e das opções que se apresentarão;
tudo isto para destacar o artigo de hoje de Manuel Maria Carrilho; tal como outros pode estar comprometido politicamente, mas tem uma capacidade de análise e de prospectiva política que poucos se atrevem a considerar, pelo menos publicamente;
e a situação exposta não tem apenas contornos nacionais; é perfeitamente extensível ao contexto regional e local onde o PS se terá de assumir - ou por aquilo que localmente sempre foi ou por aquilo que pública e politicamente é reconhecido;
agir ou reagir, eis a questão;

conhecimento


para quem gosta da escola e de perceber como as coisas se organizam e combinam, deixo, para apreciação, duas ligações que podem ser interessantes;
o know and pol tem a particularidade de cruzar conhecimento e decisão política e de nele me enquadrar no projecto de investigação que procuro desenvolver;
o new modes of governance a particularidade de cruzar instrumentos e formas/modelos de governação;
se o primeiro está directamente relacionado com a educação, o segundo já necessita de contextualização, considerando que tem como fóco as áreas da saúde e da economia;
um e outro têm como contexto a União Europeia, elemento determinante nos arranjos que os sistemas vão tendo, fruto de orientações, umas reguladoras outras mais regulamentadoras da acção pública;

domingo, setembro 23

portefólio


O Miguel pergunta, a propósito da ideia do portefólio como instrumento de avaliação docente, "E quem avalia esse documento? O delegado de grupo (titular ou não)? O PC Executivo? A Inspecção? Quem tem competência e que competência deve ter para avaliar?";

apesar de considerar que santos da casa não fazem milagres, considero que deveria ser o conselho pedagógico a definir a equipa de avaliação, procurando respeitar três vértices essenciais ao sistema, os pares de docentes (da área ou de fora dela, mas pares docentes), a comunidade (por intermédio da associação de pais, dos conselhos municipais de educação ou pela simples e pura participação comunitária) e as estruturas do conhecimento, nomeadamente instituições da formação contínua (centros de formação, universidades, politécnicos);
concordo com o pressuposto que a avaliação dos docentes deverá levar em consideração o projecto educativo de escola, ora será por intermédio deste que se configurarão as competências a avaliar e, acima de tudo, as legitimidades de avaliação;

chamo a atenção para o facto de esta minha reflexão não decorrer de um pensamento profundo sobre a temática; pelo contrário, apenas pretendo apresentar outras alternativas ao modelo instituído (apresentado) pelo ministério, na tentativa de não me ficar pela crítica, procurando contrapor alternativas;

políptico avaliativo

seria, no meu entender, muito mais lógico que se assumisse o políptico discursivo, de práticas e de concepções que se confrontam na escola;
como? por intermédio de uma reflexão crítica que permitisse respeitar especificidades e contextos, lógicas e racionalidades;
reflexão crítica assente, por exemplo, num portefólio do professor, onde pudessem ser perspectivadas as opções, os objectivos, os contextos, os meios e as soluções;
seria de maior dificuldade de uniformização, é verdade, mas respeitar-se-iam contextos, percursos, pensamentos, modelos e concepções que prevalecem nas escolas;

compreender a avaliação


decorrente de algumas arrumações do meu espaço tive oportunidade de reencontrar um livro de meados de 2006 deveras interessante e pertinente para a discussão em torno das questões da avaliação - sejam elas dos professores, dos alunos ou da escola;
num capítulo do livro, L. Lima defende a tese que "toda e qualquer acção de avaliar em contexto escolar baseia-se numa concepção organizacional da escola, implícita ou explícita, que ao instituir um determinado quadro de racionalidades permite definir a natureza dos objectivos e das tecnologias, estabelecer relações entre meios e fins e entre estrutura e agência, legitimar determinados processos de planeamento e de decisão, bem como a inclusão/exclusão de certos actores nesses processos (...)";
ora o que considero que está em causa na proposta apresentada de avaliação do corpo docente, é uma clara mistura entre meios e fins, relegando para plano meramente secundário quem é alvo da avaliação, quantificando situações de duvidosa classificação e olhando a função docente como se "educação contábil" (define a educação que conta em função do carácter contável, mensurável e comparável dos resultados educativos produzidos) se tratasse;

sábado, setembro 22

alfazema


depois de algum do spam, este espaço ficou a carecer de alguma flor de algum melhor cheiro;
deixo a imagem da alfazema do jardim; a oportunidade de iluminar o espaço e torná-lo mais apetitoso e cheiroso;

engulhos

isto de andar a querer investigar, tal como é exigido num processo de doutoramento, e trabalhar tem as suas coisas e os seus engulhos;
ontem tive a oportunidade de me cruzar com duas colegas que, como eu, andam neste processo;
uma equaciona desistir, fruto das assumidas dificuldades de conjugar o processo de investigação com a profissão e a família; outra, ao fim de praticamente dois anos de trabalho e de ter apresentado um projecto que se encontrava claramente estruturado e orientado ter optado por refazer tudo e regressar à estaca zero, ao ponto de partida;
não é fácil a gestão destes processos fora dos meios académicos e do seu enquadramento universitário;
requer organização e concentração, focalização e rigor;
ao contrário das colegas agora sou eu que tenho espaço e tempo, oportunidade e benefícios para me dedicar a este enredo;
lá para finais de 2009 se dirá de sua justiça;

avaliação e uniformidade

ora cá está uma das razões pelas quais a blogosfera é um espaço interessante e pertinente.
a partir de uma entrada de Paulo Guinote, a oportunidade de conhecer as famosas grelhas de avaliação do pessoal docente - espero que em versão de discussão (?);
nada tenho contra a avaliação; pelo contrário, considero que pode ser um instrumento interessante na regulação das práticas educativas na relação da escola com a comunidade;
mas o que nos é apresentado está longe desse figurino e dessa pretensão; o Ministério persiste em trocar e baralhar meios e fins, sejam os da educação e do trabalho docente, sejam os da própria avaliação; a divisão ali apresentada não deixa dúvidas para a mistela que é produzida com a agravante de ali se quererem colocar todas e mais alguma situação, as de Lisboa com as de Barrancos, as de Coimbra com as de Beja, as de Évora com as de Tordosendo, etc; não tem sentido, é quer uniformizar, por via do processo de avaliação, as práticas e os procedimentos educativos e pretender que todos, independentemente dos contextos e das circunstâncias (da escola, dos alunos, das comunidades) procedam do mesmo modo e da mesma maneira;
é tão estúpido quanto considerar que o sistema é igual de uma ponta à outra;