tenho andado sem grande apetite para a escrita;
entre dizer banalidades e estar ausente, opto pela ausência;
fico consciente que não comprometo nada nem ninguém, nem me estendo por onde não devo;
apetites;
sexta-feira, agosto 24
terça-feira, agosto 21
d. sebastião

não gosto de mitos, menos ainda daquele que nos consome, a nós povo português, desde o século XVI, o mito de D. Sebastião, aquele que partiu e que, um dia, regressará para recuperar o brilho, a aura e a glória de outrora;
é um sentimento que nos entorpece, nos bloqueia, nos desculpabiliza sem desculpa;
reconheço (quem sou eu para uma afirmação destas, mas tábem) competência e algum currículo ao novo treinador do glorioso; mas o regresso ao passado corre o risco de se ficar pelos sonhos, pelas expectativas, pelos anseios;
talvez sirva para, uma vez mais, reforçar o contrário que de Espanha...
a ver vamos...
3ª feira

a 3ª feira é um dia típico, tradicional da cidade de Évora;
maravilhosamente descrito por Virgilio Ferreia, n' A Aparição, era (será ainda?) reservado às deslocações dos arredores à cidade; dia de mercado, de gado, que lhe valeu o epiteto de dia de s. porco - um mimo "carinhoso" das gentes da cidade;
o pessoal trocava de local consoante a sombra; de manhã junto ao Arcada, o único grande café de outrora, de tarde deslocavam-se para a outra banda;
ainda persistem muitas remeniscências deste dia; mas a tradição já não será o que era;
segunda-feira, agosto 20
pôr do sol
perfil


...
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não são apenas as portas alentejanas que me fascinam, também o perfil das cidades me despertam curiosidade, gozo;
parece que os prédios, as casas cresceram encostadas umas às outras, como a ganhar espaço de crescimento, para olhar mais perto o Sol e apenas cresceram por ali por que era por ali que podiam crescer;
é uma das razões pelas quais gosto mais do sul da Europa do que do Norte; no Sul os perfis são sempre diferentes, não há uma geometria idêntica, quanto muito poder-se-á dizer que há uma geometria variável, enquanto no Norte da Europa as silhuetas são, pelo menos, parecidas, comuns;
ligações

progressivamente vou dando conta (e referenciando) espaços de diálogo e conversa sobre a cidade de Évora;
depois de um aparente auge, ocorrido nos primórdios da blogosfera nacional (meados de 2003) onde os blogues sobre Évora proliferaram - e deram oportunidade a uma agradável troca de ideias, seguiu-se-lhe um período de algum (digo eu) desencanto, saturação ou simplesmente alheamento;
permaneceram (entre o nado morto e o sobrevivente moribundo) alguns blogues, mais de cariz adolescente do que de outra coisa; como ainda procuraram algum espaço outros assentes no anonimato, entre o maldicente e o corte e a costura alheia;
dou com o aparecimento de blogues (nem todos são novos) que procuram a notícia, a troca de ideias, a opinião sobre as coisas da cidade;
referencio aqueles que não receiam a sua identificação e não escondem as suas ideias atrás do anonimato fácil;
fazem falta e tardam apenas por tardios na sua afirmação;
de saída
portas do Alentejo


Dublin, capital irlandesa, tem as suas Dublin Doors, que faz com que cada rua seja um regalo à vista;
o Alentejo não lhe fica atrás;
em tempos eram forma de afirmação e diferenciação, face ao vizinho; algumas resistem e persistem nesta sua diferença;
ficam dois apontamentos; seguir-se-ão mais;
sexta-feira, agosto 17
memória II

uma outra memória, a propósito de professoras, aqui, provavelmente aquando da realização da 1ª comunhão, acompanhado pela minha professora "primária", Gertrudes Caeiro;
uma memória que me acompanha para o bom e para o mau, como qualquer memória oriunda desse período; proibiu-me (e a um outro colega) de escrever com a esquerda (outros tempos e outras modas), como me prendou (e a muitos outros) com diferentes conjuntos de reguadas consoante os erros ou as omissões; mas consolidou-me estratégias que me permitiram ir em frente, apesar dos custos;
memória
quinta-feira, agosto 16
de regresso

O Miguel está de volta, fresco pelo rejuvenescimento da passagem pela catedral;
boas escritas e mais ideias para o que se seguirá;
gostos
quarta-feira, agosto 15
ao passado

de quando em vez passo pelo contador para ver quem por aqui passa;
numa destas visitas tive oportunidade de regressar à minha escrita de outros anos, concretamente de Novembro de 2004;
se é certo que o contexto era substancialmente diferente, que os momentos eram outros, que as vivências também, não deixo de ficar algo surpreendido, seja pelas ideias, seja pela escrita, seja pelos comentários;
mas gosto de lá regressar e perceber o(s) nível(eis) de (in)coerência da minha pessoa e da minha escrita
pois...

para hoje tinha definido um objectivo, o de arrumar alguns dos papeis da minha tese;
já se começam a dispersar e a misturar, não tardará que não saiba onde anda este ou aquele título, este ou aquele apontamento;
pois é, mas entre as arrumações iniciei leituras, algumas delas on-line, e ando sofrego nas leituras, acabei por não arrumar nada;
pois... objectivos...
nabo

há tempos instalei uma impressora multifunções, do tipo 3 (impressora, scanner, fax) em 1 (um só equipamento);
desde há dias que ando de roda da dita cuja por que não me imprimia; dei voltas e mais voltas, vi e revi procedimentos e ele nada;
sabem o que era? simplesmente o cabo de ligação ao PC que estava desligado;
nabo, pois claro;
terça-feira, agosto 14
conversas
tenho de reconhecer que gosto de uma boa conversa, e mais gosto quando o interlocutor demonstra competências naquilo que diz;
surge isto a propósito do que já posso referir como troca de comentários com o meu companheiro;
eu percebi a referência de não se fulanizar nem se pessoalizar uma qualquer organização; corre-se o risco de com esse facto termos mais afazeres que proveitos; como compreendo a necessidade da existência de espaços organizacionais - face à previsibilidade e à estruturação da coisa pública;
como também partilho da mesma crença, que não reside aqui nenhuma verdade, menos ainda absoluta e inamovível, é apenas uma troca de ideias e de opiniões, outros pontos de vista sobre o mesmo objecto social;
de princípio o único elemento que nos pode dividir na análise, e pode não ser uma discordância de facto, decorre do papel das pessoas e das organizações no devir social;
eu direi, na esteira de outros (Crozier, Friedberg, Dubet, p.e.), que as organizações existem por que as pessoas têm interesse e, até, necessidade que elas existam e não, como depreendo da leitura do companheiro Francisco, por que elas pré-existam à acção colectiva;
este é o único ponto de desvio entre as nossas duas opiniões; o entendimento reificado de uma qualquer organização e o entendimento da construção social no seu devir; mas é de tal modo pertinente esta nossa diferença de entendimentos, que é dela que decorre muito do mau estar que muitos de nós, cidadãos individualmente considerados, sentimos na relação com a administração pública ou com qualquer organização; sentimos que ela(s) não nos responde(m) a nós individualmente, mas a um nós colectivo perante o qual e face aos interesses particulares temos dificuldades de reconhecer;
será, em última instância, uma diferença entre uma visão "moderna" e uma visão "pós-modernista" da acção colectiva, isto é, das estruturas às redes, da verticalidade funcional aos fluxos horizontais, da rigidez orgânica à flexibilidade funcional;
surge isto a propósito do que já posso referir como troca de comentários com o meu companheiro;
eu percebi a referência de não se fulanizar nem se pessoalizar uma qualquer organização; corre-se o risco de com esse facto termos mais afazeres que proveitos; como compreendo a necessidade da existência de espaços organizacionais - face à previsibilidade e à estruturação da coisa pública;
como também partilho da mesma crença, que não reside aqui nenhuma verdade, menos ainda absoluta e inamovível, é apenas uma troca de ideias e de opiniões, outros pontos de vista sobre o mesmo objecto social;
de princípio o único elemento que nos pode dividir na análise, e pode não ser uma discordância de facto, decorre do papel das pessoas e das organizações no devir social;
eu direi, na esteira de outros (Crozier, Friedberg, Dubet, p.e.), que as organizações existem por que as pessoas têm interesse e, até, necessidade que elas existam e não, como depreendo da leitura do companheiro Francisco, por que elas pré-existam à acção colectiva;
este é o único ponto de desvio entre as nossas duas opiniões; o entendimento reificado de uma qualquer organização e o entendimento da construção social no seu devir; mas é de tal modo pertinente esta nossa diferença de entendimentos, que é dela que decorre muito do mau estar que muitos de nós, cidadãos individualmente considerados, sentimos na relação com a administração pública ou com qualquer organização; sentimos que ela(s) não nos responde(m) a nós individualmente, mas a um nós colectivo perante o qual e face aos interesses particulares temos dificuldades de reconhecer;
será, em última instância, uma diferença entre uma visão "moderna" e uma visão "pós-modernista" da acção colectiva, isto é, das estruturas às redes, da verticalidade funcional aos fluxos horizontais, da rigidez orgânica à flexibilidade funcional;
segunda-feira, agosto 13
em resumo
acabadinha de escrever uma síntese de duas entradas;
as pessoas não são apenas determinadas pelo seu contexto ou enquadramento, são também determinantes na construção do seu contexto ou enquadramento;
as pessoas não são apenas determinadas pelo seu contexto ou enquadramento, são também determinantes na construção do seu contexto ou enquadramento;
a reificação da escola

antes de mais nada, entendo por este título a imagem congelada e imóvel, algo entre o estagnado e o petrificado, da nossa escola;
ora na sequência da entrada anterior, a escola tem sido um dos principais (senão mesmo o principal) instrumento de construção social - a par da igreja e do exército, ainda que estes com significativas alterações no decorrer do século XX;
é a escola o principal responsável pela socialização das gentes, pela homogeneização das diferenças, pela horizontalização das relações, pela uniformização de procedimentos, normas e atitudes, pela estandardização dos comportamentos, etc, etc;
é na escola que se iniciam as regras do bom comportamento, da assiduidade, do respeito pelas hierarquias, pelo cumprimento de prazos e objectivos; é na escola que se aprendem comportamentos, que se interiorizam atitudes, que se disseminam valores e concepções (racionais e lógicas) do mundo; é na escola que se aprende a distrinçar o formal e o informal, o correcto do incorrecto, a lógica metodológica e o senso comum;
ora é tudo isto que, nos últimos tempos, particularmente nos últimos 25/30 anos do século passado, está a ser colocado em causa; e é colocado em causa por um dos principais elmentos do sistema, a autoridade de que a escola (e por seu intermédio os professore) esteve, até há pouco, imbuida; fosse pela valorização social, pelo destaque institucional ou, mesmo e por parodoxal que possa parecer, pelo seu papel político;
é esta mutação que não tem sido acautelada por políticos e por políticas, dando oportunidade a que da autoridade linear, vertical, formal e institucional se passasse para uma sensação de libertinagem, vulgaridade e informalidade;
situação que faz com que em sala de aula o docente hoje seja mais um negociador de situações (comportamentos, atitudes e inclusivamente de aprendizagens) do que um transmissor de conhecimentos préformatados;
como é que isto se processa? quais os instrumentos de que o docente se socorre para o fazer, que práticas são utilizadas para esta negociação, que recursos são mobilizados, que actores são chamados e a que nível de intervenção?
questões que procuro inquirir por intermédio de um projecto que, simultaneamente, me apaixona e amedronta;
e para o qual M. Foucault é incontornável;
pessoas e organizações

há diferentes modos e maneiras, perspectivas e valorizações de percebermos e vermos a construção social;
há muito, desde a Alta Idade Média, que se cruzam olhares sobre o papel das organizações e dos Homens no devir social;
fruto de uma Revolução industrial que priorizou a organização e a máquina, temos olhado para as organizações como o motor da construção social;
sem organizações não valemos nada ou valemos muito pouco;
ele é a família, desde sempre apontada como a unidade celular da organização, logo a seguir a escola, depois o local de trabalho e há ainda passagens, mais ou menos significativas, pela tropa e pela igreja; tudo modelos institucionais de organização social e das relações sociais; de tão institucionalizados julgamo-los inamoviveis, petrificados, reificados;
ora quero acreditar que não somos apenas determinados pelo contexto, somos também fabricadores do nosso contexto;
tudo isto a propósito de um comentário entre o prático e o tecnocrático feito por um companheiro de lutas e de ideias;
considero que o nosso sistema social se constroi com base na acção das pessoas, dos seus objectivos e interesses, dos seus momentos e circunstâncias, dos constrangimentos e das oportunidades que cada um vê em face de um dado contexto;
reduzir essa construção social à sua estrutura (organizacional ou institucional) é reduzir a acção das pessoas a um determinismo que lhe é exterior e ficar por ele cerciado;
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