a última que devia ter sido a primeira;
não, não fui de férias, apenas uma pausa pedagógica para disfrutar do calor alentejano;
é doidice, eu sei, mas nem todos os fins-de-semana podem ser apreciados acima dos 40 (de)graus;
é obra que se precisa de apreciar e não me apeteceu escrever, estava quente demais, os miolos ferviam e as ideias esturricavam;
para continuar, até ao próximo momento;
terça-feira, julho 31
aos deuses

ou quem as suas vezes fizer...
o mês de Agosto será uma mês de definições, arranjos e algumas conclusões, pelo menos cá por casa;
uma das alineas está ultrapassada, referente ao professor titular;
agora e até final de Agosto aguardam-se decisões quanto ao facto de continuar, ou não, onde tenho estado, no IPJ;
sem expectativas nem falsas modéstias, mas com curiosidade para que possa organizar o espaço e o tempo da minha cabecinha, em primeiro lugar, mas também da família;
para quem anda nestas coisas da política sempre defendi (com grande pena minha) que a lógica subjacente é a lógica da batata, isto é, roda por onde calha e não por onde pensamos que é mais lógico, correcto ou adequado;
não me queixo das regras de um jogo onde, por razões várias, corro há muito; mas é certo que procuro, na medida das minhas incapacidades, mostrar que deve haver alguma lógica nestas coisas e distantes da batata;
tenho, atrás de mim, resultados, objectivos, números que falam pelo trabalho desenvolvido; mas também tenho a fama (que sempre me antecedeu) de um mau feitio complicativo (por que gosto de discutir as ideias), de uma arrogância aborrecida (por dizer e mostrar que tenho opinião), de um pretensiosismo a toda a prova (por considerar que se há desconcentração que não seja apenas funcional, aceito também responsabilidades);
há já algum tempo que aprendi a lidar com estas ideias; mas, resta-me a consciência e dessa eu não abdico, e que assenta no facto de onde regresso ser bem recebido e tratado;
pode ser que aconteça o mesmo desta vez;
depende do que Deus quiser, ou de quem as suas vezes fizer...
não sou...
professor titular;
entre esperanças (mais pela formação pós-graduada) e a consciência do meu afastamento da escola e das exigências administrativas que eram colocadas em concurso, os resultados determinaram que fico a aguardar por próximas oportunidades;
a ver vamos sobre aquilo que o futuro nos poderá reservar e o papel que nessa construção eu possa ter;
entre esperanças (mais pela formação pós-graduada) e a consciência do meu afastamento da escola e das exigências administrativas que eram colocadas em concurso, os resultados determinaram que fico a aguardar por próximas oportunidades;
a ver vamos sobre aquilo que o futuro nos poderá reservar e o papel que nessa construção eu possa ter;
sexta-feira, julho 27
calor

hoje esteve um dia de Verão quase que alentejano;
para o comum dos alentejanos, aqueles que sempre usufruiram e sentiram o calor, o Verão é quente, mesmo muito quente;
aquilo que temos sentido mais não é que um pequeno bafo de um pronunciado Verão;
o mês de Julho costuma ser o mais quente no Alentejo, com temperaturas que rondarão, pelos menos durante o período de uma semana, sempre acima dos 40;
este ano tem sido claramente diferente, raros foram os dias em que estivemos acima dos 30;
hoje (e parece que amanhã) finalmente o Verão diz de sua justiça, e perspectivam-se temperaturas na casa dos 38/39 graus;
faltam as noites, que têm estado demasiadamente frescas e ventosas, para sentirmos que estamos no Verão;
resultado, não há cerveja que se aguente, não há vontade que se contenha;
vamos a isso que se faz tarde;
emersão
hoje foi dia de submergir num rio de águas profundas;
isto é, foi dia de visita ao fluviário de Mora; um espaço que recria as condições de vida dos rios, nomeadamente as relativas à sua fauna;
um espaço agradável que dá para aprender coisas e conhecer um mundo que, pelo menos para a minha pessoa, é desconhecido;
desde a achigã, ao barbo, passando pelos peixes mais habitualmente alvo de pescadores lá os podemos ver em habitat natural, para além daqueles outros que, por serem de rios mais exóticos (América do Sul, África ou Ásia) nos são mais desconhecidos;
uma visita rápida mas enriquecedora;
merece uma visita daqueles que estão mais longe do Alentejo mas que gostam dos rios;
quinta-feira, julho 26
sem nome

finalmente tive oportunidade de conhecer o projecto ainda sem nome, proposto pela Sofia e pela Sónia;
tenho de lhe reconhecer a pertinência e a particularidade urbana de se olhar para a mesma coisa sob diferentes perspectivas - até podem não ser ângulos diferentes;
provavelmente uma estória urbana de sentimentos arreigados na cultura e na memória de quem vive a cidade e a gosta de captar;
com a particularidade de serem duas mulheres - e, entre géneros, há sempre um olhar diferente, há sempre valorizações diferentes, há sempre outros sentimentos que se sobrepoem, e estas narrativas, a própria história, tem tido demasiados homens a contá-la;
um espaço por onde passarei com assiduidade para conseguir perceber olhares e estórias que podem fazer a história;
turismo ao pé de casa
por se ter optado por férias em casa, ontem fomos turistas ao pé de casa;
saímos ao final da tarde, demos um passeio pela cidade, vimos montras e turistas estrangeiros, jantámos numa esplanada, fomos comer a sobremessa de Verão a um outro lado e regressámos era já noite dentro; cansados, mas resfastelados por termos desfrutado do prazer de olhar a nossa terra como se de turistas nos tratassemos;
saímos ao final da tarde, demos um passeio pela cidade, vimos montras e turistas estrangeiros, jantámos numa esplanada, fomos comer a sobremessa de Verão a um outro lado e regressámos era já noite dentro; cansados, mas resfastelados por termos desfrutado do prazer de olhar a nossa terra como se de turistas nos tratassemos;
coisas...

ele há coisas em que se não são contradições serão, pelo menos, persistências recalcadas a vir ao de cima;
em função dos tempos que correm na escola foi publicada uma portaria (nº. 15847 de 2007), com a chancela da senhora ministra, que condiciona a recolha de informação nas escolas, por diferentes meios ou em face de diferentes objectivos;
com o pretexto de credibilizar as metodologias de recolha da informação, de se não saturar docentes, alunos e serviços na duplicação da recolha da informação a partir de agora qualquer pedido de informação às escolas tem de ser previamente autorizado pela DGIDC;
daqui a pouco regressa-se aos tempos em que para se passar pelo wc é necessária autorização superior;
não percebo onde, nos discuros políticos e nas orientações ministeriais, se posicionará a propalada autonomia das escolas e dos professores; não terão estes capacidade de análise (crítica e metodológica) para aferir das respostas e de se organizarem para facultarem estes elementos?
onde se posicionarão aqueles que, desenvolvendo um trabalho de investigação nas escolas, necessitem de recolher informações, elementos quantitativos sobre o seu próprio cenário de investigação;
será que, neste último caso, depois de um questionário ser validado por um orientador (pretensamente doutorado e habilitado no seu ofício e reconhecido pelo ministério) essa comissão virá dizer que o questionário não está adequado, não é metodologicamente correcto?
se isto não é uma contradição, entre discursos e práticas legislativas, não sei o que seja;
segunda-feira, julho 23
choque educativo

Apesar da falta de vontade, não consigo deixar de escrever sobre um pequeno (mas que se pode tornar grande) evento hoje lançado, o choque tecnológico educativo;
não tenho dúvidas, face às notícias, que duas situações, entre o oposto e o contraditório, irão surgir;
por um lado, a inevitabilidade do existente, entre o reconhecimento do que já (muito) se faz nas escolas, em matéria tecnológica, e a clarissima necessidade de dotar as escolas (particularmente ao nível de conteúdos e de relação com a sua comunidade) de outros instrumentos que permitam uma maior inter-relação e uma maior partilha de informação; tenho dúvidas que existam muitas vozes críticas neste sector, para além do mais, uma boa parte das medidas anunciadas já se encontram contempladas em muitas escolas (escolas digitais, cartão do aluno, video-vigilância, etc);
agora há um outro lado que, com menos dúvidas, perspectivo comentários e críticas; nomeadamente ao nível dos professores, qual o envolvimento, as contrapartidas, os trabalhos necessários para a produção de conteúdos, a a sua gestão, actualização e manutenção, a articulação com as funções pedagógicas e docentes, os contributos para o acesso a professor titular, entre outras irão marcar um conjunto de ideias;
entre umas e outras apenas uma pequena (que considero grande) referência, na apresentação desta iniciativa e do pacote financeiro que o acompanha, poucas foram as referências aos professores, ao papel de charneira que estes profissionais terão (e deverão) de assumir neste processo;
isto é, olha-se a escola do lado pacífico (eventualmente mais populista, mas também mais asséptico) e não se aproveita a oportunidade para se lançar a escada aos profissionais que constroem a escola e promovem os seus conteúdos;
corre-se o sério risco de, daqui a uns tempos, termos escolas a navegar a 28kbps enquanto outras aproveitam os 24Mb; termos umas escolas com páginas passivas e estáticas, enquanto outras disponibilizam e-learning;
alguém anda esquecido que as escolas são feitas também com e pelos professores;
são estas pequenas (ou grandes) oportunidades que se esvanecem para corrigir tiros e danos colaterais;
na me apetece
domingo, julho 22
sossego II

mas não é apenas por aí, pelas ruas e vielas, que se fazem sentir as férias;
também aqui por casa se nota o período estival, de descanso e de troca de ritmos;
ao contrário do que me era habitual há uns anitos atrás, agora dá-me para acordar (relativamente) cedo; ao contrário os filhotes habituam-se a disfrutar das manhãs de sono;
por mim, aproveito o momento de silêncio, de quase que total ausência de ruídos para pensar o que ando a fazer, ler um pouco e tentar rabiscar algumas ideias;
mas é uma sensação estranha, esta de estar em casa com a família toda e se fazer sentir o silêncio de quem dorme e descança;
sossego

o sossego até na net, nas mensagens de correio electrónico se faz sentir;
as férias, a ligeireza dos horários, faz com que, quem tenha optado por ficar, se aperceba da pouca gente nas ruas, da quantidade de caras diferentes que encontramos, do acalmar de ritmos e hábitos;
por quase todo o lado somos confrontados com as imagens de férias, práia, sol e sombreros;
não sei se é para que sintamos o espírito das férias se apenas para implicarmos com quem opta por ficar;
mas que é um sossego, lá isso é...
sábado, julho 21
a vida no campo

viver no campo e na aldeia, como é o meu caso, pode ser encarado como um privilégio e sinónimo da qualidade de vida;
o sossego, a paz e a tranquilidade bucólica dos campos, a paisagem que se estende pelo horizonte, apenas entrecortadas pelas árvores, é assumidamente, um privilégio;
mas, tecnologicamente é um autêntico desatino; quer no acesso à net, que é quase sempre complicado, deficitário e lento, quer mesmo em coisas ainda mais básicas como seja a estabilidade eléctrica, sempre soluçante por estes lados;
tenho consciência que é difícil conciliar o melhor dos dois mundos, mas não é de admitir que no início de um novo século, quase duzentos anos depois da invenção da electricidade, os pequenos aglomerados estejam dependentes de sobrecargas ou de redes desajustadas que fazem com que, num normal dia de semana, a luz caia pelo menos duas vezes, provocando todo o transtorno da sua excessiva dependência.
é a vida no campo...
sexta-feira, julho 20
devagar
em férias, entre uns registos e outros, entre observações de quem passa e o disfrute do que (não) se faz, procuro regressar ao meu projecto de investigação, ainda por cima quando se aproximam prazos para cumprir;
é uma escrita vagarosa, entrecurtada entre dúvidas e a necessidade de regresso ao campo de investigação;
no campo de investigação dou com um período quase que branco de ausência de instrumentos de políticas educativas, nomeadamente entre a implantação da democracia e o período que coincide com a aprovação da Lei de Bases da educação;
apesar de, ao longo de todo este período, terem vigorado duas grandes preocupações, primeiro a consolidação do regime democrático, posteriormente a integração na então europa comunitária, os primeiros instrumentos de intervenção do Estado no sistema educativo que vão para além da legislação ocorrem apenas já em finais dos anos 80 (com Roberto Carneiro e todo um conjunto de recomendações oriundas da então Comissão de Reforma do Sistema Educativo) e, muito particularmente, com a governação de Marçal Grilo;
esta situação leva-me a considerar outras questões, nomeadamente, que instrumentos eram concebidos localmente pelos professores, pelas escolas na e para a regulação dos comportamentos educativos e escolares? que procedimentos eram adoptados ou adaptados pelos intervenientes visando a conformidade social e pedagógica ou, apenas e simplesmente, o exercício da docência?
apesar de lentamente, há que regressar a um pensamento crítico sobre a escola.
é uma escrita vagarosa, entrecurtada entre dúvidas e a necessidade de regresso ao campo de investigação;
no campo de investigação dou com um período quase que branco de ausência de instrumentos de políticas educativas, nomeadamente entre a implantação da democracia e o período que coincide com a aprovação da Lei de Bases da educação;
apesar de, ao longo de todo este período, terem vigorado duas grandes preocupações, primeiro a consolidação do regime democrático, posteriormente a integração na então europa comunitária, os primeiros instrumentos de intervenção do Estado no sistema educativo que vão para além da legislação ocorrem apenas já em finais dos anos 80 (com Roberto Carneiro e todo um conjunto de recomendações oriundas da então Comissão de Reforma do Sistema Educativo) e, muito particularmente, com a governação de Marçal Grilo;
esta situação leva-me a considerar outras questões, nomeadamente, que instrumentos eram concebidos localmente pelos professores, pelas escolas na e para a regulação dos comportamentos educativos e escolares? que procedimentos eram adoptados ou adaptados pelos intervenientes visando a conformidade social e pedagógica ou, apenas e simplesmente, o exercício da docência?
apesar de lentamente, há que regressar a um pensamento crítico sobre a escola.
tardia

uma das coisas que gosto de fazer é observar as pessoas, quem por mim passa;
se fosse mais descarado gostava de as captar em imagens, mas tenho sempre algum prurido e máquinas que não permitem grandes alcances;
uma das coisas que, face a essa observação, tenho reparado é no disfrute de algumas adolescências tardias; isto é, pais e mães com jovens filhos na adolescência em que uns rivalizam com os outros, seja no modo de vestir e estar, seja na utilização de adereços, seja inclusivamente em alguns trejeitos da fala ou modismos, direi eu, desajustados;
não é necessário ir aos grandes centros, mesmo pelo interior, notam-se mães que, na casa dos 30 ou mesmo nos quarenta e poucos, fazem pircings umbilicais, tatuagens ou utilizam adereços próprios da juventude;
pergunto-me muita das vezes se é uma adolescência tardia por que não vivida na altura certa se é apenas uma tentativa de acompanhar os filhos e não se acentuar o fosso etário ou que razões existirão para esta vivência que, digo eu, peca por tardia e desajustada;
serão, como diz a minha filha, apenas modernices?
história do futuro

como curioso pela História, esta entrada de um conterrâneo, amigo e companheiro, levou-me a considerar algumas ideias sobre o papel desta disciplina em termos futuros;
em face da panóplia de fontes de registo como se traduzirá a História no futuro?
em face da existência de tantas fontes de registo, como a tv, máquinas digitais, blogues, qual será a ideia que iremos deixar aos nossos bisnetos ou trisnetos ou qual a ideia que eles criarão de nós mesmos?
hoje, para uma pessoa como eu, oriundo da classe média urbana em que os pais migraram para a cidade e eram filhos de poucas posses, não tenho grandes registos dos meus antepassados; possuo alguns apontamentos meus, particularmente imagens da minha infância e adolescência, mas dos meus pais menos ainda e os que existem eram eles já bem granditos; dos meus avós ainda menos, apenas uma imagem pretensamente do meu avô materno fardado nem se sabe por que ou para quê e mais nada, rigorosamente mais nada;
agora para o futuro já se pode contar com um acervo significativo, que se afirma com os avós dos meus filhos, se alarga pelos seus pais e que inclui toda uma gama de registos dos filhos; será parte deste acervo que transitará para aqueles que serão (em princípio) os meus netos e que, a partir deles, construirão imagens, ideias que vão para além do dito, da construção oral;
como será a história do futuro?
quinta-feira, julho 19
evolução
metediço

só para "chatear" quem não conheço mas muito admiro, entretenho-me a ouvir, em alto e bom som, the smashing pumpkins, uma colectânea de sons admiráveis;
é verdade que de quando em quando entrecortados com pedidos de ajuda, pois estar a família em casa causa sempre alguns soluços, mesmo às coisas boas;
terça-feira, julho 17
confusão

inevitavelmente depois das eleições intercalares da capital está instalada a confusão;
a única coisa que gostaria era a de reconhecer a capacidade do PS de se pensar e mobilizar para um outro ciclo;
a de, face à situação geral, o PS conseguir apresentar outras propostas mobilizadoras da sociedade e das pessoas, seja ele capaz de contrariar os ditos da oposição, qual frases feitas para matraquear ouvido duro e afirmar-se como coerência e consistência de governo e de governação;
saiba este PS encontrar o fio à meada que une diálogo, participação e cidadania, com rigor e sentido de governação e juntar as pontas, isto é, governo e bases, estado central e poder local;
era uma óptima oportunidade, a ver vamos no que dá... ou no que as (algumas) pessoas querem que dê;
estupido

fumei durante quase 20 anos; há quase cinco anos atrás, faria em Agosto, deixei de fumar, de um momento para o outro;
desde o início deste ano que tenho andado com uma recaída monumental e o fatídico regresso ao tabaco, um cigarrito aqui, outro ali e pimba foi num ápice em que retornei à compra regular;
dou a desculpa que as confusões são muitas, os apertos exigentes e o espírito fraco, circunstâncias que, conjugadas, conduzem ao regresso ao vício;
todos se manifestam contra, e bem;
agora opto por regressar à ansiedade, à irritabilidade e tentar, outra vez, quebrar o hábito;
desde Domingo que não lhe toco; ainda sem comentários, nem adizeres a quem quer que seja; a ver vamos se me aguento ou se efectivamente se confirma a idiotice e a estupidez humana (pelo menos a minha);
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