quinta-feira, julho 26

turismo ao pé de casa

por se ter optado por férias em casa, ontem fomos turistas ao pé de casa;
saímos ao final da tarde, demos um passeio pela cidade, vimos montras e turistas estrangeiros, jantámos numa esplanada, fomos comer a sobremessa de Verão a um outro lado e regressámos era já noite dentro; cansados, mas resfastelados por termos desfrutado do prazer de olhar a nossa terra como se de turistas nos tratassemos;

coisas...


ele há coisas em que se não são contradições serão, pelo menos, persistências recalcadas a vir ao de cima;
em função dos tempos que correm na escola foi publicada uma portaria (nº. 15847 de 2007), com a chancela da senhora ministra, que condiciona a recolha de informação nas escolas, por diferentes meios ou em face de diferentes objectivos;
com o pretexto de credibilizar as metodologias de recolha da informação, de se não saturar docentes, alunos e serviços na duplicação da recolha da informação a partir de agora qualquer pedido de informação às escolas tem de ser previamente autorizado pela DGIDC;
daqui a pouco regressa-se aos tempos em que para se passar pelo wc é necessária autorização superior;
não percebo onde, nos discuros políticos e nas orientações ministeriais, se posicionará a propalada autonomia das escolas e dos professores; não terão estes capacidade de análise (crítica e metodológica) para aferir das respostas e de se organizarem para facultarem estes elementos?
onde se posicionarão aqueles que, desenvolvendo um trabalho de investigação nas escolas, necessitem de recolher informações, elementos quantitativos sobre o seu próprio cenário de investigação;
será que, neste último caso, depois de um questionário ser validado por um orientador (pretensamente doutorado e habilitado no seu ofício e reconhecido pelo ministério) essa comissão virá dizer que o questionário não está adequado, não é metodologicamente correcto?
se isto não é uma contradição, entre discursos e práticas legislativas, não sei o que seja;

segunda-feira, julho 23

choque educativo


Apesar da falta de vontade, não consigo deixar de escrever sobre um pequeno (mas que se pode tornar grande) evento hoje lançado, o choque tecnológico educativo;
não tenho dúvidas, face às notícias, que duas situações, entre o oposto e o contraditório, irão surgir;
por um lado, a inevitabilidade do existente, entre o reconhecimento do que já (muito) se faz nas escolas, em matéria tecnológica, e a clarissima necessidade de dotar as escolas (particularmente ao nível de conteúdos e de relação com a sua comunidade) de outros instrumentos que permitam uma maior inter-relação e uma maior partilha de informação; tenho dúvidas que existam muitas vozes críticas neste sector, para além do mais, uma boa parte das medidas anunciadas já se encontram contempladas em muitas escolas (escolas digitais, cartão do aluno, video-vigilância, etc);
agora há um outro lado que, com menos dúvidas, perspectivo comentários e críticas; nomeadamente ao nível dos professores, qual o envolvimento, as contrapartidas, os trabalhos necessários para a produção de conteúdos, a a sua gestão, actualização e manutenção, a articulação com as funções pedagógicas e docentes, os contributos para o acesso a professor titular, entre outras irão marcar um conjunto de ideias;
entre umas e outras apenas uma pequena (que considero grande) referência, na apresentação desta iniciativa e do pacote financeiro que o acompanha, poucas foram as referências aos professores, ao papel de charneira que estes profissionais terão (e deverão) de assumir neste processo;
isto é, olha-se a escola do lado pacífico (eventualmente mais populista, mas também mais asséptico) e não se aproveita a oportunidade para se lançar a escada aos profissionais que constroem a escola e promovem os seus conteúdos;
corre-se o sério risco de, daqui a uns tempos, termos escolas a navegar a 28kbps enquanto outras aproveitam os 24Mb; termos umas escolas com páginas passivas e estáticas, enquanto outras disponibilizam e-learning;
alguém anda esquecido que as escolas são feitas também com e pelos professores;
são estas pequenas (ou grandes) oportunidades que se esvanecem para corrigir tiros e danos colaterais;

na me apetece


hoje estou em dia em que não me apetece escrever;
não é por falta de ideias, é mais por manifesta ausência de vontade;
há dias assim...

domingo, julho 22

sossego II


mas não é apenas por aí, pelas ruas e vielas, que se fazem sentir as férias;
também aqui por casa se nota o período estival, de descanso e de troca de ritmos;
ao contrário do que me era habitual há uns anitos atrás, agora dá-me para acordar (relativamente) cedo; ao contrário os filhotes habituam-se a disfrutar das manhãs de sono;
por mim, aproveito o momento de silêncio, de quase que total ausência de ruídos para pensar o que ando a fazer, ler um pouco e tentar rabiscar algumas ideias;
mas é uma sensação estranha, esta de estar em casa com a família toda e se fazer sentir o silêncio de quem dorme e descança;

sossego


o sossego até na net, nas mensagens de correio electrónico se faz sentir;
as férias, a ligeireza dos horários, faz com que, quem tenha optado por ficar, se aperceba da pouca gente nas ruas, da quantidade de caras diferentes que encontramos, do acalmar de ritmos e hábitos;
por quase todo o lado somos confrontados com as imagens de férias, práia, sol e sombreros;
não sei se é para que sintamos o espírito das férias se apenas para implicarmos com quem opta por ficar;
mas que é um sossego, lá isso é...

sábado, julho 21

a vida no campo


viver no campo e na aldeia, como é o meu caso, pode ser encarado como um privilégio e sinónimo da qualidade de vida;
o sossego, a paz e a tranquilidade bucólica dos campos, a paisagem que se estende pelo horizonte, apenas entrecortadas pelas árvores, é assumidamente, um privilégio;
mas, tecnologicamente é um autêntico desatino; quer no acesso à net, que é quase sempre complicado, deficitário e lento, quer mesmo em coisas ainda mais básicas como seja a estabilidade eléctrica, sempre soluçante por estes lados;
tenho consciência que é difícil conciliar o melhor dos dois mundos, mas não é de admitir que no início de um novo século, quase duzentos anos depois da invenção da electricidade, os pequenos aglomerados estejam dependentes de sobrecargas ou de redes desajustadas que fazem com que, num normal dia de semana, a luz caia pelo menos duas vezes, provocando todo o transtorno da sua excessiva dependência.
é a vida no campo...

sexta-feira, julho 20

devagar

em férias, entre uns registos e outros, entre observações de quem passa e o disfrute do que (não) se faz, procuro regressar ao meu projecto de investigação, ainda por cima quando se aproximam prazos para cumprir;
é uma escrita vagarosa, entrecurtada entre dúvidas e a necessidade de regresso ao campo de investigação;
no campo de investigação dou com um período quase que branco de ausência de instrumentos de políticas educativas, nomeadamente entre a implantação da democracia e o período que coincide com a aprovação da Lei de Bases da educação;
apesar de, ao longo de todo este período, terem vigorado duas grandes preocupações, primeiro a consolidação do regime democrático, posteriormente a integração na então europa comunitária, os primeiros instrumentos de intervenção do Estado no sistema educativo que vão para além da legislação ocorrem apenas já em finais dos anos 80 (com Roberto Carneiro e todo um conjunto de recomendações oriundas da então Comissão de Reforma do Sistema Educativo) e, muito particularmente, com a governação de Marçal Grilo;
esta situação leva-me a considerar outras questões, nomeadamente, que instrumentos eram concebidos localmente pelos professores, pelas escolas na e para a regulação dos comportamentos educativos e escolares? que procedimentos eram adoptados ou adaptados pelos intervenientes visando a conformidade social e pedagógica ou, apenas e simplesmente, o exercício da docência?
apesar de lentamente, há que regressar a um pensamento crítico sobre a escola.

tardia


uma das coisas que gosto de fazer é observar as pessoas, quem por mim passa;
se fosse mais descarado gostava de as captar em imagens, mas tenho sempre algum prurido e máquinas que não permitem grandes alcances;
uma das coisas que, face a essa observação, tenho reparado é no disfrute de algumas adolescências tardias; isto é, pais e mães com jovens filhos na adolescência em que uns rivalizam com os outros, seja no modo de vestir e estar, seja na utilização de adereços, seja inclusivamente em alguns trejeitos da fala ou modismos, direi eu, desajustados;
não é necessário ir aos grandes centros, mesmo pelo interior, notam-se mães que, na casa dos 30 ou mesmo nos quarenta e poucos, fazem pircings umbilicais, tatuagens ou utilizam adereços próprios da juventude;
pergunto-me muita das vezes se é uma adolescência tardia por que não vivida na altura certa se é apenas uma tentativa de acompanhar os filhos e não se acentuar o fosso etário ou que razões existirão para esta vivência que, digo eu, peca por tardia e desajustada;
serão, como diz a minha filha, apenas modernices?

história do futuro


como curioso pela História, esta entrada de um conterrâneo, amigo e companheiro, levou-me a considerar algumas ideias sobre o papel desta disciplina em termos futuros;
em face da panóplia de fontes de registo como se traduzirá a História no futuro?
em face da existência de tantas fontes de registo, como a tv, máquinas digitais, blogues, qual será a ideia que iremos deixar aos nossos bisnetos ou trisnetos ou qual a ideia que eles criarão de nós mesmos?
hoje, para uma pessoa como eu, oriundo da classe média urbana em que os pais migraram para a cidade e eram filhos de poucas posses, não tenho grandes registos dos meus antepassados; possuo alguns apontamentos meus, particularmente imagens da minha infância e adolescência, mas dos meus pais menos ainda e os que existem eram eles já bem granditos; dos meus avós ainda menos, apenas uma imagem pretensamente do meu avô materno fardado nem se sabe por que ou para quê e mais nada, rigorosamente mais nada;
agora para o futuro já se pode contar com um acervo significativo, que se afirma com os avós dos meus filhos, se alarga pelos seus pais e que inclui toda uma gama de registos dos filhos; será parte deste acervo que transitará para aqueles que serão (em princípio) os meus netos e que, a partir deles, construirão imagens, ideias que vão para além do dito, da construção oral;
como será a história do futuro?

quinta-feira, julho 19

evolução


na tecnologia há uma evolução "quase" que natural;
já fiz o up grade do pc de secretária e, agora, resolvi começar a comprar material periférico sem fios;
uma coisa de cada vez, de modo a não se estranhar muito;

metediço


só para "chatear" quem não conheço mas muito admiro, entretenho-me a ouvir, em alto e bom som, the smashing pumpkins, uma colectânea de sons admiráveis;
é verdade que de quando em quando entrecortados com pedidos de ajuda, pois estar a família em casa causa sempre alguns soluços, mesmo às coisas boas;

terça-feira, julho 17

confusão


inevitavelmente depois das eleições intercalares da capital está instalada a confusão;
a única coisa que gostaria era a de reconhecer a capacidade do PS de se pensar e mobilizar para um outro ciclo;
a de, face à situação geral, o PS conseguir apresentar outras propostas mobilizadoras da sociedade e das pessoas, seja ele capaz de contrariar os ditos da oposição, qual frases feitas para matraquear ouvido duro e afirmar-se como coerência e consistência de governo e de governação;
saiba este PS encontrar o fio à meada que une diálogo, participação e cidadania, com rigor e sentido de governação e juntar as pontas, isto é, governo e bases, estado central e poder local;
era uma óptima oportunidade, a ver vamos no que dá... ou no que as (algumas) pessoas querem que dê;

estupido


fumei durante quase 20 anos; há quase cinco anos atrás, faria em Agosto, deixei de fumar, de um momento para o outro;
desde o início deste ano que tenho andado com uma recaída monumental e o fatídico regresso ao tabaco, um cigarrito aqui, outro ali e pimba foi num ápice em que retornei à compra regular;
dou a desculpa que as confusões são muitas, os apertos exigentes e o espírito fraco, circunstâncias que, conjugadas, conduzem ao regresso ao vício;
todos se manifestam contra, e bem;
agora opto por regressar à ansiedade, à irritabilidade e tentar, outra vez, quebrar o hábito;
desde Domingo que não lhe toco; ainda sem comentários, nem adizeres a quem quer que seja; a ver vamos se me aguento ou se efectivamente se confirma a idiotice e a estupidez humana (pelo menos a minha);

perdas


se há coisas que me irritam solenemente é perder canetas ou esferográficas;
desde pequeno, eventualmente decorrente do meu pai desde sempre ter trabalhado em papelarias e eu ter um acesso privilegiado às canetas, que gosto de canetas e de esferográficas;
gosto do cheiro da tinta, gosto de as diferenciar pela sensibilidade com que deslizam na folha de papel, pela rugosidade da textura da escrita;
desde pequeno possuo boas canetas e gosto de as usar; raramente perdi uma - talvez uma vez;
agora há já vários dias que dou pela falta da minha rotring, esta mesma que ilustra o post; uma três em um, duas cores e lapiseira, pesada, para se fazer sentir na mão, ligeira na escrita; irrita-me a sensação de a ter perdido, mas o certo é que há já vários dias que não dou com ela;

domingo, julho 15

festa

ontem foi noite de festas populares numa aldeia aqui próximo;
fomos ver como era e aproveitar para conhecer outras dinâmicas (festivas) locais;
nunca fui um rapaz de festas populares, eventualmente por ter nascido na R. de Aviz e ali não existirem festas;
só já crescidito comecei a gostar das festas, de ver as gentes, os sorrisos, as alegrias, os copos em excesso, os reencontros, o matar saudades de quem não se vê há muito, as vestimentas festivas, os olhares cumplices de quem se passeia pelo indiferente;
uma festa comunitária onde metade da aldeia pertence à comissão de festas (os festeiros) e a outra metade se diverte entre copos e grelhados, tudo animado por um bailarico onde a música desafinava mais do que acertava e a banda teimava em pedir as palmas que não apareciam;
mas são estas pequenas coisas que me fazem sentir gente...

magna


a reunião magna correu melhor do que o perspectivado; as ausências foram marcantes e com elas algum do silêncio;
intervenções interessantes, que procuram equilíbrios entre visões mais péssimistas e outras mais optimistas, como umas mais centradas no umbigo dos interesses nacionais e outras que não se conseguem (e alguns não querem) desmarcar do seu posicionamento mais local, mais localizado;
disse de minha justiça, numa defesa da intervenção social dos actores regionais, da descentralização e da construção da social-democracia;
mas os silêncios, os não ditos foram tanto ou mais importantes do que tudo o que foi dito;
é uma arrumação de ideias e de interesses; para que lado irão pender e onde se irão sustentar isso é o que veremos no futuro... e não falta muito para o futuro

devagar


em férias, uma das coisas das quais me desligo é do tempo;
não tenho tempo, não olho ao tempo, não me preocupo com quanto tempo posso ou devo fazer isto ou aquilo;
o tempo flui, desliza como grãos de areias por entre os meus dedos, sem qualquer preocupação nem constrangimento;
é um dos privilégios das férias não me preocupar com o tempo;

sexta-feira, julho 13

reunião

hoje há reunião magna cá pela terra, desconcentrada como se gosta, para se debater o quê?
curioso quanto aos silêncios que se irão fazer sentir, às omissões que não serão ditas;
curioso quanto aos assentos e arranjos;
curioso, apenas...

fim do princípio


termina hoje a campanha para as intercalares de Lisboa, para aquilo que há muito defendo como sendo uma verdadeira sondagem ao governo e aos partidos da oposição;
duas notas sobre uma coisa que, goste-se ou não queira-se ou não, a todos diz respeito;
1. fica marcada pelas coligações de cidadãos, pelo retorno à rua e às conversas da política de todos os dias; esta poderá ser uma marca que perdurará para próximos actos eleitorais (pelo menos autárquicos) e que, face ao peso que possam vir a adquirir poderão ser (ou tornar-se) num fiel da balança democrática; saibam ou possam os independentes ultrapassar os maniqueismos partidários e criar novas formas de relacionamento com o cidadão, exigir e saber salvaguardar outras regras da governação democrática; para já é ponto de vantagem neste processo;
2. os resultados eleitorais irão dizer como se processarão os próximos tempos e perspectivar qual será a arrumação de forças, vontades e oportunidades; como sondagem que não deixa de ser é um teste ao governo e aos partidos da oposição, nomeadamente em como eles descortinam argumentos e soluções e se perspectivam alterações;
um à parte, urge alterar determinadas estratégias, muito egocentradas, muito delimitadas a um ou a outro protagonista e criarem-se oportunidades de diálogo, não de adiamento, mas de esclarecimento, de explicação;
curioso quanto aos próximos tempos, sabendo que marcados pela sealy season irão dar azo a que as sombras sejam de reunião e de confrontos;