domingo, julho 8

diário


quando era novo (mais novo) tive um diário onde escrevia sobre aquilo que pensava e sentia; era uma forma de exorcizar sentimentos e pensamentos;
mais tarde, quando comecei a trabalhar, optei por cadernos de apontamentos; os primeiros eram grandes, andavam na pasta que gostava de passear; serviam para registar os pequenos acontecimentos, reuniões, afazeres, etc;
rapidamente evoluiram para aquilo que sempre designaram como livro de merceeiro, um pequeno bloco de apontamentos, capa dura, a emitar o livro de actas ou do merceeiro de antigamente;
logo no início de 2000 descobri os Moleskines e nunca mais os abandonei;
gosto de registar pequenos apontamentos, pequenas ideias, entre sentimentos e ideias soltas há de quase tudo, uns mais introspectivos, outros mais sentimentalóides, outros apenas pequenas referências para mais tarde me situar, face aos dias e aos acontecimentos, como face a mim mesmo;
há precisamente 4 anos atrás, neste mesmo dia, 8 de Julho, liguei-me à blogosfera;
terá sido, eventualmente, uma extensão de mim mesmo, da minha escrita, dos meus pensamentos;
agora cresço não apenas em mim, mas com os outros, nos outros; deixei uma escrita isolada e estritamente individual, para partilhar ideias e descobrir outras formas de nos pensarmos;
descobri amigos, fiz amizades, criaram-se cumplicidades, umas na blogosfera (o Miguel, a Sofia) outras que vão para além disso mesmo (o António, o DD, o Joanete Esquerdo, o Mário e a Patrícia, alguns anónimos), que sei que por aqui passam, ideias diferentes, ideias divergentes mas que, entre todos e com todos há pequenos sentimentos comuns, partilhados, feitos de cumplicidades e de algumas amizades;
é uma auto-satisfação, reconheço, chegar a este dia e comemorá-lo como se de aniversário próprio se tratasse, mas é, acima de tudo, o reconhecimento que por aqui continuo e me sinto, como é o agradecimento àqueles que, como costumo dizer, têm pachorra de me ler;
a escrita cresceu como eu e comigo; muita das vezes desconheço se a minha escrita sou eu ou se sou apenas a minha escrita; sei é que não consigo passar sem este espaço, nem esta forma de me pensar, mesmo quando não penso em nada...
é um diário, de ideias seleccionadas, de pensamentos partilhados, de opiniões divididas, mas é um diário...

sábado, julho 7

das maravilhas


ganharam, como se perspectivava (?), aqueles que têm mais gente e consequentemente mais votos;
todas as que ganharam são merecedoras desse destaque; contudo, por que é meu e a ele estou habituado o templo romano, dito de Diana, é para mim uma das maravilhas deste país;

dia global


hoje é um dia global;
entre as maravilhas do mundo e o sos terra, os instrumentos são os da globalização para combater a globalização ou, apenas e simplesmente, para alertar globalmente para os problemas da globalização;
há muito que é perceptível que os recursos naturais são imensamente escassos para fazer face ao crescimento da população e da própria qualidade de vida da população;
até ao final do século XIX existiam dois factores "naturais" de repor este equilíbrio, as guerras (alargavam espaços territoriais, para além de reduzirem população) e as epidemias;
hoje as guerras são circunscritas a espaços e as epidemias controladas;
o único factor agora de equilíbrio somos nós mesmos, a nossa consciência face às limitações de um espaço que é finito;
e nunca é demais chamar a atenção para esse facto que, de tão evidente, nos esquecemos;

cartas


há muito que não escrevo uma carta, daquelas em papel, com caneta ou esferográfica e a coloque no correio destinada a alguém;
para além de, na generalidade, quando escrevo optar pelo pc há muito que não escrevo com destinatário próprio;
estas tecnologias substituiram, em muito, essa coisa bonita de escrever cartas à mão e ficar à espera de uma resposta, quando vinha;
agora, os e-mail, o sms ou mesmo o blogue substitui o abraço encarecido e algo ternurento da carta;
outros tempos, outros modos;

sexta-feira, julho 6

andanças

esta semana tenho andado a passear (é como quem diz) pelo Alentejo, particularmente pelo distrito de Évora;
aproveito o calor para cirandear e conhecer gentes, ideias, projectos, dinâmicas e vontades;
duas ideias se destacam;
por um lado, o claro avanço que se sente um pouco por todo o lado; há dez anos atrás ainda se faziam sentir muitas daquelas que são as questões da interioridade; hoje apenas permanece a cultura de interior;
por outro lado, a progressiva concorrência que uns concelhos fazem aos outros, seja em medidas de atractibilidade de gentes e oportunidades, seja nos arranjos das ruas ou dos jardins, dos espaços públicos;
entre uma e outra das ideias, a referência que apesar de ter levado máquina, optei por não roubar imagens;
eu sei, uma lástima, mas gosto de fotografar com menos luz;

calor

não sei se durará muito tempo, mas está calor, um daqueles dias que, ao sol, sentimos os miolos a derreter;
os mais velhos dizem que finalmente, os mais novos aproveitam para outras "novenas", entre uns e outros o desabafo que quente demais é demais;

terça-feira, julho 3

sealy season

entramos declaramente na sealy season, aquela em que o tempo custa a passar (para uns, para os que estão de férias, felizmente), onde as notícias escasseiam, pois os jornalistas também vão de férias, aquela onde os aconteciments são marcados por um quotidiano habitualmente afastado das primeiras páginas dos jornais ou da abertura de um qualquer telejornal;
o certo é que o tempo e a vida não pára; mas ficamos com uma maior sensação que dependemos de outros e de outras coisas para assegurar dinâmicas e ritmos; ficamos com a sensação da imprescindibilidade do fragor do quotidiano, das notícias e dos acontecimentos que preenchem o dia-a-dia;
até final do Verão, será um passear bronzes e o desfilar de estórias quentes;
até lá esperamos e contamos os dias, rimo-nos das estórias e surpreendemos com algumas pessoas;

matrículas

ele há coisas que, apesar de mais simples que há uns tempos atrás, ainda não foram plenamente abrangidas pelo SIMPLEX;
é o caso das matrículas, renovação, dos alunos;
hoje é dia de matrículas cá pela terra; lá fui receber o papel com as notas do filhote, assinar um ou dois papéis e deixar as coisas prontas para o 8º ano, novo ano;
pergunto, para quê? se não há alterações a registar, se permanece o que vem detrás por que razão continuar com um processo meramente administrativo e que podia ficar restringido ao respectivo sector?

segunda-feira, julho 2

coisas a brincar


há prazeres e prazeres;
juntar vários, pelo menos dois, é um prazer pelo menos redobrado;
ele há coisas que por cá temos algumas dificuldades em encontrar, mas gostava :)

coisas sérias


e em évora quem manda?
aqueles que foram eleitos?
aqueles que, não sendo eleitos, assumem o protagonismo da penumbra?
os outros que entre uns e outros, assumem lideranças oligárquicas ou aristocráticas?
são perguntas para as quais tenho dúvidas, muita dúvidas, nas respostas;
mas fica-me, quase sempre, uma pergunta, quem manda em Évora;

domingo, julho 1

curiosidade


há coisas que nos chegam por e-mail e que não merecem grande comentário ou que se perca muito tempo com elas;
outras existem que nos aguçam e espicaçam a curiosidade;
esta imagem é uma delas;
será que se pensa que existe alguma coisa do outro lado?
será que se perspectiva que apenas está de costa para nós por atitude mais ou menos púdica?
será que pensa encontrar algo antes não visto?
será por mera curiosidade?

do arquivo

se olhar para o arquivo deste meu espaço, dá para ver, pelo passar dos meses e da escrita, quais os meses em que tive mais (ou menor) disponibilidade para a escrita; como é possível perceber como evolui ao longo do ano;
esta coisa do blogue, para além de se transformar num diário que se nos atravessa na vida e no quotidiano, permite também perspectivar as ocupações e os desvios da atenção;

évora


sobre esta cidade muito se tem dito e comentado, muito fica por dizer e muito há a dizer;
sobre as eleições autárquicas, que ainda veem longe, lá para finais de 2009, a pouco mais de dois anos de distância, muito se diz, entre verdades e mentiras, inverdades e desejos incontidos, há quase de tudo um pouco;
esta entrevista do presidente da câmara vem dar azo a duas coisas;
por um lado, irá alimentar mais uns quantos desejos, de vitórias mas também de incontiências verbais, alinhando putativos candidatos a candidatos;
por outro, permitirá uma maior delimitação do campo eleitoral, tendo em conta que Zé Ernesto é figura de referência em todo este processo;
a partir de agora, e apesar da distância incontida do tempo que falta, será engraçado perceber como se alinham vontades, objectivos, projectos, ideias, disponibilidades e oportunidades; tudo isto considerando os cenários que se podem perspectivar, qual a relação entre Zé Ernesto e o PS eborense na definição de equilíbrios e sensibilidades, qual a reacção do PCP, não a pública, mas aquela outra que realçará estratégias de rua e procurará afirmar-se pelos rumores e, finalmente mas não menos importante, qual a estratégia dos jovens turcos do PSD local;
tudo conjugado estou certo que irá dar pano para mangas...

marretas


Portugal tem, desde o século XVI, os velhos do Restelo, aquilo que vendo partir as naus defendiam o imobilismo, a estagnação, a persistência dos dias assim como sempre;
mais recentemente e para além da defesa do imobilismo, apareceram os velhos Marretas, aqueles para os quais tudo o que aparecia era mau, estava mal, era para depriciar;
entre uns e outros, entre Camões e J. Hanson, venha o diabo e escolha;
isto a propóstido da feira de S. João, da Arena D'Évora e do incontido mal estar de algumas pretensas vedetas da cidade;
não suportam o avanço, sentem-se a ficar para trás, tudo criticam na expectativa de serem notadas ou ouvidas, já que ninguém lhes dá atenção;
o certo é que os tempos mudam e com eles as vontades;
felizmente...

sábado, junho 30

desvios

depois de uma semana vivida entre o atribulado e o atarefado, regresso ao meu cantinho, aos escritos que me permitem pensar e sentir;
são desvios momentâneos, mais por imposições alheias do que de vontades próprias;
mas ultrapassado o desvio, o regresso;

sábado, junho 23

começou


e lá começou a Feira de s. João e S. Pedro;
duas notas depois da primeira visita, ontem à noite;
fiquei surpreendido pela quantidade de gente para a primeira noite, não é hábito, mas a feliz coincidência de terem junto as circunstâncias de ser final do mês para muitos dos funcionários da Administração Pública (dinheiro fresco), com o facto de ser a primeira noite, de há muito, apetecível para passear e o desejo de descarregar mágoas fez com que ontem a feira estivesse deveras concorrida;
segunda nota, a clara divergência entre aqueles que assumidamente são os profetas da desgraça e o público; é notório o distanciamento entre a análise daqueles que tudo definham, tudo deploram, tudo criticam para com a população que os contraria mediante a prática de fruirem aquilo que para os primeiros é deplorável;
ainda bem;

sexta-feira, junho 22

a governação


o Miguel, invariavelmente, coloca um comentário em tom de questão, de todo em todo pertinente, o que é a boa governação;
o tema já decorre de uma sua entrada, onde analisa o conceito em função do relatório da saúde;
obviamente que não lhe vou responder, não sou capaz, não tenho competências para o efeito; mas troco ideias, particularmente em torno daquilo que me mobiliza mais, o meu projecto de investigação, na área educativa, e onde o conceito é chamado de forma assídua;
o conceito de governação surge, na recente literaruta organizacional sob diferentes formas e aspectos, por vezes indescriminadamente, entre governação e/ou governança;
para além do que se entende por um ou por outro, na generalidade querem retratar uma de duas coisas; a alteração nos modos, processos e instrumentos da acção governativa, que passaram das hierarquias às redes, da imposição à negociação, do indívidual ao colectivo, do regulamentar à regulação; neste contexto o conceito surge muitas vezes associado a outros, como participação, comunicação, fluxos, flexibilidade, regulação, entre outros;
por outro lado, o conceito quer-se referir a uma outra postura da acção pública, encarada agora sobre o lado dos valores e das ideias, dos comportamentos e dos modelos de acção, mais do que arreigados a esteriótipos de intervenção, contrários à homogeneização;´
um e outro relacionam-se estreitamente com aquele outro conceito ultimamente utilizado por pessoas de bem, o de políticas públicas;
como os conceitos aparecem mais nas áreas eminentemente de cariz económico do que na área social; como há quem puxe a economia para o social (nada a que não estejamos habituados);
agora duas ideias;
por um lado a governança poderá significar o conjunto de regras, processos e comportamentos segundo os quais são articulados os interesses, geridos os recursos e exercido o poder na sociedade;
ou, numa íntima relação com a acção pública "um espaço sociopolítico construído por técnicas, instrumentos e finalidades dos diferentes actores" (Lascoumes, 2004);
B. S. Santos tem um conjunto de textos interessantes onde destaca que, apesar destes conceitos remeterem para a participação colectiva e para uma análise não funcionalista, esta utilização é, muita das vezes, pretexto para ocultar situações de distanciamento à participação colectiva e de reforço do sentido funcionalista da acção política;
mas, afinal, o que é uma boa governação; não sei...

(já agora, como pensas transferir o relatório da qual dás conta para a área educativa?)

quinta-feira, junho 21

gestão da informação


é melhor pensar noutras coisas, mais úteis e pertinentes, de modo a desacansar o espírito e a arrumar ideias;
no âmbito do meu projecto de investigação ando com uma dificuldade, a da gestão da informação; definir processos e modelos de recolha, organização e gestão da informação;
já experimentei assinalar os livros com cores diferentes de acordo com os conceitos que trato, já criei uma base de dados para registo de conceitos, já fiz uma tabela de autores e características dos conceitos, mas persisto na sensação de desorganização, no carácter aleatório e disperso da informação;
está determinado um outro factor crítico deste projecto, a gestão da informação;

desalinhado


estou que na posso;
leva-me a pensar alto e a escrever para me conseguir pensar e situar;
sou um desalinhado manifesto; não gosto de carneirismos, não gosto de lambe botas nem lambe cus;
não me acusem, como é hábito, de pôr em causa o socialismo - na gaveta já está há muito (talvez bem), a social democracia (da qual sou acérrimo defensor) parece cair em desuso;
restam-nos uns quantos amorfismos que trocam salamaleques como se de gente importante se tratasse;
não gosto da rotina, nem da previsibilidade; sou emotivo, gosto das gentes e das conversas; confude-me a ignorância e a arrogância, como fico descabreado com a incompetência e o deixa andar;
nos tempos que correm, fruto de tudo e de mais alguma coisa, ando desapontado e desiludido, faz-se sentir, ainda mais, o meu carácter de desalinhado;
dizem-me que não mudo o mundo, nem é minha intenção tal, mas procuro mudar o cantinho em que me encontro, sinto é as dificuldades de David frente a Golias, da formiga perante o elefante;
dizem, provavelmente com razão, qual a minha arrogância de querer mudar o que para muitos está bem;
sempre que estou assim, lembro-me do filme "Expresso da Meia-Noite" em que preso e condicionado, teimava em andar em sentido contrário, era, dizia, a única forma de se sentir ainda gente no meio daqueles que não eram nada nem ninguém;
talvez uma das razões de ser desalinhado;

desabafo público


há tempos atrás, no tempo de governação do PSD, dizia que era necessário algum estofo para se estar como responsável na administração pública;
passadas as eleições que determinaram a alteração governamental, calhou-me a fava de assumir (ir)responsabilidades na AP e, ainda por cima, numa área descredibilizada e desconsiderada;
com o progressivo conhecimento adquirido realça-se que a vontade de muitos, a competência de alguns e o profisionalismo de outros não é suficiente para conduzir o barco por entre ventos e marés, umas de origem metereológica, outras de índole mais pessoal;
a não consideração dos actores locais/regionais faz com que as chefias desconcentradas mais não sejam que correias de retransmissão de vontades alheias, qual operário acéfalo e inconsequente das suas atitudes;
aliado ao cansaço surge, facilmente, a impaciência e o desânimo, na assumida concepção que estamos frente à baliza e falhamos o golo, o objectivo último que nos move a nós e a muitos outros;
não ponho em causa valores e ideias, ideais ou modelos da acção socialista, mas tenho de me interrogar sobre as metodologias e as estratégias de acção que deixam muito a desejar, que valorizam aspectos de acordo com alguns interesses e interessados, deixando pouco (ou nenhm) espaço de manobra para quem, no frente-a-frente do quotidiano, dá o corpo ao manifesto;
é pena...