quarta-feira, maio 30

recomeçar


Jorge Luís Borges dizia que "o amor é eterno... enquanto dura";
acrescentei (ousadia minha) que tudo o que é biológico (e o amor é biológico) tem um princípio, meio e um fim; poderá durar um dia (uma noite), um mês, um ano ou uma vida, mas acaba;
isto a propósito da oportunidade que tive de estar com uma colega que, depois de 30 anos de casamento, recomeça a sua vida sentimental;
não é caso único e noto que, nos últimos tempos, não têm sido poucos os casais que depois de longo tempo de união, resolvem seguir vidas separadas; porque se esgotaram os argumentos da união, porque já não há desculpas, porque simplesmente se atingiu o limite;
recomeçar depois de um longo percurso (depois de uma maratona, recorrendo-me da metáfora desportista) tem outros encantos, outros proveitos, outras sensações; não se vivem as mesmas coisas da mesma maneira, crescemos, amadurecemos, perdem-se umas coisas mas ganham-se outras e o interessante neste processo é que, entre o deve e o haver dos sentimentos, o equilíbrio seja assegurado e a contabilidade fique a zero, no mínimo;
gostei de rever a colega, rejuvenescida, mais luminosa;
afinal, o amor é eterno... enquanto dura

em greve


não faço greve, por motivos óbvios (afinal sou uma das chefias da administração pública e, para qualquer caso, um dos representantes do patronato);
não sei se a faria caso não estivesse por estas bandas;
entre a imprescindibilidade da alteração do papel e da acção do Estado sou defensor de outras metodologias e de outras estratégias para a sua implementação;
apesar da alteração das lógicas de funcionamento e organizacionais as lógicas de implementação da mudança continuam muito top-downn, de cima para baixo, como se no topo estivessem os inteligentes e, cá em baixo, os operários, humildes servidores e operacionais do que os outros pensam;
continuo a defender um Estado em rede, onde, entre a concepção e a implementação, existiria uma articulação funcional, uma responsabilização individual e uma prestação de contas consentanea com os objectivos definidos;
muita da agitação social que se vive podia ser, no essencial, minimizada, caso os interlocutores sectoriais e regionais fossem chamados não apenas a implementar (quando o são) mas a justificar, a negociar, a esclarcer e clarificar o que se faz;
não estamos em tempos de imposição, mas de negociação; as populações têm de perceber o que se está a fazer, porque se está a fazer, qual o caminho, quais os objectivos, o que se obtem em troca, o que se ganha (e o que se perde) com a mudança;
porque os actores desconcentrados ou não são chamados a esta intervenção (quando não mesmo relegados para 3º plano) ou porque simplesmente estão pouco habilitados ao esclarecimento, à negociação, ao compromisso, corre-se o risco de radicalizar posições onde há sempre um conjunto de interesses e de interessados que daí obtem dividendos;
independentemente da guerra dos números, no contexto de uma greve, ninguém ganha, apenas se reforça o acantonamento de posições;

terça-feira, maio 29

serviço completo



como as coisas andam;
há dias dei com um letreiro numa agência funerária que dizia, em letras garrafais, "funerais - 700€" e, em letras mais pequenas, "tudo incluído";
tive pena de não ter oportunidade de captar a imagem e a deixar aqui;
mas pensei para com os meus botões, se é tudo incluído valerá a pena perguntar se já inclui o morto; se sim encomendo já o meu, e fico descansado dessa parte à qual, geralmente, não assistimos;

filhota


a filhota faz hoje 10 anos;
como se calculará é dia de festa, de ansiedade, de expectativas, entre as prendas, os gritos da brincadeira e o prazer de se sentir crescer;
é o primeiro ano que não o passamos à beira de uma piscina;
não foi a única coisa de jeito que já fiz; há que lhe acrescentar o mano, ambos são, sem a mínima sombra de dúvidas, as coisas mais belas que já fiz em toda a minha vida, e precisei de ajuda para o fazer;

sábado, maio 26

e...


e nesta minha cidade, onde tanto se fala, onde tanto se opina, qual poderá ser o papel dos independentes? será que se poderá perspectivar uma acção de independentes? qual poderá ser a (re)acção dos partidos políticos (mais tradicionais) face a uma proposta política independente?

sondagens


as sondagens divulgadas entre 6ª e sábado sobre eventuais resultados das eleições em Lisboa, levaram a colocar um conjunto de questões que considero interessantes e pertinentes, nomeadamente os destaques aos que, pretensamente, ficam nos primeiros lugares, os independentes Helena Roseta e Carmona Rodrigues;
será que significará efectivamente o desgate dos partidos políticos? será que, no contexto autárquico, há lugar prioritário aos independentes? qual a relação que se pode estabelecer entre partidos e independentes na democracia? qual o papel partidário da democracia participativa?
provavelmente serão questões que nos próximos tempos e em próximas oportunidades eleitorais poderemos perceber de modo mais interessante;

ervas


este ano, fruto do Inverno prolongado e de uma Primavera hesitante, as ervas irão dar cabo de mim, muito antes de eu conseguir o que quer que seja;

quinta-feira, maio 24

passantes


vá-se lá saber porquê, mas noto um crescente número de passantes por este meu espaço;
de uns poucos, aparentemente o número alarga-se;
será da escrita? do pensamento? das ideias?
ou será apenas do conhecimento? das amizades? das cumplicidades?
ou será apenas curiosidade?

dificuldade


sinto que é cada vez mais difícil ser-se profissional do seu ofício, isto é, gostarmos e empenharmo-nos no que fazemos, no que somos;
sinto que cada vez há mais barreiras entre aqueles que fazem e são profissionais por e com gosto e aqueles que consideram aquilo que fazem uma seca ou, apenas, a necessidade de assegurar um rendimento mensal;
é visível, à distância, aquele que faz com gosto e por gosto daquele que se debate na angustia de não saber o que faz, porque faz, para que faz;
há bons e maus profissionais em todo o lado e em todas as profissões, mas sinto, nos dias que correm um cada vez maior fosso entre uns e outros, com claros reflexos no desempenho, no atendimento, nas relações e nas imagens institucionais;
e a treta disto e desta sensação é a de perspectivar que os maus se sobrepoem aos bons profissionais e o nivelamente é por baixo;

titular


ontem procurei inscrever-me para o concurso de acesso a professor titular;
fiquei a saber que não precisava, tendo em conta que no ano anterior já me tinha inscrito - fico na dúvida, se o ano passado me inscrevi na base de dados de quem tudo pode e sabe, o dito Polvo, ou se já me tinha inscrito para o concurso e não sabia;

devagar


calma e sossegadamente, quase que de forma tímida, os dias escorrem assim, directos a algum pretenso local que a fé ou a esperança determina;
sente-se a ironia dos dias, o sarcasmo de um ranger de dentes, de um crepitar de sensações, umas mais desconhecidas que outras;
estou na fase de me questionar, de perceber se efectivamente estou bem e de como quero estar, onde quero estar, com quem quero estar;
dar a cara e o corpo ao manifesto pode ser excessivo quando os cabelos brancos marcam presença cada vez mais assídua e a paciência (para a hipocrisia, para a incompetência, para a desorganização) se esgota;

quarta-feira, maio 23

administração


é um reconhecimento, desde sempre o disse e o escrevi por inúmeras vezes, gosto de ser professor, como gosto de trabalhar na administração pública (AP);
isto porque não consigo perceber determinadas lógicas de (dis)funcionamento, e menos ainda quando são definidas pelos próprios; ou seja, em tempos de reorganização da AP, fundamental em tempos de reformulação da própria da acção do Estado, perceber que os serviços são desvalorizados, as pessoas desconsideradas, a participação esquecida, os argumentos escondidos;
apesar da reorganização e reformulação dos serviços do Estado é determinante que, para a sua valorização (e continuo a defender a acção do Estado, nem que seja como ente de regulação social), sejam valorizadas as suas diferentes unidades orgânicas, como instrumentos (regionais ou sectoriais) de afirmação do Estado Central;
aparentemente não é isso que se sente; permanece uma lógica assente na centralidade de uma pretensa inteligência capitalista que deixa todas as restantes partes na ansiedade, na gestão das expectativas, no gozo das dúvidas;
não será tempo de, em face da afirmação do Estado, se afirmarem os actores dessa acção pública? não será tempo de considerar que existem outras lógicas e outros modos de agir que podem ser levados em consideração na definição operacional dos instrumentos de acção pública?

papas e papistas


o recente e conhecido episódio do professor da DREN e os comentários do meu joanete esquerdo revelam diferentes ideias das quais destaco duas;
uma porque me sinto directamente envolvido, diz respeito a uns quantos pretensos ideólogos que se tornam mais papistas que o papa, mais zelosos da moral dos outros do que da sua; eventualmente procurarão esconder o gato (as suas amarguras) deixando-lhe o rabo de fora (as suas prórpais vulnerabilidades); eventualmente querem mostrar trabalho qual mcartistas esquecendo-se que hoje a malha informativa é larga e impossível de segurar veleidades desta natureza;
segunda referência, na qual também me incluo, nunca como hoje tivemos tanta liberdade de dizer e de escrever, de participar e de opinar, de apontar e de criticar, mas... nunca como hoje nos sentimos tão condicionados por aquilo que dizemos ou escrevemos, tão "apalpados" pelas ideias veiculadas, pelo cruzamento da informação, pela pretensa liberdade de opinião;
entre uma e outra das ideias, quase que me apetece perguntar, que estamos nós a fazer? não teremos nós o livre arbítrio de ir contra as marés daqueles que se arvoram de papistas? não teremos em nós mesmos a capacidade de contrariar este estado de coisas?
pessoalmente quero continuar a pensar que sim;

terça-feira, maio 22

de quem


hoje é dia de provas de aferiação no 4ª e no 6ª ano; na TSF trocam-se ideias entre a avaliação dos alunos e a avaliação dos docentes;
entre comentários mais ou menos (im)pertinentes quase que apetece perguntar, afinal, quem se avalia?
ponto aparentemente concensual é que todos estão contra, como sempre; pergunto porquê? alguém tem medo da avaliação?
é fácil dizer que não e arranjar mil e um argumentos para justificar o injustificável; provavelmente será apenas a consciência face à utilização dos seus resultados; ou não?

caretas


S. Pedro brinca connosco, como quem brinca com uma flor entre o malmequer e o bem-me-quer;
faz caretas e distrái-nos do tempo que devia fazer;
tomamos consciência das implicações humanas no estado do nosso planeta e as coisas já não são nem lineares, nem previsíveis, nem expectáveis;
resta-nos ter paciência para as caretas do tempo e esperar melhores dias, daqueles azuis, com sol e tempo quente, que trazem com ele mais alegria e boa disposição;

segunda-feira, maio 21

recordações



não sei se foi coincidência, mas estas duas últimas semanas são uma clara evidência que o passado não está nem esquecido nem enterrado;
depois de Fátima foi a vez do futebol, casamento de coincidências e oportunidades;
será que para a semana que vem é a vez do fado?

recusa


sem justificação, nem explicação hoje recuso-me a comprar jornais;
estou em blackout informativo;

sexta-feira, maio 18

prioridades


é engraçado, para quem, como eu, gosta de trabalhar na administração pública e de perceber as lógicas organizacionais que lhe estão subjacentes, como são diferentes os olhares, as concepções, os modos e as formas de relacionamento na administração pública portuguesa;
convivem nela diferentes realidades, umas ainda muito relacionadas a modos do antigamente, e outras mais fluídas, informais e pessoais;
para quem, como eu, trabalha na área da juventude, é engraçado perceber a desvalorização com que é olhada esta área, a falta de prioridade e de atenção com que outros sectores se relacionam com a juventude, numa por vezes assumida assunção que juventude = garotada;
como se existissem diferentes prioridades, diferentes níveis de administração pública, uma de primeira liga outra mais baixa, mais secundária;
não tem sido fácil ganhar a credibilização deste serviço e salvaguardar o equilíbrio entre uma imagem que não deixa de ser institucional e um posicionamento na vida marcado pela irreverência e pelo questionamento;
afinal prioridades que mais não fazem que reflectir a pluralidade de situações que convivem nos tempos presentes; harmonzar estas prioridades, consensualizar as posições é o grande desafio dos próximos tempos; e há quem esteja a milhas dessas intenções;
afinal... prioridades;

exames


as provas de avaliação, em qualquer nível de ensino e em qualquer circunstância, são um dos instrumentos mais poderosos (único?) de regulação dos comportamentos sociais e escolares, de relação entre docentes e alunos, de equilíbrio das discussões entre a escola e os pais/encarregados de educação, da escola com a sociedade;
para a semana realizar-se-ão as provas de aferição do 4º ano, 3ª e 5ª feira, ano que a filha (mais nova) frequenta;
tem sido engraçado (?) perceber os modos e as formas de relacionamento que a professora tem apresentado nos últimos tempos, criando toda uma mitificação em torno da sua realização;
no meu entendimento deveria ser apenas e simplesmente o culminar de um ano e de um ciclo de ensino; mas torna-se, pelos discursos, pelas ideias, pelos valores veiculados, pelas narrativas, pela apresentação feita da prática num dos momentos stressantes, angustiantes e problemáticos tanto para os alunos como para os pais e que não deixa de lado os professores, por muito que procurem descartar a situação, empurrando a responsabilidade para cima ou do aluno ou da família;
para quem está no final do 1º ciclo de formação e que terá pela frente e pela vida uma permanente avaliação, é assumir o lado mais negro de um processo que deveria ser natural e normal;
há em quem complique, em vez de desmontar as ideias e ajudar aos processos e aos procedimentos;

quarta-feira, maio 16

serviço público


duas ideias em torno das eleições intercalares para a câmara de Lisboa;
todos dizem que perdem dinheiro, todos dizem que está mal, todos se queixam do trabalho, dos sacríficos, mas todos lá querem estar; será por interesse de serviço público?
a primeira sondagem em tempo real ao governo de Sócrates; pelas dimensões, pela pluralidade de situações, pela heterogeneidade social, pelos interesses e pelas estórias (reais ou ficcionadas) este será um momento crítico da avaliação governativa; o facto de ser em Lisboa é apenas meramente circunstancial; e não será apenas ao governo, será também aos diferentes partidos políticos, como ao movimento de cidadania;
a ver vamos como se portam uns e outros e como se articulam interesses partidários com interesses públicos;