quarta-feira, abril 4

coisas


estas coisas da blogosfera tem coisas com as quais ficamos entre o riso e o expectante;
o filho, mais velho e mais próximo das tecnologias, já marcava presença;
agora, depois de uma conversa entre irmãos, é também a filha que marca presença na blogosfera;
fico entre o encantado, pela liberdade, autonomia (espero que responsabilidade) e o domínio da tecnologia (que mundos nos separam, o meu, aquele em que cresci e com o que cresci, e este em que os meus filhos crescem e se afirmam) e algo receoso do mundo tenebroso e anónimo de desafios que é a Internet;
resta-me a esperança de estar a fazer o que me compete, isto é, apoiar os filhos a crescer para que saibam separar o trigo do joio, ter consciência crítica e memória para descortinar o mundo que se lhe depara;

segunda-feira, abril 2

do querer

as coisas, face a um dos comentários deixados à minha posta interior, nunca são comos gostariamos que fossem, mas como podem ser, como nos deixam ser;
sejam as basófias (ficam tão bem discutidas no mundo virtual, tão carentes de argumentos quando no frente a frente), sejam os gostos literários;
como a Patrícia, sempre escrevi mais para mim do que para quem me lê, mas tenho consciência e percepção que algumas vezes me sinto condicionado pelo que escrevo, mais por pensar em quem me lê do que aquilo que penso e escrevo;
afinal, deixei de ser um cantinho privado e particular (em que trocava argumentos com um ou outro amigo), para ter aqueles que (como costumo dizer e escrever) têm pachorra para me ler;
e isso, queira-se ou não, condiciona a escrita e o pensamento que sustem a escrita;

da escola


tenho consciência que ao abandonar um dos meus blogues favoritos, o da escola, perdi alguns visitantes e deixei para trás algumas amizades;
mas foi uma opção forçada, mas do que tomada e assumida;
não estou na escola, apesar de a ela me sentir ligado como a poucas coisas, e não queria cair naquele estigma de ser fácil de falar por que não estou na escola, de dedo apontado a quem, de fora, comenta e opina;
continuo a pensar, a trabalhar e a estudar a escola, para além de a viver (seja por questões académicas, seja por questões familiares, afinal os filhos estão na escola);
mas é uma opçõa forçada a que, por ventura um destes dias, regresso com a pertinência e o conhecimento de caso;
mas por agora, prefiro ler os outros, aqueles que apenas por questões de respeito não referencio (mas eles sabem quem são) mas que estão aqui ao lado, nesta lista de cabeça;

pausa


depois de uma curta pausa, mais retemperante que reconfortante, o regresso ao quotidiano e às moengas que com ele andam associadas;
mas é bom regressar ao quotidiano, significa que estamos vivos e com ânimo para viver;
com breves comentários aos comentários que me deixaram;

quarta-feira, março 28

interior


acho engraçado - e algo contraditório - o facto de cada vez mais se escrever neste espaço da blogosfera para nós mesmos, mais virados para o interior, para um intimismo que considera o outro, que aceita e tolera o outro na sua mais estreita dimensão individual;
a Sofia condicionou o acesso ao seu espaço, numa claríssima afirmação daquilo que afirmo;
eu próprio dou por mim a escrever sobre coisas vulgares, vícios e prazeres banais (por que individuais, próprios e pessoais), mais do que procurar discorrer sobre o mundo, a política ou a profissão;
por ventura esta dimensão da blogosfera entra num nível (eventualmente assumido, possivelmente mais explícito) do que sempre foi, de um voyerismo sobre o outro, nas suas diferentes manifestações, inclusivamente intelectuais;
ou serão devaneios meus? talvez

adaptação


nunca de forma tão evidente como agora se sente que os tempos exigem caacidade de adaptação, adaptabilidade, flexibilidade onde, sem quebrar regras, princípios e valores, nos consigamos a adaptar a novas e a diferentes situações, circunstâncias, exigências, requisitos;
constantemente e de modo recorrente nos pedem que nos adaptemos, saibamos utilizar novos processos e novos procedimentos;
o que está agora em jogo, mais que antes, é a adaptação funcional, organizacional, saber interpretar os sinais e (re)definir novos rumos, outros sentidos;
é esta capacidade de adaptabilidade que torna fundamental e imperiososo os tempos que correm, sejam eles em que área for;
sem ela, sem se criarem os mecanismos de adaptabilidade corremos o risco de cair em lógicas de darwinismo social, onde apenas alguns, os mais fortes, sobrevivem;

cumplicidades


gosto das cumplicidades, gosto dos pequenos devaneios que nos aceleram o sangue pelo corpo;
gosto dos pequenos prazeres, das fugas, dos fetiches (dos permitidos e dos outros), gosto de (d)escrever as emoções e as sensações que se sentem, que perpassam pelo corpo, qual fuga de nós mesmos;
gosto de quebrar quotidianos, romper rotinas;
afinal, quem não gosta de feitiços, de cumplicidades, sejam elas quais forem, tenham elas que forma tiverem;

domingo, março 25

devagar


uma das razões pelas quais gosto de viver na aldeia é a manifesta sensação de lentidão com que o tempo passa e as coisas acontecem;
independentemente do que há que há para fazer, das peripécias dos quotidianos, as coisas acontecem a uma velocidade que permite perceber o que se passa e o que acontece;
hoje ande de enchada na mão e, quando dei por mim, apenas era meio da tarde; a ateração da hora também favorece essa sensação, mas gosto de viver aqui, de estar aqui, de disfrutar deste espaço onde as coisas não acontecem, vão acontecendo;

pdm


depois de muitas peripécias, de muitas trocas e algumas baldrocas, vai-se começar a discutir o PDM (plano director municipal) da cidade/concelho de Évora;
é certo que irá dar pano para mangas, entre trocas de argumentos e de opções, opiniões e vontades, mas a verdade é que há, queira-se ou não, goste-se ou não, base para que se possa discutir;
entre opções e ideias, argumentos técnicos e opiniões políticas o menú é diversificado e plural; estou certo que aparecerão ideias de construtores e de bem intencionados, de santos e de pecadores, que o passado (fantasmas ?) marcará presença e o futuro será consciência pesada;
mas Évora e o Alentejo precisam de futuro, nós precisamos de futuro;

quinta-feira, março 22

profes

esta não é uma ideia recente - nem muito original - mas interessante para quem é professor - e eu não abdico desse estatuto:

os profes nunca têm razão;
Se é jovem, não tem experiência;
Se é velho, está ultrapassado.
Se não tem carro, é um coitado;
Se tem carro, chora de barriga cheia.
Se fala em voz alta, grita;
Se fala em tom normal, ninguém o ouve.
Se nunca falta às aulas, é parvo;
Se falta, é um "turista".
Se conversa com outros professores, está a dizer mal do Sistema;
Se não conversa, é um desligado.
Se dá a matéria toda, não tem dó dos alunos;
Se não dá , não prepara os alunos.
Se brinca com a turma, é palhaço;
Se não brinca, é um chato.
Se chama a atenção, é um autoritário;
Se não chama, não se sabe impor.
Se o teste é longo, não dá tempo nenhum;
Se o teste é curto, tira a oportunidade aos alunos bons.
Se escreve muito, não explica;
Se explica muito, o caderno não tem nada.
Se fala correctamente, ninguém entende patavina;
Se usa a linguagem do aluno, não tem vocabulário.
Se o aluno reprova, é perseguição;
Se o aluno passa, o professor facilitou.
É verdade, os profs. nunca têm razão... Mas se você conseguiu ler tudo até
aqui, agradeça-lhes a eles.

pergunta

hoje uma amiga telefonou-me e perguntava-me se tenho feito alguma coisa;
descansou ela e descansei eu;
qual quê, o tempo tem sido curto, escasso para tudo o resto;
resta muito pouco para um trabalho que se pretende maturado, pensado, consolidado;
há que ter fé, quando nada mais há - pelo menos não tem havido trabalho;

...

quinta-feira e é o primeiro dia desta semana em que me sento no meu cantinho, a disfrutar dos meus pequenos prazeres;
algo vai mal neste reino, quando nem para mim consigo organizar espaço e condições para disfrutar do que gosto;

quarta-feira, março 21

...


serão necessárias palavras?

efervescência


Évora, cidade e região, anda nos últimos tempos numaefervescência que escapa à maior parte das pessoas e das atenções;
vá-se lá saber porquê;
politicamente as coisas não andam fáceis de gerir e sentem-se as movimentações, umas mais casuais que outras, umas mais subtis que outras, outras mais expressas que outras;
transversalmente ao partidos políticos, repercutem-se na sociedade, na cidade e nas dinâmicas, os jogos e a procura de outras estratégias, outros alvos para os mesmos objectivos;
já aqui tinha escrito que 2007 ia ser um ano deveras interessante e está a ser, por todos os motivos e mais alguns;
e é engraçado perceber o que não se percebe, os sub-entendidos, os desvios de atenção, as chamadas ao passado, o que fica por dizer, as ausências ou os silêncios;
é engraçado, no contexto de uma análise de políticas públicas, perceber que o que fica por dizer, o não dito é, por vezes, muito mais importante do que aquilo que se diz;
e ainda apenas passaram 3 meses;

e chegou


e ela chegou, a Primvera, quase sem se dar por isso e já com saudade dos dias mais quentes, do sol e da alegria que permite, aliada à descontracção dos dias mais longos;
pode não parecer, mas a primavera chegou;

sábado, março 17

sítios da minha terra


Um regresso a esta temática, para destacar um pequeno concelho, uma pequena vila e como dos pequenos pormenores se podem retirar dividendos e mais valias;
esta imagem é da vila de Borba, mais conhecida pelo seu vinho, pelas adegas e, ultimamente, pelo azeite;
aparentemente entalada entre Vila Viçosa e Estremoz, dois expoentes da exploração do outro branco, a reviravolta política de 2001 soube retirar dividendos desse posicionamento e ganhar brilho que, neste momento, emsobra uma e outra das vizinhas;
é um espaço pequeno, agradável de percorrer a pé, com pequenos recantos, com muitas tasquinhas (apesar da sua acelerada transformação em cervejarias, restaurantes ou casas de pasto);
é um canto de que gosto;

química


a ideia com que fiquei do estudo da química é a de um conjunto de pequenas ligações que estruturam (quando não mesmo determinam) todo o mundo macro;
é o que senti com o pedido colocado rede (sobre notícias em redor das questões da disciplina escolar); de um pequeno ponto enchi uma caixa de correio;
sinal evidente de várias coisas das quais destaco duas;
esta rede é o que dela fazemos, e para o que queremos;
as cumplicidades e as amizades, a colaboração e as partilhas ainda existem nesta rede virtual, que vai para além do desconhecido e se envolve de emoções;
obrigado;

quinta-feira, março 15

redes


Há tempos um colega desta rede, fez-me chegar um apontamento que foi directo ao centro do meu interesse académico;
a partir desse apontamento surgiu-me a ideia de solicitar a colaboração desta rede virtual de companheirismo e de interesses;
nesse sentido, replico para este espaço um pedido efectuado a um grupo mais restrito de colegas;
dizia assim:

pedido de colaboração/ajuda na perspectiva das redes colaborativas;
se não souberem passarão a saber que me encontro a desenvolver o meu projecto de tese de doutoramento em torno de uma coisa que designo como regulação dos quotidianos (mais não é que uma perspectiva de análise, assente no conceito das políticas públicas, em torno das questões disciplinares);
neste contexto, estou interessado em referenciar artigos de jornais, revistas ou outras publicações - menos regulares, menos divulgadas, menos conhecidas - onde se discorra sobre disciplina escolar, indisciplina, comportamentos disruptivos e, mesmo até, violência em contexto escolar/educativo, seja decorrente de situações concretas, seja de medidas de política, seja pela análise académica;
peço, assim, a V/ colaboração/ajuda/apoio mediante a indicação (referência)de:
- artigo
- fonte
- data
- autor
- tema/âmbito (indisciplina, violência, comportamentos, trabalho académico, política educativa...)
- observações que considerem pertinentes
ou, muito simplesmente, que me façam chegar o endereço electrónico (caso esteja disponível on-line);
se puderem ajudar/colaborar fico agradecido e reconhecido;
se não puderem também não será por isso que desisto;

terça-feira, março 13

movimento


contudo os tempos movem-se e atrás do tempo vêem mais tempos;
estamos em tempos em que a hesitação custa a todos, se repecute no funcionamento organizacional e se estende à cidade;
ou somos capazes de definir um dado sentido (pessoal, político, institucional, social...) ou somos atropelados pelas dinâmicas que alguém pretensamente terá definido e incutido;
esperar é sinal de ausência, parar é perder um espaço e um tempo que pode ser determinante na acção estratégica;
e cada vez mais os tempos são estratégicos;

das emoções


sou transparente nas minhas emoções, nos meus sentimentos;
quero acreditar que todos o somos um pouco, mas uns conseguem guardar melhor e para si aquilo que sentem, como estão, como se sentem;
provavelmente decorrente da conjugação de ser balança (e volátil como o ar) aliado ao facto de sempre ter dado viva expressão às minhas emoções (como filho único) sou transparente;
se estou bem levo tudo à frente, puxo e empurro, motivo e emotivo; alegria e disposição a rodos, pronto para tudo, de peito aberto e disponível;
mas se estou menos bem, também se nota, também se faz sentir;
ultimamente, fruto do cansaço, do trabalho, das hesitações de outros, da turbulência político-administrativa, tenho-me deixado enredar em contradições e numa panaceia de marasmo que me irrita e que acaba por contagiar família e amigos, colaboradores e colegas e se repercute no relacionamento;
resta-me esperar, sentado, que isto passe e se amenizem os estados de espírito;

segunda-feira, março 12

pelo contrário

em termos de escrita a minha precisa de marinar, de descansar para perceber para onde vai e como vai;
no meio de precalços só me resta retirar dividendos;
uma vez mais a pen, onde guardo os apontamentos, pifou; diz que precisa de ser formatada;
a última cópia que lhe fiz será da passada semana; uma vez mais o fim-de-semana foi pacífico e inerte em termos de escrita, li mais do que escrevi;
mas lá tenho de recuperar as coisas do passado;
nesta recuperação soltou-se-me uma ideia, agora evidente;
tratar as questões da indisciplina no presente reflecte uma forma de pensar a escola, de realçar um conjunto de ideias, valores e pressupostos, muita das vezes contrapostos a um tempo de pretensa disciplina, rigor e autoridade;
mas, afinal, apenas destacamos ideias e valores e, acima de tudo, uma ideia de escola;
resta-me, eventualmente por questões de facilitação metodológica, trata a ideia pelo seu contrário, tendo em conta que a escolha de instrumentos e procedimentos (no caso disciplinares ou de disciplinação) nunca é inocente;

somos

somos fruto dos elementos fundamentais deste planeta - terra, ar, água, fogo - ou são eles que são feitos de nós?
há dias ouvia comentários sobre os elementos que nos constituem e como nos complementamos, como nos acrescentamos um ao outro nesta massa de formas;
estas questões, como aquelas em redor do zodiaco, são daquelas em que progressivamente deixamos de acreditar, por que nos convém, mas que persiste, lá no fundo, num misto de incerteza, de dúvida;
afinal, eu não acredito em bruxas, mas que elas existem existem;

domingo, março 11

11 de Março


passaram 3 anos;
parece que nunca aconteceu;
parece que foi ontem;
é preciso não esquecer, é preciso recordar;
acordei com estas imagens a varrerem diferentes canais de televisão;
escrevo para não esquecer que o terror existe e que pode acontecer;

sábado, março 10

passado - futuro


sinceramente, sinceramente nunca me preocupei em definir futuros;
há dias perguntaram-me que planos tinha para o futuro, a resposta deixou o interlocutor a olhar emudecido para mim, simplesmente disfrutar do presente;
com formação inicial em História (prazer da qual não abdico de regressar de quando em vez para pensar o meu tempo) relativizo o futuro, sabendo que ele só pode ser se houver presente, se este for coerente e consistente, assentar em fundos fixos e estruturantes;
uma música diz que "o passado foi lá atrás", eu digo que o futuro fica lá atrás; para a frente apenas as consequências daquilo que hoje fazemos, frutos do que semeamos;
por isso descanso em paz, durmo sossegado, sabendo que o futuro acontecerá, naturalmente;

do real


dos tempos que correm, já não fazemos deles o que queremos, eles fazem-nos, definem-nos, impingem-nos ideias e formas, métodos e conceitos, opiniões e pré-conceitos;
provavelmente o pós-modernismo, seja isso o que for, terá abatido a opinião individual, colectivizado o individuo como os facismos nunca conseguiram;
há uma clara mistura, quando não promiscuidade, entre real e imaginário, entre ser e pensar, mediatização e realidade;
onde acaba um e começa outro?
para uns o copo está meio cheio, para outros meio vazio; o certo é que apesar de meio, não há meio termo na comparação nem na análise;
como se as ideias fluissem mais por obrigação do que por argumento;
e, afinal, o copo está meio cheio ou meio vazio?

quinta-feira, março 8

depressa


face aos comentários da Patrícia, deixados em duas postas anteriores, reforço o pensamento e os comentários;
fica-se com a sensação que, no meio das volatilidades, das pressas, das urgências dos quotidianos, da diversificação de solicitações, dos constantes sound bytes que o principal objectivo é desviar as atenções e o pensamento;
desviar daquilo que eventualmente poderia ser essencial, para nos concentrarmos em fatdivers, em entretens que ocupam mas dispersam, que concentram, mas desfocam, que falam mas não pensam;
seja onde for, seja por que for, a sensação com muita das vezes fico é que alguém (?) pretende que não pensemos, não sejamos nem críticos, nem reflexivos, seja em que área for;
assusto-me, como a Patrícia, e debato-me contra isso;

quarta-feira, março 7


no meio de todos estes tempos e dos modos, fico com a sensação, mais do que antes, que já não conduzimos os nossos destinos nem as nossas oportunidades;
somos conduzidos, direccionados a sentidos e em direcções que alguém nos impõe ou determina;
no meio da fluidez e das flatulências sinto que estamos a perder o pequeno espaço do livre arbítrio que a igreja e o Estado, até há pouco tempo, nos deixavam;
desprendemo-nos de um e de outro (da igreja e do Estado), ganhamos em gnosticismo o que antes tinhamos em fé ou providência, mas ficamos mais órfãos;
as âncoras que antes nos prendiam a um dado sentido, hoje deixam-nos atolados em terra seca, ou leva-nos para o fundo sem luz;
sinto necessidade de alguns sinais para me poder orientar, mas o que vejo mais se parece com o trânsito cidadino, um caós, o caótico organizado, o fluxo que parece desorganizado mas que, para quem o percorre, terá sentido e direcção;

a própria blogosfera reflecte, de algum modo e de alguma maneira, esta turbulência que se vive;
mais do que política é contextual, fruto da eventual alteração de modos e lógicas, modelos e referências;
ao navegar por esta blogosfera fica-se com a sensação, pelo menos eu fico, que já não somos nem pertencemos ao século XX (das hierarquias, das racionalidades lineares, do papel e da escrita, das caligrafias, das autoridades e dos poderes decretados), mas ainda não somos nem pertencemos ao século XXI (das redes, da tecnologia imediata, dos instantes, dos bytes, dos fluxos);
mesmo os silêncios (reflectidos o mais das vezes, em ausência) são referência disso mesmo; não é por perda do eventual élan dos blogues, nem por cansaço ou ocupação dos titulares, será antes por falta de fluxos, de referências, de oportunidades, de escritas;
será que esta blogosfera já não nos permite pensar para além dela mesma?

os tempos andam diferentes, estão diferentes;
sempre disse e sempre afirmei gostar de viver estes meus tempos;
são diferentes, mais rápidos, com percepções mais fluídas, com um degostar que se prolonga para além do momento, muita das vezes quase imperceptível;
ontem ao ouvir conversas dos outros (eu sei que não é bonito, mas não resisto), ouvia comentários críticos ao governo, às políticas, mas e ao mesmo tempo, o reconhecimento de muita da sua inevitabilidade, da sua pertinência, das suas necessidades;
numa escola, ao memso tempo que se criticavam políticas, colocavam-se questões que levam ao aprofundamento de medidas, como se uma não se relacionasse com a outra;
ouvir as conversas, enquanto esperamos pelo café, enquanto passeamos pela rua, é de uma aprendizagem tremenda;
para que lado sopram os ventos, para onde apontar os rumos, que sentidos definir para aquilo que fazemos?
para onde nos levam os passos?

segunda-feira, março 5

cenários

tinha prometido não ir directamente à política, mas a tentação é maior que o esforço e há sinais contraditórios que me impelem à escrita;
aparentemente há recuos governativos - saúde, educação;
sinal de recuperação e balanços para outros saltos e outras disputas? ou apenas a consideração de contratempos?
modus político esgotado? ou a a consideração de outros cenários, menos previsíveis?
mesmo na região, muda-se pela mudança ou aparece-se para se esquecer?
cenários de dúvida... não sei se metódica.

disciplina

no contexto das notícias ultimamente veiculadas relativas a situações de violência nas escolas e contra professores, não deixa de ser algo engraçado ver a associação feita entre violência e disciplina;
não é, por um lado, usual esta associação (o usual será a associação entre violência e indisciplina), por outro, também não é usual dissociar as situações de violência da sala de aula ou de contextos sociais que variarão entre a marginalidade e a exclusão social (quando não mesmo ambas em associação directa);
contudo, o que se assiste, pelo menos por parte de alguma comunicação social e que consigo arrasta correntes de opinião, é exactamente a quase confusão entre conceitos (violência, indisciplina, disciplina, comportamentos disruptivos) como se fossem todos o mesmo ou, no mínimo, valessem o mesmo - o que está longe disso;
como não deixa de ser paradigmática a afirmação da necessária defesa de autoridade e poder do professor, como se, só por si, fosse suficiente para a resolução destas situações e o reconhecimento de crime público fosse condição necessária (sabe-se lá se suficiente) para a minimização das situações de violência;
que a comunicação social faça (e fomente) a confusão de conceitos, dou de barato; que haja elementos que não conseguem perceber onde termina a disciplina e começa a indisciplina e que esta decorre de uma interacção (habitualmente pedagógica), também é o menos;
agora que sindicatos e docentes alimentem esta ideia - que com o reforço do poder do professor se minimizam estas situações - já custo a compreender e a aceitar;
mas o erro até pode ser meu;

domingo, março 4

nem de propósito



só tenho a agradecer aos amigos a chamada de atenção;

futuros


não me apetece disputas, ando demasiadamente cansado, mas sinto necessidade de exorcizar os meus futuros;
estou em regime de gestão, portanto com toda a disponibilidade (e possibilidade) de sair imediatamente (tenho tudo arrumado, pronto);
a lei orgânica do instituto foi aprovada, em resolução de conselho de ministros, na passada 5ª feira;
há quem defenda e afirme uma coisa, há quem defenda e afirme exactamente o oposto - sobre quem fica, como se fica, com quem se fica, onde se fica;
a minha preocupação tem sido a de criar as condições internas para que não se sintam, por aí e além, os impactos de ondas de mudança, os solavancos da imprevisibilidade atmosférica, ainda por cima em época de início de picos de actividade;
sinceramente não estou preocupado de como vai ser o meu futuro, sei que vai ser - e pronto;
como sei que nada farei para condicionar seja o que for ou quem for que possa ter uma palavra a dizer nesta questão - a não ser por intermédio dos resultados do meu trabalho;
como costumo dizer, faço votos para que a luz ao fundo do tunel não seja a do comboio que vem na nossa direcção;
o resto...

e depois


ontem, por estas bandas, esteve um dia esplendoroso;
sol e mais sol, algum quentinho, um dia convidativo para o passeio, para o campo, para as companhias agradáveis;
hoje, antes pelo contrário;
o dia enfarrusca-se em nuvens pintalgadas de cinzento; o sol brinca às escondidas, ora espreita, ora se esconde;
não se percebe se está quente ou se é necessário aquecimento suplementar;
acabo como o tempo, sem saber o que me apetece; se ficar aqui no meu cantinho, trocando ideias e organizando intenções, se ir lá para fora, podar as árvores, brincar com os cães, apanhar ar;

sexta-feira, março 2

prazos

esta semana não consegui - por vontades, disponibilidade e oportunidade - tocar num livro, escrever um linha do meu trabalho, perspectivar algum sentido ao que penso, sossegar para matutar no que matuto;
raramente me sentie no meu cantinho, mal liguei o PC, não folheei nada;
foi uma semana perdida?
o futuro o dirá, mas sinto-me apertado por prazos, solicitações, obrigações e outras coisas que tais, que estão a deixar muito pouco espaço para mim mesmo e para o meu tempo;
e o fim-de-semana não irá ser melhor;

mudança


penso não ser a primeira vez que o escrevo, e não deixa de ter o ar e o aspecto de um lugar comum, mas a última entrada do Miguel, leva-me a perguntar:
o que muda do que fica, o que fica do que muda?
quando mudamos de casa levamos a tralha antiga atrás; quando se muda por decreto muitos dos procedimentos persistem;
não temos, por vezes, noção do caminho percorrido, mas quando olhamos para trás tomamos consciência do muito que percorremos, da distância a que estamos do nosso princípio;
provavelmente a questão colocada pelo Miguel decorre de não termos referências de onde partimos, de a nossa memória ser selectiva (de acordo com interesses e/ou objectivos), de a História muita das vezes servir para legitimar argumentos do presente, de andarmos tão preocupados com coisas urgentes e de nos esquecermos das coisas importantes;
mas, afinal, o que fica do que passa, o que passa do que fica?

quinta-feira, março 1

sítios da minha terra


ontem passei por Beja, em trabalho.
Lá estive a cruzar-me com gentes e modos, obras e promessas, futuros e passados;
tem, como tudo, apontamentos de enlevo;
olhar-lhe o perfil, perceber o que dele sobressai, perceber contornos de estórias e de presentes, marcas de gentes e de ideias, cruzamentos de tempos;
como tudo, há muitas cidades dentro da cidade, ruas que são marcas de tempos e de modos, de ideias ou de desejos;
gosto de Beja, como gosto de qualquer sítio da minha terra;

repetição


a repetição, como quase tudo na vida, tem um lado mau (desgasta, moi, leva ao cansaço, provoca monotonia, previsibilidade) e um lado bom (a previsibilidade pode ser interessante, sabe-se com o que se conta, há um aparente sentimento de segurança);
dosear esta repetição, para que ela que ela não ganhe um sentimento negativo de monotonia, mas saibamos com o que contar, é uma arte difícil de conseguir; é um equilíbrio excepcionalmente instável;
na vida, no trabalho, nas relações, no casamento, há sempre um certo gosto pela previsibilidade, mas um desejo de arrojo, um apetite de sossego, mas um desejo de irreverência juvenil, uma vontade de estabilidade, mas a recordação da ousadia;
a idade (desculpo-me com a idade) provoca-me este jogo de contradições, de opostos, de dicotomias;
ajudam-me a perceber e a entender algumas coisas, simplificam excessivamente outras;
quero ousar, mas apetece-me sopas e descanço; quero fugir à monotonia, mas estou cansado de correr;
em fico, por onde páro? vá-se lá saber...

segunda-feira, fevereiro 26

confusão


e de repente descubro que a pen onde tenho a tese - textos, apontamentos, bases de dados, tudo - se apresenta como hieroglifos, gatafunhos da qual não se percebe nada e se dá conta que há necessidade de formatar o disco;
é um sentimento de frustração, ainda que tenha as coisas guardadas por diferentes sítios; mas o trabalho de fim-de-semana (ainda bem que foi pouco) foi-se;
contingências tecnológicas :(

participação e política

O meu amigo Miguel, cada vez mais politizado e político (ainda bem, faz falta e permite outro tipo de discussão e outro nível de consideração) associa a participação da blogosfera à participação política e, provavelmente porque não me explicitei com a necessária clarificação, diz que menosprezo o espaço político que é a blogosfera;
certamente fui eu que, na economia das conversas escritas, não me terei explicado;
não menosprezo nem a dimensão política da blogosfera, nem a dimensão de participação que ela complementa e induz;
o que crítico, é o espaço de participação, antes aberto e plural, ser hoje a sequência da opinião publicada de alguns cronistas do reino, sejam eles a favor ou contra o governo, a favor ou contra as políticas, a favor ou contra as correntes;
o que aponto e destaco é que hoje a blogosfera (aquela que percorro) é a assunção de mais do mesmo e não do diferente;
por participação entendo a criação de espaços plurais de opinião e discussão que vão para além daquele espaço limitado e circunscrito que nos fazem crer que é único, mais pela afirmação do pensamento contra-hegemónico (na esteira do defendido por Boaventura de Sousa Santos) do que pela uniformidade e uniformização, pela standardização da grande superfície do pensamento;
o que defendo é que este espaço se deve de alargar a outras correntes de pensanmento e preocupação habitualmente não discutidas nas páginas dos tabloides, remetidos para pé de página ou para simples apontamentos, na melhor das hipóteses;
o que defendo é que este espaço pode e deve ser um espaço de políticas, de participações e não de mais do mesmo, de correntes dos outros que nos impõem modos e modas;
corre-se o risco de se perder o sentido crítico e quando mudarem as políticas e os políticos, pois eles mudarão um dia, nos instituirmos como críticos de quem está, independentemente de quem está e fazermos mais do mesmo;
falo por mim, pela blogosfera que percorro, pela minha escrita; generalizar seria abusivo e, eventualmento, pernicioso;

domingo, fevereiro 25

sequência


uma das razões que me levou (e leva) ao afastamento deste meu cantinho, prende-se com o facto de a blogosfera (pelo menos aquela que percorro) pouco acrescentar às ideias e às opiniões que circulam;
sinto que esta blogosfera (a que percorro) vai atrás da restante mediatização, deixando de criar um espaço próprio, seja ele de opinião, seja ele de posição (face a assuntos ou temas, preocupações ou problemas);
fico com a sensação que a blogosfera se institui como um veículo ou da comunicação social, ou uma extensão de alguns fazedores de opinião;
ou seja, um espaço que era plural e participado, aberto e desbragado, é hoje uma sequência da escrita mediatizada - de um conjunto de interesses e de interessados, de uns quantos que condicionam a opinião nacional publicada, de uns quantos que definem modas e ritmos, tempos e modos;
não quero com isto dizer que antes é que era bom e hoje é isto ou aquilo; quero apenas destacar que perde muito do interesse que antes tinha, provavelmente ganhando outro (que ainda não referenciei individualmente);
mas leva ao meu afastamento, por sentir uma manifesta e clara incapacidade de acrescentar coisas úteis e interessantes ao que é dito por tudo e por todos;

ontem, ao fim de largos fins-de-semana, tive oportunidade de me passear pela cidade;
olhar quem circulava e quem, como eu, passeava distraidamente entre pombos, gentes e fresco de um entardecer de Évora;
a praça de Giraldo estava cheia de gente, entre o ribombar dos sons do Paúl, e os transeuntes de outras bandas, as esplanadas estavam vazias;
fico com a sensação que não se está na cidade, passasse por ela, sem tempo para nos sentarmos a disfrutar de um simples café;

escrita

há demasiado tempo afastado da escrita, quase que me custa voltar;
penso entre o que quero escrever, o que devo, o que posso e como sou lido;
entre o condicionar das ideias - somos sempre condicionados por algo ou por alguém - e a liberdade criativa - porque gosto de escrever o que passa por mim - de quando em vez sinto-me aperriado, apertado;
afinal, sinto a criação de distâncias entre este meu espaço e o que nele escrevo;
de diário e de cabeça, passa por ser um veículo de debate e desabafo; de crescimento e de afirmação;
por vezes não sei se minha se dos outros;

quarta-feira, fevereiro 14


há dias perguntaram-me o endereço electrónico de um colega, lá o disse - fulano.tal@yahoo.com;
depois disseram-me que a mensagem tinha sido devolvida; não podia ser, sabia que o endereço era aquele;
olhei para a máquina e tive oportunidade de ver o que tinha sido escrito - fulano.tal@iau.com;
tá bem;

feitios, tal como os chapéus, há muitos, mas reconheço que me reconheci num texto de Paulo Portas :(
mas é verdade;
sinto, cada vez mais, que consegui recolher contributos de um lado e do outro da parentalidade;
tenho mau feitio mas um bom carácter;

em dia de namorados não quero, não posso, não devo passar em branco um valente beijã àquela que faz o favor de ser minha namorada há quase 20 anos (ufa, que é tempo);
um beijão;

terça-feira, fevereiro 13

Estado


finalmente, uma última nota em torno desta conversa com o Miguel;
para além dos mecanismos e dos instrumentos de regulação do sistema, um outro elemento (não menos determinante) está aqui em causa, face às políticas educativas, que é o papel do Estado;
papel do Estado leva à necessária explicitação que não se fica pelo papel do governo (este sempre mais curto, mais restrito e condicionado);
entre poderes e autoridades, actores e relacionamentos, protagonistas e conhecimentos as bases (antes sacrosantas) do poder do Estado esbatem-se, diluem-se em esquemas alargados de participação, de consulta pública, de flexibilização social, de argumentação individual;
quase que de modo inevitável que esta diluição de poderes e autoridades, se repercutiria na escola (começou há muito mais tempo nas igrejas, passou pelo exército e instala-se nos poderes laicos - escola e justiça); como se faria sentir naqueles que eram, então, os guardadores dessas formas (simbólicas ou efectivas) do poder, os professores;
hoje muitos pretendem reforçar ou recuperar os seus poderes indo atrás buscar antigos modos e modelos de exercício dos poderes (autoritarismo, colectivização, uniformização, homogeneização); apenas se esquecem (?) que os tempos são outros, os contextos diferentes e as oportunidades mais debatidas e argumentadas que impostas;
e a escola - e os seus profissionais - continuam a fazer percursos de fé, quando a realidade é cada vez mais agnóstica;
enquanto perdurar esta relação desencontrada, estou certo que não há escola, nem profissionais que resistam à sua inevitável erosão (social e política);
alternativas?
organizar os espaços e os tempos pedagógicos de modo diferente - ultrapassar a visão de ensinar a muitos como se de um só se tratasse;
integrar o contexto, enquanto complememento e não como concorrente - chamar os pais, os poderes e os protagonistas locais, fazer funcionar a assembleia de escola para além da sua rotina de dramatização político-educativa;
instituir os conselhos municipais de educação como elementos reguladores do local - mediando a transposição do estado central ao local, definindo percursos e meios, inventariando futuros;
considerando o aluno como sujeito e não como objecto pedagógico;
apresentar argumentos e não apenas opiniões;

dúvida


a questão anterior leva-me a considerar o centro da mudança educativa (mas não só), há muito discutido, debatido, dissecado e maltratado;
como leva a considerar um dos conceitos mais debatidos dos últimos tempo no campo educativo, a regulação do sistema;
há quem defenda que a mudança faz-se apenas por indução exterior à escola - pressão social, controlo parental, políticas partidárias, correntes pedagógicas;
como há quem defenda que as mudanças se fazem por dentro da escola - aproveitando práticas, enquadrando modos de trabalhar, disseminando conteúdos;
entre um e outro ponto teremos de considerar diferentes mecanismos, modos, procedimentos e, acima de tudo, instrumentos de regulação;
regulação das práticas, dos comportamentos, dos modos de relacionamento, de entendimento da coisa educativa;
ora o que tem marcado ausência deste campo de debate têm sido exactamente os professores e as suas estruturas;
a agenda educativa, há muito (provavelmente desde 1986, com a LDSE) que está longe da intervenção dos professores (ou se afastaram ou foram afastado?);
será tempo de a recuperar, será tempo de os professores defenirem a sua agenda, os seus interesses, os seus mecanismos de regulação;
em contrário, corre-se o sério risco de quem vier a seguir (por que há mais tempo para além deste senhora ministra) fazer mais e, muito provavelmente, acentuar o processso dedes-regulação da escola;
e, afinal, o que queremos (nós professores, nós pais, nós cidadão) que a escola seja?

diálogo


Ora cá está um dos argumentos, fortes, que me traz à escrita, as amizades e as conversas que elas promovem, induzem, estimulam;
inevitavelmente o Miguel foi atrás do meu comentário entre a defesa de uma escola situada e os receios da balcanização das relações profissionais - estou certo que não contarás com esta como dependente dos poderes locais;
a questão até pode ser (aparentemente) mais simples do que aquilo que fazemos crer, isto é, e indo para um questionar crítico, permitam-me:
se não houvesse estimulo externo (imposição dos poderes políticos, por exemplo, um ministério da educação, por exemplo) as escolas mudariam de práticas e modelos de comportamento?
se não existissem regras contrárias à retenção simples e directa do aluno quantos chegariam à conclusão da escolaridade obrigatória?
se não existissem orientações nesse sentido, quantos docentes organizariam o seu trabalho pedagógico?
se não existissem orientações nesse sentido, quantas escolas tinham um projecto educativo?
ou seja:
têm as escolas condições internas para a mudança? mudariam elas se não existisse uma determinação exterior nesse sentido?

domingo, fevereiro 11

Regulação


Este meu amigo, de quando em quando oscila entre registos e troca ideias e mistura sentimentos;
Por um lado, é um convicto defensor da escola situada, logo local, localizada, contextual e contextualizada;
por outro, desconfia (provavelmente com razão) de tudo o que surge de diferente, seja para reforçar a dimensão situada da escola, seja para retirar mecanismos e/ou instrumentos de regulação ao Estado Central;
praticamente desde o princípio que acompanho (e admiro) a sua escrita, mas fico sempre com a sensação que (mais que eu) responde mais pelo lado das emoções do que pelo lado das razões, revelando aquilo que uns caracterizam por "um estado de suspeição permanente em relação a tudo o que pretende alterar o status quo";
entre um ponto, a regulação normativa e distante do Estado central, assente no que tudo pode prever e determinar, e um outro, a definição de instrumentos e mecanismos de regulação assentes no local, seja ele pela via dos resultados, pela escolha parental da escola ou por qualquer outro, assumo que prefiro o local;
é certo que é mais pessoalizado, mais fulanizado, mas, por isso mesmo, passível de um maior controlo (não burocrático-administrativo, mas social);
a questão que pode assustar, para além dos pretensos clientelismos ou amiguismos (cada vez mais difíceis de sustentar em democracia) releva para as questões dos poderes e das autoridades; estávamos, professores, habituados a um poder e a uma autoridade delegada pelo Estado Central, olhados como elementos desse Estado reconhecia-se no professor o domínio de técnicas, instrumentos e preceitos que configuravam uma dada relação de poder e autoridade entre o professor (a escola) e o aluno (o cidadão, a sociedade);
hoje, fruto de processos diversos e diversificados, essa relação está alterada, sendo fundamental a clarificação dos instrumentos e de elementos locais de regulação; mais do que a criação de novos ou diferentes instrumentos, é a assunção daqueles que sempre existiram e sempre vingaram nas nossas escolas mas em zonas de penumbra, zonas cinzentas, mais por acções individuais do que por opção colectiva, que é preciso destacar e afirmar;
muito sinceramente, não acredito que o Miguel tenha receio de negociar os poderes e as autoridades, de defender novos e diferentes modelos de poder e de relacionamento entre figuras do Estado;
apenas crítica, por que sente a diluição de elementos que antes garantiam a estabilidade e a segurança e hoje nos podem conduzir ao fundo;

ausências


mais do que gosto e mais do que quero, estou ausente deste espaço;
imposições outras e afazeres mais prementes a isso conduzem, relegando um dos meus prazeres (o da escrita, o das amizades) para cantos mais recôndidos;
não é um abandono, é apenas (?) uma ausência forçada;
[a imagem designa-se ausência e pode ser visto aqui]

domingo, fevereiro 4

escrita


no meio de tudo isto, entre os afazeres e as obrigações, os deveres e as devoções não sinto vontade de escrever;
a escrita torna-se-me difícil, lenta nas ideias, curta nos argumentos, fugaz nos sentimentos;
entre a sensação de dificuldade da escrita e o dizer mais e maiores barbaridades, opto simplesmente por não escrever;
talvez amanhã.
talvez...

stress


não o devia dizer e, menos ainda, escrever, mas tenho andado em stress, circunstância que me afasta deste meu canto e das divagações em torno dele;
stress, considero eu, é a situação em que me sinto pressionado pela quantidade de coisas para fazer e constrangido pela sensação de falta de tempo para as concretizar;
seria uma situação aparentemente normal nos tempos que correm; mas gosto de fazer jus à fama de alentejano e não gosto (por hábito, organização e mania) dizer que tenho falta de tempo ou, menos ainda, que estou stressado;
mas é verdade, entre sexta e hoje, agora que escrevo, a sensação é a de ter mil e uma coisa para fazer e manifestamente pouco tempo, muito pouco tempo para o fazer;
de tal modo que já uso o portátil para fazer trabalho de casa;
há com cada uma que me causa cabelos brancos e me faz sentir, mais ainda, saudades da escola;
apenas stress, nada mais...

quinta-feira, fevereiro 1

outro


e pronto, quase de mansinho, pé ante pé, chuva aqui friozinho dali, entrámos no mês do carnaval;
se antes não havia novidades, agora ninguém leva a mal;
ou será que leva?

novidades


apesar de ausente e apesar de não ter acompanhado de muito perto os acontecimentos e as notícias, parece que não há novidades;
o primeiro-ministro está para fora, o ministro da economia diz das suas, ir-se-ão gastar chinesices de tinta para corrigir as afirmações do senhor ministro da economia, a região de turismo de Évora explica o inexplicável, trocam-se galhardetes e mimoseiras entre partidos e figuras de sempre...
tudo normal, neste país à beira mar incrustrado;

afastamento


por razões várias, tenho estado afastado deste espaço, deste que designo como meu cantinho;
afinal, parece que uns quantos atravessamos um período de algum distanciamento - imposto ou forçado, por opção ou por obrigação;
pessoalmente tenho estado afastado não apenas da blogosfera, como também do meu pc; como resultado, aqui chegado e tinha 153 mensagens de correio; já está tudo em dia, mas demorou;

domingo, janeiro 28

mil


ultrapassou-se uma fasquia, a dos mil passantes;
vale o que vale (se é que vale alguma coisa), mas não deixa de servir como uma referência, metáforas da curiosidade e, e acima de tudo, das amizades;
dos espaços por onde tenho passado, nesta blogosfera, tenho construído diferentes amizades, deixado algumas saudades mas aquilo que deveras me interessa e gosto e sinto um enorme privilégio, é de perceber aquelas amizades que mantenho, que persistem apesar de algumas reviravoltas na minha escrita, nos temas em que me centro, nos destaques que crio;
é um enorme privilégio ter e sentir amizades que perduram, em ambientes virtuais é certo, mas com pujança bem real - e vocês, uns e outro, sabem quem são;
obrigado;

vá lá


apesar de rijinhos, apesar de bem cozidinhos, lá se paparam os ditos pasteis de belém; a azia ainda ameaçou, mas nada que fosse além da ansiedade, da espectativa;
este já está; e neste fim-de-semana já ganhámos em vários campos;
teremos pernas e engenho para persistir?

sábado, janeiro 27

a união


apetece-me escrever que a união faz a força, mas sinto algum receio que os pastelinhos de belém me possam azedar o estomago depois do jantar;
como o cego da minha terra costuma dizer, logo se verá.

diferenciação


A convite de uma editora estive ontem numa acção de formação (propaganda) sobre pedagogia diferenciada face às competências específicas da disciplina de História;
primeira ideia, dos colegas presentes muitos me perguntaram se ainda sou professor; sou e não vou nunca deixar de o ser; quando me perguntam o que faço continuo a afirmar que sou professor dos ensinos básico e secundário; no resto estou de passagem [não sei é para que margem];
segundo, antes de se iniciar a acção, já muitos diziam que tinham a certeza de que não iriam ouvir nada de novo, nem aprender nada de jeito; provavelmente terão razão, apenas aprendemos o que queremos e com quem queremos e não por que alguém quer;
terceiro, é a uma reconfiguração de estratégias editoriais, face à nova redacção do ECD, no campo das acções de formação, e na limitação de publicidade dentro das escolas (ou fora delas) opta-se por um misto entre acção de formação sobre os seus produtos e divulgação dos seus conteúdos; é o dois em um tuga de contornar limitações e dificuldades;
quarto, de tão curta que foi muito ficou por dizer e consciente que a senhora que falou omitiu que é a linguagem que cria os significados e não o inverso, isto é, falou de diferenciação e não definiu o que é isso, o que implica, as relações que estrutura, as ideias que pressupõe;
último, nem tocou num dos pontos mais determinantes de uma estratégia de diferenciação pelas competências, a avaliação;

sexta-feira, janeiro 26

pêlo não


voto sim.
retirei esta imagem deste canto (de quando em vez passo por lá para ler prazeres alheios, descobrir gostos próprios);
o tema da interrupção voluntária da gravidez e toda a discussão que por aí anda, não me leva a escrever;
mas (uma vez mais) a posta de hoje de JPP leva-me a considerar a pertinência da sua escrita e dos seus argumentos;
ninguém vai aprender ou esclarecer o que seja nesta discussão; trocam-se emoções e opiniões, mais que razões, menos ainda argumentos;
procura-se encostar o adversário às lógicas da ideologia (partidária), dos valores, quando o que aqui está em causa é saber se aquilo que já está legislado (a interrupção voluntária da gravidez a pedido da mulher) é crime, ou não;
mais parece um diálogo de surdos, uma conversa de mudos;
utilizo a imagem para dizer que pêlo não, voto sim;