terça-feira, fevereiro 13

diálogo


Ora cá está um dos argumentos, fortes, que me traz à escrita, as amizades e as conversas que elas promovem, induzem, estimulam;
inevitavelmente o Miguel foi atrás do meu comentário entre a defesa de uma escola situada e os receios da balcanização das relações profissionais - estou certo que não contarás com esta como dependente dos poderes locais;
a questão até pode ser (aparentemente) mais simples do que aquilo que fazemos crer, isto é, e indo para um questionar crítico, permitam-me:
se não houvesse estimulo externo (imposição dos poderes políticos, por exemplo, um ministério da educação, por exemplo) as escolas mudariam de práticas e modelos de comportamento?
se não existissem regras contrárias à retenção simples e directa do aluno quantos chegariam à conclusão da escolaridade obrigatória?
se não existissem orientações nesse sentido, quantos docentes organizariam o seu trabalho pedagógico?
se não existissem orientações nesse sentido, quantas escolas tinham um projecto educativo?
ou seja:
têm as escolas condições internas para a mudança? mudariam elas se não existisse uma determinação exterior nesse sentido?

domingo, fevereiro 11

Regulação


Este meu amigo, de quando em quando oscila entre registos e troca ideias e mistura sentimentos;
Por um lado, é um convicto defensor da escola situada, logo local, localizada, contextual e contextualizada;
por outro, desconfia (provavelmente com razão) de tudo o que surge de diferente, seja para reforçar a dimensão situada da escola, seja para retirar mecanismos e/ou instrumentos de regulação ao Estado Central;
praticamente desde o princípio que acompanho (e admiro) a sua escrita, mas fico sempre com a sensação que (mais que eu) responde mais pelo lado das emoções do que pelo lado das razões, revelando aquilo que uns caracterizam por "um estado de suspeição permanente em relação a tudo o que pretende alterar o status quo";
entre um ponto, a regulação normativa e distante do Estado central, assente no que tudo pode prever e determinar, e um outro, a definição de instrumentos e mecanismos de regulação assentes no local, seja ele pela via dos resultados, pela escolha parental da escola ou por qualquer outro, assumo que prefiro o local;
é certo que é mais pessoalizado, mais fulanizado, mas, por isso mesmo, passível de um maior controlo (não burocrático-administrativo, mas social);
a questão que pode assustar, para além dos pretensos clientelismos ou amiguismos (cada vez mais difíceis de sustentar em democracia) releva para as questões dos poderes e das autoridades; estávamos, professores, habituados a um poder e a uma autoridade delegada pelo Estado Central, olhados como elementos desse Estado reconhecia-se no professor o domínio de técnicas, instrumentos e preceitos que configuravam uma dada relação de poder e autoridade entre o professor (a escola) e o aluno (o cidadão, a sociedade);
hoje, fruto de processos diversos e diversificados, essa relação está alterada, sendo fundamental a clarificação dos instrumentos e de elementos locais de regulação; mais do que a criação de novos ou diferentes instrumentos, é a assunção daqueles que sempre existiram e sempre vingaram nas nossas escolas mas em zonas de penumbra, zonas cinzentas, mais por acções individuais do que por opção colectiva, que é preciso destacar e afirmar;
muito sinceramente, não acredito que o Miguel tenha receio de negociar os poderes e as autoridades, de defender novos e diferentes modelos de poder e de relacionamento entre figuras do Estado;
apenas crítica, por que sente a diluição de elementos que antes garantiam a estabilidade e a segurança e hoje nos podem conduzir ao fundo;

ausências


mais do que gosto e mais do que quero, estou ausente deste espaço;
imposições outras e afazeres mais prementes a isso conduzem, relegando um dos meus prazeres (o da escrita, o das amizades) para cantos mais recôndidos;
não é um abandono, é apenas (?) uma ausência forçada;
[a imagem designa-se ausência e pode ser visto aqui]

domingo, fevereiro 4

escrita


no meio de tudo isto, entre os afazeres e as obrigações, os deveres e as devoções não sinto vontade de escrever;
a escrita torna-se-me difícil, lenta nas ideias, curta nos argumentos, fugaz nos sentimentos;
entre a sensação de dificuldade da escrita e o dizer mais e maiores barbaridades, opto simplesmente por não escrever;
talvez amanhã.
talvez...

stress


não o devia dizer e, menos ainda, escrever, mas tenho andado em stress, circunstância que me afasta deste meu canto e das divagações em torno dele;
stress, considero eu, é a situação em que me sinto pressionado pela quantidade de coisas para fazer e constrangido pela sensação de falta de tempo para as concretizar;
seria uma situação aparentemente normal nos tempos que correm; mas gosto de fazer jus à fama de alentejano e não gosto (por hábito, organização e mania) dizer que tenho falta de tempo ou, menos ainda, que estou stressado;
mas é verdade, entre sexta e hoje, agora que escrevo, a sensação é a de ter mil e uma coisa para fazer e manifestamente pouco tempo, muito pouco tempo para o fazer;
de tal modo que já uso o portátil para fazer trabalho de casa;
há com cada uma que me causa cabelos brancos e me faz sentir, mais ainda, saudades da escola;
apenas stress, nada mais...

quinta-feira, fevereiro 1

outro


e pronto, quase de mansinho, pé ante pé, chuva aqui friozinho dali, entrámos no mês do carnaval;
se antes não havia novidades, agora ninguém leva a mal;
ou será que leva?

novidades


apesar de ausente e apesar de não ter acompanhado de muito perto os acontecimentos e as notícias, parece que não há novidades;
o primeiro-ministro está para fora, o ministro da economia diz das suas, ir-se-ão gastar chinesices de tinta para corrigir as afirmações do senhor ministro da economia, a região de turismo de Évora explica o inexplicável, trocam-se galhardetes e mimoseiras entre partidos e figuras de sempre...
tudo normal, neste país à beira mar incrustrado;

afastamento


por razões várias, tenho estado afastado deste espaço, deste que designo como meu cantinho;
afinal, parece que uns quantos atravessamos um período de algum distanciamento - imposto ou forçado, por opção ou por obrigação;
pessoalmente tenho estado afastado não apenas da blogosfera, como também do meu pc; como resultado, aqui chegado e tinha 153 mensagens de correio; já está tudo em dia, mas demorou;

domingo, janeiro 28

mil


ultrapassou-se uma fasquia, a dos mil passantes;
vale o que vale (se é que vale alguma coisa), mas não deixa de servir como uma referência, metáforas da curiosidade e, e acima de tudo, das amizades;
dos espaços por onde tenho passado, nesta blogosfera, tenho construído diferentes amizades, deixado algumas saudades mas aquilo que deveras me interessa e gosto e sinto um enorme privilégio, é de perceber aquelas amizades que mantenho, que persistem apesar de algumas reviravoltas na minha escrita, nos temas em que me centro, nos destaques que crio;
é um enorme privilégio ter e sentir amizades que perduram, em ambientes virtuais é certo, mas com pujança bem real - e vocês, uns e outro, sabem quem são;
obrigado;

vá lá


apesar de rijinhos, apesar de bem cozidinhos, lá se paparam os ditos pasteis de belém; a azia ainda ameaçou, mas nada que fosse além da ansiedade, da espectativa;
este já está; e neste fim-de-semana já ganhámos em vários campos;
teremos pernas e engenho para persistir?

sábado, janeiro 27

a união


apetece-me escrever que a união faz a força, mas sinto algum receio que os pastelinhos de belém me possam azedar o estomago depois do jantar;
como o cego da minha terra costuma dizer, logo se verá.

diferenciação


A convite de uma editora estive ontem numa acção de formação (propaganda) sobre pedagogia diferenciada face às competências específicas da disciplina de História;
primeira ideia, dos colegas presentes muitos me perguntaram se ainda sou professor; sou e não vou nunca deixar de o ser; quando me perguntam o que faço continuo a afirmar que sou professor dos ensinos básico e secundário; no resto estou de passagem [não sei é para que margem];
segundo, antes de se iniciar a acção, já muitos diziam que tinham a certeza de que não iriam ouvir nada de novo, nem aprender nada de jeito; provavelmente terão razão, apenas aprendemos o que queremos e com quem queremos e não por que alguém quer;
terceiro, é a uma reconfiguração de estratégias editoriais, face à nova redacção do ECD, no campo das acções de formação, e na limitação de publicidade dentro das escolas (ou fora delas) opta-se por um misto entre acção de formação sobre os seus produtos e divulgação dos seus conteúdos; é o dois em um tuga de contornar limitações e dificuldades;
quarto, de tão curta que foi muito ficou por dizer e consciente que a senhora que falou omitiu que é a linguagem que cria os significados e não o inverso, isto é, falou de diferenciação e não definiu o que é isso, o que implica, as relações que estrutura, as ideias que pressupõe;
último, nem tocou num dos pontos mais determinantes de uma estratégia de diferenciação pelas competências, a avaliação;

sexta-feira, janeiro 26

pêlo não


voto sim.
retirei esta imagem deste canto (de quando em vez passo por lá para ler prazeres alheios, descobrir gostos próprios);
o tema da interrupção voluntária da gravidez e toda a discussão que por aí anda, não me leva a escrever;
mas (uma vez mais) a posta de hoje de JPP leva-me a considerar a pertinência da sua escrita e dos seus argumentos;
ninguém vai aprender ou esclarecer o que seja nesta discussão; trocam-se emoções e opiniões, mais que razões, menos ainda argumentos;
procura-se encostar o adversário às lógicas da ideologia (partidária), dos valores, quando o que aqui está em causa é saber se aquilo que já está legislado (a interrupção voluntária da gravidez a pedido da mulher) é crime, ou não;
mais parece um diálogo de surdos, uma conversa de mudos;
utilizo a imagem para dizer que pêlo não, voto sim;

maravilhas da técnica


A região de turismo de Évora, segundo os jornais cá da terra, encontra-se a promover o palácio ducal de Vila Viçosa às 7 maravilhas nacionais, omitindo outras propostas, Templo Romano de Évora e a aldeia de Monsaraz;
se dúvidas existissem ficam minimizadas do excelente trabalho técnico que os senhores por ali desenvolvem;
e não há problema pois estão longe de opções políticas, foi apenas, estou certo dos seus argumentos, uma maravilha da técnica;

quinta-feira, janeiro 25

mudança


como balança que sou é algo instável encontrar-me em estabilidade;
vai daí e mudei de look, de visual;
há mais de 5 anos que usava óculos sem aros, daqueles fininhos, que passavam quase que despercebidos entre o agarrado às orelhas e em suporte no topo do nariz;
a minha filha, por exemplo, não me conhecia outra cara, outra imagem que não a de agarrado a esses óculos;
agora mudei-me, de armas e bagagens, para os de massa, assumindo a caixa d'óculos que sou, a referência em destaque da utilização desse artefacto;
obviamente que todos estranham, se nota; uns para melhor, outros para pior, ninguém indiferente;
mas ou bem que mudava e se sentia a mudança ou se ficaria pelas meias tintas, aquela de mudar, mas não se sentir;
não gosto de meias tintas, se era para mudar, mude-se;
já está;

do debate


Esta entrada de JPP, no seu não menos famoso abrupto, cria a vontade de discorrer em torno da ideia;
genericamente concordo com ela;
chegaram ao patamar do protagonismo político um conjunto de elementos (consoante a corrente poder-se-ão designar de actores), nascidos ainda antes de 74 (década de 50), formados nos ventos da primavera marcelistas e consolidados entre o PREC e a democracia pré-CEE;
apesar de pertencerem aos diferentes partidos políticos, têm, como traços comuns, estarem no mesmo intervalo etário (grosso modo entre os 45 e os 55), estão nos partidos pelos menos desde meados da década de 80, têm uma excessiva consideração, quando não valorização, pelos ventos da Europa, na generalidade têm uma formação que raramente exerceram ou praticaram, estão imbuídos de um misto entre o espírito da retórica parlamentar (com laivos normativos, juridico-legais) e uma tecnocracia saxónica (dos modelos de gestão, das lógicas de organização, da mediatização da coisa pública);
combinar a operacionalidade de um com outro é que é difícil, como é difícil a sua implementação;
neste sentido, por vezes faz-se sentir o desacordo entre um quadro conceptual(formado em lógicas mais políticas que partidárias, mais europeias que nacionais, mais urbanas que rurais) e um quadro mental ainda manifestamente português (do desenrasca, do logo se vê, da resposta mais retórica do que prática, da ausência de resultados ou de avaliação, da pequenez mesquinha);
onde divirjo com JPP (qual pretensão e arrogância) é a de que também ele pertence a esta geração, a este conjunto de actores que comanda (e estou certo que irão comandar) os destinos da nação;
onde diverge ela da geração que a antecede, dos 35-45, aquela mesma onde me situo (pelo menos na faixa etária)? quais as diferenças entre uma e outra?
em meu entender em dois planos, por um lado, numa maior harmonização entre o quadro conceptual e o quadro mental (já aqui o tenho dito e escrito, não me prendem fantasmas no sótão, nem tenho esqueletos no armário) e, por outro lado, o dos resultados (não tão práticos, mas claramente obtidos mediante processos substancialmente diferentes (menos oligárquicos, menos reticulares, de uma maior autonomia e responsabilização);
considero que não há divergência de posições (entre o dissecado por JPP e aquilo que desmonto ou desvelo);
mas há um risco, há muito assumido pela minha própria prática pessoal, organizacional e política, a de o meu grupo ficar a ver passar os comboios, perder oportunidades e não conseguir (por demérito de uns e por falta de mérito de outros) aceder aos patamares da gestão da coisa pública;
onde nos colocaram mais não é que um rebuçado, um entretém para que não moa, não resmungue, não fale e, mais importante, não se pense;
erro craso este o de desvalorizar o outro;

quarta-feira, janeiro 24

oportunidades


em 1999/2000 quando os donos do google compraram esta plataforma, blogger, questionei-me sobre a oportunidade e a consistência do negócio. Já tinha ouvido falar da coisa, mas, sinceramente, não lhe augurava grandes expectativas - como se nota, falhanço total;
quando, no final do ano passado, se teve conhecimento da pipa de massa dada pelos mesmos patrões pelo youtube, já nem me questionei, nem surpreendi;
mais rapidamente que antes, é negócio confirmado, oportunidade assegurada;
de momento é difícil passar por dois blogues simultaneamente em que um deles não tenha um vídeo do youtube acoplado;
o mundo pula e avança, como bola colorida... oportunidades.

visibilidade


sempre gostei de arquitectura; da sua representação, dos seus pressupostos, das lógicas de organização não apenas do espaço mas das lógicas que organizam esse mesmo espaço - por isso gosto deste espaço;
historicamente é uma das referências de marca na interpretação da coisa passada (quando não mesmo da presente); é através dela que podemos perceber lógicas do pensamente, culturas de relacionamento, pressupostos de acção e de intervenção - a transição entre o românico e o gótico não se faz apenas assente em pressupostos técnicos, a volumetria do barroco não é um adereço, entre outros exemplos;
há dias, nas minhas leituras, confirmei a ideia e o gosto; num texto sobre a pós-modernidade (seja lá isso o que for) encontro a referência que a arquitectura é das artes que permite visibilizar conceitos, neste caso o de pós-modernismos, mediante lógicas de organização dos espaços que mais não são que lógicas de fluxos, de redes, de partilhas, de fluências, de modos de encarar a relação entre o espaço público e o espaço privado, a decomposição do complexo;
olhar a arquitectura sob o signo do conceito é um outro desafio e percebemos a estruturação do espaço em nossa volta, o que ele significa, o que ele nos quer transmitir, a diferença entre o project e o vivenciado pela pessoa determina uma outra rede de significações.
é este espaço de visibilidade que muita das vezes nos impede de ver o óbvio; óbvio quando alguém nos chama a atenção, nos prende o olhar, nos explica o que estamos a ver;

terça-feira, janeiro 23

texto


estive quase um dia inteiro a tentar escrever um resumo, uma síntese (sintética e resumida) daquilo que pretendo fazer (quase por algumas variações e alguma dispersão);
o objectivo, para além de escrever um resumo do que pretendo fazer, relaciona-se com a apresentação do registo definitivo da tese, registo que se pretende claro, curto, conciso e concreto;
este esforço, aparentemente inglório e inconsequente, quando não mesmo despropositado, permite-me aferir das minhas ideias, quer quanto aos conceitos que quero trabalhar (por ordem, as políticas públicas, a disciplina escolar a regulação social e a organização pedagógica da escola), quer quanto à relação entre questão/objecto/metodologia e, no meio disto, a coerência e a consistência entre as suas diferentes partes;
tenho por hábito, por um lado, gostar daquilo que escrevo, mas, por outro, sentir a necessidade de deixar marinar, repousar as ideias, secar a tinta da escrita e perceber se efectivamente o texto corresponde ao pretendido, está perceptível;
a ver vamos;

urbanas


Vivo no campo, gosto de me afastar da cidade, de me distanciar do ruído e da maralha, mas sou profundamente urbano;
gosto das cidades, das ruas, das esquinas, dos espaços, da fluidez de imagens e de registos, dos sentimentos que incutem e fazem pressupor;
este é um apontamento (entre muitos que possuo) que reflecte esse meu sentimento;
é um pormenor da estação do Senhor Roubado, onde espero por boleia, tirada há precisamente um ano, em fim de dia;
é um pormenor que nos permite compreender o que somos, mais do que por onde passamos;

segunda-feira, janeiro 22

aragem


por manifesto bom senso e reconhecimento (pessoal e público) coloco aqui ao lado uma aragem oriunda do norte;
começou por ser uma leve brisa individual, está assumidamente uma corrente de ar colectiva;
partilho muitas das ideias relativamente à escola e à educação; mas não o tom pessimista e algo desencantado que algumas das entradas deixam transparecer;
faço minhas algumas das críticas ao sistema, à sua organização, às políticas e aos políticos;
mas também sou capaz de referenciar práticas desajustadas, atitudes passadista, ideologias de exclusão, teorias de darwinismo social;
afinal, partilho de um mesmo sentimento, para o bom e para o mau, gosto de ser professor;

discernimento


então não é que um amigo destas bandas diz que leva uma cabeça para discernimento; logo a minha da qual não discorro nada, nem discernimento nem vento;
sente-se a ausência de uma conversa, provavelmente agora de Inverno, no regaço do calor da lareira;
considero agradável perceber as diferenças de opinião, as valorizações que são feitas, as percepções de que damos contas;
para uns somos uma carta a mais, um joker incomodativo, para outros um ponto de discernimento;
afinal somos aquilo que o outro quer que sejamos;
ou seremos alguma coisa de modus próprio?

devagarinho


quase que subtilmente, deixo para trás a dimensão partidária nesta minha escrita;
restrinjo-me às políticas públicas, no contexto de um projecto de investigação;
as políticas partidárias, essas, ficam para trás, fruto de circunstâncias várias;
não é ela que está mal ou chocha, sou eu que estou cansado;
de quando em quando rendo-me à minha insignificância de gente; para quê discutir se já está decidido; para quê escutar quando somos surdos; para quê falar se não me faço entender;
poderá existir uma democracia participativa sem partidos participativos?
qual a correspondência entre saúde democrática e saúde partidária?
qual o sentido colectivo de um somatório de acções individuais?

sábado, janeiro 20

sítios da minha terra


em tempos, tempos de estudante, ainda com todo o gosto pela História, referenciei, juntamente com colegas da área, mais de 200 locais de culto na cidade de Évora;
capelas e capelinhas, umas públicas outras particulares, umas abertas outras fechadas, umas acessíveis outras nem tanto, igrejas, pequenas e grandes, mais antigas ou mais recentes;
foi um trabalho de que gostei e que me atirou para uma primeira abordagem à investigação, num trabalho que nunca cheguei a concluir denominado geografia da fé;
a alteração ao trânsito na cidade de Évora levou a identificar uma dessas capelas, um dos locais por onde muito poucos passam, desviada de circuitos e roteiros, é um local que nunca vi aberto - fica perto do mercado 1º de Maio, não sei sequer o nome da rua;
como não sei nem o nome nem qual o(a) santo(a); um apontamento dos sítios da minha terra e do muito que ela esconde;

silêncio


a última entrada da Sofia, ainda por cima em reacção às minhas saudades, trouxe-me à memória duas situações;
por um lado, a minha pessoa e uma das razões pela qual trabalho a ideia de disciplina escolar enquanto elemento de regulação da acção social; no inicio dos anos 90 era o último a chegar à escola, a ser colocado, ficava com os horários e as turmas que os outros não queriam, o resultado é fácil de imaginar; mas, face às circunstâncias tinha duas hipóteses, ou amargurava ou desistia; optei por procurar alternativas que recairam num misto de pedagogia diferenciada, trabalho de projecto ou pedagogia pela descoberta;
por outro e já no contexto do trabalho que desenvolvo, encontro uma afirmação lapidar, Num extremo, a disciplina é o valor do silêncio ..." (Benavente, 1994, Revista Educação, Sociedade & Culturas)
e não é o silêncio que queremos nas nossas salas de aula;
pois não Sofia?!?!?!?!?!

sexta-feira, janeiro 19

inutilidades


costumo dizer que quando não há nada para fazer façam-se meninos;
pois bem, não é bem isso, é uma outra coisa mas anda lá perto, pelo menos dá jeito quando se pensa nisso;
passem por este sítio e percebam a V/ temperatura;
a minha está referenciada - não estavam a pensar que o publicaria caso fosse cold ou chilly, pois não!?!? :)

saudades



é um inicio de ano entre o normal e o anormal; incoerente? é verdade; imperceptível? tento fazer perceber; mas que é esquisito, lá isso assim o sinto;
os dois amigos referenciados nas imagens (uns e outro, companheiros de escritas e de ideias, de sentimentos e de algumas cumplicidades andam arredios;
que se passa? certo que é um ano normal - stress, exigências, prazos, obrigações, devoções o certo é que sinto a falta da sua escrita;
para mim, no meu entendimento, a blogosfera é também feita desta coisas, cumplicidades não cumplíces, proximidades afastadas, aconchegos distantes;

entalados


somos filhos e somos pais; estamos entalados entre uns que nos exigem atenção (os filhos), e outros que nos exigem atenção (os pais);
penso que tenha sido J. M. Vaz que tenha definido esta situação como "a geração sanduiche";
quando tudo corre bem, nada se assinala, afinal tudo está bem e é um prazer saborear uma sanduiche, sempre é uma variação à tradicional culinária;
mas, e há sempre um mas, quando as coisas não estão bem (constipações, doenças, moengas da velhice ou traquinices da fase do armário) então ai Jesus - logo eu, agnóstico confesso;
é como eu hoje me sinto; entalado, ensanduichado, os avós aceleram na idade e desgastam-nos a paciência (logo eu), uma constipação na velhice dá pano para mangas e é um respirar fundo de suspiros (ainda se fossem doces); os manos esses andam que só à marretada se separam;
a esposa estica para um lado e para o outro, acode aqui e ali, apaga (procura apagar) fogos e fogachos, consciente que se o deixamos em banho maria então é que ninguém domina nada;
por mim nem sei o que faça; apesar de 6ª feira ainda há moengas pela noite, resultado, não posso ir degostar o fim-de-semana, o fim do mês, recarregar pipas de paciência;
cada um tem o que merece e eu estou entalado;

quinta-feira, janeiro 18

disciplina




dois apontamentos (em imagens) meus, sinal da minha procura, da minha pesquisa;
procuro disciplia, se puder com um pouco e políticas públicas seria bom, agora se agarrado à disciplina e às políticas públicas conseguir anexar a regulação social então calhava que nem ginjas;
é um trabalho lento, paciente (coisa que de quando em vez me falta), a exigir algum rigor e organização (pela qual por vezes resvalo);
ando a ler F. Fisher (2003) e estou a gostar; enquadra-se na corrente americana (prático, directo, consiso, com exemplos, com ligações entre teoria e prática), mas acima de tudo estou a gostar pela associação que procura criar entre as políticas públicas e as ideias, por intermédio do discurso, das conversas, das palavras naquilo que designa como uma "rede de sentidos sociais produzidos e reproduzidos através das práticas discursivas";
para os tempos que correm na educação, em geral, e na escola, muito em particular, permite-nos perspectivar outros pontos de análise, compreensão e, sobretudo, interpretação;
mas disciplina precisa-se e por vezes (como agora - em pausa pedagógica) disperso-me;

canto

a procura do espaço Intenret, por enquanto ainda circunscrito a um canto da casa, remete para um canto de leituras, quem dela menos precisa nesse momento;
um apontamento tirado já há tempos pela filha enquanto se entretinha a navegar;

terça-feira, janeiro 16

redução


por uma casual combinação de situações, tive hoje a oportunidade de defender a ideia de estender a educação para além da escola;
por um lado, num conselho municipal de educação, onde cada vez mais se apela à escola para resolver quase tudo, incluindo as questões do desenvolvimento local;
por outro, a apresentação do quadro de referência estratégica nacional, onde um dos principais, senão mesmo o principal destaque, recai na juventude;
concordo com um e com outro, mas reduzir a juventude à escola e à sua dimensão de educação formal é sobrecarregar quer a escola, quer os professores, quer os alunos (e respectivas famílias) com requisitos para os quais isoladamente não há nem resposta nem hipótese;
alargar os espaços da juventude (e da formação) a outras dimensões e lugares é permitir que cada um faça melhor o que sabe e o que deve; criando-se complementaridades, mecanismos de integração e articulação, definindo instrumentos de aproveitamento e valorização das competências que se adquirem e desenvolvem num dos diferentes lugares onde aprendemos;
talvez aproveitando as possibilidades e oportunidades de cada lugar, a escola tenha espaço e condições para respirar e a construção de uma democracia participativa mais e maiores hipóteses de se afirmar;
talvez...

sítios da minha terra


à semelhança de outras ideias, puxo para este meu cantinho um conjunto de apontamentos, em imagem, que designo sítios da minha terra;
são apontamentos soltos, uns em pormenor, outros flashes ocasionais, instântaneos; são oriundos de diferentes pontos, de locais por onde passo, onde vou, onde estou;
por uma qualquer razão dizem-me algo, despertam o meu interesse, quando não mesmo a curiosidade;
começo por esta imagem da ponte de Mourão sob as águas do grande lago (Alqueva) onde o dia se sumia, como que por um canudo;
ao longo de todo o dia foi o único momento em que o Sol conseguiu espreitar;

colaborativo


na escola reclamo da falta de trabalho colaborativo;
na administração pública reclamo da ausência de colaboração - institucional e interinstitucional;
sou filho único mas aprendi a trabalhar em grupo, a colaborar na resolução de problemas, na procura de respostas, na definição de metodologias, na implementação de estratégias;
a herança organizacional portuguesa é forte demais para se quebrar de um momento para o outro; assenta na individualização do poder, na hierarquização das chefias, no mando vertical, unidireccional e passivo, em lógicas que cruzam fordismo e taylorismo, fabricação rotineira, procedimental, operária;
implementar lógicas colaborativas é tão difícil na escola como na demais administração pública; mais (acrescento eu) é tão difícil num e noutro por que um (a escola) faz questão de acentuar essas lógicas de trabalho, de reproduzir modelos de organização do trabalho; estamos ainda longe de perceber as práticas partilhadas, colaborativas, de em conjunto procurarmos, por diferentes métodos, a prossecução do mesmo objectivo, de comunicarmos modos e procedimentos, sentimentos e ideias; assumir a diluição dos poderes, a proliferação de diferentes formas e funções do poder é coisa que da qual muita da administração pública está afastada;
não depende nem de reformas, nem de políticas (ainda que uma e outra possam criar facilitações), depende das pessoas, das lideranças, da assunção do que se faz e para que se faz;

segunda-feira, janeiro 15

estabilidade

estamos tão habituados à acalmia das situações, à gestão individualizada da coisa pública, aos protagonismos solitários, às acções pontuais que, pela tradição, pelo uso e pelo costume consideramos que é assim, e pronto; alternativas? ná, são piores, provocam alterações, dão moenga;
continuamos a pensar a acção pública do Estado sob o ponto de vista da pirâmide, de uma dada lógica que pensamos e queremos racional, ordenada, vertical, passiva;
temos dificuldades em pensar a acção do Estado, nomeadamente a acção pública, mediante a diluição dos poderes, a criação de lógicas matriciais, a partilha das redes, os fluxos desconexos, a gestão do imprevisto, a negociação dos interesses, o debate dos objectivos;
por estas e por outras, a nossa administração pública (particularmente a regional) debate-se entre a estabilidade da tradição e a imposição (obrigação) da adaptação a outras lógicas não apenas de gestão e de administração mas de organização, de funcionamento, de colaboração;
permanecemos fechados em conchas individuais, certos dos muitos afazeres, distantes do muito que acontece ao lado, perto da sofreguidão dos quotidianos, longe das redes, das lógicas colaborativas;
sozinhos é mais difícil, quando não mesmo impossível; aceito as lógicas políticas, tenho pena do isolamento partidário;

concerto


tive recentemente conhecimento que pelos lados de Beja se concertam posições e ideias sobre o Alentejo e que vão muito para além dos interesses político partidários individuais; que se procuram articular os diferentes interesses para que, juntos, possam fazer valer a sua posição perante a reforma da administração pública e a sua lógica territorial regional;
sei que por Portalegre, com outra dimensão e outros envolvimentos, se processa o mesmo, isto é se procuram conjugar interesses e políticas;
cá por Évora (distrito) também; eu, é que não dou por isso; eu, é que não me apercebo disso;

sábado, janeiro 13

temperatura

Não sei como está a temperatura por aí e pode ser um risco generalizar;
mas, por estas minhas bandas, está quente, ando/estou de manga curta, melhor na rua que em casa, mas sem necessitar de mais nada;
penso não ser normal para a época; cada vez me convenço mais que não iremos deixar grande coisa do que herdámos;
estamos em Janeiro, não é normal esta temperatura, há malmequeres espalhados pelo campo; há árvores de fruto em que a flor já espreita;
está uma temperatura fora do comum;

da cidade


regresso à cidade;
é um tema muito pouco explorado por mim; razões várias fazem com que aborde mais a região e me distancie da cidade; são tantos os temas passíveis de abordagem quanto os treinadores de bancada que se exercitam em retóricas argumentativas mais ou menos retorcidas;
há tempos, comentavam que há muito tempo, muito mesmo, que Évora não tem um presidente de Évora; pelos menos desde a democracia que têm sido importados;
é certo que santos da casa não fazem milagres; é também certo que se fica sempre com receio das sombras;
mas como seria se o presidente desta cidade fosse desta cidade? (independentemente do partido);
qual seriam as suas valorizações, as suas apostas?
como sentiria e manifestaria esse sentimento relativamente à calçada d'Évora, aos labirintos de ruelas, às capelas dispersas, à relação com as freguesias rurais?
como seriam as ligações da cidade?
por onde fluiriam sentimentos e expressões, momentos e oportunidades de ser Évora, de afirmar Évora?

quinta-feira, janeiro 11

sentido social


ao nível do trabalho académico, procuro trabalhar o conceito de disciplina escolar enquanto elemento de regulação na construção social do indíviduo;
mas não há oportunidade que, quando troco ideias sobre o que faço, não se aborde a indisciplina; e não tem sido fácil criar uma linha argumentativa onde o que destaco é a ideia de disciplina enquanto elemento de construção da pessoa - em tempos de operários disciplinados e ordenados, entre o acéfalo e o acrítico, hoje (talvez) se solicite a reflexão crítica, a autonomia, a iniciativa, o empreendedorismo;
a questão que se torna fulcral nesta análise acaba por assentar na ideia do poder, nos seus mecanismos de acção e regulação, no papel da escola na perpectuação de lógicas, na reprodução de modelos e práticas, na participação e da representatividade; e aqui a ideia de disciplina escolar ganha uma outra dimensão, particularmente se olhada sob a perspectiva das políticas públicas educativas onde, com diferentes dimensões e pretextos, o que tratamos não é o hoje e o agora (por muito que os sindicatos e alguns professores o defendam) mas o amanhã, o devir construído na escola e sob acção educativa, face ao papel pensado e atribuído à escola nos seus próprios espaços de poder e participação;
agora que me dedico a operacionalizar esta ideia a escola ganha uma outra perspectiva e a acção educativa uma outra dimensão;
tenha eu pernas e sentido para levar a nau a bom porto;

cidade


a cidade é aquilo que uns pensam ou será aquilo que dela fazemos?
a cidade é o que queremos ou apenas o que podemos?
a cidade é feita de pessoas e de coisas, casos e acontecimentos, factos e histórias mas também de intenções, de política, de opções;
desde o passado fim-de-semana e a propósito de um ranking de e sobre cidades, que se discute Évora com outros argumentos, sob outros pontos de vista (olhares);
nem de perto nem de longe se voltou a falar na cidade de excelência tão defendida pelo presidente e tão malfadada por toda a oposição, mas destacam-se as contrariedades da dinamização comercial, dos festejos de Verão, da inépcia social;
considero engraçado ouvir partidos de direita a defender a intervenção do estado (no caso local) perante os comerciantes e perante o comércio; como é interessante perceber os sentidos da acção social na dinamização do Verão, faça a Câmara e não deixe os outros fazer;
começo-me seriamente a convencer da selectividade da memória, da capacidade de discriminar o que interessa a uns e num momento e a outros noutro momento;
já o PC local não fica atrás do parceiro de acção, o PSD, que aniquilou dinâmicas locais ao promover apenas os seus interesses particulares nas festividades de Verão, nas conivências criadas com este ou com aquele em detrimento de outros e de outras propostas;
se há críticas que podem ser atribuidas à actual vereação ela consiste na dificuldade de criar coerência no muito que é feito na cidade e no concelho; com apoios institucionais, mas com dinâmicas próprias, com sentidos colectivos a partir de iniciativas particulares;
estou certo que a população não esquece e apesar da selectividade de cada um o colectivo eborense sobrepor-se-à a alguns interesses (ou interessados?)

reforço


o glorioso teve o seu primeiro reforço de Inverno, um valente atestanço de petrodólares;
pode não significar nada cá para aquilo que nos interessa (campeonato, taças, etc) mas que é um reforço lá isso é;

quarta-feira, janeiro 10

causas e consequências

face a esta missiva do meu conterrâneo, onde ficará a responsabilidade da criação ao desbarato de cursos e de universidades?
porque se pedem responsabilidades às consequências quando a causa ficou impune?
qual a responsabilidade do PSD na definição de uma lei de autonomia do ensino superior assente em lógicas quantitativas de financiamento? o porquê da resistência do PSD à alteração dessa legislação?
temos vista curta ou será apenas a mmória selectiva a agir?
esquecemos as causas para olhar apenas às consequências mais à mão?

normal


ontem passei um bom bocado da manhã na escola, na minha escola;
com as devidas cautelas e com algum comedimento fico com a sensação que, apesar do ruído, do pó, de algumas circunstâncias que se colocam aos profissionais da educação e à escola enquanto realidade organizacional, pouco mudou;
em conversa de café com alguns colegas procurei perceber o que tinha mudado de um ano lectivo para o outro, com a escola a tempo inteiro, com as aulas de substituição, com com as obrigações paralelas colocadas à escola, com o novo estatuto da carreira docente; a resposta, os comentários foram comuns, do ponto de vista organizacional pouco mudou; apenas mais burocracia; que se acentua por manifesta desorganização da escola e de alguns professores;
tudo o resto, o grosso da escola e da sua tradição permanece quase que imutável;
os bons professores empenham-se e desgastam-se, os alunos guerreiam e moem, os funcionários funcionam; o resto é paisagem;
sinal que a normalidade permanece e que ainda há muito espaço de manobra;

do erro


é verdade, é público e é notório, dou erros, erro;
será que alguém descobriu que sou simplesmente humano?
que, afinal, errar é humano? que pertenço aquela categoria de humanos que erra, que tem dúvidas, que hesito?
que sou dos expostos, é também verdade; como docente do ensino básico e secundário tenho mais olhos sobre mim do que outros profissionais; que a tolerância ao erro é menor também é verdade;
mas, reconheço, que dou erro; e não dou qualquer justificação para isso; dou erros e pronto;
já agora, fico também contente que alguém os aponte, os referencie, os descubra, os mostre; é sinal que lê aquilo que escrevo e que pouco consegue acrescentar/criticar à ideia exposta, ao pensamento colocado;

segunda-feira, janeiro 8

descriminação

apesar de pouco adiantar mas ficar de cabeça mais tranquila, asseguro que a diferença entra as imagens da entrada abaixo não foi propositada e decorreu tão só das próprias configurações de origem - apesar de não me importar, claro está :))

juntos



na minha entrada sobre o resultado da taça entre o FCP e o ACP fiquei a saber que o autor do golo (ganda golo) já esteve por estas paragens alentejanas;
levou-me a pensar sobre o que é isto do futebol na cidade de Évora e no Alentejo de um modo geral;
estou certo que existirão variados pensadores que dirão que a culpa é da câmara municipal e em particular do seu presidente, no caso de Évora;
o Lusitano tem um história vasta, tendo militado na 1ª divisão nos anos 60; o Juventude, menos brilhante, esteve lá perto, no início dos anos 80 e só não subiu pela tradição e pelo peso proletário e social que transporta consigo (já agora e aqui sim, sou juventudista desde pequenino e só não tenho os anos de sócio que tenho de idade porque os senhores fizeram a grata figura de me limpar dos registos);
em tempos militaram na então segunda divisão; com a reestruturação do futebol nacional e a criação das ligas profissionais cairam para o nível dos então regionais de onde poucas hipóteses têm de sair, seja por falta de apoios, seja por manifesto voluntarismo clubístico de um e de outro, seja por clara incapacidade de alimentar escolas de formação que não sejam para vender;
consequência de toda uma política desportiva, mais por responsabilidades próprias que alheias (por muito que digam o contrário), o certo é que Évora, património mundial, centro social e político, charneira regional não tem, nem se vislumbra vir a ter, uma equipa digna desse nome;
há anos atrás, ainda questionei, se não seria interessante criar um equipa de Évora forte e de combate e tanto Juventude como Lusitano se ficarem pelos escalões de formação? não cairam as colunas do templo dito de Diana por que não calhou;
são estas as causas que fazem do Alentejo uma vasta zona de ninguém e de coisa nenhuma;
e assim permanecerá porque juntos nem mortos;

conversa


terei amanhã a primeira conversa de espírito santo de orelha com o meu orientador;
preocupação essencial, definir uma estratégia que me permita gerir e equilibrar (é uma boa metáfora) o meu tempo profissional com o académico mediante a estruturação de obrigações “contratuais” (isto é, momentos, oportunidades para que possa trocar ideias com o senhor, apresentar textos orientados e aferir das situações, caso contrário não funciono);
e não tem sido fácil criar este equilíbrio; não tenho um horário até às 17H (felizmente), a família pede atenção (é idade para isso e não se repetem os momentos), os afazeres são diversos e plurais (o que me entusiasma mas também me condiciona e desgasta);
como processo marcadamente individual e solitário é também um processo de auto-conhecimento e de organização entre o espartana e o monástica - não sou militar, nem crente o que significa que terei de ficar entre um e outro num processo a construir por mim próprio;
assim espero com a conversa;

domingo, janeiro 7

de pequenino

é o que dá quando não se valorizam os adversários, independentemente da divisão que se disputa;
fez-se taça, hoje tal como com o Gondomar há anos atrás;
O senhor professor não se deve dar com os ares dos pequenos;
acrescento a isto uma inconfidência, sou do Atlético desde pequenino:)

Actualizações

Tive oportunidade de actualizar as ligações de cabeça aqui ao lado;
não lhe poderei chamar uma actualização tendo em conta que é mais um repescar de ligações que sempre estiveram presentes nos cantos da blogosfera por onde tenho escrito e divagado;
gosto delas, pulo por ali com regularidade; são mostras de mim mesmo;

quinta-feira, janeiro 4

afastado


sento-me no meu cantinho a pensar em trabalhar um pouco;
faço um zapping pelos sítios da net que gosto de visitar e acompanhar, prescruto o correio, mas...
mantenho-me afastado do meu trabalho académico; razões várias (todas pessoais e um pouco manhosas) fazem com que não consiga trabalhar;
as leituras enervam-me, irritam-me, sejam elas quais forem, não consigo organizar os elementos que tenho por aqui, dispersos, soltos, desarrumados; a capacidade de atenção há muito que atingiu o amarelo, disperso-me, divago; distribuo livros pela casa, por quase todos os cantos, mas nem lhes toco, quanto muito mudo-os de sítio;
sei, por experiência própria, que o mês de Janeiro é, no contexto do meu bio-ritmo, um mês complicado; mas há quem não esteja minimamente preocupado com essas coisas (apetece-me dizer mariquices);
quero querer que não serei o único, estranho a ausência de mensagens, de correio, entre o pessoal, aqueles que designo como sofredores; mas com situação dos outros podemos nós sempre muito bem;
tenho, por dever, obrigação e necessidade de me aproximar, de me reaproximar deste trabalho, de o recuperar, de retemperar ideias e acções;

Região


Há quem, com números e figuras, procure pintar a cores negras o Alentejo;
há argumentos fortes a esse favor - o analfabetismo, a falta de qualificações profissionais, pessoais e literárias, as literacias, o envelhecimento, entre outras muitas outras;
perante o cenário há quem, por um lado, opte por carpir mágoas e até, pasme-se, chamar outros tempos, porventura áureos nos números - esquecem-se que apenas em população são melhores, tudo o mais era pior, muito, muito pior - memória curta? ou apenas memória selectiva?;
por outro, culpam, quase que em regime de exclusividade, as políticas públicas nacionais; também há um conjunto de bons argumentos a esse favor - a inexistência de políticas de discriminação posítiva, a ausência de políticas públicas específicamente orientadas para a região, as distâncias aos centros, os fracos protagonistas regionais;
o Alentejo tem sido aquilo que dele temos feito, nós alentejanos, ou deixado fazer; o Alentejo tem de ser e deverá ser aquilo que nós, alentejanos, queremos que seja ou venha a ser;
com respeito pelas pluralidades, pelas diferenças, inclusivamente pelas identidades (internas ou externas, endógenas ou exógenas); como um espaço de integração e complementaridade, de cruzamento mas também de afirmação;
não quero um Alentejo que preserve a imagem do pão e do vinho, do enchido e do porco, da paisagem deserta ou da velhinha a cozer tapetes de Arraiolos;
exijo o respeito por essas imagens, mas desejo e quero um Alentejo, pelo menos para os meus filhos, que integre a tradição mas defina vanguarda, que assuma cortes e desbrave oportunidades na cultura, nas artes, nas democracias; seja um sítio onde se esteja e trabalhe, mesmo na agricultura, que seja, em si mesmo e por si mesmo, um centro de ideias;
como? criando redes e parcerias, defindo sentidos e construindo objectivos, integrando e não excluindo, partilhando e não por intermédio de rivalidades chochas; com políticos e não com interesses individuais;

discursos


hoje tive uma conversa deveras interessante sobre os discursos políticos de esquerda num contexto perfeitamente inesperado;
diziam-me que os discursos de esquerda (socialistas ou comunistas, nacionais ou estrangeiros) dos anos 70 e 80 foram/eram mais interessantes e mais acutilantes que qualquer discurso de esquerda presentemente (seja de sócrates, Zapatero, Blair ou quem quer que seja);
um dos argumentos que utilizei, e que puxo para este canto, cria uma associação entre o nosso espanto (surpresa) perante uma nossa fotografia desses tempos; ficamos admirados pelas roupas, pelas cores, pelos penteados, com os óculos, com os acessórios, apesar de sermos nós e de nos reconhecermos nessas imagens;
de igual modo os discursos da esquerda se tiverem e têm de adaptar a contextos, a tempos, a modos e a oportunidades;
tal como há um elemento de continuidade nas fotografia do antigamente, nós mesmos, também no discurso da esquerda há elementos de continuidade, os mesmos princípios, a defesa dos mesmos valores, o mesmo sentimento e a mesma consciência da dimensão social das políticas públicas;
este tem sido um dos elementos que temos tido (individualmente) dificuldades em nos apropriarmos e que faz toda a diferença com a direita, nomeadamente na prática governativa;
(imagem de Évora antiga, do arquivo municipal)

quarta-feira, janeiro 3

organização

esta é uma semana onde procuro organizar ideias, acções, tarefas e objectivos;
tem sido uma roda viva de conversa, entre um sector e outro, entre a procura de objectivos e sentidos;
à espera do fim, sabendo que estamos no princípio;
coisas da vida nacional;

do pormenor


nunca me imaginei a ter em atenção os pormenores;
provavelmente pelo conjugar da idade com a experiência ligo cada vez aos pormenores, ao detalhe, ao particular;
este é um dos pormenores que gosto de captar, ainda do ano passado, do meu moleskine e da escrita que nele desenho;

terça-feira, janeiro 2

da planície

apetecia-me ter escrito a primeira parte desta posta;
não fui eu, mas roubei-a a quem de direito e aqui a coloco para que a planície chegue mais longe;

estranho

acho estranho estar a organizar, profissionalmente, um semestre pressupondo que irão existir alterações (e significativas) quer do ponto de vista funcional, como territorial, como e inevitavelmente, pessoal- face aos impactos que sempre existem;
parto do pressuposto que existe futuro e não pretendo deixar a casa como a encontrei; mas sei também que existe um fim prévio, agendado por alguns, determinado por outros;
como organizar ideias e sectores, como mobilizar as pessoas e articular os objectivos com lógicas avaliativas - do SIADAP, p.e. - quando sabemos que há prazos (que não conhecemos) e condições que não dominamos?

da leitura

tive conhecimento que uma das livrarias que mais prezo e venero, a livraria leitura, no Porto, vai ser vendida;
não deixa de ser um reflexo do sinal dos tempos, fruto das dimensões e do próprio nome;
faço votos para que não se perca no emaranhado da confusão que as fusões acarretam, que as compras determinam e não se enleie, como outras (a ex-Arco-Íris, de Lisboa) no limbo do desaparecimento;

segunda-feira, janeiro 1

de frente

como é meu hábito e como tive oportunidade de já aqui o ter escrito, os próximos tempos irão ser encarados de frente, seja pela dinâmica, seja pelas exigências;
procurei, no que me diz respeito, organizar o meu semestre, o mais detalhadamente possível mas deixando sempre alguma margem de flexibilidade, de manobra, de fuga pelo que não depende da minha pessoa - e há muita coisa que não depende de mim - nos tempos que se aproximam;
não é necessário referir nem o contexto organizacional/profissional, nem o académico, fico-me por um mais aleatório, mais impreciso e mais volúvel, o político;
os próximos tempos irão determinar muitos dos sentidos e das opções de médio prazo; começar-se-ão a definir cenários e figuras para 2009 (legislativas e autárquicas) e, nestes campos, há espaços de manobra, folgas que irão encontrar o seu tempo e o seu modo ao longo deste primeiro semestre; os arranjos político-partidários, as ideias-força, as apostas e as novidades irão ser um dos elementos em destaque - ainda que muitos digam que é cedo, que pode ser precipitação, ou que é extemporâneo;
surpresas não espero muitas; os mesmos de quase sempre (uma ou outra variação, pontual, mais por omissão), nos mesmos sítios e com os mesmos modos;
não faltam apenas actores políticos a Évora e ao Alentejo, faltam também ideias e projectos, elementos de mobilização (como resultado não deixamos de ser o que outros nos dizem para ser ou para fazer);
se uns perderam o interesse no local/regional, afastados que estão deste meio, a outros a falta atitude para surpreender e para romper com hábitus impede-os de avançar contra ventos e marés - sem a qual não se ganham nem se constróem oportunidades;
onde me posiciono? num equilíbrio indelicado entre aqueles que me querem ver longe dos cenários de discussão e os outros que não sabem se podem contar comigo; fruto disto estarei com um pé entre o sítio onde estou e o regresso à escola; certo que estou descansado pelo que fiz e por aquilo que tenho para fazer; e farei, esteja onde estiver;
de frente

pragmatismo

apesar dos votos, apesar dos desejos, apesar dos esforços, o ano é novo mas a vida é a mesma; não direi velha, nem usada, apenas a mesma;
amanhã tudo volta ao normal, à normalidade, ao quotidiano, às rotinas;
como se acordassemos de um sonho, de um sono e retomássemos a vida onde ela se tinha suspenso;
por um lado, ainda bem que assim é, temos razões para continuar a insistir e a persistir neste nosso quotidiano, procurando, por um lado, continuar, por outro mudar;
por outro lado, é a rotina instalada, a incapacidade de rompermos com o quotidiano, a impossibilidade de fazer de outro modo;
seja por que lado for, vamos a ele que se faz tarde;

sexta-feira, dezembro 29

pró ano

atão até pró ano;
este, por estas bandas, terminou, chegou ao fim, foi-se, esvaiu-se, pronto, ponto final;
volto a escrever neste canto só pró ano;
até lá e façam-me o favor de ter um valente 2007 que bem merecemos;
BOM ANO;

quarta-feira, dezembro 27

espantos e coisas que tais

do espanto
perante esta notícia (os portugueses gastam quase mil euros por segundo) fico estarrecido - conseguimos ser mais rápidos que Hobikwelo;

e como é possível prometer coisas destas - GNR promte ser inflexível perante consumo de álcool - mas é e?le tempo de prometer coisas destas;

das coisas que tais
são conhecidas as opções políticas e partidárias de Vasco Graça Moura; agora perante o melhor de 2006 optar quase que exclusivamente pela prata partidária é obra e revela algum descaramento;

um breve zapping sobre as capas dos jornais do dia deixam-me em estado que tal;
não regresso lá tão cedo;

inacabado

tenho em cima desta minha mesa de trabalho uns quantos livros, outras tantas colectâneas de cópias de textos diversos;
todas começadas a ler e a trabalhar, todas inacabadas, incompletas no seu percurso de entendimento e percepção;
este terá de ser um dos objectivos do novo ano, terminar aquilo que começo, pelo menos ao nível das leituras;

despropósito

pelo contador que coloquei no início do mês, é perceptível o entendimento que não escrevo apenas para mim ou para a família; outros há que por aqui passam e que têm a pachorra de me ler;
alguns desses transeuntes chamam-me a atenção para o facto de algumas entradas, algumas postas, serem demasiadamente imperceptíveis para o colectivo, para o geral do passante, para aquele que não lida ou não conhece mais de perto a realidade com que lido habitualmente;
duas notas nesse sentido;
escrevo tendo em conta que enquanto escrevo penso alto e acaba por ser um momento, ainda que breve, de reflexão mardamente pessoal;
depois cada um lê o que quer e, muito particularmente, interpreta como pode, sabe ou quer - e tem sido bastante agradável quanto interessante, perceber essas diferentes dimensões de interpretação do que escrevo, do que se escreve;
depois se uma posta aparente ser um despropósito de sentido, não deixa de ter o seu próprio sentido, ou da falta dele;

do grupo

sou filho único, como costumo dizer um bom filho único, isto é, repleto de quase todos aqueles esteriótipos que caracterizam e demarcam um qualquer filho único;
contudo, pela idade, pelas experiências vividas, já costumo colocar em primeiro lugar a razão (o que designo de razão) em detrimento da emoção, das vontades, dos impulsos;
mas aprendi a trabalhar em equipa, a colaborar com o grupo, a saber que a força do colectivo reside na fraqueza do seu elo mais fraco; aprendi, primeiro no desporto depois na tropa (é verdade), o sentimento de equipa, de pertença, de grupo; depois, na universidade, fruto mais de amizades do que de vontades, acentuou-se essa dimensão; profissionalmente tenho tido o privilégio de trabalhar com pessoas que me ensinam mais do que eu consigo fazer aos outros e a implementar uma dimensão colaborativa que me orientou para práticas mais colectivas e de grupo do que a dimensão individual e solitária que a profissão docente deixa transparecer;
hoje, sempre que sinto a manifestação de interesses individuais em face da acção do grupo fico piurço, bruto, danado; sou capaz de perder pretensas amizades, apenas porque me apercebi que o interesse colectivo foi manietado, manipulado em face de interesses e posições meramente individuais;
mais me chateio quando me apercebo que há quem, por interesses meramente pessoais, se deixam manipular e manietar;
a história não conta para esses, nem esses contam para a história;
preservo-me de perseguir na senda daquilo que considero ser um valor fundamental, (mas não intransigivel) o interesse do colectivo em detrimento de interesses particulares;

fundo

quando comecei a escrever neste canto o meu principal objectivo era perceber se conseguia escrever quotidiana e regularmente sobre temas que gravitam em meu redor - Alentejo, Évora, Educação e outros que aparecessem;
não tive, não tenho e considero que não é o sítio mais adequado para artigos de fundo, para experimentar o ensaismo em torno de uma ideia, de um conceito ou do que for;
mantenho-me, hoje como no início, fiel ao princípio de escrever pelo prazer da escrita, de trocar ideias, de procurar polemizar o que parece natural, dado, mas que mais não é que uma qualquer construção social ou retórica;
mas apareceu-me um outro, o de procurar perceber e racionalizar o meu mundo, os meus momentos, o meu tempo;
de quando em vez oiço reparos que extravassam manifestamente estes objectivos e me procuram situar onde não quero; tenho consciência que sou eu e o que de mim fazem; mas não me façam de parvo; isso já sou;

terça-feira, dezembro 26

referência

finalmente hoje referenciei, nos links de cabeça aqui ao lado, um colega que pela designação e pelo modo como assume a designação, muito poderá contribuir para a Educação Crítica, não apenas apontando erros e/ou omissões, não apenas isolando comentários, como se fosse possível a crítica asséptica ideológica que, estou certo, não pretenderá, mas reforçando o pendor da Educação Crítica, da reflexão, do pensar a educação para além da simples crítica ou mesmo da educação, integrando no devir social e económico, encarando a sua dimensão cultural;
é com prazer que o faço; é com orgulho que o referencio;

o próximo

o próximo ano não irá ser fácil, estou certo disso e consciente das muitas circunstâncias que o irão preencher e deixar muito pouco espaço e oportunidade a uma intervenção pessoal, ao lívre arbítrio;
a reorganização da administração pública irá fazer com que as mexidas se façam sentir mais abaixo na escala organizacional; as lutas e as mexidas irão ser interessantes de ver, perceber e sentir, particularmente a nível regional - e estou certo que irei ser um dos seus alvos, não sei para que lado;
o trabalho académico irá entrar numa fase determinante, mediante a criação de um campo de investigação, na definição de alguns pormenores que farão (ou poderão fazer) toda a diferença;
a minha organização pessoal, entalado entre deveres profissionais (sejam eles na administração pública ou na escola) e obrigações académicas irão definir muito do ritmo cá de casa;
também na família se irão sentir diferenças; a filha mudará de escola, de ciclo e de ritmo; o filho entrará definitivamente na adolescência, a esposa num novo ciclo profissional; no resto, isto é, nos avós, apenas se procura saúde, já escassa, para se atravessar o ano e sentirmos o prazer de chegar ao fim - a ver vamos;
em tudo o resto apenas faço votos para que os amigos me acompanhem e tenham saúde;
o resto ... se verá;

a próxima

passada um fim-de-semana preparamo-nos para o próximo;
como costumo dizer em conversas de amigos, é o fim do princípio;
balanços, perspectivas, anseios, ansiedades, contas de deve e haver de tudo um pouco se pretende fazer nesta semana;
o melhor e o pior, o feito e o por fazer, as contas são de resultado diverso, diferente de acordo com pontos de vista, valorizações e opções;
tenho pensado em trazer para este cantinho um pouco desse balanço;
fico-me pelo impressionante ritmo deste meu ano; ainda há dias fazia votos de bom ano e já estamos no fim; este é para mim, o grande balanço do ano, a velocidade estonteante, a rapidez com que as coisas acontecem, a voracidade do instante, o flash do que acontece, quase sem tempo para medir o tempo;
escrevo por isso, é uma das poucas formas que tenho de dar conta do quotidiano, de pensar os acontecimentos do dia a dia, de sentir o fluir do tempo, de sentir os dias a passarem por mim;
por isso escrevo em diferentes suportes, com diferentes propósitos e objectivos; por isso criei, no início do ano, um fotoblogue (não publicado), onde capto instantes, pormenores do que sou e do que gosto;

segunda-feira, dezembro 25

desparecimento

e, quase que de repente, aparentemente, todo aquele amontoado de embrulhos, revestidos de papel colorido, enlaçados ou entrelaçados em fitas garridas, desparececeu debaixo da árvore de Natal;
o espaço ficou mais livre, o canto mais aberto e as expectativas foram o que foram;
resta-nos esperar por outras oportunidades, outros momentos, outras alegrias ou, simplesmente, outros Natais;
mas e afinal, o Natal é sempre que uma pessoa quiser; ou não?

alterações

fruto de alguma disponibilidade e de algum entretem nesta quadra, procedi a mais algumas alterações do layout desta coisa;
estou seriamente desconfiado que não há gente entre a minha pessoa e o Miguel, que tenham mudado tanto e tanta vez de layout - inconformismo, vontade de mudança, contra a rotina, seja que razão for há sempre alguma que conduz à mudança;
espero que esteja melhor, que corresponda mais adequadamente a quem me visita, que vá ao encontro dos objectivos e das expectativas;
para já e pessoalmente gostei;

sábado, dezembro 23

FELIZ NATAL

feliz Natal a todo(a)s que por aqui passam e têm a pachorra de me ler;
saúde, paciência, bom senso, alguma temperança e sentido crítico, os votos para esta quadra;
atenção ao colesterol, às gorduras polinsaturadas, aos fritos...
pronto, Feliz Natal :))

da diversidade

de quando em em quando circulam na net, via correio, um conjunto de postais que se designam como Portugal no seu melhor;
para quem ainda não tenha tido a oportunidade de os ver, mais não são que um conjunto de apanhados sobre caricaturas algo portuguesas - anúncios mal escritos, ementas que não lembram ao diabo, indicações viárias contraditórias, motorizadas com tudo e mais alguma coisa, mulheres de barba farta, etc;
o que retractam, essencialmente, são, por um lado, a profunda evolução sentida e manifestada um pouco por todo o lado neste nosso país, com impactos fortes na maneira de ser e de nos entendermos e, por outro, o assombrar de curiosidade entre o que somos e o que pensamos ser;
por vezes fazem-me lembrar aquele condutor que nos buzina recriminado-nos por algo e que, logo de seguida, faz pior do que aquilo para a qual nos chamava a atenção;
portuguesices

das consequências

o fim-de-semana passado estava quase como este; um dia cheio de sol, apetitoso, convidadativo ao passeio;
como não gosto de passear em vésperas de Natal, andei de motoenchada de um lado para o outro;
a brilhante consequência é que fiquei fragilizado, quase convidativo e disponível para a fruta da época, as gripes;
na terça, um pouco mais de frio e fiquei com a voz assim, imperceptível, inaudível; o que não deixou de ter as suas agradáveis consequências, na reunião de 4ª de manhã todos diziam que ia ser rápida, pois eu não falava, a conversa radiofónica de certo que correu sem grandes atribulações, pois não marquei presença;
enfim, uma semana quase de molho, para retemperar de um fim-de-semana agradável e solarengo;

sábado, dezembro 16

solarengo

o dia estava apetitoso, convidativo ao passeio;
solarengo como estava era inevitável o convite ao passeio, cá em casa sentiu-se o desafio; não se resistiu e foram passear;
porque tenho consciência que invariavelmente se acaba num qualquer centro comercial, apinhado de glutões natalícios, optei por ficar;
mas o dia estava efectivamente convidativo, excessivamente desafiante para que se fique em casa; quase que obrigava a sair e disfrutar dos raios de sol;
pronto, fui lavrar um bocado de terra, até que o sol se escondeu e me obrigou a recolher;
fiquei por aqui para ler, descansar e pensar no meu trabalho;
face ao dia estou cansado mas descansado; sabe bem;

caminho

ontem tive oportunidade de ouvir Correia de Campos, ministro da Saúde;
em amena cavaqueira, tive oportunidade de constatar três distintas, mas complementares situações;
por um lado, a certeza de um caminho a trilhar, é evidente no seu discurso que sabe para onde quer ir e como; a simplicidade dos objectivos apresentados (relativamente aos cuidados de saúde primários, aos cuidados paliativos e ao orçamento do ministério) fazem parecer que as coisas são simples num ministério manifestamente complicado;
por outro lado, a consciência da situação, dos problemas, dos constrangimentos e a ousadia de os enfrentar, sabendo que há interesses, que há vícios, que há virtudes, que há necessidades, que há que ir ao encontro de muitos contrapondo o interesse de poucos;
finalmente, a manifesta ideia que não está em causa o serviço nacional de saúde, mas antes a forma de o gerir; percebendo que os tempos são diferentes daqueles em que foi criado e daqueles em que vingou; tendo ideia dos desafios e das necessidades;
é tão diferente ouvir em primeira mão, directamente da fonte, as ideias e os argumentos, que ficamos conscientes do camimho

sexta-feira, dezembro 15

do centro

há autores (Luhman, p.e) que defendem uma sociedade sem centro;
em conversa com uma colega, damos conta que, nós por cá, estamos cada vez mais afastados do centro;
um outro problema se nos coloca;
é que antigamente o centro era Lisboa (pretensamente) e hoje não sabemos onde fica;
apenas temos noção (breve, difusa) que não estamos no centro, que nos afastamos do centro;

da crise

a crise manifesta-se das formas mais inesperadas;
há dias, ao comprar castanhas, a senhora perguntava-se se queria 8 por 1€ ou uma dúzia por 1,5€;
há crise, é verdade, mas também há imaginação para lhe dar a volta - ou, pelo menos, procurar dar-lhe a volta;

quinta-feira, dezembro 14

da modernidade

há dias um colega, na mailing list da escola, perguntava:
qual o papel da escola na pós-modernidade?
que papel?
que escola?
que conceitos?
pergunta interessante que, remetendo para a retórica, não deixa de ser elucidativa de um questionar e reflectir sobre a escola que temos e para o que queremos;

das elites

há dias abordava a questão das elites regionais;
nem de propósito foi tema de conversa com um camarada do PC (desculpa lá a intimidade);
e neste campo, apesar das divergências, comungamos da mesma ideia, não temos elites no Alentejo; isto é, elementos que sejam referenciados à região, independentemente dos partidos ou das posições ideológicas, não temos uma figura que, quer na região quer fora dela seja identificada com o Alentejo;
nos anos 90 tivemos vários que, sempre que apareciam na TV, eram referenciados em face de uma região, de um contexto regional, casos de Carlos Zorrinho e Capoulas Santos, na área do PS, Abílio Fernandes, Joaquim Miranda ou Lino de Carvalho no PC, Luís Capoulas ou Maria do Céu Ramos, no PSD e mesmo, na área do CDS, Rosado da Fonseca ou Mariana Cascais;
quem, hoje, conseguimos identificar, referenciar enquanto elementos alentejanos? que não estejam presos a uma localidade, mas à região?
que elites temos nós? que protagonistas regionais? que actores políticos, sociais, económicos conseguimos identificar?

da agenda

antigamente, e não é há muito tempo, quando aparecia um senhor ministro na província não havia nem cão nem gato que não fosse atrás;
ele era a televisão, ele eram as rádios, ele eram os jornais;
com o progressivo aparecimento das rádios locais, a quantidade de gente de microfone em riste, até valorizava, por si só, o evento;
hoje estive numa cerimónia onde marcou presença um ministro; presentes apenas os locais;
nem uma rádio, nem sequer local, nem um jornal, nem sequer local - obviamente que nem sequer refiro as televisões;
pergunto-me, face a estas evidências e que não foram as únicas nem as primeiras, quem marcará a agenda da agenda mediática?
quem ditará o que é e o que não é importante?
que circunstâncias, contextos ou conjunturas, determinarão a presença da comunicação social?
que acontecimentos ou eventos, acções ou iniciativas serão merecedoras de divulgação pela comunicação social?
e este é apenas um, de entre muitos exemplos, que marcam esta região;
elucidativo porque se trata da presença de uma figura de estado, imaginemos então a desvalorização que nós mesmos fazemos (porque quero acreditar que existe uma comunicação social que é local, que é regional);
ou não?

terça-feira, dezembro 12

do tamanho

as postas crescem, não apenas aqui por este meu cantinho, mas um pouco por todo o lado desta blogosfera;
mais parece que se entrou de mansinho num espaço, qual aparente ganho de confiança, se ganhou à-vontade, e nos estendemos na escrita, alargando ideias e pensamentos, escritas e argumentos;
é bom sentir este alargamento;
mas será que a blogosfera se compadece com este estender de argumentos?

da tradição

tradicionalmente a política tem sido gerida e organizada em função de dois grandes referenciais, o poder, por um lado, os interesses particulares, por outro;
uma das razões pelas quais se manifestam as críticas à acção político-governativa consistem na afirmação do primeiro em detrimento do segundo - ou seja, um conjunto de interesses que, pontual e circunstancialmente, se sobrepoem a outros interesses e afirmam o que consideram ser o seu espaço de poder;
contudo, subsistem pequenos interesses, ilhas de afirmação individual ou sectorial (custa-me referenciar como corporativos ou pseudo aristocráticos ainda que assim pareçam) que, a seu modo e com características particulares, se degladiam nos corredores do poder recôndido e subliminar da acção política;
isto porque cada vez mais considero que não existem, pelo menos ao nível regional a que me situo, elites políticas capazes de afirmarem sentidos e opções; elites na sua acepção mais tradicional, naquilo que uns quantos pensam e defendem como interesse colectivo;
o que perspectivo nesta região Alentejo, mais não é que um pequeno conjunto de interesses e de interessados que persistem em construir a acção política em redor de pequenos interesses individuais ou meramente sectoriais (sejam corporativos ou partidários) em detrimento de uma acção colectiva de âmbito público;
o que sinto é que os próximos anos irão doer ao nível dos quadros regionais, que não sabem, não podem ou simplesmente revelam as suas incompetências, na afirmação das elites regionais; preferem seguir arcos de pretenso poder, em detrimento de construirem o seu próprio caminho, afirmarem as suas opções, definirem o seu sentido;
quando assim acontece, poucos ganhos existem, porque se perpectuam modus de fazer política, de fazer política como, considero eu, não se devia fazer;

da gestão

gerir o que quer que seja deverá levar em consideração, entre muitas outras situações, duas coisas algo distintas;
por um lado, os interesses de quem gere, podem ser particulares ou colectivos, pensados ou dados;
por outro, pensar nos interesses e objectivos de quem é gerido, e aí há uma multiplicidade de pequenos (e grandes) interesses que muita das vezes não são nem convergentes, nem comuns ao comum da organização e, menos ainda, ao primeiro conjunto de interesses;
conciliar uns e outros não é fácil; exige algum conhecimento, alguma experiência, muito bom senso e alguma competência ao nível da gestão de conflitos;
criar um ponto de equilíbrio não é nem fácil nem permanente; aceitar todo este conjunto de circunstâncias é ainda mais delicado, porque implica cedências, partilhas, compromissos;
tudo isto porque hoje troquei ideias com um dos sectores da casa e onde se procuraram ideias, modos e formas de ultrapassar o inultrapassável, a falta de elementos; isto para que um sector não pense que serve outro ou que um outro é superior a outro, ou que outro se sobrepõe a outro;
criar equipas é demasiamente delicado, para que se possa dizer que é complicado; mas começo a sentir que se ultrapassam sectores ou interesses sectoriais e, aqui e ali, pressente-se uma equipa;

segunda-feira, dezembro 11

da educação

finalmente, para encerrar o dia de hoje, tive oportunidade de assistir ao lançamento das actas do 3º encontro de um seminário que tem por designação Aprender no Alentejo;
aparentemente pode parecer algo despiciente uma designação como esta, e perguntar-se que diferenças existirão face a aprender no Algarve, aprender em Trás-o-Montes, por exemplo;
direi, para os menos atentos, que toda a diferença;
não por ser o Alentejo, apenas por ser diferente a forma, o modo, a disposição e o habitus com que se aprende em cada uma das nossas diferentes regiões, das nossas terras;
aprender no Alentejo é, seguramente, diferente do que aprender no Minho, porque a história social e económica é diferente, porque os contextos moldaram interesses diferentes;
que há traços comuns? disso não terei grandes reclamações; mas que é diferente é;
e destaco um dos traços comuns neste aprender regional;
a claríssima promiscuidade saudável entre a educação formal, isto é, a escola, e a educação não formal ou informal, por exemplo nos contextos comunitários, no associativismo, no convívio intergeracional, tudo elementos que progressivamente são atirados para as franjas de uma ruralidade em acentuado desaparecimento mas fundamentais para a criação de laços que tecem um manta de aprendizagens e competências de que carecemos no interior;

do vista

tive hoje a oportunidade de assistir ao lançamento nacional da nova versão do windows e dos seus derivados, respectivamente o windows vista e o mos - microsoft office system;
duas notas dispares;
mais agradável à vista e, aparentemente, mais user frendly; - há que perceber se será mesmo frendly e para que tipo de user - com a microsoft nunca se sabe;
segunda nota, a confirmação que a microsoft já não marca o ritmo, já não puxa a carroça, antes pelo contrário, vai atrás de outros protagonistas, de outras lideranças com funcionalidades recolhidas daqui e dali, nomeadamente do google ,do A9 ou do Mac, ficando, pelo menos para mim e em face de uma apresentação, algo aquém das expectativas;
se a isto se juntar que foi das apresentações mais chôchas a que assisti da Microsoft, fica resumido que precisa de um refresh, de um upload de criatividade e, muito particularmente, de energia;
caso contrário, arrisco a dizer, não chegará ao final da década com o protagonismo com que a iniciou;

da batalha

a batalha naval de ontem :( acertou em cheio num dos navios da frota;
as consequências e a importância deste tiro só lá mais prá frente se irá perceber;
para já, a confirmação que nem em engenharia naval nos safamos;