domingo, abril 24

confronto

A escola e os professores precisam de outras realidades, de conhecer outros modos, de quebrar barreiras e ultrapassar tabus, ideias-feitas, pré-conceitos.
Se queremos uma escola diferente, se queremos uma outra profissionalidade, se queremos defender e afirmar outros modos de sermos considerados nada melhor que conhecer outros pontos de vista, outros olhares, outras perspectivas de sabermos de outras possibilidades.
Estamos tão perto e tão longe, tão juntos e tão separados.
Há, para além daquilo que nos ensinaram, para além dos modelos que concebemos e pelos quais fomos formados, há outras possibilidades.
Há mais mundos para além deste mundo. E de quando em vez teimamos em não os ver. Em não os querermos ver. Por medo, por insegurança, por receio da ignorância, de reconhecermos e assumirmos o que desconhecemos.
É importante que pontos de vista concretos, situações reais, caos práticos como o João apareçam, se façam conhecer. Talvez seja esta ua das formas de conhecermos outras possibilidades de ser professor.

diferente

Estou plenamente convencido que não fazemos diferente, não temos uma escola diferente, não por não querer, não por acreditar que este é o único modelo, o correcto e o adequado. Não por resistência à mudança ou ao diferente, como pretensamente se quer fazer querer.
Não fazemos diferente, não temos uma escola diferente pura e simplesmentne porque não sabemos fazer diferente. Não nos ensinaram outro modelos, outras formas, outras lógicas, não tivemos um modelo diferente de ensinar, de avaliar, de equacionar a relação pedagógica.
É o que decorre do comentário a esta posta do João.
Tenho perfeita consciência que, caso o João mantenha a sua presença, exisitirá pano para mangas, na consideração de um dos mais melindrosos processos na educação, a avaliação.
De tanta objectividade que se procura seremos efectivamente objectivos? será que as emoções não terão papel importante na avaliação do ensino básico, pelo menos?.
Será que não existem outros modos de ser, outros possíveis?

sexta-feira, abril 22

difícil

é verdade, é difícil vermo-nos livres das escola, mesmo sem professores e sem alunos não há quem as queira.
Imaginem se tivessem professores e alunos dentro.

novidades

Há já tempos que este colega tinha aberto o espaço mas, para além da simples apresentação de intenções, ficou-se por aí.
Parece que agora se lançará para outras intenções e de certeza absoluta enriquecerá este espaço. E fa-lo-á por três razões. A primeira porque é alentejano, de Vila Viçosa, pois claro, e é razão mais que suficiente para enriquecer a blogosfera. Depois porque é professor, reflexivo, que pensa e procura descobrir outros possíveis na sua e na nossa prática profissional. Por último porque trás à baila uma temática que muitos procuram, outros tantos já ouviram falar, mas poucos sabem abordar como ele, o portefólio.
Recomendo, vivamente, o acompanhamento deste espaço.

conversamos

Em vésperas de dia da Liberdade fico sempre entre o incomodado e o incomodativo.
Incomododado porque o tempo é curto para se falar de tudo o que queremos e de como queremos. Porque não existe quase espaço nos programas para se falar deste dia, deste acontecimento, apenas no final do programa de 6º ou de 9º ano.
Incomodativo porque procuro despertar curiosidades, trocar ideias. Como professor e como professor de História não posso nem deixo passar em claro este dia.
Troco palavras com os alunos, conversamos sobre isto e sobre aquilo, uso um ou outro exemplo, apresento memórias, peço-lhes para perguntarem em casa onde estavam, o que faziam, o que pensaram, como viveram (se viveram) essedia, esses tempos.
Há uns anos, numa escola por onde passei, convidei um colega (docente) e um pai para falar sobre este dia, as suas memórias, os seus tempos. A situação foi de tal modo intensa que houve lágrimas de parte a parte, de quem conversava e de quem ouvia. Foi, provavelmente, um dos momentos mais intensos de emoção que vivi enquanto professor (e professor de História).
Pois claro que conversamos, é a conversar ca gente se entende.

experiências

É impressionante como somos reflexo do conjunto de relações que estabelecemos com o outro, particularmente dentro de uma sala de aula.
Hoje fiz uma experiência com duas das turmas do dia. Defini um modo de estar, numa cansado, entre o amorfo e o indiferente. Numa outra empenhado, dinâmico, convicente.
Imaginam, claro está, o resultado.
Um único objectivo, procurar situações onde alicerçar a convicção que a dinâmica de grupos é determinante na gestão da relação pedagógica (não gosto nem utilizo a expressão ensino/aprendizagem), na relação que o aluno estabelece com o professor e, por intermédio deste, com a disciplina.
São experiências, é verdade, onde me conheço e percebo melhor e compreendo melhor como devo agir para centrar a relação no aluno e partir deste para um trabalho relacional e para uma construção que é social, a do conhecimento.

quinta-feira, abril 21

interessante

de quando em vez, neste imenso deserto de ideias mas cheinho de opiniões que é a blogosfera(digam lá se não sou um destes paradigmas), dou com uma surpresa destas - comunicar/publicar na internet.
parte-se, presumivelmente, da ideia que comunicar é uma e diferente coisa que publicar. O que poderá eventualmente presupor que podemos publicar e nada comunicar, mas considero mais difícil comunicar sem publicar. Mas...
ainda por cima tem lá sítios deveras interessantes. Outros nem tanto [obviamente que me refiro a este cantinho, impertinente, é verdade, despudorado, mas também nem tanto para andar a dizer mal de quem quer que seja...].
Mas que é interessante, lá isso é.

faz-de-conta

O Miguel volta à baila com um tema pertinente e perante o qual muitos de nós teimamos em não querer ver, em disfarçar, o faz-de-conta.
Ele refere-se explícita e directamente às assembleias de escola. Eu, sem qualquer desculpa pela impertinência, sou mais abrangente e pergunto quantas escolas, conselhos de turma, aulas, órgãos de gestão, reuniões de departamento ou sei lá do quê, não serão do reino do faz-de-conta.
Este faz-de-conta faz-se sentir, evidencia-se na quantidade de gente a pensar que está no tempo da outra senhora, em que existem liceus, em que a escola tem por objectivo a selecção social, que devemos premiar a méritocracia, que os meninos devem entrar mudos e sair calados, de modo a não incomodar o(a) senhor(a) professor(a), os projectos curriculares de escola ou de turma que mais não são que ideias (quando as há) avulsas de banalidades e generalidades sobre coisa nenhuma e para nada, verbo de preencher por que não enche nada nem ninguém, as áreas curriculares que viram disciplina porque não se faz ideia do que se pode fazer naqueles tempos, naqueles espaços, as incapacidades de fazer diferente disfarçadas com comentários de culpabilização do aluno, pela sua indiferença, pelo seu alheamento.
Este reino do faz-de-conta não é exclusivo da escola nem da educação. É marca genética da nossa cultura, do nosso país. Faz-de-conta até que não tenho razão e que tudo isto não passa de um faz-de-conta.
Faz-de-conta.

quarta-feira, abril 20

nem de propósito

... no zapping que faço dou por mim referenciado neste sítio (que agradeço) e dou com esta soberba frase, própria de um génio e que vai direitinha ao encontro do meu anterior post:
Se não receio o erro é porque estou sempre pronto a corrigi-lo (Bento de Jesus Caraça).
É uma cultura que não temos, que não promovemos. Apesar de o povo português usar a expressão "aprender com os nossos erros" ela foi quase que banida da escola e da vida quotidiana.
Quando digo a um aluno que pode errar, mas tem de saber reconhecer o seu erro, tem de o saber corrigir fica, entre o espantado e o estupidificado, a olhar para mim como se tivesse dito a maior das barbaridades.
E se calhar disse.
Com a certeza raramente se aprende. Nunca se avança.

imagens

Há determinadas imagens, há olhares que se nos colocam ao corpo e definem e condicionam aquilo que somos e, muito particularmente, como somos.
A Lucília, na sua elegante forma de colocar as questões, tráz à baila uma dessas imagens, a imagem que o professor tem de ser, é infalível, raramente tem dúvidas e nunca, jamais em tempo algum, erra.
É a tradição de uma cultura que premeia o saber pelo saber, a inquestionabilidade de quem sabe [de pretensamente saber], é o hábito e o modo de não se terem dúvidas, é a recusa de ser a partir do erro que se aprende, de ser a partir da dúvida que existe esclarecimento, clarividência.
Já durante a manhã esta imagem me foi colocada por uma colega quando, na sala de professores, me pergunta se a minha atitude e posição naquele momento, eram modos de se estar na sala de professores.
Que raios, há um modo de ser professor? Há uma imagem de professor? ou será que existem modos, imagens (no plural, na pluralidade) de se ser professor?

terça-feira, abril 19

à descrição

Mais do mesmo.
A senhora professora da filha (2º ano) sem qualquer tipo de explicação nem uma razão que na cabeça de uma criança de quase 8 anos possa parecer plausível ou justificável mudou-a de sítio e de companhia. A filha perguntou do porquê. Por que quero, foi a resposta.
E pronto.
E depois ainda me perguntam porque é que gosto de estar com os miúdos.
Porque não consigo aturar estes professores. Porra é demais.

É para ficar irritado

é sim senhor...
conta-me o filho (5º ano) que a senhor professora de matemática permitiu que uma aluna realizasse hoje o teste que aconteceu na passada semana, uma vez que a menina tinha estado doente. Óptimo.
Conta também que após a menina ter entregue o teste a senhora professora, enquanto a turma realizava um exercício, o corrigiu. Óptimo.
Só que após a correcção aproveitou um momento de sossego e disse, em voz bem alta, tens zero, és um zero e atirou o teste, com desprezo, para a secretária da menina.
A menina passou o intervalo na casa de banho a chorar e a dizer que não queria ir a mais aula nenhuma.
Se isto não irrita, o que será que irrita.

irritação

Há professores que se sentem irritados com a escola, com a sua profissão. Há professores que me irritam por que estão eterna e permanentemente insatisfeitos, desconfortáveis na sua pele. Por tudo o que se faça, por tudo o que se disponibilize, por tudo o que se possa pensar, fazer ou ser por estas pessoas, estão sempre desconfortáveis.
Não sabem fazer mais nada. São professores. E nem professores sabem ser.
Será que tenho de aturar esta gente? Que ganhamos nós com eles? Como se sentirão os alunos numa sala de aula com pessoas irritadas, desconfortáveis, descontentes?
Irritam-me.

surpresa

Tenho que reconhecer que a princípio estranhei o texto e a escrita do Paulo, daí a minha tardia referência ao seu canto.
Mas também tenho que reconhecer que, de quando em vez, me entranho nos seus textos, nas suas ideias. Será, porventura e com toda a minha impertinência, um dos poucos blogues do dito ensino superior que me surpreende. E me surpreende pela positiva.
Pelas considerações que tece, pelas cumplicidades que pressupõe, pelas conivências que destaca, pela insensatez opinativa de muitos profetas que desvela, pela inconsequência que desmonta em muitos textos, pela pertinência e pela assunção do seu próprio carácter opinativo, pelo desvio acdémico que de quando em vez assume.
Este texto vai nesse sentido. Fundamentado. Coerente, sólido, consistente. Mas opinativo. Vale a pena perder todo o tempo e ganhar um pouco mais de sentidos.
Parabéns Paulo.

paisagem e gabinete

Há quem tenha a sorte (será privilégio?) de ter um paisagem bucólica onde se descansa a vista e se distendem ideias. Como há quem tenha o prezer (será privilégio?) de usufruir de um gabinete.
Reconheço, assumo a minha inveja (é por estas e por outras que este país não sai do buraco, por causa destas invejas, quem o diz é José Gil). Não exigiria um gabinete, contentar-me-ia com um pequeno cantinho onde pudesse estar, ler, organizar ideias, escrever devaneios, preparar uma sessão.
Mas não tenho. Mas não deixo de estar, de ler, de organizar ideias, de escrever devaneios, de preparar as sessões de trabalho com os aluno.
Não tenho, então invento, desligo do ambiente. Isolo-me. Finjo que fujo e que tenho uma paisagem alentejana em fundo, agora salpicada entre o castanho seco e o verde pintalgado de papoilas e margaridas.
Não tenho. Então imagino. Imagino e construo o futuro com o que tenho, com o que posso. E, se quisermos, podemos tanto.

conversas

Num dos cantos desta sala de professores (onde passo cada vez menos tempo, mas é o único sítio onde posso, a partir da escola, aceder à net) há quem discuta a formação de docentes.
Entre as necessidades referenciadas e as certezas das certezas a abordagem vai directa, direitinha à necessidade de modelos de actuação, um pronto-a-vestir também pedagógico, também didáctico, pronto a implementar, receita infalível para a situação com que um ou outro se defronta e confronta na sala de aula.
Será que há um modelo de formação? Será que há uma receita, mesmo que falível, que possa ser adoptada, generalizada?
Conversas...

segunda-feira, abril 18

dos sentidos

...da escola, pois claro.
Uma outra realidade com que me confrontei este fim-de-semana.
Uma miuda a quem em tempos aconselhei sobre possibilidades, alternativas e futuros, no final do 9º ano, encontra-me e dirige-se-me. Obrigado professor, hoje reconheço que tinha razão. Pergunto do porque e diz-me que há três anos pensava abandonar a escola, optar por um qualquer trabalho que lhe aparecesse. Por indicação minha e decisão familiar ingressou numa escola profissional cá do sítio, em área que menos predicados lhe ofereceu. Hoje, a terminar o 3º ano, o equivalente ao 12º, disse-me que se preparara para os exames de acesso ao ensino superior com um média bastante razoável, e que tem um sentido de vida.
Fiquei contente e satisfeito, obviamente.
Assume-se, para além dos afectos, um outro aspecto que em demasiadas ocasiões a escola (e os professores) se esquecem de assumir, que entre os 11/12 anos e os 15/16 é necessário criar um sentido ao trabalho escolar e à vida destas pessoas que saiem da fase do armário e caminham para a dolescência mas que não são um nem outro.
Procuram sentidos, objectivos, propósitos. Têm demasiadas perguntas e não menos respostas nas cabecinhas que são ainda muito gelatinosas. Sem ajuda, sem apoio, sem orientação, que muita das vezes não têm em casa, acabam por se perder nas franjas do insucesso, da indiferença, do alheamento.

dos afectos

Cada vez tenho mais fundo no meu pensar e no sentir a escola que as relações que aqui se estabelecem, dentro ou fora da sala de aula, entre colegas docentes ou entre docentes e alunos ou com auxiliares, assentam na gestão dos afectos, dos sentimentos.
Cada vez mais me convenço que a relação pedagógica se sedimenta numa teia de relações afectivas, onde a palavra é determinante e a troca de cumplicidades não menos.
Hoje, numa aula, uma aluna mostra-se assertiva, mais que num qualquer outro dia. Aproximo-me e com algum receio de estragar a situação, dogo-lhe que gosto de a sentir assim, simpática. Que a sua simpatia do dia se reflecte no trabalho, quer em termos de rendimento, quer de qualidade. Olha para mim e sem dizer palavra abre-me um sorriso daqueles em que agradeço ser professor e poder admirar.

das referências

Não resisto a este exercício, ao de agradecer aos passantes, a todos aqueles (e aquelas) que têm a pachorra de por aqui passar, alguns de modo diário, vá-se lá saber com que masoquismo.
Ultrapassei a barreira [psicológica] dos 10 mil passantes. É certo que grande parte deles é da minha exclusiva responsabilidade. Gosto de me ler, de procurar os meus erros, de olhar as minhas contradições, de sentir um ou outro sentimento, de perspectivar o que sou, o que quero ser, o que gostaria de ser.
Mas há uns quantos que sei que não são meus, são de amigos (e amigas) que tive (e tenho) o privilégio de ler, de sentir perto, pertinho de mim. De sentir aqui tão perto quanto a amizade permite e possibilita.
É deles, de alguns destes amigos, a responsabilidade de por aqui continuar a escrever barbaridades, a ser impertinente, a deixar a minha opinião, sem que alguém me a peça, ideias sobre esta coisa que nos move e une, a escola, a educação, a profissão docente.
Obrigado pessoal.

desafios

Não sei se foi a partir daqui mas foi, de certeza, por sugestão deste amigo, que surgem um conjunto de perguntas e de respostas que podem pronunciar (aprofundar?) sobre quem somos nesta never land da blogosfera.
Exercício entre o académico e o pessoal, uma vez que, como é marcante na web, podemos procurar iludir o outro, iludindo-nos a nós, fazermos crer que somos um outro que, talvez, gostássemos mais de ser. Um pensar entre o momento de uma circuntância e o amadurecer do que há-de (pode?, deve?) ser escrito. É um exercício de como queremos ser vistos, como quem sai de casa e veste uma dada indumentária para que sejamos percebidos assim ou assado.
Independente de qualquer circunstancialismo, as minhas respostas, a minha imagem. Não se aceita contraditório.
1. Não podendo sair do Farheneit 451, que livro quererias ser?
Cem anos de solidão, por toda a companhia que um solitário pode gostar e ambicionar, uma história de enlevo, de construção não de personagens, mas de pessoas, das suas raízes, do futuro.
2. Já alguma vez ficaste apanhadinho por um personagem de ficção?
Houve, há, um personagem que sempre me impressionou, do qual fiz a minha primeira colecção de títulos, o capitão américa. Só já grande racionalizei a situação, e é uma racionalização, pode ser enganosa, a de que é uma pessoa normal que, de vez enquando, se arma em herói.
Recentemente o senhor Pera, dos Incríveis, pelas mesmas características, virou herói pessoal, personagem de adoração.
3. Qual foi o último livro que compraste?
Sem ser daqueles de obrigação, dois ao mesmo tempo, na pausa da Páscoa, Anjos e Demónios, Dan Brown, e As Memórias das minhas Tristes Putas, Gabriel Garcia Marquez.
4. Que livros estás a ler?
Perrnoud, Pedagogia Diferenciada da razão à acção. Evidentemente, A. Nóvoa.
5. Que livros (5) levarias para uma ilha deserta?
Cem anos de solidão, Os Maias, Em tempos de Amor e Cólera (nunca me canso de os reler, de voltar a eles como a porto de abrigo, a um recarregar de mim mesmo), Aparição (recordar o que sou (eborense e professor) e o que somos, portugueses. O Labirinto da saudade, para ter a certeza que não me apeteceria regressar.
6. A quem vais passar este testemunho (três pessoas) e porquê?
A alguns a que quereria passar a ideia, já me o fizeram, mas há sempre pessoas que gosto e que aprecio, pela escrita e pela simplicidade.
Proponho a Sofia, a Lucília e a Selma porque tenho aprendido a gostar de pessoas que não conheço, e porque são mulheres que me obrigam a ser o que sou.

quinta-feira, abril 14

das saudades

A propósito dos amigos de alex ou, mais apropriadamente, dos amigos do Ademar, repesco a temática para o meu lado, para assumir algumas saudades da gente com quem resisti e sobrevivi ao meu curso.
Já lá vão quase 20 anos da data de conclusão, faltam 3 anos para esse efeito. Provavelmente fruto de alguma saturação mútua, de um cansaço inevitável após um período de 5 intensos anos, de trabalho, de camaradagens, de cumplicidades e desgastes que, depois da separação, nunca mais tive conhecimento do pessoal. Excepção feita a um ou a outra que por aqui ficou (um António e dois joaquins), a uma colega com quem, em tempos, troquei picardias políticas, do resto nada.
Nem um sinal, nem uma troca de mimos.
Desse grupo de quase trinta pessoas recordo 4 ou cinco com quem acompanhei quase de princípio a fim. Com quem troquei opiniões e ideias e me formei enquanto pessoa e enquanto docente.
Não os encontro na blogosfera. Sei que andam por aí, algures. Que estejam bem.

quarta-feira, abril 13

das dúvidas

Na parte final de um comentário a um amigo, deixo duas perguntas que decorrem de um certo esmorecimento da blogosfera, de uma aparente acalmia, que uns justificam pela falta de tempo outros pela repetição das ideias e dos textos.
Por uma ou outra razão, ou por nenhuma delas, replico aqui as questões, deixando espaço para uma arqueologia do futuro, ou seja, para a tentativa de identificar aquilo que fica depois de tudo se passar, o que ficará destes textos, o que se fará destas ideias, destas vontades.
É em função desta arqueologia do futuro que pergunto (e que procuro condicionar o meu trabalho), como podemos nós partilhar experiências entre escolas, entre práticas, entre tentativas? Como podemos nós utilizar este espaço da blogosfera, este próximo distante, para sermos melhores, para melhorarmos práticas, para percebermos situações, para construir alternativas, para evitar o desgaste de ideias, para se evitar a re-invenção da roda?
Será esta a nova agenda da blogosfera?
Será?

do erro

Ontem, em conversa com um grupo de alunos (de 8º ano), reconhecemos que, ao contrário de José Gil em Portugal Hoje, o medo de existir, nós não temos medo de existir, temos vergonha de existir, de sermos o que somos, de nos reconhecermos ao espelho.
Podemos perguntar quem será melhor que nós. Podemos dar a resposta óbvia que não há quem nos alcance e nos atinja. Esta vertente umbilical de autoanálise é característica de um marasmo, de uma estupidificação reinante, esclerosada e petrificante.
Quem não é como eu é contra mim. Quem pensa o contrário é por que me inveja. Ingorância. Medo. Vergonha, apenas.
Na escola ou na sociedade, há quem tenha medo, procure a subserviência e a indiferença como armas de desculpabilização e desresponsabilização. Mas há os outros, aqueles que apenas e só têm vergonha de ser, de assumir o erro, de voltar atrás e procurar outras hipóteses.
Enleamo-nos em pormenores apenas para atrasar esse reconhecimento, para fugir à nossa incapacidade de assumir diferente, de ser diferente.
Precisamos de uma inscrição social e profissional. Precisamos de assumir erros e ignorância.
Começo por mim. Cada vez mais, cada dia que passa, com o assentuar dos anos e da idade estou mais parvo, idiota, estúpido e ignorante. Desfazado do tempo e de mim mesmo.
Preciso de educação. Preciso de formação.
Quem se segue?

Impressão (?)

Não sei, provavelmente será apenas e somente impressão minha, mas sinto os alunos alheados do que andamos a fazer e os professores indiferentes ao que fazem.
Será impressão minha? Será exclusivo da minha escolinha?

segunda-feira, abril 11

da vontade

... ou da falta dela.
Reconheço que ando com pouca vontade de escrever. As ideias, entre o nublado e o indefinido, custam a sair. Já antes aqui uma vez o escrevi, não me apetece escrever banalidades e menos ainda sobre coisa nenhuma.
Talvez fruto de um fim-de-semana demasiado comprido, com noites demasiadamente pequenas, talvez pelo desgaste inevitável que o tempo provoca na escrita de uma pessoa, estou parado, algo alentejano.
A escola escorre normalmente, entre o descomprometido e o não inscrito, isto é, entre a pessoa que está bem em qualquer lado e fazer qualquer coisa, e os colegas que procuram passar de mansinho, certos que para o ano há mais, nesta ou em outra qualquer escola.
Custa-me, de quando em vez, assumir a banalidade dos meus dias.
Fases.

sábado, abril 9

Mudanças

Perspectivam-se mudanças na escola, na educação e no ensino.
Seriam inevitáveis, face à alteração de sentidos e de paradigmas políticos e partidários.
São imprescindíveis no sentido de criar na escola um espaço de oportunidades (que tendencialmente a escola tem vindo a perder), isto é, permitir que a escola seja uma espaço de futuro e não apenas de um hoje periclitante, indefinido.
Algumas dessas mudanças, de acordo com o que se ouve, irão colidir com interesses mais particulares, com situações de conforto e comodismo, irão contrariar apatias e amorfismos instalados. Estou certo que não irão agradar a todos e que alguns sindicatos e sectores profissionais se insurgirão.
Mudanças que muito provavelmente procurarão mexer na organização (de tempos e espaços, e na gestão dos recursos), na definição de projectos e de objectivos.
Estou certo que muitos irão dizer que não há condições, apenas espero que o ministério considere oportunidades de trabalho e de formação local. Que permita, cada vez mais, a construção local e contextual da escola e da educação.

sexta-feira, abril 8

do fio

Não quero acreditar naquilo que parece que estou a ouvir. Pelas poucas e gotejadoras notícias oriunbdas do Ministério da Educação fico com a sensação, com a impressão que é mais do mesmo, que não há uma ideia sobre a escola, a educação, a formação, o ensino. que ainda estará carente na liderança ministerial qual o papel do professor e dos diferentes actores educativos neste processom, nesta construção social e política que é a educação e o espaço onde ela prioritariamente acontece, a escola.
Fico, em conversas aqui e ali, sobre tudo e para nada, que ainda não há uma ideia de qual o papel das estruturas desconcentradas, de quais as possíveis acções ou a necessária intervenção para apoiar escolas, colaborar na construção local da escola.
Fico com a manifesta sensação que, apesar de existir um programa de governo (perante o qual me reconheço enormemente) não há, ainda, por enquanto um fio de trabalho que consiga, pelo menos, transparecer na comunicação social e, menos ainda, perante o nosso trabalho quotidiano.
Será impressão minha?

da procura

Alguém me procurou, alguém procura este espaço na procura dos sentidos da escola.
Esta blogosfera é, para além de um espaço de participação e debate, um espaço de voeyrismo, onde vemos sem sermos vistos, onde procuramos aquilo que não queremos encontrar, onde lemos sem sermos lidos, onde procuramos ver o outro sem sermos vistos.
Nestas peripécias dou quem quem procura não um mas vários sentidos para a escola, para as identidades que aqui, na escola, são definidas e (de)formadas.
Se consigo esclarecer algo, é que não sei. Se consigo ir ao encontro de algum tipo de expectativa, não sei. Mas quem sabe?

quinta-feira, abril 7

do como

Como equilibrar a necessária unidade do sistema com a pluridade de ideias e opiniões, de práticas e da construção da escola enquanto realidade social e contextual?
Ainda mais prático, como promover a pluralidade e respeitar a unidade?

multirio

Um sítio brasileiro entre o excelente e o excepcional. Simplesmente a não perder para quem, como eu, ainda não o conhecia. Belíssimo. Assim se vê o que a escola pode ser.

da cidadania

Nem de propósito, depois da posta anterior, entre o cuscar quem por aqui procura ideias e opiniões, leituras e comentários, dei com este texto (uma breve sinopse) a partir de uma pesquisa do google brasileiro.
A educação para a cidadania só terá chance de produzir efeitos se for um problema de todos e se perpassar todas as disciplinas e todos os mornentos da vida escolar. Leva-la a sério significa, portanto, ir além das boas intenções e dos discursos, significa transformar profundamente os programas, as atitudes e as práticas ! Philippe Perrenoud, Escola e Cidadania.
Querem mais?!

viragem (?)

Ontem um amigo procura-me para me questionar sobre a situação em que está o ensino, foram estas as suas palavras.
Tinha estado, momentos antes, na reunião da escola de um dos seus filhos, que frequenta o 7º ano, onde ouviu cobras e lagartos da turma, desinteressados, mal educados, mal comportados, alheados do trabalho escolar, conflituantes.
Disse-me que já em conversas com a directora de turma da filha (5º ano) tinha ouvido o mesmo, no mais velho, 11º ano, o destaque foi à indiferença, à falta de objectivos, à falta de esforço para conseguir resultados, que não sabem o que querem.
Entre a dúvida e a surpresa por de uma só vez ter constatado a situação, pergunta-me o que se passa com a escola, o que é os professores andam a fazer, sobre a situação em que está o ensino.
Começo-me seriamente a convencer que estamos a atravessar um momento de viragem, de reconfiguração conceptual e metodológica, de viragem espistemológica, no que ao trabalho escolar e educativo diz respeito. Não consigo ainda perceber contornos, descrever situações ou, sequer, apontar pistas dos novos caminhos. Mas a situação é generalizável pelo menos em contexto alentejano. As respostas que têm sido definidas são as mesmas de há décadas. A carolice e a boa vontade de muitos professores fazem com que se procurem outras propostas de trabalho mas que acabam, de um modo ou de outro, por ser mais do mesmo, da mesma maneira com a desgraça de ser face a raízes diferentes.
Em que ponto estamos nós? qual o balanço que se pode fazer de 30 anos de democracia da escola? quais as razões deste desinteresse, do alheamento, da indiferença, da falta de sentidos e de objectivos face ao trabalho escolar? o que pode ser feito? qual o papel do professor nesta reconfiguração, nesta viragem?
Será que se justifica manter práticas, estratégias, metodologias, conteúdos e conceitos, organização e princípios que cheiram a bafio face aos desafios do hoje, do amanhã?
Fico na mesma expectativa de um amigo, prefiro sonhar que estamos a discutir currículos, a construir localmente a escola e a educação. Mas estaremos mesmo?

quarta-feira, abril 6

dos exames

Em face dos rumores sobre a possibilidade de se acabar com os exames de 9º ano, nem sequer ainda realizados, volto à conversa embalado que fui pelo diálogo entre o Ademar, em dois posts, 1 e 2 e Vital Moreira (em Causa Nossa).
Tendencialmente aproximo-me mais da opinião do Ademar perante o qual subscrevo a questão quanto ao facto de se procurar prolongar a escolaridade (facto com o qual concordo) e se colocarem barreiras, obstáculos no meio desse percurso (afinal, o que se pretende).
Estou do lado daqueles que consideram que os exames não são, necessária nem obrigatoriamente, marcos de exigência, rigor e qualidade do sistema.
Mas sinto, na escola, que a grande preocupação recai, por um lado, no receio de um prolongamento do deixa andar (os professores não sabem, em muitas situações ou contextos, como lidar com o crescente desinteresse, alheamento, indiferença do aluno, a falta de objectivos ou com o aparente facilitismo em que recai o trabalho escolar) e, por outro lado, num inquirir sobre o que fazer perante aqueles que não conseguirão ultrapassar o obstáculo exame.
São contradições, dúvidas a mais para um sistema que quotidianamente enfrenta múltiplas situações e momentos entre o angustiante e o decisivo.
Considero que os exames, pelo menos ao nível de 9º ano, não serão uma resposta cabal a esta dúvidas, nem o remédio que muitos professores e pais julgarão adequada em face da necessidade de exigência, rigor e qualidade que o sistema, aparentemente, carece.

da saudade

Uma colega da escola, ao fim de quase 41 anos de docência, passou à reforma.
Perguntei-lhe deixas ou levas saudades.
Pensou, olhou para mim e com uma calma e uma ponderação que não lhe conhecia disse-me, não sei, manel, como está hoje o ensino não sei se deixo ou se levo saudades.
Foi a minha vez de ficar a pensar. A pensar em como está hoje o ensino, nas saudades do futuro, no caminho que tenho pela frente, naquilo que me falta cumprir.

terça-feira, abril 5

da ilusão

Um professor preparou a sua aula considerando todos os seus pontos de vista, em função dos seus interesses, das suas preocupações. Preparou uma aula toda pimposa com recurso ao multimédia, a uma apresentação powerpoint de cerca de 25 a 30 minutos.
Estava contente, satisfeito com o seu trabalho, com o empenho, o esforço e a dedicação que tinha colocado naquela aula.
A turma é complicada, entre o desinteresse e a indiferença, com situações pessoais desestruturadas e desestruturadoras de uma dinâmica de grupos. Mas aquela preparação estava, reconhecia, excelente. Não havia desinteresse que pudesse resistir.
No dia da aula, da apresentação do produto e do empenho da sua preparação, montou ele próprio toda a parafernália, não fosse algo falhar sem ser por sua responsabilidade, testou e voltou a testar a apresentação.
Alunos presentes. Esperou que os ânimos acalmassem, ficassem prontos para receber o fruto do seu trabalho.
Rotundo fracasso. Falhanço absoluto. Sentiu-se ir pelo cano, desesperar frente aos alunos, aos colegas, aos docentes orientadores.
Na conversa que tivemos, descobriu que a preparação foi a sua, a preocupção e o interesse o seu, o empenho apenas o pessoal. Apenas ele se envolveu, participou. Os alunos foram considerados em face de um outro centro de interesse, de um outro fóco de motivação, de outras experiências. Os alunos não foram nem vistos nem achados no processo. Não foram envolvidos nem ouvidos.
Quantas e quantas vezes isto sucede, a preparação de uma aula considerando o nosso ponto de vista, o nosso interesse e as nossas capacidades, um gosto pessoal. Se esquece o aluno.

da "não-inscrição"

Os comentários que por vezes oiço na sala de professores, leva-me a ser abusivo e pretensioso (mais ainda) e a transferir para esta nossa área o pensamento do Prof. José Gil, no seu último livro, Portugal Hoje, o medo de existir.
Ninguém se quer comprometer com nada, ninguém inscreve uma posição, defende uma ideia, afirma uma convicção.
Descubro que não é por que não existam ideias, opiniões, posições definidas, claras sobre os assuntos.
Apenas alguns, porventura excessivos, procuram ficar bem com Deus e com o o Diabo, com os Gregos e com os Troianos. Nada de compromissões, nada de uma posição firme e convicta sobre...
Há, também nas nossas escolas, uma cultura de não-inscrição, de acordo com a caracterização que dela é feita por José Gil, de não comprometimento, de não assunção de posições e de ideias.
Até que ponto passamos nós, professores, esta atitude para as crianças que procuramos formar?

dos buracos

De repente repescam-se velhas ideias com um novo (?) figurino, o de garantir que os alunos não têm buracos no horário.
Perpassam por esta ideia que tenho ouvido nos noticiários, duas sensações. Uma de absorção, isto é, sou eu, professor, o culpado inveterado de os meninos terem buracos, pois sou eu, professor, que falto muito, que prevarico, que não cumpro, que não sou cumpridor das minhas obrigações. (Há algo de verdadeiro nesta ideia, não procuro desculpar os professores, procuro perceber justificações de um discurso).
Uma outra sensação é a de negócio. As afirmações da senhora ministra confrontadas com posições do sindicato, fazem-me pensar que entramos num medir de forças, num nivelar de argumentos, numa procura de conceitos e de ideias, vamos vver se para discutir, partir, outra vez, tudo de princípio, se apenas para aferir posições.
Para terminar o meu ponto de vista: deixem as escolas fazer o seu papel. Formem as pessoas, disponibilzem a formação aos órgãos de gestão para que, na sua maioria, consigam ir para além da gestãozinha do seu quotidiano, do umbilicalismo das suas preocupações, saber o que se quer fazer das escolas, se centros ocupacionais se centros de formação de pessoas.
Não estou contra a proposta. Estou contra a forma como são apresentadas as coisas e o modo como são expostas na praça pública. Não valorizam as políticas (opções, ideias, programa), nem valorizam os profissionais.

segunda-feira, abril 4

mais do mesmo

Apetece-me repetir a designação do Nelson. Ao fim de um dia de trabalho é mais do mesmo.
Uma colega, à saída da escola, aborda-me sobre uma dada turma, o seu carácter irriquieto, o seu manifesto desinteresse, a indiferença perante tudo o que se lhes coloca pela frente.
Pergunta-me, entre o aflita e o desesperado, o que se pode fazer.
A resposta terá demorado provavelmente mais que uma hora, para chegarmos à brilhante conclusão que isoladamente, sózinhos, pouco ou nada podemos fazer.
Há todo um trabalho a montante da situação herdada a desenvolver, há que consensualizar conceitos, definir rumos, valorizar competências e descobrir sentidos.
Um professor pode fazer muita diferença, pode ser fundamental. Mas não será solitária e indivudalmente o eixo de mudança. são necessárias mais vontades, outros pontos de apoio.
As mudanças terão de ser pequenas, por intermédio de pequenos passos, uns inseguros, outros mais convicentes. Com pequenas convicções, mas com grande determinação.
Alterar a indiferença de uma criança? criar sentidos ao que faz na escola e na aula? Como, repercuto eu a questão.

de regresso

Cá estamos para o que falta, para o resto de um ano lectivo que, pelo menos aparentemente e por estes lados tem decorrido pela normalidade.
Regressaram os dias de levantar cedo, distribuir os filhotes, dinamizar ideias e apoiar a construção de sentidos.
Regressaram os gostos e as vontades de fazer mais, melhor e diferente. Como também regressaram ângustias, desanimos, falta de vontades e desinteresses.
Nas primeiras horas da manhã as vontades arrastaram-se pelas cadeiras, alteraram-se ruídos, levantaram-se vozes. Foi, há que reconhecer, algo arrastado o iniciar desta fase.
Mas estamos de regresso. Vamos a isto.

domingo, abril 3

das vontades

Terminei ontem uma acção de formação - sobre portefólios - onde me inscrevi por obrigação e necessidade de créditos e que termino com claras saudades das conversas, das discussões, da troca de ideias e de opiniões que ali houve oportunidade, espaço e tempo para trocarmos.
Num momento final, entre a obrigatoriedade das avaliações, confirma-se e reforça-se no meu espírito a massa crítica, disponível e voluntariosa que existe na nossas escolas, em todos os graus de ensino.
Confirma-se a vontade, o gosto e a necessidade que há em aprender outras coisas, em conhecer outros modos, em fazer de maneira diferente, em procurar ir ao encontro daqueles com quem quotidianamente trabalhamos.
Confirma-se que as reformas não vingam não é por causa dos professores. Confirma-se que existe pre-disposição, vontade por parte de muitos professores em aprender.
Confirma-se que a formação docente está mal orientada, é mal gerida e responde a um pequeno grupo de interesses e de interessados.
Confirma-se a carência de formação, a necessidade de ser contextualizada, personalizada, não ao professor, mas às necessidades das escolas, da realidade de cada escola.
A escola é, cada vez mais, um mundo e um espaço de oportunidades. Serão perdidas?

da eucaristia

Não é pela morte do papa que destaco esta eucaristia. Faço-o por reconhecer nela tanto de verdade como de fé;
Uma aula não deve ser uma eucaristia. Nesta há o assegurar de um hábito, a tranquilidade do gesto repetido, a força da palavra que é pedra de margem, a serenidade de um deus responsável pelos alicerces da Terra. Numa aula há o incómodo da coisa nova, o difícil desenrolar de uma história, a força da palavra que é ideia de ponte, o aprender que de milagres apenas este de sermos.
in ruminações digitais.

sábado, abril 2

do dia

É o dia internacional do livro infantil.
Em vez de discorrer sobre algo que conheço pouco, deixo um link para uma regressada amiga. Vale a pena e mostra que sabe do que fala.

da História

Não sei se fui descoberto por alguém que possa conhecer se apenas é uma descoberta prazenteira deste espaço, da escrita que por aqui acontece, das ideias que deixo e que com os amigos troco.
Mas a Cândida deixa-me não um, nem dois mas três comentários, fazendo transparecer algo entre o sotaque do norte e o prazer do Alentejo.
Será que estou assim tão errado?

a propósito e está escarrapachado no lado direito deste blogue que sou indecente de História.

de um gosto

de quando em vez descobrimo-nos, um piouco mais um pouco melhor. Geralmente nas conversas, nos olhares que trocamos.
Gostei desta troca de conversa. Fico com vontade que ela se prolongue um pouco mais. São estas as cumplicidades partilhadas da blogosfera.

sexta-feira, abril 1

impertinência

impertinência é como, habitualmente, me designam quando trago à liça daqueles temas que poucos querem discutir e menos ainda quando acontece em final de dia, após uma catrefada de horas e montes de gente.
Mas o Ademar parece que juntou toda a sua impertinência nesta pausa pascal e traz à baila um tema que, infelizmente, pouco ou nada se discute nas nossas escolas.
Acrescento um elemento a esta estória com todo o risco assumido de dizerem que pactuo com o laxismo ou o deixa andar não te amoles, mas quem me conhece, quem comigo trabalha sabe que assim não é.
Sou, genericamente, contra a retenção de um aluno a meio de um qualquer ciclo de ensino. Estou convencido (apesar de reconhecer que há muita gente que reprovou e que reconhece méritos e benefícios nessa sua reprovação) que não é por reprovar, por ficar retido um ano que a alminha se regenerará, que a cabecinha se tornará mas apta e capaz para as provas ou que os desempenhos e comportamentos se normalizarão.
Isto por que o hábito é deixar andar e o aluno repetir a mesma dose, da mesma maneira e, o mais das vezes, pelos mesmos que antes o reprovaram. Existe, neste aspecto uma completa, total e ineficaz desresponsabilização do professor e da escola face a medidas de apoio, compensação, recuperação, incentivo e integração do aluno e do seu contexto e dos problemas ou situações que estiveram na base dessa retenção. Geralmente é situação remetida à exclusiva responsabilidade do aluno (problema dele, desinteresse, alheamento, indiferença, falta de estudo, incapacidade são os mimos com que a pessoa é prendada e catalogada).
Neste aspecto e considerando genericamente a situação descrita, a escola é inimiga do aluno. Eu diria mais. A generalidade dos professores continuam a apostar e a fomentar uma escola de elites, de indiferença perante os que, por uma qualquer razão, apresentam dificuldades e carência de resultados naquele ranking que a generalidade dos professores concebe e pelo qual se orienta - seja de conheicmentos, seja de comportamentos, seja de empenhos.
E não basta referir que as escolas não têm condições (é sabido que estão montadas apenas e quase que exclusivamente para se darem aulas), que os professores têm mais que fazer (e têm), que o problema está no sistema (do qual todos fazemos parte e integramos) ou que não há recursos ou oportunidade.
Muitas vezes não se faz por que pura e simplesmente os professores não sabem (evito o não querem) fazer de maneira diferente. Fazem-se esquecidos que do outro lado estão pessoas, com sentimentos, com opinião. Muitas das vezes os professores tratam e analisam uma situação como se de um procedimento administrativo se tratasse.
Por isso, optei pela distanciação no final do período, pela pausa reconfortante. Procurei evitar comentários que fossem para além da minha mera e simples opinião e caíssem na fulanização, que sempre evitei.
Mas não tenho a mínima das dúvidas em subscrever a opinião do Ademar, a escola é (não em todos nem por todos os docentes) inimiga do aluno.

voltei

Espero, obviamente, que poucos ou mesmo e preferencialmente ninguém me tenha levado muito a sério, no que se refere à minha anterior confidência. Hoje, como diz o Ademar, um dia para não levar a sério.
dentro do que podia ser uma mentirinha optei por aquela. Ainda bem que poucos repararam.

confidência

Ainda agora regressei de uma pausa pedagógica, ainda agora regressei depois de um afastamento profilático e já estou de saída.
Peço desculpa, mas regresso quando for possível.
Um abraço.

quinta-feira, março 31

do esquecimento

Em Setembro do ano passado, já passaram qualquer coisa como 9 meses, tempo suficiente para que uma criancinha possa nascer, remeti um pedido à minha querida direcção regional de Educação.
Até hoje nada. Desde o passado mês de Fevereiro que passo pelos serviços onde pretensamente estará, ou deveria estar o meu pedido, ou a sua resposta, com alguma regularidade e nada. Os colegas, pois são docentes as pessoas que processam a papelada, mostram alguma consternação, mas nada de prático é feito, é conseguido.
9 (nove) meses para um simples parecer, uma resposta tipo, padronizada, certamente dada a milhares de outros. Pergunto onde poderá estar encalhado e não me sabem responder. workflow, o que é isso?, que bicho é esse?.
E quero continuar a acreditar que é apenas incompetência dos seus responsáveis e não má fé.
Perante um diálogo sobre organização dos serviços da administração pública uma pergunta terá pertinência: culpa do sistema ou das pessoas?

das inquietações

A partir do sítio de um amigo uma nova referência, inquitações pedagógicas.
Já disponível ao lado.

quarta-feira, março 30

das actualizações

apesar de ausente nem sempre estive distante deste meu cantinho. Neste espaço de tempo deu para actualizar os links laterais, com novas entradas, novos colegas, novas companhias. Na sua generalidade são sítios por onde frequentemente passo, mas que por uma ou outra razão ainda aqui não estavam. Passam a estar, nomeadamente:
o Acontecências
Blogs em pt quase tudo o que é blogue em português
Conversamos?!
Crackdown
Entre mim e a cidade
Escolaridades e outros
Instituto Paulo Freire não é um blogue mas é uma das minhas principais referências educacionais
Apesar de aqui não estar considerado faço referência para um pedido de divulgação, que aqui deixo, mas que não coloco aqui ao lado, oriundo de António Gouveia é o Alvaláxia, é preciso explicar o porquê?

um desafio

uma das propostas, entre o radical e o apelativo, vem do Ademar mediante aquilo que designa como um nó gordio do nosso sistema de ensino, a monodocência do 1º ciclo.
Apenas de carácter opinativo, pois faltam-me elementos para poder fundamentar e estruturar uma outra argumentação, tenho de reconhecer três situações:
1. correm-se riscos, efectivos, objectivos, em face da monodocência, de calhar às crianças um qualquer atentado pessoal e profissional pela frente, onde pais e estruturas educativas pouco ou nada possam fazer. É um facto e não pouco frequente;
2. Apesar de formalmente existir uma pluridocência ao nível dos restantes ciclos de ensino ela é apenas administrativa, uma vez que dentro da sala de aula continua a reinar a discricionaridade do professor, umas vezes honesta e assente na gestão do bom senso, outras nem tanto; das duas três, podem correr os mesmos riscos que ao nível do 1º ciclo, podem-se correr mais riscos pela multiplicação de situações ou podem-se contrabalançar, equilibrar situações boas e menos boas pela diversidade de pessoas com quem o aluno se encontra; por último
3. em minha opinião, o que a escola pública portuguesa necessita mesmo é de uma reconfiguração organizacional, que permita uma construção local de tempos e funções, objectivos e recursos, permita a diversificação de metodologias e estratégias, a complementaridade e a colaboração entre docentes, a cooperação e a entreajuda entre docentes e outros actores educativos.
Tema que daria pano para mangas.

à liça

Pois é, não consigo estar mais tempo fora daqui, deste espaço, deste cantinho onde despejo ideias, onde verto opiniões e onde posso ser um pouco mais aquilo que sou, algo entre o idiota e o opinativo.
Não estou com baterias totalmente recarregadas, uma vez que o trabalho tem sido mais que muito, mas diferente do habitual da escola e do pensar esta minha (nossa) profissão. Mas consegui, à pouquinho, despachar os objectivos que me orientavam e que fizeram com que estivesse afastado.
E há muitos desafios.

domingo, março 20

Pausa

Para evitar dislates daqueles que, cedo ou tarde, nos podemos arrepender, uma pausa pedagógica, para recarregar baterias, descansar os ânimos, recuperar vontades e, entretanto, aproveitar para mudar trastes, bugigangas e estórias cá de casa.
Eu volto um dia destes.
Boa pausa. Descansem da minha pessoa, da minha escrita, das opiniões e ideias que por aqui vou deixando que eu sei e reconheço que só vos fará bem.

do procedimento

Senti-me no início destas reuniões de avaliação como há muito não me sentia. Entre o irritado com os meus colegas docentes e o triste com a minha pessoa.
Irritado por que sinto os professores a desmarcarem-se de qualquer situação que aparente, cheire a possível problema ou a eventual problemática.
Irritado por insistir e persistir em afirmações em que apenas a minha pessoa acentua a desconsideração e a certeza nos outros que sou, real e efectivamente, idiota.
A preocupação número um, essencial e determinante das reuniões de avaliação é, na vez e na voz de alguns dos meus estimados colegas, em despachar o procedimento administrativo, que tenho mais que fazer.
Discutir o desinteresse de um aluno? a falta de motivação? são coisas com as quais nada temos a ver.
Será? Será mesmo verdade que o docente nada tem a ver com o interesse ou a desmotivação do aluno? Até quando?.

do jornal

Está em referência no seio de um comentário a uma das minhas postas. Passei por lá e gostei de tal maneira que faço o destaque em primeira página.
Passem pelo sítio D' as nossas vozes, e perceberão a que me refiro.
Ainda por cima passei o fim-de-semana a semear batata.

sexta-feira, março 18

do programa do governo

Destaco, a partir do programa do governo, uma ideia que considero importante, pertinente e determinante na construção da escola e da educação enquanto motores de desenvolvimento, coesão social e sustentabilidade de futuro:
As escolas são o centro do sistema educativo. Devem estruturar-se numa rede coerente de
recursos de educação e formação, ao longo de todo o território. É necessário consolidar a
dinâmica dos agrupamentos de escolas do ensino básico, mas numa lógica em que a
organização seja instrumental face às finalidades educativas.

Assim encarada a educação passa a estar, de modo claro e directo, ao serviço do desenvolvimento das comunidades em que se insere.
Óptimo. Pergunto: como?

ir mais além

Perante o comentário colocado na posta anterior é difícil não se concordar, não afirmar que não pode haver conhecimento sem consistência, sem conteúdo, sem trabalho.
O que destaco na frase de A. Einstein reside na capacidade de ir mais além, de romper ideias e quebrar com os instantes relativos do conhecimento.
De que serve o profundo conhecimento de algo que não seja para se progredir, para se avançar, para se recusar. E um dos modos de se proceder a esse avanço, aos saltos do conhecimento é mediante a imaginação. A imaginação de perguntar, de inquirir a realidade, de refutarmos a banalidade do quotidiano, de imaginarmos outros possíveis.
É esta imaginação que não caracteriza a nossa escola, é a passividade de se aceitar o que temos e de não irmos mais além, de procurarmos outros possíveis que refiro e caracterizo como falta de imaginação.
Estranhamos o que é diferente, rejeitamos a novidade mais pelo desconhecimento do que poderá implicar na nossa estabilidade (pessoal, emocional, afectiva, profissional) do que por discordância, mais do que por desconhecimento do que é novo.
É esta imaginação que não tem marcado a nossa escola. Quando aparece, escola da ponte, por exemplo, é olhada de soslaio, com desconfiança.
Acrescento à frase de A. Einstein uma outra de M. L. King, "tenho um sonho", o de ver a imaginação no poder da escola, o de ver o gosto e o prazer da descoberta, de se enfrentarem novos desafios com novas respostas e não as mesmas respostas para problemas que são diferentes. Mantenho, falta imaginação na nossa escola para levantar dúvidas, colocar questões, inquirir o quotidiano, olhar sob outras perspectivas este mundo e este espaço. Falta imaginação.
A imaginação é mais importante que o saber, tirei a expressão deste sítio, em face do aniversário de Albert Einstein, para referir que se adequa que nem uma luva à escola.
Falta imaginação na escola, uma deriva de outros aspectos já antes referenciados e comentados e não menos importantes na construção de uma ideia de escola.
Afinal, para que serve a escola?

da confusão

Não resisto. No contexto da avaliação não procurei ser impertinente, nem despertar qualquer tipo de susceptibilidade, pelo menos de modo deliberado [as minhas emoções podem levar a situações não previsíveis] numa conversa que pode ter tantos contornos como protagonistas, situações e referências.
Acrecento apenas a este comentário do colega da Alma Benfiquista, que de quando em vez há quem confunda a beira da estrada com a estrada da Beira.
Não sou defensor de modas pedagógicas, ainda que seja preferível partilhar algumas dessas ideias do que me ficar por uma qualquer leitura passíva, aparentemente despretenciosa e erradamente asséptica de um qualquer normativo ou situação.
E, a haver velhas questões elas ficar-se-ão pela falta de argumentos, pela opinião não fundamentada, pelo argumento inconsequente, pela utilização da avaliação como um fim e não como meio.
A questão que procuro levantar não se relacina directamente com a avaliação, diz respeito a qual o papel da escola no contexto da formação de pessoas.
Se esse papel for no sentido de seleccionar, hierarquizar, separar os bons dos maus, então efectivamente caio por terra, e as minhas modas não pegam.
O problema é que eu não vejo assim a escola. Prefiro ver e sentir a escola como um local de aprendizagem, sim senhor, mas também de formação. De transmissão de conhecimentos, sim senhor, mas também de partilha de emoções. Como um local de trabalho dos alunos, é verdade, mas também de interpretação e de análise dos docentes.
A grande questão é que a avaliação tem toda a pertinência e cabimento, seja em que modalidade for, depois de definido o sentido e a utilidade da escola.
Apesar de tudo, continuo a deizer, Viva o glorioso.

quinta-feira, março 17

Avaliação e portefólio

Já há dias que tentei colocar um comentário no meio deste tema, por infelicidade minha não me foi permitido. Os comentários cresceram, quer em número quer em pertinência, vai daí e permita-se-me acrescentar mais duas ideias a esta temática do portefólio.
Este ano optei por utilizar a metodologia do portefólio como um dos instrumentos de avaliação, e não tenho 80 meninos, tenho 180.
Na sequência da minha opção em trabalhar no âmbito da pedagogia diferenciada o portefólio é um instrumento quase espontâneo.
Neste sentido a opção recaíu em dizer mais ou menos o que era, sem grandes explicações, nem grandes enquadramentos (é, nomeadamente, o conjunto de trabalhos desenvolvidos no âmbito da disciplina, os produtos - alguns chamam-lhe evidências - desenvolvidos pelo aluno, seja na resolução de fichas, sejam de trabalho ou de avaliação, seja na pesquisa de informação, na elaboração de um trabalho, ao qual estão apensos comentários, do aluno e do professor, reflexões sobre o que se fez, o porquê, uma análise mais pessoal e intimista do trabalho que conduziu aquele produto, aquela evidência.
Optei por deixar surgir a necessidade, deixei que surgissem questões sobre a sua pertinência, sobre a sua utilização e finalidade (afinal são crianças do 7º e 8º ano, considerei desnecessário qualquer enquadramento teórico à situação).
No final do primeiro período a questão foi pacífica ainda que sem grandes arranjos, e uma preocupação organizacional ainda muito, muito incipiente, mas estavam instaladas as condições para a sua efectiva utilização como instrumento de avaliação.
Assim sendo, optei por deixar andar. Para além das minhas leituras, havia que aproveitar uma formação neste âmbito que me permitisse acrescentar algo mais à minha prática pedagógica. E deu resultado.
No final deste período tenho analisado e trocado impressões com cada aluno, individualmente considerado. O aluno apresenta o seu portefólio, justifica as suas opções, comenta o comentário crítico que sobre ele fez. Enquadrado por outras grelhas disponibilizadas pelo professor (nomeadamente de autoavaliação) o aluno chega à avaliação do período, sem interferência do professor, apenas pelas evidências do seu trabalho, pela apresentação do seu trabalho.
O portefólio hoje mostra, em alguns dos alunos, uma organização e uma apresentação de meter inveja ao professor. É reconhecido por todos que reflecte o trabalho desenvolvido, está ali o empenho, a participação, o trabalho de cada pessoa, de cada aluno. Como estão as suas emoções e afectos quer com o professor, quer com a disciplina, quer, muito particularmente, com o seu trabalho.
É uma opção que irei acentuar ao longo do próximo período com algumas alterações.
Ultrapassei, definitivamente, a fase de procurar, no âmbito do processo de avaliação, distanciar-me e evitar os sentimentos e as emoções, de procurar a objectividade absoluta. Considero hoje uma idiotice (desculpem-me, as susceptibilidades). Os sentimentos, as emoções, os afectos também são parte integrante, quando não mesmo fundamental do processo de avaliação. Mais ainda quando se trabalha no âmbito da pedagogia diferenciada.

quarta-feira, março 16

um acrescento

... à nota sobre as avaliações antes colocada.
Um acrescento para referir o óbvio mas que nesta altura não é evidente.
Em qualquer sala de professores nesta altura, digo eu se me é permitida a alarvidade, quando se aborda o aproveitamento do aluno é feito tomando duas referências. Se o aluno é bom o professor é impecável, valorizado o papel, o empenho e o interesse do aluno, mas destacado também o empenho e a qualidade do professor.
Agora se é um mau aluno a culpa reside apenas e exclusivamente nele, aluno, que não se esforça, que não se interessa, que não está motivado. O professor neste contexto é parte ausente. E, a tristeza, é que em muitos casos o professor é mesmo parte ausente.

das avaliações


Posted by Hello
Esta alminha benfiquista [nada de festas antecipadas] levanta nesta altura, final de período, momento de avaliações, uma questão deveras (im)pertinente e que está longe, muito longe de ser esclarecida e muito menos, muito menos mesmo, consensualizada entre os docentes.
Que escola queremos? Que alunos, que pessoas pretendemos formar? Qual o objectivo da escola? qual o objectivo da formação em contexto escolar? a escola procura saberes ou competências?
Quando procurarmos estas respostas talvez encontremos um sentido à avaliação dos ensinos básicos e, mais importante, um sentido ao trabalho que se desenvolve nas escolas.
Não quero ser provocador, pelo menos desta vez, mas a verdade descaíu-lhe na ponta dos dedos e escreve que é um sistema de classificação e confunde (falta saber se propositada e intencionalmente se apenas por desconhecimento) classificação e avaliação.
Um dos problemas passa por aí, não é um sistema de classificação, por muito que muitos docentes gostem de destacar essa vertente, é de avaliação que se trata(ao níveldo básico), é de juízos qualitativos, formativos e informativos, não é de quantidades, não é de rankings (estou certo que a Sofia, se tiver tempo, terá outros argumentos), são saberes sim senhor, mas também competências. São programas, mas também currículos.
Um dos problemas é metermos tudo dentro do mesmo saco e atiramos, muitas das vezes, para trás das costas. Não temos discutido estas temáticas, não temos falados destes problemas - nas escolas, os professores. Aceitamos, passivamente, que está tudo consensualizado, que é pacífico e que a interpretação e o entendimento é comum. Não é.
E o juízo emitido condiciona, seriamente, o futuro de uma criança.
Lembrem-se quando estiveram do outro lado, quando ouviram incentivos e reprimendas, como se sentiram, qual a V/ atitude.
Pensem no outro, naquele que está a ser alvo de um juízo e que não é uma coisa, nem um número. É uma pessoa, com uma situação, com um dado contexto.
Estimado colega. Não respondi ao desafio da democracia por entender que não se discute, pratica-se. Respondo a um desafio que sei que assim foi posto, nada é inocente, menos ainda vindo de um benfiquista.
Viva o glorioso.

terça-feira, março 15

do tempo

Deixei um comentário em casa de um amigo, que puxo para este meu cantinho, pela vontade e pela necessidade de o dizer, de reconhecer este meu cansaço e a vontade que, de quando em quando, me assola de parar, de dizer chega.
... Tenho que reconhecer que vontade não me falta. Começo a pensar que é tempo a mais, é conversa (de chaça, fiada) a mais.
Corro o sério risco de me repetir, de me tornar previsível, consequente com o que digo e escrevo. Nestas alturas de maior cansaço, onde qualquer prega do tempo é bem vinda, estar longe da blogosfera parece real e quase possível. Mas sei que, passado este cansaço da entrega e do digladiar de frases, emoções e sentimentos, regressa a vontade de estar neste canto desta sala de professores e não resisto a participar, a dar o meu palpite, a opinar, ainda que de forma inconsequente, previsível.
Ainda não é desta que desisto, mas preciso de uma pausa. Como preciso destes amigos.
Essencialmente preciso destes amigos, do contacto diário de uma boa snifadela de vontades, de troca de ideias comuns, de pontos de vista e olhares semelhantes. Preciso de vós, estimados e prezados colegas e amigos, da V/ escrita, da V/ passagem, do meu olhar sobre a V/ escrita para poder ser eu mesmo. Assim, sem mais, com todo o cansaço deste final de período.

da preparação

no contexto do final de um período trato de organizar o próximo, corrigir ideias, reformular propostas, re-pensar ideias, definir outros desafios, estruturar novas acções, re-organizar procedimentos, pensar outras competências, aprofundar conteúdos, consolidar aprendizagens.
Procuro organizar as ideias de modo a poder apresentar uma proposta de trabalho nos respectivos conselhos de turma, considerando especificidades, problemáticas e desafios inerentes a cada grupo. Os ganhos têm sido escassos em face das expectativas. É muito raro que um colega vá atrás de trabalhos dos outros, procure desenvolver o seu trabalho em colaboração com outros, em cooperação.
Mas não desisto, faço-o há vários anos, em todos os conselhos de turma deixo uma ideia de trabalho, propostas a desenvolver em cooperação. Geralmente é no final do ano que me interrogam sobre o que podiamos ter feito, ultrapssada, talvez, alguma estranheza de práticas e procedimentos. Este ano, infelizmente, sinto que o trabalho se poderá prolongar para o próximo ano e há que aproveitar.
Veremos como será a preparação.

da azáfama

Uma azáfama sofrega percorre a escola.
As tarefas, entre o atrasado e exigente, recordam as obrigações de um final de período.
Depois são as moengas, dizem que o computador comeu as faltas do pessoal, dos aalunos. Resultado, é um ver se te despachas de director de turma atrás um do outro à espera de re-carregar faltas, justificações, procedimentos que o computador comeu.
Outros descansam os ossos na sala de professores, esperam a vez de carregar faltas, o final do dia ou simplesmente que chova, o que dúvido seriamente.

segunda-feira, março 14

Estou que nem posso


Posted by Hello
e isto não vai lá com água. Preciso urgentemente de uma pausa.

domingo, março 13

e agora

Ontem foi a tomada de posse dos senhores ministros (e senhoras).
Amanhã, segundo sei, será a tomada de posse dos secretários de Estado.
Depois... bem depois é esperar, sentados claro está, e apreciar o que se pode perspectivar em termos de medidas de política na área da educação.
Combate ao insucesso, ao abandono e ao absentismo. Promoção da escolaridade básica (ainda) obrigatória, reforço do ensino secundário, territorialização educativa, carreiras, avaliações, etc, etc.
Cá estamos, entre a expectativa e a vontade de trabalhar, a aguardar por desenvolvimentos.
Um a curto prazo é mais que certo que irá rebentar no colo da senhora ministra, o dos concursos de professores. Depois... bem, depois logo se verá.

das comparações

em conversa sobre valores (alteração e transformação), há quem compare - ou coloque no mesmo saco - a escola, a igreja ou os militares.
Alguém afirmou, entre a firme convicção e a certeza, que todos eles se desagregam, todos têm sofrido profundas alterações e, de um modo ou de outro, deixado de servir de referências.
Estava eu mais ou menos calado, de modo a não interromper uma sessão que corria de vento em popa. Perante esta afirmação, pedi desculpa e disse que ainda bem. Ainda bem por que a escola não é uma questão de fé nem de crença, é de trabalho. Ainda bem por que apesar de persistirem na escola muitas das lógicas militares é cada vez mais um espaço de participação e de afirmação da democracia. Ainda que existam hierarquias elas só são usadas para afirmação de situações (administrativas ou pessoais).
Não consigo colocar a escola neste saco comum da tropa e da igreja. Reconheço que lá esteve durante muito tempo, fosse nos valores (transmitidos ou reconhecidos), fosse na organização (há uma sala só para professores, uma só para funcionários, outra da malta, há condições de acesso diferenciadas entre alunos, professores e fucionários, há uma guarita de entrada) e na hierarquia (a antiguidade ainda é um posto na escola, escolhem-se horários, turmas, benesses), fosse, ainda e por último, na fé, na crença - seja num Deus ou na infalibilidade do senhor general.
O meu desgosto, mas que é também um claro desafio, é que esta crença ainda persiste em muitos discursos, alguns deles informados, com capacidade de análise e de interpretação mas que reconhecem na escola, ainda hoje e infelizmente, lógicas de fé e de hierarquia.
Não é, nem pode ser. A escola é cada vez mais um espaço de afirmação e de participação, de democracia construída e reconstruída, debatida e discutida. Não há fé, há discussão, procura de verdades, debate e discusão. Como a única lógica hierárquica é a da afirmação do conhecimento, a do trabalho, a do estudo, a da criação de pontes entre diferentes públicos, entre diferentes interesses e diferentes interessados.
A escola é social (de e para as pessoas), plana na sua linha de organização e a haver fé será na razão e no conhecimento.

sexta-feira, março 11

Frases (5)

(...) Escrevo, simplesmente, porque me apetece e porque faz parte da minha natureza dar-me pela escrita. (...)
Reconheço-me nesta frase, como me reconheço nas ideias e em muitos dos sentimentos que circulam neste abnóxio.
Tornou-se, tão rapidamente quanto o autor o não quereria, uma incontornável referência, seja no âmbito da educação, seja na poesia, na abordagem política, seja no simples exercício de cidadania.
Não tenho o prazer, nem o privilégio de conhecer o Ademar. Estou certo que teriamos algo em comum, pouco ou muito não o sei dizer, mas algo nos juntaria, provavelmente o gosto de sermos professores, de estarmos com crianças.
Referência incontornável para mim, local de passagem e circulação obrigatória diariamente.

da rua

O meu filho, aluno do 5º ano, conta-me que a professor mandou 14 alunos para a rua. Não tinham levado livro nem os tdc´s (trabalhos de casa) feitos.
Acrescentou que a professora também se tinha esquecido do livro.
Será que tinha feito o trabalho de casa?

quinta-feira, março 10

Da necessidade (2)

Ainda a propósito da formação e das necessidades que a induzem ou que por ela são induzidas, trocava ideias com uma colega sobre a quantidade de trabalhos que se vê e é obrigada a fazer, uns atrás dos outros, num remoinho imparável e quase insuperável de prestação de contas.
Tive a sorte, aquando do meu curso, de não ser submetido a esta orda de trabalhos, como reconheço que tive o privilégio de tudo o que foi solicitado vizar um produto e mais não era que um meio de o alcançar.
Mas reconheço que há universidades onde são pedidos trabalhos atrás de trabalhos, há testes e exames, como se de um prolongamento da licenciatura se tratasse. Quase que se fica com a sensação que os trabalhos procuram ocupar as cabecinhas o suficiente para que elas não pensem naquilo que ali estão a fazer, não pensem noutras hipóteses ou noutras ideias de escola e do papel que ali se desempenha.
Se não é possível pensar a escola em processos de formação, com apoio e alguma massa crítica que permita o seu enquadramento, quando será possível pensar a escola? Na escola? entre uma preparação de aulas e uma reunião de departamento? com o tempo contado antes de ir buscar a prole ao colégio? Durante um pedagógico, entre a discussão da sala de fumo e o arrastar de cadeiras no primeiro andar?
É isto que considero um massacre. Falar-se da escola sem se pensar sobre ela, sem haver tempo, espaço e oportunidade de se pensar o que cada um de nós faz na escola, o que ela nos permite, nos condiciona, nos cerceia ou impele.

quarta-feira, março 9

Frases (4)

Agora habituei-me à simplicidade de navegar e copiar, criar destaques com frases dos outros nas quais, por um ou outro motivo, me reconheço e considero, por um qualquer pretexto ou sentido, importantes.
... os blogues não são um fenómeno passageiro, uma moda, mas sim uma nova forma de expressão que veio para ficar...
Nem seriam necessárias mais palavras, tanto pode ser dito de forma tão simples e tão prática. Apenas acrescento o local onde saquei a informação, pois vale a pena ler o estudo.

frases (3)

Não resisto em me apropriar de uma ideia que li aqui, neste conversamos.
Será que e na sequência da minha anterior entrada sobre as necessidades e ainda desta outra, as escolas pensam daqui a três anos, um ciclo de ensino, por exemplo? Organizamo-nos e preparamo-nos para daqui a quanto tempo? A preparação que procuramos transmitir aos nossos alunos visa a sua preparação para que tempos? em função de que objectivos?
Num ano que o senhor Presidente da República afirmou ir dedicar à escola, será importante que se equacionem algumas ideias sobre o tempo e o modo da escola se organizar [a escola não, os professores].

da necessidade

Nada melhor que criar necessidades para que os interesses se manifestem.
Eu explico. A alteração da legislação no âmbito da gestão escolar conduziu à necessidade de aqueles que se candidatam ou que se pretendam manter em cargos de gestão, possuam formação específica na área da administração. como resultado desta indução de necessidades, os interesses e os interessados nos cursos de mestrado na área da administração escolar são mais que muitos.
É bom, é óptimo esa oportunidade. Permite-se criar uma massa crítica passível de compreender, sob outros pontos de vista, a gestão da escola e, espero eu, criar a ideia que essa gestão vai muito para além do quotidiano, do umbigo individual ou da ponta do nariz (dos acólitos, diria o Miguel).
É bom por que essa massa crítica permite alimentar, espero eu, desejo eu, uma ideia de escola onde tenha pleno cabimento a gestão do tempo e dos espaços, dos interesses e das vontades e onde a avaliação seja matricial e a participação um caso efectivo.
Poderá também ser mau, uma vez que a autocentração gestionária, mesmo que com base em processos de formação específica, pode fazer crer que existe um modo correcto, uma forma mais adequado de gerir a escola, que existe um caminho, um sentido, que existem uns elementos no contexto da escola mais importantes que outros. Pode dar oportunidade à tecnocracia em detrimento da participação e do envolvimento da quantodade e diversidade de pessoas que preenchem e determinam cada escola em particular e em especial.
Tudo isto por que uma colega que faz mestrado me disse que na sua turma, maioritariamente, há elementos de órgãos de gestão ou com pretensões a ele.
Afinal, necessidades.

frases (2)

... longe da emoção a minha escrita não faz sentido, diz o Miguel. Roubei-lhe a feliz ideia, para afirmar que sem emoção nenhuma escrita faz sentido.
Nem a escrita, nem a vida, acrescento eu.

da participação

Ainda a propósito da integração na minha escola de turmas do 1º ciclo, já aconteceram encontros e reuniões com a direcção regional de educação, com pais e encarregados de educação, com professores do 1º ciclo, com auxiliares de acção educativa. Com quase todos. Quase...
Será que se esqueceram dos restantes professores? Será que os professores do 2º e 3º ciclos não serão merecedores de participarem nestas conversas? será que não há razões que permitam a participação de todos, e não apenas de alguns, neste processo?

terça-feira, março 8

da mudança

Este comentário, colocado numa das minhas postas, levanta, uma vez mais, um conjunto de ideias importantes, pertinentes e necessárias à discussão sobre a escola.
Este comentário, remete para pontos de vista, olhares sobre a escola e sobre a educação e sobre o eixo em torno do qual poderá rodar a mudança escolar e educativa. Como remete para diferentes planos, o das intencionalidades do docente, o da agradabilidade dos discentes, da sua aceitação, da sua justificação.
Ou seja, será a mudança um processo individual ou colectivo? rodará em torno dos professores ou dos alunos? a mudança será uniforme ou descontinuada? muda a escola ou mudam os professores? Há escola sem professores?

das listas

quase sem querer encontrei uma listagem de blogs sobre educação, não conheço a sua origem nem a metodologia quer de recolha quer de seriação.
De acordo com esta metodologia este meu espaço da escola está na 1021ª posição do ranking. Será bom? será mau? Não sei, mas também não estou grandemente preocupado com isso.
Mais pela curiosidade, aqui deixo a referência.

segunda-feira, março 7

frases

... muito do insucesso escolar reside na incapacidade de os professores se atreverem a fazer diferente (...).
Retirei esta frase daqui. Talvez apenas eu ainda não a tivesse visto, uma vez que é do passado dia 4, e corra o risco de fazer uma chamada desnecessária. Mas não resisti pela pertinência e pela plena concordância que sinto por ela.
Falta coragem na escola portuguesa para ser diferente e de não ter nem medo nem vergonha de assumir essa diferença.

da formação

Encontro-me, por obrigação, a participar numa acção de formação que decorre aos sábados. Entre a necessidade de obtenção de créditos para progressão na carreira e a obrigação da formação, optei por uma temática que me pareceu, e se confirma, útil, a da elaboração de portfolios como instrumento de avaliação, quer do professor quer dos alunos.
Felizmente, superaram-se as expectativas, decorrente do domínio da temática pelo senhor que forma, pelas conversas que se têm desenvolvido, pela troca de ideias que se promovem, pela consciencialização de práticas e de modos a que somos obrigados, pelo confrontar com a nossa prática e a sua interpretação.
A grande ideia do passado sábado decorreu da constatação da necessidade de espaços na nossa escola para trocarmos ideias, para aferirmos preocupações, para percebermos conceitos, para interpretámos práticas, para, simplesmente, falarmos sobre a nossa profissão.
A não existência destes espaços faz com que a formação, muita das vezes, seja uma válvula de escape sobre isto mesmo, sobre as condições que dizemos não ter, sobre o tempo que nos falta, sobre as angustias da avaliação e dos exames, do controlo dos pais e da regulamentação administrativa, das modas e dos tempos.
Fui para lá contrariado, estou lá agradado - ainda que por vezes, sinta que me porto menos bem, uma vez que promovo a troca de ideias, a discussão de aspectos e assuntos pouco habituais na nossa discussão e que, por vezes, fogem à temática.

os doidos querem-se juntos

... ouvi há pouco esta expressão tendo em conta que passei a manhã com uma criança deficiente que se enlevou pela minha pessoa.
Uma criança que, dentro da sua deficiência, levanta problemas, causa atritos, desorganiza as sessões de colegas que procuram desenvolver o seu trabalho.
Circulava pelo corredor na companhia de uma funcionária que quase que gritava que Deus voltasse à terra para a acudir. Dispus-me a ficar com ele, no contexto de uma turma com quem estava.
Fizemos desenhos, desenhámos e comparámos as mãos, entretivemo-nos com a turma, procurámos material que os restantes nos solicitavam.
Saíu e foi a correr para casa dizer à mãe que tinha mudado de turma, de horário e de professor. Agora estava com um homem amigo.
Os comentários, entre o sério e a brincadeira, entre o descanço de deixar de aturar o Luís e o sossego de eu com ele me entreter, conduziram a esta feliz expressão, os doidos querem-se juntos.
Gosto de ser doido.

da integração

Esta escola, a minha escola, vai passar, no próximo ano lectivo, a ter turmas do primeiro ciclo num espaço habitualmente destinado a grupos do 2º e 3º ciclo.
As negociações começaram há já algum tempo. As preocupações também.
Apercebi-me dessa situação, da negociação, do estabalecer de regras e normas mais ou menos de orientação.
Já passei, no princípio dos anos 90, por um filme muito idêntico, pela criação então de uma das muito poucas escolas básicas integradas.
Turmas e pessoas, trastes e quinquilharias, modos e medos, receios e expectativas e anseios, culturas e procedimentos, hábitos e usos tudo passou de um lado para o outro, de um espaço exíguo, confinado cheio de histórias e tradição para um espaço estranho, dos grandes, onde se esperava confusão.
O único receio o único inconveniente decorreu dos professores, que permaneceram isolados, enclausurados nas suas culturas, no seu mundo e nos seus ambientes. Os alunos integraram-se, disfrutaram de um novo espaço, de novos recursos e condições.
Há pouco, ao aperceber-me dessa conversa ainda opinei, ainda disse da alguma experiência que adquiri.
Depois calei-me.

perfil

será que, a partir do perfil da nova ministra da educação, se podem inferir duas situações?
Um perfil gestionário, onde se encaixará a gestão de um monstro, de um polvo, de uma máquina de corroer recursos, sem consequências, sem resultados?
Um perfil tecnológico, capaz de implementar novas soluções e articular o famoso plano tecnológico?
O resto? qual resto?
É esperar por políticas, medidas, acções mais concretas, um programa e mais protagonistas.

sexta-feira, março 4

confiança

Foram rápidos os comentários como oportunos e pertinentes colocados à minha entrada anterior.
Obviamente que o tom, o meu tom, é entre o negativo e o expectante, não podia ser de outro modo.
As expectativas estão, e não apenas do meu lado, demasiadamente elevadas, demasiadamente exigentes. Os resultados, a democracia assim o determinaram, assim o exigem.
Queremos mais, queremos melhor, meremos muito melhor, precisamos de melhor.
Mas, obviamente que todo e qualquer protagonista da 5 de Outubro me merece, nesta altura e neste contexto, o benefício da dúvida.
Mas, desculpem lá o raio do meu feitio, a porra da idade e o calejar dos anos, mas não resisto a ter má impressão do pessoal da área da economia [faz-me lembrar a Manuela quando por lá passou].
O problema do Ministério da Educação não se prende com dinheiro, nem com finanças, nem com investimentos.
No meu entender o problema do polvo está preso na falta de uma ideia de escola, de qual o papel dos diferentes ciclos de ensino, de quais as competências que a escola, nos diferentes ciclos de ensino, deve promover e procurar, de qual a articulação entre formação inicial da juventude e a sociedade que procuramos e que queremos, de qual o país que queremos daqui a 20, 30 anos, de qual o papel do professor neste contexto e nesta sociedade, de qual a sua acção e intervenção.
Ao fim e ao cabo de qual o papel da escola e do professor na construção de futuros.
Fico, para todo o caso, expectante - pelo menos até ver os secretários de estado.
Basta de nulidades. Chega de ausências veladas e de presenças pardas [e parvas].

desculpe ?

... desculpe, importa-se de repetir?, disse Maria de Lurdes Rodrigues?
Pois é, peço desculpa da ignorância, peço desculpa de ser alentejano, mas não sei quem é.
Diz que é a nossa nova ministra da educação? Se dizem na televisão, acredito.
Não sei quem seja, mas estou certo que será profunda conhecedora do sistema educativo, dos problemas que existem, das ângustias de pais e professores, de alunos e funcionários, das perturbações do sistema, das entropias e dos grãos de areia, dos pedregulhos e das carências, certamente terá opinião sobre os exames, sobre os concursos de professores, qual o papel da acção social escolar, da avaliação, da formação contínua de professores, dos agrupamentos e dos sentimentos, do ensino profissional e do artístico, do tecnológico e do científico.
Nem podia de ser de outra maneira. Ou pode?

quinta-feira, março 3

Leituras

O Abrupto de hoje, na vez e na voz dos seus leitores [desconfio que um dia se tornarão e-leitores] traz-me recordações da minha infância, de tempos em que [como hoje] pouco dinheiro tinha exactamente na proporção inversa da muita sede de livros e leituras que também tinha.
Entre uma e outra lembro-me de duas situações que, para além da já referida biblioteca pública de Évora, me alimentavam a sede.
Uma era a papelaria Angola, agora com um estilo novo, qual quiosque de uma cidade, onde abundavam revistas, jornais e livros tudo ao monte e fé em Deus, amontoado entre caixotes, pacotes de cigarros e um balcão idiota que dificultava o acesso à estante dos livros. Ainda por cima a papelaria ficava, para mim e para todos aqueles com quem andava, num sítio estratégico. Exactamente por cima ficava uma senhora que, de Verão, vendia pirolitos, chupa-chupa de sabores, feitos em casa obviamente e que, demolhados em açúcar queimado, eram a delícia da rapaziada. Tantos tostões roubei eu à mãe ou à tia para ir ali comprar pirolitos, descer e sentar-me no chão a ler livros de banda desenhada ou histórias de encantar que me apareciam na mão.
Um outro, ligeiramente mais recente, já pós 25 de Abril de 74, era a tabacaria do senhor Sofio, a meio da rua de Aviz, mais acessível pela proximidade de casa, de mais difícil acesso por tanto o pai como a mãe por ali passavam e eu, sem relógio, apanhado em leituras por vezes mais travessas.
A tabacaria do sr. Sofio permitiu-me alargar horizontes, pois trouxe para Évora uma coisa que, pelo menos eu, desconhecia então, a troca de livros. Levava uns quantos, o senhor folheava-os, mirava-os e, com aquele ar circunspecto no meio dos seus mais de cem quilos de largura, dizia que podiamos trocar por outros tantos, obviamente que quase sempre em número inferior, pois a casa nunca saía a perder.
Entre um e outro estabelecimento fazia o Verão, as férias então tão grandes como os dias. Perdia-me em leituras, desorientava-me naquilo que ainda hoje gosto de fazer, entrar numa livraria e mexer nos livros, folhear ao acaso páginas, ler aqui e ali um parágrafo, apanhar um sentido.
Hoje temos a fnac e, no Porto, [que gosto e conheço mais e melhor] livrarias que, entre modas e oportunidades, permitem folhear livros, sentir um livro na mão, sentir o peso das ideias e dos sentimentos que transporta.
ele há dias assim.
Devem ser poucos os que antes, durante e mesmo depois da minha geração, e que residiam ou estudassem nesta cidade de Évora não tenham passado, frequentado, utilizado a biblioteca pública de Évora.
Aqueles que, no meu tempo de estudante e tal como eu, passaram tardes inteiras na companhia daquele espaço, das figuras sempre presente e eternas do Chitas e da Jacinta, sabem que é um espaço maravilhoso.
Entrei nele pela primeira vez deveria ter uns 11 ou 12 anos, fruto de um trabalho do ciclo, daquelas coisas impostas pelos professores e que nos obrigavam a procurar outras fontes de informação.
O peso do espaço oprimia uma criança e, perante aquelas formalidades e a figura daquele homem que, de dedos amarelos, óculos fundo de garrafa na ponta do nariz, entre o corcunda e o encorvado, nos pedia o bilhete de identidade num tom de voz quase que sussurrado, sentiamo-nos ainda mais pequenos, constrangidos a penetrar naquele espaço quase de tons sagrados.
Mas, passado o receio inicial, compelidos pela necessidade, lá subiamos as escadas, curvavamos, cada um por seu lado e, chegados à imponente porta, a empurravamos com um típico guinchar de anos passados. Davamos por nós num imenso salão.
De um lado a figura imponente de frei Manuel do Cenáculo a ocupar toda a parede. Figura que nos vigiava, que vigiava namorados e leituras, textos e ternuras que também se trocavam naquele espaço, a tentar fintar os olhos de quem velava pela integridade do espaço, pelo pesar dos anos passados.
Do outro, o balcão a impor uma barreira de límites que apenas atravessei, já grande, estudante universitário e onde se alojavam aquelas duas figuras que tudo conheciam, que tudo sabiam.
Sempre me impressionaram pelo seu conhecimento, pela simpatia que colocaram na relação com quem, ignorante e pequeno, procurava aquele espaço. Fossem temas de ciências, artes, humanidades, ofícios ou apenas prazeres simples de descoberta eles conheciam um livro, um título adequado, útil às pequenas pretensões de quem descobria a vida nas páginas de um livro, nos textos, nas imagens.
Passados todos estes anos, tenho na Jacinta uma amiga indefectível, companheira de muitas e longas conversas, no Chitas um parceiro de cumplicidades, de troca de ideias e de amostragem de livros. Um companheiro de leituras.
No ano passado, na pausa da Páscoa, fiz uma visita guiada com os meus filhos áquele espaço, ao reencontro dos livros. Com as mesmas pessoas, e outras que entretanto aparecereram, pedimos livros para estarmos ali, apenas a passar os dedos, a folhear pensamentos, entretidos a passar uma manhã. Percorremos as suas diferentes salas, sentimos o peso dos livros, o cheiro dos anos, o respeito dos pensamentos e das ieias que aquelas estantes guardam.
A Biblioteca Pública, como sempre foi e é conhecida, faz 200 anos. Penso que a cidade deveria ser convidada, obrigada a participar nesta festa, que as portas se abrissem, que os livros pudessem, pelo menos uma vez, fugir, escapar-se pelas ruas e percorrer o exterior como sangue que nos enche as veias.

Professor

não sei se o nome e a afirmação corresponderão realmente ao autor conhecido e reconhecido, mas não deixo de fazer referência aos textos, à palavra e às ideias deste outro senhor professor, afinal, um murcon.

ofertas

em virtude do número de abandonos e do desinteresse que muitos alunos sentem pela e na escola, procuramos criar alternativas, situações formativas que passando pela escola ofereçam outras oportunidades ao aluno.
Procuramos alternativas na legislação, em concreto de ofertas formativas alternativas, já contempladas.
Apesar disso, afinal, dizem-me que me tenho que cingir à oferta existente no âmbito da direcção Regional. Mas a escola tem outras possibilidades, outros meios, digo eu. Paciência o que existe é o possível.
É com isto que eu não concordo. A escola deve poder criar a sua oferta, ajustada às suas possibilidades, às suas capacidades, à sua realidade. As estruturas do polvo deveriam enquadrar e apoiar essas possibilidades.
Mas ainda não. Um dia será possível?

paradigmático

hoje de manhã, na antena 1, António Macedo deu o mote e foi o paradigma da espera, quando afirmou que mais um dia em que não se passa rigorosamente nada, palavras do senhor, citadas de cór, uma vez que ainda não há nomes nem notícias políticas.
É paradigmática a situação que se vive em Portugal. É um dos raros momentos que, fora da sealy season, não há política e os senhores da comunicação social ficam sem notícias, sem trabalho, sem algo em que malhar.

quarta-feira, março 2

das complicações

À escola chegam diariamente inúmeras situações, diversificadas, umas agradáveis outras nem tanto.
Há pouco, em conversa de corredor, pude-me aperceber de uma dessas muitas situações. Um aluno não tem vindo à escola, a Directora de turma desencadeou os necessários e legais mecanismos. Soube-se que a crise - desemprego, carências, contas por pagar, dificuldades várias - desestruturou o agregado familiar e é a confusão total. Divergências entre segurança social e tribunal agravam a capacidade de resolução, de uma eventual solução.
A escola, para o melhor e para o pior, acaba por não ser uma ilha, ainda que muitos o tentem.

memória

de quando em vez faço uma espécie de marcha atrás. apenas uma espécie por que não é um voltar atrás, é antes um olhar para trás de modo a perceber o caminho que percorri, justificar talvez o cansaço.
Hoje dei por mim a ir à exactamente um ano atrás - os blogues permitem fixar o tempo e verificar das coerências. E nesse dia a situação não é, afinal de contas, muito diferente do que hoje se poderia descrever. De ângustia, de recomeço, de re-inicio. De concursos afinal.