segunda-feira, fevereiro 28

da crise. Mais um apontamento onde podemos perceber, analisar e perspectivar o nosso quotidiano.
Fundamental para procurar perceber quais os possíveis ou eventuais caminhos de saída deste buraco onde nos colocaram, onde nos colocámos.
E não é inocente a comparação entre dois dos mais centralistas padrões da escola nacional, o português e o francês, como não é inocente ser exactamente nestes que surge o maior descontentamento.
aniversário. Hoje uma das minhas referências enquanto pessoa e professor faz anos. O meu pai, Manuel Cabeça mais velho, chega aos 70 anos.
Mais ou menos sem querer, apenas com a sua figura, a sua pessoa a sua discreta e, por vezes, distante presença foi um dos professores que mais me influenciou, mais me marcou.
Marcou-me essencialmente em dois aspectos, na tolerância para com o outro, para com as ideias, e na paciência que é preciso ter para aturar determinadas pessoas ou saber passar por certas situações.
Parabéns meu pai.
das ilhas. Chamo aqui a atenção para a imagem que o meu colega e amigo Miguel colocou ontem no seu sítio.
É um desafio, é uma ângustia, são multiplas sensações, entre a incapacidade, a frustação, o zangado e o triste aquelas que percorrem quando damos e nos apercebemos destas situações, onde somos ilhas no meio da gente.
Esta é uma das muitas situações com as quais a escola, e os professores, se confrontam quotidianamente. Esta é uma das situações que dá origem aos conflitos de equilíbrios de poderes, de disputa de espaço, de afirmação de posições.
A escola, professores, isoladamente não conseguirão dar resposta a esta situação. Sozinhos mais não fazemos que acentuar ilhas, talvez criar pontes entre elas, mas não deixaremos de ser ilhas.
A colaboração, a partilha, a troca de ideias, a participação, a cooperação, o envolvimento, a troca, o diálogo são elementos que podem colaborar na resolução destas situações.
Saibamos nós, professores, dar origem aos diálogos, à conversa, estabelecer pontes, aproximar pessoas e ideias e muitos dos nossos problemas estarão resolvidos.

domingo, fevereiro 27

das difíceis. Ontem, no âmbito de uma acção de formação que frequento [de modo a obter os necessários créditos à subida de escalão], colocaram-me uma pergunta das difíceis, daquelas para as quais não tenho uma resposta.
Por que sou professor? Por que escolhi esta profissão?
Não sei. Nunca soube, nunca percebi o por quê desta minha opção.
A recordação mais forte que tenho, relacionada com a opção profissional, é a de, já grandinho, provavelmente no final do 12º ano, ter assumido que seria professor e, mais importante, professor de História.
Mas em pequeno nunca quiz, nunca pensei em ser professor. A minha filha brinca aos professores, o meu filho afirma que gostaria de ser professor. Não me lembro nunca de estas situações terem ocorrido comigo.
Sou professor. Pronto final. E gosto de ser.

sexta-feira, fevereiro 25

quotidiano 2. Sexta feira de tarde. Sala de professores. Sala quase cheia, docentes distribuídos por diferentes mesas. Pequenas conversas, pequenos sururus.
Mas um quase silêncio.
Alguém questiona, afinal, que se passa nesta sala que é um silêncio destes? Afinal é 6ª feira. Alguém, sem levantar muito a voz, quase que a passar despercebido, diz que é exactamente por isso, afinal é 6ª feira.
Fim da semana. Fim-de-semana. Vamos a ele.
quotidiano 1. Depois de almoço, ao entrar na sala de professores, oiço comentários sobre um eventual estado de embriaguez de um conjunto de alunos. Oiço, mas não percebo de que turma e/ou em que circunstâncias a colega se terá apercebido dessa eventualidade.
Depois do toque encaminho-me para a sala de aula. No corredor sou abordado por um conjunto de alunos que, entre o eufórico e o brincalhão, dizem que beltrano e sicrano estão bêbados.
Quando entro na sala de aula um deles dirige-se-me e sinto o cheiro a alcóol.
Para os meus botões em fracção de segundo penso como reagir, que fazer.
Impensável deixar seguir a situação, ficar-lhe indiferente. Não propriamente desejável envolver o conselho executivo pelas conseuqências ainda piores que poderá acarretar.
Procuro a directora de turma e comunica-se aos encarregados de educação. Comentário de um deles, ó setor foi os pais pais sabem que eu bebo.
Sinto-me regressar a tempos atrás, a anos passados, a outros lugares, com os mesmos problemas com os mesmos desafios. Tempos?

quinta-feira, fevereiro 24

dos modos (2). Ainda a propósito desta posta uma questão que ficou por fazer, apesar de nesta altura do período escolar, não estarmos grandemente disponíveis para a conversa, mas cá fica ela:
Qual a tua preferência, qual o teu modo preferido de leccionar, com base na convicção ou na confiança?
dos preparativos. Estou a organizar o meu final de período lectivo. Puxo de uma folha, um quase A5 que utilizo frequentemente para anotar ideias, deixar opiniões, colocar propostas e, neste caso, organizar tarefas.
Registo, elaborar relatórios de turma, estruturar avaliações, acrescento os níveis de ensino e as respectivas turmas, de modo a não deixar nenhum de fora, a não esquecer nenhum dos grupos ou dos objectivos a que me proponho. E páro. Não sei se me faltam ideias se me faltam tarefas se me falta a vontade. Não sei qual é, mas sei que quase de certeza é um deles.
No meio ainda acrescento a preparação das últimas fichas de avaliação, um quadro de autoavaliação e de avaliação do trabalho do professor.
Entretanto escrevo estas linhas quase que a necessitar de algum tempo para ter a certeza que está feito, que o meu trabalho está orientado.
O trabalho está orientado, eu é que preciso de orientação.

quarta-feira, fevereiro 23

dos modos. Ensinar é um acto relacional. E há modos próprios que suportam este acto, esta relação e que a condicionam, quer na relação presente quer no que ela pode originar, o que daí pode resultar.
Criar, apoiar, incentivar este acto sem afectos, sem qualquer tipo de sentimento é despejá-lo, despi-lo dos seus mais profundos sentimentos, despojá-lo da sua razão de ser.
É isto que fica explícito num dos blogues com as mais longas pequenas frases, como esta
Existe uma grande diferença entre ensinar apelando à convicção ou à confiança. E este problema é partilhado quer por doutores de Religião quer por professores de Ciência.

terça-feira, fevereiro 22

da música. Hoje dei música aos meus alunos. Música chata, difícil de digerir, de perceber.
No âmbito do barroco e da arte barroca, para além de vermos imagens do barroco optei, como quase sempre o faço, por trazer autores do barroco, Mozart, em primeirissimo lugar, Bach, Vivaldi hoje foram os destaques.
Não disse nada e no meio da aula, enquanto se dissecava um quadro de Rembrant, enquanto se rabiscavam ideias, coloquei o disco e levantei o som.
Primeiro impacto de espanto, daquele questionar matreiro, de coisas de cota, pois claro. Depois uns quantos procuraram perceber o que era, outros para que era.
Passámos o resto da aula a ouvir Mozart - sonatas para piano. No meio da conversa saiu-me um lugar comum, não é preciso gostar, não é para gostar já. Basta ouvir.
do desgaste. Na escola, em qualquer escola de qualquer nível de ensino, realizam-se sempre coisas, pequenas ou grandes acções, pequenas ou grandes tarefas, pequenos ou grandes momentos, sejam de convívio, partilha, festivas ou outras.
Umas há que conseguem sair do restrito espaço dos corredores da escola, outras ficam por eles condicionados, delimitados, outras ainda nem a esses conseguem atingir.
Reconheço que já me senti preocupado, angustiado quando realizava uma ou outra acção (e já realizei muitas). Não conseguia perceber o porquê de ficarem condicionadas a um pequeno e restrito circulo, fosse de amizades, curiosidades, interesses ou de interessados, participantes ou conhecedores do que se fazia, do que se passava, do que acontecia.
Com o passar dos anos limito-me a fazer. Não tenho, não sinto qualquer tipo de preocupação sobre os eventuais ou possíveis impactos daquilo que faço na escola onde estou. Primeiro porque o faço com os meus alunos, segundo com amigos. Depois porque já me passou a febre de um qualquer tipo de reconhecimento e ainda porque considero que a educação é sempre de longa duração e não é um acontecimento, um momento que altera seja o que for.
Tudo isto, todo este português para descansar um amigo, que discorre exactamente sobre esta problemática e apoiar outros na realização de coisas, momentos, acções na escola.
A escola precisa. Os miudos agradecem. Disso eu sei. O resto...
das ideias. Um texto que se pode tornar uma referência na área da análise da pedagogia para não entendidos.
Um texto onde se aborda, de forma clara e directa, aquilo que E.P.Coelho designou de "opinativo estúpido", isto é, a pretensa opinião que todos temos sobre tudo e mais alguma coisa, algumas dela sem sabermos do que falamos. Mas falamos.
Vale a pena, nem que seja para se iniciar a desmontagem de alguns mitos, outros mais.
do quase. Quase no final de mais um período lectivo, as ideias não abundam, as preocupações sobre as avaliações marcam presença e aquelas pequenas (grandes) coisas do nosso quotidiano condicionam [tolham] o nosso viver.
Se juntarmos a isto uma rede informática do tempo da pedra, sempre virada [de viroses e do avesso], ocupada e solicitada, sobra pouco para vir aqui dizer olá, marcar este ponto, quase como obrigação que não é.
Resultado e consequência de tudo isto, uma presença algo intermitente nesta blogosfera. Apenas a suficiente para saber que não desisti de aqui deixar ideias, opiniões, sentimentos e coisas da escola... com estórias dentro.

segunda-feira, fevereiro 21

da manutenção. Apesar de tudo, apesar do carácter memorável que atribuo à noite de ontem, o dia amanheceu como quase todos os outros, solarengo, frio.
Apesar de tudo, o dia foi igual, as pessoas corriam de um lado para o outro com o nornal ar indisposto de mais uma manhã. A vontade dos miudos na sala de aula persistiu a mesma e as conversas quase que foram iguais.
Quase, pois houve subtilezas, pequenas nuances, grandes preocupações. As conversas rodaram em torno de quem será o nosso(a) ministro(a), entre a ângustia de outros desafios, mais uns, de outras reformas, mais uma, de novas modas e outras tendências o desejo (infrutífero?) de ser um dos nossos, isto é, alguém que conheça a escola, os diferentes níveis de ensino, os nossos problemas, as nossas ambições e não apenas mais um caríssimo docente do superior em que do conhecimento da escola apenas tem recordações vagas de quando por lá andou ou por que os filhos lá andam e conhecimento científico.
A ver vamos.
ME-MO-RÁ-VEL. Só agora, quase no fim do dia, consigo encontrar um computador com acesso à net. Não estou a par do que se disse e se escreveu nesta blogosfera, nem aqui nem na generalidade da imprensa diária.
Mas certamente muito já terá sido dito e escrito, pensado a rezado, definido e perspectivado.
Entre tudo o que se disse e apenas com a vontade de expressar o meu contentamento, tenho que dizer que o dia de ontem, a noite de ontem foi simplesmente ME-MO-RÁ-VEL, assim mesmo, silaba a silaba, de modo a sentir o gosto e o prazer de cada letra numa vitória que ficará para a História.
Haja agora capacidade de ousar e ousadia de arriscar e bom senso e teremos um outro país, um outro futuro.

sábado, fevereiro 19

das escritas. Perguntaram-me há dias como é que conseguia falar [escrever] só e exclusivamente da e sobre a escola, onde é que há tanto assunto para se poder escrever e descrever como o faço e sobre o que faço.
Reconheço que fiquei entre o surpreso e o agradecido.
Surpreso por que falar da escola é fácil, tão fácil que há imensa gente que, por dá cá aquela palha, discorrem ideias, apresentam números, levantam hipóteses, apontam sugestões, apresentam propostas, definem objectivos, etc. Uns por conhecerem a escola, nela trabalharem ou simplesmente por lá terem andado, sabe-se lá em que condições, ou por que agora são pais/mães e lá vão acompanhar a prole. Mas por tudo e por nada se opina sobre a escola.
Agradecido por reconhecer que encaro a escola como uma totalidade. Ainda que pontualmente possa discorrer sobre um tema ou outro, centralizar um assunto ou destacar uma problemática não o consigo fazer sem que esteja colado à escola como um todo.
Enquadra-se, nesta minha leitura, a metáfora orgânica, em que encaro a escola como um corpo em que, perante uma qualquer forma de abordagem, não posso desmembrar a parte injuriada, isto é, sujeita a tratamento. Qualquer intervenção numa parte, por muito específica que seja, tem reflexos no todo.
Esta tem sido uma das minhas principais dificuldades em isolar um aspecto, um tema, um assunto que me permita avançar para um projecto de doutoramento. Por muito que diga ou invente outras coisas, esta minha forma de encarar a escola é, ao mesmo tempo que uma vantagem, um obstáculo a um processo de investigação.

sexta-feira, fevereiro 18

das eleições. Inevitavelmente hoje, ao longo da manhã, nos intervalos de maior afluência à sala de professores, fala-se de política e de eleições. Confirmam-se, ou infirmam-se, as sondagens, fazem-se comentários aos comentários, mas há duas coisas que me surpreendem e que não há meio de deixarem a escola e os professores.
Por um lado, ninguém se compromete, niguém assume uma posição, ninguém defende um dado partido. Pela contabilidade desta sala de professores [peço desculpa mas não generalizo] domingo ganha a abstenção, o voto em branco. Segunda feira logo se verá se assim é.
Por outro lado, subsiste nas conversas de professores [se calhar não só] que os partidos são todos iguais, persiste e insiste-se na ideia que não há diferenças entre partidos, entre lideres, entre protagonistas. É tudo a preto e branco, nem gradações entre um e outro se permitem.
Banalidades do lugar comum, da ideia feita.
É certo que uma ideia (a do não compromisso, a do não comprometidmento, a do não envolvimento) acompanha outra (é uma forma auto-justificativa, racionaliza-se em função da não diferença a indiferença).
Mas sendo os professores um dos grupos sociais que, de acordo com estudos feitos, mais apoia o Bloco de Esquerda é de estranhar a indiferença.
30 anos de democracia ainda não criaram espíritos livres?.
do silêncio. Este senhor, amigo virtual de longa data, cumplice de desabafos e de ideias, festejou 40 e queria passar despercebido. Entrou na curva ascente da ternura, onde os sentimentos se encontram com a razão, onde a emoção fala à razão e, por incrível que possa parecer a alguns, entendem-se.
FESTEJOU 40 E QUERIA PASSAR DESPERCEBIDO. QUERIAS, MAS NÃO CONSEGUES.
PARABÉNS.

quinta-feira, fevereiro 17

da paixão. O Miguel deixa um comentário a esta minha posta que me leva a tecer, a partir dela, outras ideias, outros comentários.
Uma das coisas que falta na nossa escola é, no meu entender, paixão, gosto, prazer, encanto naquilo que se faz, onde se faz, com quem se faz.
É fácil perceber o gosto que uns e outros têm (ou não têm) pelo prazer com que se fala daquilo que se gosta, daquilo que se ama.
Um exemplo.
Há tempos, em plena sala de professores, discutia-se a relação pedagógica, concretamente a relação professor/aluno enquanto elemento social e afectivo de produção de conhecimentos. Às páginas tantas estava eu e uma colega empenhamente a conversar sobre o imenso prazer que é ser professor, ouvir a gritaria das crianças, brincar com as imperfeições, despertar nelas o interesse e o gosto por aquilo que fazem, ter-se prazer em ser-se bom naquilo que se faz. No meio de um mesa onde estavam uns 6 ou 7 elementos, todos professores, houve alguém que se atreveu a dizer, bolas vocês gostam mesmo disto. E é a mais pura da verdade.
Ser professor não é fácil, por muito que se diga o contrário, a construção permanente de sentidos, a variadade de situações e casos, a multiplicidade de acontecimentos, a simultaneidade de pedidos, a reprodução incessante de ideias, esgota facilmente uma pessoa. Atender uma pessoa de cada vez é uma coisa, atender e negociar situações, afectos, conhecimentos e poderes com 20 ou 30 é outra complemente diferente.
Se não se gosta, se se está contrariado imagine-se o sacrifício que não é.

terça-feira, fevereiro 15

da sala de professores. Quando fumava gostava do cantinho, por que era efectivamente um cantinho, não tem nada nem de carinhoso nem de ternurento, que pertencia aos fumadores, nos tempos em que existia um cantinho onde se podia pecaminosamente pecar de cigarro em punho.
Hoje não reconheço grande utilidade à sala de professores. Tenho que reconhecer que desde que deixei de fumar, não gosto da sala de professores.
Há uns anos atrás era por que era novo na escola, tinha chegado tarde e não me enquadrava. Depois, dizia eu, por que a escola tinha uma cultura e um clima muito próprio que dificilmente aceitava novos protagonistas. Depois ainda por que gosto de estar na sala de aula, escrever coisas, registar ideias, preparar o espaço. Seja por que for, não simpatizo com a sala de professores, nem com a decoração, nem com a arrumação. São, digo eu, todas muito institucionais, muito institucionalizadas, quando não mesmos ritualizadas, isto é, dadas a fins e meios muitos específicos de uma cultura profissional, de amizades entre o social e o conveniente.
Agora, a partir deste comentário "Desculpa lá este meu desabafo. Não é fácil falar destas coisas na sala de professores" retirado do meu amigo [infelizmente ainda virtual] Miquel, permitam-me perguntar: para que serve uma sala de professores?
Um launge onde se espera a próxima passagem? Um tunel por onde rapidamente se entra e rapidamente se sai? Um canto onde o guerreiro recupera forças? Um ponto de encontro, qual feira de turbulências e desencontros? Um quiosque de avenida onde, entre uma bica e dois dedos de conversa, se sabem mais algumas novidades?
Porque efectivamente é verdade que uma sala de professores não é para todas as conversas.
Gostos. Manias. Pancadas.
dos erros. Será difícil determinar uma qualquer justificação para os erros ortográficos que por aqui, de quando em quando, vou deixando como rasto da minha escrita, mas também de alguma incompetência.
Um colega, ainda por cima distinto, chamou-me a atenção para um "há" que apresentei como "á".
Não justifico isto com qualquer desculpa mais ou menos esfarrapada, com um qualquer trauma de infância ou de um qualquer professor do passado. É apenas e somente incompetência.
No entanto, deixem-me tentar minimizar a situação, uma vez que não é a primeira vez que tal acontece. Para além de agradecer a chamada de atenção, tão delicada quanto eficaz, é também um claro sinal de algum cansaço, mas e por último, um reconhecimento que sou humano.
Reconheço que de quando em vez erro com frequência excessiva para o meu gosto e para o que é uma escrita pública.
enfim... erros, tenho que saber viver com eles.
do quotidiano. Há tempos dava conta do meu espanto perante os professores de télélé em punho. Hoje, cirandeava eu pela sala, como habitualmente de porta aberta, quando vejo, da sala em frente, sair um aluno com o dito cujo encostado ao ouvido.
Penso que surpresa está já ultrapassada. Não sei o que resta, o que me resta.
do outro lado da escola. Na ausência de uma aluna questionei a turma sobre o seu paradeiro. Que tem estado doente. Nada de mais, nada de anormal em face da situação gripal e viral que tem marcado os últimos tempos.
Em conversa com a Directora de Turma fico, no entanto, surpreendido. de acordo com conversas oficiosas, obtidas aqui ou ali, sabe-se que a tendência da aluna é para o abandono. Motivo, os pais são carentes, um deles está desempregado à demasiado tempo, não tem grandes possibilidades de arranjar emprego. A filha tem melhores e maiores hipóteses. Precisa-se do dinheiro lá em casa.
É um outro lado, de uma crise que afecta mais uns que outros, se sente mais nuns lados que noutros. Numa cidade marcadamente industrial a crise faz-se sentir. Até na escola.

segunda-feira, fevereiro 14

novidades. Atenção pessoal, solicitando as V/ sinceras desculpas por só agora aqui o destacar, a partir deste sítio, referência incontornável na nossa blogosfera e a não perder, o blog dos golfinhos.
E ainda dizem que a escola portuguesa, obviamente que os professores, estão parados no tempo. Só mesmo para quem não conhece o que lá se passa, só mesmo para quem não sabe o que é a escola.
e pronto... está feita a inscrição obrigatória no concurso de pessoal docente para 2005/2006.
Ao fim da 4ª tentativa os meus elementos foram aceites. Agora é esperar pela próxima fase.
dos concursos. Iniciam-se hoje, para os mais distraídos, os concursos do pessoal docente. Início pela fase de inscrição obrigatória, inscrição on-line.
Nada tenho contra o facto de ser on-line, apesar das acessibilidades ao servidor serem reduzidas, das disponibilidades de máquinas não ser a mais adequada e de informação e acompanhamento fiável ser claramente escasso.
Mas logo de manhã, porque sei que é habitualmente mais fácil o acesso pela manhã, tentei a inscrição.
Entrada tudo bem. Preenchimento, normal. Submeter? Recebi de imediato a indicação que o serviço estava em baixo, para tentar mais tarde.
E pronto, começou mais uma aventura.

sexta-feira, fevereiro 11

dos ministeriáveis. O independente de hoje (atenção, abre em formato pdf) aponta um nome para possível ministro da educação. Provavelmente um senhor que saberá muito de multimédia, dadas as suas origens profissionais, de uma nova fornada de tecnocratas perante os quais me rôo de inveja, por não ganhar o que eles ganham, por não ter as possibilidades que eles têm.
Não sei qual o fundamento da notícia, qual a sua pertinência e eventual adequação. Sei que das duas três.
Será, eventualmente, um nome atirado para o ar, como podia ter sido o nome do Prof. Dr. Zé da Esquina, e é destinado a desviar atenções, a queimar e a assegurar que de certeza este não é.
Segunda possibilidade, é uma sondagem de mercado político e profissional, um estabelecer de pontes entre a escola (e sindicatos) e uma aposta tecnológica (com que objectivos, com que intenções, com que fundamentos?).
Finalmente e última hipótese, tem toda a credibilidade e é um senhor, de nova geração, tecnocrata com destino traçado tal qual muitos outros que passaram pela 5 de Outubro e corre, como outros, os mesmos riscos apesar de não ser universitário.
Seja qual for a hipótese, arregalo o olhar de quasi espantado, franzo o sobrolho de dúvida e penso cá para os meus botões o que mais será de esperar deste sistema?.
Estou por todas.

quinta-feira, fevereiro 10

Panorama. No âmbito da campanha eleitoral a revista Visão apresenta hoje um suplemento onde é feito o desenho do estado da Nação em áreas fulcrais como a da educação.
Nos indicadores referenciados (abandono, absentismo, número de alunos e de professores, evolução, entre outros), fica umas vezes de forma implicita, outras de forma clara e evidente uma crítica aos professores e ao trabalho que se desenvolve nas escolas. Paradigmática é a afirmação que "se ensina mal e se aprende pior nas nossas escolas" (cito de cor).
Que há maus profissionais? Não discuto, como em todas as áreas, há uns melhores outros menos bons e os maus, tal qual no jornalismo. Que os professores estão desmotivados? certamente que uns quantos terão razões mais que suficientes para se sentirem desmotivados. Convenhamos que não serão muitos os profissionais a fazerem, à sua custa, centenas de km, a serem abandonados à sua sorte, sem possibilidade de definição de objectivos profissionais, sem qualquer tipo de enquadramento ou apoio (profissional, pessoal, deixo de lado os restantes).
Que os profissionais serão culpados pelo estado a em que a Educação se encontra? Certamente que terão a sua quota parte de responsabilidade, mais por omissão do que por deliberação.
Mas a grande responsabilidade da situação recai num sistema político que teima em querer resultados imediatos à custa de um sector onde a estabilidade é determinante. Já o escrevi que é fundamental a triangulação de elementos como estabilidade, avaliação e liderança.
Na escola e na educação, para além da ausência de formação e de organização, nota-se a ausência de um qualquer daqueles elementos. Responsabilidades? Não pensem exclusivamente ou unicamente nos professores.
das respostas. Em face da análise da situação anterior, foi equacionada a possibilidade de definição de alternativas, de se arranjar uma solução (temporária, precária, rápida) que permitisse à aluna (a esta e a muitos outros) por um lado a conclusão do ano, por outro a criação de factores motivacionais que lhe permitissem a conclusão da escolaridade obrigatória.
Não há, é dito e afirmado.
Não conheço a legislação em todos os seus detalhes [tenho sérias dúvidas que alguém conheça] mas para que a escolaridade seja efectivamente para todos e a escola seja um espaço de oportunidades, há que criar possibilidades de alternativas dentro da própria escola, no próprio sistema.
Já houve currículos alternativos, o 9+1 entre outros. Seria útil a definição de possibilidades onde incluir e inserir alunos que, de outro modo, apenas têm o abandono como alternativa, a conflitualidade [cá está também a indisciplina] como opção, e o desinteresse e a desmotivação como orientação.
Estamos longe, muito longe, de uma escola democrática, tolerante, inclusiva, promotora da cidadania.
institucionalizada, é a pessoa que se encontra ao abrigo de uma dada instituição, em virtude de carência social, pessoal, afectiva, familiar ou outra.
Termo pomposo apenas para referir que é uma pessoa esquecida por aqueles que dela não se deviam esquecer.
Termo institucional para referir aqueles que a sociedade, por uma ou outra razão, não integra, não promove.
É o caso da aluna que hoje, por excesso de faltas, manifesto desinteresse e incacidade institucional, foi proposta para exclusão da escola.
16 anos feitos há pouco mais de uma semana, frequência do 7º ano da escolaridade pela segunda vez. Estrutura familiar de pantanas, revolta pessoal permanente, contra tudo e contra todos, apenas na afirmação do contra. Lider incontestada de revoltas emocionais, de disputas de pequenos poderes, de pequenas vitórias.
Reconheço que fiquei triste. Inicialmente ainda expressei a minha vontade de me bater contra a proposta de exclusão. Perante os factos preferi o silêncio comprometido. Comprometido pela incapacidade, pela minha ignorância, pela impotência.

quarta-feira, fevereiro 9

da memória. Sem querer regressar à temática da indisciplina, não resisto em chamar a atenção para este texto, género resposta ao desafio colocado, e ao comentário que acabei por ali inserir e que aqui reproduzo.

"Que me seja permitida a ousadia, perante um texto pleno de saber e de longa experiência feito, não são apenas as pessoas das ciências da educação que não estão contentes, penso, e espero não ser abusivo na generalização, que muitos de nós - professores, alunos, pais e encarregados de educação, políticos - estamos descontentes com o que temos. Não apenas por ainda não termos uma escola para todos, ainda estamos muito longe disso, como ainda prevalecerem vestígios de uma elitização escolar e educativa que condiciona enormemente a sociedade, como o próprio modelo de escola - e da formação inicial e continua - instigarem comportamentos e atitudes que deixam muito a desejar a uma escola que se pretende democrática, participativa e inclusiva. Com isto não se pode pretender que se homegenize e uniformize tudo e todos. Será na consideração da diferença que se poderá ultrapassar a indisciplina, afinal o motivo central de todo este comentário e de se considerarem as ciências da educação como elemento fundamental na e para a construção, interpretação e compreensão da escola (e dos seus problemas) que temos e que queremos. Talvez assim se possam ultrapassar (falsos e despropositados) bodes expiatórios e assumirmos, cada qual no seu lugar, as responsabilidades pelo sistema que temos."
da indisciplina (2). Ainda a partir deste desafio, o Miguel lança um olhar que tem tudo de pertinente e com o qual os professores têm, habitual e genericamente, alguma dificuldade em lidar, isto é, integrar comportamentos desviantes, indisciplinados, como elementos de desenvolvimento.
Será certamente neste sentido que pergunta se A indisciplina como uma manifestação de desobediência poderá ser positiva?
Deixei um comentário que trago para este meu cantinho por considerar útil para a discussão.
Numa primeira ideia, a vontade mais imediata é dizer que sim. Sem quebra de regras, sem superação das normas e da normalidade não há evolução, não há rupturas, não há inovação, avanço, salto em frente, descoberta. Mas para que seja positiva há que distrinçar entre indiciplina e autoridade e o lócus desta tem de saber aproveitar e orientar aquela.
Contudo, acrescento agora, a indisciplina nunca é neutra, ao contrário do que se poderá inferir a partir do título. A indisciplina tem sempre um centro de produção, como tem factores a montante que a enquadram e delimitam e tem circunstâncias a jusante que a ajudam a compreender e enquadrar.
Neutra não. Positiva sim, pode ser.
do agradecimento. A minha distinta colega Maria disponibilizou uma lista de galardoados e respectivos ex-libris, onde consta esta coisa da escola.
Só tenho a agradecer a referência e o respectivo enquadramento [apesar de não estar assim tão gasto, digo eu, nem ser meu hábito o casaquinho de twid].
Mas mais que a minha pessoa ou a escrita que por aqui vou deixando, entre ideias e alguns pensamentos é a escola que considero estar ali referenciada. A escola como local de trabalho, de pensamento, de ideias, de amizades, de descobertas, de surpresas, de instantes.
É a escola como estão outras ideias, outros pensamentos que se traduzem e visibilizam noutras referências.
Pela parte que me toca, obrigado.

segunda-feira, fevereiro 7

do dito. Zangam-se as comadres e é o que se sabe. Leiam esta, pela pena do próprio ex-ministro da educação. D. Justino, na primeira pessoa e percebam no que estamos metidos. E ainda a procissão vai no adro.
das faltas. No global de todo um conjunto de ideias mais ou menos feitas sobre a escola (a indisciplina antes referida, é um dos exemplos) e a sociedade, de um modo geral, defendo duas situações como principais responsáveis por aquilo que hoje somos.
A falta de formação e a falta de organização.
Um e outro, eixos fundamentais, estratégicos para podermos perceber e compreender muito daquilo que nos rodeia, a sua estruturação e as suas implicações.
Elementos essenciais para a capacidade de definir outros arranjos, outras respostas. Sem formação e sem organização ficamo-nos pelas simplicidade do banal e quotidiano, pela incapacidade de pensar mais além, além do nosso nariz. Sem um e sem outro temos mais dificuldades em aceitar o que é diferente, a compreender e a assumir a tolerância do que é diferente.
Um país de doutores onde reina o analfabetismo funcional, organizacional, social e, muito importante, político.
da indisciplina. A partir deste desafio uma ligeira e sumária abordagem à indisciplina.
Esta situação não é nem nova nem se reveste de contornos inovadores. Novo ou pelo menos, diferente, é a abordagem que dela se faz, o olhar que sobre esta problemática se lança. Em plena década de 80 a culpa era da sociedade e da massificação da escola e da educação, a abertura da escola a todos os públicos o alargamento da escolaridade e do universo escolarizável era apontado como um dos motivos da indisciplina.
Já na década de 90 o olhar era multifacetado e entre os problemas da massificação e as (in)capacidades de respostas por parte da escola [entenda-se, dos professores] a indisciplina era vista como uma quebra social, o permanente confronto entre urbano e suburbano. Quando esta situação se alastrou aos meios rurais houve que determinar outros modos de encarar a problemática e o alvo foi determinado ou nas ciências da educação [as grandes culpadas das incapacidades locais e políticas] ou no papel que a escola [entenda-se, professores] na definição de estratégias e metodologias que permitissem a definição de estratégias inclusivas, diferenciadores, integradoras de públicos heterogéneos.
Entre um ponto e outro, houve ainda tempo para retratos psicológicos do estudante português, do papel do professor, das relações afectivas e psicossocioafectivas que se estabelecem na sala de aula, como houve tempo de estruturar olhares mais etnográficos aos pátios das escolas, às disputas sociais e relacionais que ali se definem, às relações de poder na turma e no grupo e em face do papel (e da autoridade) do professor. Como houve tempo de estruturar culpas à desagregação da família, da comunidades, dos laços afectivos de vizinhanças ou de amizades, ou à televisão e ao papel que ela assume na substituição de outros modelos sociais.
No meu entender, tudo isto tem a sua quota parte de responsabilidade, de contributo e de participação na definição das relações que se estabelecem na escola e na sala de aula e na criação de situações de (in)disciplina ou de conflitualidade (e há que separar um do outro).
Fundamental na sua abordagem, na sua resolução e intermediação como interpretação o papel do professor que, muita das vezes por manifesta falta de formação, não sabe lidar com esta situações ou, pura e simplesmente, se alheia delas.
Lugares comuns: quantas vezes um docente passa por uma rixa de miúdos e olha para o lado, quantas vezes um docente se apercebe de uma situação de conlfito latente entre alunos na sua aula e passa à frente; quantas vezes um docente ouve comentários e bocas e finge que é surdo? quantas vezes um docente manda calar um aluno só porque sim, só porque quer afirmar a sua autoridade?
O saco enche, transborda e... às vezes rebenta.
das ligações. O conjunto de ligações laterais, entre favoritos, entreténs e algumas paixões, sofreu alterações.
Alguns de manifesta justiça, retribuir o link. Outros o assinalar o prazer o e o gosto de olhar as imagens, as escritas, as ideias. Outros ainda por manifesta cumplicidade, quer profissional quer regional.
Uns quantos desapareceram. Por estarem inoperacionais há demasiado tempo. Outros por me desconhecerem e não existir reciprocidade de ligação, outros por despeito da minha parte.
A actualização segue dentro de momentos.
Bom carnaval.

sexta-feira, fevereiro 4

dos comentários. Não é situação única chamar a atenção de quem por aqui passa para a pertinência dos comentários, das observações, dos pensamentos que uns e outros de quando em quando deixam neste espaço. Faço-o outra vez. Tenham em atenção este conjunto de comentários, mais ricos e de maior sentimento que a posta que coloquei, quase que de raiva.
Como me permitam acrescentar duas ideias.
Uma que a solução não é nem política nem administrativa, é de cada escola, de cada professor, de cada consciência. Provavelmente não me perguntarão a opinião sobre a exclusão, mas, como já aconteceu noutras situações, farei figura de chato, de moenga e ouvir-me-ão desabafar e dizer coisas contra este estado de coisas, contra esta situação. Compete à escola criar alternativas. Compete aos professores trabalhar para que existam alternativas.
Segunda ideia, estou certo que muitos conhecerão as ideias e o pensamento quer de Ruben Alves, ou Paulo Freire ou outros professores que procuraram incluir em vez de excluir, integrar em vez de expulsar. Como certamente na prática quotidiana inúmeros professores experimentam todas as fórmulas, todas as hipóteses, esgotem as oportunidades e as possibilidades e tudo acabe na mesma.
Apesar disto e por causa disto deixem-me só acrescentar um pequeno elemento, Paulo Freire estava na casa dos 60 anos, com perto de 40 anos de ensino, quando, alguém e alguns, o começaram a escutar. O Ensino, a educação é um processo de longa duração. Não copiem os professores os exemplos dos políticos que querem quase tudo já, uma solução à medida, pronta a aplicar. Não há fórmulas mágicas, não há tubos do ensaio que resistam a esta experiência. Como não há dois momentos iguais, duas situações semelhantes.
Há, deve haver, persistência, teimosia, vontade, paciência, perseverança. Bom senso.
da exclusão. Já tenho agendada uma reunião para propor a exclusão de mais um elemento. Aluna instável, lider da turma na sua disputa e confronto com o professor, definidora de atitudes, comportamentos e acções, obviamente que pouco confinantes com a norma, com o estimulado, com o normal e exigido pelo comum dos professores.
Uma rapariga que fez 4ª feira passada 16 anos. Sem estrutura familar. Apenas amparada pela assistência social.
Será que se resolve um problema atirando-o janela fora?
Será que o níveis de desempenho da turma melhorarão?
Qual o futuro que se reserva a esta rapariga?
Este ano, desde o início do ano até ao momento presente, este é o 6 elemento que perco. Inconcebível.

quinta-feira, fevereiro 3

das experiências. Trabalho com uma turma que está, praticamente desde o início do ano lectivo, rotulada de problemática. Desinteresse, alheamento, desmotivação, baixas ou inexistentes expectativas sociais, ausência de expectativas escolares ou educativas, disfuncionalidades e desestruturação familar são algumas das características de alguns alunos que se reflectem na escola e na sala de aula.
Repetências sucessivas, absentismo, agressividade e conflitualidade são algumas das imagens que marcam este conjunto de alunos.
Na sucessiva procura de minimizar as situações de conflito na sala de aula, optei por duas estratégias.
Por um lado, pela utilização de metodologias diferenciadas, diferenciação essencialmente ao nível de processos, que procurem ir ao encontro dos escassos interesses e da pouca motivação existente, mas também que permitam apoiar o aluno na construção de um sentido ao trabalho escolar desenvolvido. Desenvolvemos trabalhos de pesquisa e de organização da informação, procuram-se resolver problema com recurso aos instrumentos da disciplina.
Por outro lado, recorri a um constante e sempre presente estímulo positivo, de apoio, em vez de destruir, de incentivo, em vez de repreender, de diferenciar, em vez de uniformizar, de apoiar, em vez de recriminar.
100% de sucesso? obviamente que não. Ultrapassada a conflitualidade, a disputa na sala de aula? Totalmente não.
Mas fiquei seriamente surpreendido quando soube que alguns dos alunos foram alvo de repreensão disciplinar. É uma experiência, assumo. Mas vale a pena ver um sorriso onde está, quase todos os dias, amargura, desanimo, frustação. É esta a escola que temos.
dos objectivos. Há dias partilhei com um amigo uma troca de ideias sobre os blogues, aqueles onde escrevo e os outros que me ajudam a compreender e a interpretar o meu mundo.
Para que quero eu um blogue? que me leva a escrever, quase como obrigação, sempre com dedicação diariamente ideias, a partilhar pensamentos, a deixar este rasto, este lastro de mim?
A resposta mais directa é que é meu objectivo procurar, mediante a escrita e a partilha de opiniões, organizar o pensamento sobre aquilo que faço, sistematizar ideias, racionalizar práticas, teorizar sobre o que faço e praticar o que escrevo.
Então escreve numa página em branco do word, usa um diário de campo, foi a resposta/comentário que fez, tão seca como verdadeira.
Afinal, o que pretendo eu? Sair do meu cantinho para a maré alta dos blogues? quebrar o isolamento persistente da minha profissão e partilhar visões e olhares com colegas? criar uma sala de professores do tamanho do país? ser narcísico, vaidoso e dizer que escrevo para o mundo?
O que acrescentaram, de mais valia, os blogues à minha prática profissional? que ganhei eu em sair do isolamento do frente-a-frente com um ecrã em branco e em entrar nesta blogosfera?
Quando terminar? como terminar?
apenas devaneios.
da geografia. No devaneio entre este e aquele blogue, entre uma leitura e uma ideia, um ponto a fixar: existirá uma geografia dos blogues da educação? Certamente que sim, pois espalham-se pelo território nacional tal qual a mancha social e urbana do território. Mais a norte que a sul, mais ao litoral que ao interior.
Até que ponto e com que características serão eles reflexo das suas escolas?, das realidades em que se inserem?
Até que ponto este blogar reflectirá uma realidade educativa e social? Será também política? De política educativa?
Quais as leituras que os colegas docentes (aqueles que apenas consultam a blogosfera) farão dos blogues sobre a escola, sobre a educação? Existirá uma apropriação de ideias? a construção de um espaço público de participação sobre a educação nas suas diferentes vertentes? Ou apenas um encolher de ombros sobre o comum das ideias, a (dis)concordância de outras, o riso mordaz, entre o cínico e o sarcástico sobre aquilo que se escreve?
Ideias sobre uma geografia dos blogues.

quarta-feira, fevereiro 2

actualização. Há já tempo demais que não mexo nos links laterais, naqueles endereços por onde me entretenho, situação que faz com que alguns ali estejam desnecessariamente, por que desactualizados, eventualmente mortos, ou talvez não, e outros ainda ali não estejam e devessem estar.
É o caso desta memória flutuante, mas que tem amarras deveras interessantes e bolinas ainda mais interessantes, que acompanho com atenção por dois motivos ambos, para a minha pessoa, fundamentais, pela memória e pela escola.
Já lá estou referenciado e senti-me lisonjeado pelo texto que justifica as referências.
Vai ser na pausa pedagógica do carnaval, entre uma brincadeira e outra um momento sério de actualização de links [e de ideias?].

terça-feira, fevereiro 1

autonomia. O Miguel cria desafios, lança propostas, incentiva e proporciona a discussão, a troca de ideias. Logo sobre a autonomia, ele que sabe que é um tema que me é caro, excessivamente caro.
Pouco acrescento ao debate que ele procura suscitar, quer pela pertinência com que o faz, quer pelo descrédito em que a autonomia se enleou.
Não acredito na autonomia política, isto é, administrativa, jurídica (ainda que seja fundamental definir as suas fronteiras, a fronteiras de possibilidades).
Acredito na autonomia das pessoas, de cada pessoa, de cada professor, em face de um contexto, de situações, de momentos, de acontecimentos.
Não pode haver autonomia para além das pessoas, para além das ideias. Para além das vontades e das possibilidades.
Como o comentário que já lá está induz, ficamos sempre à espera que alguém decida sobre algo que é nosso, de um profissional. Enredamo-nos em eternas discussões sobre condições, capacidades, possibilidades, recursos, normas e regras quando as coisas são muito mais simples, mais directas, mais próximas de nós. Basta querer, basta agir, como todos os dias o fazemos, como o pensamos, como o ambicionamos. Basta partilhar com o outro, com um colega uma ideia, uma opinião, uma prática, uma vontade.
Basta de desejar que as coisas desçam do alto de um qualquer espírito iluminado. É tempo de as fazer crescer em cada escola, com as suas particularidades, com as suas formas, todos diferentes, todos iguais.
balbúrdia. A minha escola, esta semana, tem andado no meio de alguma confusão, de alguma, direi eu, balbúrdia.
ainda a propósito disto no passado sábado um jornal publicou um artigo que titulava "professor agride aluno a soco e ao pontapé". Como consequência não se fala de outra coisa, todos os comentários, todos os à-partes, tudo é feito, dito e referenciado face a esta confusão, mesmo atitudes, conversas e comentários tanto de funcionários como de alunos (uns e outros, cada qual a seu modo, sentem-se condicionados pelo artigo).
A minha pergunta, a minha dúvida vai para além desta confusão e instala-se na procura de um momento [por ventura fútil, inócuo e indeterminado] em que se passou aceitação da reguada pedagógica para um controlo social apertado, rígido que condiciona tudo e todos e que acaba por nada controlar.
Como se terá passado de um a outro momento? que atitudes, comportamentos, valores e impressões terão sido libertados por um e condicionado por outro?
Que se pensa controlar ou exigir quando, a coberto da hipocrisia, do anonimato, da indiferença, se visa algo ou alguém, se procura algo ou alguma coisa? que se quer conquistar ou ultrapassar com o pretenso poder ou capacidade de influenciar o outro, um profissional, um grupo, uma instituição?
Que sociedade é esta que aceita a publicação de um artigo onde apenas um nome é vilipendiado, exposto? que papeis se procuram exercer por quem agride, por quem denuncia, por quem anuncia?

segunda-feira, janeiro 31

alma benfiquista. Agora deverá significar qualquer coisa entre a angustia e a incerteza, a dúvida e o tremelique de um resultado, mas gosto de estar aqui referenciado.
o papel da escola. De uma boa escola na educação da criança. No meio do devaneio que é navegar na net, sempre à procura de curiosidades, dei com este texto e mais este. Valem a pena.
lindo. como o link não é directo, faço, sem autorização, a transcrição de uma frase que considero brilhante:
Aos doze anos tudo é intenso. Um dia de escola é uma vida, um comentário de
quem gostamos o fim do mundo. E depois, existem mil e um factos objectivos que
fazem da escola uma montanha-russa de emoções.
leiam o resto. Vale a pena. Olhares, como diria o Miguel, imprescindíveis para percebermos a disseminação de cores que existem na escola e que fazem dela um espaço polivalente, polissémico... tudo aquilo que queiramos, e também que não gostaríamos.
adolescência. Não sabia que estava refeenciado neste espaço. Descobri-o faz pouco tempo. Agradeço e convido quem por aqui passa a disfrutar letras e desenhos de palavras de uma adolescente, o sentimento arrebatado de quem quer sorver o mundo de uma só vez, como se estivesse com falta de ar, de mundo.
Gostei. Obrigado.

domingo, janeiro 30

a não perder, por quase nada, para quem gosta da escola, para quem lá trabalha, a sente e a pensa. Em altura de definição de políticas um trabalho, em minha opinião, deveras interessante e a não perder. Para pensar.

sábado, janeiro 29

real e virtual. Por causa deste risco, deixem-me dizer, que no tempo da telefonia diziam que a escola seria outra, mudaria e com ela a sociedade. No tempo da televisão que seria a revolução, que a escola não seria necessária, vaticinou-se o fim da escola. Na era do digital o confronto com o real deixa muito a desejar, há quem aprenda em casa, na rua, no metro ou debaixo de um chaparro, aqui e ali em qualquer lugar. Esta situação faz com que o real nos interessa cada vez menos, move-nos de maneiras diferentes. Sentimos a prescindibilidade de nós e de algumas funções - pessoais, sociais.
O problema é que tudo muda e a escola fica na mesma. Depois da rádio, depois da televisão, depois do computador que o sobra à escola? o que falta à escola? o que falta aos professores? o que muda na escola por o mundo mudar? o que permanece? o que nos interessa que mude e o que nos interessa que permaneça? o que nos move nestes interesses?
do estudo. Uma aluna abria insistentemente a boca no decorrer da aula, manifestando cansaço, fartura, sono, fome ou qualquer outra coisa desconhecida da minha pessoa (não estava a "dar aula" situação que fez com que excluisse a minha pessoa como causa provável da situação. O mesmo obviamente, não o podia fazer à disciplina e ao trabalho que se desenvolvia).
Entre as deambulações pela sala e as conversas de apoio e orientação ao que se fazia abordei a aluna directamente. A resposta, óh, setor, estive a estudar ... até à uma e meia da manhã.
No 8º ano. Sem mais comentários.
das comparações... pouco ou nada se obtém, como diria o meu Ti'Zé Chalapita muita parra pouca uva, é a brilhante conclusão a que se pode chegar depois de conhecer as propostas dos diferentes partidos no âmbito da educação.
Parto deste comentário do Carlos, o qual subscrevo e com as devidas precauções e alguns caldos de galinha, generalizo e aplico aos restantes partidos.
Banalidades, vulgaridades, lugares comuns, ideias feitas tudo o que de mau se pode esperar de uma campanha eleitoral. Um vazio de ideias.
Será também isto reflexo do estado da escola pública portuguesa?

quinta-feira, janeiro 27

despacho normativo 1/2005. Ontem tive oportunidade de participar numa breve mas saudável conversa, em sede de departamento, sobre este dito cujo despacho.
neste despacho há visões com as quais não concordo, há princípios de selecção meritocrática, há orientações dúbias e palavras vãs, denotam-se algumas incoerências entre competências e saberes, das orientações para o curriculo e a realização de provas quantitativas. Nada de mais para documentos que foram pensados por uns, definidos por outros e implementado por outros. Normal, em face disto, a confusão em que se corre o sério risco de se cair.
Como é da mais elementar falta de senso alterar regras a meio do jogo, reconfigurar orientações e princípios, redefinir modos e procedimentos. Mas enfim, são os senhores que temos e que, começo-me a convencer, não merecemos.
Mas a grande ideia com que se fica é que se altera muito para que tudo fique na mesma. É certo que do ponto de vista administrativo irão existir alterações. Mas do ponto de vista das práticas pedagógicas? da organização do trabalho docente? da definição de recursos, meios e prossibilidades? o que se altera? nada, rigorosamente nada.
ainda do debate sobre a educação. Diz o Alexandre num comentário a uma das minhas entradas, e eu subscrevo, que andamos deprimidos com o rumo que o país [não] tem. Deprimidos e angustiados e que teremos de "deixar de ver debates, de lêr blogs e jornais. Provavelmente [seremos] mais feliz[es]."
Este é um sentimento que percorre grande parte das amizades com quem me relaciono, das pessoas que conheço. A descrença é grande, as promessas, o debate sobre o país é fraco [reflexo do que somos?].
Mas ainda há esperança. Ou não?

quarta-feira, janeiro 26

surpresa. Tenho de reconhecer que com o passar do tempo a pele fica um pouco mais dura, mais curtida, como se diz por estas bandas, e é mais difícil ficar surpreendido com o que se passa à nossa volta. Em face da experiência, do que vimos, do que sabemos e do que acontece e temos conhecimento, enquadramos as situações nesta ou naquela prateleira de modo a aí arrumar a surpresa.
Mas confesso, mesmo depois de ter lido isto, situação(a)normal numa qualquer escola nacional, digo eu pois claro, não é que ontem dou com um colega a sair de mansinho da sua sala de aula de telemóvel encostado ao ouvido?
do debate de ontem à noite, na RTP, sobre as diferentes propostas para a área da educação (da qual apenas vi as duas primeiras partes, referentes ao ensino básico e secundário) fico com a ideia que não há uma ideia sobre educação, falta uma linha de horizonte para onde os partidos políticos possam apontar o trabalho da escola.
Não sou a favor de consensos e uniformizações ideológicas, sou pelo debate de ideias, pela troca de opiniões, pela construção local da educação. Apenas ouvi breves referências a este ponto no BE e no PCP. Será que os restantes partidos receiam a construção de políticas locais de educação? Será que os partidos do arco do governo receiam que se faça melhor em cada escola do que no Min-edu? será que permanece a desconfiança face às capacidades e possibilidades locais? ao papel dos professores e de outros parceiros educativos?
Fala-se de educação, da escola, não se discute uma ideia de educação, nem de escola.

terça-feira, janeiro 25

das dúvidas. Será que fazemos o que dizemos? como pensamos o que fazemos? e o que pensamos do que fazemos?
Apenas dúvidas, minhas pois claro. Se levam a algum lado? não sei. É para levar a algum lado?

da orientação

hoje tive o privilégio de conhecer a orientadora de estágio da Universidade que acompanha os estagiários nesta escola na disciplina de matemática.
Pouco mais velha é, se o for efectivamente, relativamente às pessoas que acompanha, que procura orientar.
Pergunto-me se terá leccionado fora da universidade, quanto tempo, qual a experiência para poder perceber alguns porquês.
Não coloco em causa a sua competência académica e científica, mas fico na dúvida quanto ao seu papel na orientação de futuros docentes, em particular numa área e numa disciplina que requer experiência, para além do próprio saber, no cativar os miúdos.

segunda-feira, janeiro 24

abandono

de acordo com os últimos relatórios, Portugal viu agravar-se o atraso educativo na escolaridade mínima obrigatória entre 1991 e 2002.
E atenção, durante este período houve um projecto designado Programa Educação para Todos2000.
Imaginem se não tivesse existido.

difícil é ouvi-lo

foi, em meu entender, um dos bons ministros da democracia portuguesa.
Com uma ideia e uma visão de escola, sensível a argumentos, atento a preocupações, disponível para a conversa, longa de preferência.
Quando fala e tem dito algumas coisas desde que deixou a 5 de Outubro, é difícil não o ouvir, é difícil não concordar com ele.
Marçal Grilo é uma pessoa que conhece os meandros do sistema educativo como poucos.
Hoje mais um conjunto das suas ideias.

literacia

uma boa ideia, desde que definida localmente, em contexto e em conjunto com as necessidades de um lugar e as características da população.
Mas não deixa de ser uma boa medida.

domingo, janeiro 23

das visões

em plena campanha eleitoral acentuam-se as diferenças, mesmo que possamos dizer que não existem diferenças entre os dois principais partidos, PS e PSD.
fazem-se ouvir as diferenças ao nível dos choques - tecnológico, do PS, de gestão, do PSD e fiscal do BE. Logo aqui se fazem notar as profundas diferenças existentes sobre uma visão do país.
Centro-me apenas nos dois maiores partidos.
Um, o PS, acredita que formar e educar as pessoas, criar incentivos ao nível da investigação e do desenvolvimento, promover e favorer as competências técnicas e científicas será uma porta para o futuro. É uma aposta clara nas pessoas [lembram-se do as pessoas não são números], nas suas competências e qualificações.
Do outro, a visão que existe uma técnica da mudança, uma racionalidade que adoptada permitirá o caminho do futuro e das qualificações. Uma visão assente em capacidades técnicas de alguns, pois nem todos terão competências [ou qualificações] para a gestão.
Como se reflectirá este conjunto de opções na nossa escola? Qual a visão que irá transparecer num e noutro programa visando a educação? qual o papel da escola [e, por consequência, do professor] no âmbito do choque tecnológico? e do choque de gestão? Quais as linhas indutoras de uma nova lei de bases por todos exigida, por alguns requerida e por outros sentida como necessária? qual a concepção organizacional da escola e dos currículos? qual o currículo?
Esperam-se desenvolvimentos...

sexta-feira, janeiro 21

do descentramento

de quando em quando basta afastarmo-no um pouco daquilo que nos absorve, do assunto com o qual incessantemente nos enredamos, para ver um pouco mais ou um pouco melhor.
Sobre estas coisas dos blogues um colega e amigo deixa-me esta referência:
... Tal como acontece em muitos outros campos, a massificação deste tipo de
espaços tende a dissolver muitas opiniões interessantes
...

quarta-feira, janeiro 19

das bocas

... diz o roto...
cada dia que passa mais me convenço que esta campanha política não irá deixar saudades, nem será lembrada por coisa nenhuma - ou não será esquecida?

terça-feira, janeiro 18

da escuta

... escutar, apenas escutar. Gosto de escutar as conversas, perceber do que se fala, quais os juízos que se constroem, as impressões que se têm, que se criam. Eu sei que é feio, mas gosto de escutar as conversas da sala de professores, dos corredores, da biblioteca. Um bocado aqui, outro ali, bocados dispersos, por vezes desconexos, hologramas de mundos mais vastos, alguns muito distantes da minha pessoa.
Dois exemplos.
Há pouco trocavam-se ideias sobre aparelhos, necessidades e utilidades. Havia quem reclamasse dos aquecedores da sala de professores, porque não funcionam [apesar do ar condicionado] e quem referisse, como contraponto, os computadores avariados da biblioteca e do centro de recursos. Dessintonias claras. Ou talvez não.
Noutro ponto comentava-se o centro de astronomia criado apenas com vontades e, segundo diziam, sem conhecimentos suficientes para algumas perguntas.
Apenas escutas, fragmentos holográficos de uma realidade em trânsito.

do tráfego

... talvez seja impressão minha mas sinto o tráfego demasiadamente fluído, desimpedido.
Nota-se uma certa dificuldade de actualização das postas, o número de visitantes estagnou na generalidade dos bairros, custam a aparecer novas ideias, novos blogues.
talvez ocupados pelas eleições, campanhas, ou apenas cansados do Inverno da falta de chuva, do tempo, ou da falta dele.

estórias do quotidiano

uma colega entra algo aflita na sala de professores. Fala alto não apenas para chamar sobre si as atenções mas para que os colegas possam perceber o que lhe aconteceu.
Vejam bem uma coisa destas, vejam bem ao que uma pessoa pode estar sujeita. Chamei a ... do 6º... ao quadro para fazer uma simples conta, e ela ali especada com cara não sei de quê, então não consegues?, não sabes? e não é que a miúda me desata a chorar!?
comentários para quê?

segunda-feira, janeiro 17

batanices e merdas que tais

desculpem-me os prezados colegas e os estimados leitores que por aqui passam, mas as séries que passam em horário nobre nas duas televisões privadas (ou pelo menos passaram na passada 5ª e 6ª feira) são de bradar aos céus, cuspir na sopa, bater na avózinha, atropelar o céguinho, e tudo o que se possa pensar e dizer do pior.
Os batanetes na escola (?) e comportamento do pior (?) (desculpem, mas não fixei nomes e não estão disponíveis nos respectivos sites), esteriótipos que nem para perceber o que é ser aluno, quanto mais perceber qual o papel do professor.
Rasca, reles e de merda. Pronto final.

entornado

... está o caldo entornado, ai está mesmo.
durante a hora de almoço um funcionário acompanhado de um agente da GNR aproxima-se da minha pessoa na sala de professores. O soldado pergunta-me: é professor de História? Foi o senhor que agrediu um aluno no portão da escola?, à primeira disse que sim, à segunda, num misto de brincadeira e de consciência tranquila disse que primeiro precisava de saber quem era o aluno para saber se tinha sido eu.
Não fui, não era eu. Passado pouco tempo o meu colega é referenciado e o caldo está totalmente entornado. Efectivamente um docente de História, um colega, pregou um par de estalos num aluno. Motivo, o persistente achincalhar, o insulto, o moer até dizer chega, o gozo, a hipocrisia. O colega não resistiu e efectivamente consomou-se um sopapo.
Já disseram que antigamente era réguada que fervia, pedagógica, pois claro, para mais facilmente podermos decorar a tabuada, evitar os erros de português, etc. Agora não. É situação que está deveras ultrapassada. E o professor perde a razão nesta situação.
Mas o caldo está deveras entornado. Não mata, todos sabemos, mas moi e muito.

sábado, janeiro 15

cópia

...desculpem lá qualquer coisita, mas não resisti a copiar esta afirmação
É difícil ensinar numa sociedade que vive para o imediato onde a palavra seca tem correlatos semânticos como desinteressante.

o restante é ainda mais interessante de ler.

ideias

uma ideia com três vértices. É difícil pensar de um modo organizado e estruturado a educação, a escola e os papeis que nela se desenrolam, simpificar pode implicar dexiar de fora algo essencial, faço-o com a clara ideia de se construirem outras ideias, outros pontos de vista.
deixo à V/ consideração uma ideia com três vértices: simplificar - aprofundar - reforçar;
tento explicar:
- simplificar todo o edifício jurídico e administrativo que hoje enforma o sistema educativo, desde os professores aos alunos, passando pela gestão, escolas profissionais, artísticas e que tais, avaliação de desempenho, formativa, sumativa, interna e externa, ensino especial, apoios, etc., etc. uma das medidas podia passar por simplificar as resmas de dossies de legislação educativa que poucos cumprem e muitos interpretam como entendem;
- aprofundar os impactos e a as abrangências desde o pré-escolar ao secundário; aprofundar a oferta, criar e promover a inclusão, o combate ao absentismo e ao abandono; aprofundar as medidas que permitem criar laços entre a escola e a comunidade, numa lógica de mercados de trabalho e com o ensino superior, em lógicas de adequação, desenvolvimento e formação ao longo da vida;
- reforçar as lógicas e princípios de autonomia da gestão pública da escola; reforçar as características e os factores distintivos de construção e afirmação da escola pública; reforçar a ligação da escola à sua comunidade;

quinta-feira, janeiro 13

retrato

permitam-se destacar uma entrevista que é, ao mesmo tempo, um óptimo retrato do que é ser professor hoje.
Existirão poucos docentes que não se reconheçam, que não se revejam naquelas palavras, nos seus pensamentos, nas suas entrelinhas.
Um óptimo exemplo do que pode ser uma intervenção educativa diferente.

referências

aprecio a escrita escorreita, a temática, os contornos das palavras que caracterizam a escrita da Maria Helena.
Trabalhámos na mesma escola um ano completo, nunca trocámos uma palavra sobre blogues ou sobre estas ideias, menos ainda em como este suporte pode condicionar o trabalho dos professores, dos alunos, as relações que se estabelecem com assento aqui, que por aqui passam.
Agradeço a referência que me faz, em particular no distinto colega. Já lá deixei o comentário que procuro aqui retribuir com tudo o que ali aprendo e sinto.

outro incómodo

ora pois, não há negativa sem senão [sei que não é assim, mas não consegui arranjar melhor].
Depois de me sentir algo incomodado com os comentários às opções metodológicas, sempre surge alguém, uma colega no caso, que se interessa por aquilo que faço, como o faço, uma vez que ouviu comentários apreciativos ao trabalho desenvolvido. Comentários oriundos dos alunos, diga-se.
E pronto, é um outro incómodo, este para melhor reconheço.

da pós escola

uma colega, em breve troca de palavras, diz-me que regressou à escola para fazer uma pós graduação. Ainda bem, digo eu, que te seja útil. A resposta não podia ser mais esclarecedora, dúvido, com tantos testes e trabalhos para fazer não tenho tempo para pensar o que ando a fazer.
Diga-se que é pena. Para além dos custos económicos, há o desagaste pessoal, o empenho e a vontade que se desbaratam apenas para termos um certificado? Não será, porventura, mais interessante e pertinente pensar o que fazemos, onde o fazemos, como o fazemos, com quem o fazemos?
Não seria mais interessante que os cursos pós graduados respondensem a situações (de dúvidas, de investigação, de análise, de interpretação, de compreensão) e se enquadrassem em contextos (pessoais, sociais, profissionais)?

terça-feira, janeiro 11

das bocas

diz o meu presidente do executivo que, de acordo com comentários oriundos da Direcção Regional (será que são de confiança?, fiáveis?) os concursos de docentes decorrerão este ano por ordem alfabética (a iniciar lá para o final de Fevereiro) e com metodologia tradicional, como antigamente, explicita.
Será que quer dizer feitos à mão?, mas não tinham sido já à mão?

do quotidiano

nas deambulações pelo corredor à procura do que faça ou do que possa fazer numa escola onde os computadores estão ocupados, a biblioteca cheia e não há mais salas, encontro uma aluna. Como não tinha referenciado mais nenhum dos seus possíveis colegas pergunto-lhe se tinha sido mandada para a rua. Diz-me que faltou. Pergunto porquê, por a aula é uma seca. E preferes andar sozinha? Mais vale só que mal acompanhada, diz-me em tom de disputa.

do incómodo

eu sei que é uma situação normal e natural mas não deixa de me incomodar. Andei um dia completo a pensar se escrevia esta posta ou se a deixava passar em branco. Como se nota opto pela partilha.
Um conjunto de pais/encarregados de educação manifestaram ao respectivo D.T. algum incómodo em face das metodologias que adopto na sala de aula e às suas implicações perante os seus educandos.
É-me difícil não tomar posição, ser indiferente, mas resumidamente explico.
A minha opção metodológica vai no sentido do aluno resolver problemas, ultrapassar situações com recurso à disciplina (História) e aos instrumentos que faculta, opto por não apresentar, de modo tradicional, expositivo, unidireccional, passivamente em relação ao aluno os conteúdos (procuro evitar a seca que são as aulas), prefiro a descoberta, a construção, a partilha do conhecimento, a resolução dos problemas. Do ponto de vista teórico será uma mistura (espero que não explosiva) entre metodologias diferenciadoras (com base em processos), a pedagogia da autonomia e componentes construtivistas e da escola moderna.
Ora esta opção tem-se revelado frutífera na conquista de alguns alunos para a disciplina e para o trabalho escolar (uma análise do aproveitamento mostra isso mesmo). Mas há alunos, geralmente e por hábito, uma franja significativa de alunos que na generalidade apresentam níveis elevados e que em face deste tipo de trabalho baixam relativamente o seu rendimento. Foram pais/encarregados de alunos destes alunos que se manifestaram.
Sinto-me de consciência tranquila na procura de propostas, opções, metodologias, estratégias que permitam construir um sentido de escola e do trabalho desenvolvido, do papel e da participação da disciplina nesta construção, da autonomia do aluno, na sua capacitação para a rssolução de problemas, para a organização de ideias, para o seu envolvimento e participação na construção e definição dos seus interesses.
Mas reconheço que me sinto incomodado. Talvez até mais porque o D.T. não estava preparado para responder às questões, quando desde a primeira reunião intercalar lhe apresentei documentação sobre o que faço, como faço, com que características, opções e orientação.
Fico na dúvida do que faço, será correcto? adequado? adaptar-se-á ao aluno? irá ao encontro das suas necessidades? prepará-lo-á para situações futuras? consolidará conhecimentos? promoverá atitudes ou competências?.
Mas sozinho sei que não vou a lado nenhum e que estas situações, já estou algo habituado, surgirão sempre.

segunda-feira, janeiro 10

do tempo

uma cópia directa do outro lado de mim;
... não sei se o tempo é aquilo que dele fazemos ou se é o tempo que nos faz. Sei é que gostei bastante desta afirmação da Maria com a qual concordo em absoluto.
Permitam-me perguntar, qual é a velocidade da tua imaginação??

do desânimo

na passada 6ª feira estiveram de visita à escola duas colegas que aqui realizaram o estágio, há dois anos atrás.
Entre as perguntas da praxe do que fazes, por onde andam, que tal estão, deixaram a ideia de um profundo desânimo sobre a escola e o papel do professor. Cada qual está numa escola, em concelhos diferentes de distritos diferentes ainda que na mesma zona.
Pensei para os meus botões que para haver desânimo, desilusão tem de existir uma diferença, negativa, entre a ideia que inicialmente se construiu e o confronto com a realidade, com um dado contexto. Para além desse aspecto determinante a rigidez das ideias, a difícil flexibilidade na relação com o aluno podem acentuar esse aspecto.
Pergunto-me, que circunstâncias existem para que se acentue este desânimo, se percam ideias e práticas, que os profissionais se acomodem?

netcabo

depois de um fim-de-semana sem internet, graças ao serviço da netcabo com razões ainda por mim desconhecidas, apresento-me com a vontade de trocar ideias, debater opiniões, participar na discussão sobre a escola pública e o papel dos professores.

sexta-feira, janeiro 7

da excelência

dois post, um e outro, claramente excelentes.
Por um lado porque se visibiliza que a democracia é muito bonita, interessante do ponto de vista teórico e especulativo, mas que fica bem noutro lado que não aqui, consoante interesses, oportunidades ou objectivos. Tem sido uma particularidade deste governo, defender a democracia e a participação quando lhe convém, quando há interesse quando vamos todos no mesmo barco, para o mesmo sítio (versão homem do leme), caso contrário... (patrões e sindicados desmontaram recentemente esta visão das coisas quando, sem governo, se entenderam).
Outro, mais ao nível de discursos mas que têm, muitas das vezes, correspondências práticas, decorrem daqueles que consideram as Ciências da Educação como a fonte primeira de todos os males, as culpadas de tudo - essencialmente do que é negativo no sistema educativo. Como cria ligações e afectos às competências, determinante no e para o reconhecimento dos diplomas.
Entre um e outro, permitam-me acrescentar dois aspectos.
Um já evidenciado pelo Miguel, é fundamental desmistificar a tese das competências técnicas para o exercício de competências políticas. Por muito bom investigador que se possa ser, por muitos conhecimentos técnicos que se detenham, não significa nem lhe corresponde uma dada competência política. Mas Portugal persiste na procura de uma racionalidade técnica para a competência política - depois há os erros de casting.
Outra que para a profissão docente o mais importante é o sentimento das vocações, mais que conhecimentos científicos ou competências técnicas. Tal como para a enfermagem.

quinta-feira, janeiro 6

do abandono

ontem tive a notícia que uma aluna de 8º ano, com 16 anos feitos no final do ano passado, abandonou a escola. Ainda por cima com a concordância, segundo disseram, dos pais.
Com 16 anos, frequência de coisa nenhuma, fracas capacidades e cultura escassa que poderá esperar esta rapariga do futuro?
Desde início do ano já me desapareceram 5 alunos, é obra. Daí o meu comentário do feitio.

dos sinais

um dos posts perdidos era uma expressivo agradecimento aos sinais do Miguel.
Desde que tive oportunidade (e o prazer) de o encontrar nesta blogosfera que partilho muitas das suas ideias, que comungo das suas opiniões, que sinto muito do seu sentir. Mas, por uma outra razão (algumas impertinentes) acrescento sempre um ponto, uma vírgula, uma ideia. Debato opiniões, troco ideias.
Nos seus sinais não faço nada, limito-me a agradecer-te a ideia, o momento feliz (digo eu) da tua escrita e dos teus sentimentos.
Reconheço-me em todas as letras, em todas as palavras, em toda a entoação desses teus sinais.
Obrigado Miguel.

p.s. sinto muito mas não trago boas novas, ainda não as reconheci, ainda não as perspectivei no meio das conversas por onde procuro mostrar ideias, trocar pontos de vista, por onde tenho andado a dizer às pessoas para lerem o que se escreve nesta blogosfera, já que a minha voz (de burro) dificilmente chegará ao céu. Mas não desisto.

perdidos e achados

não sei se aparecerão dois post que escrevi e que não me aparecem por dificuldades de acesso à rede, para o caso de não aparecerem tento recolocá-los no seu lugar, provavelmente com outras letras, outras palavras, mas certo das mesmas intenções.

do feitio

uma das coisas que faz com algumas pessoas me rotulem de mau feitio decorre de ficar profundamente irritado com os comentários depriciativos, as observações jogosas em face de um aluno ter abandonado a escola.
Há pessoas que parecem ter ficado contentes, há comentários que remtem para metáforas relacionadas com lixo e tapetes, como se os alunos fossem lixo. Se assim fosse o que seriam então so professores?

quarta-feira, janeiro 5

dos desafios

...e da confiança.
Muito do que se joga nas próximas eleições vai no sentido de criar desafios e assegurar factores de confiança entre o Estado e quem o administra, o governo, e os cidadãos. E este pode ser um passo essencial na construção da escola pública e da reinvenção do nosso quotidiano.
Tentarei, ainda que sucintamente, explicar.
A relação entre o Estado e o cidadão tem sido marcada, desde Salazar, pela desconfiança, pelo princípio assumido que quem não está no Terreiro do Paço não sabe, não pode, não tem conhecimentos, não domina a terminologia, os mecanismos os instrumentos que permitam gerir e administrar o seu domínio. Vai daí e as sucessivas tentativas são de controlar e comandar tudo e todos a partir daquele espaço mais que simbólico. A concentração de poderes, a assunção de funções a isso tem conduzido e reforçado essa situação - singelas tentativas foram feitas em sentido contrário, mais com base em atitudes pessoais, do que com sentido e orientação estratégica.
Quando se desconcentraram poderes, quando se deslocalizaram espaços, quando se autonomizaram funções, quando se delegaram poderes há, quase sempre, duas interrogações.
Por um lado, será que o Estado quer aliviar responsabilidades ou quer justificar atitudes ainda mais concentracionários. Ou, por outro lado, qual será a bandeira eleitoral a jogar porque o pobre desconfia sempre da boda.
Ora está na hora, é tempo do Estado, na figura do seu futuro gestor, assumir uma relação de confiança com o cidadão, assumir que este é maior e vacinado, que tem competências e saberes próprios, que hage de boa fé e com sentido de Estado, que procura, na individualização da gestão, o bem comum e a salvaguarda do interesse colectivo.
Que há excepções? obviamente, que há gatunos e incompetentes, também. Há que criar os mecanismos que permitam minimizar essas situações, definir instrumentos que permitam avaliar competências e práticas, corrigir disfunções.
Depois talvez exista espaço e tempo para que a escola seja um espaço diferente, diferenciador e estimulante para alunos e professores, pais/encarregados de educação e funcionários, autarquias e outros interesses locais.
Depois talvez seja possível repensar a escola.

funções

o Miguel levanta [outra vez] um conjunto sério de questões pertinentes que pelas suas características e pelas relações que implicam correm o sério risco de se tornarem impertinentes.
Mas caro amigo permite-me responder negativamente à questão que levantas em último lugar [A unilateralidade da oferta da dimensão lectiva não ameaçará a eficácia das funções da escola].
Respondo que não, pois as dimensões da escola decorrem de dois pontos diferenciados e diferenciadores.
Por um lado, de um poder ausente, essencialmente regulamentador que pretende uniformizar e comandar tudo e todos qual ser omnipresente e omnisciente (que há muito não é mas que teima em reconhecer).
Por outro, da construção local e social que é feita da escola, da apropriação de modos e sentidos, das múltiplas intepretações que são feitas, isto é, da vida que é vivida
Uma desvantagem óbvia, os actores sociais jogam de acordo com os seus interesses e objectivos, na prevalência de uma ou de outra consoante o geito, os interesses e as relações que se tecem.
Uma clara vantagem, que justifica a negação à tua questão, a escola nunca é unilateral na sua oferta, por muito que se queira, teime ou persista nessa ideia. A organização, o modo como se coloca a oferta, esse sim pode ser unilateral.

silêncio

a escola em peso prestou homenagem, à semelhança, segundo sei, do país e da Europa, às
vítimas do sudeste asiático.
um silêncio de quando em quando quebrado por sorrisos soltos de um nervoso miudinho de quem ainda não sabe estar em silêncio, não sabe ainda lidar com a ausência da palavra e se sente constrangido(a).
Mas gostei, foi respeitador, tolerante e, digo eu que na generalidade das cabecinhas, um silêncio sentido.

terça-feira, janeiro 4

baril

após as reuniões com encarregados de educação uma colega directora de turma diz-se impotente para arranjar alternativas ao desassossego de uma turma, onde os pais questionam por alternativas para os filhos e educandos.
Onde procurar alternativas, que alternativas procurar a si mesma? eis uma das questões que se podem colocar nestes tempos.

conversas

valente conversa esta de início de ano, que segue por diferentes lados e com diferentes direcções e perante a qual, em face da minha notória estupidificação, sinto dificuldades em colaborar, em participar.
Mas, ainda assim, arrisco a acrescentar um pequeno pormenor que, em meu entender, faz um pouco de diferença.
A escola diferente, a construção de sentidos, a apresentação de propostas alternativas terá de se iniciar em cada prática lectiva, em cada docente, no enfrentar das situações e na procura de respostas capazes de ultrapassar situações menos boas, minimizar ou mesmo resolver problemas.
As propostas, as alternativas têm mais oportunidade de sucesso quando construídas local e colectivamente, com recurso à participação, ao diálogo, ao debate e à troca de ideias estando certos que não há uma resposta, como não há um consenso, nem uma medida única e positiva. Há ideias, há práticas, há ideias (ou deveriam existir) perante a qual se estruturam e organizam propostas (ou deveriam organizar).
A questão, sabida e algo consensualizada, é que cada docente trabalha para seu lado, de acordo com lógicas individuais e muito próprias, quase que com receio de partilhar vontades, quebrar barreiras, saltar muros. Progressivamente vão-se registando pequenos avanços, pequenas conquistas que há que maximizar e saber valorizar.
E a blogosfera tem tido um papel determinante na construção do(s) nosso(s) sentido(s) de escola. Imaginem se estivessemos todos juntos, que multidão não seríamos.

ideias

reconheço e assumo que neste início de ano ando com poucas ideias e menos vontade ainda de escrever.
Sinto-me algo estupidificado, ontem à noite tive uma clara manifestação deste meu estado de espírito, quando me degladiava interiormente entre o que fazer e o que ler...
Nada que, espero eu, não passe ao fim de uns quantos dias de trabalho e de retorno ao ritmo do dia-a-dia.

segunda-feira, janeiro 3

começou

com alguma pouca vontade, há que reconhecer, com alguns quilinhos generalizadamente a mais, algumas olheiras de boa disposição e uma noite também generalizada e assumidamente mal dormida, lá começou o mesmo quotidiano da escola.
Os confrontos, a gestão dos interesses, a disputa dos interessados, a procura de sentidos, a construção de objectivos. Está lá quase tudo.
O que falta? a minha pessoa a tempo inteiro, que ainda estou em jet leg (é assim que se escreve?).

domingo, janeiro 2

de regresso

... e pronto, terminada a pausa é tempo de arrumar a pasta, arregimentar livros e blocos, recolocar lápis e canetas e regressar à escolinha, ao convívio de professores, alunos e funcionários, a palmilhar kms, a comer pouco (o que só me favorece e compensa alguns excessos natalícios), a iniciar o corre-corre de ir levar os filhotes, preparar e organizar sessões, apoiar os filhos (meus e de outros que solicitaram essa colaboração)...
afinal, é a nossa vida que, felizmente, continua.

sábado, janeiro 1

do conhecimento

no zapping que faço dou com uma pergunta curiosa num blogue oriundo do Brasil, qual a qualidade mais importante em um professor? as opções são várias: dinamismo, criatividade, conhecimento, afectividade, organização.
estas amostras valem o que valem, se é que valem alguma coisa, mas passem por lá para ver qual o resultado, qual a qualidade mais apreciada. Surpresa? nem tanto.

do gosto

já por várias vezes estive para escrever sobre uma surpresa. Não passa de agora uma vez que se lhe juntou o argumento do prazer e é em tempo de escrever sobre um gosto, o meu, o de trabalhar na escola.
Há tempos um colega ficou espantado por ter conhecido, em carne e osso, esta minha pessoa. Perguntei qual o espanto, afirmou que lhe era difícil acreditar que era eu mesmo, aquele que assina estes textos, cujo nome aparece como irresponsável pelas ideias e opiniões que aqui se desbaratam e que ele acompanha desde o início desta escrita, umas vezes com concordância outras nem tanto.
Não sei se sou aquilo que escrevo ou se escrevo aquilo que sou. Sei e aí restam-me poucas dúvidas na ângustia das minhas incertezas, que escrevo sobre o que gosto, o que me marca, o que sinto e que escrevo sobre aquilo que sou.
E agora em amenas cavaqueiras em torno do Natal e da passagem de ano alguém me diz que se nota o gosto por aquilo que faço. Como seria possível fazê-lo de outro modo, sem gosto, sem ilusão, sem sonhos, sem paixões.
Reside nesta pequena circunstância muito do que sou, algum já aqui o escrevi, emoção na ponta dos dedos, fazer da minha emoção a minha razão, procurar a razão onde ela esteja, onde se acomode.
A escola é apenas um espaço de operacionalização de vontades, de descoberta de emoções, de busca de razões, de confronto de seres. Por isso gosto da escola. Por isso gosto do que faço.
Para mim é perfeitamente impensável não pensar aquilo que faço, não procurar alternativas, não questionar as minhas razões, não procurar outras razões. Procuro compreender, interpretar, perceber o que faço, como faço, porque o faço, com quem o faço. Reside aqui muita da minha emoção, muito do gosto que sinto por aquilo que faço.
E não tem que ser apenas e em exclusivo sobre a docência.

do incrível

por muito que possa parecer, pelo menos à minha pessoa, aí está um novo ano, com vícios e virtudes velhas, velhinhas. Umas para garantir que por cá andamos, outras para termos a certeza que precisamos de continuar a lutar e a trabalhar por aquilo que queremos, outras ainda para trabalharmos para aquelas que julgamos que mercemos.
Enfim... ano novo vida velha.
os mesmos problemas, os mesmos anseios, os mesmos desejos, as mesmas vontades. Mudou o ano, podia apenas ter mudado o mês.

terça-feira, dezembro 28

não esquecer

uma vez que a minha presença por esta lado está algo intermitente, por razões já referidas, lanço publicamente um post it de não esquecer.
O Miguel (agora com novo look, numa procura quase incessante de alternativas, de ideias) fará um ano por estas paragens, a escrever sobre com um olhar dirigido à escola.
Obrigado pela companhia, obrigado pela amizade, obrigado pelo olhar que me ajudas a ter.
Venha mais um, pelo menos.

as últimas

é a última semana do ano, tempo, para muitos, de balanço, de diferenças entre o deve e o haver.
Não me levem a mal, mas abstenho-me dessa contabilidade. E faço-o por duas razões, ambas pessoais.
A primeira é que os balanços são sempre, ou devem ser, pessoais, entre aquilo que foi definido como ponto de partida e o que é desejável como ponto de chegada. Daí ser abusivo da minha parte querer analisar aquilo que não sei de onde partiu nem onde quer chegar.
Segundo, efectivamente o ano que se apresta para terminar não foi bom cá para casa. A saúde e a idade começam a determinar a cor dos dias, o contar do tempo. O melhor balanço a este nível decorreu de uma frase do meu pai que quando ouviu alguém dizer que foi mais um Natal ele corrigiu e disse, foi menos um.