segunda-feira, fevereiro 14

dos concursos. Iniciam-se hoje, para os mais distraídos, os concursos do pessoal docente. Início pela fase de inscrição obrigatória, inscrição on-line.
Nada tenho contra o facto de ser on-line, apesar das acessibilidades ao servidor serem reduzidas, das disponibilidades de máquinas não ser a mais adequada e de informação e acompanhamento fiável ser claramente escasso.
Mas logo de manhã, porque sei que é habitualmente mais fácil o acesso pela manhã, tentei a inscrição.
Entrada tudo bem. Preenchimento, normal. Submeter? Recebi de imediato a indicação que o serviço estava em baixo, para tentar mais tarde.
E pronto, começou mais uma aventura.

sexta-feira, fevereiro 11

dos ministeriáveis. O independente de hoje (atenção, abre em formato pdf) aponta um nome para possível ministro da educação. Provavelmente um senhor que saberá muito de multimédia, dadas as suas origens profissionais, de uma nova fornada de tecnocratas perante os quais me rôo de inveja, por não ganhar o que eles ganham, por não ter as possibilidades que eles têm.
Não sei qual o fundamento da notícia, qual a sua pertinência e eventual adequação. Sei que das duas três.
Será, eventualmente, um nome atirado para o ar, como podia ter sido o nome do Prof. Dr. Zé da Esquina, e é destinado a desviar atenções, a queimar e a assegurar que de certeza este não é.
Segunda possibilidade, é uma sondagem de mercado político e profissional, um estabelecer de pontes entre a escola (e sindicatos) e uma aposta tecnológica (com que objectivos, com que intenções, com que fundamentos?).
Finalmente e última hipótese, tem toda a credibilidade e é um senhor, de nova geração, tecnocrata com destino traçado tal qual muitos outros que passaram pela 5 de Outubro e corre, como outros, os mesmos riscos apesar de não ser universitário.
Seja qual for a hipótese, arregalo o olhar de quasi espantado, franzo o sobrolho de dúvida e penso cá para os meus botões o que mais será de esperar deste sistema?.
Estou por todas.

quinta-feira, fevereiro 10

Panorama. No âmbito da campanha eleitoral a revista Visão apresenta hoje um suplemento onde é feito o desenho do estado da Nação em áreas fulcrais como a da educação.
Nos indicadores referenciados (abandono, absentismo, número de alunos e de professores, evolução, entre outros), fica umas vezes de forma implicita, outras de forma clara e evidente uma crítica aos professores e ao trabalho que se desenvolve nas escolas. Paradigmática é a afirmação que "se ensina mal e se aprende pior nas nossas escolas" (cito de cor).
Que há maus profissionais? Não discuto, como em todas as áreas, há uns melhores outros menos bons e os maus, tal qual no jornalismo. Que os professores estão desmotivados? certamente que uns quantos terão razões mais que suficientes para se sentirem desmotivados. Convenhamos que não serão muitos os profissionais a fazerem, à sua custa, centenas de km, a serem abandonados à sua sorte, sem possibilidade de definição de objectivos profissionais, sem qualquer tipo de enquadramento ou apoio (profissional, pessoal, deixo de lado os restantes).
Que os profissionais serão culpados pelo estado a em que a Educação se encontra? Certamente que terão a sua quota parte de responsabilidade, mais por omissão do que por deliberação.
Mas a grande responsabilidade da situação recai num sistema político que teima em querer resultados imediatos à custa de um sector onde a estabilidade é determinante. Já o escrevi que é fundamental a triangulação de elementos como estabilidade, avaliação e liderança.
Na escola e na educação, para além da ausência de formação e de organização, nota-se a ausência de um qualquer daqueles elementos. Responsabilidades? Não pensem exclusivamente ou unicamente nos professores.
das respostas. Em face da análise da situação anterior, foi equacionada a possibilidade de definição de alternativas, de se arranjar uma solução (temporária, precária, rápida) que permitisse à aluna (a esta e a muitos outros) por um lado a conclusão do ano, por outro a criação de factores motivacionais que lhe permitissem a conclusão da escolaridade obrigatória.
Não há, é dito e afirmado.
Não conheço a legislação em todos os seus detalhes [tenho sérias dúvidas que alguém conheça] mas para que a escolaridade seja efectivamente para todos e a escola seja um espaço de oportunidades, há que criar possibilidades de alternativas dentro da própria escola, no próprio sistema.
Já houve currículos alternativos, o 9+1 entre outros. Seria útil a definição de possibilidades onde incluir e inserir alunos que, de outro modo, apenas têm o abandono como alternativa, a conflitualidade [cá está também a indisciplina] como opção, e o desinteresse e a desmotivação como orientação.
Estamos longe, muito longe, de uma escola democrática, tolerante, inclusiva, promotora da cidadania.
institucionalizada, é a pessoa que se encontra ao abrigo de uma dada instituição, em virtude de carência social, pessoal, afectiva, familiar ou outra.
Termo pomposo apenas para referir que é uma pessoa esquecida por aqueles que dela não se deviam esquecer.
Termo institucional para referir aqueles que a sociedade, por uma ou outra razão, não integra, não promove.
É o caso da aluna que hoje, por excesso de faltas, manifesto desinteresse e incacidade institucional, foi proposta para exclusão da escola.
16 anos feitos há pouco mais de uma semana, frequência do 7º ano da escolaridade pela segunda vez. Estrutura familiar de pantanas, revolta pessoal permanente, contra tudo e contra todos, apenas na afirmação do contra. Lider incontestada de revoltas emocionais, de disputas de pequenos poderes, de pequenas vitórias.
Reconheço que fiquei triste. Inicialmente ainda expressei a minha vontade de me bater contra a proposta de exclusão. Perante os factos preferi o silêncio comprometido. Comprometido pela incapacidade, pela minha ignorância, pela impotência.

quarta-feira, fevereiro 9

da memória. Sem querer regressar à temática da indisciplina, não resisto em chamar a atenção para este texto, género resposta ao desafio colocado, e ao comentário que acabei por ali inserir e que aqui reproduzo.

"Que me seja permitida a ousadia, perante um texto pleno de saber e de longa experiência feito, não são apenas as pessoas das ciências da educação que não estão contentes, penso, e espero não ser abusivo na generalização, que muitos de nós - professores, alunos, pais e encarregados de educação, políticos - estamos descontentes com o que temos. Não apenas por ainda não termos uma escola para todos, ainda estamos muito longe disso, como ainda prevalecerem vestígios de uma elitização escolar e educativa que condiciona enormemente a sociedade, como o próprio modelo de escola - e da formação inicial e continua - instigarem comportamentos e atitudes que deixam muito a desejar a uma escola que se pretende democrática, participativa e inclusiva. Com isto não se pode pretender que se homegenize e uniformize tudo e todos. Será na consideração da diferença que se poderá ultrapassar a indisciplina, afinal o motivo central de todo este comentário e de se considerarem as ciências da educação como elemento fundamental na e para a construção, interpretação e compreensão da escola (e dos seus problemas) que temos e que queremos. Talvez assim se possam ultrapassar (falsos e despropositados) bodes expiatórios e assumirmos, cada qual no seu lugar, as responsabilidades pelo sistema que temos."
da indisciplina (2). Ainda a partir deste desafio, o Miguel lança um olhar que tem tudo de pertinente e com o qual os professores têm, habitual e genericamente, alguma dificuldade em lidar, isto é, integrar comportamentos desviantes, indisciplinados, como elementos de desenvolvimento.
Será certamente neste sentido que pergunta se A indisciplina como uma manifestação de desobediência poderá ser positiva?
Deixei um comentário que trago para este meu cantinho por considerar útil para a discussão.
Numa primeira ideia, a vontade mais imediata é dizer que sim. Sem quebra de regras, sem superação das normas e da normalidade não há evolução, não há rupturas, não há inovação, avanço, salto em frente, descoberta. Mas para que seja positiva há que distrinçar entre indiciplina e autoridade e o lócus desta tem de saber aproveitar e orientar aquela.
Contudo, acrescento agora, a indisciplina nunca é neutra, ao contrário do que se poderá inferir a partir do título. A indisciplina tem sempre um centro de produção, como tem factores a montante que a enquadram e delimitam e tem circunstâncias a jusante que a ajudam a compreender e enquadrar.
Neutra não. Positiva sim, pode ser.
do agradecimento. A minha distinta colega Maria disponibilizou uma lista de galardoados e respectivos ex-libris, onde consta esta coisa da escola.
Só tenho a agradecer a referência e o respectivo enquadramento [apesar de não estar assim tão gasto, digo eu, nem ser meu hábito o casaquinho de twid].
Mas mais que a minha pessoa ou a escrita que por aqui vou deixando, entre ideias e alguns pensamentos é a escola que considero estar ali referenciada. A escola como local de trabalho, de pensamento, de ideias, de amizades, de descobertas, de surpresas, de instantes.
É a escola como estão outras ideias, outros pensamentos que se traduzem e visibilizam noutras referências.
Pela parte que me toca, obrigado.

segunda-feira, fevereiro 7

do dito. Zangam-se as comadres e é o que se sabe. Leiam esta, pela pena do próprio ex-ministro da educação. D. Justino, na primeira pessoa e percebam no que estamos metidos. E ainda a procissão vai no adro.
das faltas. No global de todo um conjunto de ideias mais ou menos feitas sobre a escola (a indisciplina antes referida, é um dos exemplos) e a sociedade, de um modo geral, defendo duas situações como principais responsáveis por aquilo que hoje somos.
A falta de formação e a falta de organização.
Um e outro, eixos fundamentais, estratégicos para podermos perceber e compreender muito daquilo que nos rodeia, a sua estruturação e as suas implicações.
Elementos essenciais para a capacidade de definir outros arranjos, outras respostas. Sem formação e sem organização ficamo-nos pelas simplicidade do banal e quotidiano, pela incapacidade de pensar mais além, além do nosso nariz. Sem um e sem outro temos mais dificuldades em aceitar o que é diferente, a compreender e a assumir a tolerância do que é diferente.
Um país de doutores onde reina o analfabetismo funcional, organizacional, social e, muito importante, político.
da indisciplina. A partir deste desafio uma ligeira e sumária abordagem à indisciplina.
Esta situação não é nem nova nem se reveste de contornos inovadores. Novo ou pelo menos, diferente, é a abordagem que dela se faz, o olhar que sobre esta problemática se lança. Em plena década de 80 a culpa era da sociedade e da massificação da escola e da educação, a abertura da escola a todos os públicos o alargamento da escolaridade e do universo escolarizável era apontado como um dos motivos da indisciplina.
Já na década de 90 o olhar era multifacetado e entre os problemas da massificação e as (in)capacidades de respostas por parte da escola [entenda-se, dos professores] a indisciplina era vista como uma quebra social, o permanente confronto entre urbano e suburbano. Quando esta situação se alastrou aos meios rurais houve que determinar outros modos de encarar a problemática e o alvo foi determinado ou nas ciências da educação [as grandes culpadas das incapacidades locais e políticas] ou no papel que a escola [entenda-se, professores] na definição de estratégias e metodologias que permitissem a definição de estratégias inclusivas, diferenciadores, integradoras de públicos heterogéneos.
Entre um ponto e outro, houve ainda tempo para retratos psicológicos do estudante português, do papel do professor, das relações afectivas e psicossocioafectivas que se estabelecem na sala de aula, como houve tempo de estruturar olhares mais etnográficos aos pátios das escolas, às disputas sociais e relacionais que ali se definem, às relações de poder na turma e no grupo e em face do papel (e da autoridade) do professor. Como houve tempo de estruturar culpas à desagregação da família, da comunidades, dos laços afectivos de vizinhanças ou de amizades, ou à televisão e ao papel que ela assume na substituição de outros modelos sociais.
No meu entender, tudo isto tem a sua quota parte de responsabilidade, de contributo e de participação na definição das relações que se estabelecem na escola e na sala de aula e na criação de situações de (in)disciplina ou de conflitualidade (e há que separar um do outro).
Fundamental na sua abordagem, na sua resolução e intermediação como interpretação o papel do professor que, muita das vezes por manifesta falta de formação, não sabe lidar com esta situações ou, pura e simplesmente, se alheia delas.
Lugares comuns: quantas vezes um docente passa por uma rixa de miúdos e olha para o lado, quantas vezes um docente se apercebe de uma situação de conlfito latente entre alunos na sua aula e passa à frente; quantas vezes um docente ouve comentários e bocas e finge que é surdo? quantas vezes um docente manda calar um aluno só porque sim, só porque quer afirmar a sua autoridade?
O saco enche, transborda e... às vezes rebenta.
das ligações. O conjunto de ligações laterais, entre favoritos, entreténs e algumas paixões, sofreu alterações.
Alguns de manifesta justiça, retribuir o link. Outros o assinalar o prazer o e o gosto de olhar as imagens, as escritas, as ideias. Outros ainda por manifesta cumplicidade, quer profissional quer regional.
Uns quantos desapareceram. Por estarem inoperacionais há demasiado tempo. Outros por me desconhecerem e não existir reciprocidade de ligação, outros por despeito da minha parte.
A actualização segue dentro de momentos.
Bom carnaval.

sexta-feira, fevereiro 4

dos comentários. Não é situação única chamar a atenção de quem por aqui passa para a pertinência dos comentários, das observações, dos pensamentos que uns e outros de quando em quando deixam neste espaço. Faço-o outra vez. Tenham em atenção este conjunto de comentários, mais ricos e de maior sentimento que a posta que coloquei, quase que de raiva.
Como me permitam acrescentar duas ideias.
Uma que a solução não é nem política nem administrativa, é de cada escola, de cada professor, de cada consciência. Provavelmente não me perguntarão a opinião sobre a exclusão, mas, como já aconteceu noutras situações, farei figura de chato, de moenga e ouvir-me-ão desabafar e dizer coisas contra este estado de coisas, contra esta situação. Compete à escola criar alternativas. Compete aos professores trabalhar para que existam alternativas.
Segunda ideia, estou certo que muitos conhecerão as ideias e o pensamento quer de Ruben Alves, ou Paulo Freire ou outros professores que procuraram incluir em vez de excluir, integrar em vez de expulsar. Como certamente na prática quotidiana inúmeros professores experimentam todas as fórmulas, todas as hipóteses, esgotem as oportunidades e as possibilidades e tudo acabe na mesma.
Apesar disto e por causa disto deixem-me só acrescentar um pequeno elemento, Paulo Freire estava na casa dos 60 anos, com perto de 40 anos de ensino, quando, alguém e alguns, o começaram a escutar. O Ensino, a educação é um processo de longa duração. Não copiem os professores os exemplos dos políticos que querem quase tudo já, uma solução à medida, pronta a aplicar. Não há fórmulas mágicas, não há tubos do ensaio que resistam a esta experiência. Como não há dois momentos iguais, duas situações semelhantes.
Há, deve haver, persistência, teimosia, vontade, paciência, perseverança. Bom senso.
da exclusão. Já tenho agendada uma reunião para propor a exclusão de mais um elemento. Aluna instável, lider da turma na sua disputa e confronto com o professor, definidora de atitudes, comportamentos e acções, obviamente que pouco confinantes com a norma, com o estimulado, com o normal e exigido pelo comum dos professores.
Uma rapariga que fez 4ª feira passada 16 anos. Sem estrutura familar. Apenas amparada pela assistência social.
Será que se resolve um problema atirando-o janela fora?
Será que o níveis de desempenho da turma melhorarão?
Qual o futuro que se reserva a esta rapariga?
Este ano, desde o início do ano até ao momento presente, este é o 6 elemento que perco. Inconcebível.

quinta-feira, fevereiro 3

das experiências. Trabalho com uma turma que está, praticamente desde o início do ano lectivo, rotulada de problemática. Desinteresse, alheamento, desmotivação, baixas ou inexistentes expectativas sociais, ausência de expectativas escolares ou educativas, disfuncionalidades e desestruturação familar são algumas das características de alguns alunos que se reflectem na escola e na sala de aula.
Repetências sucessivas, absentismo, agressividade e conflitualidade são algumas das imagens que marcam este conjunto de alunos.
Na sucessiva procura de minimizar as situações de conflito na sala de aula, optei por duas estratégias.
Por um lado, pela utilização de metodologias diferenciadas, diferenciação essencialmente ao nível de processos, que procurem ir ao encontro dos escassos interesses e da pouca motivação existente, mas também que permitam apoiar o aluno na construção de um sentido ao trabalho escolar desenvolvido. Desenvolvemos trabalhos de pesquisa e de organização da informação, procuram-se resolver problema com recurso aos instrumentos da disciplina.
Por outro lado, recorri a um constante e sempre presente estímulo positivo, de apoio, em vez de destruir, de incentivo, em vez de repreender, de diferenciar, em vez de uniformizar, de apoiar, em vez de recriminar.
100% de sucesso? obviamente que não. Ultrapassada a conflitualidade, a disputa na sala de aula? Totalmente não.
Mas fiquei seriamente surpreendido quando soube que alguns dos alunos foram alvo de repreensão disciplinar. É uma experiência, assumo. Mas vale a pena ver um sorriso onde está, quase todos os dias, amargura, desanimo, frustação. É esta a escola que temos.
dos objectivos. Há dias partilhei com um amigo uma troca de ideias sobre os blogues, aqueles onde escrevo e os outros que me ajudam a compreender e a interpretar o meu mundo.
Para que quero eu um blogue? que me leva a escrever, quase como obrigação, sempre com dedicação diariamente ideias, a partilhar pensamentos, a deixar este rasto, este lastro de mim?
A resposta mais directa é que é meu objectivo procurar, mediante a escrita e a partilha de opiniões, organizar o pensamento sobre aquilo que faço, sistematizar ideias, racionalizar práticas, teorizar sobre o que faço e praticar o que escrevo.
Então escreve numa página em branco do word, usa um diário de campo, foi a resposta/comentário que fez, tão seca como verdadeira.
Afinal, o que pretendo eu? Sair do meu cantinho para a maré alta dos blogues? quebrar o isolamento persistente da minha profissão e partilhar visões e olhares com colegas? criar uma sala de professores do tamanho do país? ser narcísico, vaidoso e dizer que escrevo para o mundo?
O que acrescentaram, de mais valia, os blogues à minha prática profissional? que ganhei eu em sair do isolamento do frente-a-frente com um ecrã em branco e em entrar nesta blogosfera?
Quando terminar? como terminar?
apenas devaneios.
da geografia. No devaneio entre este e aquele blogue, entre uma leitura e uma ideia, um ponto a fixar: existirá uma geografia dos blogues da educação? Certamente que sim, pois espalham-se pelo território nacional tal qual a mancha social e urbana do território. Mais a norte que a sul, mais ao litoral que ao interior.
Até que ponto e com que características serão eles reflexo das suas escolas?, das realidades em que se inserem?
Até que ponto este blogar reflectirá uma realidade educativa e social? Será também política? De política educativa?
Quais as leituras que os colegas docentes (aqueles que apenas consultam a blogosfera) farão dos blogues sobre a escola, sobre a educação? Existirá uma apropriação de ideias? a construção de um espaço público de participação sobre a educação nas suas diferentes vertentes? Ou apenas um encolher de ombros sobre o comum das ideias, a (dis)concordância de outras, o riso mordaz, entre o cínico e o sarcástico sobre aquilo que se escreve?
Ideias sobre uma geografia dos blogues.

quarta-feira, fevereiro 2

actualização. Há já tempo demais que não mexo nos links laterais, naqueles endereços por onde me entretenho, situação que faz com que alguns ali estejam desnecessariamente, por que desactualizados, eventualmente mortos, ou talvez não, e outros ainda ali não estejam e devessem estar.
É o caso desta memória flutuante, mas que tem amarras deveras interessantes e bolinas ainda mais interessantes, que acompanho com atenção por dois motivos ambos, para a minha pessoa, fundamentais, pela memória e pela escola.
Já lá estou referenciado e senti-me lisonjeado pelo texto que justifica as referências.
Vai ser na pausa pedagógica do carnaval, entre uma brincadeira e outra um momento sério de actualização de links [e de ideias?].

terça-feira, fevereiro 1

autonomia. O Miguel cria desafios, lança propostas, incentiva e proporciona a discussão, a troca de ideias. Logo sobre a autonomia, ele que sabe que é um tema que me é caro, excessivamente caro.
Pouco acrescento ao debate que ele procura suscitar, quer pela pertinência com que o faz, quer pelo descrédito em que a autonomia se enleou.
Não acredito na autonomia política, isto é, administrativa, jurídica (ainda que seja fundamental definir as suas fronteiras, a fronteiras de possibilidades).
Acredito na autonomia das pessoas, de cada pessoa, de cada professor, em face de um contexto, de situações, de momentos, de acontecimentos.
Não pode haver autonomia para além das pessoas, para além das ideias. Para além das vontades e das possibilidades.
Como o comentário que já lá está induz, ficamos sempre à espera que alguém decida sobre algo que é nosso, de um profissional. Enredamo-nos em eternas discussões sobre condições, capacidades, possibilidades, recursos, normas e regras quando as coisas são muito mais simples, mais directas, mais próximas de nós. Basta querer, basta agir, como todos os dias o fazemos, como o pensamos, como o ambicionamos. Basta partilhar com o outro, com um colega uma ideia, uma opinião, uma prática, uma vontade.
Basta de desejar que as coisas desçam do alto de um qualquer espírito iluminado. É tempo de as fazer crescer em cada escola, com as suas particularidades, com as suas formas, todos diferentes, todos iguais.
balbúrdia. A minha escola, esta semana, tem andado no meio de alguma confusão, de alguma, direi eu, balbúrdia.
ainda a propósito disto no passado sábado um jornal publicou um artigo que titulava "professor agride aluno a soco e ao pontapé". Como consequência não se fala de outra coisa, todos os comentários, todos os à-partes, tudo é feito, dito e referenciado face a esta confusão, mesmo atitudes, conversas e comentários tanto de funcionários como de alunos (uns e outros, cada qual a seu modo, sentem-se condicionados pelo artigo).
A minha pergunta, a minha dúvida vai para além desta confusão e instala-se na procura de um momento [por ventura fútil, inócuo e indeterminado] em que se passou aceitação da reguada pedagógica para um controlo social apertado, rígido que condiciona tudo e todos e que acaba por nada controlar.
Como se terá passado de um a outro momento? que atitudes, comportamentos, valores e impressões terão sido libertados por um e condicionado por outro?
Que se pensa controlar ou exigir quando, a coberto da hipocrisia, do anonimato, da indiferença, se visa algo ou alguém, se procura algo ou alguma coisa? que se quer conquistar ou ultrapassar com o pretenso poder ou capacidade de influenciar o outro, um profissional, um grupo, uma instituição?
Que sociedade é esta que aceita a publicação de um artigo onde apenas um nome é vilipendiado, exposto? que papeis se procuram exercer por quem agride, por quem denuncia, por quem anuncia?