alma benfiquista. Agora deverá significar qualquer coisa entre a angustia e a incerteza, a dúvida e o tremelique de um resultado, mas gosto de estar aqui referenciado.
segunda-feira, janeiro 31
o papel da escola. De uma boa escola na educação da criança. No meio do devaneio que é navegar na net, sempre à procura de curiosidades, dei com este texto e mais este. Valem a pena.
lindo. como o link não é directo, faço, sem autorização, a transcrição de uma frase que considero brilhante:
Aos doze anos tudo é intenso. Um dia de escola é uma vida, um comentário deleiam o resto. Vale a pena. Olhares, como diria o Miguel, imprescindíveis para percebermos a disseminação de cores que existem na escola e que fazem dela um espaço polivalente, polissémico... tudo aquilo que queiramos, e também que não gostaríamos.
quem gostamos o fim do mundo. E depois, existem mil e um factos objectivos que
fazem da escola uma montanha-russa de emoções.
adolescência. Não sabia que estava refeenciado neste espaço. Descobri-o faz pouco tempo. Agradeço e convido quem por aqui passa a disfrutar letras e desenhos de palavras de uma adolescente, o sentimento arrebatado de quem quer sorver o mundo de uma só vez, como se estivesse com falta de ar, de mundo.
Gostei. Obrigado.
Gostei. Obrigado.
domingo, janeiro 30
a não perder, por quase nada, para quem gosta da escola, para quem lá trabalha, a sente e a pensa. Em altura de definição de políticas um trabalho, em minha opinião, deveras interessante e a não perder. Para pensar.
sábado, janeiro 29
real e virtual. Por causa deste risco, deixem-me dizer, que no tempo da telefonia diziam que a escola seria outra, mudaria e com ela a sociedade. No tempo da televisão que seria a revolução, que a escola não seria necessária, vaticinou-se o fim da escola. Na era do digital o confronto com o real deixa muito a desejar, há quem aprenda em casa, na rua, no metro ou debaixo de um chaparro, aqui e ali em qualquer lugar. Esta situação faz com que o real nos interessa cada vez menos, move-nos de maneiras diferentes. Sentimos a prescindibilidade de nós e de algumas funções - pessoais, sociais.
O problema é que tudo muda e a escola fica na mesma. Depois da rádio, depois da televisão, depois do computador que o sobra à escola? o que falta à escola? o que falta aos professores? o que muda na escola por o mundo mudar? o que permanece? o que nos interessa que mude e o que nos interessa que permaneça? o que nos move nestes interesses?
O problema é que tudo muda e a escola fica na mesma. Depois da rádio, depois da televisão, depois do computador que o sobra à escola? o que falta à escola? o que falta aos professores? o que muda na escola por o mundo mudar? o que permanece? o que nos interessa que mude e o que nos interessa que permaneça? o que nos move nestes interesses?
do estudo. Uma aluna abria insistentemente a boca no decorrer da aula, manifestando cansaço, fartura, sono, fome ou qualquer outra coisa desconhecida da minha pessoa (não estava a "dar aula" situação que fez com que excluisse a minha pessoa como causa provável da situação. O mesmo obviamente, não o podia fazer à disciplina e ao trabalho que se desenvolvia).
Entre as deambulações pela sala e as conversas de apoio e orientação ao que se fazia abordei a aluna directamente. A resposta, óh, setor, estive a estudar ... até à uma e meia da manhã.
No 8º ano. Sem mais comentários.
Entre as deambulações pela sala e as conversas de apoio e orientação ao que se fazia abordei a aluna directamente. A resposta, óh, setor, estive a estudar ... até à uma e meia da manhã.
No 8º ano. Sem mais comentários.
das comparações... pouco ou nada se obtém, como diria o meu Ti'Zé Chalapita muita parra pouca uva, é a brilhante conclusão a que se pode chegar depois de conhecer as propostas dos diferentes partidos no âmbito da educação.
Parto deste comentário do Carlos, o qual subscrevo e com as devidas precauções e alguns caldos de galinha, generalizo e aplico aos restantes partidos.
Banalidades, vulgaridades, lugares comuns, ideias feitas tudo o que de mau se pode esperar de uma campanha eleitoral. Um vazio de ideias.
Será também isto reflexo do estado da escola pública portuguesa?
Parto deste comentário do Carlos, o qual subscrevo e com as devidas precauções e alguns caldos de galinha, generalizo e aplico aos restantes partidos.
Banalidades, vulgaridades, lugares comuns, ideias feitas tudo o que de mau se pode esperar de uma campanha eleitoral. Um vazio de ideias.
Será também isto reflexo do estado da escola pública portuguesa?
quinta-feira, janeiro 27
despacho normativo 1/2005. Ontem tive oportunidade de participar numa breve mas saudável conversa, em sede de departamento, sobre este dito cujo despacho.
neste despacho há visões com as quais não concordo, há princípios de selecção meritocrática, há orientações dúbias e palavras vãs, denotam-se algumas incoerências entre competências e saberes, das orientações para o curriculo e a realização de provas quantitativas. Nada de mais para documentos que foram pensados por uns, definidos por outros e implementado por outros. Normal, em face disto, a confusão em que se corre o sério risco de se cair.
Como é da mais elementar falta de senso alterar regras a meio do jogo, reconfigurar orientações e princípios, redefinir modos e procedimentos. Mas enfim, são os senhores que temos e que, começo-me a convencer, não merecemos.
Mas a grande ideia com que se fica é que se altera muito para que tudo fique na mesma. É certo que do ponto de vista administrativo irão existir alterações. Mas do ponto de vista das práticas pedagógicas? da organização do trabalho docente? da definição de recursos, meios e prossibilidades? o que se altera? nada, rigorosamente nada.
neste despacho há visões com as quais não concordo, há princípios de selecção meritocrática, há orientações dúbias e palavras vãs, denotam-se algumas incoerências entre competências e saberes, das orientações para o curriculo e a realização de provas quantitativas. Nada de mais para documentos que foram pensados por uns, definidos por outros e implementado por outros. Normal, em face disto, a confusão em que se corre o sério risco de se cair.
Como é da mais elementar falta de senso alterar regras a meio do jogo, reconfigurar orientações e princípios, redefinir modos e procedimentos. Mas enfim, são os senhores que temos e que, começo-me a convencer, não merecemos.
Mas a grande ideia com que se fica é que se altera muito para que tudo fique na mesma. É certo que do ponto de vista administrativo irão existir alterações. Mas do ponto de vista das práticas pedagógicas? da organização do trabalho docente? da definição de recursos, meios e prossibilidades? o que se altera? nada, rigorosamente nada.
ainda do debate sobre a educação. Diz o Alexandre num comentário a uma das minhas entradas, e eu subscrevo, que andamos deprimidos com o rumo que o país [não] tem. Deprimidos e angustiados e que teremos de "deixar de ver debates, de lêr blogs e jornais. Provavelmente [seremos] mais feliz[es]."
Este é um sentimento que percorre grande parte das amizades com quem me relaciono, das pessoas que conheço. A descrença é grande, as promessas, o debate sobre o país é fraco [reflexo do que somos?].
Mas ainda há esperança. Ou não?
Este é um sentimento que percorre grande parte das amizades com quem me relaciono, das pessoas que conheço. A descrença é grande, as promessas, o debate sobre o país é fraco [reflexo do que somos?].
Mas ainda há esperança. Ou não?
quarta-feira, janeiro 26
surpresa. Tenho de reconhecer que com o passar do tempo a pele fica um pouco mais dura, mais curtida, como se diz por estas bandas, e é mais difícil ficar surpreendido com o que se passa à nossa volta. Em face da experiência, do que vimos, do que sabemos e do que acontece e temos conhecimento, enquadramos as situações nesta ou naquela prateleira de modo a aí arrumar a surpresa.
Mas confesso, mesmo depois de ter lido isto, situação(a)normal numa qualquer escola nacional, digo eu pois claro, não é que ontem dou com um colega a sair de mansinho da sua sala de aula de telemóvel encostado ao ouvido?
Mas confesso, mesmo depois de ter lido isto, situação(a)normal numa qualquer escola nacional, digo eu pois claro, não é que ontem dou com um colega a sair de mansinho da sua sala de aula de telemóvel encostado ao ouvido?
do debate de ontem à noite, na RTP, sobre as diferentes propostas para a área da educação (da qual apenas vi as duas primeiras partes, referentes ao ensino básico e secundário) fico com a ideia que não há uma ideia sobre educação, falta uma linha de horizonte para onde os partidos políticos possam apontar o trabalho da escola.
Não sou a favor de consensos e uniformizações ideológicas, sou pelo debate de ideias, pela troca de opiniões, pela construção local da educação. Apenas ouvi breves referências a este ponto no BE e no PCP. Será que os restantes partidos receiam a construção de políticas locais de educação? Será que os partidos do arco do governo receiam que se faça melhor em cada escola do que no Min-edu? será que permanece a desconfiança face às capacidades e possibilidades locais? ao papel dos professores e de outros parceiros educativos?
Fala-se de educação, da escola, não se discute uma ideia de educação, nem de escola.
Não sou a favor de consensos e uniformizações ideológicas, sou pelo debate de ideias, pela troca de opiniões, pela construção local da educação. Apenas ouvi breves referências a este ponto no BE e no PCP. Será que os restantes partidos receiam a construção de políticas locais de educação? Será que os partidos do arco do governo receiam que se faça melhor em cada escola do que no Min-edu? será que permanece a desconfiança face às capacidades e possibilidades locais? ao papel dos professores e de outros parceiros educativos?
Fala-se de educação, da escola, não se discute uma ideia de educação, nem de escola.
terça-feira, janeiro 25
da orientação
hoje tive o privilégio de conhecer a orientadora de estágio da Universidade que acompanha os estagiários nesta escola na disciplina de matemática.
Pouco mais velha é, se o for efectivamente, relativamente às pessoas que acompanha, que procura orientar.
Pergunto-me se terá leccionado fora da universidade, quanto tempo, qual a experiência para poder perceber alguns porquês.
Não coloco em causa a sua competência académica e científica, mas fico na dúvida quanto ao seu papel na orientação de futuros docentes, em particular numa área e numa disciplina que requer experiência, para além do próprio saber, no cativar os miúdos.
Pouco mais velha é, se o for efectivamente, relativamente às pessoas que acompanha, que procura orientar.
Pergunto-me se terá leccionado fora da universidade, quanto tempo, qual a experiência para poder perceber alguns porquês.
Não coloco em causa a sua competência académica e científica, mas fico na dúvida quanto ao seu papel na orientação de futuros docentes, em particular numa área e numa disciplina que requer experiência, para além do próprio saber, no cativar os miúdos.
segunda-feira, janeiro 24
abandono
de acordo com os últimos relatórios, Portugal viu agravar-se o atraso educativo na escolaridade mínima obrigatória entre 1991 e 2002.
E atenção, durante este período houve um projecto designado Programa Educação para Todos2000.
Imaginem se não tivesse existido.
E atenção, durante este período houve um projecto designado Programa Educação para Todos2000.
Imaginem se não tivesse existido.
difícil é ouvi-lo
foi, em meu entender, um dos bons ministros da democracia portuguesa.
Com uma ideia e uma visão de escola, sensível a argumentos, atento a preocupações, disponível para a conversa, longa de preferência.
Quando fala e tem dito algumas coisas desde que deixou a 5 de Outubro, é difícil não o ouvir, é difícil não concordar com ele.
Marçal Grilo é uma pessoa que conhece os meandros do sistema educativo como poucos.
Hoje mais um conjunto das suas ideias.
Com uma ideia e uma visão de escola, sensível a argumentos, atento a preocupações, disponível para a conversa, longa de preferência.
Quando fala e tem dito algumas coisas desde que deixou a 5 de Outubro, é difícil não o ouvir, é difícil não concordar com ele.
Marçal Grilo é uma pessoa que conhece os meandros do sistema educativo como poucos.
Hoje mais um conjunto das suas ideias.
domingo, janeiro 23
das visões
em plena campanha eleitoral acentuam-se as diferenças, mesmo que possamos dizer que não existem diferenças entre os dois principais partidos, PS e PSD.
fazem-se ouvir as diferenças ao nível dos choques - tecnológico, do PS, de gestão, do PSD e fiscal do BE. Logo aqui se fazem notar as profundas diferenças existentes sobre uma visão do país.
Centro-me apenas nos dois maiores partidos.
Um, o PS, acredita que formar e educar as pessoas, criar incentivos ao nível da investigação e do desenvolvimento, promover e favorer as competências técnicas e científicas será uma porta para o futuro. É uma aposta clara nas pessoas [lembram-se do as pessoas não são números], nas suas competências e qualificações.
Do outro, a visão que existe uma técnica da mudança, uma racionalidade que adoptada permitirá o caminho do futuro e das qualificações. Uma visão assente em capacidades técnicas de alguns, pois nem todos terão competências [ou qualificações] para a gestão.
Como se reflectirá este conjunto de opções na nossa escola? Qual a visão que irá transparecer num e noutro programa visando a educação? qual o papel da escola [e, por consequência, do professor] no âmbito do choque tecnológico? e do choque de gestão? Quais as linhas indutoras de uma nova lei de bases por todos exigida, por alguns requerida e por outros sentida como necessária? qual a concepção organizacional da escola e dos currículos? qual o currículo?
Esperam-se desenvolvimentos...
fazem-se ouvir as diferenças ao nível dos choques - tecnológico, do PS, de gestão, do PSD e fiscal do BE. Logo aqui se fazem notar as profundas diferenças existentes sobre uma visão do país.
Centro-me apenas nos dois maiores partidos.
Um, o PS, acredita que formar e educar as pessoas, criar incentivos ao nível da investigação e do desenvolvimento, promover e favorer as competências técnicas e científicas será uma porta para o futuro. É uma aposta clara nas pessoas [lembram-se do as pessoas não são números], nas suas competências e qualificações.
Do outro, a visão que existe uma técnica da mudança, uma racionalidade que adoptada permitirá o caminho do futuro e das qualificações. Uma visão assente em capacidades técnicas de alguns, pois nem todos terão competências [ou qualificações] para a gestão.
Como se reflectirá este conjunto de opções na nossa escola? Qual a visão que irá transparecer num e noutro programa visando a educação? qual o papel da escola [e, por consequência, do professor] no âmbito do choque tecnológico? e do choque de gestão? Quais as linhas indutoras de uma nova lei de bases por todos exigida, por alguns requerida e por outros sentida como necessária? qual a concepção organizacional da escola e dos currículos? qual o currículo?
Esperam-se desenvolvimentos...
sexta-feira, janeiro 21
do descentramento
de quando em quando basta afastarmo-no um pouco daquilo que nos absorve, do assunto com o qual incessantemente nos enredamos, para ver um pouco mais ou um pouco melhor.
Sobre estas coisas dos blogues um colega e amigo deixa-me esta referência:
Sobre estas coisas dos blogues um colega e amigo deixa-me esta referência:
... Tal como acontece em muitos outros campos, a massificação deste tipo de
espaços tende a dissolver muitas opiniões interessantes...
quarta-feira, janeiro 19
terça-feira, janeiro 18
da escuta
... escutar, apenas escutar. Gosto de escutar as conversas, perceber do que se fala, quais os juízos que se constroem, as impressões que se têm, que se criam. Eu sei que é feio, mas gosto de escutar as conversas da sala de professores, dos corredores, da biblioteca. Um bocado aqui, outro ali, bocados dispersos, por vezes desconexos, hologramas de mundos mais vastos, alguns muito distantes da minha pessoa.
Dois exemplos.
Há pouco trocavam-se ideias sobre aparelhos, necessidades e utilidades. Havia quem reclamasse dos aquecedores da sala de professores, porque não funcionam [apesar do ar condicionado] e quem referisse, como contraponto, os computadores avariados da biblioteca e do centro de recursos. Dessintonias claras. Ou talvez não.
Noutro ponto comentava-se o centro de astronomia criado apenas com vontades e, segundo diziam, sem conhecimentos suficientes para algumas perguntas.
Apenas escutas, fragmentos holográficos de uma realidade em trânsito.
Dois exemplos.
Há pouco trocavam-se ideias sobre aparelhos, necessidades e utilidades. Havia quem reclamasse dos aquecedores da sala de professores, porque não funcionam [apesar do ar condicionado] e quem referisse, como contraponto, os computadores avariados da biblioteca e do centro de recursos. Dessintonias claras. Ou talvez não.
Noutro ponto comentava-se o centro de astronomia criado apenas com vontades e, segundo diziam, sem conhecimentos suficientes para algumas perguntas.
Apenas escutas, fragmentos holográficos de uma realidade em trânsito.
do tráfego
... talvez seja impressão minha mas sinto o tráfego demasiadamente fluído, desimpedido.
Nota-se uma certa dificuldade de actualização das postas, o número de visitantes estagnou na generalidade dos bairros, custam a aparecer novas ideias, novos blogues.
talvez ocupados pelas eleições, campanhas, ou apenas cansados do Inverno da falta de chuva, do tempo, ou da falta dele.
Nota-se uma certa dificuldade de actualização das postas, o número de visitantes estagnou na generalidade dos bairros, custam a aparecer novas ideias, novos blogues.
talvez ocupados pelas eleições, campanhas, ou apenas cansados do Inverno da falta de chuva, do tempo, ou da falta dele.
estórias do quotidiano
uma colega entra algo aflita na sala de professores. Fala alto não apenas para chamar sobre si as atenções mas para que os colegas possam perceber o que lhe aconteceu.
Vejam bem uma coisa destas, vejam bem ao que uma pessoa pode estar sujeita. Chamei a ... do 6º... ao quadro para fazer uma simples conta, e ela ali especada com cara não sei de quê, então não consegues?, não sabes? e não é que a miúda me desata a chorar!?
comentários para quê?
Vejam bem uma coisa destas, vejam bem ao que uma pessoa pode estar sujeita. Chamei a ... do 6º... ao quadro para fazer uma simples conta, e ela ali especada com cara não sei de quê, então não consegues?, não sabes? e não é que a miúda me desata a chorar!?
comentários para quê?
segunda-feira, janeiro 17
batanices e merdas que tais
desculpem-me os prezados colegas e os estimados leitores que por aqui passam, mas as séries que passam em horário nobre nas duas televisões privadas (ou pelo menos passaram na passada 5ª e 6ª feira) são de bradar aos céus, cuspir na sopa, bater na avózinha, atropelar o céguinho, e tudo o que se possa pensar e dizer do pior.
Os batanetes na escola (?) e comportamento do pior (?) (desculpem, mas não fixei nomes e não estão disponíveis nos respectivos sites), esteriótipos que nem para perceber o que é ser aluno, quanto mais perceber qual o papel do professor.
Rasca, reles e de merda. Pronto final.
Os batanetes na escola (?) e comportamento do pior (?) (desculpem, mas não fixei nomes e não estão disponíveis nos respectivos sites), esteriótipos que nem para perceber o que é ser aluno, quanto mais perceber qual o papel do professor.
Rasca, reles e de merda. Pronto final.
entornado
... está o caldo entornado, ai está mesmo.
durante a hora de almoço um funcionário acompanhado de um agente da GNR aproxima-se da minha pessoa na sala de professores. O soldado pergunta-me: é professor de História? Foi o senhor que agrediu um aluno no portão da escola?, à primeira disse que sim, à segunda, num misto de brincadeira e de consciência tranquila disse que primeiro precisava de saber quem era o aluno para saber se tinha sido eu.
Não fui, não era eu. Passado pouco tempo o meu colega é referenciado e o caldo está totalmente entornado. Efectivamente um docente de História, um colega, pregou um par de estalos num aluno. Motivo, o persistente achincalhar, o insulto, o moer até dizer chega, o gozo, a hipocrisia. O colega não resistiu e efectivamente consomou-se um sopapo.
Já disseram que antigamente era réguada que fervia, pedagógica, pois claro, para mais facilmente podermos decorar a tabuada, evitar os erros de português, etc. Agora não. É situação que está deveras ultrapassada. E o professor perde a razão nesta situação.
Mas o caldo está deveras entornado. Não mata, todos sabemos, mas moi e muito.
durante a hora de almoço um funcionário acompanhado de um agente da GNR aproxima-se da minha pessoa na sala de professores. O soldado pergunta-me: é professor de História? Foi o senhor que agrediu um aluno no portão da escola?, à primeira disse que sim, à segunda, num misto de brincadeira e de consciência tranquila disse que primeiro precisava de saber quem era o aluno para saber se tinha sido eu.
Não fui, não era eu. Passado pouco tempo o meu colega é referenciado e o caldo está totalmente entornado. Efectivamente um docente de História, um colega, pregou um par de estalos num aluno. Motivo, o persistente achincalhar, o insulto, o moer até dizer chega, o gozo, a hipocrisia. O colega não resistiu e efectivamente consomou-se um sopapo.
Já disseram que antigamente era réguada que fervia, pedagógica, pois claro, para mais facilmente podermos decorar a tabuada, evitar os erros de português, etc. Agora não. É situação que está deveras ultrapassada. E o professor perde a razão nesta situação.
Mas o caldo está deveras entornado. Não mata, todos sabemos, mas moi e muito.
sábado, janeiro 15
cópia
...desculpem lá qualquer coisita, mas não resisti a copiar esta afirmação
o restante é ainda mais interessante de ler.
É difícil ensinar numa sociedade que vive para o imediato onde a palavra seca tem correlatos semânticos como desinteressante.
o restante é ainda mais interessante de ler.
ideias
uma ideia com três vértices. É difícil pensar de um modo organizado e estruturado a educação, a escola e os papeis que nela se desenrolam, simpificar pode implicar dexiar de fora algo essencial, faço-o com a clara ideia de se construirem outras ideias, outros pontos de vista.
deixo à V/ consideração uma ideia com três vértices: simplificar - aprofundar - reforçar;
tento explicar:
- simplificar todo o edifício jurídico e administrativo que hoje enforma o sistema educativo, desde os professores aos alunos, passando pela gestão, escolas profissionais, artísticas e que tais, avaliação de desempenho, formativa, sumativa, interna e externa, ensino especial, apoios, etc., etc. uma das medidas podia passar por simplificar as resmas de dossies de legislação educativa que poucos cumprem e muitos interpretam como entendem;
- aprofundar os impactos e a as abrangências desde o pré-escolar ao secundário; aprofundar a oferta, criar e promover a inclusão, o combate ao absentismo e ao abandono; aprofundar as medidas que permitem criar laços entre a escola e a comunidade, numa lógica de mercados de trabalho e com o ensino superior, em lógicas de adequação, desenvolvimento e formação ao longo da vida;
- reforçar as lógicas e princípios de autonomia da gestão pública da escola; reforçar as características e os factores distintivos de construção e afirmação da escola pública; reforçar a ligação da escola à sua comunidade;
deixo à V/ consideração uma ideia com três vértices: simplificar - aprofundar - reforçar;
tento explicar:
- simplificar todo o edifício jurídico e administrativo que hoje enforma o sistema educativo, desde os professores aos alunos, passando pela gestão, escolas profissionais, artísticas e que tais, avaliação de desempenho, formativa, sumativa, interna e externa, ensino especial, apoios, etc., etc. uma das medidas podia passar por simplificar as resmas de dossies de legislação educativa que poucos cumprem e muitos interpretam como entendem;
- aprofundar os impactos e a as abrangências desde o pré-escolar ao secundário; aprofundar a oferta, criar e promover a inclusão, o combate ao absentismo e ao abandono; aprofundar as medidas que permitem criar laços entre a escola e a comunidade, numa lógica de mercados de trabalho e com o ensino superior, em lógicas de adequação, desenvolvimento e formação ao longo da vida;
- reforçar as lógicas e princípios de autonomia da gestão pública da escola; reforçar as características e os factores distintivos de construção e afirmação da escola pública; reforçar a ligação da escola à sua comunidade;
quinta-feira, janeiro 13
retrato
permitam-se destacar uma entrevista que é, ao mesmo tempo, um óptimo retrato do que é ser professor hoje.
Existirão poucos docentes que não se reconheçam, que não se revejam naquelas palavras, nos seus pensamentos, nas suas entrelinhas.
Um óptimo exemplo do que pode ser uma intervenção educativa diferente.
Existirão poucos docentes que não se reconheçam, que não se revejam naquelas palavras, nos seus pensamentos, nas suas entrelinhas.
Um óptimo exemplo do que pode ser uma intervenção educativa diferente.
referências
aprecio a escrita escorreita, a temática, os contornos das palavras que caracterizam a escrita da Maria Helena.
Trabalhámos na mesma escola um ano completo, nunca trocámos uma palavra sobre blogues ou sobre estas ideias, menos ainda em como este suporte pode condicionar o trabalho dos professores, dos alunos, as relações que se estabelecem com assento aqui, que por aqui passam.
Agradeço a referência que me faz, em particular no distinto colega. Já lá deixei o comentário que procuro aqui retribuir com tudo o que ali aprendo e sinto.
Trabalhámos na mesma escola um ano completo, nunca trocámos uma palavra sobre blogues ou sobre estas ideias, menos ainda em como este suporte pode condicionar o trabalho dos professores, dos alunos, as relações que se estabelecem com assento aqui, que por aqui passam.
Agradeço a referência que me faz, em particular no distinto colega. Já lá deixei o comentário que procuro aqui retribuir com tudo o que ali aprendo e sinto.
outro incómodo
ora pois, não há negativa sem senão [sei que não é assim, mas não consegui arranjar melhor].
Depois de me sentir algo incomodado com os comentários às opções metodológicas, sempre surge alguém, uma colega no caso, que se interessa por aquilo que faço, como o faço, uma vez que ouviu comentários apreciativos ao trabalho desenvolvido. Comentários oriundos dos alunos, diga-se.
E pronto, é um outro incómodo, este para melhor reconheço.
Depois de me sentir algo incomodado com os comentários às opções metodológicas, sempre surge alguém, uma colega no caso, que se interessa por aquilo que faço, como o faço, uma vez que ouviu comentários apreciativos ao trabalho desenvolvido. Comentários oriundos dos alunos, diga-se.
E pronto, é um outro incómodo, este para melhor reconheço.
da pós escola
uma colega, em breve troca de palavras, diz-me que regressou à escola para fazer uma pós graduação. Ainda bem, digo eu, que te seja útil. A resposta não podia ser mais esclarecedora, dúvido, com tantos testes e trabalhos para fazer não tenho tempo para pensar o que ando a fazer.
Diga-se que é pena. Para além dos custos económicos, há o desagaste pessoal, o empenho e a vontade que se desbaratam apenas para termos um certificado? Não será, porventura, mais interessante e pertinente pensar o que fazemos, onde o fazemos, como o fazemos, com quem o fazemos?
Não seria mais interessante que os cursos pós graduados respondensem a situações (de dúvidas, de investigação, de análise, de interpretação, de compreensão) e se enquadrassem em contextos (pessoais, sociais, profissionais)?
Diga-se que é pena. Para além dos custos económicos, há o desagaste pessoal, o empenho e a vontade que se desbaratam apenas para termos um certificado? Não será, porventura, mais interessante e pertinente pensar o que fazemos, onde o fazemos, como o fazemos, com quem o fazemos?
Não seria mais interessante que os cursos pós graduados respondensem a situações (de dúvidas, de investigação, de análise, de interpretação, de compreensão) e se enquadrassem em contextos (pessoais, sociais, profissionais)?
terça-feira, janeiro 11
das bocas
diz o meu presidente do executivo que, de acordo com comentários oriundos da Direcção Regional (será que são de confiança?, fiáveis?) os concursos de docentes decorrerão este ano por ordem alfabética (a iniciar lá para o final de Fevereiro) e com metodologia tradicional, como antigamente, explicita.
Será que quer dizer feitos à mão?, mas não tinham sido já à mão?
Será que quer dizer feitos à mão?, mas não tinham sido já à mão?
do quotidiano
nas deambulações pelo corredor à procura do que faça ou do que possa fazer numa escola onde os computadores estão ocupados, a biblioteca cheia e não há mais salas, encontro uma aluna. Como não tinha referenciado mais nenhum dos seus possíveis colegas pergunto-lhe se tinha sido mandada para a rua. Diz-me que faltou. Pergunto porquê, por a aula é uma seca. E preferes andar sozinha? Mais vale só que mal acompanhada, diz-me em tom de disputa.
do incómodo
eu sei que é uma situação normal e natural mas não deixa de me incomodar. Andei um dia completo a pensar se escrevia esta posta ou se a deixava passar em branco. Como se nota opto pela partilha.
Um conjunto de pais/encarregados de educação manifestaram ao respectivo D.T. algum incómodo em face das metodologias que adopto na sala de aula e às suas implicações perante os seus educandos.
É-me difícil não tomar posição, ser indiferente, mas resumidamente explico.
A minha opção metodológica vai no sentido do aluno resolver problemas, ultrapassar situações com recurso à disciplina (História) e aos instrumentos que faculta, opto por não apresentar, de modo tradicional, expositivo, unidireccional, passivamente em relação ao aluno os conteúdos (procuro evitar a seca que são as aulas), prefiro a descoberta, a construção, a partilha do conhecimento, a resolução dos problemas. Do ponto de vista teórico será uma mistura (espero que não explosiva) entre metodologias diferenciadoras (com base em processos), a pedagogia da autonomia e componentes construtivistas e da escola moderna.
Ora esta opção tem-se revelado frutífera na conquista de alguns alunos para a disciplina e para o trabalho escolar (uma análise do aproveitamento mostra isso mesmo). Mas há alunos, geralmente e por hábito, uma franja significativa de alunos que na generalidade apresentam níveis elevados e que em face deste tipo de trabalho baixam relativamente o seu rendimento. Foram pais/encarregados de alunos destes alunos que se manifestaram.
Sinto-me de consciência tranquila na procura de propostas, opções, metodologias, estratégias que permitam construir um sentido de escola e do trabalho desenvolvido, do papel e da participação da disciplina nesta construção, da autonomia do aluno, na sua capacitação para a rssolução de problemas, para a organização de ideias, para o seu envolvimento e participação na construção e definição dos seus interesses.
Mas reconheço que me sinto incomodado. Talvez até mais porque o D.T. não estava preparado para responder às questões, quando desde a primeira reunião intercalar lhe apresentei documentação sobre o que faço, como faço, com que características, opções e orientação.
Fico na dúvida do que faço, será correcto? adequado? adaptar-se-á ao aluno? irá ao encontro das suas necessidades? prepará-lo-á para situações futuras? consolidará conhecimentos? promoverá atitudes ou competências?.
Mas sozinho sei que não vou a lado nenhum e que estas situações, já estou algo habituado, surgirão sempre.
Um conjunto de pais/encarregados de educação manifestaram ao respectivo D.T. algum incómodo em face das metodologias que adopto na sala de aula e às suas implicações perante os seus educandos.
É-me difícil não tomar posição, ser indiferente, mas resumidamente explico.
A minha opção metodológica vai no sentido do aluno resolver problemas, ultrapassar situações com recurso à disciplina (História) e aos instrumentos que faculta, opto por não apresentar, de modo tradicional, expositivo, unidireccional, passivamente em relação ao aluno os conteúdos (procuro evitar a seca que são as aulas), prefiro a descoberta, a construção, a partilha do conhecimento, a resolução dos problemas. Do ponto de vista teórico será uma mistura (espero que não explosiva) entre metodologias diferenciadoras (com base em processos), a pedagogia da autonomia e componentes construtivistas e da escola moderna.
Ora esta opção tem-se revelado frutífera na conquista de alguns alunos para a disciplina e para o trabalho escolar (uma análise do aproveitamento mostra isso mesmo). Mas há alunos, geralmente e por hábito, uma franja significativa de alunos que na generalidade apresentam níveis elevados e que em face deste tipo de trabalho baixam relativamente o seu rendimento. Foram pais/encarregados de alunos destes alunos que se manifestaram.
Sinto-me de consciência tranquila na procura de propostas, opções, metodologias, estratégias que permitam construir um sentido de escola e do trabalho desenvolvido, do papel e da participação da disciplina nesta construção, da autonomia do aluno, na sua capacitação para a rssolução de problemas, para a organização de ideias, para o seu envolvimento e participação na construção e definição dos seus interesses.
Mas reconheço que me sinto incomodado. Talvez até mais porque o D.T. não estava preparado para responder às questões, quando desde a primeira reunião intercalar lhe apresentei documentação sobre o que faço, como faço, com que características, opções e orientação.
Fico na dúvida do que faço, será correcto? adequado? adaptar-se-á ao aluno? irá ao encontro das suas necessidades? prepará-lo-á para situações futuras? consolidará conhecimentos? promoverá atitudes ou competências?.
Mas sozinho sei que não vou a lado nenhum e que estas situações, já estou algo habituado, surgirão sempre.
segunda-feira, janeiro 10
do tempo
uma cópia directa do outro lado de mim;
... não sei se o tempo é aquilo que dele fazemos ou se é o tempo que nos faz. Sei é que gostei bastante desta afirmação da Maria com a qual concordo em absoluto.
Permitam-me perguntar, qual é a velocidade da tua imaginação??
... não sei se o tempo é aquilo que dele fazemos ou se é o tempo que nos faz. Sei é que gostei bastante desta afirmação da Maria com a qual concordo em absoluto.
Permitam-me perguntar, qual é a velocidade da tua imaginação??
do desânimo
na passada 6ª feira estiveram de visita à escola duas colegas que aqui realizaram o estágio, há dois anos atrás.
Entre as perguntas da praxe do que fazes, por onde andam, que tal estão, deixaram a ideia de um profundo desânimo sobre a escola e o papel do professor. Cada qual está numa escola, em concelhos diferentes de distritos diferentes ainda que na mesma zona.
Pensei para os meus botões que para haver desânimo, desilusão tem de existir uma diferença, negativa, entre a ideia que inicialmente se construiu e o confronto com a realidade, com um dado contexto. Para além desse aspecto determinante a rigidez das ideias, a difícil flexibilidade na relação com o aluno podem acentuar esse aspecto.
Pergunto-me, que circunstâncias existem para que se acentue este desânimo, se percam ideias e práticas, que os profissionais se acomodem?
Entre as perguntas da praxe do que fazes, por onde andam, que tal estão, deixaram a ideia de um profundo desânimo sobre a escola e o papel do professor. Cada qual está numa escola, em concelhos diferentes de distritos diferentes ainda que na mesma zona.
Pensei para os meus botões que para haver desânimo, desilusão tem de existir uma diferença, negativa, entre a ideia que inicialmente se construiu e o confronto com a realidade, com um dado contexto. Para além desse aspecto determinante a rigidez das ideias, a difícil flexibilidade na relação com o aluno podem acentuar esse aspecto.
Pergunto-me, que circunstâncias existem para que se acentue este desânimo, se percam ideias e práticas, que os profissionais se acomodem?
netcabo
depois de um fim-de-semana sem internet, graças ao serviço da netcabo com razões ainda por mim desconhecidas, apresento-me com a vontade de trocar ideias, debater opiniões, participar na discussão sobre a escola pública e o papel dos professores.
sexta-feira, janeiro 7
da excelência
dois post, um e outro, claramente excelentes.
Por um lado porque se visibiliza que a democracia é muito bonita, interessante do ponto de vista teórico e especulativo, mas que fica bem noutro lado que não aqui, consoante interesses, oportunidades ou objectivos. Tem sido uma particularidade deste governo, defender a democracia e a participação quando lhe convém, quando há interesse quando vamos todos no mesmo barco, para o mesmo sítio (versão homem do leme), caso contrário... (patrões e sindicados desmontaram recentemente esta visão das coisas quando, sem governo, se entenderam).
Outro, mais ao nível de discursos mas que têm, muitas das vezes, correspondências práticas, decorrem daqueles que consideram as Ciências da Educação como a fonte primeira de todos os males, as culpadas de tudo - essencialmente do que é negativo no sistema educativo. Como cria ligações e afectos às competências, determinante no e para o reconhecimento dos diplomas.
Entre um e outro, permitam-me acrescentar dois aspectos.
Um já evidenciado pelo Miguel, é fundamental desmistificar a tese das competências técnicas para o exercício de competências políticas. Por muito bom investigador que se possa ser, por muitos conhecimentos técnicos que se detenham, não significa nem lhe corresponde uma dada competência política. Mas Portugal persiste na procura de uma racionalidade técnica para a competência política - depois há os erros de casting.
Outra que para a profissão docente o mais importante é o sentimento das vocações, mais que conhecimentos científicos ou competências técnicas. Tal como para a enfermagem.
Por um lado porque se visibiliza que a democracia é muito bonita, interessante do ponto de vista teórico e especulativo, mas que fica bem noutro lado que não aqui, consoante interesses, oportunidades ou objectivos. Tem sido uma particularidade deste governo, defender a democracia e a participação quando lhe convém, quando há interesse quando vamos todos no mesmo barco, para o mesmo sítio (versão homem do leme), caso contrário... (patrões e sindicados desmontaram recentemente esta visão das coisas quando, sem governo, se entenderam).
Outro, mais ao nível de discursos mas que têm, muitas das vezes, correspondências práticas, decorrem daqueles que consideram as Ciências da Educação como a fonte primeira de todos os males, as culpadas de tudo - essencialmente do que é negativo no sistema educativo. Como cria ligações e afectos às competências, determinante no e para o reconhecimento dos diplomas.
Entre um e outro, permitam-me acrescentar dois aspectos.
Um já evidenciado pelo Miguel, é fundamental desmistificar a tese das competências técnicas para o exercício de competências políticas. Por muito bom investigador que se possa ser, por muitos conhecimentos técnicos que se detenham, não significa nem lhe corresponde uma dada competência política. Mas Portugal persiste na procura de uma racionalidade técnica para a competência política - depois há os erros de casting.
Outra que para a profissão docente o mais importante é o sentimento das vocações, mais que conhecimentos científicos ou competências técnicas. Tal como para a enfermagem.
quinta-feira, janeiro 6
do abandono
ontem tive a notícia que uma aluna de 8º ano, com 16 anos feitos no final do ano passado, abandonou a escola. Ainda por cima com a concordância, segundo disseram, dos pais.
Com 16 anos, frequência de coisa nenhuma, fracas capacidades e cultura escassa que poderá esperar esta rapariga do futuro?
Desde início do ano já me desapareceram 5 alunos, é obra. Daí o meu comentário do feitio.
Com 16 anos, frequência de coisa nenhuma, fracas capacidades e cultura escassa que poderá esperar esta rapariga do futuro?
Desde início do ano já me desapareceram 5 alunos, é obra. Daí o meu comentário do feitio.
dos sinais
um dos posts perdidos era uma expressivo agradecimento aos sinais do Miguel.
Desde que tive oportunidade (e o prazer) de o encontrar nesta blogosfera que partilho muitas das suas ideias, que comungo das suas opiniões, que sinto muito do seu sentir. Mas, por uma outra razão (algumas impertinentes) acrescento sempre um ponto, uma vírgula, uma ideia. Debato opiniões, troco ideias.
Nos seus sinais não faço nada, limito-me a agradecer-te a ideia, o momento feliz (digo eu) da tua escrita e dos teus sentimentos.
Reconheço-me em todas as letras, em todas as palavras, em toda a entoação desses teus sinais.
Obrigado Miguel.
p.s. sinto muito mas não trago boas novas, ainda não as reconheci, ainda não as perspectivei no meio das conversas por onde procuro mostrar ideias, trocar pontos de vista, por onde tenho andado a dizer às pessoas para lerem o que se escreve nesta blogosfera, já que a minha voz (de burro) dificilmente chegará ao céu. Mas não desisto.
Desde que tive oportunidade (e o prazer) de o encontrar nesta blogosfera que partilho muitas das suas ideias, que comungo das suas opiniões, que sinto muito do seu sentir. Mas, por uma outra razão (algumas impertinentes) acrescento sempre um ponto, uma vírgula, uma ideia. Debato opiniões, troco ideias.
Nos seus sinais não faço nada, limito-me a agradecer-te a ideia, o momento feliz (digo eu) da tua escrita e dos teus sentimentos.
Reconheço-me em todas as letras, em todas as palavras, em toda a entoação desses teus sinais.
Obrigado Miguel.
p.s. sinto muito mas não trago boas novas, ainda não as reconheci, ainda não as perspectivei no meio das conversas por onde procuro mostrar ideias, trocar pontos de vista, por onde tenho andado a dizer às pessoas para lerem o que se escreve nesta blogosfera, já que a minha voz (de burro) dificilmente chegará ao céu. Mas não desisto.
perdidos e achados
não sei se aparecerão dois post que escrevi e que não me aparecem por dificuldades de acesso à rede, para o caso de não aparecerem tento recolocá-los no seu lugar, provavelmente com outras letras, outras palavras, mas certo das mesmas intenções.
do feitio
uma das coisas que faz com algumas pessoas me rotulem de mau feitio decorre de ficar profundamente irritado com os comentários depriciativos, as observações jogosas em face de um aluno ter abandonado a escola.
Há pessoas que parecem ter ficado contentes, há comentários que remtem para metáforas relacionadas com lixo e tapetes, como se os alunos fossem lixo. Se assim fosse o que seriam então so professores?
Há pessoas que parecem ter ficado contentes, há comentários que remtem para metáforas relacionadas com lixo e tapetes, como se os alunos fossem lixo. Se assim fosse o que seriam então so professores?
quarta-feira, janeiro 5
dos desafios
...e da confiança.
Muito do que se joga nas próximas eleições vai no sentido de criar desafios e assegurar factores de confiança entre o Estado e quem o administra, o governo, e os cidadãos. E este pode ser um passo essencial na construção da escola pública e da reinvenção do nosso quotidiano.
Tentarei, ainda que sucintamente, explicar.
A relação entre o Estado e o cidadão tem sido marcada, desde Salazar, pela desconfiança, pelo princípio assumido que quem não está no Terreiro do Paço não sabe, não pode, não tem conhecimentos, não domina a terminologia, os mecanismos os instrumentos que permitam gerir e administrar o seu domínio. Vai daí e as sucessivas tentativas são de controlar e comandar tudo e todos a partir daquele espaço mais que simbólico. A concentração de poderes, a assunção de funções a isso tem conduzido e reforçado essa situação - singelas tentativas foram feitas em sentido contrário, mais com base em atitudes pessoais, do que com sentido e orientação estratégica.
Quando se desconcentraram poderes, quando se deslocalizaram espaços, quando se autonomizaram funções, quando se delegaram poderes há, quase sempre, duas interrogações.
Por um lado, será que o Estado quer aliviar responsabilidades ou quer justificar atitudes ainda mais concentracionários. Ou, por outro lado, qual será a bandeira eleitoral a jogar porque o pobre desconfia sempre da boda.
Ora está na hora, é tempo do Estado, na figura do seu futuro gestor, assumir uma relação de confiança com o cidadão, assumir que este é maior e vacinado, que tem competências e saberes próprios, que hage de boa fé e com sentido de Estado, que procura, na individualização da gestão, o bem comum e a salvaguarda do interesse colectivo.
Que há excepções? obviamente, que há gatunos e incompetentes, também. Há que criar os mecanismos que permitam minimizar essas situações, definir instrumentos que permitam avaliar competências e práticas, corrigir disfunções.
Depois talvez exista espaço e tempo para que a escola seja um espaço diferente, diferenciador e estimulante para alunos e professores, pais/encarregados de educação e funcionários, autarquias e outros interesses locais.
Depois talvez seja possível repensar a escola.
Muito do que se joga nas próximas eleições vai no sentido de criar desafios e assegurar factores de confiança entre o Estado e quem o administra, o governo, e os cidadãos. E este pode ser um passo essencial na construção da escola pública e da reinvenção do nosso quotidiano.
Tentarei, ainda que sucintamente, explicar.
A relação entre o Estado e o cidadão tem sido marcada, desde Salazar, pela desconfiança, pelo princípio assumido que quem não está no Terreiro do Paço não sabe, não pode, não tem conhecimentos, não domina a terminologia, os mecanismos os instrumentos que permitam gerir e administrar o seu domínio. Vai daí e as sucessivas tentativas são de controlar e comandar tudo e todos a partir daquele espaço mais que simbólico. A concentração de poderes, a assunção de funções a isso tem conduzido e reforçado essa situação - singelas tentativas foram feitas em sentido contrário, mais com base em atitudes pessoais, do que com sentido e orientação estratégica.
Quando se desconcentraram poderes, quando se deslocalizaram espaços, quando se autonomizaram funções, quando se delegaram poderes há, quase sempre, duas interrogações.
Por um lado, será que o Estado quer aliviar responsabilidades ou quer justificar atitudes ainda mais concentracionários. Ou, por outro lado, qual será a bandeira eleitoral a jogar porque o pobre desconfia sempre da boda.
Ora está na hora, é tempo do Estado, na figura do seu futuro gestor, assumir uma relação de confiança com o cidadão, assumir que este é maior e vacinado, que tem competências e saberes próprios, que hage de boa fé e com sentido de Estado, que procura, na individualização da gestão, o bem comum e a salvaguarda do interesse colectivo.
Que há excepções? obviamente, que há gatunos e incompetentes, também. Há que criar os mecanismos que permitam minimizar essas situações, definir instrumentos que permitam avaliar competências e práticas, corrigir disfunções.
Depois talvez exista espaço e tempo para que a escola seja um espaço diferente, diferenciador e estimulante para alunos e professores, pais/encarregados de educação e funcionários, autarquias e outros interesses locais.
Depois talvez seja possível repensar a escola.
funções
o Miguel levanta [outra vez] um conjunto sério de questões pertinentes que pelas suas características e pelas relações que implicam correm o sério risco de se tornarem impertinentes.
Mas caro amigo permite-me responder negativamente à questão que levantas em último lugar [A unilateralidade da oferta da dimensão lectiva não ameaçará a eficácia das funções da escola].
Respondo que não, pois as dimensões da escola decorrem de dois pontos diferenciados e diferenciadores.
Por um lado, de um poder ausente, essencialmente regulamentador que pretende uniformizar e comandar tudo e todos qual ser omnipresente e omnisciente (que há muito não é mas que teima em reconhecer).
Por outro, da construção local e social que é feita da escola, da apropriação de modos e sentidos, das múltiplas intepretações que são feitas, isto é, da vida que é vivida
Uma desvantagem óbvia, os actores sociais jogam de acordo com os seus interesses e objectivos, na prevalência de uma ou de outra consoante o geito, os interesses e as relações que se tecem.
Uma clara vantagem, que justifica a negação à tua questão, a escola nunca é unilateral na sua oferta, por muito que se queira, teime ou persista nessa ideia. A organização, o modo como se coloca a oferta, esse sim pode ser unilateral.
Mas caro amigo permite-me responder negativamente à questão que levantas em último lugar [A unilateralidade da oferta da dimensão lectiva não ameaçará a eficácia das funções da escola].
Respondo que não, pois as dimensões da escola decorrem de dois pontos diferenciados e diferenciadores.
Por um lado, de um poder ausente, essencialmente regulamentador que pretende uniformizar e comandar tudo e todos qual ser omnipresente e omnisciente (que há muito não é mas que teima em reconhecer).
Por outro, da construção local e social que é feita da escola, da apropriação de modos e sentidos, das múltiplas intepretações que são feitas, isto é, da vida que é vivida
Uma desvantagem óbvia, os actores sociais jogam de acordo com os seus interesses e objectivos, na prevalência de uma ou de outra consoante o geito, os interesses e as relações que se tecem.
Uma clara vantagem, que justifica a negação à tua questão, a escola nunca é unilateral na sua oferta, por muito que se queira, teime ou persista nessa ideia. A organização, o modo como se coloca a oferta, esse sim pode ser unilateral.
silêncio
a escola em peso prestou homenagem, à semelhança, segundo sei, do país e da Europa, às
vítimas do sudeste asiático.
um silêncio de quando em quando quebrado por sorrisos soltos de um nervoso miudinho de quem ainda não sabe estar em silêncio, não sabe ainda lidar com a ausência da palavra e se sente constrangido(a).
Mas gostei, foi respeitador, tolerante e, digo eu que na generalidade das cabecinhas, um silêncio sentido.
vítimas do sudeste asiático.
um silêncio de quando em quando quebrado por sorrisos soltos de um nervoso miudinho de quem ainda não sabe estar em silêncio, não sabe ainda lidar com a ausência da palavra e se sente constrangido(a).
Mas gostei, foi respeitador, tolerante e, digo eu que na generalidade das cabecinhas, um silêncio sentido.
terça-feira, janeiro 4
baril
após as reuniões com encarregados de educação uma colega directora de turma diz-se impotente para arranjar alternativas ao desassossego de uma turma, onde os pais questionam por alternativas para os filhos e educandos.
Onde procurar alternativas, que alternativas procurar a si mesma? eis uma das questões que se podem colocar nestes tempos.
Onde procurar alternativas, que alternativas procurar a si mesma? eis uma das questões que se podem colocar nestes tempos.
conversas
valente conversa esta de início de ano, que segue por diferentes lados e com diferentes direcções e perante a qual, em face da minha notória estupidificação, sinto dificuldades em colaborar, em participar.
Mas, ainda assim, arrisco a acrescentar um pequeno pormenor que, em meu entender, faz um pouco de diferença.
A escola diferente, a construção de sentidos, a apresentação de propostas alternativas terá de se iniciar em cada prática lectiva, em cada docente, no enfrentar das situações e na procura de respostas capazes de ultrapassar situações menos boas, minimizar ou mesmo resolver problemas.
As propostas, as alternativas têm mais oportunidade de sucesso quando construídas local e colectivamente, com recurso à participação, ao diálogo, ao debate e à troca de ideias estando certos que não há uma resposta, como não há um consenso, nem uma medida única e positiva. Há ideias, há práticas, há ideias (ou deveriam existir) perante a qual se estruturam e organizam propostas (ou deveriam organizar).
A questão, sabida e algo consensualizada, é que cada docente trabalha para seu lado, de acordo com lógicas individuais e muito próprias, quase que com receio de partilhar vontades, quebrar barreiras, saltar muros. Progressivamente vão-se registando pequenos avanços, pequenas conquistas que há que maximizar e saber valorizar.
E a blogosfera tem tido um papel determinante na construção do(s) nosso(s) sentido(s) de escola. Imaginem se estivessemos todos juntos, que multidão não seríamos.
Mas, ainda assim, arrisco a acrescentar um pequeno pormenor que, em meu entender, faz um pouco de diferença.
A escola diferente, a construção de sentidos, a apresentação de propostas alternativas terá de se iniciar em cada prática lectiva, em cada docente, no enfrentar das situações e na procura de respostas capazes de ultrapassar situações menos boas, minimizar ou mesmo resolver problemas.
As propostas, as alternativas têm mais oportunidade de sucesso quando construídas local e colectivamente, com recurso à participação, ao diálogo, ao debate e à troca de ideias estando certos que não há uma resposta, como não há um consenso, nem uma medida única e positiva. Há ideias, há práticas, há ideias (ou deveriam existir) perante a qual se estruturam e organizam propostas (ou deveriam organizar).
A questão, sabida e algo consensualizada, é que cada docente trabalha para seu lado, de acordo com lógicas individuais e muito próprias, quase que com receio de partilhar vontades, quebrar barreiras, saltar muros. Progressivamente vão-se registando pequenos avanços, pequenas conquistas que há que maximizar e saber valorizar.
E a blogosfera tem tido um papel determinante na construção do(s) nosso(s) sentido(s) de escola. Imaginem se estivessemos todos juntos, que multidão não seríamos.
ideias
reconheço e assumo que neste início de ano ando com poucas ideias e menos vontade ainda de escrever.
Sinto-me algo estupidificado, ontem à noite tive uma clara manifestação deste meu estado de espírito, quando me degladiava interiormente entre o que fazer e o que ler...
Nada que, espero eu, não passe ao fim de uns quantos dias de trabalho e de retorno ao ritmo do dia-a-dia.
Sinto-me algo estupidificado, ontem à noite tive uma clara manifestação deste meu estado de espírito, quando me degladiava interiormente entre o que fazer e o que ler...
Nada que, espero eu, não passe ao fim de uns quantos dias de trabalho e de retorno ao ritmo do dia-a-dia.
segunda-feira, janeiro 3
começou
com alguma pouca vontade, há que reconhecer, com alguns quilinhos generalizadamente a mais, algumas olheiras de boa disposição e uma noite também generalizada e assumidamente mal dormida, lá começou o mesmo quotidiano da escola.
Os confrontos, a gestão dos interesses, a disputa dos interessados, a procura de sentidos, a construção de objectivos. Está lá quase tudo.
O que falta? a minha pessoa a tempo inteiro, que ainda estou em jet leg (é assim que se escreve?).
Os confrontos, a gestão dos interesses, a disputa dos interessados, a procura de sentidos, a construção de objectivos. Está lá quase tudo.
O que falta? a minha pessoa a tempo inteiro, que ainda estou em jet leg (é assim que se escreve?).
domingo, janeiro 2
de regresso
... e pronto, terminada a pausa é tempo de arrumar a pasta, arregimentar livros e blocos, recolocar lápis e canetas e regressar à escolinha, ao convívio de professores, alunos e funcionários, a palmilhar kms, a comer pouco (o que só me favorece e compensa alguns excessos natalícios), a iniciar o corre-corre de ir levar os filhotes, preparar e organizar sessões, apoiar os filhos (meus e de outros que solicitaram essa colaboração)...
afinal, é a nossa vida que, felizmente, continua.
afinal, é a nossa vida que, felizmente, continua.
sábado, janeiro 1
do conhecimento
no zapping que faço dou com uma pergunta curiosa num blogue oriundo do Brasil, qual a qualidade mais importante em um professor? as opções são várias: dinamismo, criatividade, conhecimento, afectividade, organização.
estas amostras valem o que valem, se é que valem alguma coisa, mas passem por lá para ver qual o resultado, qual a qualidade mais apreciada. Surpresa? nem tanto.
estas amostras valem o que valem, se é que valem alguma coisa, mas passem por lá para ver qual o resultado, qual a qualidade mais apreciada. Surpresa? nem tanto.
do gosto
já por várias vezes estive para escrever sobre uma surpresa. Não passa de agora uma vez que se lhe juntou o argumento do prazer e é em tempo de escrever sobre um gosto, o meu, o de trabalhar na escola.
Há tempos um colega ficou espantado por ter conhecido, em carne e osso, esta minha pessoa. Perguntei qual o espanto, afirmou que lhe era difícil acreditar que era eu mesmo, aquele que assina estes textos, cujo nome aparece como irresponsável pelas ideias e opiniões que aqui se desbaratam e que ele acompanha desde o início desta escrita, umas vezes com concordância outras nem tanto.
Não sei se sou aquilo que escrevo ou se escrevo aquilo que sou. Sei e aí restam-me poucas dúvidas na ângustia das minhas incertezas, que escrevo sobre o que gosto, o que me marca, o que sinto e que escrevo sobre aquilo que sou.
E agora em amenas cavaqueiras em torno do Natal e da passagem de ano alguém me diz que se nota o gosto por aquilo que faço. Como seria possível fazê-lo de outro modo, sem gosto, sem ilusão, sem sonhos, sem paixões.
Reside nesta pequena circunstância muito do que sou, algum já aqui o escrevi, emoção na ponta dos dedos, fazer da minha emoção a minha razão, procurar a razão onde ela esteja, onde se acomode.
A escola é apenas um espaço de operacionalização de vontades, de descoberta de emoções, de busca de razões, de confronto de seres. Por isso gosto da escola. Por isso gosto do que faço.
Para mim é perfeitamente impensável não pensar aquilo que faço, não procurar alternativas, não questionar as minhas razões, não procurar outras razões. Procuro compreender, interpretar, perceber o que faço, como faço, porque o faço, com quem o faço. Reside aqui muita da minha emoção, muito do gosto que sinto por aquilo que faço.
E não tem que ser apenas e em exclusivo sobre a docência.
Há tempos um colega ficou espantado por ter conhecido, em carne e osso, esta minha pessoa. Perguntei qual o espanto, afirmou que lhe era difícil acreditar que era eu mesmo, aquele que assina estes textos, cujo nome aparece como irresponsável pelas ideias e opiniões que aqui se desbaratam e que ele acompanha desde o início desta escrita, umas vezes com concordância outras nem tanto.
Não sei se sou aquilo que escrevo ou se escrevo aquilo que sou. Sei e aí restam-me poucas dúvidas na ângustia das minhas incertezas, que escrevo sobre o que gosto, o que me marca, o que sinto e que escrevo sobre aquilo que sou.
E agora em amenas cavaqueiras em torno do Natal e da passagem de ano alguém me diz que se nota o gosto por aquilo que faço. Como seria possível fazê-lo de outro modo, sem gosto, sem ilusão, sem sonhos, sem paixões.
Reside nesta pequena circunstância muito do que sou, algum já aqui o escrevi, emoção na ponta dos dedos, fazer da minha emoção a minha razão, procurar a razão onde ela esteja, onde se acomode.
A escola é apenas um espaço de operacionalização de vontades, de descoberta de emoções, de busca de razões, de confronto de seres. Por isso gosto da escola. Por isso gosto do que faço.
Para mim é perfeitamente impensável não pensar aquilo que faço, não procurar alternativas, não questionar as minhas razões, não procurar outras razões. Procuro compreender, interpretar, perceber o que faço, como faço, porque o faço, com quem o faço. Reside aqui muita da minha emoção, muito do gosto que sinto por aquilo que faço.
E não tem que ser apenas e em exclusivo sobre a docência.
do incrível
por muito que possa parecer, pelo menos à minha pessoa, aí está um novo ano, com vícios e virtudes velhas, velhinhas. Umas para garantir que por cá andamos, outras para termos a certeza que precisamos de continuar a lutar e a trabalhar por aquilo que queremos, outras ainda para trabalharmos para aquelas que julgamos que mercemos.
Enfim... ano novo vida velha.
os mesmos problemas, os mesmos anseios, os mesmos desejos, as mesmas vontades. Mudou o ano, podia apenas ter mudado o mês.
Enfim... ano novo vida velha.
os mesmos problemas, os mesmos anseios, os mesmos desejos, as mesmas vontades. Mudou o ano, podia apenas ter mudado o mês.
terça-feira, dezembro 28
não esquecer
uma vez que a minha presença por esta lado está algo intermitente, por razões já referidas, lanço publicamente um post it de não esquecer.
O Miguel (agora com novo look, numa procura quase incessante de alternativas, de ideias) fará um ano por estas paragens, a escrever sobre com um olhar dirigido à escola.
Obrigado pela companhia, obrigado pela amizade, obrigado pelo olhar que me ajudas a ter.
Venha mais um, pelo menos.
O Miguel (agora com novo look, numa procura quase incessante de alternativas, de ideias) fará um ano por estas paragens, a escrever sobre com um olhar dirigido à escola.
Obrigado pela companhia, obrigado pela amizade, obrigado pelo olhar que me ajudas a ter.
Venha mais um, pelo menos.
as últimas
é a última semana do ano, tempo, para muitos, de balanço, de diferenças entre o deve e o haver.
Não me levem a mal, mas abstenho-me dessa contabilidade. E faço-o por duas razões, ambas pessoais.
A primeira é que os balanços são sempre, ou devem ser, pessoais, entre aquilo que foi definido como ponto de partida e o que é desejável como ponto de chegada. Daí ser abusivo da minha parte querer analisar aquilo que não sei de onde partiu nem onde quer chegar.
Segundo, efectivamente o ano que se apresta para terminar não foi bom cá para casa. A saúde e a idade começam a determinar a cor dos dias, o contar do tempo. O melhor balanço a este nível decorreu de uma frase do meu pai que quando ouviu alguém dizer que foi mais um Natal ele corrigiu e disse, foi menos um.
Não me levem a mal, mas abstenho-me dessa contabilidade. E faço-o por duas razões, ambas pessoais.
A primeira é que os balanços são sempre, ou devem ser, pessoais, entre aquilo que foi definido como ponto de partida e o que é desejável como ponto de chegada. Daí ser abusivo da minha parte querer analisar aquilo que não sei de onde partiu nem onde quer chegar.
Segundo, efectivamente o ano que se apresta para terminar não foi bom cá para casa. A saúde e a idade começam a determinar a cor dos dias, o contar do tempo. O melhor balanço a este nível decorreu de uma frase do meu pai que quando ouviu alguém dizer que foi mais um Natal ele corrigiu e disse, foi menos um.
quinta-feira, dezembro 23
críticas
na sequência da ideia anterior, uma outra que ouvi há dias e que me ficou a morder as célulazitas cinzentas, as poucas que tenho.
Disseram que há quem crítique por tudo e por nada, aponte os defeitos, trace o pior dos cenários, o maior das cataclismos mas instado a mudar debate-se na e pela preservação do satus quo, da sua tradição de crítica, na obstinência de que tudo o que possa mudar é ou poderá ser para pior e que mais vale estar como está, pelo menos já se sabe com o que se conta, em detrimento de apostar no arrojo da mudança.
Esta é uma das características do nosso país, da nossa cultura.
Disseram que há quem crítique por tudo e por nada, aponte os defeitos, trace o pior dos cenários, o maior das cataclismos mas instado a mudar debate-se na e pela preservação do satus quo, da sua tradição de crítica, na obstinência de que tudo o que possa mudar é ou poderá ser para pior e que mais vale estar como está, pelo menos já se sabe com o que se conta, em detrimento de apostar no arrojo da mudança.
Esta é uma das características do nosso país, da nossa cultura.
fatalismo
tenho que agradecer os comentários colocados na minha posta anterior.
Considero eu, de acordo com a minha interpretação, que não são nem contraditórios, nem opostos.
Não me considero um fatalista, um caso acabado de impossibilidade de actuar, de agir, de contrariar situações. Mas reconheço que a minha visão do mundo, este meu olhar, é por muitos designado de pessimista - eu prefiro realista.
Não deixa de ser engraçado que o Paulo destaca da minha escrita o fatalismo mas também a condição de o ultrapassar, a esperança de lutar contra os "fatalismo".
Esta é uma ideia que há muito defendo, a solução, as hipóteses de futuro estão em nós e não existem exteriormente ao contexto do problema. É exactamente nesta referência que considero (e prezo) a cumplicidade criada com o Miguel.
Considero eu, de acordo com a minha interpretação, que não são nem contraditórios, nem opostos.
Não me considero um fatalista, um caso acabado de impossibilidade de actuar, de agir, de contrariar situações. Mas reconheço que a minha visão do mundo, este meu olhar, é por muitos designado de pessimista - eu prefiro realista.
Não deixa de ser engraçado que o Paulo destaca da minha escrita o fatalismo mas também a condição de o ultrapassar, a esperança de lutar contra os "fatalismo".
Esta é uma ideia que há muito defendo, a solução, as hipóteses de futuro estão em nós e não existem exteriormente ao contexto do problema. É exactamente nesta referência que considero (e prezo) a cumplicidade criada com o Miguel.
quarta-feira, dezembro 22
alternativas
em face de um eventual balanço das reuniões de avaliação uma ideia marcou presença constante na minha cabecinha.
O que pode e deve fazer a escola, entendam-se docentes, elementos da gestão, pais/encarregados de educação eventualmente autarquia, para além, obviamente das estruturas do ME, para ultrapassar o desinteresse dos alunos, o seu manifesto alheamento em face de realidades tão divergentes quanto dispares, a ausência de objectivos que passem pela escola?
Isto porque e em resultado das reuniões de 1º período, decorrido pouco mais de dois meses de aulas (em virtude do caricato que foi o arranque deste ano lectivo) um aluno excluído por faltas (fora da escolaridade obrigatória), 4 ou 5 com excesso de faltas à generalidade das disciplinas (mas dentro da escolaridade) e 5 ou 6 alunos com mais de 8 níveis inferiores a três, tudo isto num universo pessoal de pouco mais de 170 alunos. Talvez números irrisórios, percentagens desprezáveis, apenas danos colaterais. Não o considero assim. E por não o considerar permitam-me perguntar que andamos nós a fazer por estas paragens, que circunstâncias definimos nós para não vermos que é um futuro que se hipoteca, quem somos nós para fingir que está tudo bem, que o problema não é nosso?
Que não temos as melhores condições? é verdade. Que estamos saturados? mais ainda. Que o modelo organizacional de escola está desajustado? concordo. Que não podemos fazer mais? não concordo. Há espaço, oportunidade, condição e legitimidade para lutarmos por um outro sucesso. Temos de criar alternativas e deve ser a escola a criar essas alternativas.
O que pode e deve fazer a escola, entendam-se docentes, elementos da gestão, pais/encarregados de educação eventualmente autarquia, para além, obviamente das estruturas do ME, para ultrapassar o desinteresse dos alunos, o seu manifesto alheamento em face de realidades tão divergentes quanto dispares, a ausência de objectivos que passem pela escola?
Isto porque e em resultado das reuniões de 1º período, decorrido pouco mais de dois meses de aulas (em virtude do caricato que foi o arranque deste ano lectivo) um aluno excluído por faltas (fora da escolaridade obrigatória), 4 ou 5 com excesso de faltas à generalidade das disciplinas (mas dentro da escolaridade) e 5 ou 6 alunos com mais de 8 níveis inferiores a três, tudo isto num universo pessoal de pouco mais de 170 alunos. Talvez números irrisórios, percentagens desprezáveis, apenas danos colaterais. Não o considero assim. E por não o considerar permitam-me perguntar que andamos nós a fazer por estas paragens, que circunstâncias definimos nós para não vermos que é um futuro que se hipoteca, quem somos nós para fingir que está tudo bem, que o problema não é nosso?
Que não temos as melhores condições? é verdade. Que estamos saturados? mais ainda. Que o modelo organizacional de escola está desajustado? concordo. Que não podemos fazer mais? não concordo. Há espaço, oportunidade, condição e legitimidade para lutarmos por um outro sucesso. Temos de criar alternativas e deve ser a escola a criar essas alternativas.
domingo, dezembro 19
intermitente
em virtude da época, dos preparativos da festa e, essencialmente, decorrente da pausa pedagógica este espaço será actualizado com alguma intermitência, tal qual as luzes da minha árvore de Natal, entre o apagado e o acesso, a mudança das cores, o brilho das luzes.
Já agora aproveito para desejar a todos aqueles que por aqui passam e que resistem obstinadamente a lerem-me um FELIZ NATAL e uma pausa reconfortante. Portem-se bem... se puderem.
Já agora aproveito para desejar a todos aqueles que por aqui passam e que resistem obstinadamente a lerem-me um FELIZ NATAL e uma pausa reconfortante. Portem-se bem... se puderem.
reforço
entre o faz-de-conta que, estou certo, muitos se recusarão a acreditar e menos ainda a assumir, há constatações em que alguém me pergunta no meio de uma das reuniões de avaliação, entre o surpreso e o incrédulo, se ainda acredito no Pai Natal.
Acredito, quero continuar a acreditar e trabalho para que acreditemos. Vale a pena acreditar. Quando não acreditar mudo de profissão.
Acredito, quero continuar a acreditar e trabalho para que acreditemos. Vale a pena acreditar. Quando não acreditar mudo de profissão.
reunião de pais
apesar de estarmos em época de avaliações, balanços e coisas que tais, hoje, a partir da paixão, dei com o blogue reunião de pais, de uma colega que, deste modo, abriu um espaço que considero determinante para a escola, para a sua afirmação e para a criação das necessárias pontes entre pais e professores, afinal estamos interessdos no mesmo, no sucesso e no futuro sejam filhos ou alunos.
As temáticas são deveras interessantes e o olhar permite encarar o processo sob múltiplos aspectos, alguns que por vezes passam despercebidos.
As temáticas são deveras interessantes e o olhar permite encarar o processo sob múltiplos aspectos, alguns que por vezes passam despercebidos.
sexta-feira, dezembro 17
informação
fui hoje informado do resultado do concurso para directores de serviço da DREAlentejo, ao qual fui oponente.
Obviamente excluído.
que a nomeação é política até aceito e concordo, não esperava é que fossem tão evidentes, tão descarados na argumentação da nomeação dos seus orange boys.
o futuro governo irá trabalhar com estes senhores, não tem outro remédio, e estou certo que os agora nomeados terão o descaramento de ali permanecer, obviamente que por razões técnicas, dirão eles como autojustificação.
tá bem tá.
Obviamente excluído.
que a nomeação é política até aceito e concordo, não esperava é que fossem tão evidentes, tão descarados na argumentação da nomeação dos seus orange boys.
o futuro governo irá trabalhar com estes senhores, não tem outro remédio, e estou certo que os agora nomeados terão o descaramento de ali permanecer, obviamente que por razões técnicas, dirão eles como autojustificação.
tá bem tá.
reuniões
começo hoje as reuniões de avaliação.
a preocupação dos meus colegas é que falemos pouco, não é por uma questão de errar pouco, é para que nos despachemos depressa.
a preocupação dos meus colegas é que falemos pouco, não é por uma questão de errar pouco, é para que nos despachemos depressa.
quarta-feira, dezembro 15
ensinar e aprender
há dias cruzei-me, na minha escola, com um colega de lides passadas. Entre a admiração do encontro ali e naquele momento e o matar a curiosidade de alguns porquês, tão rápido quanto um intervalo permite, fiquei a saber que está na Inspecção, isto é, é inspector.
De figura constrangedora a imagem repressiva (dadas as suas origens e os seus objectivos) nada condiz com a ideia da inspecção que, por força de uma relação passada, construi sobre a inspecção e o inspector (pode ser que esteja, como em muitas outras coisas) enganado ou errado.
Eu digo do porquê.
Estava eu há pouco tempo num órgão de gestão e com pouco mais de uma mão cheia de anos de serviço, quando tenho o privilégio de conhecer a acção da inspecção e o trabalho de um inspector em concreto.
Entre as conversas oficiais e uma relação oficiosa (a intervenção durou pouco mais de uma semana) que a partir dali se estabeleceu, muito eu aprendi com aquele senhor de quem guardo, ainda hoje e sempre que tenho o prazer de o encontrar, uma saudade e um reconhecimento quase que de aluno dedicado.
Muito do que sei sobre a gestão a ele o devo, muito do que aprendi sobre a lógica de funcionamento da administração pública foi com ele, muitos dos modos de entender e tratar com a máquina burocrática da educação a ele o devo.
Pela necessidade e pela curiosidade que em mim despertou passados poucos anos e ainda em exercício de funções senti necessidade de aprender um pouco mais e iniciei um percuro (de formação e aprendizagem) que ainda hoje não abandonei, o de conhecer e compreender as lógicas de interacção da escola.
Obrigado, inspector.
De figura constrangedora a imagem repressiva (dadas as suas origens e os seus objectivos) nada condiz com a ideia da inspecção que, por força de uma relação passada, construi sobre a inspecção e o inspector (pode ser que esteja, como em muitas outras coisas) enganado ou errado.
Eu digo do porquê.
Estava eu há pouco tempo num órgão de gestão e com pouco mais de uma mão cheia de anos de serviço, quando tenho o privilégio de conhecer a acção da inspecção e o trabalho de um inspector em concreto.
Entre as conversas oficiais e uma relação oficiosa (a intervenção durou pouco mais de uma semana) que a partir dali se estabeleceu, muito eu aprendi com aquele senhor de quem guardo, ainda hoje e sempre que tenho o prazer de o encontrar, uma saudade e um reconhecimento quase que de aluno dedicado.
Muito do que sei sobre a gestão a ele o devo, muito do que aprendi sobre a lógica de funcionamento da administração pública foi com ele, muitos dos modos de entender e tratar com a máquina burocrática da educação a ele o devo.
Pela necessidade e pela curiosidade que em mim despertou passados poucos anos e ainda em exercício de funções senti necessidade de aprender um pouco mais e iniciei um percuro (de formação e aprendizagem) que ainda hoje não abandonei, o de conhecer e compreender as lógicas de interacção da escola.
Obrigado, inspector.
terça-feira, dezembro 14
argumentos
puxo para este meu espaço um conjunto de ideias (mais um) onde se procuram afirmar pontos de vista.
Uma das coisas que gosto no Carlos é a sua afirmação, sem intransigências (pelo menos até ao momento) do seu olhar mais à direita ou talvez ele prefira sem sítio próprio de se estar, apenas na defesa de um outro olhar da escola.
Apresenta argumentos onde procura contrariar o meu olhar da escola. Deixo o meu comentário com o pedido de leitura às ideias expressas pelo Carlos:
... na generalidade e em face das afirmações, de alguns dos argumentos utilizados, até quase que concordo. Contudo tenho de acrescentar o que o Carlos há muito sabe, é que para além da história, das línguas, das ciências e de todas as outras disciplinas também se ensinam relações, modos de ver e interpretar o mundo, de construir o conhecimento e de nos construirmos como pessoas, como diz e bem o Miguel. A treta é que querer fazer isso sem considerar que a escola é "um palco de poder" (como afirmas e bem) é querer ignorar que ali se expressam relações de poder, de afectos, de amizades, de conhecimentos, onde uns e outros procuram o seu lugar e o seu espaço de afirmação. Querer que isto se fique pela amizade é simplesmente exigir a preponderância, a supremacia de uns perante outros, é assumir que uns são melhores que os outros. É querer fazer o que a direita há muito pugna em Portugal, que há um modo correcto, adequado de fazer as coisas. Ora eu considero que há muitos, alguns até divergentes, por vezes contraditórios, mas tão correctos quanto a honestidade e a simplicidade de quem quer fazer.
E que a troca de ideias continue, a escola agradece. E eu também.
Uma das coisas que gosto no Carlos é a sua afirmação, sem intransigências (pelo menos até ao momento) do seu olhar mais à direita ou talvez ele prefira sem sítio próprio de se estar, apenas na defesa de um outro olhar da escola.
Apresenta argumentos onde procura contrariar o meu olhar da escola. Deixo o meu comentário com o pedido de leitura às ideias expressas pelo Carlos:
... na generalidade e em face das afirmações, de alguns dos argumentos utilizados, até quase que concordo. Contudo tenho de acrescentar o que o Carlos há muito sabe, é que para além da história, das línguas, das ciências e de todas as outras disciplinas também se ensinam relações, modos de ver e interpretar o mundo, de construir o conhecimento e de nos construirmos como pessoas, como diz e bem o Miguel. A treta é que querer fazer isso sem considerar que a escola é "um palco de poder" (como afirmas e bem) é querer ignorar que ali se expressam relações de poder, de afectos, de amizades, de conhecimentos, onde uns e outros procuram o seu lugar e o seu espaço de afirmação. Querer que isto se fique pela amizade é simplesmente exigir a preponderância, a supremacia de uns perante outros, é assumir que uns são melhores que os outros. É querer fazer o que a direita há muito pugna em Portugal, que há um modo correcto, adequado de fazer as coisas. Ora eu considero que há muitos, alguns até divergentes, por vezes contraditórios, mas tão correctos quanto a honestidade e a simplicidade de quem quer fazer.
E que a troca de ideias continue, a escola agradece. E eu também.
avaliação
é um papel complexo, complicado e delicado este de avaliar.
A tradição portuguesa faz com que a avaliação seja olhada como um mau presságio, uma ave de mau agoiro, algo acessório e muito, muito pessoal.
Não tenho este entendimento da avaliação, nem, em particular, do processo que a ela conduz.
É um momento crucial no equacionar do nosso trabalho, do meu trabalho, do seu impacto e dos níveis de aceitação.
Tenho consciência que não chego a todos, que não agrado a todos, que sou imperfeito e incorrecto, mas não quero nem posso ser injusto, o que seria um dos meus pecados mortais.
Ao contrário do hábito não me fecho na minha redoma inacessível de avaliador inquestionável. Discuto, debato, troco ideias com os alunos, hesito, avanço e recuo de acordo com os argumentos, com a sua validade e pertinência, levo em conta aqueles que são o alvo e o centro de todas as atenções.
Apesar de procurar evitar arbitrariedades, ultrapassar algum do carácter discricionário e aleatório do processo de avaliação, no final fico sempre com a certeza que podia (e devia) ter feito mais e muito melhor.
Há que preparar o próximo período e rectificar o que correu menos bem, procurar chegar a quem não cheguei e alcançar onde agora não consegui.
A tradição portuguesa faz com que a avaliação seja olhada como um mau presságio, uma ave de mau agoiro, algo acessório e muito, muito pessoal.
Não tenho este entendimento da avaliação, nem, em particular, do processo que a ela conduz.
É um momento crucial no equacionar do nosso trabalho, do meu trabalho, do seu impacto e dos níveis de aceitação.
Tenho consciência que não chego a todos, que não agrado a todos, que sou imperfeito e incorrecto, mas não quero nem posso ser injusto, o que seria um dos meus pecados mortais.
Ao contrário do hábito não me fecho na minha redoma inacessível de avaliador inquestionável. Discuto, debato, troco ideias com os alunos, hesito, avanço e recuo de acordo com os argumentos, com a sua validade e pertinência, levo em conta aqueles que são o alvo e o centro de todas as atenções.
Apesar de procurar evitar arbitrariedades, ultrapassar algum do carácter discricionário e aleatório do processo de avaliação, no final fico sempre com a certeza que podia (e devia) ter feito mais e muito melhor.
Há que preparar o próximo período e rectificar o que correu menos bem, procurar chegar a quem não cheguei e alcançar onde agora não consegui.
de lembrar
para que a memória não seja curta, a partir de um ou de outro olhar é importante recordar o que foi feito, qual o papel definido e pensado quer para as escolas, quer para o professor que uma coligação tentou vender ao país (desde a gestão profissional, aos currículos, à avaliação, ao estatuto do professor e do aluno...) e de quais as propostas que podem aparecer e aquelas que, com sentido e pertinência, podem ser úteis à construção de uma ideia de escola pública portuguesa.
No meu entendimento será esta a principal questão de um debate - a ideia de escola pública - a partir da qual podemos e devemos discutir papeis, funções e atribuições, organização e complementaridades, princípios e objectivos.
Tudo o mais é, em meu entender, acessório.
No meu entendimento será esta a principal questão de um debate - a ideia de escola pública - a partir da qual podemos e devemos discutir papeis, funções e atribuições, organização e complementaridades, princípios e objectivos.
Tudo o mais é, em meu entender, acessório.
segunda-feira, dezembro 13
avaliação
comecei a trocar ideias com os alunos sobre a avaliação, deles e minha, o que correu bem, menos bem e mal.
Depois de estranharem um método em que o professor não dá aula, mas apoia a construção do conhecimento, há a ideia que se devem corrigir alguns aspectos e colmatar a carência que sentem das aulas expositivas, isto é o stor dar algumas aulas.
Depois de estranharem um método em que o professor não dá aula, mas apoia a construção do conhecimento, há a ideia que se devem corrigir alguns aspectos e colmatar a carência que sentem das aulas expositivas, isto é o stor dar algumas aulas.
domingo, dezembro 12
constatações
para além de chamar a atenção para os comentários referenciados na posta anterior, apresento também alguns pontos que podem ser passíveis de discussão, esta mesma ideia que aqui me traz e pela qual há muito me bato.
Antes de mais dois princípios fundamentais no meu modo de entender a escola:
- a escola e a educação são assuntos demasiadamente importantes para serem deixados ao uso (e algumas vezes abuso) exclusivo dos professores;
- o entendimento de uma correlação positiva de quanto maior a transparência e a visibilidade do que se passa na escola, ou noutro local qualquer, maior a legitimidade na afirmação do que são as qualidades de um trabalho educativo, das exigências e rigor do trabalho docente.
Após estes princípios reiterar duas concordâncias com o José.
Primeiro, reforçar a ideia de que efectivamente e infelizmente a escola está exageradamente fechada sobre si mesma (não é a primeira vez que escrevo sobre isso) circunstância que condiciona muito o trabalho que se desenvolve e tem sérias implicações no reconhecimento (seja do mérito seja do demérito) do que ali se faz. Daí concordar com críticas que já me fizeram sobre o eduquês, não na maneira como me as fizeram.
Segundo, que falta uma ideia de escola em muitas das nossas escolas que favoreça o debate e a troca de ideias, a construção de opiniões sobre o que é a escola o que é que pretendemos dela, qual o seu papel num dado contexto específico. Esta ausência de uma ideia de escola faz ou contribui para que toda a discussão existente seja marcada ou pela fulanização ou por meros ataques individuais, geralmente com afirmações de puro sarcasmo ou ironias deslocadas. Ora se falta uma ideia de escola não pode existir, de forma plena, um sentido de democracia e de participação - muitas vezes a participação é vista como obstáculo, impedimento ou impecilho ao que alguém pretende impor como vontade unilateral.
Agora, duas ideias que não indo contrariar o que o José escreveu, procuram espaços de afirmação.
O problema é que na generalidade dos casos as pessoas que se relacionam com a escola (pais/encarregados de educação, autarcas e demais políticos, entre outros) apenas se interessam por aquilo que se ali passa em momentos e/ou situações específicas - conflitos, divergência de interesses, eleições, etc., circunstância que também não favorece uma troca razoável e estável de informação, de comunicação entre as partes.
Neste sentido, que mecanismo podem ser desenhados para que a informação circule necessariamente por onde existe interesse e interessados? que informação veicular numa perspectiva de estabelecer graus e níveis de comunicação entre as partes de um todo?
Finalmente - este deve ser uma das minhas postas mais longas - há muito que me bato por uma arquitectura diferente, por uma outra utilização do espaço, por uma outra distribuição dos tempos que permita ou pelo menos facilite a comunicação entre elementos, a estruturação colectiva (conjunta, em equipa) do trabalho docente, a estruturação de projectos, o próprio trabalho de projecto, como é possível definir outros níveis de utilização dos espaços, que medidas definir para apoiar a diferenciação?
Tenho, ao que apresento e ao que pergunto, duas ideias que carecem ainda de muito aprofundamento e alguma fundamentação, por um lado a territorialização educativa (o Miguel chama-lhe escola cultural) outra a formação em contexto.
Antes de mais dois princípios fundamentais no meu modo de entender a escola:
- a escola e a educação são assuntos demasiadamente importantes para serem deixados ao uso (e algumas vezes abuso) exclusivo dos professores;
- o entendimento de uma correlação positiva de quanto maior a transparência e a visibilidade do que se passa na escola, ou noutro local qualquer, maior a legitimidade na afirmação do que são as qualidades de um trabalho educativo, das exigências e rigor do trabalho docente.
Após estes princípios reiterar duas concordâncias com o José.
Primeiro, reforçar a ideia de que efectivamente e infelizmente a escola está exageradamente fechada sobre si mesma (não é a primeira vez que escrevo sobre isso) circunstância que condiciona muito o trabalho que se desenvolve e tem sérias implicações no reconhecimento (seja do mérito seja do demérito) do que ali se faz. Daí concordar com críticas que já me fizeram sobre o eduquês, não na maneira como me as fizeram.
Segundo, que falta uma ideia de escola em muitas das nossas escolas que favoreça o debate e a troca de ideias, a construção de opiniões sobre o que é a escola o que é que pretendemos dela, qual o seu papel num dado contexto específico. Esta ausência de uma ideia de escola faz ou contribui para que toda a discussão existente seja marcada ou pela fulanização ou por meros ataques individuais, geralmente com afirmações de puro sarcasmo ou ironias deslocadas. Ora se falta uma ideia de escola não pode existir, de forma plena, um sentido de democracia e de participação - muitas vezes a participação é vista como obstáculo, impedimento ou impecilho ao que alguém pretende impor como vontade unilateral.
Agora, duas ideias que não indo contrariar o que o José escreveu, procuram espaços de afirmação.
O problema é que na generalidade dos casos as pessoas que se relacionam com a escola (pais/encarregados de educação, autarcas e demais políticos, entre outros) apenas se interessam por aquilo que se ali passa em momentos e/ou situações específicas - conflitos, divergência de interesses, eleições, etc., circunstância que também não favorece uma troca razoável e estável de informação, de comunicação entre as partes.
Neste sentido, que mecanismo podem ser desenhados para que a informação circule necessariamente por onde existe interesse e interessados? que informação veicular numa perspectiva de estabelecer graus e níveis de comunicação entre as partes de um todo?
Finalmente - este deve ser uma das minhas postas mais longas - há muito que me bato por uma arquitectura diferente, por uma outra utilização do espaço, por uma outra distribuição dos tempos que permita ou pelo menos facilite a comunicação entre elementos, a estruturação colectiva (conjunta, em equipa) do trabalho docente, a estruturação de projectos, o próprio trabalho de projecto, como é possível definir outros níveis de utilização dos espaços, que medidas definir para apoiar a diferenciação?
Tenho, ao que apresento e ao que pergunto, duas ideias que carecem ainda de muito aprofundamento e alguma fundamentação, por um lado a territorialização educativa (o Miguel chama-lhe escola cultural) outra a formação em contexto.
mais do mesmo
não é o blogue com este nome, não senhor, são mais um conjunto de comentários, quer um, quer particularmente este outro, que estou certo dariam pano para mangas, quer na apresentação de outras ideias, no rebate destas, na sua concordância ou simplesmente e como refere o Gustavo, no seu contraditório. Para já é de ler e discutir se assim entender ou for esse o caso.
sábado, dezembro 11
nomeações
a Direcção Regional de Educação do Alentejo, à revelia do mais simples e banal princípio de direito democrático, apresta-se para lançar as nomeações dos directores de serviço.
Isto após um concurso onde a descricionaridade e a arbitrariedade foram notas dominantes, onde poucos, muito poucos conheceram ou tiveram conhecimento de quais as regras de avaliação das propostas, os critérios de seriação ou de selecção.
E depois os senhores dizem que ocupam lugares técnicos ou técnico-pedagógicos. Pois, tá bem tá.
Isto após um concurso onde a descricionaridade e a arbitrariedade foram notas dominantes, onde poucos, muito poucos conheceram ou tiveram conhecimento de quais as regras de avaliação das propostas, os critérios de seriação ou de selecção.
E depois os senhores dizem que ocupam lugares técnicos ou técnico-pedagógicos. Pois, tá bem tá.
comentários
já por mais de uma vez eu e outros referimos a importância e a pertinência de alguns comentários, alguns dos quais dariam origem a outras ideias, a outras escritas.
Porque considero deveras pertinente a referência e já que faço chamadas para quem me zurze, é também de toda a justiça, digo eu, chamar a atenção de quem por aqui para passa para este comentário do José Teixeira.
Acreditem, vale bem a pena, percebermos que existem outras ideias e outras práticas, que não somos todos iguais, que as diferenças são fundamentais, como fundamental é conhecer esta pluralidade de ideias e práticas que a todos enriquece, ou devia enriquecer.
Obrigado ao José.
Porque considero deveras pertinente a referência e já que faço chamadas para quem me zurze, é também de toda a justiça, digo eu, chamar a atenção de quem por aqui para passa para este comentário do José Teixeira.
Acreditem, vale bem a pena, percebermos que existem outras ideias e outras práticas, que não somos todos iguais, que as diferenças são fundamentais, como fundamental é conhecer esta pluralidade de ideias e práticas que a todos enriquece, ou devia enriquecer.
Obrigado ao José.
sexta-feira, dezembro 10
desconhecimento
as situações antes descritas (na posta mais abaixo) ficam ainda circunscritas e delimitadas pelos muros da escola e pelo conhecimento restrito de quem domina a linguagem (o tal eduquês); provavelmente será isso mesmo que deve de acontecer, provavelmente aquilo que em algumas situações ou casos pode ser designado de confusão, conflito ou desentendimentos deverá ficar por aí mesmo, por esse local onde acontecem, delimitados pelos interessados e visados no caso.
Mas desculpem-me lá perguntar:
Mas desculpem-me lá perguntar:
será que a (co)relação de forças seria diferente se os pais soubessem eprovavelmente sou eu que estou desfocado neste meu olhar.
opinassem em face dos desentendimentos entre um órgão de gestão e uma direcção
regional?
será que a comunidade que é servida pela escola não será merecedora de
perceber e conhecer os problemas e as situações com que uma escola e em concreto
um órgão de gestão se depara na gestão da escola?
será que a escola não deve participar, prestar contas à comunidade que
serve, aos pais e alunos que atende, em face do seu modo de funcionamento, à
articulação de sectores, aos projectos existentes ou extintos?
barafunda
numa pequena conversa de rua, entre um e outro colega que encontro a ver montras, tomo conhecimento (ou consciência) de como vai a nossa escola.
Numa, os órgãos da escola (conselho executivo, conselho pedagógico e assembleia de escola) apresentaram a sua demissão, colocaram os lugares à disposição da direcção regional em face das realções que não se conseguem estabelecer, das desconfianças, das várias tricas e intrigas que se desenvolveram nos últimos tempos e que agora fizeram transbordar o copo [segundo ouvi dizer não é a única a nível nacional, ainda que seja a única na zona a tomar esta atitude].
Noutra, é o responsável dos serviços de administração escolar que se desvincula das suas competências, invocando desentendimentos e atritos com o órgão de gestão.
Numa outra ainda são-me revelados pormenores da prepotência e da arrogância de elementos de um órgão de gestão, que constrange ideias, oprime projectos, condiciona o trabalho docente.
Pessoalmente quero acreditar que são apenas pontos neblosos de uma constelação mais vasta e ampla e que não posso, e não devo, tomar o todo por este pequeno apontamento de algumas das suas partes;
Mas que será algo elucidativo de como está a educação, isso também é.
Numa, os órgãos da escola (conselho executivo, conselho pedagógico e assembleia de escola) apresentaram a sua demissão, colocaram os lugares à disposição da direcção regional em face das realções que não se conseguem estabelecer, das desconfianças, das várias tricas e intrigas que se desenvolveram nos últimos tempos e que agora fizeram transbordar o copo [segundo ouvi dizer não é a única a nível nacional, ainda que seja a única na zona a tomar esta atitude].
Noutra, é o responsável dos serviços de administração escolar que se desvincula das suas competências, invocando desentendimentos e atritos com o órgão de gestão.
Numa outra ainda são-me revelados pormenores da prepotência e da arrogância de elementos de um órgão de gestão, que constrange ideias, oprime projectos, condiciona o trabalho docente.
Pessoalmente quero acreditar que são apenas pontos neblosos de uma constelação mais vasta e ampla e que não posso, e não devo, tomar o todo por este pequeno apontamento de algumas das suas partes;
Mas que será algo elucidativo de como está a educação, isso também é.
satisfaz
o filho teve um satisfaz em ciências. Segundo a professora um satisfaz alto, quase, quase satisfaz bastante.
Então não é que foi o bom e o bonito cá em casa.
Foi o primeiro satisfaz do rapaz, mas o suficiente para ele ficar como nunca o tinha visto antes, chateado até à medula, e quase, quase dar o fanico à mãe.
Por vezes, por muito que não o queira, por muito que o evitemos e possa dizer o contrário, fico surpreendido com o resultado da educação, com as personalidades que se criam, com as motivações que se incentivam.
Tudo por que não gostou de mudar de turma - de ser mudado de turma - e quer mostrar que se enganaram.
Então não é que foi o bom e o bonito cá em casa.
Foi o primeiro satisfaz do rapaz, mas o suficiente para ele ficar como nunca o tinha visto antes, chateado até à medula, e quase, quase dar o fanico à mãe.
Por vezes, por muito que não o queira, por muito que o evitemos e possa dizer o contrário, fico surpreendido com o resultado da educação, com as personalidades que se criam, com as motivações que se incentivam.
Tudo por que não gostou de mudar de turma - de ser mudado de turma - e quer mostrar que se enganaram.
tempo
... é coisa que tenho por hábito não dizer que me falta. Muito pelo contrário, o meu hábito é afirmar a quem diz que tem falta de tempo que o tempo é o que dele fazemos.
Mas entre a preparação das avaliações, as atarefações de Natal - prendas, almoços ou jantares - sobra-me pouco tempo para vir a este espaço trocar ideias, deixar opiniões, alimentar um vício.
Mas entre a preparação das avaliações, as atarefações de Natal - prendas, almoços ou jantares - sobra-me pouco tempo para vir a este espaço trocar ideias, deixar opiniões, alimentar um vício.
terça-feira, dezembro 7
objectivos
volto à liça, a dar o corpo ao manifesto e a apresentar o flanco à discussão de ideias sobre a escola.
Isto a propósito de ideias para uma campanha eleitoral que procurem ir para além do eduquês e que são estimuladas por outros olhares.
Para além da opinião, um ou outro objectivo, no sentido de enquadrar ideias e criar um sentido à escola (ao trabalho que nela se desenvolve e que não é apenas docente).
três objectivos, estruturantes a uma política educativa nacional:
criar as condições necessárias e suficientes para que, no espaço de uma legislatura, a escolaridade mínima obrigatória abranja a totalidade da população em idade escolar;
apoiar e reforçar os mecanismos de educação, escolarização e formação para que no espaço de uma legislatura pelo menos 80% da população em idade de escolaridade de nível secundário esteja na escola ou seja abrangida por oferta formativa de natureza qualificante;
É verdade, reconheço e assumo, é eduquês, talvez não no seu melhor, apenas sob um ponto de vista, uma perspectiva, um olhar que é enformado pelo gosto da inclusão, pela diferenciação e discriminação, pelo reforço e privilégio da formação (inicial e contínua) e pelo claro sentimento de necessidade de apoio ao docente, à escola na institucionalização destas ideias. Muitos somos poucos para a escola deste século.
Isto a propósito de ideias para uma campanha eleitoral que procurem ir para além do eduquês e que são estimuladas por outros olhares.
Para além da opinião, um ou outro objectivo, no sentido de enquadrar ideias e criar um sentido à escola (ao trabalho que nela se desenvolve e que não é apenas docente).
três objectivos, estruturantes a uma política educativa nacional:
criar as condições necessárias e suficientes para que, no espaço de uma legislatura, a escolaridade mínima obrigatória abranja a totalidade da população em idade escolar;
apoiar e reforçar os mecanismos de educação, escolarização e formação para que no espaço de uma legislatura pelo menos 80% da população em idade de escolaridade de nível secundário esteja na escola ou seja abrangida por oferta formativa de natureza qualificante;
É verdade, reconheço e assumo, é eduquês, talvez não no seu melhor, apenas sob um ponto de vista, uma perspectiva, um olhar que é enformado pelo gosto da inclusão, pela diferenciação e discriminação, pelo reforço e privilégio da formação (inicial e contínua) e pelo claro sentimento de necessidade de apoio ao docente, à escola na institucionalização destas ideias. Muitos somos poucos para a escola deste século.
conversas
no final da manhã, num buraco do meu horário, troquei ideias com uma colega sobre culturas e climas de escola, a propósito de um trabalho que desenvolve no seu curso de mestrado.
Pela hora de almoço, entre o despachar ideias e actualizar registos, troquei conversa com uma colega sobre as metodologias e estratégias que adopto (pedagogia diferenciada, ao nível de objectivos e processos).
Entre uma e outra das conversas um elemento comum me suscitou a escrita, me despertou outras ideias, a de que a escola está preparada, na generalidade dos casos, para dar aulas e muito pouco mais. Que os professores sentem necessidade de mudar, de mudar práticas, de equacionar modelos, de pensar estratégias, de redefinir a sua prática lectiva e profissional mas que, volto a sublinhar que na generalidade dos casos, as escolas não estão preparadas para dar este tipo de resposta, ir ao encontro de anseios ou de outras necessidades do professor que possam ir para além do normal dar aulas.
Sei que existem outros (bons) exemplos mas nas escolas por onde tenho andado não há uma sala de trabalho para que os professores possam organizar acções, actividades, preparar aulas, trocar ideias sobre práticas ou experiências, falar fora do rebuliço da sala de professores ou fora de uma ordem de trabalhos de conselho de turma.
Na generalidade dos casos as bibliotecas estão atravancadas de gente, de barulho, de aulas, que os centros de recursos são espaços de aula. E pronto, não há mais, não há alternativas. E estas não têm de ser definidas exteriormente à escola, têm e devem de passar por opções da gestão, exigências dos professores, projectos de necessidades.
Há coisas que seria tão fácil mudar.
Pela hora de almoço, entre o despachar ideias e actualizar registos, troquei conversa com uma colega sobre as metodologias e estratégias que adopto (pedagogia diferenciada, ao nível de objectivos e processos).
Entre uma e outra das conversas um elemento comum me suscitou a escrita, me despertou outras ideias, a de que a escola está preparada, na generalidade dos casos, para dar aulas e muito pouco mais. Que os professores sentem necessidade de mudar, de mudar práticas, de equacionar modelos, de pensar estratégias, de redefinir a sua prática lectiva e profissional mas que, volto a sublinhar que na generalidade dos casos, as escolas não estão preparadas para dar este tipo de resposta, ir ao encontro de anseios ou de outras necessidades do professor que possam ir para além do normal dar aulas.
Sei que existem outros (bons) exemplos mas nas escolas por onde tenho andado não há uma sala de trabalho para que os professores possam organizar acções, actividades, preparar aulas, trocar ideias sobre práticas ou experiências, falar fora do rebuliço da sala de professores ou fora de uma ordem de trabalhos de conselho de turma.
Na generalidade dos casos as bibliotecas estão atravancadas de gente, de barulho, de aulas, que os centros de recursos são espaços de aula. E pronto, não há mais, não há alternativas. E estas não têm de ser definidas exteriormente à escola, têm e devem de passar por opções da gestão, exigências dos professores, projectos de necessidades.
Há coisas que seria tão fácil mudar.
segunda-feira, dezembro 6
As preocupações docentes são, na generalidade dos casos, por demais evidentes. Ainda que estejamos preocupados sobre outros assuntos de momento ou eventualmente distraídos com alguns temas de moda, o certo é que o olhar docente recai naqueles que tem habitualmente pela frente e que são a sua única razão de ser, os alunos.
A votação disponibilizada no sítio do Jornal A Página da Educação é disso evidência e destaque. Entre concursos, estatuto, lei de bases ou a formação o destaque tem sido dado ao sucesso do aluno.
A votação disponibilizada no sítio do Jornal A Página da Educação é disso evidência e destaque. Entre concursos, estatuto, lei de bases ou a formação o destaque tem sido dado ao sucesso do aluno.
domingo, dezembro 5
do eduquês
são riscos que se correm, estes de tomar posição, assumir partidos, apresentar ideias e dar sugestões.
Se são úteis, pertinentes, interessantes, viáveis, necessárias, práticas isso poderá ser outra questão. Contudo, tomar partido, assumir posição, apresentar ideias e debater opiniões isso tem o seu quê de risco, de arriscado.
Assumio há muito, como o assumo agora.
Na posta anterior é deixado o comentário que é o eduquês no seu melhor. Sinto-o como um elogio que provavelmente não pretenderá ser. Elogio uma vez que falo uma linguagem própria da minha profissão - a de professor - e que me é atribuído um destaque que não procuro, a de educador.
Afinal, falo eduquês, mas a mensagem passa exactamente como é pretendido. Só me sinto reconhecido.
Se são úteis, pertinentes, interessantes, viáveis, necessárias, práticas isso poderá ser outra questão. Contudo, tomar partido, assumir posição, apresentar ideias e debater opiniões isso tem o seu quê de risco, de arriscado.
Assumio há muito, como o assumo agora.
Na posta anterior é deixado o comentário que é o eduquês no seu melhor. Sinto-o como um elogio que provavelmente não pretenderá ser. Elogio uma vez que falo uma linguagem própria da minha profissão - a de professor - e que me é atribuído um destaque que não procuro, a de educador.
Afinal, falo eduquês, mas a mensagem passa exactamente como é pretendido. Só me sinto reconhecido.
ideias
não resisto à tentativa de propor ideias, apresentar sugestões do que pode ser a escola (básica e secundária) em face de um programa eleitoral.
É isso que aqui faço há um ano a esta parte. Crítico, debato, apresento ideias e opiniões. É chegada a altura de também construir, apresentar outras ideias, participar no debate.
Como elemento estruturante não há que esquecer o meu olhar e o meu posicionamento político e pessoal, à esquerda, social, inclusivo, participativo, diferenciador, regulador, discriminador, potenciador, facilitador tudo formas e modos que condicionam este meu olhar a escola, esta minha forma de propor ideias.
Este um primeiro acerto de algumas ideias, mais tarde surgirão outras, outras propostas, ainda sem explicações, ficar-se-ão para mais tarde:
É isso que aqui faço há um ano a esta parte. Crítico, debato, apresento ideias e opiniões. É chegada a altura de também construir, apresentar outras ideias, participar no debate.
Como elemento estruturante não há que esquecer o meu olhar e o meu posicionamento político e pessoal, à esquerda, social, inclusivo, participativo, diferenciador, regulador, discriminador, potenciador, facilitador tudo formas e modos que condicionam este meu olhar a escola, esta minha forma de propor ideias.
Este um primeiro acerto de algumas ideias, mais tarde surgirão outras, outras propostas, ainda sem explicações, ficar-se-ão para mais tarde:
- territorialização das políticas educativas;
- reforço, mediante definição e contratualização, das medidas das autonomias das escolas;
- definição de componente do currículo (em percentagem e modo a definir) pela escola;
- reforço das componentes municipais de educação (transporte, acção social escolar, actividades e acções complementares, formação, equipamentos e recursos físicos e apoios);
- revisão do modelo de apoio educativo da acção social escolar;
- descentralização - para as escolas e para as estruturas desconcentradas do Ministério da educação - de medidas de apoio educativo, definição e implementação de projectos, equipamentos e instalações;
- reforço das equipas de apoio educativo e ensino especial ao nível concelhio;
- generalização da banda larga no acesso à Internet na escola;
- apoio - em sede de IRS - a docentes e famílias no que se refere a gastos com Internet, equipamentos ou recursos tecnológicos;
- definição, mediante contratualização, de um plafond de recursos humanos a serem utilizados pela escola em face de necessidades específicas ou de projectos de interesse municipal, pedagógico ou de formação;
- reforço dos poderes da assembleia de escola, para definição de políticas educativas de base local;
sexta-feira, dezembro 3
quinta-feira, dezembro 2
apostas
entro no claro e assumido domínio do especulativo ao propor a aceitação de apostas sobre qual será o papel da escola, da educação e da formação no período de campanha eleitoral que se avizinha.
Qual o destaque a ser dado às figura do professor? quais os objectivos em termos de territorializações educativas, autonomias, entre muitos, muitos outros aspectos possíveis de considerar.
Relembro que irá decorrer de modo coincidente com os concursos docentes, com a publicação de resultados internacionais (OCDE ou União Europeia) sobre o estado da educação.
Qual o destaque a ser dado às figura do professor? quais os objectivos em termos de territorializações educativas, autonomias, entre muitos, muitos outros aspectos possíveis de considerar.
Relembro que irá decorrer de modo coincidente com os concursos docentes, com a publicação de resultados internacionais (OCDE ou União Europeia) sobre o estado da educação.
sem comentários
quem sabe do que escreve dá-se ao luxo de escrever coisas destas:
O problema é que o praticismo domina a generalidade dos
professores, técnicos, burocratas e investigadores. Há uma cultura da prática conceptualmente vazia.Sem comentários.
Não posso estar mais de acordo com o Miguel. Abundam os pedidos de ajuda práticos, as soluções por medida, o sucesso em 3 lições, quando é impossível
uma coisa dessas acontecer, tal a quantidade de casos, situações e pessoas
que são abrangidas, as leituras e interpretações feitas, os interesses em
jogo, os objectivos definidos, etc., etc.
quarta-feira, dezembro 1
sentido
há uns anos atrás a escola fazia sentido, para quem quer que fosse. Era um espaço destinado a ser e a assegurar, enquanto ritual de passagem, a possibilidade da afirmação social ou de ascensão económica, ou, ainda, de progressão pessoal.
A escola permitia a ascensão social, entrava-se como um zé-ninguém e podia-se sair um senhor doutor ou, no mínimo, com uma profissão. Foi assim que se formaram ordas de gerações que hoje ocupam os lugares intermédios da administração pública ou são os detentores de uma pequena iniciativa privada que arrisca, de electricista, contabilista, etc, etc.
Esta ideia de escola é um sonho perseguido malfadadamente por todos quantos têm sido ministros da educação deste país na democracia de Abril.
Nesta ideia de escola, que enforma também muitos docentes, não há necessidade de motivação. Ela é quase que intrínseca à pessoa, move-se por ela em face de objectivos mais ou menos visíveis, mais ou menos alcançáveis.
Agora os tempos são outros e a grande questão da escola está, talvez, digo eu, no questionar das coisas, num questionar orientado e enquadrado pela escola, na construção de um sentido das coisas, na procura de objectivos, na definição desses objectivos, hoje muitos instáveis, voláteis, imprecisos, inconstantes.
Daí divergir de um colega com o qual tenho partilhado ideias e opiniões, pontos de vista e escrita. Estou certo que esta minha posição não aquece nem arrefece, mas não posso deixar de partilhar desta sua motivação. Ou da procura dela.
A escola permitia a ascensão social, entrava-se como um zé-ninguém e podia-se sair um senhor doutor ou, no mínimo, com uma profissão. Foi assim que se formaram ordas de gerações que hoje ocupam os lugares intermédios da administração pública ou são os detentores de uma pequena iniciativa privada que arrisca, de electricista, contabilista, etc, etc.
Esta ideia de escola é um sonho perseguido malfadadamente por todos quantos têm sido ministros da educação deste país na democracia de Abril.
Nesta ideia de escola, que enforma também muitos docentes, não há necessidade de motivação. Ela é quase que intrínseca à pessoa, move-se por ela em face de objectivos mais ou menos visíveis, mais ou menos alcançáveis.
Agora os tempos são outros e a grande questão da escola está, talvez, digo eu, no questionar das coisas, num questionar orientado e enquadrado pela escola, na construção de um sentido das coisas, na procura de objectivos, na definição desses objectivos, hoje muitos instáveis, voláteis, imprecisos, inconstantes.
Daí divergir de um colega com o qual tenho partilhado ideias e opiniões, pontos de vista e escrita. Estou certo que esta minha posição não aquece nem arrefece, mas não posso deixar de partilhar desta sua motivação. Ou da procura dela.
terça-feira, novembro 30
recorrente
mais do que comentar esta posta do Miguel, a partir dela permitam-me questionar, desculpem lá, corrijo, pensar alto, se os temas educativos não serão recorrentes, se as preocupações não estarão excessivamente autocentradas, se os problemas não serão de origem umbilical.
A senhora ministra no pouco que disse nada acrescentou à discussão da e sobre a escola pública. Limitou-se a assentuar a necessidade de autonomia (até parece que se quer ver livre das escolas) e a abordar o acesso à carreira docente. Será que há mais temas? será que existem outros problemas?
Nas escolas o trabalho decorre normalmente, a blogosfera reflecte exactamente essa normalidade.
Apesar dos atrasos, dos contratempos, dos percalços o trabalho flui, como fluem as preocupações habituais - o desinteresse dos miudos, a indiferença face ao trabalho escolar, o baixar níveis de exigência de modo a garantir a ausência de perguntas difíceis, o preencher impressos de forma rotineira, qual funcionário de uma qualquer repartição pública, as reuniões debatem o debatido e morre-se na praia em face do cansaço, do esgotamento das ideias e dos temas, fazem-se testes normalizados, para uma avaliação estandarte, para pessoas que são diferentes, definem-se objectivos longe dos interesses e mais longe ainda dos interessados.
Mas de resto tudo normal e este desabafo, tal como o do Miguel, mais não é que fruto de algum cansaço de quase final de período.
A senhora ministra no pouco que disse nada acrescentou à discussão da e sobre a escola pública. Limitou-se a assentuar a necessidade de autonomia (até parece que se quer ver livre das escolas) e a abordar o acesso à carreira docente. Será que há mais temas? será que existem outros problemas?
Nas escolas o trabalho decorre normalmente, a blogosfera reflecte exactamente essa normalidade.
Apesar dos atrasos, dos contratempos, dos percalços o trabalho flui, como fluem as preocupações habituais - o desinteresse dos miudos, a indiferença face ao trabalho escolar, o baixar níveis de exigência de modo a garantir a ausência de perguntas difíceis, o preencher impressos de forma rotineira, qual funcionário de uma qualquer repartição pública, as reuniões debatem o debatido e morre-se na praia em face do cansaço, do esgotamento das ideias e dos temas, fazem-se testes normalizados, para uma avaliação estandarte, para pessoas que são diferentes, definem-se objectivos longe dos interesses e mais longe ainda dos interessados.
Mas de resto tudo normal e este desabafo, tal como o do Miguel, mais não é que fruto de algum cansaço de quase final de período.
nocturno
passou por este espaço, e não só, um apontamento nocturno, pessoal que sabe jogar com a dubiedade do seu nome, novo na noite, e neste espaço.
Foi um espaço por onde passei no ano lectivo anterior, com uma realidade que pude constatar, quer em função das necessidades de uma oferta complementar/alternativa, como das carências (linhas de orientação, apoios, recursos) e de alguma desorganização que marca este ensino muita das vezes esquecido.
Fico a aguardar as ideias, as propostas, o pensar em colectivo a que se propõem
Foi um espaço por onde passei no ano lectivo anterior, com uma realidade que pude constatar, quer em função das necessidades de uma oferta complementar/alternativa, como das carências (linhas de orientação, apoios, recursos) e de alguma desorganização que marca este ensino muita das vezes esquecido.
Fico a aguardar as ideias, as propostas, o pensar em colectivo a que se propõem
domingo, novembro 28
companhia
Em face da minha última/anterior posta, vale sempre a pena a companhia e a amizade que por estas bandas se constroi.
Vale a pena.
Por mim cá continuo a dar erros, uns mais graves que outros, mas procuro não dar nas ideias ar e menos ainda cuspir para o ar, é que pode cair em cima do próprio.
Obrigado.
já agora, à colega whiteball, um obrigado reforçado pela insistência. Obrigado.
obrigado.
obrigado.
obrigado.
Vale a pena.
Por mim cá continuo a dar erros, uns mais graves que outros, mas procuro não dar nas ideias ar e menos ainda cuspir para o ar, é que pode cair em cima do próprio.
Obrigado.
já agora, à colega whiteball, um obrigado reforçado pela insistência. Obrigado.
obrigado.
obrigado.
obrigado.
sexta-feira, novembro 26
de passagem
alguém de passagem por estas paragens me adverte da hilariedade do meu texto, deste espaço. Afirma o carácter hilariante de ser um professor a escrever e simultaneamente triste em virtude dos erros ou da falta de tempo para rever o texto - penso ser indiferente se são erros de origem gramatical ou ortográfica.
Quem, recém chegado a este espaço me adverte, certamente que apenas procura dar o seu contributo para uma discussão sobre a escola e manifestar, dessa forma, a sua opinião às ideias expressas, ao texto descrito, áquilo que procuro transmitir, fazer chegar a colegas e a outros parceiros de viagem - é certo que nem sempre consigo atingir estes objectivos, assumo limitações.
Mas penso desnecessário um certo achincalhar de ideias, um baixar de nível que penso, peço desculpa se erro, não ser a intenção de quem comenta, crítica ou se manifesta em sentido contrário.
Assumo e reconheço muitos dos meus erros, de algum pretensiosismo de escrita, de alguma verborreia de ideias. Que escrevo quase sempre à flor da pele, com emoção, e que, efectivamente, não revejo os meus textos (lá terei de o passar a fazer).
Mas estes espaço é mesmo isso e é mesmo assim. Feito de emoções e paixões, de algumas razões e, sempre que possível, de muita discordância, de direito ao contraditório, de manifestação da pluralidade de opiniões e emoções. Afinal de toda a massa da qual é feita a escola.
Bem vindo, quem vem por bem.
Quem, recém chegado a este espaço me adverte, certamente que apenas procura dar o seu contributo para uma discussão sobre a escola e manifestar, dessa forma, a sua opinião às ideias expressas, ao texto descrito, áquilo que procuro transmitir, fazer chegar a colegas e a outros parceiros de viagem - é certo que nem sempre consigo atingir estes objectivos, assumo limitações.
Mas penso desnecessário um certo achincalhar de ideias, um baixar de nível que penso, peço desculpa se erro, não ser a intenção de quem comenta, crítica ou se manifesta em sentido contrário.
Assumo e reconheço muitos dos meus erros, de algum pretensiosismo de escrita, de alguma verborreia de ideias. Que escrevo quase sempre à flor da pele, com emoção, e que, efectivamente, não revejo os meus textos (lá terei de o passar a fazer).
Mas estes espaço é mesmo isso e é mesmo assim. Feito de emoções e paixões, de algumas razões e, sempre que possível, de muita discordância, de direito ao contraditório, de manifestação da pluralidade de opiniões e emoções. Afinal de toda a massa da qual é feita a escola.
Bem vindo, quem vem por bem.
distância
em face de obrigações e complicações fazem-se notar as distâncias daqueles que são para mim imprescindíveis para entender a escola e a educação.
Mesmo eu, peça dispensável neste processo de construção mais pessoal, sinto pouco apetite de por aqui passar, dou por mim quase sem estórias nem argumentos para deixar impressões.
enfim, frutos de uma época.
Mesmo eu, peça dispensável neste processo de construção mais pessoal, sinto pouco apetite de por aqui passar, dou por mim quase sem estórias nem argumentos para deixar impressões.
enfim, frutos de uma época.
bloqueio
hoje de manhã, ao deixar a filhota na escola (1º ciclo) fui informado, pela própria coordenadora em pessoa, que a partir da próxima 2ª feira os pais não poderão entrar no recinto escolar. Ter-se-ão que deixar as crianças à porta e elas se encaminharão para as respectivas salas.
Não tenho nada a obstar (?!!?) uma vez que apenas à 6ª deixo a filha junto à porta da sala, nos restantes dias, como tenho que ir deixar o mais velho a outra escola, opto por a deixar um pouco mais longe e ela faz o restante percurso a pé.
Obviamente que a senhora garantiu, naquele pequeno espaço de tempo, conversa e impressões para todo o fim-de-semana.
Ela argumentava com a legislação, com o que está legislado, ela dizia que era para bem dos pais e das crianças, mas nada invalidou que inúmeros pais se insurgissem, reclamassem, contra-argumentassem.
Face a esta situação tenho pena de duas coisas. Por um lado que a escola do 1º ciclo copie os maus exemplos do ciclos seguintes, numa eventual equiparação de reconhecimento escolar e social para mim perfeitamente desnecessário e desadequado.
Segundo, que a escola se feche cada vez mais sobre si mesma, tornando-se opaca e com isso criando e dando azo a todos os comentários, críticas e suspeições.
Não tenho nada a obstar (?!!?) uma vez que apenas à 6ª deixo a filha junto à porta da sala, nos restantes dias, como tenho que ir deixar o mais velho a outra escola, opto por a deixar um pouco mais longe e ela faz o restante percurso a pé.
Obviamente que a senhora garantiu, naquele pequeno espaço de tempo, conversa e impressões para todo o fim-de-semana.
Ela argumentava com a legislação, com o que está legislado, ela dizia que era para bem dos pais e das crianças, mas nada invalidou que inúmeros pais se insurgissem, reclamassem, contra-argumentassem.
Face a esta situação tenho pena de duas coisas. Por um lado que a escola do 1º ciclo copie os maus exemplos do ciclos seguintes, numa eventual equiparação de reconhecimento escolar e social para mim perfeitamente desnecessário e desadequado.
Segundo, que a escola se feche cada vez mais sobre si mesma, tornando-se opaca e com isso criando e dando azo a todos os comentários, críticas e suspeições.
quarta-feira, novembro 24
confusão
no meio da rua desta cidade cruzei-me com duas colegas do tempo em que passei pela direcção regional. Elas já lá estavam quando por lá passei e por lá continuam assumindo funções técnico-pedagógicas.
Na troca de comentários e no colocar a escrita em dia confirma-se a ideia que esta estrutura político-administrativa é isso mesmo, política e pouco ou nada administrativa.
Segundo rezam as crónicas ninguém se entende. Os que se entendem, sejam do governo anterior ou do actual, foram separados entre andares ou edifícios, para que não haja dúvidas da necessidade de dividir para reinar.
Só falta saber se as senhoras do poder, aquelas que estão no pedestal da direcção, ainda se entendem. Politicamente tenho as mais sérias dúvidas. Como mulheres nem tanto.
A treta é que a caravana passa e o pessoal, nas escolas, nem se apercebe destas guerras, das trafulhices, da política administrativa, do jogo de poderes, da troca de influências. Como nem uns nem outros percebemos que uns e outros andam a fazer.
Na troca de comentários e no colocar a escrita em dia confirma-se a ideia que esta estrutura político-administrativa é isso mesmo, política e pouco ou nada administrativa.
Segundo rezam as crónicas ninguém se entende. Os que se entendem, sejam do governo anterior ou do actual, foram separados entre andares ou edifícios, para que não haja dúvidas da necessidade de dividir para reinar.
Só falta saber se as senhoras do poder, aquelas que estão no pedestal da direcção, ainda se entendem. Politicamente tenho as mais sérias dúvidas. Como mulheres nem tanto.
A treta é que a caravana passa e o pessoal, nas escolas, nem se apercebe destas guerras, das trafulhices, da política administrativa, do jogo de poderes, da troca de influências. Como nem uns nem outros percebemos que uns e outros andam a fazer.
multidão
hoje foi dia de corta-mato escolar. Dia cheio para muitos.
Escola cheia de gente, arredores cheios de gente. Gente que veio das três escolas existentes, uma secundária, uma EB2/3 e um colégio salesiano com 2º e 3º ciclo.
Um colega de Educação Física com quem habitualmente troco ideias e com quem me entretenho na conversa, mostra-se entusiasmado. A organização está impecável. Ali o prof. pouco tem a fazer, a câmara faz praticamente tudo, o prof enquadra a rapaziada.
Ausência mais notada? alguns profes de educação física que, um, por ser dia livre não esteve para aparecer e, outro, por que é gente a mais. Pronto. Tábem.
Escola cheia de gente, arredores cheios de gente. Gente que veio das três escolas existentes, uma secundária, uma EB2/3 e um colégio salesiano com 2º e 3º ciclo.
Um colega de Educação Física com quem habitualmente troco ideias e com quem me entretenho na conversa, mostra-se entusiasmado. A organização está impecável. Ali o prof. pouco tem a fazer, a câmara faz praticamente tudo, o prof enquadra a rapaziada.
Ausência mais notada? alguns profes de educação física que, um, por ser dia livre não esteve para aparecer e, outro, por que é gente a mais. Pronto. Tábem.
aniversário
hoje é dia de anos de uma das pessoas que mais me marcou na vida, enquanto pessoa e enquanto profissional do ensino.
Nunca o conheci, apesar de ouvir as suas palavras, ler os seus pensamentos, conhecer o seu estado de espírito e o seu sentido profissional.
Chama-se Rómulo de Carvalho ou António Gedeão, conforme a ocasião.
Nunca o conheci, apesar de ouvir as suas palavras, ler os seus pensamentos, conhecer o seu estado de espírito e o seu sentido profissional.
Chama-se Rómulo de Carvalho ou António Gedeão, conforme a ocasião.
presença
a partir deste comentário não resisti e marco a minha presença, numa troca de saudades, peço desculpa do pretensiosismo Ana Carina.
Não estou em casa, junto da lista dos meus endereços, vai daí utilizo este meio para dar conta de peripécias passadas e que elas sirvam, pelo menos, para ajudar a perceber o que é este mundo, o que é a escola, o que é a docência.
A Ana Carina foi uma colega estagiária que se defrontou com um colega director de turma que quase tudo permite e desculpa aos alunos, que vê neles um sentido de se estar na escola e na educação. Obviamente que há pontos divergentes, que apesar de podermos concordar em muitas coisas, há pequenos (ou grandes) pontos que permitem a divergência e com isso o equacionar de alternativas. É ist oque faz a vida.
Que estejas bem e feliz. Mais não será necessário. Digo eu...
é verdade e as caralhotas;)))
Não estou em casa, junto da lista dos meus endereços, vai daí utilizo este meio para dar conta de peripécias passadas e que elas sirvam, pelo menos, para ajudar a perceber o que é este mundo, o que é a escola, o que é a docência.
A Ana Carina foi uma colega estagiária que se defrontou com um colega director de turma que quase tudo permite e desculpa aos alunos, que vê neles um sentido de se estar na escola e na educação. Obviamente que há pontos divergentes, que apesar de podermos concordar em muitas coisas, há pequenos (ou grandes) pontos que permitem a divergência e com isso o equacionar de alternativas. É ist oque faz a vida.
Que estejas bem e feliz. Mais não será necessário. Digo eu...
é verdade e as caralhotas;)))
terça-feira, novembro 23
trabalheira
uma turma de 8º ano entra devagarinho e às pinguinhas na sala. É um final de tarde de um dia sempre demasiado comprido.
Arrastam cadeiras, batem com mochilas, trocam galhardetes como se o setor ali não estivesse, não existisse.
Deixo-os ir, com o à vontade próprio de quem não lhe apetece ali estar. Contrariar as criancinhas pode descambar em traumas de adolescência indefinida, com possíveis sequelas indiscritíveis e não quero participar nesse ciclo pernicioso.
As vozes aumentam de volume, os comentários jogosos aproveitam a ausência do espanta espíritos para se exercitarem.
Afinal, sem orientação, conseguem sentar-se, ou pelo menos algo que se pareça com isso. ainda que aparentemente sentados as mochilas continuam no chão, fechadas, não vá saltar qualquer coisa de esquisito lá do fundo.
Alguém pergunta pelo setor. Alguém se lembrou que estavam numa sala de aula e que há regras e, em princípio, trabalho.
Pus o meu ar de pastor e perguntei, entre o autoritário e o compenetrado da insignificância do meu papel, mas com aquele ar de quem é sério e procura coisas sérias - afinal, há trabalho?, alguém tem alguma coisa para fazer? ou viemos apenas passear à aula, matar saudades que de certeza não temos do setor de história? uns ficam a olhar, talvez admirados, outros talvez espantados.
No final, ao fim de 90' saí exausto, completamente derriado, estou certo que eles também não. Mas trabalharam que se desenhuram, pesquisaram, elaboraram cartas e gráficos, definiram conceitos, elaboraram relatórios, preencheram fichas, discutiram, argumentaram.
E assim se passou mais uma aula de história. Sem estória. Pelo menos para já.
Arrastam cadeiras, batem com mochilas, trocam galhardetes como se o setor ali não estivesse, não existisse.
Deixo-os ir, com o à vontade próprio de quem não lhe apetece ali estar. Contrariar as criancinhas pode descambar em traumas de adolescência indefinida, com possíveis sequelas indiscritíveis e não quero participar nesse ciclo pernicioso.
As vozes aumentam de volume, os comentários jogosos aproveitam a ausência do espanta espíritos para se exercitarem.
Afinal, sem orientação, conseguem sentar-se, ou pelo menos algo que se pareça com isso. ainda que aparentemente sentados as mochilas continuam no chão, fechadas, não vá saltar qualquer coisa de esquisito lá do fundo.
Alguém pergunta pelo setor. Alguém se lembrou que estavam numa sala de aula e que há regras e, em princípio, trabalho.
Pus o meu ar de pastor e perguntei, entre o autoritário e o compenetrado da insignificância do meu papel, mas com aquele ar de quem é sério e procura coisas sérias - afinal, há trabalho?, alguém tem alguma coisa para fazer? ou viemos apenas passear à aula, matar saudades que de certeza não temos do setor de história? uns ficam a olhar, talvez admirados, outros talvez espantados.
No final, ao fim de 90' saí exausto, completamente derriado, estou certo que eles também não. Mas trabalharam que se desenhuram, pesquisaram, elaboraram cartas e gráficos, definiram conceitos, elaboraram relatórios, preencheram fichas, discutiram, argumentaram.
E assim se passou mais uma aula de história. Sem estória. Pelo menos para já.
mais
mais gente. A partir do dot prof - sempre gostei desta ideia, da designação - mais dois colegas que trocam o quotidiano por miúdos e nos brindam com crónicas de um quotidiano que é (in)docente.
Um - professora, possa falar consigo - é um mimo de descrição de cenários bem reais dos arrabaldes lisboetas - pena é a distância à santa terrinha.
O outro - the drilling holes - não lhe fica atrás. Para além das crónicas traz-nos cor, dá-nos mais som.
Mais dois sítios a passar neste quotidiano escolar e educativo. A escola fica cada vez maior, tem mais gente. Ainda bem.
Um - professora, possa falar consigo - é um mimo de descrição de cenários bem reais dos arrabaldes lisboetas - pena é a distância à santa terrinha.
O outro - the drilling holes - não lhe fica atrás. Para além das crónicas traz-nos cor, dá-nos mais som.
Mais dois sítios a passar neste quotidiano escolar e educativo. A escola fica cada vez maior, tem mais gente. Ainda bem.
coordenação
ontem tive uma daquela reuniões em final de dia que se prolongou, e bastante, para além do horário normal de trabalho.
O tema era pertinente e algo preocupante para o conselho de turma, a definição de um plano educativo especial de um aluno com deficiência.
Já tinha ocorrido uma primeira tentativa, frustada uma vez que a senhora que coordena os apoios educativos tinha faltado e posteriormente inviabilizou tudo o que tinha sido feito.
Agora a sua presença era fundamental.
Lá estava ela, na sua pose altiva e diferenciadora dos restantes humanos que ali se encontravam. Na sua altivez questionou a directora de turma, felizmente com pelo na dita cuja para responder em tom igual, questionou uns e outros como se todos fossemos ignorantes.
Pedi licença e parti a loiça [coisa que não é propriamente invulgar na minha pessoa].
Clara e objectivamente a senhora não fazia a menor ideia do que se tratava e pensava ser um caso quando era outro, não tinha feito sequer o trabalho de casa (provavelmente terá coincidido com o período de greve aos TPC), arrogante q.b. e o mais grave e que mais me aborreceu, reconheci no seu discurso a cassete da direcção regional, aquela que manda as escolas desenrascarem-se, desenvencilharem-se das coisas que ela não sabe resolver, não pode ou simplesmente não quer.
Não gostei. Uma vez mais a arrogância que de quem tudo julga saber, a necessidade de criação de distância para que se possa ver o poder.
A tia dela.
O tema era pertinente e algo preocupante para o conselho de turma, a definição de um plano educativo especial de um aluno com deficiência.
Já tinha ocorrido uma primeira tentativa, frustada uma vez que a senhora que coordena os apoios educativos tinha faltado e posteriormente inviabilizou tudo o que tinha sido feito.
Agora a sua presença era fundamental.
Lá estava ela, na sua pose altiva e diferenciadora dos restantes humanos que ali se encontravam. Na sua altivez questionou a directora de turma, felizmente com pelo na dita cuja para responder em tom igual, questionou uns e outros como se todos fossemos ignorantes.
Pedi licença e parti a loiça [coisa que não é propriamente invulgar na minha pessoa].
Clara e objectivamente a senhora não fazia a menor ideia do que se tratava e pensava ser um caso quando era outro, não tinha feito sequer o trabalho de casa (provavelmente terá coincidido com o período de greve aos TPC), arrogante q.b. e o mais grave e que mais me aborreceu, reconheci no seu discurso a cassete da direcção regional, aquela que manda as escolas desenrascarem-se, desenvencilharem-se das coisas que ela não sabe resolver, não pode ou simplesmente não quer.
Não gostei. Uma vez mais a arrogância que de quem tudo julga saber, a necessidade de criação de distância para que se possa ver o poder.
A tia dela.
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