sexta-feira, dezembro 10

desconhecimento

as situações antes descritas (na posta mais abaixo) ficam ainda circunscritas e delimitadas pelos muros da escola e pelo conhecimento restrito de quem domina a linguagem (o tal eduquês); provavelmente será isso mesmo que deve de acontecer, provavelmente aquilo que em algumas situações ou casos pode ser designado de confusão, conflito ou desentendimentos deverá ficar por aí mesmo, por esse local onde acontecem, delimitados pelos interessados e visados no caso.
Mas desculpem-me lá perguntar:
será que a (co)relação de forças seria diferente se os pais soubessem e
opinassem em face dos desentendimentos entre um órgão de gestão e uma direcção
regional?
será que a comunidade que é servida pela escola não será merecedora de
perceber e conhecer os problemas e as situações com que uma escola e em concreto
um órgão de gestão se depara na gestão da escola?
será que a escola não deve participar, prestar contas à comunidade que
serve, aos pais e alunos que atende, em face do seu modo de funcionamento, à
articulação de sectores, aos projectos existentes ou extintos?
provavelmente sou eu que estou desfocado neste meu olhar.

barafunda

numa pequena conversa de rua, entre um e outro colega que encontro a ver montras, tomo conhecimento (ou consciência) de como vai a nossa escola.
Numa, os órgãos da escola (conselho executivo, conselho pedagógico e assembleia de escola) apresentaram a sua demissão, colocaram os lugares à disposição da direcção regional em face das realções que não se conseguem estabelecer, das desconfianças, das várias tricas e intrigas que se desenvolveram nos últimos tempos e que agora fizeram transbordar o copo [segundo ouvi dizer não é a única a nível nacional, ainda que seja a única na zona a tomar esta atitude].
Noutra, é o responsável dos serviços de administração escolar que se desvincula das suas competências, invocando desentendimentos e atritos com o órgão de gestão.
Numa outra ainda são-me revelados pormenores da prepotência e da arrogância de elementos de um órgão de gestão, que constrange ideias, oprime projectos, condiciona o trabalho docente.
Pessoalmente quero acreditar que são apenas pontos neblosos de uma constelação mais vasta e ampla e que não posso, e não devo, tomar o todo por este pequeno apontamento de algumas das suas partes;
Mas que será algo elucidativo de como está a educação, isso também é.

satisfaz

o filho teve um satisfaz em ciências. Segundo a professora um satisfaz alto, quase, quase satisfaz bastante.
Então não é que foi o bom e o bonito cá em casa.
Foi o primeiro satisfaz do rapaz, mas o suficiente para ele ficar como nunca o tinha visto antes, chateado até à medula, e quase, quase dar o fanico à mãe.
Por vezes, por muito que não o queira, por muito que o evitemos e possa dizer o contrário, fico surpreendido com o resultado da educação, com as personalidades que se criam, com as motivações que se incentivam.
Tudo por que não gostou de mudar de turma - de ser mudado de turma - e quer mostrar que se enganaram.

tempo

... é coisa que tenho por hábito não dizer que me falta. Muito pelo contrário, o meu hábito é afirmar a quem diz que tem falta de tempo que o tempo é o que dele fazemos.
Mas entre a preparação das avaliações, as atarefações de Natal - prendas, almoços ou jantares - sobra-me pouco tempo para vir a este espaço trocar ideias, deixar opiniões, alimentar um vício.

terça-feira, dezembro 7

objectivos

volto à liça, a dar o corpo ao manifesto e a apresentar o flanco à discussão de ideias sobre a escola.
Isto a propósito de ideias para uma campanha eleitoral que procurem ir para além do eduquês e que são estimuladas por outros olhares.
Para além da opinião, um ou outro objectivo, no sentido de enquadrar ideias e criar um sentido à escola (ao trabalho que nela se desenvolve e que não é apenas docente).
três objectivos, estruturantes a uma política educativa nacional:
criar as condições necessárias e suficientes para que, no espaço de uma legislatura, a escolaridade mínima obrigatória abranja a totalidade da população em idade escolar;
apoiar e reforçar os mecanismos de educação, escolarização e formação para que no espaço de uma legislatura pelo menos 80% da população em idade de escolaridade de nível secundário esteja na escola ou seja abrangida por oferta formativa de natureza qualificante;
É verdade, reconheço e assumo, é eduquês, talvez não no seu melhor, apenas sob um ponto de vista, uma perspectiva, um olhar que é enformado pelo gosto da inclusão, pela diferenciação e discriminação, pelo reforço e privilégio da formação (inicial e contínua) e pelo claro sentimento de necessidade de apoio ao docente, à escola na institucionalização destas ideias. Muitos somos poucos para a escola deste século.

conversas

no final da manhã, num buraco do meu horário, troquei ideias com uma colega sobre culturas e climas de escola, a propósito de um trabalho que desenvolve no seu curso de mestrado.
Pela hora de almoço, entre o despachar ideias e actualizar registos, troquei conversa com uma colega sobre as metodologias e estratégias que adopto (pedagogia diferenciada, ao nível de objectivos e processos).
Entre uma e outra das conversas um elemento comum me suscitou a escrita, me despertou outras ideias, a de que a escola está preparada, na generalidade dos casos, para dar aulas e muito pouco mais. Que os professores sentem necessidade de mudar, de mudar práticas, de equacionar modelos, de pensar estratégias, de redefinir a sua prática lectiva e profissional mas que, volto a sublinhar que na generalidade dos casos, as escolas não estão preparadas para dar este tipo de resposta, ir ao encontro de anseios ou de outras necessidades do professor que possam ir para além do normal dar aulas.
Sei que existem outros (bons) exemplos mas nas escolas por onde tenho andado não há uma sala de trabalho para que os professores possam organizar acções, actividades, preparar aulas, trocar ideias sobre práticas ou experiências, falar fora do rebuliço da sala de professores ou fora de uma ordem de trabalhos de conselho de turma.
Na generalidade dos casos as bibliotecas estão atravancadas de gente, de barulho, de aulas, que os centros de recursos são espaços de aula. E pronto, não há mais, não há alternativas. E estas não têm de ser definidas exteriormente à escola, têm e devem de passar por opções da gestão, exigências dos professores, projectos de necessidades.
Há coisas que seria tão fácil mudar.

segunda-feira, dezembro 6

As preocupações docentes são, na generalidade dos casos, por demais evidentes. Ainda que estejamos preocupados sobre outros assuntos de momento ou eventualmente distraídos com alguns temas de moda, o certo é que o olhar docente recai naqueles que tem habitualmente pela frente e que são a sua única razão de ser, os alunos.
A votação disponibilizada no sítio do Jornal A Página da Educação é disso evidência e destaque. Entre concursos, estatuto, lei de bases ou a formação o destaque tem sido dado ao sucesso do aluno.

domingo, dezembro 5

do eduquês

são riscos que se correm, estes de tomar posição, assumir partidos, apresentar ideias e dar sugestões.
Se são úteis, pertinentes, interessantes, viáveis, necessárias, práticas isso poderá ser outra questão. Contudo, tomar partido, assumir posição, apresentar ideias e debater opiniões isso tem o seu quê de risco, de arriscado.
Assumio há muito, como o assumo agora.
Na posta anterior é deixado o comentário que é o eduquês no seu melhor. Sinto-o como um elogio que provavelmente não pretenderá ser. Elogio uma vez que falo uma linguagem própria da minha profissão - a de professor - e que me é atribuído um destaque que não procuro, a de educador.
Afinal, falo eduquês, mas a mensagem passa exactamente como é pretendido. Só me sinto reconhecido.

ideias

não resisto à tentativa de propor ideias, apresentar sugestões do que pode ser a escola (básica e secundária) em face de um programa eleitoral.
É isso que aqui faço há um ano a esta parte. Crítico, debato, apresento ideias e opiniões. É chegada a altura de também construir, apresentar outras ideias, participar no debate.
Como elemento estruturante não há que esquecer o meu olhar e o meu posicionamento político e pessoal, à esquerda, social, inclusivo, participativo, diferenciador, regulador, discriminador, potenciador, facilitador tudo formas e modos que condicionam este meu olhar a escola, esta minha forma de propor ideias.
Este um primeiro acerto de algumas ideias, mais tarde surgirão outras, outras propostas, ainda sem explicações, ficar-se-ão para mais tarde:

  • territorialização das políticas educativas;
  • reforço, mediante definição e contratualização, das medidas das autonomias das escolas;
  • definição de componente do currículo (em percentagem e modo a definir) pela escola;
  • reforço das componentes municipais de educação (transporte, acção social escolar, actividades e acções complementares, formação, equipamentos e recursos físicos e apoios);
  • revisão do modelo de apoio educativo da acção social escolar;
  • descentralização - para as escolas e para as estruturas desconcentradas do Ministério da educação - de medidas de apoio educativo, definição e implementação de projectos, equipamentos e instalações;
  • reforço das equipas de apoio educativo e ensino especial ao nível concelhio;
  • generalização da banda larga no acesso à Internet na escola;
  • apoio - em sede de IRS - a docentes e famílias no que se refere a gastos com Internet, equipamentos ou recursos tecnológicos;
  • definição, mediante contratualização, de um plafond de recursos humanos a serem utilizados pela escola em face de necessidades específicas ou de projectos de interesse municipal, pedagógico ou de formação;
  • reforço dos poderes da assembleia de escola, para definição de políticas educativas de base local;
Mais tarde aparecerão outras ideias.

sexta-feira, dezembro 3

enfim

chegou mais um fim-de-semana.
Que seja aproveitadinho até ao ossinho.

quinta-feira, dezembro 2

apostas

entro no claro e assumido domínio do especulativo ao propor a aceitação de apostas sobre qual será o papel da escola, da educação e da formação no período de campanha eleitoral que se avizinha.
Qual o destaque a ser dado às figura do professor? quais os objectivos em termos de territorializações educativas, autonomias, entre muitos, muitos outros aspectos possíveis de considerar.
Relembro que irá decorrer de modo coincidente com os concursos docentes, com a publicação de resultados internacionais (OCDE ou União Europeia) sobre o estado da educação.

sem comentários

quem sabe do que escreve dá-se ao luxo de escrever coisas destas:

O problema é que o praticismo domina a generalidade dos
professores, técnicos, burocratas e investigadores. Há uma cultura da prática conceptualmente vazia.

Sem comentários.

Não posso estar mais de acordo com o Miguel. Abundam os pedidos de ajuda práticos, as soluções por medida, o sucesso em 3 lições, quando é impossível
uma coisa dessas acontecer, tal a quantidade de casos, situações e pessoas
que são abrangidas, as leituras e interpretações feitas, os interesses em
jogo, os objectivos definidos, etc., etc.


quarta-feira, dezembro 1

sentido

há uns anos atrás a escola fazia sentido, para quem quer que fosse. Era um espaço destinado a ser e a assegurar, enquanto ritual de passagem, a possibilidade da afirmação social ou de ascensão económica, ou, ainda, de progressão pessoal.
A escola permitia a ascensão social, entrava-se como um zé-ninguém e podia-se sair um senhor doutor ou, no mínimo, com uma profissão. Foi assim que se formaram ordas de gerações que hoje ocupam os lugares intermédios da administração pública ou são os detentores de uma pequena iniciativa privada que arrisca, de electricista, contabilista, etc, etc.
Esta ideia de escola é um sonho perseguido malfadadamente por todos quantos têm sido ministros da educação deste país na democracia de Abril.
Nesta ideia de escola, que enforma também muitos docentes, não há necessidade de motivação. Ela é quase que intrínseca à pessoa, move-se por ela em face de objectivos mais ou menos visíveis, mais ou menos alcançáveis.
Agora os tempos são outros e a grande questão da escola está, talvez, digo eu, no questionar das coisas, num questionar orientado e enquadrado pela escola, na construção de um sentido das coisas, na procura de objectivos, na definição desses objectivos, hoje muitos instáveis, voláteis, imprecisos, inconstantes.
Daí divergir de um colega com o qual tenho partilhado ideias e opiniões, pontos de vista e escrita. Estou certo que esta minha posição não aquece nem arrefece, mas não posso deixar de partilhar desta sua motivação. Ou da procura dela.

terça-feira, novembro 30

recorrente

mais do que comentar esta posta do Miguel, a partir dela permitam-me questionar, desculpem lá, corrijo, pensar alto, se os temas educativos não serão recorrentes, se as preocupações não estarão excessivamente autocentradas, se os problemas não serão de origem umbilical.
A senhora ministra no pouco que disse nada acrescentou à discussão da e sobre a escola pública. Limitou-se a assentuar a necessidade de autonomia (até parece que se quer ver livre das escolas) e a abordar o acesso à carreira docente. Será que há mais temas? será que existem outros problemas?
Nas escolas o trabalho decorre normalmente, a blogosfera reflecte exactamente essa normalidade.
Apesar dos atrasos, dos contratempos, dos percalços o trabalho flui, como fluem as preocupações habituais - o desinteresse dos miudos, a indiferença face ao trabalho escolar, o baixar níveis de exigência de modo a garantir a ausência de perguntas difíceis, o preencher impressos de forma rotineira, qual funcionário de uma qualquer repartição pública, as reuniões debatem o debatido e morre-se na praia em face do cansaço, do esgotamento das ideias e dos temas, fazem-se testes normalizados, para uma avaliação estandarte, para pessoas que são diferentes, definem-se objectivos longe dos interesses e mais longe ainda dos interessados.
Mas de resto tudo normal e este desabafo, tal como o do Miguel, mais não é que fruto de algum cansaço de quase final de período.

nocturno

passou por este espaço, e não só, um apontamento nocturno, pessoal que sabe jogar com a dubiedade do seu nome, novo na noite, e neste espaço.
Foi um espaço por onde passei no ano lectivo anterior, com uma realidade que pude constatar, quer em função das necessidades de uma oferta complementar/alternativa, como das carências (linhas de orientação, apoios, recursos) e de alguma desorganização que marca este ensino muita das vezes esquecido.
Fico a aguardar as ideias, as propostas, o pensar em colectivo a que se propõem

domingo, novembro 28

vale a pena

A partir do abrupto encontra-se um novo espaço industrial, indústrias culturais.
Vale a pena.

companhia

Em face da minha última/anterior posta, vale sempre a pena a companhia e a amizade que por estas bandas se constroi.
Vale a pena.
Por mim cá continuo a dar erros, uns mais graves que outros, mas procuro não dar nas ideias ar e menos ainda cuspir para o ar, é que pode cair em cima do próprio.
Obrigado.

já agora, à colega whiteball, um obrigado reforçado pela insistência. Obrigado.

obrigado.

obrigado.

obrigado.

sexta-feira, novembro 26

de passagem

alguém de passagem por estas paragens me adverte da hilariedade do meu texto, deste espaço. Afirma o carácter hilariante de ser um professor a escrever e simultaneamente triste em virtude dos erros ou da falta de tempo para rever o texto - penso ser indiferente se são erros de origem gramatical ou ortográfica.
Quem, recém chegado a este espaço me adverte, certamente que apenas procura dar o seu contributo para uma discussão sobre a escola e manifestar, dessa forma, a sua opinião às ideias expressas, ao texto descrito, áquilo que procuro transmitir, fazer chegar a colegas e a outros parceiros de viagem - é certo que nem sempre consigo atingir estes objectivos, assumo limitações.
Mas penso desnecessário um certo achincalhar de ideias, um baixar de nível que penso, peço desculpa se erro, não ser a intenção de quem comenta, crítica ou se manifesta em sentido contrário.
Assumo e reconheço muitos dos meus erros, de algum pretensiosismo de escrita, de alguma verborreia de ideias. Que escrevo quase sempre à flor da pele, com emoção, e que, efectivamente, não revejo os meus textos (lá terei de o passar a fazer).
Mas estes espaço é mesmo isso e é mesmo assim. Feito de emoções e paixões, de algumas razões e, sempre que possível, de muita discordância, de direito ao contraditório, de manifestação da pluralidade de opiniões e emoções. Afinal de toda a massa da qual é feita a escola.
Bem vindo, quem vem por bem.

distância

em face de obrigações e complicações fazem-se notar as distâncias daqueles que são para mim imprescindíveis para entender a escola e a educação.
Mesmo eu, peça dispensável neste processo de construção mais pessoal, sinto pouco apetite de por aqui passar, dou por mim quase sem estórias nem argumentos para deixar impressões.
enfim, frutos de uma época.

bloqueio

hoje de manhã, ao deixar a filhota na escola (1º ciclo) fui informado, pela própria coordenadora em pessoa, que a partir da próxima 2ª feira os pais não poderão entrar no recinto escolar. Ter-se-ão que deixar as crianças à porta e elas se encaminharão para as respectivas salas.
Não tenho nada a obstar (?!!?) uma vez que apenas à 6ª deixo a filha junto à porta da sala, nos restantes dias, como tenho que ir deixar o mais velho a outra escola, opto por a deixar um pouco mais longe e ela faz o restante percurso a pé.
Obviamente que a senhora garantiu, naquele pequeno espaço de tempo, conversa e impressões para todo o fim-de-semana.
Ela argumentava com a legislação, com o que está legislado, ela dizia que era para bem dos pais e das crianças, mas nada invalidou que inúmeros pais se insurgissem, reclamassem, contra-argumentassem.
Face a esta situação tenho pena de duas coisas. Por um lado que a escola do 1º ciclo copie os maus exemplos do ciclos seguintes, numa eventual equiparação de reconhecimento escolar e social para mim perfeitamente desnecessário e desadequado.
Segundo, que a escola se feche cada vez mais sobre si mesma, tornando-se opaca e com isso criando e dando azo a todos os comentários, críticas e suspeições.