quem sabe do que escreve dá-se ao luxo de escrever coisas destas:
O problema é que o praticismo domina a generalidade dos
professores, técnicos, burocratas e investigadores. Há uma cultura da prática conceptualmente vazia.Sem comentários.
Não posso estar mais de acordo com o Miguel. Abundam os pedidos de ajuda práticos, as soluções por medida, o sucesso em 3 lições, quando é impossível
uma coisa dessas acontecer, tal a quantidade de casos, situações e pessoas
que são abrangidas, as leituras e interpretações feitas, os interesses em
jogo, os objectivos definidos, etc., etc.
quinta-feira, dezembro 2
sem comentários
quarta-feira, dezembro 1
sentido
há uns anos atrás a escola fazia sentido, para quem quer que fosse. Era um espaço destinado a ser e a assegurar, enquanto ritual de passagem, a possibilidade da afirmação social ou de ascensão económica, ou, ainda, de progressão pessoal.
A escola permitia a ascensão social, entrava-se como um zé-ninguém e podia-se sair um senhor doutor ou, no mínimo, com uma profissão. Foi assim que se formaram ordas de gerações que hoje ocupam os lugares intermédios da administração pública ou são os detentores de uma pequena iniciativa privada que arrisca, de electricista, contabilista, etc, etc.
Esta ideia de escola é um sonho perseguido malfadadamente por todos quantos têm sido ministros da educação deste país na democracia de Abril.
Nesta ideia de escola, que enforma também muitos docentes, não há necessidade de motivação. Ela é quase que intrínseca à pessoa, move-se por ela em face de objectivos mais ou menos visíveis, mais ou menos alcançáveis.
Agora os tempos são outros e a grande questão da escola está, talvez, digo eu, no questionar das coisas, num questionar orientado e enquadrado pela escola, na construção de um sentido das coisas, na procura de objectivos, na definição desses objectivos, hoje muitos instáveis, voláteis, imprecisos, inconstantes.
Daí divergir de um colega com o qual tenho partilhado ideias e opiniões, pontos de vista e escrita. Estou certo que esta minha posição não aquece nem arrefece, mas não posso deixar de partilhar desta sua motivação. Ou da procura dela.
A escola permitia a ascensão social, entrava-se como um zé-ninguém e podia-se sair um senhor doutor ou, no mínimo, com uma profissão. Foi assim que se formaram ordas de gerações que hoje ocupam os lugares intermédios da administração pública ou são os detentores de uma pequena iniciativa privada que arrisca, de electricista, contabilista, etc, etc.
Esta ideia de escola é um sonho perseguido malfadadamente por todos quantos têm sido ministros da educação deste país na democracia de Abril.
Nesta ideia de escola, que enforma também muitos docentes, não há necessidade de motivação. Ela é quase que intrínseca à pessoa, move-se por ela em face de objectivos mais ou menos visíveis, mais ou menos alcançáveis.
Agora os tempos são outros e a grande questão da escola está, talvez, digo eu, no questionar das coisas, num questionar orientado e enquadrado pela escola, na construção de um sentido das coisas, na procura de objectivos, na definição desses objectivos, hoje muitos instáveis, voláteis, imprecisos, inconstantes.
Daí divergir de um colega com o qual tenho partilhado ideias e opiniões, pontos de vista e escrita. Estou certo que esta minha posição não aquece nem arrefece, mas não posso deixar de partilhar desta sua motivação. Ou da procura dela.
terça-feira, novembro 30
recorrente
mais do que comentar esta posta do Miguel, a partir dela permitam-me questionar, desculpem lá, corrijo, pensar alto, se os temas educativos não serão recorrentes, se as preocupações não estarão excessivamente autocentradas, se os problemas não serão de origem umbilical.
A senhora ministra no pouco que disse nada acrescentou à discussão da e sobre a escola pública. Limitou-se a assentuar a necessidade de autonomia (até parece que se quer ver livre das escolas) e a abordar o acesso à carreira docente. Será que há mais temas? será que existem outros problemas?
Nas escolas o trabalho decorre normalmente, a blogosfera reflecte exactamente essa normalidade.
Apesar dos atrasos, dos contratempos, dos percalços o trabalho flui, como fluem as preocupações habituais - o desinteresse dos miudos, a indiferença face ao trabalho escolar, o baixar níveis de exigência de modo a garantir a ausência de perguntas difíceis, o preencher impressos de forma rotineira, qual funcionário de uma qualquer repartição pública, as reuniões debatem o debatido e morre-se na praia em face do cansaço, do esgotamento das ideias e dos temas, fazem-se testes normalizados, para uma avaliação estandarte, para pessoas que são diferentes, definem-se objectivos longe dos interesses e mais longe ainda dos interessados.
Mas de resto tudo normal e este desabafo, tal como o do Miguel, mais não é que fruto de algum cansaço de quase final de período.
A senhora ministra no pouco que disse nada acrescentou à discussão da e sobre a escola pública. Limitou-se a assentuar a necessidade de autonomia (até parece que se quer ver livre das escolas) e a abordar o acesso à carreira docente. Será que há mais temas? será que existem outros problemas?
Nas escolas o trabalho decorre normalmente, a blogosfera reflecte exactamente essa normalidade.
Apesar dos atrasos, dos contratempos, dos percalços o trabalho flui, como fluem as preocupações habituais - o desinteresse dos miudos, a indiferença face ao trabalho escolar, o baixar níveis de exigência de modo a garantir a ausência de perguntas difíceis, o preencher impressos de forma rotineira, qual funcionário de uma qualquer repartição pública, as reuniões debatem o debatido e morre-se na praia em face do cansaço, do esgotamento das ideias e dos temas, fazem-se testes normalizados, para uma avaliação estandarte, para pessoas que são diferentes, definem-se objectivos longe dos interesses e mais longe ainda dos interessados.
Mas de resto tudo normal e este desabafo, tal como o do Miguel, mais não é que fruto de algum cansaço de quase final de período.
nocturno
passou por este espaço, e não só, um apontamento nocturno, pessoal que sabe jogar com a dubiedade do seu nome, novo na noite, e neste espaço.
Foi um espaço por onde passei no ano lectivo anterior, com uma realidade que pude constatar, quer em função das necessidades de uma oferta complementar/alternativa, como das carências (linhas de orientação, apoios, recursos) e de alguma desorganização que marca este ensino muita das vezes esquecido.
Fico a aguardar as ideias, as propostas, o pensar em colectivo a que se propõem
Foi um espaço por onde passei no ano lectivo anterior, com uma realidade que pude constatar, quer em função das necessidades de uma oferta complementar/alternativa, como das carências (linhas de orientação, apoios, recursos) e de alguma desorganização que marca este ensino muita das vezes esquecido.
Fico a aguardar as ideias, as propostas, o pensar em colectivo a que se propõem
domingo, novembro 28
companhia
Em face da minha última/anterior posta, vale sempre a pena a companhia e a amizade que por estas bandas se constroi.
Vale a pena.
Por mim cá continuo a dar erros, uns mais graves que outros, mas procuro não dar nas ideias ar e menos ainda cuspir para o ar, é que pode cair em cima do próprio.
Obrigado.
já agora, à colega whiteball, um obrigado reforçado pela insistência. Obrigado.
obrigado.
obrigado.
obrigado.
Vale a pena.
Por mim cá continuo a dar erros, uns mais graves que outros, mas procuro não dar nas ideias ar e menos ainda cuspir para o ar, é que pode cair em cima do próprio.
Obrigado.
já agora, à colega whiteball, um obrigado reforçado pela insistência. Obrigado.
obrigado.
obrigado.
obrigado.
sexta-feira, novembro 26
de passagem
alguém de passagem por estas paragens me adverte da hilariedade do meu texto, deste espaço. Afirma o carácter hilariante de ser um professor a escrever e simultaneamente triste em virtude dos erros ou da falta de tempo para rever o texto - penso ser indiferente se são erros de origem gramatical ou ortográfica.
Quem, recém chegado a este espaço me adverte, certamente que apenas procura dar o seu contributo para uma discussão sobre a escola e manifestar, dessa forma, a sua opinião às ideias expressas, ao texto descrito, áquilo que procuro transmitir, fazer chegar a colegas e a outros parceiros de viagem - é certo que nem sempre consigo atingir estes objectivos, assumo limitações.
Mas penso desnecessário um certo achincalhar de ideias, um baixar de nível que penso, peço desculpa se erro, não ser a intenção de quem comenta, crítica ou se manifesta em sentido contrário.
Assumo e reconheço muitos dos meus erros, de algum pretensiosismo de escrita, de alguma verborreia de ideias. Que escrevo quase sempre à flor da pele, com emoção, e que, efectivamente, não revejo os meus textos (lá terei de o passar a fazer).
Mas estes espaço é mesmo isso e é mesmo assim. Feito de emoções e paixões, de algumas razões e, sempre que possível, de muita discordância, de direito ao contraditório, de manifestação da pluralidade de opiniões e emoções. Afinal de toda a massa da qual é feita a escola.
Bem vindo, quem vem por bem.
Quem, recém chegado a este espaço me adverte, certamente que apenas procura dar o seu contributo para uma discussão sobre a escola e manifestar, dessa forma, a sua opinião às ideias expressas, ao texto descrito, áquilo que procuro transmitir, fazer chegar a colegas e a outros parceiros de viagem - é certo que nem sempre consigo atingir estes objectivos, assumo limitações.
Mas penso desnecessário um certo achincalhar de ideias, um baixar de nível que penso, peço desculpa se erro, não ser a intenção de quem comenta, crítica ou se manifesta em sentido contrário.
Assumo e reconheço muitos dos meus erros, de algum pretensiosismo de escrita, de alguma verborreia de ideias. Que escrevo quase sempre à flor da pele, com emoção, e que, efectivamente, não revejo os meus textos (lá terei de o passar a fazer).
Mas estes espaço é mesmo isso e é mesmo assim. Feito de emoções e paixões, de algumas razões e, sempre que possível, de muita discordância, de direito ao contraditório, de manifestação da pluralidade de opiniões e emoções. Afinal de toda a massa da qual é feita a escola.
Bem vindo, quem vem por bem.
distância
em face de obrigações e complicações fazem-se notar as distâncias daqueles que são para mim imprescindíveis para entender a escola e a educação.
Mesmo eu, peça dispensável neste processo de construção mais pessoal, sinto pouco apetite de por aqui passar, dou por mim quase sem estórias nem argumentos para deixar impressões.
enfim, frutos de uma época.
Mesmo eu, peça dispensável neste processo de construção mais pessoal, sinto pouco apetite de por aqui passar, dou por mim quase sem estórias nem argumentos para deixar impressões.
enfim, frutos de uma época.
bloqueio
hoje de manhã, ao deixar a filhota na escola (1º ciclo) fui informado, pela própria coordenadora em pessoa, que a partir da próxima 2ª feira os pais não poderão entrar no recinto escolar. Ter-se-ão que deixar as crianças à porta e elas se encaminharão para as respectivas salas.
Não tenho nada a obstar (?!!?) uma vez que apenas à 6ª deixo a filha junto à porta da sala, nos restantes dias, como tenho que ir deixar o mais velho a outra escola, opto por a deixar um pouco mais longe e ela faz o restante percurso a pé.
Obviamente que a senhora garantiu, naquele pequeno espaço de tempo, conversa e impressões para todo o fim-de-semana.
Ela argumentava com a legislação, com o que está legislado, ela dizia que era para bem dos pais e das crianças, mas nada invalidou que inúmeros pais se insurgissem, reclamassem, contra-argumentassem.
Face a esta situação tenho pena de duas coisas. Por um lado que a escola do 1º ciclo copie os maus exemplos do ciclos seguintes, numa eventual equiparação de reconhecimento escolar e social para mim perfeitamente desnecessário e desadequado.
Segundo, que a escola se feche cada vez mais sobre si mesma, tornando-se opaca e com isso criando e dando azo a todos os comentários, críticas e suspeições.
Não tenho nada a obstar (?!!?) uma vez que apenas à 6ª deixo a filha junto à porta da sala, nos restantes dias, como tenho que ir deixar o mais velho a outra escola, opto por a deixar um pouco mais longe e ela faz o restante percurso a pé.
Obviamente que a senhora garantiu, naquele pequeno espaço de tempo, conversa e impressões para todo o fim-de-semana.
Ela argumentava com a legislação, com o que está legislado, ela dizia que era para bem dos pais e das crianças, mas nada invalidou que inúmeros pais se insurgissem, reclamassem, contra-argumentassem.
Face a esta situação tenho pena de duas coisas. Por um lado que a escola do 1º ciclo copie os maus exemplos do ciclos seguintes, numa eventual equiparação de reconhecimento escolar e social para mim perfeitamente desnecessário e desadequado.
Segundo, que a escola se feche cada vez mais sobre si mesma, tornando-se opaca e com isso criando e dando azo a todos os comentários, críticas e suspeições.
quarta-feira, novembro 24
confusão
no meio da rua desta cidade cruzei-me com duas colegas do tempo em que passei pela direcção regional. Elas já lá estavam quando por lá passei e por lá continuam assumindo funções técnico-pedagógicas.
Na troca de comentários e no colocar a escrita em dia confirma-se a ideia que esta estrutura político-administrativa é isso mesmo, política e pouco ou nada administrativa.
Segundo rezam as crónicas ninguém se entende. Os que se entendem, sejam do governo anterior ou do actual, foram separados entre andares ou edifícios, para que não haja dúvidas da necessidade de dividir para reinar.
Só falta saber se as senhoras do poder, aquelas que estão no pedestal da direcção, ainda se entendem. Politicamente tenho as mais sérias dúvidas. Como mulheres nem tanto.
A treta é que a caravana passa e o pessoal, nas escolas, nem se apercebe destas guerras, das trafulhices, da política administrativa, do jogo de poderes, da troca de influências. Como nem uns nem outros percebemos que uns e outros andam a fazer.
Na troca de comentários e no colocar a escrita em dia confirma-se a ideia que esta estrutura político-administrativa é isso mesmo, política e pouco ou nada administrativa.
Segundo rezam as crónicas ninguém se entende. Os que se entendem, sejam do governo anterior ou do actual, foram separados entre andares ou edifícios, para que não haja dúvidas da necessidade de dividir para reinar.
Só falta saber se as senhoras do poder, aquelas que estão no pedestal da direcção, ainda se entendem. Politicamente tenho as mais sérias dúvidas. Como mulheres nem tanto.
A treta é que a caravana passa e o pessoal, nas escolas, nem se apercebe destas guerras, das trafulhices, da política administrativa, do jogo de poderes, da troca de influências. Como nem uns nem outros percebemos que uns e outros andam a fazer.
multidão
hoje foi dia de corta-mato escolar. Dia cheio para muitos.
Escola cheia de gente, arredores cheios de gente. Gente que veio das três escolas existentes, uma secundária, uma EB2/3 e um colégio salesiano com 2º e 3º ciclo.
Um colega de Educação Física com quem habitualmente troco ideias e com quem me entretenho na conversa, mostra-se entusiasmado. A organização está impecável. Ali o prof. pouco tem a fazer, a câmara faz praticamente tudo, o prof enquadra a rapaziada.
Ausência mais notada? alguns profes de educação física que, um, por ser dia livre não esteve para aparecer e, outro, por que é gente a mais. Pronto. Tábem.
Escola cheia de gente, arredores cheios de gente. Gente que veio das três escolas existentes, uma secundária, uma EB2/3 e um colégio salesiano com 2º e 3º ciclo.
Um colega de Educação Física com quem habitualmente troco ideias e com quem me entretenho na conversa, mostra-se entusiasmado. A organização está impecável. Ali o prof. pouco tem a fazer, a câmara faz praticamente tudo, o prof enquadra a rapaziada.
Ausência mais notada? alguns profes de educação física que, um, por ser dia livre não esteve para aparecer e, outro, por que é gente a mais. Pronto. Tábem.
aniversário
hoje é dia de anos de uma das pessoas que mais me marcou na vida, enquanto pessoa e enquanto profissional do ensino.
Nunca o conheci, apesar de ouvir as suas palavras, ler os seus pensamentos, conhecer o seu estado de espírito e o seu sentido profissional.
Chama-se Rómulo de Carvalho ou António Gedeão, conforme a ocasião.
Nunca o conheci, apesar de ouvir as suas palavras, ler os seus pensamentos, conhecer o seu estado de espírito e o seu sentido profissional.
Chama-se Rómulo de Carvalho ou António Gedeão, conforme a ocasião.
presença
a partir deste comentário não resisti e marco a minha presença, numa troca de saudades, peço desculpa do pretensiosismo Ana Carina.
Não estou em casa, junto da lista dos meus endereços, vai daí utilizo este meio para dar conta de peripécias passadas e que elas sirvam, pelo menos, para ajudar a perceber o que é este mundo, o que é a escola, o que é a docência.
A Ana Carina foi uma colega estagiária que se defrontou com um colega director de turma que quase tudo permite e desculpa aos alunos, que vê neles um sentido de se estar na escola e na educação. Obviamente que há pontos divergentes, que apesar de podermos concordar em muitas coisas, há pequenos (ou grandes) pontos que permitem a divergência e com isso o equacionar de alternativas. É ist oque faz a vida.
Que estejas bem e feliz. Mais não será necessário. Digo eu...
é verdade e as caralhotas;)))
Não estou em casa, junto da lista dos meus endereços, vai daí utilizo este meio para dar conta de peripécias passadas e que elas sirvam, pelo menos, para ajudar a perceber o que é este mundo, o que é a escola, o que é a docência.
A Ana Carina foi uma colega estagiária que se defrontou com um colega director de turma que quase tudo permite e desculpa aos alunos, que vê neles um sentido de se estar na escola e na educação. Obviamente que há pontos divergentes, que apesar de podermos concordar em muitas coisas, há pequenos (ou grandes) pontos que permitem a divergência e com isso o equacionar de alternativas. É ist oque faz a vida.
Que estejas bem e feliz. Mais não será necessário. Digo eu...
é verdade e as caralhotas;)))
terça-feira, novembro 23
trabalheira
uma turma de 8º ano entra devagarinho e às pinguinhas na sala. É um final de tarde de um dia sempre demasiado comprido.
Arrastam cadeiras, batem com mochilas, trocam galhardetes como se o setor ali não estivesse, não existisse.
Deixo-os ir, com o à vontade próprio de quem não lhe apetece ali estar. Contrariar as criancinhas pode descambar em traumas de adolescência indefinida, com possíveis sequelas indiscritíveis e não quero participar nesse ciclo pernicioso.
As vozes aumentam de volume, os comentários jogosos aproveitam a ausência do espanta espíritos para se exercitarem.
Afinal, sem orientação, conseguem sentar-se, ou pelo menos algo que se pareça com isso. ainda que aparentemente sentados as mochilas continuam no chão, fechadas, não vá saltar qualquer coisa de esquisito lá do fundo.
Alguém pergunta pelo setor. Alguém se lembrou que estavam numa sala de aula e que há regras e, em princípio, trabalho.
Pus o meu ar de pastor e perguntei, entre o autoritário e o compenetrado da insignificância do meu papel, mas com aquele ar de quem é sério e procura coisas sérias - afinal, há trabalho?, alguém tem alguma coisa para fazer? ou viemos apenas passear à aula, matar saudades que de certeza não temos do setor de história? uns ficam a olhar, talvez admirados, outros talvez espantados.
No final, ao fim de 90' saí exausto, completamente derriado, estou certo que eles também não. Mas trabalharam que se desenhuram, pesquisaram, elaboraram cartas e gráficos, definiram conceitos, elaboraram relatórios, preencheram fichas, discutiram, argumentaram.
E assim se passou mais uma aula de história. Sem estória. Pelo menos para já.
Arrastam cadeiras, batem com mochilas, trocam galhardetes como se o setor ali não estivesse, não existisse.
Deixo-os ir, com o à vontade próprio de quem não lhe apetece ali estar. Contrariar as criancinhas pode descambar em traumas de adolescência indefinida, com possíveis sequelas indiscritíveis e não quero participar nesse ciclo pernicioso.
As vozes aumentam de volume, os comentários jogosos aproveitam a ausência do espanta espíritos para se exercitarem.
Afinal, sem orientação, conseguem sentar-se, ou pelo menos algo que se pareça com isso. ainda que aparentemente sentados as mochilas continuam no chão, fechadas, não vá saltar qualquer coisa de esquisito lá do fundo.
Alguém pergunta pelo setor. Alguém se lembrou que estavam numa sala de aula e que há regras e, em princípio, trabalho.
Pus o meu ar de pastor e perguntei, entre o autoritário e o compenetrado da insignificância do meu papel, mas com aquele ar de quem é sério e procura coisas sérias - afinal, há trabalho?, alguém tem alguma coisa para fazer? ou viemos apenas passear à aula, matar saudades que de certeza não temos do setor de história? uns ficam a olhar, talvez admirados, outros talvez espantados.
No final, ao fim de 90' saí exausto, completamente derriado, estou certo que eles também não. Mas trabalharam que se desenhuram, pesquisaram, elaboraram cartas e gráficos, definiram conceitos, elaboraram relatórios, preencheram fichas, discutiram, argumentaram.
E assim se passou mais uma aula de história. Sem estória. Pelo menos para já.
mais
mais gente. A partir do dot prof - sempre gostei desta ideia, da designação - mais dois colegas que trocam o quotidiano por miúdos e nos brindam com crónicas de um quotidiano que é (in)docente.
Um - professora, possa falar consigo - é um mimo de descrição de cenários bem reais dos arrabaldes lisboetas - pena é a distância à santa terrinha.
O outro - the drilling holes - não lhe fica atrás. Para além das crónicas traz-nos cor, dá-nos mais som.
Mais dois sítios a passar neste quotidiano escolar e educativo. A escola fica cada vez maior, tem mais gente. Ainda bem.
Um - professora, possa falar consigo - é um mimo de descrição de cenários bem reais dos arrabaldes lisboetas - pena é a distância à santa terrinha.
O outro - the drilling holes - não lhe fica atrás. Para além das crónicas traz-nos cor, dá-nos mais som.
Mais dois sítios a passar neste quotidiano escolar e educativo. A escola fica cada vez maior, tem mais gente. Ainda bem.
coordenação
ontem tive uma daquela reuniões em final de dia que se prolongou, e bastante, para além do horário normal de trabalho.
O tema era pertinente e algo preocupante para o conselho de turma, a definição de um plano educativo especial de um aluno com deficiência.
Já tinha ocorrido uma primeira tentativa, frustada uma vez que a senhora que coordena os apoios educativos tinha faltado e posteriormente inviabilizou tudo o que tinha sido feito.
Agora a sua presença era fundamental.
Lá estava ela, na sua pose altiva e diferenciadora dos restantes humanos que ali se encontravam. Na sua altivez questionou a directora de turma, felizmente com pelo na dita cuja para responder em tom igual, questionou uns e outros como se todos fossemos ignorantes.
Pedi licença e parti a loiça [coisa que não é propriamente invulgar na minha pessoa].
Clara e objectivamente a senhora não fazia a menor ideia do que se tratava e pensava ser um caso quando era outro, não tinha feito sequer o trabalho de casa (provavelmente terá coincidido com o período de greve aos TPC), arrogante q.b. e o mais grave e que mais me aborreceu, reconheci no seu discurso a cassete da direcção regional, aquela que manda as escolas desenrascarem-se, desenvencilharem-se das coisas que ela não sabe resolver, não pode ou simplesmente não quer.
Não gostei. Uma vez mais a arrogância que de quem tudo julga saber, a necessidade de criação de distância para que se possa ver o poder.
A tia dela.
O tema era pertinente e algo preocupante para o conselho de turma, a definição de um plano educativo especial de um aluno com deficiência.
Já tinha ocorrido uma primeira tentativa, frustada uma vez que a senhora que coordena os apoios educativos tinha faltado e posteriormente inviabilizou tudo o que tinha sido feito.
Agora a sua presença era fundamental.
Lá estava ela, na sua pose altiva e diferenciadora dos restantes humanos que ali se encontravam. Na sua altivez questionou a directora de turma, felizmente com pelo na dita cuja para responder em tom igual, questionou uns e outros como se todos fossemos ignorantes.
Pedi licença e parti a loiça [coisa que não é propriamente invulgar na minha pessoa].
Clara e objectivamente a senhora não fazia a menor ideia do que se tratava e pensava ser um caso quando era outro, não tinha feito sequer o trabalho de casa (provavelmente terá coincidido com o período de greve aos TPC), arrogante q.b. e o mais grave e que mais me aborreceu, reconheci no seu discurso a cassete da direcção regional, aquela que manda as escolas desenrascarem-se, desenvencilharem-se das coisas que ela não sabe resolver, não pode ou simplesmente não quer.
Não gostei. Uma vez mais a arrogância que de quem tudo julga saber, a necessidade de criação de distância para que se possa ver o poder.
A tia dela.
segunda-feira, novembro 22
pergunta
será que a pergunta elaborada pelos maiores partidos políticos com assento parlamentar, tendo em vista o referendo à constitutição europeia, é reveladora do estado a que a escola chegou? ou será a escola consequência da pergunta elaborada?
coisas simples
coisas simples, tão simples que são normais, de tão normais falta-nos, muita das vezes, lucidez, clarividência para as podermos ver. Este texto chama-no a atenção para as coisas simples que alguém tem por hábito ou teimosia complicar.
sexta-feira, novembro 19
que fazer
reconheço que apesar de ter lançado a ideia, não sei o que fazer com ela. Entre os desafios em forma de incentivo (ou será ao contrário) e a dúvida, que fazer?
é difícil estruturar uma ideia apenas com suporte virtual (reconheço que sinto a falta de uma daquelas reuniões/encontros de preparação onde as ferramentas são o garfo e a faca, seja à frente de umas migas ou de uns rojões, obviamente sempre acompanhados de uma boa pinga - verde ou maduro que tanto me faz).
Como sinto alguma dificuldade em querer fazer mais do mesmo, isto é, há que ir um pouco mais além, ousar e para além de uma eventual cooperativa poder ser um repositório individual (para isso mais vale mantermos aquilo que temos e que individualmente somos) há que acrescentar algo mais, seja em ideia, substância, argumentos ou princípios.
Daí ficar assim algo para o aparvalhado (mais do que me é hábito) de modo a perceber o que é que se há-de fazer, como fazer, com quem, para quê.
Aceitam-se ideias, atirem-se alternativas, uma vez que o encontro físico está ainda distante (estará??).
é difícil estruturar uma ideia apenas com suporte virtual (reconheço que sinto a falta de uma daquelas reuniões/encontros de preparação onde as ferramentas são o garfo e a faca, seja à frente de umas migas ou de uns rojões, obviamente sempre acompanhados de uma boa pinga - verde ou maduro que tanto me faz).
Como sinto alguma dificuldade em querer fazer mais do mesmo, isto é, há que ir um pouco mais além, ousar e para além de uma eventual cooperativa poder ser um repositório individual (para isso mais vale mantermos aquilo que temos e que individualmente somos) há que acrescentar algo mais, seja em ideia, substância, argumentos ou princípios.
Daí ficar assim algo para o aparvalhado (mais do que me é hábito) de modo a perceber o que é que se há-de fazer, como fazer, com quem, para quê.
Aceitam-se ideias, atirem-se alternativas, uma vez que o encontro físico está ainda distante (estará??).
organização
apesar de não gostar de trabalhar ao fim-de-semana, melhor dito, de me aproximar desta máquina que me condiciona e atropela, hoje aproveitei para organizar ideias e preparar uma pequeniníssima parte do fim-de-semana junto ao computador.
Quero e penso que estes dias são os melhores para organizar uma apresentação sobre o Renascimento e a Reforma, tendo como alvo uma turma de 8º ano, um conjunto de alunos que dariam um óptimo esteriótipo de turma, interessados, empenhados, curiosos, participativos q.b., motivados, elevadas expectativas sociais, enquadramento social equilibrado, argumentativos.
E lá vou eu fazer a vontade.
Não sou adepto e habitualmente não faço aulas expositivas, prefiro a construção do conhecimento, a descoberta das ideias, a organização dos argumentos, a orientação, a pesquisa. Mas eles pediram, com argumentos, justificaram a ideia, propuseram alternativas e definiram a apresentação como um eixo para outras ideias. A ver vamos.
Quero e penso que estes dias são os melhores para organizar uma apresentação sobre o Renascimento e a Reforma, tendo como alvo uma turma de 8º ano, um conjunto de alunos que dariam um óptimo esteriótipo de turma, interessados, empenhados, curiosos, participativos q.b., motivados, elevadas expectativas sociais, enquadramento social equilibrado, argumentativos.
E lá vou eu fazer a vontade.
Não sou adepto e habitualmente não faço aulas expositivas, prefiro a construção do conhecimento, a descoberta das ideias, a organização dos argumentos, a orientação, a pesquisa. Mas eles pediram, com argumentos, justificaram a ideia, propuseram alternativas e definiram a apresentação como um eixo para outras ideias. A ver vamos.
surpresas
Depois de uma troca de ideias com uma colega, a propósito de descobrimos pessoas depois de as termos conhecido, de com elas termos privado e pensarmos que são uma coisa e serem, afinal, outra, senti viontade de partilhar algumas das ideias, de as transcrever para este espaço e partilhá-las com mais gente.
De quando em vez criamos umas quantas barreiras, seja para protecção, defesa, simples egoísmo ou individualismo ou por uma qualquer outra razão, que nos dificultam atingir o outro, ouvir o outro, estar com o outro.
O passar do tempo faz com que, não por desconfiança, assim quero acreditar, mas talvez por uma simples necessidade de não desgastarmos energias, não dispender sentimentos, de não perdemos afectos mais ou menos certos, nos isolemos, não entremos em campos que de antemão sabemos inúteis ou sem retorno. Mas essalimitação condiociona também a descoberta de outras situações, a compreensão de outros olhares, que nos permitem avançare compreender outros olhares que outros lançam sobre a mesma realidade.
o que tem de mau é que perdemos óbvias oportunidades de nos enriquecermos mutuamente. O que pode ter de bom é que nos descobrimos depois, umas vezes tarde de mais, outras talvez nem tanto.
Aproveitemos para conversar com o outro, ouvir o outro. Seremos mais tolerantes. Melhores profissionais. Estou certo.
De quando em vez criamos umas quantas barreiras, seja para protecção, defesa, simples egoísmo ou individualismo ou por uma qualquer outra razão, que nos dificultam atingir o outro, ouvir o outro, estar com o outro.
O passar do tempo faz com que, não por desconfiança, assim quero acreditar, mas talvez por uma simples necessidade de não desgastarmos energias, não dispender sentimentos, de não perdemos afectos mais ou menos certos, nos isolemos, não entremos em campos que de antemão sabemos inúteis ou sem retorno. Mas essalimitação condiociona também a descoberta de outras situações, a compreensão de outros olhares, que nos permitem avançare compreender outros olhares que outros lançam sobre a mesma realidade.
o que tem de mau é que perdemos óbvias oportunidades de nos enriquecermos mutuamente. O que pode ter de bom é que nos descobrimos depois, umas vezes tarde de mais, outras talvez nem tanto.
Aproveitemos para conversar com o outro, ouvir o outro. Seremos mais tolerantes. Melhores profissionais. Estou certo.
quinta-feira, novembro 18
resposta (?)
a proposta, a ideia do Miguel é claramente um desafio, uma quase necessidade de arrancar como mais uma das alternativas a outras cooperativas.
Fico na dúvida se se deve arrancar, ou não, arranque sem qualquer conhecimento pessoal ou sequer uma troca de palavras físicas prévias, mas o desafio é aliciante. Será que temos condições, será que temos capacidade de fazer mais e diferente?
Fico na dúvida se se deve arrancar, ou não, arranque sem qualquer conhecimento pessoal ou sequer uma troca de palavras físicas prévias, mas o desafio é aliciante. Será que temos condições, será que temos capacidade de fazer mais e diferente?
propostas
A blogosfera é também um elemento de aproximação, para além de partilha, de troca. Podemos matar saudades, descobrir pessoas que pensávamos de uma maneira e que, afinal, são de outra.
Surpresas agradáveis, estas, com código, unidireccionais. Os restantes que me desculpem, mas é uma auto-imposição.
Surpresas agradáveis, estas, com código, unidireccionais. Os restantes que me desculpem, mas é uma auto-imposição.
quarta-feira, novembro 17
actual
está mais difícil, no presente ano lectivo, manter actual e mais regular a presença de alguns blogueiros, das suas ideias, das suas imagens neste espaço que é a blogosfera.
nota-se, sente-se essa dificuldade. Já antes a tinha referenciado, volto a ela pois pressinto que se generaliza. Talvez uma das alternativas seja, possa passar por criar uma cooperativa, qual paixão da educação.
nota-se, sente-se essa dificuldade. Já antes a tinha referenciado, volto a ela pois pressinto que se generaliza. Talvez uma das alternativas seja, possa passar por criar uma cooperativa, qual paixão da educação.
Avaliação
já li e já trabalhei, numa primeira análise, a proposta de despacho normativo referente à avaliação dos alunos do ensino básico.
Duas ideia me saltaram, nesta leitura.
Por um lado que não há, não houve capacidade de inovar, de trazer coisas novas, coisas diferentes, rasgar horizontes, abrir (ou entreabrir) uma janela, um postigo de oportunidades fosse para a escola, seja para a educação, seja para a relação entre uma e outra tendo como elemento condutor precisamente a avaliação.
Dentro deste aspecto é de realçar o discurso, que está de regresso, sobre a qualidade (foi tema dominante e predominante na transição da década de 80 para a de 90, nomeadamente por Carmo Clímaco e o então observatório de qualidade da escola), agora, como antes, intimante ligado à confiança social e ao funcionamento do sistema.
Como segunda ideia, a maior responsabilização (profissional, pessoal e funcional) do docente. A montante todos são chamados a participar, a intervir, elemento politicamente correcto de envolvimento e co-responsabilização na participação. Contudo, no fim a responsabilidade, a palavra última é do docente (estou certo que muitos docentes abanarão a cabeça e perguntarão de quem mais podia ser??).
Estou certo que será um elemento politicamente ineficaz (por certo suscitará pouca polémica e escasso envolvimento), como será profissionalmente inócuo, isto é, poucas serão as implicações no quotidiano das escolas, dos docentes ou dos alunos (talvez apenas mais umas quantas reuniões de preparação e definição de qualquer coisa).
Há muito mais para dizer, para escrever, para contribuir. Penso não ser este o espaço mais adequado, daí ficar-me por aqui.
Duas ideia me saltaram, nesta leitura.
Por um lado que não há, não houve capacidade de inovar, de trazer coisas novas, coisas diferentes, rasgar horizontes, abrir (ou entreabrir) uma janela, um postigo de oportunidades fosse para a escola, seja para a educação, seja para a relação entre uma e outra tendo como elemento condutor precisamente a avaliação.
Dentro deste aspecto é de realçar o discurso, que está de regresso, sobre a qualidade (foi tema dominante e predominante na transição da década de 80 para a de 90, nomeadamente por Carmo Clímaco e o então observatório de qualidade da escola), agora, como antes, intimante ligado à confiança social e ao funcionamento do sistema.
Como segunda ideia, a maior responsabilização (profissional, pessoal e funcional) do docente. A montante todos são chamados a participar, a intervir, elemento politicamente correcto de envolvimento e co-responsabilização na participação. Contudo, no fim a responsabilidade, a palavra última é do docente (estou certo que muitos docentes abanarão a cabeça e perguntarão de quem mais podia ser??).
Estou certo que será um elemento politicamente ineficaz (por certo suscitará pouca polémica e escasso envolvimento), como será profissionalmente inócuo, isto é, poucas serão as implicações no quotidiano das escolas, dos docentes ou dos alunos (talvez apenas mais umas quantas reuniões de preparação e definição de qualquer coisa).
Há muito mais para dizer, para escrever, para contribuir. Penso não ser este o espaço mais adequado, daí ficar-me por aqui.
estórias
há coisas engraçadas. Há pouco, entre um intervalo e uma aula uma colega aproxima-se e diz-me:
- oh manel, ontem ouvia-te e lembrei-me do meu professor de História do 7º e do 8º ano, professor que, na altura, detestei, embirrei com a pessoa e com a disciplina. Só muito depois percebi que me ajudou a compreender as coisas, a interpretar o que temos pela frente.
É um elogio, não é?. Pelo menos assim o senti.
- oh manel, ontem ouvia-te e lembrei-me do meu professor de História do 7º e do 8º ano, professor que, na altura, detestei, embirrei com a pessoa e com a disciplina. Só muito depois percebi que me ajudou a compreender as coisas, a interpretar o que temos pela frente.
É um elogio, não é?. Pelo menos assim o senti.
terça-feira, novembro 16
da gestão
na conversa mantida com o meu colega de lides passadas em órgãos de gestão teve a oportunidade de me dizer que se encontrava a fazer a formação do INA, no âmbito da gestão. Pedi-lhe comentários, disse-me que os comentários, todos os comentários, vão no sentido de mostrar aos formadores, poucos são docentes, que a escola não é uma empresa.
A preocupação dos formadores, de todos os que não são docentes, é mostrar que a escola tem de ser gerida como uma empresa.
Perspectiva-se, coisa que não é nova, a empresarialização das escolas. Começara, tudo o indica, na gestão administrativa, estou certo que terminará na nomeação dos directores clínicos, perdão, corrijo, directores pedagógicos.
A preocupação dos formadores, de todos os que não são docentes, é mostrar que a escola tem de ser gerida como uma empresa.
Perspectiva-se, coisa que não é nova, a empresarialização das escolas. Começara, tudo o indica, na gestão administrativa, estou certo que terminará na nomeação dos directores clínicos, perdão, corrijo, directores pedagógicos.
das coisas
este blogue não é um carpir de mágoas, ainda que seja mais fácil e mais prático falar daquilo que nos mói, daquilo que nos apoquenta a alma e o espírito. Este blogue procura, ainda que menos vezes do que aquelas que seria normal e desejável, dar conta de coisas boas, de algumas alegrias do meu olhar, da escola e da educação.
Hoje dou conta de um certo dinamismo, da participação, do envolvimento que as eleições para uma associação de estudantes, numa escola EB 2/3, tem desencadeado nestes corredores.
É engraçado ver o entusiasmo dos miudos na campanha, na sensibilização, no convencimento, na argumentação da caça do voto. Uma real aprendizagem de democracia, cidadania e participação. De louvar.
Como é engraçado perceber, na campanha que é desenvolvida, qual o olhar e quais as diferenças de olhares entre alunos e professores, entre alunos e funcionários. É engraçado perceber as valorizações, os destaques, as preocupações que existem e que, fruto da campanha, se confrontam e defrontam. De repente alguém percebeu que a escola não está organizada para os alunos. Alguém percebeu que existem interesses divergentes.
Hoje dou conta de um certo dinamismo, da participação, do envolvimento que as eleições para uma associação de estudantes, numa escola EB 2/3, tem desencadeado nestes corredores.
É engraçado ver o entusiasmo dos miudos na campanha, na sensibilização, no convencimento, na argumentação da caça do voto. Uma real aprendizagem de democracia, cidadania e participação. De louvar.
Como é engraçado perceber, na campanha que é desenvolvida, qual o olhar e quais as diferenças de olhares entre alunos e professores, entre alunos e funcionários. É engraçado perceber as valorizações, os destaques, as preocupações que existem e que, fruto da campanha, se confrontam e defrontam. De repente alguém percebeu que a escola não está organizada para os alunos. Alguém percebeu que existem interesses divergentes.
encontros
ontem referenciei um mail de uma colega, ao final da tarde, em passeio de compras do nosso dia-a-dia encontrei, à saída de um dos supermercados da cidade, um colega com quem partilhei 4 anos em órgão de gestão de uma escola atrás do sol posto.
Foi um desatar de conversas, um enleio de emoções antigas, um pôr, ainda que ao frio e no desaconchego de quem passa, a conversa em dia, trocar ideias, matar, com tiros simples, as saudades.
Foi uma das pessoas com quem mais aprendi a conhecer os enredos e os enleios com que se tece o quotidiano das escolas, da gestão. Foi uma das pessoas que mais contribuiu para aquilo que hoje ainda penso sobre a gestão da escola.
Foi um desatar de conversas, um enleio de emoções antigas, um pôr, ainda que ao frio e no desaconchego de quem passa, a conversa em dia, trocar ideias, matar, com tiros simples, as saudades.
Foi uma das pessoas com quem mais aprendi a conhecer os enredos e os enleios com que se tece o quotidiano das escolas, da gestão. Foi uma das pessoas que mais contribuiu para aquilo que hoje ainda penso sobre a gestão da escola.
segunda-feira, novembro 15
saudade
neste fim-de-semana encontrei uma mensagem, na caixa de correio electrónico, de uma colega do ano passado. Gostei.
fez-me sentir saudades daquela escola, de algumas daquelas pessoas, recordar outras escolase outras pessoas. Afinal, apesar de algum mau feitio meu, assumido e reconhecido, sempre há alguém que procura não quebrar ligações.
Outros há, com quem gostaria de ter mantido ligações e atenções, que desapareceram no mar das colocações docentes.
fez-me sentir saudades daquela escola, de algumas daquelas pessoas, recordar outras escolase outras pessoas. Afinal, apesar de algum mau feitio meu, assumido e reconhecido, sempre há alguém que procura não quebrar ligações.
Outros há, com quem gostaria de ter mantido ligações e atenções, que desapareceram no mar das colocações docentes.
de passagem
A minha visão da escola e da educação está condicionada, entre muitas outras coisas, pelo facto de ter passado quer pelos diferentes patamares do sistema (escola, órgão de gestão, centro de área educativa, direcção regional, ministério) mas também por, de passagem, ter dispendido alguns tempo noutros sectores da administração pública (Ministério do Equipamento e da Ciência) com lógicas e fundamentos algo distindos, diferenciados daqueles que encontramos na escola.
É por estas vivências que hoje pergunto sobre o que andamos nós a fazer de reunião em reunião. É que nelas não encontro sentido nem proveito, como não descortino objectivos nem sentido. Nem de aferição de conceitos, nem de debate de micro-políticas (de turma), nem de harmonização de ideias ou práticas. Discute-se, fala-se, trocam-se ideias mas fico com sérias dúvidas sobre a possibilidade, a eventualidade de termos avançado um passo, um simples passo. Mas há quem fique contente por ter dispendido tempo, ocupado os afazeres dos outros, organizado as actividades dos outros.
enfim...
É por estas vivências que hoje pergunto sobre o que andamos nós a fazer de reunião em reunião. É que nelas não encontro sentido nem proveito, como não descortino objectivos nem sentido. Nem de aferição de conceitos, nem de debate de micro-políticas (de turma), nem de harmonização de ideias ou práticas. Discute-se, fala-se, trocam-se ideias mas fico com sérias dúvidas sobre a possibilidade, a eventualidade de termos avançado um passo, um simples passo. Mas há quem fique contente por ter dispendido tempo, ocupado os afazeres dos outros, organizado as actividades dos outros.
enfim...
entre uma e outra ideia um elemento fundamental atravessa a escola portuguesa, nesta sua fase de reconfiguração, eventualmente e em minha opinião, a procura de novos sentidos e de novas formas organizacionais que tragam respostas não apenas sociais (o papel da escola na sociedade, a formação inicial e a continua, a capacidade de construir o conhecimento e interpretar o que nos é dado, a produtividade económica, as literacias, entre outras) como respostas profissionais (qual o papel do professor nestes novos contextos e tempos, o papel das culturas colaborativas, a participação, a intervenção a construção de sentidos profissionais, nomeadamente) mas o desafio preponderante é o da participação política, o da definição de sentidos (des)construtivos do conhecimento e do ser, da identidade e do profissional.
O que gostava realmente de perceber é para onde nos levam estes ventos do tempo. Qual o papel da blogosfera neste reencaminhar de sentidos? qual o papel das culturas colaborativas na redefinição do sentido profissional?, qual a reengenharia organizacional para apoiar e fomentar a participação, a colaboração, a construção de sentidos? qual os sentidos das autonomias locais na definição local de políticas educativas?
Ena tantas ideias, tantas coisas e tão pouco o tempo para as poder apreciar, usufruir.
O que gostava realmente de perceber é para onde nos levam estes ventos do tempo. Qual o papel da blogosfera neste reencaminhar de sentidos? qual o papel das culturas colaborativas na redefinição do sentido profissional?, qual a reengenharia organizacional para apoiar e fomentar a participação, a colaboração, a construção de sentidos? qual os sentidos das autonomias locais na definição local de políticas educativas?
Ena tantas ideias, tantas coisas e tão pouco o tempo para as poder apreciar, usufruir.
domingo, novembro 14
banalidades
em final de fim-de-semana, em que me sinto cansado de andar à azeitona [é verdade, a idade deu-me para estas coisas mais campesinas, mais agrícolas], apetece-me falar de banalidades.
que digo então sobre banalidades?
que digo então sobre banalidades?
afinal não sou só eu
ufa, ainda bem, estava mesmo a pensar que a sorte tinha sido só minha, única e exclusivamente. fico melho,r já me sinto melhor.
sexta-feira, novembro 12
decrecente
contam-se os tempos, as vontades que ainda nos restam para podermos entrar de fim-de-semana.
está quase. Falta apenas o quase. Depois, bem depois é fim-de-semana.
está quase. Falta apenas o quase. Depois, bem depois é fim-de-semana.
quinta-feira, novembro 11
desabafos
a Sofia desabafa, partilha com os outros sentimentos de todos, ela própria o reconhece, o ouviu da boca de quem tem escutado muitos e muitos desabafos, de quem conhece o que é isto de ser professor.
Como em qualquer lado, mas desculpem lá, mais nuns lados que noutros, sentimos que há momentos de fraqueza, que quebramos, que julgamos que não vale a pena, que há outras coisas tão ou mais importantes que isto, que a nossa atenção deve ser, tem de ser desviada. Uns acabam por entregar as armas e passam a ser mais uns funcionários, daqueles que mecanicamente acordam e leccionam, como se o aluno, a pessoa que está à sua frente fosse uma peça, uma máquina, um apetrecho. Outros resistem, labutam, estudam, questionam, refilam, discutem, improvisam. Negoceiam com a pessoa que têm pela frente, apelam à sua participação, resistem à obstinação de serem obstinados.
Entre um e outro lado podem estar duas coisas que ajudam a escolher, a optar por um qualquer desses lados. O meu avô diria, na sua simplicidade de alentejano ignorante, que é o brio profissional, o gosto com que se fazem as coisas, o sentimento de se ser reconhecido quer pelos seus pares quer pelos outros. Na minha arrogância de instruído, na petulância de conhecedor digo apenas que é o gosto de se estar nesta vida e nesta profissão.
vai para 17 anos que me chamam nomes, mas não desisto de lutar por uma escola inclusiva, participada, democrática, tolerante, construtora de pessoas e de saberes. A opção é nossa Sofia. Estou certo que há muito que optas-te. E bem.
Como em qualquer lado, mas desculpem lá, mais nuns lados que noutros, sentimos que há momentos de fraqueza, que quebramos, que julgamos que não vale a pena, que há outras coisas tão ou mais importantes que isto, que a nossa atenção deve ser, tem de ser desviada. Uns acabam por entregar as armas e passam a ser mais uns funcionários, daqueles que mecanicamente acordam e leccionam, como se o aluno, a pessoa que está à sua frente fosse uma peça, uma máquina, um apetrecho. Outros resistem, labutam, estudam, questionam, refilam, discutem, improvisam. Negoceiam com a pessoa que têm pela frente, apelam à sua participação, resistem à obstinação de serem obstinados.
Entre um e outro lado podem estar duas coisas que ajudam a escolher, a optar por um qualquer desses lados. O meu avô diria, na sua simplicidade de alentejano ignorante, que é o brio profissional, o gosto com que se fazem as coisas, o sentimento de se ser reconhecido quer pelos seus pares quer pelos outros. Na minha arrogância de instruído, na petulância de conhecedor digo apenas que é o gosto de se estar nesta vida e nesta profissão.
vai para 17 anos que me chamam nomes, mas não desisto de lutar por uma escola inclusiva, participada, democrática, tolerante, construtora de pessoas e de saberes. A opção é nossa Sofia. Estou certo que há muito que optas-te. E bem.
tudo bem
um remake do meu colega Miguel Pinto, para recordar nem tudo bem nas terras do nunca.
Uma das referência que faço ultimamente com mais alguma insistência é a da memória não ser curta, a de apelar a tudo aquilo por que passamos nos últimos tempos. Só assim terei menos receios de se manter um reviralhismo saudosista, passadista, uniformizador, estandart de procedimentos, atitudes, pensamentos.
Espero que nem tudo vá bem nestas terras do nunca, que possamos sentir que há oportunidade para dizer basta, que nem todos somos iguais, que nem todos fazem o mesmo, que existem diferenças, que se sentem as diferenças de políticas, práticas e opções.
Que há outros mundos para além deste que nos querem impor.
Bela peça esta do Miguel.
Uma das referência que faço ultimamente com mais alguma insistência é a da memória não ser curta, a de apelar a tudo aquilo por que passamos nos últimos tempos. Só assim terei menos receios de se manter um reviralhismo saudosista, passadista, uniformizador, estandart de procedimentos, atitudes, pensamentos.
Espero que nem tudo vá bem nestas terras do nunca, que possamos sentir que há oportunidade para dizer basta, que nem todos somos iguais, que nem todos fazem o mesmo, que existem diferenças, que se sentem as diferenças de políticas, práticas e opções.
Que há outros mundos para além deste que nos querem impor.
Bela peça esta do Miguel.
quarta-feira, novembro 10
reunite
certamente que não é exclusivo desta escola nem destes meus colegas, mas perpassa por aqui um certo sentimento que designo como de reunite aguda. Uma clara tentativa de ocupar tempo, mostrar afazeres, andar ocupado, falar de tudo e de nada, como se fosse importante manter os professores ocupados, mesmo que o resultado dessa ocupação, dessa reunite aguda, seja nada, zero, nicles batatoites.
Passamos uma tarde inteira de reunião em reunião, o que é que de essencial foi definido?, o que é que de fundamental, de básico, de necessário foi decidido? o que se produziu com essas reuniões, o que é que delas se obteve?
Estou certo que será por incapacidade minha, mas não consigo perceber.
E assim vai este país, assim vai esta escola - e é certo que muitas outras.
Passamos uma tarde inteira de reunião em reunião, o que é que de essencial foi definido?, o que é que de fundamental, de básico, de necessário foi decidido? o que se produziu com essas reuniões, o que é que delas se obteve?
Estou certo que será por incapacidade minha, mas não consigo perceber.
E assim vai este país, assim vai esta escola - e é certo que muitas outras.
bifana
Estou colocado na terra das bifanas - da fama e de algum e bom proveito, não se safam.
Por isso, hoje, entre o final da manhã e as reuniões da tarde, perante o sol que espreita e retempera ânimos, optei por sair deste espaço escolar e encaminhar-me para um dos vários sítios em que predomina a dita cuja bifana no pão.
Optei pelo percurso mais longo, caminhando entre ruas típicas de uma viragem de atitudes e de alteração de tempos e vontades, isto é, de um lado predominam as pequenas courelas, pequenas quintas, algumas pouco maiores que um quintal de bairro, onde se destacam as batatas, as couves, os limoeiros e as laranjeiras, onde tanto existem cães e gatos, como patos e galinhas. Do outro lado, predominam as vivendas típicas de um momento de afirmação política mas essencialmente social, com passeios largos, árvores frondosas e, como um golega diz, com janelas tipo fenêtre.
Chegado ao sítio de destino entretive-me com duas delas, fininhas, entre duas fatias de pão aquecido, com molho que deixa os dedos prontos a serem lambidos, chupados, numa qualquer atitude mais ou menos erótica para quem, de forma despercebida repara nesse acto feito de forma clara e óbvia. Um prazer, um deleite.
uma delícia entre reuniões, que desperta a pouca vontade de ouvir falar das sempre eternas e sempre presentes banalidades educativas.
Por isso, hoje, entre o final da manhã e as reuniões da tarde, perante o sol que espreita e retempera ânimos, optei por sair deste espaço escolar e encaminhar-me para um dos vários sítios em que predomina a dita cuja bifana no pão.
Optei pelo percurso mais longo, caminhando entre ruas típicas de uma viragem de atitudes e de alteração de tempos e vontades, isto é, de um lado predominam as pequenas courelas, pequenas quintas, algumas pouco maiores que um quintal de bairro, onde se destacam as batatas, as couves, os limoeiros e as laranjeiras, onde tanto existem cães e gatos, como patos e galinhas. Do outro lado, predominam as vivendas típicas de um momento de afirmação política mas essencialmente social, com passeios largos, árvores frondosas e, como um golega diz, com janelas tipo fenêtre.
Chegado ao sítio de destino entretive-me com duas delas, fininhas, entre duas fatias de pão aquecido, com molho que deixa os dedos prontos a serem lambidos, chupados, numa qualquer atitude mais ou menos erótica para quem, de forma despercebida repara nesse acto feito de forma clara e óbvia. Um prazer, um deleite.
uma delícia entre reuniões, que desperta a pouca vontade de ouvir falar das sempre eternas e sempre presentes banalidades educativas.
terça-feira, novembro 9
presença
nota-se que este ano lectivo, na blogosfera, é ligeiramente diferente do anterior. Há menos actualizações, nota-se mais a ausência de uns e de outros do que era hábito, certamente por afazeres, certamente por desvios de possibilidades. Mas não se esqueçam de regressar, de passar por aqui. É fundamental para a sanidade mental de uns quantos, pelo menos falo por mim.
avaliação
nesta minha escola uma colega gostava de desenvolver o seu trabalho de mestrado na área da avaliação. Trocamos ideias, conversamos sobre coisas úteis e fúteis que podem orientar ou enquadrar o seu trabalho. Fica com receio das susceptibilidades, das sensibilidades, de despertar fantasmas.
Pergunto sobre a sua ideia relativamente à possibilidade de construir instrumentos e indicadores para um qualquer projecto (educativo, curricular) para se perceber qual o seu sentido, qual a sua utilidade, qual o nível de coerência entre o dito e defendido e o feito e praticado.
Olha para mim e fica em silêncio. Acabou a conversa. fico sem perceber se a ideia é boa ou se foi [mais ] uma idiotice das minhas.
Pergunto sobre a sua ideia relativamente à possibilidade de construir instrumentos e indicadores para um qualquer projecto (educativo, curricular) para se perceber qual o seu sentido, qual a sua utilidade, qual o nível de coerência entre o dito e defendido e o feito e praticado.
Olha para mim e fica em silêncio. Acabou a conversa. fico sem perceber se a ideia é boa ou se foi [mais ] uma idiotice das minhas.
do parque
A partir desta ideia, permita-se-me a pergunta será a escola que muda a sociedade ou a sociedade que muda a escola? Ou será que mudam ao mesmo tempo? ou será que petrificam ambas?
a metáfora não deixa de ser engraçada, mas não deixa de ser um parque, delimitado (física ou mental ou culturalmente), como não deixa de ter e apresentar características que não se encontram noutro qualquer lado, que são específicas daquele espaço, que não conseguimos transpor dali para outros lados.
Imagino mais a escola como um qualquer bairro de uma qualquer cidade. Com guettos, com diferenciações, com distinções, com particularidades, afinal com identidade, com alma.
Um bairro, um local com ruas que se percorrem na apreciação das suas montras ou das suas figuras, com cruzamentos onde somos obrigados a decidir para onde queremos ir, com suportes e estruturas de apoio ao quotidiano, com obras e intervenção humana na definição da sua caracterização, do seu futuro.
a metáfora não deixa de ser engraçada, mas não deixa de ser um parque, delimitado (física ou mental ou culturalmente), como não deixa de ter e apresentar características que não se encontram noutro qualquer lado, que são específicas daquele espaço, que não conseguimos transpor dali para outros lados.
Imagino mais a escola como um qualquer bairro de uma qualquer cidade. Com guettos, com diferenciações, com distinções, com particularidades, afinal com identidade, com alma.
Um bairro, um local com ruas que se percorrem na apreciação das suas montras ou das suas figuras, com cruzamentos onde somos obrigados a decidir para onde queremos ir, com suportes e estruturas de apoio ao quotidiano, com obras e intervenção humana na definição da sua caracterização, do seu futuro.
do romântico
Hoje, por essa blogosfera, nota-se o ar romântico que orienta, que condiciona a acção educativa, o enlevo de erotismo que subjaz a uma [qualquer] relação . Não sei se é bom se mau, como também não estou preocupado com esses aspectos de catalogar, agrupar comportamentos e menos ainda sentimentos.
Mas é este sentimento romântico, é este quixotismo que faz com que gostemos do que fazemos. De sermos professores, de encarar o quotidiano como de umna eterna construção de sentidos, de futuros, de pessoas.
Mas é este sentimento romântico, é este quixotismo que faz com que gostemos do que fazemos. De sermos professores, de encarar o quotidiano como de umna eterna construção de sentidos, de futuros, de pessoas.
domingo, novembro 7
preparativos
antes de ir sofrer um pouco, isto é, de ir ver mais um jogo do glorioso [espero que com melhor desempenho que os últimos dois, vou dedicar-me à preparação da semana.
mais
no início de mais uma semana, permitam-me recordar o combate travado na passada 6ª feira, em que vários elementos levaram a melhor, mas a muito custo, sobre uma soberba perna de veado.
Depois de muitas horas e uitas garfadas, vimos o fundo ao tacho onde marinou a dita cuja. Posso assegurar que estava muito acima das minhas expectativas e que ficou agendado novo combate, lá mais próximo do Natal. A seu tempo darei conta.
Depois de muitas horas e uitas garfadas, vimos o fundo ao tacho onde marinou a dita cuja. Posso assegurar que estava muito acima das minhas expectativas e que ficou agendado novo combate, lá mais próximo do Natal. A seu tempo darei conta.
autonomia
Por causa desta posta [mas também dos comentários que desencadeou, estou certo que o não eram os mais esperados pelo Miguel] volto a um tema que me prendeu a atenção durante mais de dois anos, a autonomia. Foi a base da minha dissertação de mestrado, foi um enleio por onde andeia a defender ideias, princípios, orientações, foram questões políticas pelas quais me bati em diferentes patamares do sistema onde tive a oportunidade [e o privilégio] de ter andado.
Depois da justificação o enredo, não há uma autonomia profissional como não há uma autonomia pedagógica. J. Barroso defende-o há muito tempo e antes dele L. Lima e antes destes e lá por fora quer C. Cherryholmes ou D. Lortie a autonomia é um atributo da pessoa, pessoal, próprio, individual. Não se atribui nem se delega, existe, exerce-se. É a partir deste ponto que se definem as restantes autonomias, se apoia uma ideia de educação pela e para a autonomia.
A partir deste ponto podemos discutir simbolos, poderes, exercícios, práticas, princípios e atitudes.
O que o Miguel descreve é uma atitude, um princípio de muitos anos de um ensino virado para um micro-cosmos, o da sala de aula, alheado do seu ambiente, um casulo onde o professor se resguarda de ataques, opressões e pressões [discute-se a influência do poder político nos media, discuta-se, de igual modo, a pressão deste mesmo poder perante o desenrolar das actividades pedagógicas, o seu condicionamento na acção e intervenção do docente]. Daí aquele onde a cultura de sala de aula é mais sedimentada [peço desculpa se firo susceptibilidades] ser a do primeiro ciclo, onde o docente age isoladamente, daí a dificuldade de penetração de muitas das modas pedagógicas, daí a defesa quase que intransigente da necessidade de se conhecer a prática, o quotidiano, e se exigirem medidas capazes de ir ao encontro da mil e uma realidades.
O fundamental é discutir, falar-se sobre lógicas de funcionamento, princípios, de modo a sermos capazes de interpretar a nossa profissão, de a reconstruir, de a afirmar. O resto é estarmos a discutir o sexo dos anjos.
Depois da justificação o enredo, não há uma autonomia profissional como não há uma autonomia pedagógica. J. Barroso defende-o há muito tempo e antes dele L. Lima e antes destes e lá por fora quer C. Cherryholmes ou D. Lortie a autonomia é um atributo da pessoa, pessoal, próprio, individual. Não se atribui nem se delega, existe, exerce-se. É a partir deste ponto que se definem as restantes autonomias, se apoia uma ideia de educação pela e para a autonomia.
A partir deste ponto podemos discutir simbolos, poderes, exercícios, práticas, princípios e atitudes.
O que o Miguel descreve é uma atitude, um princípio de muitos anos de um ensino virado para um micro-cosmos, o da sala de aula, alheado do seu ambiente, um casulo onde o professor se resguarda de ataques, opressões e pressões [discute-se a influência do poder político nos media, discuta-se, de igual modo, a pressão deste mesmo poder perante o desenrolar das actividades pedagógicas, o seu condicionamento na acção e intervenção do docente]. Daí aquele onde a cultura de sala de aula é mais sedimentada [peço desculpa se firo susceptibilidades] ser a do primeiro ciclo, onde o docente age isoladamente, daí a dificuldade de penetração de muitas das modas pedagógicas, daí a defesa quase que intransigente da necessidade de se conhecer a prática, o quotidiano, e se exigirem medidas capazes de ir ao encontro da mil e uma realidades.
O fundamental é discutir, falar-se sobre lógicas de funcionamento, princípios, de modo a sermos capazes de interpretar a nossa profissão, de a reconstruir, de a afirmar. O resto é estarmos a discutir o sexo dos anjos.
sexta-feira, novembro 5
só para chatear
já que há uns quantos a chá e torradas e outros pela hora da morte deixem-se chatear um pouco ou, como se diz por estas minhas bandas, picar os miolos ao pissoal.
hoje, daqui a pouco, vou tirar um petisco de coisas não muito usuais. Época e região de caça vou enfrentar uma perna de veado, eu e mais uns quantos que a dita é grande.
Acrescente-se à dita uns cogumelos salteados e um molho picante para aquecer o interior e temos a festa pronta.
Já agora acrescento (uma vez que também há dias de festa na escola), umas entradas de presunto de barrancos (daquele que não há nos supermercados porque foi proibido pela União europeia) umas chouricitas assadas de Estremoz (a localidade é importante para perceber a sua composição e textura), uma orelha de vinagrete e outras coisas mais, tudo acompanhado com uns tintos diversos mas todos regionais, que aí, peço desculpa, sou regionalista, oriundos de Estrmoz, Pias, Évora e Reguengos (ficam as terras porque são desnecessárias as marcas).
Para finalizar (disseram-me, porque ainda não estava convencido) uns doces conventuais feitos por um compadre que atesta a qualidade e é garantia de coisa boa
Afinal, hoje é prá perdição e para o total protagonismo das calorias (estragar o que ando a poupar, enfim).
hoje, daqui a pouco, vou tirar um petisco de coisas não muito usuais. Época e região de caça vou enfrentar uma perna de veado, eu e mais uns quantos que a dita é grande.
Acrescente-se à dita uns cogumelos salteados e um molho picante para aquecer o interior e temos a festa pronta.
Já agora acrescento (uma vez que também há dias de festa na escola), umas entradas de presunto de barrancos (daquele que não há nos supermercados porque foi proibido pela União europeia) umas chouricitas assadas de Estremoz (a localidade é importante para perceber a sua composição e textura), uma orelha de vinagrete e outras coisas mais, tudo acompanhado com uns tintos diversos mas todos regionais, que aí, peço desculpa, sou regionalista, oriundos de Estrmoz, Pias, Évora e Reguengos (ficam as terras porque são desnecessárias as marcas).
Para finalizar (disseram-me, porque ainda não estava convencido) uns doces conventuais feitos por um compadre que atesta a qualidade e é garantia de coisa boa
Afinal, hoje é prá perdição e para o total protagonismo das calorias (estragar o que ando a poupar, enfim).
ocupação
a taxa de ocupação dos computadores (2) da sala de professores da minha escola está pela hora da morte. Quase que se pode falar em filas intermináveis, correrias loucas para se chegar primeiro, contagem efectiva do tempo de utilização/ocupação, desconsideração pelo outro tal tem sido a solicitação de que têm sido alvo.
Resultado, não escrevo como e quando queria. Escrevo agora, vésperas de fim-de-semana, final de dia de trabalho, enquanto espero o resto da família.
Também por causa disso não se estranhe a minha ainda que pontual mas forçada ausência.
Resultado, não escrevo como e quando queria. Escrevo agora, vésperas de fim-de-semana, final de dia de trabalho, enquanto espero o resto da família.
Também por causa disso não se estranhe a minha ainda que pontual mas forçada ausência.
olhares
o meu filho, após uma conversa em que fizémos um ponto de situação à sua mudança (de ciclo de ensino, de estabelecimento, de colegas, de orientações) diz-me que gostava de vir a ser professor mas do 1º ciclo, que estes [entendam-s e os colegas] dão muito trabalho, são muito chatos, fazem muito barulho.
Perceptível para quem teve que enfrentar toda uma situação pouco ou nada simpática e esbarrou com [digo eu] a falta de bom senso da gestão da escola.
Perceptível para quem teve que enfrentar toda uma situação pouco ou nada simpática e esbarrou com [digo eu] a falta de bom senso da gestão da escola.
quinta-feira, novembro 4
referências
o meu caro amigo Miguel, permite-me encher a boca desta meneira e com estas palavras, faz referência à minha ausência.
De quando em vez acontece, ou por falta de acesso, neste momento não tenho, na escola, acesso à Internet, ou por cansaço, foi uma semana de reuniões intercalares em final de tarde, situação que fez com que chegasse a casa sempre depois das 20h00, e por não querer acentuar neste espaço visões negativas, péssimistas, redutoras do meu olhar a escola.
Mas ainda não desisti desta escrita e deste meu espaço. Tenho assuntos para discorrer, como tenho a clara pretensão de ser um treinador de bancada e deixar aqui o meu olhar sobre esta coisa que adoro, a profissão docente, e o espaço onde ela acontece com maior regularidade, a escola.
obigado pela referência e por me fazeres sentir senão importante, pelo menos útil - obviamente que à dimensão deste meu espaço de participação. Obrigado.
De quando em vez acontece, ou por falta de acesso, neste momento não tenho, na escola, acesso à Internet, ou por cansaço, foi uma semana de reuniões intercalares em final de tarde, situação que fez com que chegasse a casa sempre depois das 20h00, e por não querer acentuar neste espaço visões negativas, péssimistas, redutoras do meu olhar a escola.
Mas ainda não desisti desta escrita e deste meu espaço. Tenho assuntos para discorrer, como tenho a clara pretensão de ser um treinador de bancada e deixar aqui o meu olhar sobre esta coisa que adoro, a profissão docente, e o espaço onde ela acontece com maior regularidade, a escola.
obigado pela referência e por me fazeres sentir senão importante, pelo menos útil - obviamente que à dimensão deste meu espaço de participação. Obrigado.
discussão
os alunos do superior reivindicam mais acção social escolar, autonomia e participação na vida académica.
Nós por cá, no básico e secundário, cá vamos de mala às costas, sonhos pela frente e ilusões por todos os lados, a tentar criar sentidos à escola, a procurar incutir responsabilidades e autonomia a pessoas que se forma e se definem.
Para quando a defesa de mais autonomia para a escola básica e secundária? na definição do seu projecto educativo/curricular/escolar? na definição dos seus interesses e do seu modelo de organização? na sua composição e funcionamento?
para quando a revisão da acção social escolar claramente desfazada da realidade, desadequada de contextos, desconforme as necessidades?
para quando a capacidade de a escola definir, com cabeça, tronco e menbros uma oferta adequada às necessidades daqueles que serve, dos seus interesses, dos seus nichos específicos de mercado?
para quando a consciêncialização que falta política à escola pública portuguesa? política de debate, discussão, participação, definição de sentidos e escolhas, política face às opções e aos sentidos profissionais dos docentes, à formação profissional.
para quando o debate sobre o que pretendemos da escola pública portuguesa, o que entendemos sobre o que é a escola pública, para que serve, quem serve, o que serve.
Nós por cá, no básico e secundário, cá vamos de mala às costas, sonhos pela frente e ilusões por todos os lados, a tentar criar sentidos à escola, a procurar incutir responsabilidades e autonomia a pessoas que se forma e se definem.
Para quando a defesa de mais autonomia para a escola básica e secundária? na definição do seu projecto educativo/curricular/escolar? na definição dos seus interesses e do seu modelo de organização? na sua composição e funcionamento?
para quando a revisão da acção social escolar claramente desfazada da realidade, desadequada de contextos, desconforme as necessidades?
para quando a capacidade de a escola definir, com cabeça, tronco e menbros uma oferta adequada às necessidades daqueles que serve, dos seus interesses, dos seus nichos específicos de mercado?
para quando a consciêncialização que falta política à escola pública portuguesa? política de debate, discussão, participação, definição de sentidos e escolhas, política face às opções e aos sentidos profissionais dos docentes, à formação profissional.
para quando o debate sobre o que pretendemos da escola pública portuguesa, o que entendemos sobre o que é a escola pública, para que serve, quem serve, o que serve.
práticas
práticas de voluntarismo, de desenrascanço, de fazer das tripas coração, de dar a volta por cima. Aqui está um exemplo. Bom de se ver, pela luta e pela perseverança, pela sansatez de não se render. Aqui fica também aquilo que o sistema é, uma imensa prática fora de horas, a quase impossibilidade de saber lidar com a diferença, com desafios, com o imprevisto. Felizmente que o sistema são as pessoas e há pessoas que querem fazer mais.
Ainda bem.
Ainda bem.
desafios
os desafios surgem do lado e dos sítios que mais esperamos, ou talvez não. Mas este é claramente um desafio, de divulgação, de participação, de questionar e de descobrir quais os possíveis caminhos, os incontonáveis futuros.
O sítio onde se expressa esta paixão da educação coloca os desafios em rede, de jornais e de ideias, de instrumentos e de fins. Será engraçado questionar sobre o papel que uns e outros, jornais e blogues, podem ter, devem ter na escola, na educação, na formação, na aprendizagem.
parabéns pela iniciativa e pelos desafios, fica para uma próxima oportunidade o encontro de blogues da/sobre a educação/escola.
O sítio onde se expressa esta paixão da educação coloca os desafios em rede, de jornais e de ideias, de instrumentos e de fins. Será engraçado questionar sobre o papel que uns e outros, jornais e blogues, podem ter, devem ter na escola, na educação, na formação, na aprendizagem.
parabéns pela iniciativa e pelos desafios, fica para uma próxima oportunidade o encontro de blogues da/sobre a educação/escola.
metáforas
um conjunto de metáforas que designo, no mínimo, de inteligentes, perspicazes, acutilantes. de leitura pessoal e íntima.
Para quem quer perceber o que quer perceber, da maneira que quer perceber. A palavra como meio e fim, de pensamento e de acção. Um sítio imperdível.
Para quem quer perceber o que quer perceber, da maneira que quer perceber. A palavra como meio e fim, de pensamento e de acção. Um sítio imperdível.
quarta-feira, novembro 3
desaparecimento
nota-se, na minha sala de professores, a ausência de computadores com acesso à Internet. Foi um desaparecimento não consentido nem programado que faz com que as hostes se sintam incomodadas, pois agora não podemos navegar, nem discutir sobre o tempo de utilização dos computadores, nem consultar as últimas novidades no correio electrónico.
é uma tristeza, dizem-nos que é para melhorar, para disponibilizar o famoso acesso em banda larga, que a senhora ministra há tempos não fazia a mínima ideia do que era, quantas escolas envolvia, os custos.
e, entretanto, nós desesperamos.
é uma tristeza, dizem-nos que é para melhorar, para disponibilizar o famoso acesso em banda larga, que a senhora ministra há tempos não fazia a mínima ideia do que era, quantas escolas envolvia, os custos.
e, entretanto, nós desesperamos.
segunda-feira, novembro 1
leituras
depois de conversas sobre tudo e sobre nada, daquelas que pululam os intervalos e o queimar do tempo [e depois dizemos que não o temos] numa sala de professores, sempre conseguimos encontrar algumas cumplicidades, tecer alguns enleios que se enredam com gostos e atenções comuns.
em conversas com uma colega de Visual deparo-me com o seu gosto por descobrir pequenos grandes segredos da prática de ensinar. Entre leituras e autores pergunto-lhe sobre P. Freire. Ainda não conhece. Excelente oportunidade para um reencontro, o meu com a sua escrita, com as suas ideias e o seu ideário, e uma descoberta, a dela por uma pedagogia que é a da autonomia.
em conversas com uma colega de Visual deparo-me com o seu gosto por descobrir pequenos grandes segredos da prática de ensinar. Entre leituras e autores pergunto-lhe sobre P. Freire. Ainda não conhece. Excelente oportunidade para um reencontro, o meu com a sua escrita, com as suas ideias e o seu ideário, e uma descoberta, a dela por uma pedagogia que é a da autonomia.
à descoberta
depois de uma semana em que perpassou por aqui o cansaço e algum do desencanto que se abate sobre a minha pessoa nesses períodos, seria indelicado não dar conta de coisas boas e agradáveis, que as há e em razoáveis quantidades, das nossas escolas.
depois de uma semana a discutir tudo como se partíssemos de um eterno princípio [reuniões intercalares de período, realizadas no final do dia] fiquei agradavelmente surpreendido quando encontro uma jovem colega com o trabalho de casa feito.
Recentemente chegada a esta escola, tal como muitos de nós [do conselho de turma em causa] procurou informação sobre a sua direcção de turma, anotou o trabalho antes desenvolvido, apresentou novas propostas, reconfigurou outras tendo por base a continuidade. Ficámos agradavelmente surpreendidos com a natural e normal evidência de que devia ser sempre assim. Ainda bem.
depois de uma semana a discutir tudo como se partíssemos de um eterno princípio [reuniões intercalares de período, realizadas no final do dia] fiquei agradavelmente surpreendido quando encontro uma jovem colega com o trabalho de casa feito.
Recentemente chegada a esta escola, tal como muitos de nós [do conselho de turma em causa] procurou informação sobre a sua direcção de turma, anotou o trabalho antes desenvolvido, apresentou novas propostas, reconfigurou outras tendo por base a continuidade. Ficámos agradavelmente surpreendidos com a natural e normal evidência de que devia ser sempre assim. Ainda bem.
mais
...mais gente é o que se sente por estas paragens, a turma alarga-se, depois há queixas que as turmas são muito grandes. E com razão. Esta turma da blogosfera cresce a olhos e sentimentos vistos.
São traços, riscos e rabiscos, ideias e sentimentos, é gente que faz a História e conta estórias, de gente grande e de gente pequena, por que todos são importantes, todos somos gente.
Cada vez sinto mais o gosto por este espaço de partilha, de troca, de ir e voltar, de estranhar e entranhar num mundo que é o da educação.
Cada vez gosto mais de ser professor. Pena é a política que temos.
São traços, riscos e rabiscos, ideias e sentimentos, é gente que faz a História e conta estórias, de gente grande e de gente pequena, por que todos são importantes, todos somos gente.
Cada vez sinto mais o gosto por este espaço de partilha, de troca, de ir e voltar, de estranhar e entranhar num mundo que é o da educação.
Cada vez gosto mais de ser professor. Pena é a política que temos.
após
após a pausa o regresso, o deitar de cabeça (sou eu mesmo) no nosso dia-a-dia, no que de bom e menos bom ele nos reserva.
Novo mês e, por muito incrível que possa parecer a muitos, o penúltimo do ano. Pelo que passei, por aquilo que os meus passaram, antes fosse já amanhã o último dia, mas já só faltam 60 dias. quem diria.
Novo mês e, por muito incrível que possa parecer a muitos, o penúltimo do ano. Pelo que passei, por aquilo que os meus passaram, antes fosse já amanhã o último dia, mas já só faltam 60 dias. quem diria.
quinta-feira, outubro 28
construção
na construção de um possível sentido da escola, do papel do aluno e do trabalho escolar tenho procurado criar materiais, perceber quais os mecanismos de actuação e de relacionamento professor/aluno/escola. Tenho assumido que é muita gente, uma triangulação difícil de gerir como extremamente volátil, plástica, maleável, dependente de inúmeras situações, co-relacionada com múltiplos factores e elementos, uns exteriores outros interiores quer à escola, quer ao agregado familiar, à pessoa (características, personalidade) do aluno, à forma como este vê (constroi uma ideia e uma imagem sobre o) professor, o seu papel, a sua disposição.
não tenho a mínima veleidade de conseguir algo de concreto, de útil, de prático, de adaptável no decorrer deste ano, apesar de ser este o ano onde reconheço um maior deságuar, uma maior confluência de circunstâncias.
Mas esta minha procura, esta minha pesquisa tem levantado questões não menos fáceis de gerir, tem desvelado, como diria o magnífico reitor da minha terra, situações não menos complexas.
Por exemplo, e talvez porque estou sozinho no processo, a relação que os alunos criam com outras disciplinas, com outros docentes, com outras atitudes - resistência, atrito quando não mesmos conflito, mas essencialmente indiferença.
O questionar de docentes face ao trabalho, às metodologias, às estratégias adoptadas, à livre circulação de alunos pelas escola (apenas e somente entre a sala e a biblioteca ou centro de recursos) no decurso da aula, facto que me tem obrigado a aprofundar a teorização e fundamentação.
Mas vale a pena.
não tenho a mínima veleidade de conseguir algo de concreto, de útil, de prático, de adaptável no decorrer deste ano, apesar de ser este o ano onde reconheço um maior deságuar, uma maior confluência de circunstâncias.
Mas esta minha procura, esta minha pesquisa tem levantado questões não menos fáceis de gerir, tem desvelado, como diria o magnífico reitor da minha terra, situações não menos complexas.
Por exemplo, e talvez porque estou sozinho no processo, a relação que os alunos criam com outras disciplinas, com outros docentes, com outras atitudes - resistência, atrito quando não mesmos conflito, mas essencialmente indiferença.
O questionar de docentes face ao trabalho, às metodologias, às estratégias adoptadas, à livre circulação de alunos pelas escola (apenas e somente entre a sala e a biblioteca ou centro de recursos) no decurso da aula, facto que me tem obrigado a aprofundar a teorização e fundamentação.
Mas vale a pena.
do tom
quando faço uma pausa e tenho oportunidade de ver o que fiz, pensar o que está feito, quais as suas implicações e relações fico, o mais das vezes, surpreendido.
ao olhar para as postas mais recentes noto um tom algo amargurado, um sentimento algo negativo quando, apesar de alguns desses sentimentos passarem por mim, não sentir que seja esse o meu estado de espírito nem que sejam os sentimentos dominantes.
o certo é que marcam a escrita mais recente talvez por duas ou três razões. Um certo cansaço que se reflecte na escrita, um certo sentimento de impotência, alguma frustação por sentir que as coisas estão a mudar (é certo que não apenas na escola, mas esta é um dos palcos predominantes de um espírito de mudança) e nós, professores em particular, não conseguimos (outros simplesmente não querem) assumir essa mudança.
Uma outra razão do tom das minhas postas refere-se, eventualmente, a uma ligeira alteração (não sei se momentânea se mais consistente que isso) de foco de atenção, agora assumidamente nas didácticas e metodologias pedagógicas.
É a tentativa, espero que não desesperada, de procurar colaborar na criação de sentidos da escola, do trabalho escolar, do papel do aluno, na construção da pessoa. E tenho obtido resultados que designo como surpreendentes.
ao olhar para as postas mais recentes noto um tom algo amargurado, um sentimento algo negativo quando, apesar de alguns desses sentimentos passarem por mim, não sentir que seja esse o meu estado de espírito nem que sejam os sentimentos dominantes.
o certo é que marcam a escrita mais recente talvez por duas ou três razões. Um certo cansaço que se reflecte na escrita, um certo sentimento de impotência, alguma frustação por sentir que as coisas estão a mudar (é certo que não apenas na escola, mas esta é um dos palcos predominantes de um espírito de mudança) e nós, professores em particular, não conseguimos (outros simplesmente não querem) assumir essa mudança.
Uma outra razão do tom das minhas postas refere-se, eventualmente, a uma ligeira alteração (não sei se momentânea se mais consistente que isso) de foco de atenção, agora assumidamente nas didácticas e metodologias pedagógicas.
É a tentativa, espero que não desesperada, de procurar colaborar na criação de sentidos da escola, do trabalho escolar, do papel do aluno, na construção da pessoa. E tenho obtido resultados que designo como surpreendentes.
terça-feira, outubro 26
custos
a propósito desta notícia, alguém sabe quanto custa um aluno dos ensinos básico e secundário?
alguém já pensou relacionar custos com proveitos?
alguém já pensou relacionar custos com proveitos?
em frente marche
No âmbito daquelas discussões que só o são por claro desconhecimento de regras e orientações, vi-me enredado numa troca de palavras que, agora, considero caricato.
Foi-me solicitado, em reunião de conselho de turma, um apontamento sobre dificuldades, competências, valorizações, metodologias e outros que tais face à disciplina que lecciono. Como tinha estruturado um documento sobre a turma e que considerei que respondia às questões levantadas fi-lo chegar à respectiva Directora de Turma.
Resposta, este não serve, tem de ser de acordo com este modelo, e mostrou-me uma folha com espaços próprios e questões específicas.
Ainda procurei argumentar que o meu texto ía ao encontro do solicitado que, apesar de não estar normalizado, por simples desconhecimento da minha parte, tinha todos os conteúdos ali referidos como necessários. Ganhei as mesmas.
Eu sei que estou numa cidade com profunda influência militar, mas querer uniformizar tudo, pintar tudo de verde tropa, alinhar tudo e todos da esquerda para a direita e por alturas é, pelo menos para mim, caricato e idiota.
Mas é o sistema que temos, São as pessoas que temos.
Foi-me solicitado, em reunião de conselho de turma, um apontamento sobre dificuldades, competências, valorizações, metodologias e outros que tais face à disciplina que lecciono. Como tinha estruturado um documento sobre a turma e que considerei que respondia às questões levantadas fi-lo chegar à respectiva Directora de Turma.
Resposta, este não serve, tem de ser de acordo com este modelo, e mostrou-me uma folha com espaços próprios e questões específicas.
Ainda procurei argumentar que o meu texto ía ao encontro do solicitado que, apesar de não estar normalizado, por simples desconhecimento da minha parte, tinha todos os conteúdos ali referidos como necessários. Ganhei as mesmas.
Eu sei que estou numa cidade com profunda influência militar, mas querer uniformizar tudo, pintar tudo de verde tropa, alinhar tudo e todos da esquerda para a direita e por alturas é, pelo menos para mim, caricato e idiota.
Mas é o sistema que temos, São as pessoas que temos.
sal e pimenta
efectivamente os viajantes da escola são um pouco como o sal e a pimenta do sistema.
Bem ou mal, melhor ou pior, as coisas estão definidas nas escolas, ainda que em alguns casos não se percebam os seus contornos, aceites pela generalidade dos elementos. Quem discute as regras, quem levanta dúvidas, quem coloca questões são aqueles recém chegados à escola, por destacamento, deslocações ou acaso.
São eles que, de algum modo, apimentam o quotidiano com particular destaque para as reuniões.
Foi isso que senti ontem, numa das minhas reuniões de conselho de turma intercalar.
Procurei estar calado, procurei não me inquietar com algumas dúvidas que o são apenas porque sou novo por aqui, que s coisas estão mais ou menos consensualizadas, mas não resisti quando ouvi que se distribuiam pesos percentuais por instrumentos de avaliação.
Exactamente, os instrumentos de avaliação (fichas, questionários, grelhas de registo, entre outras) também têm peso específico. Eu pensava que o importante eram os critérios e que os instrumentos apenas lhe dariam, ou não, coerência e possibilidade de registo. Fiquei a saber que também têm peso específico.
Bem ou mal, melhor ou pior, as coisas estão definidas nas escolas, ainda que em alguns casos não se percebam os seus contornos, aceites pela generalidade dos elementos. Quem discute as regras, quem levanta dúvidas, quem coloca questões são aqueles recém chegados à escola, por destacamento, deslocações ou acaso.
São eles que, de algum modo, apimentam o quotidiano com particular destaque para as reuniões.
Foi isso que senti ontem, numa das minhas reuniões de conselho de turma intercalar.
Procurei estar calado, procurei não me inquietar com algumas dúvidas que o são apenas porque sou novo por aqui, que s coisas estão mais ou menos consensualizadas, mas não resisti quando ouvi que se distribuiam pesos percentuais por instrumentos de avaliação.
Exactamente, os instrumentos de avaliação (fichas, questionários, grelhas de registo, entre outras) também têm peso específico. Eu pensava que o importante eram os critérios e que os instrumentos apenas lhe dariam, ou não, coerência e possibilidade de registo. Fiquei a saber que também têm peso específico.
segunda-feira, outubro 25
escassez
o tempo, esta semana, é mais escasso que nas anteriores. No meio de relatórios, projectos, acções e planificações surgem, em horário pós laboral, as reuniões intercalares.
Quando deviam ser de harmonização, consensualização, definição e conjugação de ideias e propostas de trabalho, surgem num horário por quase todos criticado.
As ideias desvanecem-se na saturação de um dia completo na escola, das 08h30 às 19h e qualquer coisa. Tempo demais para que haja paciência para discutir ideias, consertar opiniões, analisar situações.
O que fica destas reuniões? que consolidação existe? que conhecimentos são partilhados?
Quando deviam ser de harmonização, consensualização, definição e conjugação de ideias e propostas de trabalho, surgem num horário por quase todos criticado.
As ideias desvanecem-se na saturação de um dia completo na escola, das 08h30 às 19h e qualquer coisa. Tempo demais para que haja paciência para discutir ideias, consertar opiniões, analisar situações.
O que fica destas reuniões? que consolidação existe? que conhecimentos são partilhados?
domingo, outubro 24
mudança
a partir de um momento em que a partir da minha sala de professores discorri sobre ela, isto é, a sala de professores, abriram-se diversas e diferentes janelas de diálogo que são salutares no pensar a escola.
Nestes diálogos, francos, abertos e com o claro propósito de se construir uma ideia de escola, o Miguel traz à baila um dos temas que, no príncipio do seu blogue (ia dizer da sua escrita) marcaram presença assídua e deveras interessante, a mudança.
Neste sentido, destaca uma ideia que, muita das vezes, é esquecida, minimizada quando não mesmo desprezada, diz ele que a mudança não é, em si, boa ou má. Serão os sentidos e os fins que lhe determinam a essência.
Não podia estar mais de acordo. No entanto, e nestas discussões colectivas e diferidas há sempre um mas, um se, ou algo parecido (e ainda bem), na sequência do seu texto e nos 4 princípios que apresenta falta uma ideia, um ponto que torna a mudança crucial, fundamental e imprescindível, o interesse.
Vale a pena mudar? mudar para quê?, que interesse há em mudar?, mudar o quê? quem muda o quê? e porquê?
Concordo plenamente com o Miguel, coisa que já não é vulgar, quando afirma que é (...) tempo de procurar soluções, de agir. Não é o tempo de carpir as mágoas pelo rumo da educação. Mas nesta procura de sentido há que procurar o porquê, qual o interesse, o motivo, a razão de criar a paz em vez da guerra, de concordar em vez de discordar, em anuir em vez de discutir.
Por isto tudo termino com uma ligeira divergência, as salas de professores não podem nem devem continuar na mesma, com o sério risco de estarmos a hipotecar um futuro.
Nestes diálogos, francos, abertos e com o claro propósito de se construir uma ideia de escola, o Miguel traz à baila um dos temas que, no príncipio do seu blogue (ia dizer da sua escrita) marcaram presença assídua e deveras interessante, a mudança.
Neste sentido, destaca uma ideia que, muita das vezes, é esquecida, minimizada quando não mesmo desprezada, diz ele que a mudança não é, em si, boa ou má. Serão os sentidos e os fins que lhe determinam a essência.
Não podia estar mais de acordo. No entanto, e nestas discussões colectivas e diferidas há sempre um mas, um se, ou algo parecido (e ainda bem), na sequência do seu texto e nos 4 princípios que apresenta falta uma ideia, um ponto que torna a mudança crucial, fundamental e imprescindível, o interesse.
Vale a pena mudar? mudar para quê?, que interesse há em mudar?, mudar o quê? quem muda o quê? e porquê?
Concordo plenamente com o Miguel, coisa que já não é vulgar, quando afirma que é (...) tempo de procurar soluções, de agir. Não é o tempo de carpir as mágoas pelo rumo da educação. Mas nesta procura de sentido há que procurar o porquê, qual o interesse, o motivo, a razão de criar a paz em vez da guerra, de concordar em vez de discordar, em anuir em vez de discutir.
Por isto tudo termino com uma ligeira divergência, as salas de professores não podem nem devem continuar na mesma, com o sério risco de estarmos a hipotecar um futuro.
sábado, outubro 23
gosto
Há sítios nesta blogosfera aos quais me habituei, perante os quais assumo um certo respeito, uma deferência, seja pelas ideias ali expressas, pela sua escrita, pelo sentimento que colocam nas palavras, pelo olhar que nos obriga a trocar, por nos despertar inquietações, por nos segredar vontades, ou seja, por tudo e por nada.
Há sítios que são para mim imperdíveis. Já pensei em criar um conjunto de links, aqui na coluna do lado, que me permitisse um acesso rápido, mais rápido. Por respeito a todos os outros e porque nem sempre os últimos ficam para o fim, não o fiz.
Hoje destaco um que pelas suas particularidades, pela sua escrita e, acima de tudo, pela sua músicalidade me tocam há muito.
O mocho, feito em parceria por um casal, é um ponto de passagem, peço outra vez desculpa, não é de passagem é de assento obrigatório nesta blogosfera.
Gosto mesmo. E então da múscia que agora lá está ainda mais.
Há sítios que são para mim imperdíveis. Já pensei em criar um conjunto de links, aqui na coluna do lado, que me permitisse um acesso rápido, mais rápido. Por respeito a todos os outros e porque nem sempre os últimos ficam para o fim, não o fiz.
Hoje destaco um que pelas suas particularidades, pela sua escrita e, acima de tudo, pela sua músicalidade me tocam há muito.
O mocho, feito em parceria por um casal, é um ponto de passagem, peço outra vez desculpa, não é de passagem é de assento obrigatório nesta blogosfera.
Gosto mesmo. E então da múscia que agora lá está ainda mais.
gente nova
há mais gente nova a animar as hostes, a contribuir para a discussão, para a troca de ideias, para luz que tão necessária é neste espaço. A turma alarga-se, a escola cresce, estamos em plena expansão demográfica.
Como afirma na apresentação porque até o barulho é uma coisa agradável, quando é feito de boa-fé.
venha ele.
Como afirma na apresentação porque até o barulho é uma coisa agradável, quando é feito de boa-fé.
venha ele.
vox populi
o José Teixeira deixou um comentário que daria mano para mangas e permitiria, se este fosse o espaço para o efeito, iniciar um redesenhar não apenas da sala de professores mas da própria escola, das suas funcionalidades, das suas lógicas instituídas e instituintes, da sua organização de espaços, tempos e objectivos e, inevitavelmente, do conjunto de relações que neste espaço se desenham, se entrecruzam, chocam e interpenetram.
Apesar de este ser um tema que claramente me apaixona mas também por considerar escasso este espaço e insuficientes os meus conhecimentos apenas reafirmo uma ideia.
Nas plantas iniciais dos estabelecimentos de ensino de 2º, 3º ciclo ou secundário (P3 ou P5) a sala de professores era junta ou pelo menos nas proximidades do órgão de gestão. Com o tempo, com as vivências, com a habitabilidade e redefinição de espaços e funções foram-se afastando uma da outra.
Concordo com o José quando afirma que a sala de professores acaba por ser um lugar árido e pouco estimulante do ponto de vista intelectual e quase irrelevante do ponto de vista pedagógico.
Estou certo que não decorre apenas da arquitectura mas de quem a vive, tal como refere o Agostinho, outro colega, destacando as diferenças.
Mas aqui surgem os desafios, como tornar a sala de professores um lugar estimulante, quer do ponto de vista político quer sob o ponto de vista pedagógico? como criar espaços de debate, diálogo discussão e participação não apenas na sala de professores mas na escola?
E na eventualidade de uma qualquer resposta certamente que existirá um elemento comum, transversal às possibilidades e às hipóteses consideradas, o professor, a pessoa. Enquanto não ultrapassarmos medos e fantasmas, enquanto não assumirmos uma ideia política de profissão, enquanto não exigirmos a definição do nosso próprio caminho, estou certo que a sala de professores mais não será que um local de passagem, um momento onde se discorre sobre defeitos e piadas de caserna.
Apesar de este ser um tema que claramente me apaixona mas também por considerar escasso este espaço e insuficientes os meus conhecimentos apenas reafirmo uma ideia.
Nas plantas iniciais dos estabelecimentos de ensino de 2º, 3º ciclo ou secundário (P3 ou P5) a sala de professores era junta ou pelo menos nas proximidades do órgão de gestão. Com o tempo, com as vivências, com a habitabilidade e redefinição de espaços e funções foram-se afastando uma da outra.
Concordo com o José quando afirma que a sala de professores acaba por ser um lugar árido e pouco estimulante do ponto de vista intelectual e quase irrelevante do ponto de vista pedagógico.
Estou certo que não decorre apenas da arquitectura mas de quem a vive, tal como refere o Agostinho, outro colega, destacando as diferenças.
Mas aqui surgem os desafios, como tornar a sala de professores um lugar estimulante, quer do ponto de vista político quer sob o ponto de vista pedagógico? como criar espaços de debate, diálogo discussão e participação não apenas na sala de professores mas na escola?
E na eventualidade de uma qualquer resposta certamente que existirá um elemento comum, transversal às possibilidades e às hipóteses consideradas, o professor, a pessoa. Enquanto não ultrapassarmos medos e fantasmas, enquanto não assumirmos uma ideia política de profissão, enquanto não exigirmos a definição do nosso próprio caminho, estou certo que a sala de professores mais não será que um local de passagem, um momento onde se discorre sobre defeitos e piadas de caserna.
sexta-feira, outubro 22
ridículo 2
a partir desta hipótese, levantada após uma noite mal dormida do nosso primeiro-ministro, ocorreu-me reflectir que se os professores passam o seu tempo a efectuar juízos de valor, a avaliar pessoas, situações, a aferir do sentido de uma qualquer regra, de uma qualquer norma, se os professores lidam com mais situações sociais que muitos assistentes sociais, se procuram alternativas, medeiam situações e conflitos, propoem medidas de remediação, compensação, aplicam penas e distibuem benesses, se tudo isto, então desculpem lá, mas, face a esta situação não consideram que seria bastante útil a criação de assessores jurídicos dos professores? e que seria óptimo que os senhores doutores juízes fossem assessores dos professores?
ridículo 1
considero esta ideia, no mínimo, ridícula.
quando nas escolas nos queixamos que há falta de meios, que não temos condições, que precisamos de apoios, que as turmas são exageradamente grandes, que não temos tempo para quase nada, que os projectos são auto-geridos por que não há condições para que os professores se possam empenhar neles, quandos nos queixamos que os computadores estão assim ou assados, que as redes não funcionam e depois, depois disto tudo alguém está preocupado com os professores com horário zero, sem turmas atribuídas?
mas que coerência, mas que projectos, mas que ideias abundam por aí que nos damos ao luxo de deitar fora recursos qualificados, prescindir de pessoas, desbaratar ideias? Será que alguém não se estará a preocupar desnecessariamente com um possível solução, uma oportunidade de trabalho?
quando nas escolas nos queixamos que há falta de meios, que não temos condições, que precisamos de apoios, que as turmas são exageradamente grandes, que não temos tempo para quase nada, que os projectos são auto-geridos por que não há condições para que os professores se possam empenhar neles, quandos nos queixamos que os computadores estão assim ou assados, que as redes não funcionam e depois, depois disto tudo alguém está preocupado com os professores com horário zero, sem turmas atribuídas?
mas que coerência, mas que projectos, mas que ideias abundam por aí que nos damos ao luxo de deitar fora recursos qualificados, prescindir de pessoas, desbaratar ideias? Será que alguém não se estará a preocupar desnecessariamente com um possível solução, uma oportunidade de trabalho?
consequência
lembram-se de um jogo de crianças designado verdade ou consequência?
então digam-me lá qual a consequência da redução das verbas na área da educação. Um antigo ministro de Cavaco Silva, hoje reformado, coitadinho, diz isto.
Será que sou eu que não consigo perspectivar a aposta educativa em face da redução dos valores de investimento? será que são lógicas marxistas em que um passo atrás pode significar um avanço? ou que é avanço ou recuo consoante o nosso ponto de vista?
qual será a consequência destas políticas, destas apostas, deste governo? que país temos nós hoje, passados mais de 2 anos de governo à direita? temos mais justiça social?, maior equidade fiscal?, maior redistribuição de riqueza?, maior segurança de emprego?, mais confiança no sistema político?, acreditamos mais na escola?
que país temos nós?
então digam-me lá qual a consequência da redução das verbas na área da educação. Um antigo ministro de Cavaco Silva, hoje reformado, coitadinho, diz isto.
Será que sou eu que não consigo perspectivar a aposta educativa em face da redução dos valores de investimento? será que são lógicas marxistas em que um passo atrás pode significar um avanço? ou que é avanço ou recuo consoante o nosso ponto de vista?
qual será a consequência destas políticas, destas apostas, deste governo? que país temos nós hoje, passados mais de 2 anos de governo à direita? temos mais justiça social?, maior equidade fiscal?, maior redistribuição de riqueza?, maior segurança de emprego?, mais confiança no sistema político?, acreditamos mais na escola?
que país temos nós?
geografia
os comentários deixados no silêncio são de tal modo ruidores que permitem construir um outro mapa de interpetação da escola.
As relações políticas, e aqui deixo de lado se elas são micro, meso ou macro, são um dos elementos estruturantes e estruturadores não apenas da sala de professores, mas é um dos locais onde melhor se conseguem perceber as relações e onde melhor se pode ler o mapa geopolítico, mas de todo o espaço escolar.
As conexões políticas, não apenas da escola mas de um qualquer espaço socialmente organizado, definem todo um conjunto de laços, relações, intercâmbios, permutas, poderes e simbolos de autoridade que, cada qual a seu modo, estruturam um mapa de ocupação de espaços, tempos, horários, turmas... e poder.
Acabar com um qualquer espaço de visibilização deste mapeamento político e social implica que ele apenas se deslocalize e, para quem assim o entenda, seja mais complexo o seu controlo. Daí, na generalidade dos casos, a sala de professores esteja muito próxima do órgão de gestão. Daí que, na generalidade dos casos, o órgão de gestão procure acompanhar o pulsar da sala de professores.
O problema, no meu entender, é que os professores se têm desvinculado, o mais das vezes, deste mapa de interesses sociais e políticos e que estruturam um dado sentido organizacional. Até quando é a questão.
As relações políticas, e aqui deixo de lado se elas são micro, meso ou macro, são um dos elementos estruturantes e estruturadores não apenas da sala de professores, mas é um dos locais onde melhor se conseguem perceber as relações e onde melhor se pode ler o mapa geopolítico, mas de todo o espaço escolar.
As conexões políticas, não apenas da escola mas de um qualquer espaço socialmente organizado, definem todo um conjunto de laços, relações, intercâmbios, permutas, poderes e simbolos de autoridade que, cada qual a seu modo, estruturam um mapa de ocupação de espaços, tempos, horários, turmas... e poder.
Acabar com um qualquer espaço de visibilização deste mapeamento político e social implica que ele apenas se deslocalize e, para quem assim o entenda, seja mais complexo o seu controlo. Daí, na generalidade dos casos, a sala de professores esteja muito próxima do órgão de gestão. Daí que, na generalidade dos casos, o órgão de gestão procure acompanhar o pulsar da sala de professores.
O problema, no meu entender, é que os professores se têm desvinculado, o mais das vezes, deste mapa de interesses sociais e políticos e que estruturam um dado sentido organizacional. Até quando é a questão.
quinta-feira, outubro 21
decisão
a senhora ministra até pode não ter qualquer tipo de responsabilidade na colocação de professores mas, desde que chegou, ainda não percebi o que faz, qual a ideia que tem, quais os objectivos [para além dos expressos no programa de governo].
Com esta notícia fico curioso como irá reagir, qual irá ser a sua resposta?
Com esta notícia fico curioso como irá reagir, qual irá ser a sua resposta?
quarta-feira, outubro 20
o silêncio é lixado
colocaram um comentário na minha posta designada de silêncio onde afirmam que a vida de professor é lixada.
a conclusão não é minha e, espero, que não tenha induzido quem quer que seja a essa sugestão, a essa ideia.
Tenho queixas da minha profissão? tenho sim senhor. Que não é o melhor dos mundos? há alguma que o seja?. Mas chorar-me pelos cantos, queixar-me de dores que não sinto, sofrer de maleitas que desconheço isso não faço, não me queixo, não sinto.
se dei a entender, em face de uma posta colocada numa manhã de nevoeiro, essa ideia, peço desculpa, mas não era nem é minha intenção.
são dias, são manhãs. Momentos.
a conclusão não é minha e, espero, que não tenha induzido quem quer que seja a essa sugestão, a essa ideia.
Tenho queixas da minha profissão? tenho sim senhor. Que não é o melhor dos mundos? há alguma que o seja?. Mas chorar-me pelos cantos, queixar-me de dores que não sinto, sofrer de maleitas que desconheço isso não faço, não me queixo, não sinto.
se dei a entender, em face de uma posta colocada numa manhã de nevoeiro, essa ideia, peço desculpa, mas não era nem é minha intenção.
são dias, são manhãs. Momentos.
das notícias
durante os noticiários da noite tive oportunidade de perceber que um dos responsáveis pela confusão e outras coisas que tais dos concursos dos professores foram, imagine-se, os professores, isto da boca do então secretário de estado Abílio Morgado ouvido hoje em sede parlamentar.
Assumo, reconheço, não aguento mais estas patacoadas idiotas, estas pérolas de estupidez ambulante, esta gente que se julga gente.
Assumo, reconheço, não aguento mais estas patacoadas idiotas, estas pérolas de estupidez ambulante, esta gente que se julga gente.
silêncio
a sala de professores desta minha escola, na maior dos dias e dos momentos e independentemente da quantidade de gente que por aqui circula, mais parece uma planície alentejana do que uma sala de convívio.
Predomina o silencio, o sussurrar de palvras, quase que uma brincadeira de esconde-esconde para ver se não me ouvem.
De quando enquando procuro despertar algum ânimo, mas sou olhado como um irriquieto, reguila.
Predomina o silencio, o sussurrar de palvras, quase que uma brincadeira de esconde-esconde para ver se não me ouvem.
De quando enquando procuro despertar algum ânimo, mas sou olhado como um irriquieto, reguila.
à conversa
No meio das minhas preocupações didáticas e metodológicas no âmbito da minha disciplina deparo-me com um conjunto de dúvidas [algumas mais do foro existencial] que procuro ultrapassar recorrendo a leituras, consultas diversas e várias.
Ontem, num intervalo e numa amena cavaqueira de café, desemburrei mais do que muitas leituras o tinham permitido.
Coisas óbivas e evidentes para o colega com quem trocava conversa mas que para mim, por estarem encima do meu nariz, eram complicadinhas de ver.
Faltam conversas destas aos professores, conversas onde se possam trocar ideias, opiniões sobre práticas, saber o que o outro faz, como faz, quais os resultados, quais os impactos.
Falta, acima de tudo, conversar sobre a nossa profissão, sem medos, nem tabús e menos ainda com pré-conceitos.
Ontem, num intervalo e numa amena cavaqueira de café, desemburrei mais do que muitas leituras o tinham permitido.
Coisas óbivas e evidentes para o colega com quem trocava conversa mas que para mim, por estarem encima do meu nariz, eram complicadinhas de ver.
Faltam conversas destas aos professores, conversas onde se possam trocar ideias, opiniões sobre práticas, saber o que o outro faz, como faz, quais os resultados, quais os impactos.
Falta, acima de tudo, conversar sobre a nossa profissão, sem medos, nem tabús e menos ainda com pré-conceitos.
terça-feira, outubro 19
aprender
Nas escolas por onde tenho andado, mas não só, tenho recolhido uma impressão, um dado sentimento de estar na profissão. E há um intervalo profissional, que se aproxima também de um intervalo etário, onde nos questionamos sobre as opções, onde levantamos dúvidas sobre o que fazemos, onde, mais sinteticamente, entramos na adolescência profissional e enfrentamos medos e ângustias, sentimos amores e rancores.
Não sabemos se estamos na profissão certa, se estamos a trabalhar bem ou mal, que o sistema é injusto, embrutecido e ilógico, que nos cansamos injustificadamente, que estamos desorientados e que nada existe que sirva de linha de rumo, de estrela caminhante.
É no conforto e no confronto de opiniões e ideias, de pontos de vistas e de histórias, de amizades e cumplicidades, de livros e de leituras, de conversas e de navegações que ultrapassamos tudo isso, que nos fechamos na nossa sala de aula, que nos isolamos do mundo, que nos refugiamos do sistema, que nos protegemos das agressões e incompreensões, que descansamos de nós mesmos e ganhamos ânimos e vontades de mergulhar.
O importante neste balanço é descobrir que o questionar mantém o seu sentido e a sua utilidade desde que para melhoramos uma prática, que as dores de crescimento são boas pois estamos a crescer, que apoiamos quem nos procura, que somos melhores profissionais, que pensamos aquilo que fazemos.
A isto chama-se aprender. Na profissão docente é à nossa custa que se processa (se feliz se infelizmente, isso é outra conversa).
Não sabemos se estamos na profissão certa, se estamos a trabalhar bem ou mal, que o sistema é injusto, embrutecido e ilógico, que nos cansamos injustificadamente, que estamos desorientados e que nada existe que sirva de linha de rumo, de estrela caminhante.
É no conforto e no confronto de opiniões e ideias, de pontos de vistas e de histórias, de amizades e cumplicidades, de livros e de leituras, de conversas e de navegações que ultrapassamos tudo isso, que nos fechamos na nossa sala de aula, que nos isolamos do mundo, que nos refugiamos do sistema, que nos protegemos das agressões e incompreensões, que descansamos de nós mesmos e ganhamos ânimos e vontades de mergulhar.
O importante neste balanço é descobrir que o questionar mantém o seu sentido e a sua utilidade desde que para melhoramos uma prática, que as dores de crescimento são boas pois estamos a crescer, que apoiamos quem nos procura, que somos melhores profissionais, que pensamos aquilo que fazemos.
A isto chama-se aprender. Na profissão docente é à nossa custa que se processa (se feliz se infelizmente, isso é outra conversa).
falta
pelas escolas onde tenho vagueado sinto falta de um espaço de trabalho, um local onde possa preparar uma aula, ler um texto, organizar uma actividade.
Certamente já terão reparado que a rescola está organizada como uma linha de montagem onde os professores, a maior parte das vezes, apenas são operários. E ainda por cima o assumem.
Certamente já terão reparado que a rescola está organizada como uma linha de montagem onde os professores, a maior parte das vezes, apenas são operários. E ainda por cima o assumem.
segunda-feira, outubro 18
diferenças
Esta posta da Isabel mereceu-me um comentário que trago para este meu cantinho para, uma vez mais, realçar as profundas diferenças de um mesmo país.
Esta discussão mais parece a eterna conversa sobre os números de uma qualquer greve. Completamente diferentes como se estivessemos a falar de um país diferentes, de outras realidades, de situações completamente distintas.
A chatice é que se acentuam as diferenças entre quem sente e quem manda, entre quem todos os dia vai ao supermercado e quem aparece, todo pimpolho, na televisão.
Até parece que uma qualquer diferença entre um e outro valor é de somenos importância, esquecendo-se que a diferença são pessoas, sentimentos, uma profissão, famílias, sonhos e vontades.
Esta discussão mais parece a eterna conversa sobre os números de uma qualquer greve. Completamente diferentes como se estivessemos a falar de um país diferentes, de outras realidades, de situações completamente distintas.
A chatice é que se acentuam as diferenças entre quem sente e quem manda, entre quem todos os dia vai ao supermercado e quem aparece, todo pimpolho, na televisão.
Até parece que uma qualquer diferença entre um e outro valor é de somenos importância, esquecendo-se que a diferença são pessoas, sentimentos, uma profissão, famílias, sonhos e vontades.
non sense
agora sou eu que derivo para o inglês.
Poisou na minha escola uma colega açoreana. No meio das conversas de café e de circunstância senti à-vontade suficiente para perguntar se estava cá por opção ou se não tinha tido colocação nos Açôres, e disse-o com um sorriso de brincadeira.
Atão não é que acertei na muje? não teve mesmo colocação na sua terra, está cá porque cá fez o curso e estagiou e, em virtude de cá ter estagiado, perdeu os privilégio dados aos insulares.
Desculpem lá, mas afinal o pessoal de cá vai para os Açôres à procura de colocação e o pessoal de lá cai aqui de paraquedas?. Eu sei que sou alentejano e algo lento, mas esta sinceramente não percebo, não consigo perceber.
Mais, faz-me lembrar aquelas anedotas, parvas, que se contavam sobre a tropa, então de onde és tu, sou do Porto, então vais para Faro; então e tu, és donde, sou de Faro, então vais pró Porto.
Porra de país este que gosta de complicar o que, aparentemente, seria simples.
Poisou na minha escola uma colega açoreana. No meio das conversas de café e de circunstância senti à-vontade suficiente para perguntar se estava cá por opção ou se não tinha tido colocação nos Açôres, e disse-o com um sorriso de brincadeira.
Atão não é que acertei na muje? não teve mesmo colocação na sua terra, está cá porque cá fez o curso e estagiou e, em virtude de cá ter estagiado, perdeu os privilégio dados aos insulares.
Desculpem lá, mas afinal o pessoal de cá vai para os Açôres à procura de colocação e o pessoal de lá cai aqui de paraquedas?. Eu sei que sou alentejano e algo lento, mas esta sinceramente não percebo, não consigo perceber.
Mais, faz-me lembrar aquelas anedotas, parvas, que se contavam sobre a tropa, então de onde és tu, sou do Porto, então vais para Faro; então e tu, és donde, sou de Faro, então vais pró Porto.
Porra de país este que gosta de complicar o que, aparentemente, seria simples.
bom senso
uma vez mais regresso a este tema que me é caro e grato.
O meu filho não está no 1º ano, mas no 5º, com iniciação em inglês, mas à semelhança de outros recebeu como encargo efectuar um conjunto de trabalhos de casa todos em inglês.
Ingenuamente, porque apenas com duas/três semanas de aulas, perguntei-lhe se não sabia ler aquelas frases, respondeu-me que não.
Mas o trabalho é para o aluno ou para os pais do aluno?, E se os pais não souberem nada de inglês, quem é penalizado?.
Como escreve, e bem, o Ademar não há pachorra para esta gente. Nem pachorra nem bom senso.
O meu filho não está no 1º ano, mas no 5º, com iniciação em inglês, mas à semelhança de outros recebeu como encargo efectuar um conjunto de trabalhos de casa todos em inglês.
Ingenuamente, porque apenas com duas/três semanas de aulas, perguntei-lhe se não sabia ler aquelas frases, respondeu-me que não.
Mas o trabalho é para o aluno ou para os pais do aluno?, E se os pais não souberem nada de inglês, quem é penalizado?.
Como escreve, e bem, o Ademar não há pachorra para esta gente. Nem pachorra nem bom senso.
sábado, outubro 16
redução
Lá soubemos ontem que o orçamento de Estado para a área da educação é reduzido em pouco mais de 2%. Se a este valor acrescentarmos a inflacção e a redução dos valores de PIDDAC, ao qual, espero eu, acresçam os aumentos de vencimento, devemos andar aí na casa dos 10% de redução efectiva bruta.
Mas não se preocupem, estamos cada vez mais seguros, mais e melhor defendidos, o orçamento da defesa sobre mais de 10%.
Mas não se preocupem, estamos cada vez mais seguros, mais e melhor defendidos, o orçamento da defesa sobre mais de 10%.
poder
as relações de poder são um dos elementos que estruturam as relações humanas e, nestas, o conjunto de relações sociais e profissionais que são reconhecidas por cada elemento.
Hoje, ao entrar no colégio do Espírito Santo, para mais uma sessão da pós graduação que ali lecciono, dirijo-me à recepção de modo a solicitar que a sala fosse aberta.
Com alguma surpresa minha deparo com uma cara conhecida vestido de segurança. Um antigo aluno meu.
Depois de uns quantos cumprimentos da praxe sai-se com esta, quem diria, hen, professor, dantes mandava em mim, agora seu eu que mando, numa clara alusão à farda e às responsabilidades que lhe são acometidas.
Pois é, mas já agora, vai lá abrir a porta.
É pra já professor.
E pronto.
Hoje, ao entrar no colégio do Espírito Santo, para mais uma sessão da pós graduação que ali lecciono, dirijo-me à recepção de modo a solicitar que a sala fosse aberta.
Com alguma surpresa minha deparo com uma cara conhecida vestido de segurança. Um antigo aluno meu.
Depois de uns quantos cumprimentos da praxe sai-se com esta, quem diria, hen, professor, dantes mandava em mim, agora seu eu que mando, numa clara alusão à farda e às responsabilidades que lhe são acometidas.
Pois é, mas já agora, vai lá abrir a porta.
É pra já professor.
E pronto.
da pena
a partir desta posta pus-me a pensar, é verdade, de quando em vez penso, sobre a quantidade de momentos em que desesperei, em que me irritei com a minha profissão de docente dos ensinos básico e secundário.
Pelas agruras que um indíviduo passa, pela sensação de incompreensão, de incomodidade, de indiferença, de incapacidade de fazer mais, de fazer diferente, de fazer apenas e em muitas das vezes.
Já percorri todo o vasto sistema educativo, desde a escola atrás do sol posto até aos corredores da 5 de Outubro, passando pela direcção regional e pela 24 de Julho. Já participei em milhares de horas de conversa, (de)formação, encontros, debates e tudo o que se possa pensar sobre o sistema, sobre a profissão, sobre a capacidade de fazer mais e melhor, não apenas pelas crianças que temos pela frente, pela oportunidade que todas merecem de saber mais, de conhecer melhor, mas também por esta minha região, por este meu país.
Muitos dias cheguei e dizia que saía do sistema, que mudava de área, de profissão ou do que quer que fosse desde que me atirasse para longe das frases feitas, das vulgaridades e das banalidades que são ditas e feitas sobre e à custa de professores, dos alunos, da escola.
Mas sempre voltei à escola, sem cargos em qualquer encargo que não o meu e sempre me senti apaixonado pelos olhos que brilham de curiosidades, pelo despertar da pergunta, pela capacidade de ir à procura.
Continuo a acreditar que vale a pena e, estou certo, que o Ademar e muitos, muitos outros também. É este o desafio, construir um sentido não apenas de escola, mas de que a escola vale a pena.
Pelas agruras que um indíviduo passa, pela sensação de incompreensão, de incomodidade, de indiferença, de incapacidade de fazer mais, de fazer diferente, de fazer apenas e em muitas das vezes.
Já percorri todo o vasto sistema educativo, desde a escola atrás do sol posto até aos corredores da 5 de Outubro, passando pela direcção regional e pela 24 de Julho. Já participei em milhares de horas de conversa, (de)formação, encontros, debates e tudo o que se possa pensar sobre o sistema, sobre a profissão, sobre a capacidade de fazer mais e melhor, não apenas pelas crianças que temos pela frente, pela oportunidade que todas merecem de saber mais, de conhecer melhor, mas também por esta minha região, por este meu país.
Muitos dias cheguei e dizia que saía do sistema, que mudava de área, de profissão ou do que quer que fosse desde que me atirasse para longe das frases feitas, das vulgaridades e das banalidades que são ditas e feitas sobre e à custa de professores, dos alunos, da escola.
Mas sempre voltei à escola, sem cargos em qualquer encargo que não o meu e sempre me senti apaixonado pelos olhos que brilham de curiosidades, pelo despertar da pergunta, pela capacidade de ir à procura.
Continuo a acreditar que vale a pena e, estou certo, que o Ademar e muitos, muitos outros também. É este o desafio, construir um sentido não apenas de escola, mas de que a escola vale a pena.
sexta-feira, outubro 15
à atenção
estou certo que cumpro aqui um papel desnecessário mas, pelo gosto e prazer que tenho na leitura do senhor, chamo a V/ atenção para uma sintética entrevista do Prof. António Nóvoa na revista Visão desta semana.
Em frases curtas está lá quase tudo o que é necessário fazer, alterar e aprofundar. De resto ficamos à espera que exista um pleno aproveitamento das autonomias e haja, de modo efectivo, o seu conhecimento, o conhecimento das capacidades de cada escola para definirem o que pretendem (se é que pretendem alguma coisa).
Em frases curtas está lá quase tudo o que é necessário fazer, alterar e aprofundar. De resto ficamos à espera que exista um pleno aproveitamento das autonomias e haja, de modo efectivo, o seu conhecimento, o conhecimento das capacidades de cada escola para definirem o que pretendem (se é que pretendem alguma coisa).
apoio
disponibilizo-me para apoiar e colaborar com colegas recem chefgados quer ao espaço quer ao tempo docente.
Há quem necessite de apoio porque há muito não leccionava o ensino unificado e não tem noção das implicações e das lógicas de funcionamento - formação cívica, estudo acompanhado, área de projecto que, na generalidade das escolas, mesmo nesta onde estou, são encaradas como disciplinas, mais umas quantas para além das restantes. Como não têm preparação para novas dinâmicas de aula.
Como há colegas que nunca foram directores de turma, que sentem algum pavor na relação com encarregados de educação. Como há outros que sentem alguma dificuldade em mudar de lógicas de funcionamento e organização, de onde estavam e como funcionava e onde hoje estão e como isto funciona.
Cá procuro apoiar os colegas, fornecendo algumas ideias por mim feitas, passar um pouco da minha experiência.
E o papel da escola?
Há quem necessite de apoio porque há muito não leccionava o ensino unificado e não tem noção das implicações e das lógicas de funcionamento - formação cívica, estudo acompanhado, área de projecto que, na generalidade das escolas, mesmo nesta onde estou, são encaradas como disciplinas, mais umas quantas para além das restantes. Como não têm preparação para novas dinâmicas de aula.
Como há colegas que nunca foram directores de turma, que sentem algum pavor na relação com encarregados de educação. Como há outros que sentem alguma dificuldade em mudar de lógicas de funcionamento e organização, de onde estavam e como funcionava e onde hoje estão e como isto funciona.
Cá procuro apoiar os colegas, fornecendo algumas ideias por mim feitas, passar um pouco da minha experiência.
E o papel da escola?
quinta-feira, outubro 14
uniforme
Cá está aquilo com o qual não concordo nem advogo. A tentativa de, ao procurar criar alternativas, se uniformizar, estandardizar, equiparar. Em vez de criar diferenças e acentuar as distinções entre lógicas, uniformiza-se.
Este artigo tem duas particularidades em minha opinião. Por um lado a de evidenciar os discursos fáceis e por vezes ignorantes que se têm produzido e alimentado da temática e da problemática. Por outro, a de defender que há espaço, condições e necessidade da diferença e de se acentuar essa diferença.
Tal como entre universidades e politécnicos, também as escolas se devem conseguir afirmar por aquilo que as marcas, as caracteriza, as define, as distingue. Coisa, aliás, que qualquer pessoa conhecedora das escolas da sua localidade sabe identificar com relativa facilidade. Menos o ministério, menos as políticas educativas que tem sido seguidas.
É tempo de se fazerem sentir as diferenças, de se sublinhar que as escolas, e os professores, são diferentes.
Este artigo tem duas particularidades em minha opinião. Por um lado a de evidenciar os discursos fáceis e por vezes ignorantes que se têm produzido e alimentado da temática e da problemática. Por outro, a de defender que há espaço, condições e necessidade da diferença e de se acentuar essa diferença.
Tal como entre universidades e politécnicos, também as escolas se devem conseguir afirmar por aquilo que as marcas, as caracteriza, as define, as distingue. Coisa, aliás, que qualquer pessoa conhecedora das escolas da sua localidade sabe identificar com relativa facilidade. Menos o ministério, menos as políticas educativas que tem sido seguidas.
É tempo de se fazerem sentir as diferenças, de se sublinhar que as escolas, e os professores, são diferentes.
links
pronto, dei cumprimento ao lembrete de actualizar os links laterais. Assim foi feito, com destaque para a minha turma (isto bem analisado daria pano para mangas), quer na outra turma dos links.
Estou certo que por erro ou omissão terei falhado algum que ali deveria estar. Espero descobrir ou ser avisado do erro ou da omissão.
Estou certo que por erro ou omissão terei falhado algum que ali deveria estar. Espero descobrir ou ser avisado do erro ou da omissão.
quarta-feira, outubro 13
obviamente
finalmente.
Ainda no meio de todas as conversas de circunstância a descoberta que uns quantos que trocavam ideias tinham desde o tempo em que nos tinhamos conhecido, desenvolvido percursos formativos diferenciados. Um na área da avaliação das escola, outro na área da supervisão pedagógica e um outro na área das didáticas da sua área disciplinar.
O curioso desta constatação é que, apesar da diversificação dos percursos e dos olhares pelos quais cada um é condicionado, chegámos à óbvia conclusão, falta formação nesta classe.
Com formação, com um conjunto mais ou menos orientado de leituras, uma preocupação enquadrada em temáticas específicas o nosso olhar, a leitura que fazemos da realidade, a forma como a olhamos é obviamente diferente. Se melhor? obviamente, temos outros instrumentos outros recursos que podemos colocar ao serviço de uma profissão.
Mas também fizemos uma outra e infeliz constatação, nenhum dos trabalhos desenvolvidos, nas diferentes áreas, foi apresentado na escola onde cada um estava, nem discutido, nem debatido.
Ainda no meio de todas as conversas de circunstância a descoberta que uns quantos que trocavam ideias tinham desde o tempo em que nos tinhamos conhecido, desenvolvido percursos formativos diferenciados. Um na área da avaliação das escola, outro na área da supervisão pedagógica e um outro na área das didáticas da sua área disciplinar.
O curioso desta constatação é que, apesar da diversificação dos percursos e dos olhares pelos quais cada um é condicionado, chegámos à óbvia conclusão, falta formação nesta classe.
Com formação, com um conjunto mais ou menos orientado de leituras, uma preocupação enquadrada em temáticas específicas o nosso olhar, a leitura que fazemos da realidade, a forma como a olhamos é obviamente diferente. Se melhor? obviamente, temos outros instrumentos outros recursos que podemos colocar ao serviço de uma profissão.
Mas também fizemos uma outra e infeliz constatação, nenhum dos trabalhos desenvolvidos, nas diferentes áreas, foi apresentado na escola onde cada um estava, nem discutido, nem debatido.
incoerência
No meio dos discursos pude ouvir um conjunto de lugares comuns, das normais banalidades sobre a escola, o papel dos professores e o ensino.
Uma das ideias feitas mais debatidas nas escolas é a de que quem sabe e quem conhece a realidade são os professores que estão no batente, que todos os dias lidam com os alunos, que conhecem o meio, etc, etc. Este argumentário é habitualmente utilizado para justificar que a reformas são feitas à revelia dos professores, que estes não são ouvidos, que quem dá as ordens está no bem bom dos corredores da 5 de Outubro (situação que não deixa em muitas das vezes de ser verdade).
Mas logo de seguida e da mesma boca que ditou todo este argumentário foram vociveradas a falta de orientações claras e rigorosas sobre o que é que os professores têm de fazer, foi dito com a mesma força e convicção que os professores são abandonados à sua sorte sem que existam normas ou processos sobre como fazer.
Pergunto sempre a mim mesmo sobre o nível de coerência deste argumentário. Não deixam de ser resquícios conflituosos entre o hábito de sermos mandados e a procura de uma autonomia profissional que não se decreta nem se delega, apenas se exerce, existe em pessoas autónomas. Ou não.
Uma das ideias feitas mais debatidas nas escolas é a de que quem sabe e quem conhece a realidade são os professores que estão no batente, que todos os dias lidam com os alunos, que conhecem o meio, etc, etc. Este argumentário é habitualmente utilizado para justificar que a reformas são feitas à revelia dos professores, que estes não são ouvidos, que quem dá as ordens está no bem bom dos corredores da 5 de Outubro (situação que não deixa em muitas das vezes de ser verdade).
Mas logo de seguida e da mesma boca que ditou todo este argumentário foram vociveradas a falta de orientações claras e rigorosas sobre o que é que os professores têm de fazer, foi dito com a mesma força e convicção que os professores são abandonados à sua sorte sem que existam normas ou processos sobre como fazer.
Pergunto sempre a mim mesmo sobre o nível de coerência deste argumentário. Não deixam de ser resquícios conflituosos entre o hábito de sermos mandados e a procura de uma autonomia profissional que não se decreta nem se delega, apenas se exerce, existe em pessoas autónomas. Ou não.
dúvidas
no meio das conversas sociais e de circunstância descobri uma colega, agora, hoje mesmo colocada na minha escola. Estivemos juntos no ano passado. Entre os comentários, as observações e o tempo a constatação que está preocupada com o facto de ser a primeira vez que vai lidar com aulas de 90'.
Primeira observação, ainda bem que estás preocupada, é o primeiro passo para a procura de estratégias e metodologias que te permitam pensar a aula.
Segunda observação, assim se vê qual o espírito de muitos e muitos colegas que, sem qualquer indicação, sem qualquer tipo de referência ou apoio passaram de um lado ao outro, isto é, de sessões de 50' para blocos de 90' ou de 45'+90'.
Não apenas a dinâmica é diferente, como é substancialmente diferente considerar que podemos preparar uma sessão como se de duas de 50' se tratasse.
Assim se vê a falta de conversa que existe, a inexistência de diálogos, de trocas de opiniões, de uma formação feita pelos próprios docentes no seu local de trabalho.
Assim se vê a ausência de uma ideia de escola, assim se realça o papel de funcionário do professor.
Primeira observação, ainda bem que estás preocupada, é o primeiro passo para a procura de estratégias e metodologias que te permitam pensar a aula.
Segunda observação, assim se vê qual o espírito de muitos e muitos colegas que, sem qualquer indicação, sem qualquer tipo de referência ou apoio passaram de um lado ao outro, isto é, de sessões de 50' para blocos de 90' ou de 45'+90'.
Não apenas a dinâmica é diferente, como é substancialmente diferente considerar que podemos preparar uma sessão como se de duas de 50' se tratasse.
Assim se vê a falta de conversa que existe, a inexistência de diálogos, de trocas de opiniões, de uma formação feita pelos próprios docentes no seu local de trabalho.
Assim se vê a ausência de uma ideia de escola, assim se realça o papel de funcionário do professor.
recepção
hoje, lá na terrinha onde estou, foi dia de recepção ao professor.
De um lado uns quantos diziam que é sempre a mesma coisa, outros antecipavam alguns dos discursos, outros comentavam quem faltava.
Na mesa de honra os presidentes, quer da autarquia (apesar dos protestos com uma óbvia orientação política e um conjunto de opções estratégicas na qual as escolas e a educação local têm tido um lugar de destaque) e dos órgãos de gestão.
Então, no meio das conversas, da troca de algumas ideias, das parábolas (uma das escola é um colégio privado) não é que um senhor, presidente deu m órgão de gestão, diz que há coisas muito mais importantes que a educação?
Fosse ele o presidente do órgão onde estou e estou certo que tinha existido discussão da boa.
De um lado uns quantos diziam que é sempre a mesma coisa, outros antecipavam alguns dos discursos, outros comentavam quem faltava.
Na mesa de honra os presidentes, quer da autarquia (apesar dos protestos com uma óbvia orientação política e um conjunto de opções estratégicas na qual as escolas e a educação local têm tido um lugar de destaque) e dos órgãos de gestão.
Então, no meio das conversas, da troca de algumas ideias, das parábolas (uma das escola é um colégio privado) não é que um senhor, presidente deu m órgão de gestão, diz que há coisas muito mais importantes que a educação?
Fosse ele o presidente do órgão onde estou e estou certo que tinha existido discussão da boa.
terça-feira, outubro 12
lembrete
não esquecer de actualizar links da turma, e não só. Começam a existir demasiados links fantasmas nesta minha coluna lateral. Daqui a pouco de tão pesada que está corre o sério risco de lhe acontecer o mesmo que aos outros colegas, cai por aí abaixo e nunca mais a apanho.
Mas registam-se mudanças, de um lado para o outro, entradas e reentradas, como algumas saídas, outras tantas trocas e algumas baldrocas.
Peço desculpa a todos aqueles que se encontram nessa indelicada posição por minha responsabilidade. Fica aqui o meu lembrete para, caso haja uma estabilidade, uma abertura piquinina, proceder às alterações.
Mas registam-se mudanças, de um lado para o outro, entradas e reentradas, como algumas saídas, outras tantas trocas e algumas baldrocas.
Peço desculpa a todos aqueles que se encontram nessa indelicada posição por minha responsabilidade. Fica aqui o meu lembrete para, caso haja uma estabilidade, uma abertura piquinina, proceder às alterações.
perspectivas
Ouvi, durante o dia, que a proposta do PIDDAC para o próximo ano, verbas do estado central para execução desconcentrada, vai apresentar uma redução de 19% na área da educação.
Será mesmo verdade? E a aposta na educação? Não era esta uma área estratégica, de afirmação nacional, para concorrermos com a Irlanda?
Será mesmo verdade? E a aposta na educação? Não era esta uma área estratégica, de afirmação nacional, para concorrermos com a Irlanda?
segunda-feira, outubro 11
de início
recupero o célebre e falhado slogan de Pessoa. Primeiro estranha-se, depois entranha-se.
Também nesta vida de professor é o que acontece.
De início foi a estranheza, a surpresa, a tomada de consciência de uma situação perfeitamente inesperada para muitos. Passados os primeiros dias, descobrimo-nos, entranhamo-nos neste nosso novo mundo. Trocam-se ideias, fazem-se comparações, descobrem-se sentimentos comuns, partilham-se amizades.
Não há, pelo menos por estas bandas, grande disponibilidade para discutir a escola, o seu papel, os seus objectivos, a acção e a intervenção do professor, o que dele se pretende na relação com os encarregados de educação como se tudo fosse pacífico, tacitamente aceite e acordado.
Aos poucos iremos descobrindo, à boa maneira alentejana, que nem tudo é assim, que há significativas diferenças, algumas clonflituantes, algumas espinhosas de resolver.
Certo que tudo se resolverá espero e observo o acamar das ideias e das pessoas em torno de posições, uma previamente definidas outras que se controem agora. Outras que se descobrem.
Também nesta vida de professor é o que acontece.
De início foi a estranheza, a surpresa, a tomada de consciência de uma situação perfeitamente inesperada para muitos. Passados os primeiros dias, descobrimo-nos, entranhamo-nos neste nosso novo mundo. Trocam-se ideias, fazem-se comparações, descobrem-se sentimentos comuns, partilham-se amizades.
Não há, pelo menos por estas bandas, grande disponibilidade para discutir a escola, o seu papel, os seus objectivos, a acção e a intervenção do professor, o que dele se pretende na relação com os encarregados de educação como se tudo fosse pacífico, tacitamente aceite e acordado.
Aos poucos iremos descobrindo, à boa maneira alentejana, que nem tudo é assim, que há significativas diferenças, algumas clonflituantes, algumas espinhosas de resolver.
Certo que tudo se resolverá espero e observo o acamar das ideias e das pessoas em torno de posições, uma previamente definidas outras que se controem agora. Outras que se descobrem.
+ gente
Há gente nova na turma. A partir da sua compatriota descobri que há gente nova.
Bem vindo, bons comnetários e muitas, muitas ideias.
Bem vindo, bons comnetários e muitas, muitas ideias.
expectativa
uma colega, recentemente chegada quer à escola quer à profissão, sente-se hoje mais angustiada que nos outros dias. Perguntei porquê, porque hoje tem reunião com encarregados de educação e é a sua primeira vez.
Como em tudo na vida, há sempre uma primeira vez. Com calma, franqueza, lealdade e consideração pelo ponto de vista e interesse do outro, no caso encarregado de educação, tudo se resolverá.
Mas diz que não consegue ultrapassar o nó que sente ali, naquele mesmo sítio que me descreve colocando a mão fechada e dando voltas.
Como em tudo na vida, há sempre uma primeira vez. Com calma, franqueza, lealdade e consideração pelo ponto de vista e interesse do outro, no caso encarregado de educação, tudo se resolverá.
Mas diz que não consegue ultrapassar o nó que sente ali, naquele mesmo sítio que me descreve colocando a mão fechada e dando voltas.
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