quinta-feira, novembro 18

propostas

A blogosfera é também um elemento de aproximação, para além de partilha, de troca. Podemos matar saudades, descobrir pessoas que pensávamos de uma maneira e que, afinal, são de outra.
Surpresas agradáveis, estas, com código, unidireccionais. Os restantes que me desculpem, mas é uma auto-imposição.

quarta-feira, novembro 17

actual

está mais difícil, no presente ano lectivo, manter actual e mais regular a presença de alguns blogueiros, das suas ideias, das suas imagens neste espaço que é a blogosfera.
nota-se, sente-se essa dificuldade. Já antes a tinha referenciado, volto a ela pois pressinto que se generaliza. Talvez uma das alternativas seja, possa passar por criar uma cooperativa, qual paixão da educação.

Avaliação

já li e já trabalhei, numa primeira análise, a proposta de despacho normativo referente à avaliação dos alunos do ensino básico.
Duas ideia me saltaram, nesta leitura.
Por um lado que não há, não houve capacidade de inovar, de trazer coisas novas, coisas diferentes, rasgar horizontes, abrir (ou entreabrir) uma janela, um postigo de oportunidades fosse para a escola, seja para a educação, seja para a relação entre uma e outra tendo como elemento condutor precisamente a avaliação.
Dentro deste aspecto é de realçar o discurso, que está de regresso, sobre a qualidade (foi tema dominante e predominante na transição da década de 80 para a de 90, nomeadamente por Carmo Clímaco e o então observatório de qualidade da escola), agora, como antes, intimante ligado à confiança social e ao funcionamento do sistema.
Como segunda ideia, a maior responsabilização (profissional, pessoal e funcional) do docente. A montante todos são chamados a participar, a intervir, elemento politicamente correcto de envolvimento e co-responsabilização na participação. Contudo, no fim a responsabilidade, a palavra última é do docente (estou certo que muitos docentes abanarão a cabeça e perguntarão de quem mais podia ser??).
Estou certo que será um elemento politicamente ineficaz (por certo suscitará pouca polémica e escasso envolvimento), como será profissionalmente inócuo, isto é, poucas serão as implicações no quotidiano das escolas, dos docentes ou dos alunos (talvez apenas mais umas quantas reuniões de preparação e definição de qualquer coisa).
Há muito mais para dizer, para escrever, para contribuir. Penso não ser este o espaço mais adequado, daí ficar-me por aqui.

estórias

há coisas engraçadas. Há pouco, entre um intervalo e uma aula uma colega aproxima-se e diz-me:
- oh manel, ontem ouvia-te e lembrei-me do meu professor de História do 7º e do 8º ano, professor que, na altura, detestei, embirrei com a pessoa e com a disciplina. Só muito depois percebi que me ajudou a compreender as coisas, a interpretar o que temos pela frente.
É um elogio, não é?. Pelo menos assim o senti.

terça-feira, novembro 16

da gestão

na conversa mantida com o meu colega de lides passadas em órgãos de gestão teve a oportunidade de me dizer que se encontrava a fazer a formação do INA, no âmbito da gestão. Pedi-lhe comentários, disse-me que os comentários, todos os comentários, vão no sentido de mostrar aos formadores, poucos são docentes, que a escola não é uma empresa.
A preocupação dos formadores, de todos os que não são docentes, é mostrar que a escola tem de ser gerida como uma empresa.
Perspectiva-se, coisa que não é nova, a empresarialização das escolas. Começara, tudo o indica, na gestão administrativa, estou certo que terminará na nomeação dos directores clínicos, perdão, corrijo, directores pedagógicos.

das coisas

este blogue não é um carpir de mágoas, ainda que seja mais fácil e mais prático falar daquilo que nos mói, daquilo que nos apoquenta a alma e o espírito. Este blogue procura, ainda que menos vezes do que aquelas que seria normal e desejável, dar conta de coisas boas, de algumas alegrias do meu olhar, da escola e da educação.
Hoje dou conta de um certo dinamismo, da participação, do envolvimento que as eleições para uma associação de estudantes, numa escola EB 2/3, tem desencadeado nestes corredores.
É engraçado ver o entusiasmo dos miudos na campanha, na sensibilização, no convencimento, na argumentação da caça do voto. Uma real aprendizagem de democracia, cidadania e participação. De louvar.
Como é engraçado perceber, na campanha que é desenvolvida, qual o olhar e quais as diferenças de olhares entre alunos e professores, entre alunos e funcionários. É engraçado perceber as valorizações, os destaques, as preocupações que existem e que, fruto da campanha, se confrontam e defrontam. De repente alguém percebeu que a escola não está organizada para os alunos. Alguém percebeu que existem interesses divergentes.

encontros

ontem referenciei um mail de uma colega, ao final da tarde, em passeio de compras do nosso dia-a-dia encontrei, à saída de um dos supermercados da cidade, um colega com quem partilhei 4 anos em órgão de gestão de uma escola atrás do sol posto.
Foi um desatar de conversas, um enleio de emoções antigas, um pôr, ainda que ao frio e no desaconchego de quem passa, a conversa em dia, trocar ideias, matar, com tiros simples, as saudades.
Foi uma das pessoas com quem mais aprendi a conhecer os enredos e os enleios com que se tece o quotidiano das escolas, da gestão. Foi uma das pessoas que mais contribuiu para aquilo que hoje ainda penso sobre a gestão da escola.

segunda-feira, novembro 15

saudade

neste fim-de-semana encontrei uma mensagem, na caixa de correio electrónico, de uma colega do ano passado. Gostei.
fez-me sentir saudades daquela escola, de algumas daquelas pessoas, recordar outras escolase outras pessoas. Afinal, apesar de algum mau feitio meu, assumido e reconhecido, sempre há alguém que procura não quebrar ligações.
Outros há, com quem gostaria de ter mantido ligações e atenções, que desapareceram no mar das colocações docentes.

de passagem

A minha visão da escola e da educação está condicionada, entre muitas outras coisas, pelo facto de ter passado quer pelos diferentes patamares do sistema (escola, órgão de gestão, centro de área educativa, direcção regional, ministério) mas também por, de passagem, ter dispendido alguns tempo noutros sectores da administração pública (Ministério do Equipamento e da Ciência) com lógicas e fundamentos algo distindos, diferenciados daqueles que encontramos na escola.
É por estas vivências que hoje pergunto sobre o que andamos nós a fazer de reunião em reunião. É que nelas não encontro sentido nem proveito, como não descortino objectivos nem sentido. Nem de aferição de conceitos, nem de debate de micro-políticas (de turma), nem de harmonização de ideias ou práticas. Discute-se, fala-se, trocam-se ideias mas fico com sérias dúvidas sobre a possibilidade, a eventualidade de termos avançado um passo, um simples passo. Mas há quem fique contente por ter dispendido tempo, ocupado os afazeres dos outros, organizado as actividades dos outros.
enfim...
entre uma e outra ideia um elemento fundamental atravessa a escola portuguesa, nesta sua fase de reconfiguração, eventualmente e em minha opinião, a procura de novos sentidos e de novas formas organizacionais que tragam respostas não apenas sociais (o papel da escola na sociedade, a formação inicial e a continua, a capacidade de construir o conhecimento e interpretar o que nos é dado, a produtividade económica, as literacias, entre outras) como respostas profissionais (qual o papel do professor nestes novos contextos e tempos, o papel das culturas colaborativas, a participação, a intervenção a construção de sentidos profissionais, nomeadamente) mas o desafio preponderante é o da participação política, o da definição de sentidos (des)construtivos do conhecimento e do ser, da identidade e do profissional.
O que gostava realmente de perceber é para onde nos levam estes ventos do tempo. Qual o papel da blogosfera neste reencaminhar de sentidos? qual o papel das culturas colaborativas na redefinição do sentido profissional?, qual a reengenharia organizacional para apoiar e fomentar a participação, a colaboração, a construção de sentidos? qual os sentidos das autonomias locais na definição local de políticas educativas?
Ena tantas ideias, tantas coisas e tão pouco o tempo para as poder apreciar, usufruir.

domingo, novembro 14

banalidades

em final de fim-de-semana, em que me sinto cansado de andar à azeitona [é verdade, a idade deu-me para estas coisas mais campesinas, mais agrícolas], apetece-me falar de banalidades.
que digo então sobre banalidades?

afinal não sou só eu

ufa, ainda bem, estava mesmo a pensar que a sorte tinha sido só minha, única e exclusivamente. fico melho,r já me sinto melhor.

sexta-feira, novembro 12

decrecente

contam-se os tempos, as vontades que ainda nos restam para podermos entrar de fim-de-semana.
está quase. Falta apenas o quase. Depois, bem depois é fim-de-semana.

quinta-feira, novembro 11

desabafos

a Sofia desabafa, partilha com os outros sentimentos de todos, ela própria o reconhece, o ouviu da boca de quem tem escutado muitos e muitos desabafos, de quem conhece o que é isto de ser professor.
Como em qualquer lado, mas desculpem lá, mais nuns lados que noutros, sentimos que há momentos de fraqueza, que quebramos, que julgamos que não vale a pena, que há outras coisas tão ou mais importantes que isto, que a nossa atenção deve ser, tem de ser desviada. Uns acabam por entregar as armas e passam a ser mais uns funcionários, daqueles que mecanicamente acordam e leccionam, como se o aluno, a pessoa que está à sua frente fosse uma peça, uma máquina, um apetrecho. Outros resistem, labutam, estudam, questionam, refilam, discutem, improvisam. Negoceiam com a pessoa que têm pela frente, apelam à sua participação, resistem à obstinação de serem obstinados.
Entre um e outro lado podem estar duas coisas que ajudam a escolher, a optar por um qualquer desses lados. O meu avô diria, na sua simplicidade de alentejano ignorante, que é o brio profissional, o gosto com que se fazem as coisas, o sentimento de se ser reconhecido quer pelos seus pares quer pelos outros. Na minha arrogância de instruído, na petulância de conhecedor digo apenas que é o gosto de se estar nesta vida e nesta profissão.
vai para 17 anos que me chamam nomes, mas não desisto de lutar por uma escola inclusiva, participada, democrática, tolerante, construtora de pessoas e de saberes. A opção é nossa Sofia. Estou certo que há muito que optas-te. E bem.

tudo bem

um remake do meu colega Miguel Pinto, para recordar nem tudo bem nas terras do nunca.
Uma das referência que faço ultimamente com mais alguma insistência é a da memória não ser curta, a de apelar a tudo aquilo por que passamos nos últimos tempos. Só assim terei menos receios de se manter um reviralhismo saudosista, passadista, uniformizador, estandart de procedimentos, atitudes, pensamentos.
Espero que nem tudo vá bem nestas terras do nunca, que possamos sentir que há oportunidade para dizer basta, que nem todos somos iguais, que nem todos fazem o mesmo, que existem diferenças, que se sentem as diferenças de políticas, práticas e opções.
Que há outros mundos para além deste que nos querem impor.
Bela peça esta do Miguel.

s. martinho

... vamos à adega provar o vinho?

quarta-feira, novembro 10

reunite

certamente que não é exclusivo desta escola nem destes meus colegas, mas perpassa por aqui um certo sentimento que designo como de reunite aguda. Uma clara tentativa de ocupar tempo, mostrar afazeres, andar ocupado, falar de tudo e de nada, como se fosse importante manter os professores ocupados, mesmo que o resultado dessa ocupação, dessa reunite aguda, seja nada, zero, nicles batatoites.
Passamos uma tarde inteira de reunião em reunião, o que é que de essencial foi definido?, o que é que de fundamental, de básico, de necessário foi decidido? o que se produziu com essas reuniões, o que é que delas se obteve?
Estou certo que será por incapacidade minha, mas não consigo perceber.
E assim vai este país, assim vai esta escola - e é certo que muitas outras.

bifana

Estou colocado na terra das bifanas - da fama e de algum e bom proveito, não se safam.
Por isso, hoje, entre o final da manhã e as reuniões da tarde, perante o sol que espreita e retempera ânimos, optei por sair deste espaço escolar e encaminhar-me para um dos vários sítios em que predomina a dita cuja bifana no pão.
Optei pelo percurso mais longo, caminhando entre ruas típicas de uma viragem de atitudes e de alteração de tempos e vontades, isto é, de um lado predominam as pequenas courelas, pequenas quintas, algumas pouco maiores que um quintal de bairro, onde se destacam as batatas, as couves, os limoeiros e as laranjeiras, onde tanto existem cães e gatos, como patos e galinhas. Do outro lado, predominam as vivendas típicas de um momento de afirmação política mas essencialmente social, com passeios largos, árvores frondosas e, como um golega diz, com janelas tipo fenêtre.
Chegado ao sítio de destino entretive-me com duas delas, fininhas, entre duas fatias de pão aquecido, com molho que deixa os dedos prontos a serem lambidos, chupados, numa qualquer atitude mais ou menos erótica para quem, de forma despercebida repara nesse acto feito de forma clara e óbvia. Um prazer, um deleite.
uma delícia entre reuniões, que desperta a pouca vontade de ouvir falar das sempre eternas e sempre presentes banalidades educativas.

terça-feira, novembro 9

presença

nota-se que este ano lectivo, na blogosfera, é ligeiramente diferente do anterior. Há menos actualizações, nota-se mais a ausência de uns e de outros do que era hábito, certamente por afazeres, certamente por desvios de possibilidades. Mas não se esqueçam de regressar, de passar por aqui. É fundamental para a sanidade mental de uns quantos, pelo menos falo por mim.

avaliação

nesta minha escola uma colega gostava de desenvolver o seu trabalho de mestrado na área da avaliação. Trocamos ideias, conversamos sobre coisas úteis e fúteis que podem orientar ou enquadrar o seu trabalho. Fica com receio das susceptibilidades, das sensibilidades, de despertar fantasmas.
Pergunto sobre a sua ideia relativamente à possibilidade de construir instrumentos e indicadores para um qualquer projecto (educativo, curricular) para se perceber qual o seu sentido, qual a sua utilidade, qual o nível de coerência entre o dito e defendido e o feito e praticado.
Olha para mim e fica em silêncio. Acabou a conversa. fico sem perceber se a ideia é boa ou se foi [mais ] uma idiotice das minhas.