terça-feira, novembro 9

presença

nota-se que este ano lectivo, na blogosfera, é ligeiramente diferente do anterior. Há menos actualizações, nota-se mais a ausência de uns e de outros do que era hábito, certamente por afazeres, certamente por desvios de possibilidades. Mas não se esqueçam de regressar, de passar por aqui. É fundamental para a sanidade mental de uns quantos, pelo menos falo por mim.

avaliação

nesta minha escola uma colega gostava de desenvolver o seu trabalho de mestrado na área da avaliação. Trocamos ideias, conversamos sobre coisas úteis e fúteis que podem orientar ou enquadrar o seu trabalho. Fica com receio das susceptibilidades, das sensibilidades, de despertar fantasmas.
Pergunto sobre a sua ideia relativamente à possibilidade de construir instrumentos e indicadores para um qualquer projecto (educativo, curricular) para se perceber qual o seu sentido, qual a sua utilidade, qual o nível de coerência entre o dito e defendido e o feito e praticado.
Olha para mim e fica em silêncio. Acabou a conversa. fico sem perceber se a ideia é boa ou se foi [mais ] uma idiotice das minhas.

do parque

A partir desta ideia, permita-se-me a pergunta será a escola que muda a sociedade ou a sociedade que muda a escola? Ou será que mudam ao mesmo tempo? ou será que petrificam ambas?
a metáfora não deixa de ser engraçada, mas não deixa de ser um parque, delimitado (física ou mental ou culturalmente), como não deixa de ter e apresentar características que não se encontram noutro qualquer lado, que são específicas daquele espaço, que não conseguimos transpor dali para outros lados.
Imagino mais a escola como um qualquer bairro de uma qualquer cidade. Com guettos, com diferenciações, com distinções, com particularidades, afinal com identidade, com alma.
Um bairro, um local com ruas que se percorrem na apreciação das suas montras ou das suas figuras, com cruzamentos onde somos obrigados a decidir para onde queremos ir, com suportes e estruturas de apoio ao quotidiano, com obras e intervenção humana na definição da sua caracterização, do seu futuro.

do romântico

Hoje, por essa blogosfera, nota-se o ar romântico que orienta, que condiciona a acção educativa, o enlevo de erotismo que subjaz a uma [qualquer] relação . Não sei se é bom se mau, como também não estou preocupado com esses aspectos de catalogar, agrupar comportamentos e menos ainda sentimentos.
Mas é este sentimento romântico, é este quixotismo que faz com que gostemos do que fazemos. De sermos professores, de encarar o quotidiano como de umna eterna construção de sentidos, de futuros, de pessoas.

domingo, novembro 7

preparativos

antes de ir sofrer um pouco, isto é, de ir ver mais um jogo do glorioso [espero que com melhor desempenho que os últimos dois, vou dedicar-me à preparação da semana.

mais

no início de mais uma semana, permitam-me recordar o combate travado na passada 6ª feira, em que vários elementos levaram a melhor, mas a muito custo, sobre uma soberba perna de veado.
Depois de muitas horas e uitas garfadas, vimos o fundo ao tacho onde marinou a dita cuja. Posso assegurar que estava muito acima das minhas expectativas e que ficou agendado novo combate, lá mais próximo do Natal. A seu tempo darei conta.

autonomia

Por causa desta posta [mas também dos comentários que desencadeou, estou certo que o não eram os mais esperados pelo Miguel] volto a um tema que me prendeu a atenção durante mais de dois anos, a autonomia. Foi a base da minha dissertação de mestrado, foi um enleio por onde andeia a defender ideias, princípios, orientações, foram questões políticas pelas quais me bati em diferentes patamares do sistema onde tive a oportunidade [e o privilégio] de ter andado.
Depois da justificação o enredo, não há uma autonomia profissional como não há uma autonomia pedagógica. J. Barroso defende-o há muito tempo e antes dele L. Lima e antes destes e lá por fora quer C. Cherryholmes ou D. Lortie a autonomia é um atributo da pessoa, pessoal, próprio, individual. Não se atribui nem se delega, existe, exerce-se. É a partir deste ponto que se definem as restantes autonomias, se apoia uma ideia de educação pela e para a autonomia.
A partir deste ponto podemos discutir simbolos, poderes, exercícios, práticas, princípios e atitudes.
O que o Miguel descreve é uma atitude, um princípio de muitos anos de um ensino virado para um micro-cosmos, o da sala de aula, alheado do seu ambiente, um casulo onde o professor se resguarda de ataques, opressões e pressões [discute-se a influência do poder político nos media, discuta-se, de igual modo, a pressão deste mesmo poder perante o desenrolar das actividades pedagógicas, o seu condicionamento na acção e intervenção do docente]. Daí aquele onde a cultura de sala de aula é mais sedimentada [peço desculpa se firo susceptibilidades] ser a do primeiro ciclo, onde o docente age isoladamente, daí a dificuldade de penetração de muitas das modas pedagógicas, daí a defesa quase que intransigente da necessidade de se conhecer a prática, o quotidiano, e se exigirem medidas capazes de ir ao encontro da mil e uma realidades.
O fundamental é discutir, falar-se sobre lógicas de funcionamento, princípios, de modo a sermos capazes de interpretar a nossa profissão, de a reconstruir, de a afirmar. O resto é estarmos a discutir o sexo dos anjos.

sexta-feira, novembro 5

só para chatear

já que há uns quantos a chá e torradas e outros pela hora da morte deixem-se chatear um pouco ou, como se diz por estas minhas bandas, picar os miolos ao pissoal.
hoje, daqui a pouco, vou tirar um petisco de coisas não muito usuais. Época e região de caça vou enfrentar uma perna de veado, eu e mais uns quantos que a dita é grande.
Acrescente-se à dita uns cogumelos salteados e um molho picante para aquecer o interior e temos a festa pronta.
Já agora acrescento (uma vez que também há dias de festa na escola), umas entradas de presunto de barrancos (daquele que não há nos supermercados porque foi proibido pela União europeia) umas chouricitas assadas de Estremoz (a localidade é importante para perceber a sua composição e textura), uma orelha de vinagrete e outras coisas mais, tudo acompanhado com uns tintos diversos mas todos regionais, que aí, peço desculpa, sou regionalista, oriundos de Estrmoz, Pias, Évora e Reguengos (ficam as terras porque são desnecessárias as marcas).
Para finalizar (disseram-me, porque ainda não estava convencido) uns doces conventuais feitos por um compadre que atesta a qualidade e é garantia de coisa boa
Afinal, hoje é prá perdição e para o total protagonismo das calorias (estragar o que ando a poupar, enfim).

ocupação

a taxa de ocupação dos computadores (2) da sala de professores da minha escola está pela hora da morte. Quase que se pode falar em filas intermináveis, correrias loucas para se chegar primeiro, contagem efectiva do tempo de utilização/ocupação, desconsideração pelo outro tal tem sido a solicitação de que têm sido alvo.
Resultado, não escrevo como e quando queria. Escrevo agora, vésperas de fim-de-semana, final de dia de trabalho, enquanto espero o resto da família.
Também por causa disso não se estranhe a minha ainda que pontual mas forçada ausência.

olhares

o meu filho, após uma conversa em que fizémos um ponto de situação à sua mudança (de ciclo de ensino, de estabelecimento, de colegas, de orientações) diz-me que gostava de vir a ser professor mas do 1º ciclo, que estes [entendam-s e os colegas] dão muito trabalho, são muito chatos, fazem muito barulho.
Perceptível para quem teve que enfrentar toda uma situação pouco ou nada simpática e esbarrou com [digo eu] a falta de bom senso da gestão da escola.

quinta-feira, novembro 4

referências

o meu caro amigo Miguel, permite-me encher a boca desta meneira e com estas palavras, faz referência à minha ausência.
De quando em vez acontece, ou por falta de acesso, neste momento não tenho, na escola, acesso à Internet, ou por cansaço, foi uma semana de reuniões intercalares em final de tarde, situação que fez com que chegasse a casa sempre depois das 20h00, e por não querer acentuar neste espaço visões negativas, péssimistas, redutoras do meu olhar a escola.
Mas ainda não desisti desta escrita e deste meu espaço. Tenho assuntos para discorrer, como tenho a clara pretensão de ser um treinador de bancada e deixar aqui o meu olhar sobre esta coisa que adoro, a profissão docente, e o espaço onde ela acontece com maior regularidade, a escola.
obigado pela referência e por me fazeres sentir senão importante, pelo menos útil - obviamente que à dimensão deste meu espaço de participação. Obrigado.

discussão

os alunos do superior reivindicam mais acção social escolar, autonomia e participação na vida académica.
Nós por cá, no básico e secundário, cá vamos de mala às costas, sonhos pela frente e ilusões por todos os lados, a tentar criar sentidos à escola, a procurar incutir responsabilidades e autonomia a pessoas que se forma e se definem.
Para quando a defesa de mais autonomia para a escola básica e secundária? na definição do seu projecto educativo/curricular/escolar? na definição dos seus interesses e do seu modelo de organização? na sua composição e funcionamento?
para quando a revisão da acção social escolar claramente desfazada da realidade, desadequada de contextos, desconforme as necessidades?
para quando a capacidade de a escola definir, com cabeça, tronco e menbros uma oferta adequada às necessidades daqueles que serve, dos seus interesses, dos seus nichos específicos de mercado?
para quando a consciêncialização que falta política à escola pública portuguesa? política de debate, discussão, participação, definição de sentidos e escolhas, política face às opções e aos sentidos profissionais dos docentes, à formação profissional.
para quando o debate sobre o que pretendemos da escola pública portuguesa, o que entendemos sobre o que é a escola pública, para que serve, quem serve, o que serve.

práticas

práticas de voluntarismo, de desenrascanço, de fazer das tripas coração, de dar a volta por cima. Aqui está um exemplo. Bom de se ver, pela luta e pela perseverança, pela sansatez de não se render. Aqui fica também aquilo que o sistema é, uma imensa prática fora de horas, a quase impossibilidade de saber lidar com a diferença, com desafios, com o imprevisto. Felizmente que o sistema são as pessoas e há pessoas que querem fazer mais.
Ainda bem.

desafios

os desafios surgem do lado e dos sítios que mais esperamos, ou talvez não. Mas este é claramente um desafio, de divulgação, de participação, de questionar e de descobrir quais os possíveis caminhos, os incontonáveis futuros.
O sítio onde se expressa esta paixão da educação coloca os desafios em rede, de jornais e de ideias, de instrumentos e de fins. Será engraçado questionar sobre o papel que uns e outros, jornais e blogues, podem ter, devem ter na escola, na educação, na formação, na aprendizagem.
parabéns pela iniciativa e pelos desafios, fica para uma próxima oportunidade o encontro de blogues da/sobre a educação/escola.

metáforas

um conjunto de metáforas que designo, no mínimo, de inteligentes, perspicazes, acutilantes. de leitura pessoal e íntima.
Para quem quer perceber o que quer perceber, da maneira que quer perceber. A palavra como meio e fim, de pensamento e de acção. Um sítio imperdível.

quarta-feira, novembro 3

desaparecimento

nota-se, na minha sala de professores, a ausência de computadores com acesso à Internet. Foi um desaparecimento não consentido nem programado que faz com que as hostes se sintam incomodadas, pois agora não podemos navegar, nem discutir sobre o tempo de utilização dos computadores, nem consultar as últimas novidades no correio electrónico.
é uma tristeza, dizem-nos que é para melhorar, para disponibilizar o famoso acesso em banda larga, que a senhora ministra há tempos não fazia a mínima ideia do que era, quantas escolas envolvia, os custos.
e, entretanto, nós desesperamos.

segunda-feira, novembro 1

leituras

depois de conversas sobre tudo e sobre nada, daquelas que pululam os intervalos e o queimar do tempo [e depois dizemos que não o temos] numa sala de professores, sempre conseguimos encontrar algumas cumplicidades, tecer alguns enleios que se enredam com gostos e atenções comuns.
em conversas com uma colega de Visual deparo-me com o seu gosto por descobrir pequenos grandes segredos da prática de ensinar. Entre leituras e autores pergunto-lhe sobre P. Freire. Ainda não conhece. Excelente oportunidade para um reencontro, o meu com a sua escrita, com as suas ideias e o seu ideário, e uma descoberta, a dela por uma pedagogia que é a da autonomia.

à descoberta

depois de uma semana em que perpassou por aqui o cansaço e algum do desencanto que se abate sobre a minha pessoa nesses períodos, seria indelicado não dar conta de coisas boas e agradáveis, que as há e em razoáveis quantidades, das nossas escolas.
depois de uma semana a discutir tudo como se partíssemos de um eterno princípio [reuniões intercalares de período, realizadas no final do dia] fiquei agradavelmente surpreendido quando encontro uma jovem colega com o trabalho de casa feito.
Recentemente chegada a esta escola, tal como muitos de nós [do conselho de turma em causa] procurou informação sobre a sua direcção de turma, anotou o trabalho antes desenvolvido, apresentou novas propostas, reconfigurou outras tendo por base a continuidade. Ficámos agradavelmente surpreendidos com a natural e normal evidência de que devia ser sempre assim. Ainda bem.

mais

...mais gente é o que se sente por estas paragens, a turma alarga-se, depois há queixas que as turmas são muito grandes. E com razão. Esta turma da blogosfera cresce a olhos e sentimentos vistos.
São traços, riscos e rabiscos, ideias e sentimentos, é gente que faz a História e conta estórias, de gente grande e de gente pequena, por que todos são importantes, todos somos gente.
Cada vez sinto mais o gosto por este espaço de partilha, de troca, de ir e voltar, de estranhar e entranhar num mundo que é o da educação.
Cada vez gosto mais de ser professor. Pena é a política que temos.

após

após a pausa o regresso, o deitar de cabeça (sou eu mesmo) no nosso dia-a-dia, no que de bom e menos bom ele nos reserva.
Novo mês e, por muito incrível que possa parecer a muitos, o penúltimo do ano. Pelo que passei, por aquilo que os meus passaram, antes fosse já amanhã o último dia, mas já só faltam 60 dias. quem diria.