após a pausa o regresso, o deitar de cabeça (sou eu mesmo) no nosso dia-a-dia, no que de bom e menos bom ele nos reserva.
Novo mês e, por muito incrível que possa parecer a muitos, o penúltimo do ano. Pelo que passei, por aquilo que os meus passaram, antes fosse já amanhã o último dia, mas já só faltam 60 dias. quem diria.
segunda-feira, novembro 1
quinta-feira, outubro 28
construção
na construção de um possível sentido da escola, do papel do aluno e do trabalho escolar tenho procurado criar materiais, perceber quais os mecanismos de actuação e de relacionamento professor/aluno/escola. Tenho assumido que é muita gente, uma triangulação difícil de gerir como extremamente volátil, plástica, maleável, dependente de inúmeras situações, co-relacionada com múltiplos factores e elementos, uns exteriores outros interiores quer à escola, quer ao agregado familiar, à pessoa (características, personalidade) do aluno, à forma como este vê (constroi uma ideia e uma imagem sobre o) professor, o seu papel, a sua disposição.
não tenho a mínima veleidade de conseguir algo de concreto, de útil, de prático, de adaptável no decorrer deste ano, apesar de ser este o ano onde reconheço um maior deságuar, uma maior confluência de circunstâncias.
Mas esta minha procura, esta minha pesquisa tem levantado questões não menos fáceis de gerir, tem desvelado, como diria o magnífico reitor da minha terra, situações não menos complexas.
Por exemplo, e talvez porque estou sozinho no processo, a relação que os alunos criam com outras disciplinas, com outros docentes, com outras atitudes - resistência, atrito quando não mesmos conflito, mas essencialmente indiferença.
O questionar de docentes face ao trabalho, às metodologias, às estratégias adoptadas, à livre circulação de alunos pelas escola (apenas e somente entre a sala e a biblioteca ou centro de recursos) no decurso da aula, facto que me tem obrigado a aprofundar a teorização e fundamentação.
Mas vale a pena.
não tenho a mínima veleidade de conseguir algo de concreto, de útil, de prático, de adaptável no decorrer deste ano, apesar de ser este o ano onde reconheço um maior deságuar, uma maior confluência de circunstâncias.
Mas esta minha procura, esta minha pesquisa tem levantado questões não menos fáceis de gerir, tem desvelado, como diria o magnífico reitor da minha terra, situações não menos complexas.
Por exemplo, e talvez porque estou sozinho no processo, a relação que os alunos criam com outras disciplinas, com outros docentes, com outras atitudes - resistência, atrito quando não mesmos conflito, mas essencialmente indiferença.
O questionar de docentes face ao trabalho, às metodologias, às estratégias adoptadas, à livre circulação de alunos pelas escola (apenas e somente entre a sala e a biblioteca ou centro de recursos) no decurso da aula, facto que me tem obrigado a aprofundar a teorização e fundamentação.
Mas vale a pena.
do tom
quando faço uma pausa e tenho oportunidade de ver o que fiz, pensar o que está feito, quais as suas implicações e relações fico, o mais das vezes, surpreendido.
ao olhar para as postas mais recentes noto um tom algo amargurado, um sentimento algo negativo quando, apesar de alguns desses sentimentos passarem por mim, não sentir que seja esse o meu estado de espírito nem que sejam os sentimentos dominantes.
o certo é que marcam a escrita mais recente talvez por duas ou três razões. Um certo cansaço que se reflecte na escrita, um certo sentimento de impotência, alguma frustação por sentir que as coisas estão a mudar (é certo que não apenas na escola, mas esta é um dos palcos predominantes de um espírito de mudança) e nós, professores em particular, não conseguimos (outros simplesmente não querem) assumir essa mudança.
Uma outra razão do tom das minhas postas refere-se, eventualmente, a uma ligeira alteração (não sei se momentânea se mais consistente que isso) de foco de atenção, agora assumidamente nas didácticas e metodologias pedagógicas.
É a tentativa, espero que não desesperada, de procurar colaborar na criação de sentidos da escola, do trabalho escolar, do papel do aluno, na construção da pessoa. E tenho obtido resultados que designo como surpreendentes.
ao olhar para as postas mais recentes noto um tom algo amargurado, um sentimento algo negativo quando, apesar de alguns desses sentimentos passarem por mim, não sentir que seja esse o meu estado de espírito nem que sejam os sentimentos dominantes.
o certo é que marcam a escrita mais recente talvez por duas ou três razões. Um certo cansaço que se reflecte na escrita, um certo sentimento de impotência, alguma frustação por sentir que as coisas estão a mudar (é certo que não apenas na escola, mas esta é um dos palcos predominantes de um espírito de mudança) e nós, professores em particular, não conseguimos (outros simplesmente não querem) assumir essa mudança.
Uma outra razão do tom das minhas postas refere-se, eventualmente, a uma ligeira alteração (não sei se momentânea se mais consistente que isso) de foco de atenção, agora assumidamente nas didácticas e metodologias pedagógicas.
É a tentativa, espero que não desesperada, de procurar colaborar na criação de sentidos da escola, do trabalho escolar, do papel do aluno, na construção da pessoa. E tenho obtido resultados que designo como surpreendentes.
terça-feira, outubro 26
custos
a propósito desta notícia, alguém sabe quanto custa um aluno dos ensinos básico e secundário?
alguém já pensou relacionar custos com proveitos?
alguém já pensou relacionar custos com proveitos?
em frente marche
No âmbito daquelas discussões que só o são por claro desconhecimento de regras e orientações, vi-me enredado numa troca de palavras que, agora, considero caricato.
Foi-me solicitado, em reunião de conselho de turma, um apontamento sobre dificuldades, competências, valorizações, metodologias e outros que tais face à disciplina que lecciono. Como tinha estruturado um documento sobre a turma e que considerei que respondia às questões levantadas fi-lo chegar à respectiva Directora de Turma.
Resposta, este não serve, tem de ser de acordo com este modelo, e mostrou-me uma folha com espaços próprios e questões específicas.
Ainda procurei argumentar que o meu texto ía ao encontro do solicitado que, apesar de não estar normalizado, por simples desconhecimento da minha parte, tinha todos os conteúdos ali referidos como necessários. Ganhei as mesmas.
Eu sei que estou numa cidade com profunda influência militar, mas querer uniformizar tudo, pintar tudo de verde tropa, alinhar tudo e todos da esquerda para a direita e por alturas é, pelo menos para mim, caricato e idiota.
Mas é o sistema que temos, São as pessoas que temos.
Foi-me solicitado, em reunião de conselho de turma, um apontamento sobre dificuldades, competências, valorizações, metodologias e outros que tais face à disciplina que lecciono. Como tinha estruturado um documento sobre a turma e que considerei que respondia às questões levantadas fi-lo chegar à respectiva Directora de Turma.
Resposta, este não serve, tem de ser de acordo com este modelo, e mostrou-me uma folha com espaços próprios e questões específicas.
Ainda procurei argumentar que o meu texto ía ao encontro do solicitado que, apesar de não estar normalizado, por simples desconhecimento da minha parte, tinha todos os conteúdos ali referidos como necessários. Ganhei as mesmas.
Eu sei que estou numa cidade com profunda influência militar, mas querer uniformizar tudo, pintar tudo de verde tropa, alinhar tudo e todos da esquerda para a direita e por alturas é, pelo menos para mim, caricato e idiota.
Mas é o sistema que temos, São as pessoas que temos.
sal e pimenta
efectivamente os viajantes da escola são um pouco como o sal e a pimenta do sistema.
Bem ou mal, melhor ou pior, as coisas estão definidas nas escolas, ainda que em alguns casos não se percebam os seus contornos, aceites pela generalidade dos elementos. Quem discute as regras, quem levanta dúvidas, quem coloca questões são aqueles recém chegados à escola, por destacamento, deslocações ou acaso.
São eles que, de algum modo, apimentam o quotidiano com particular destaque para as reuniões.
Foi isso que senti ontem, numa das minhas reuniões de conselho de turma intercalar.
Procurei estar calado, procurei não me inquietar com algumas dúvidas que o são apenas porque sou novo por aqui, que s coisas estão mais ou menos consensualizadas, mas não resisti quando ouvi que se distribuiam pesos percentuais por instrumentos de avaliação.
Exactamente, os instrumentos de avaliação (fichas, questionários, grelhas de registo, entre outras) também têm peso específico. Eu pensava que o importante eram os critérios e que os instrumentos apenas lhe dariam, ou não, coerência e possibilidade de registo. Fiquei a saber que também têm peso específico.
Bem ou mal, melhor ou pior, as coisas estão definidas nas escolas, ainda que em alguns casos não se percebam os seus contornos, aceites pela generalidade dos elementos. Quem discute as regras, quem levanta dúvidas, quem coloca questões são aqueles recém chegados à escola, por destacamento, deslocações ou acaso.
São eles que, de algum modo, apimentam o quotidiano com particular destaque para as reuniões.
Foi isso que senti ontem, numa das minhas reuniões de conselho de turma intercalar.
Procurei estar calado, procurei não me inquietar com algumas dúvidas que o são apenas porque sou novo por aqui, que s coisas estão mais ou menos consensualizadas, mas não resisti quando ouvi que se distribuiam pesos percentuais por instrumentos de avaliação.
Exactamente, os instrumentos de avaliação (fichas, questionários, grelhas de registo, entre outras) também têm peso específico. Eu pensava que o importante eram os critérios e que os instrumentos apenas lhe dariam, ou não, coerência e possibilidade de registo. Fiquei a saber que também têm peso específico.
segunda-feira, outubro 25
escassez
o tempo, esta semana, é mais escasso que nas anteriores. No meio de relatórios, projectos, acções e planificações surgem, em horário pós laboral, as reuniões intercalares.
Quando deviam ser de harmonização, consensualização, definição e conjugação de ideias e propostas de trabalho, surgem num horário por quase todos criticado.
As ideias desvanecem-se na saturação de um dia completo na escola, das 08h30 às 19h e qualquer coisa. Tempo demais para que haja paciência para discutir ideias, consertar opiniões, analisar situações.
O que fica destas reuniões? que consolidação existe? que conhecimentos são partilhados?
Quando deviam ser de harmonização, consensualização, definição e conjugação de ideias e propostas de trabalho, surgem num horário por quase todos criticado.
As ideias desvanecem-se na saturação de um dia completo na escola, das 08h30 às 19h e qualquer coisa. Tempo demais para que haja paciência para discutir ideias, consertar opiniões, analisar situações.
O que fica destas reuniões? que consolidação existe? que conhecimentos são partilhados?
domingo, outubro 24
mudança
a partir de um momento em que a partir da minha sala de professores discorri sobre ela, isto é, a sala de professores, abriram-se diversas e diferentes janelas de diálogo que são salutares no pensar a escola.
Nestes diálogos, francos, abertos e com o claro propósito de se construir uma ideia de escola, o Miguel traz à baila um dos temas que, no príncipio do seu blogue (ia dizer da sua escrita) marcaram presença assídua e deveras interessante, a mudança.
Neste sentido, destaca uma ideia que, muita das vezes, é esquecida, minimizada quando não mesmo desprezada, diz ele que a mudança não é, em si, boa ou má. Serão os sentidos e os fins que lhe determinam a essência.
Não podia estar mais de acordo. No entanto, e nestas discussões colectivas e diferidas há sempre um mas, um se, ou algo parecido (e ainda bem), na sequência do seu texto e nos 4 princípios que apresenta falta uma ideia, um ponto que torna a mudança crucial, fundamental e imprescindível, o interesse.
Vale a pena mudar? mudar para quê?, que interesse há em mudar?, mudar o quê? quem muda o quê? e porquê?
Concordo plenamente com o Miguel, coisa que já não é vulgar, quando afirma que é (...) tempo de procurar soluções, de agir. Não é o tempo de carpir as mágoas pelo rumo da educação. Mas nesta procura de sentido há que procurar o porquê, qual o interesse, o motivo, a razão de criar a paz em vez da guerra, de concordar em vez de discordar, em anuir em vez de discutir.
Por isto tudo termino com uma ligeira divergência, as salas de professores não podem nem devem continuar na mesma, com o sério risco de estarmos a hipotecar um futuro.
Nestes diálogos, francos, abertos e com o claro propósito de se construir uma ideia de escola, o Miguel traz à baila um dos temas que, no príncipio do seu blogue (ia dizer da sua escrita) marcaram presença assídua e deveras interessante, a mudança.
Neste sentido, destaca uma ideia que, muita das vezes, é esquecida, minimizada quando não mesmo desprezada, diz ele que a mudança não é, em si, boa ou má. Serão os sentidos e os fins que lhe determinam a essência.
Não podia estar mais de acordo. No entanto, e nestas discussões colectivas e diferidas há sempre um mas, um se, ou algo parecido (e ainda bem), na sequência do seu texto e nos 4 princípios que apresenta falta uma ideia, um ponto que torna a mudança crucial, fundamental e imprescindível, o interesse.
Vale a pena mudar? mudar para quê?, que interesse há em mudar?, mudar o quê? quem muda o quê? e porquê?
Concordo plenamente com o Miguel, coisa que já não é vulgar, quando afirma que é (...) tempo de procurar soluções, de agir. Não é o tempo de carpir as mágoas pelo rumo da educação. Mas nesta procura de sentido há que procurar o porquê, qual o interesse, o motivo, a razão de criar a paz em vez da guerra, de concordar em vez de discordar, em anuir em vez de discutir.
Por isto tudo termino com uma ligeira divergência, as salas de professores não podem nem devem continuar na mesma, com o sério risco de estarmos a hipotecar um futuro.
sábado, outubro 23
gosto
Há sítios nesta blogosfera aos quais me habituei, perante os quais assumo um certo respeito, uma deferência, seja pelas ideias ali expressas, pela sua escrita, pelo sentimento que colocam nas palavras, pelo olhar que nos obriga a trocar, por nos despertar inquietações, por nos segredar vontades, ou seja, por tudo e por nada.
Há sítios que são para mim imperdíveis. Já pensei em criar um conjunto de links, aqui na coluna do lado, que me permitisse um acesso rápido, mais rápido. Por respeito a todos os outros e porque nem sempre os últimos ficam para o fim, não o fiz.
Hoje destaco um que pelas suas particularidades, pela sua escrita e, acima de tudo, pela sua músicalidade me tocam há muito.
O mocho, feito em parceria por um casal, é um ponto de passagem, peço outra vez desculpa, não é de passagem é de assento obrigatório nesta blogosfera.
Gosto mesmo. E então da múscia que agora lá está ainda mais.
Há sítios que são para mim imperdíveis. Já pensei em criar um conjunto de links, aqui na coluna do lado, que me permitisse um acesso rápido, mais rápido. Por respeito a todos os outros e porque nem sempre os últimos ficam para o fim, não o fiz.
Hoje destaco um que pelas suas particularidades, pela sua escrita e, acima de tudo, pela sua músicalidade me tocam há muito.
O mocho, feito em parceria por um casal, é um ponto de passagem, peço outra vez desculpa, não é de passagem é de assento obrigatório nesta blogosfera.
Gosto mesmo. E então da múscia que agora lá está ainda mais.
gente nova
há mais gente nova a animar as hostes, a contribuir para a discussão, para a troca de ideias, para luz que tão necessária é neste espaço. A turma alarga-se, a escola cresce, estamos em plena expansão demográfica.
Como afirma na apresentação porque até o barulho é uma coisa agradável, quando é feito de boa-fé.
venha ele.
Como afirma na apresentação porque até o barulho é uma coisa agradável, quando é feito de boa-fé.
venha ele.
vox populi
o José Teixeira deixou um comentário que daria mano para mangas e permitiria, se este fosse o espaço para o efeito, iniciar um redesenhar não apenas da sala de professores mas da própria escola, das suas funcionalidades, das suas lógicas instituídas e instituintes, da sua organização de espaços, tempos e objectivos e, inevitavelmente, do conjunto de relações que neste espaço se desenham, se entrecruzam, chocam e interpenetram.
Apesar de este ser um tema que claramente me apaixona mas também por considerar escasso este espaço e insuficientes os meus conhecimentos apenas reafirmo uma ideia.
Nas plantas iniciais dos estabelecimentos de ensino de 2º, 3º ciclo ou secundário (P3 ou P5) a sala de professores era junta ou pelo menos nas proximidades do órgão de gestão. Com o tempo, com as vivências, com a habitabilidade e redefinição de espaços e funções foram-se afastando uma da outra.
Concordo com o José quando afirma que a sala de professores acaba por ser um lugar árido e pouco estimulante do ponto de vista intelectual e quase irrelevante do ponto de vista pedagógico.
Estou certo que não decorre apenas da arquitectura mas de quem a vive, tal como refere o Agostinho, outro colega, destacando as diferenças.
Mas aqui surgem os desafios, como tornar a sala de professores um lugar estimulante, quer do ponto de vista político quer sob o ponto de vista pedagógico? como criar espaços de debate, diálogo discussão e participação não apenas na sala de professores mas na escola?
E na eventualidade de uma qualquer resposta certamente que existirá um elemento comum, transversal às possibilidades e às hipóteses consideradas, o professor, a pessoa. Enquanto não ultrapassarmos medos e fantasmas, enquanto não assumirmos uma ideia política de profissão, enquanto não exigirmos a definição do nosso próprio caminho, estou certo que a sala de professores mais não será que um local de passagem, um momento onde se discorre sobre defeitos e piadas de caserna.
Apesar de este ser um tema que claramente me apaixona mas também por considerar escasso este espaço e insuficientes os meus conhecimentos apenas reafirmo uma ideia.
Nas plantas iniciais dos estabelecimentos de ensino de 2º, 3º ciclo ou secundário (P3 ou P5) a sala de professores era junta ou pelo menos nas proximidades do órgão de gestão. Com o tempo, com as vivências, com a habitabilidade e redefinição de espaços e funções foram-se afastando uma da outra.
Concordo com o José quando afirma que a sala de professores acaba por ser um lugar árido e pouco estimulante do ponto de vista intelectual e quase irrelevante do ponto de vista pedagógico.
Estou certo que não decorre apenas da arquitectura mas de quem a vive, tal como refere o Agostinho, outro colega, destacando as diferenças.
Mas aqui surgem os desafios, como tornar a sala de professores um lugar estimulante, quer do ponto de vista político quer sob o ponto de vista pedagógico? como criar espaços de debate, diálogo discussão e participação não apenas na sala de professores mas na escola?
E na eventualidade de uma qualquer resposta certamente que existirá um elemento comum, transversal às possibilidades e às hipóteses consideradas, o professor, a pessoa. Enquanto não ultrapassarmos medos e fantasmas, enquanto não assumirmos uma ideia política de profissão, enquanto não exigirmos a definição do nosso próprio caminho, estou certo que a sala de professores mais não será que um local de passagem, um momento onde se discorre sobre defeitos e piadas de caserna.
sexta-feira, outubro 22
ridículo 2
a partir desta hipótese, levantada após uma noite mal dormida do nosso primeiro-ministro, ocorreu-me reflectir que se os professores passam o seu tempo a efectuar juízos de valor, a avaliar pessoas, situações, a aferir do sentido de uma qualquer regra, de uma qualquer norma, se os professores lidam com mais situações sociais que muitos assistentes sociais, se procuram alternativas, medeiam situações e conflitos, propoem medidas de remediação, compensação, aplicam penas e distibuem benesses, se tudo isto, então desculpem lá, mas, face a esta situação não consideram que seria bastante útil a criação de assessores jurídicos dos professores? e que seria óptimo que os senhores doutores juízes fossem assessores dos professores?
ridículo 1
considero esta ideia, no mínimo, ridícula.
quando nas escolas nos queixamos que há falta de meios, que não temos condições, que precisamos de apoios, que as turmas são exageradamente grandes, que não temos tempo para quase nada, que os projectos são auto-geridos por que não há condições para que os professores se possam empenhar neles, quandos nos queixamos que os computadores estão assim ou assados, que as redes não funcionam e depois, depois disto tudo alguém está preocupado com os professores com horário zero, sem turmas atribuídas?
mas que coerência, mas que projectos, mas que ideias abundam por aí que nos damos ao luxo de deitar fora recursos qualificados, prescindir de pessoas, desbaratar ideias? Será que alguém não se estará a preocupar desnecessariamente com um possível solução, uma oportunidade de trabalho?
quando nas escolas nos queixamos que há falta de meios, que não temos condições, que precisamos de apoios, que as turmas são exageradamente grandes, que não temos tempo para quase nada, que os projectos são auto-geridos por que não há condições para que os professores se possam empenhar neles, quandos nos queixamos que os computadores estão assim ou assados, que as redes não funcionam e depois, depois disto tudo alguém está preocupado com os professores com horário zero, sem turmas atribuídas?
mas que coerência, mas que projectos, mas que ideias abundam por aí que nos damos ao luxo de deitar fora recursos qualificados, prescindir de pessoas, desbaratar ideias? Será que alguém não se estará a preocupar desnecessariamente com um possível solução, uma oportunidade de trabalho?
consequência
lembram-se de um jogo de crianças designado verdade ou consequência?
então digam-me lá qual a consequência da redução das verbas na área da educação. Um antigo ministro de Cavaco Silva, hoje reformado, coitadinho, diz isto.
Será que sou eu que não consigo perspectivar a aposta educativa em face da redução dos valores de investimento? será que são lógicas marxistas em que um passo atrás pode significar um avanço? ou que é avanço ou recuo consoante o nosso ponto de vista?
qual será a consequência destas políticas, destas apostas, deste governo? que país temos nós hoje, passados mais de 2 anos de governo à direita? temos mais justiça social?, maior equidade fiscal?, maior redistribuição de riqueza?, maior segurança de emprego?, mais confiança no sistema político?, acreditamos mais na escola?
que país temos nós?
então digam-me lá qual a consequência da redução das verbas na área da educação. Um antigo ministro de Cavaco Silva, hoje reformado, coitadinho, diz isto.
Será que sou eu que não consigo perspectivar a aposta educativa em face da redução dos valores de investimento? será que são lógicas marxistas em que um passo atrás pode significar um avanço? ou que é avanço ou recuo consoante o nosso ponto de vista?
qual será a consequência destas políticas, destas apostas, deste governo? que país temos nós hoje, passados mais de 2 anos de governo à direita? temos mais justiça social?, maior equidade fiscal?, maior redistribuição de riqueza?, maior segurança de emprego?, mais confiança no sistema político?, acreditamos mais na escola?
que país temos nós?
geografia
os comentários deixados no silêncio são de tal modo ruidores que permitem construir um outro mapa de interpetação da escola.
As relações políticas, e aqui deixo de lado se elas são micro, meso ou macro, são um dos elementos estruturantes e estruturadores não apenas da sala de professores, mas é um dos locais onde melhor se conseguem perceber as relações e onde melhor se pode ler o mapa geopolítico, mas de todo o espaço escolar.
As conexões políticas, não apenas da escola mas de um qualquer espaço socialmente organizado, definem todo um conjunto de laços, relações, intercâmbios, permutas, poderes e simbolos de autoridade que, cada qual a seu modo, estruturam um mapa de ocupação de espaços, tempos, horários, turmas... e poder.
Acabar com um qualquer espaço de visibilização deste mapeamento político e social implica que ele apenas se deslocalize e, para quem assim o entenda, seja mais complexo o seu controlo. Daí, na generalidade dos casos, a sala de professores esteja muito próxima do órgão de gestão. Daí que, na generalidade dos casos, o órgão de gestão procure acompanhar o pulsar da sala de professores.
O problema, no meu entender, é que os professores se têm desvinculado, o mais das vezes, deste mapa de interesses sociais e políticos e que estruturam um dado sentido organizacional. Até quando é a questão.
As relações políticas, e aqui deixo de lado se elas são micro, meso ou macro, são um dos elementos estruturantes e estruturadores não apenas da sala de professores, mas é um dos locais onde melhor se conseguem perceber as relações e onde melhor se pode ler o mapa geopolítico, mas de todo o espaço escolar.
As conexões políticas, não apenas da escola mas de um qualquer espaço socialmente organizado, definem todo um conjunto de laços, relações, intercâmbios, permutas, poderes e simbolos de autoridade que, cada qual a seu modo, estruturam um mapa de ocupação de espaços, tempos, horários, turmas... e poder.
Acabar com um qualquer espaço de visibilização deste mapeamento político e social implica que ele apenas se deslocalize e, para quem assim o entenda, seja mais complexo o seu controlo. Daí, na generalidade dos casos, a sala de professores esteja muito próxima do órgão de gestão. Daí que, na generalidade dos casos, o órgão de gestão procure acompanhar o pulsar da sala de professores.
O problema, no meu entender, é que os professores se têm desvinculado, o mais das vezes, deste mapa de interesses sociais e políticos e que estruturam um dado sentido organizacional. Até quando é a questão.
quinta-feira, outubro 21
decisão
a senhora ministra até pode não ter qualquer tipo de responsabilidade na colocação de professores mas, desde que chegou, ainda não percebi o que faz, qual a ideia que tem, quais os objectivos [para além dos expressos no programa de governo].
Com esta notícia fico curioso como irá reagir, qual irá ser a sua resposta?
Com esta notícia fico curioso como irá reagir, qual irá ser a sua resposta?
quarta-feira, outubro 20
o silêncio é lixado
colocaram um comentário na minha posta designada de silêncio onde afirmam que a vida de professor é lixada.
a conclusão não é minha e, espero, que não tenha induzido quem quer que seja a essa sugestão, a essa ideia.
Tenho queixas da minha profissão? tenho sim senhor. Que não é o melhor dos mundos? há alguma que o seja?. Mas chorar-me pelos cantos, queixar-me de dores que não sinto, sofrer de maleitas que desconheço isso não faço, não me queixo, não sinto.
se dei a entender, em face de uma posta colocada numa manhã de nevoeiro, essa ideia, peço desculpa, mas não era nem é minha intenção.
são dias, são manhãs. Momentos.
a conclusão não é minha e, espero, que não tenha induzido quem quer que seja a essa sugestão, a essa ideia.
Tenho queixas da minha profissão? tenho sim senhor. Que não é o melhor dos mundos? há alguma que o seja?. Mas chorar-me pelos cantos, queixar-me de dores que não sinto, sofrer de maleitas que desconheço isso não faço, não me queixo, não sinto.
se dei a entender, em face de uma posta colocada numa manhã de nevoeiro, essa ideia, peço desculpa, mas não era nem é minha intenção.
são dias, são manhãs. Momentos.
das notícias
durante os noticiários da noite tive oportunidade de perceber que um dos responsáveis pela confusão e outras coisas que tais dos concursos dos professores foram, imagine-se, os professores, isto da boca do então secretário de estado Abílio Morgado ouvido hoje em sede parlamentar.
Assumo, reconheço, não aguento mais estas patacoadas idiotas, estas pérolas de estupidez ambulante, esta gente que se julga gente.
Assumo, reconheço, não aguento mais estas patacoadas idiotas, estas pérolas de estupidez ambulante, esta gente que se julga gente.
silêncio
a sala de professores desta minha escola, na maior dos dias e dos momentos e independentemente da quantidade de gente que por aqui circula, mais parece uma planície alentejana do que uma sala de convívio.
Predomina o silencio, o sussurrar de palvras, quase que uma brincadeira de esconde-esconde para ver se não me ouvem.
De quando enquando procuro despertar algum ânimo, mas sou olhado como um irriquieto, reguila.
Predomina o silencio, o sussurrar de palvras, quase que uma brincadeira de esconde-esconde para ver se não me ouvem.
De quando enquando procuro despertar algum ânimo, mas sou olhado como um irriquieto, reguila.
à conversa
No meio das minhas preocupações didáticas e metodológicas no âmbito da minha disciplina deparo-me com um conjunto de dúvidas [algumas mais do foro existencial] que procuro ultrapassar recorrendo a leituras, consultas diversas e várias.
Ontem, num intervalo e numa amena cavaqueira de café, desemburrei mais do que muitas leituras o tinham permitido.
Coisas óbivas e evidentes para o colega com quem trocava conversa mas que para mim, por estarem encima do meu nariz, eram complicadinhas de ver.
Faltam conversas destas aos professores, conversas onde se possam trocar ideias, opiniões sobre práticas, saber o que o outro faz, como faz, quais os resultados, quais os impactos.
Falta, acima de tudo, conversar sobre a nossa profissão, sem medos, nem tabús e menos ainda com pré-conceitos.
Ontem, num intervalo e numa amena cavaqueira de café, desemburrei mais do que muitas leituras o tinham permitido.
Coisas óbivas e evidentes para o colega com quem trocava conversa mas que para mim, por estarem encima do meu nariz, eram complicadinhas de ver.
Faltam conversas destas aos professores, conversas onde se possam trocar ideias, opiniões sobre práticas, saber o que o outro faz, como faz, quais os resultados, quais os impactos.
Falta, acima de tudo, conversar sobre a nossa profissão, sem medos, nem tabús e menos ainda com pré-conceitos.
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