Uma vez por ano regresso áquilo que a minha filha designa por escola grande, a universidade. Sou responsável por um módulo numa pós-graduação ali praticada.
Como (ir)responsável que gosto de ser preparo as coisas atempadamente, procuro informação mais ou menos actualizada, organizo materiais de apoio (bibliografia, sítios na net, apontamentos, artigos, entre outros), disponibilizo um conjunto de textos de apoio que elaboro, sínteses, etc, como tenho o cuidado de preparar as conversas, que é isso que lhe chamo, com esquemas de apoio à organização mental, frases ou pequenos textos de apoio ou de orientação face às problemáticas, à troca de ideias, ao debate.
No final, que é o caso de agora, sinto-me cansado e sem vontade de ir para aquele ambiente.
No ano transacto, a minha primeira experiência, a minha primeira vez, fui expectante quanto ao que ali podia acontecer, a maturidade da discussão, os interesses em construir uma ideia, curioso quanto aos caminhos das discussões.
Vim algo decepcionado, reconheço. Foi demasiado fácil. As pessoas participaram, colaboraram, discutiram, de uma sessão para outra trouxeram outra informação, experiências. O tempo que tinha pensado para a avaliação acabou pr ser gasto no âmbito de mais conversa e a avaliação propriamente dita teve que decorrer já o módulo terminado.
Não estou habituado a que todos participem, a que todos estejam interessados, a que haja ânimo e envolvimento. Achei fácil demais.
Gosto mais do meu meio, o da escola mais pequena, aquela onde a escola até é porreira, as aulas, essas, é que são geralmente uma seca. Mas é destes desafios que eu mais gosto.
Mas lá vou.
sexta-feira, outubro 8
quinta-feira, outubro 7
confiança
Um outro tom, para fugir à monotia.
Diz esta notícia que os estudantes de outros países sentem confiança no seu futuro, ainda que a universidade esteja pouco ligada à vida real.
Nós, por cá, também não.
Diz esta notícia que os estudantes de outros países sentem confiança no seu futuro, ainda que a universidade esteja pouco ligada à vida real.
Nós, por cá, também não.
meta - ainda os rankings
Em virtude da acção do governo os rankings escolares saem de cena, quase que de fininho, sem alardes.
Mas há ideias que se devem retomar sempre que necessário, nem que seja para compreender o que somos, o que queremos, para onde vamos, com quem vamos.
Destaco uma meta leitura, um ponto de situação, uma síntese das ideias deixadas em diferentes blogues e coligidas por estes colegas.
O facto de estarem agrupados e se permitir uma leitura em diagonal permite evidenciar um olhar comum, um mesmo ponto de vista e uma pergunta, afinal, não há quem defenda os rankings? Os defensores dos rankings estão apenas na comunicação social? Ou será que nos está a escapar algo, uma outra escrita, outros olhares.
Mas há ideias que se devem retomar sempre que necessário, nem que seja para compreender o que somos, o que queremos, para onde vamos, com quem vamos.
Destaco uma meta leitura, um ponto de situação, uma síntese das ideias deixadas em diferentes blogues e coligidas por estes colegas.
O facto de estarem agrupados e se permitir uma leitura em diagonal permite evidenciar um olhar comum, um mesmo ponto de vista e uma pergunta, afinal, não há quem defenda os rankings? Os defensores dos rankings estão apenas na comunicação social? Ou será que nos está a escapar algo, uma outra escrita, outros olhares.
manias
... esta é uma mania que os senhores que têm tutelado o polvo persistem em querer assegurar. É como se, no meio do oceano, procurassem uma qualquer tábua de salvação, não interessa o tamanho, como não importa quantos temos de salvar. O importante é agarrarmo-nos a algo para criar uma falsa sensação de segurança.
Não há meio de estes senhores, corrijo, senhora, tomar consciência que as escolas - os seus actores e protagonistas - têm vida própria, são maiores e vacinados e sabem o que querem, como sabem definir o que melhor se adequa à sua população, aos seus interesses e objectivos.
Esta mania de tudo procurar regulamentar, prescrever, orientar, enquadrar, definir é velha, mais velha que a democracia.
A porra toda é que está de volta e com mais veemência que nunca.
Não há meio de estes senhores, corrijo, senhora, tomar consciência que as escolas - os seus actores e protagonistas - têm vida própria, são maiores e vacinados e sabem o que querem, como sabem definir o que melhor se adequa à sua população, aos seus interesses e objectivos.
Esta mania de tudo procurar regulamentar, prescrever, orientar, enquadrar, definir é velha, mais velha que a democracia.
A porra toda é que está de volta e com mais veemência que nunca.
início
... depois das coisas normais da manhã - higiéne, distribuição dos filhos, primeiro café - subo ao meu deserto e navego na net.
Há um conjunto de sítios que são, para mim, imperdíveis, incontornáveis sempre que aqui chego. Os jornais nacionais, alguns internacionais, um ou outro sítio das rádios, os blogues indiscutíveis, sobre tudo e sobre nada, das minhas paixões, dos meus sentimentos, naqueles que me reconheço e daqueles que me ensinam, um ou outro apontamento de ideias digitais a circular nesta imensa rede, a consulta do correio, inclusivamente do junk mail - estranho quando nada me entra pela caixa electrónica.
São vícios, hábitos, usos, um costume que se instalou na minha pessoa que quase se tornou uma rotina.
Não consigo iniciar as minhas funções sem ganhar algum do meu tempo neste espaço, neste devaneio.
É assim que leio o mundo, me leio.
Há um conjunto de sítios que são, para mim, imperdíveis, incontornáveis sempre que aqui chego. Os jornais nacionais, alguns internacionais, um ou outro sítio das rádios, os blogues indiscutíveis, sobre tudo e sobre nada, das minhas paixões, dos meus sentimentos, naqueles que me reconheço e daqueles que me ensinam, um ou outro apontamento de ideias digitais a circular nesta imensa rede, a consulta do correio, inclusivamente do junk mail - estranho quando nada me entra pela caixa electrónica.
São vícios, hábitos, usos, um costume que se instalou na minha pessoa que quase se tornou uma rotina.
Não consigo iniciar as minhas funções sem ganhar algum do meu tempo neste espaço, neste devaneio.
É assim que leio o mundo, me leio.
quarta-feira, outubro 6
dúvidas
... depois de um conjunto de reuniões de coordenação(?) na qual passei a tarde, fico com a sensação que a escola (talvez apenas aquela onde estou) se encontrar organizada em torno do papel, da normalização, da estandardização, da uniformização.
Há papéis para quase tudo. Há sempre um papel para quantificar algo, para rotular alguma coisa, para tipificar isto ou aquilo. Tudo está mais ou menos normalizado, o mais ou menos permite sempre alguma escapadela, uma outra interpretação.
Mas carecemos de uma ideia de escola.
Estamos ali, os professores, como se de funcionários públicos, de uma qualquer repartição pública, se tratasse.
É para cumprir? é para fazer assim?, então cumpra-se. Então faça-se. Ponto final e acabou a discussão que é uma perda de tempo e eu tenho coisas mais importantes para fazer.
É uma ideia a que muitas vezes chego. Talvez inconsequentemente, não sei. O Miguel chamou-lhes escolas de montra. Eu não as nomeio, mas pergunto se serão todas assim?
Há papéis para quase tudo. Há sempre um papel para quantificar algo, para rotular alguma coisa, para tipificar isto ou aquilo. Tudo está mais ou menos normalizado, o mais ou menos permite sempre alguma escapadela, uma outra interpretação.
Mas carecemos de uma ideia de escola.
Estamos ali, os professores, como se de funcionários públicos, de uma qualquer repartição pública, se tratasse.
É para cumprir? é para fazer assim?, então cumpra-se. Então faça-se. Ponto final e acabou a discussão que é uma perda de tempo e eu tenho coisas mais importantes para fazer.
É uma ideia a que muitas vezes chego. Talvez inconsequentemente, não sei. O Miguel chamou-lhes escolas de montra. Eu não as nomeio, mas pergunto se serão todas assim?
interessante
Tenho seguido com atenção, pelas características que apresenta, o blogue Paixão da Educação.
Pelo facto de ser escrito por várias mãos, pensado por diferentes cabeças, olhado sob diferentes pontos de vista e sob outras tantas perspectivas, é engraçado perceber até que ponto vai a discussão, o que é comum na sigularidade individual e o que é diferente na percepção do mesmo pensamento.
Uma ideia retenho decorrente dos primeiros contactos, das primeiras leituras, a sensação de agrura face ao sistema educativo é comum.
Como se fosse possível existir escola sem sistema educativo. Ou é?
Pelo facto de ser escrito por várias mãos, pensado por diferentes cabeças, olhado sob diferentes pontos de vista e sob outras tantas perspectivas, é engraçado perceber até que ponto vai a discussão, o que é comum na sigularidade individual e o que é diferente na percepção do mesmo pensamento.
Uma ideia retenho decorrente dos primeiros contactos, das primeiras leituras, a sensação de agrura face ao sistema educativo é comum.
Como se fosse possível existir escola sem sistema educativo. Ou é?
terça-feira, outubro 5
actualizações
Procedi a um conjunto, ainda escasso, de actualizações dos meus links, agora exclusivamente na área das actividades curriculares.
Para breve, com tempo e alguma paciência, espero actualizar as actividades não curriculares.
É uma forma que encontro de dizer daquilo que gosto, responder a algumas simpatias, ewm particular a referenciar aqueles que já me têm referenciado, e destacar o que de bom existe nesta blogosfera sobre professores e dos professores.
Para breve, com tempo e alguma paciência, espero actualizar as actividades não curriculares.
É uma forma que encontro de dizer daquilo que gosto, responder a algumas simpatias, ewm particular a referenciar aqueles que já me têm referenciado, e destacar o que de bom existe nesta blogosfera sobre professores e dos professores.
dia do professor
Hoje, para além de se comemorar a implantação da República, é o dia do profesor.
A todos os meus colegas, passantes e amigos, votos e desejos para que a escola, um dia, seja um prazer e não fonte de angustias.
A todos os meus colegas, passantes e amigos, votos e desejos para que a escola, um dia, seja um prazer e não fonte de angustias.
segunda-feira, outubro 4
dificuldades
hoje, apesar de alguns comentários que deixei, tenho estado ausente deste espaço por manifesta dificuldade de aceder ao blogger.
Por vezes o estrangeiro coloca as mesmas dificuldades que parceiros nacionais. Contingências.
Por vezes o estrangeiro coloca as mesmas dificuldades que parceiros nacionais. Contingências.
conversas
...ora aqui está um tema que pode unir ideias, juntar opiniões, criar um sentido, eventualmente comum, sobre uma ideia feita.
Mas antes permitam-me a colocação de algumas questões que reconheço, logo à partida, pouco pertinentes.
Há a noção - estudos, trabalhos, levantamentos por órgãos de gestão - de quantos dias faltam por ano lectivo os docentes? [é que discutirmos com ideia no ar é pouco credível e sustentável, e, por vezes, temos uma ideia que pode não corresponder de todo em todo à realidade]
há noção se esses dias de falta são superiores, ou inferiores, aos restantes dias de falta da generalidade da administração pública? [não me quero desculpabilizar com os outros, mas a comparação pode ser útil];
A partir destas duas questões a minha opinião, se alguém prescindir dela pode passar à frente que não se perde nada.
Quando integrei um órgão de gestão tive a preocupação de procurar perceber o impacto das faltas de docentes [eram sentidas como uma das dificuldades ao sucesso dos alunos], o número de dias, as consequências. E uma ideia que retive daí, o estudo não é fixo nem absoluto, é que por vezes compensa mais faltar do que gastar o dinheiro nas deslocações. E isso é, no meu entendimento, incontornável em algumas situações, não em todas, obviamente.
Depois, pode parecer incrível, desadequado, inconsequente, mas dar aulas cansa. Cansa e muito. Particularmente se as preparamos, se nos preocupamos com aqueles que temos pela frente, se não queremos criar exclusões, se não queremos diferenciar pela negativa. Puxar por pessoas, organizar ideias, apoiar o trabalho, incentivar ao estudo, compreender dificuldades, perspectivar oportunidades, porra cansa e não é pouco, quando temos pela frente, por dia aproximadamente 100 pessoas, é obra. Por isso e para uma clara sanidade mental, há, de quando em quando, que parar.
Mais ideias para futuras oportunidades.
Mas antes permitam-me a colocação de algumas questões que reconheço, logo à partida, pouco pertinentes.
Há a noção - estudos, trabalhos, levantamentos por órgãos de gestão - de quantos dias faltam por ano lectivo os docentes? [é que discutirmos com ideia no ar é pouco credível e sustentável, e, por vezes, temos uma ideia que pode não corresponder de todo em todo à realidade]
há noção se esses dias de falta são superiores, ou inferiores, aos restantes dias de falta da generalidade da administração pública? [não me quero desculpabilizar com os outros, mas a comparação pode ser útil];
A partir destas duas questões a minha opinião, se alguém prescindir dela pode passar à frente que não se perde nada.
Quando integrei um órgão de gestão tive a preocupação de procurar perceber o impacto das faltas de docentes [eram sentidas como uma das dificuldades ao sucesso dos alunos], o número de dias, as consequências. E uma ideia que retive daí, o estudo não é fixo nem absoluto, é que por vezes compensa mais faltar do que gastar o dinheiro nas deslocações. E isso é, no meu entendimento, incontornável em algumas situações, não em todas, obviamente.
Depois, pode parecer incrível, desadequado, inconsequente, mas dar aulas cansa. Cansa e muito. Particularmente se as preparamos, se nos preocupamos com aqueles que temos pela frente, se não queremos criar exclusões, se não queremos diferenciar pela negativa. Puxar por pessoas, organizar ideias, apoiar o trabalho, incentivar ao estudo, compreender dificuldades, perspectivar oportunidades, porra cansa e não é pouco, quando temos pela frente, por dia aproximadamente 100 pessoas, é obra. Por isso e para uma clara sanidade mental, há, de quando em quando, que parar.
Mais ideias para futuras oportunidades.
domingo, outubro 3
currículo
No âmbito desta discussão, onde todos procuram ter um pouco de razão, onde quase todos têm uma opinião aprofundada e fundamentada, pergunto, e o currículo, alguém avalia o currículo? Estamos apenas preocupados com um conjunto, ainda por cima restrito de conhecimentos? Quem se preocupa com as competências, com valores, com atitudes? quem se preocupa com civismo, liberdade, democracia, tolerância, respeito? Quem está minimamente preocupado sobre se estas escolas cuidam de outros valores que não apenas os do mercado, o das notas?
Os velhotes que cuidadaram de mim em pequeno, qual conjunto de avôs, nunca perceberam nem de matemática, nem de química, os poucos conhecimentos que tinham de história foram por eles construídos, mas procuraram sempre incutir em mim, hoje o percebo, respeito pelos outros, pela diferença, de lutar contra a indiferença. A escola não pode, nem deve, fazer tudo, tocar todos os instrumentos, orientar todos os espíritos. Mas deve pugnar por um comportamento que apontamos como fundamental, o da democracia e do respeito.
Para depois não dizermos que apesar das excelentes notas, do inquestionável rendimento escolar, não sabemos preencher um impresso, um formulário normal de uma qualquer repartição da administração pública, nacional ou local.
Os velhotes que cuidadaram de mim em pequeno, qual conjunto de avôs, nunca perceberam nem de matemática, nem de química, os poucos conhecimentos que tinham de história foram por eles construídos, mas procuraram sempre incutir em mim, hoje o percebo, respeito pelos outros, pela diferença, de lutar contra a indiferença. A escola não pode, nem deve, fazer tudo, tocar todos os instrumentos, orientar todos os espíritos. Mas deve pugnar por um comportamento que apontamos como fundamental, o da democracia e do respeito.
Para depois não dizermos que apesar das excelentes notas, do inquestionável rendimento escolar, não sabemos preencher um impresso, um formulário normal de uma qualquer repartição da administração pública, nacional ou local.
mais do mesmo
é mais do mesmo, com alguns tiques de inquestionabilidade absoluta, tanta certeza que de certeza é incerto, mas o texto, a prosa, essa, é escorreita, rápida, fluída. Toca pontos essenciais, concordo com quase tudo, até no tom, entre o pedante o convencido.
António Barreto tem a particularidade de escrever bem e num jornal nacional, estudar temas que permitem perceber como estamos aqui, de onde viemos. De já ter vivido o suficiente para perceber que as coisas não são assim tão simples.
É mais do mesmo, com o desplante que pode caracterizar quem fala verdade a sério.
António Barreto tem a particularidade de escrever bem e num jornal nacional, estudar temas que permitem perceber como estamos aqui, de onde viemos. De já ter vivido o suficiente para perceber que as coisas não são assim tão simples.
É mais do mesmo, com o desplante que pode caracterizar quem fala verdade a sério.
sábado, outubro 2
ranking
há tempos assinalei a surpresa inglesa dos resultados dos exames nacionais. A média tem subido, de forma constante, há mais de 10 anos, circunstância que, dizem os senhores, descredibiliza exames, examinados, sistema e actores educativos.
Por cá, as conversas rodam, de forma insistente e teimosa, numa descriminada comparação entre escolas públicas e privadas, escolas do interior e escolas do litoral, escolas urbanas e escolas sub-urbanas, como se não existissem diferenças entre realidades, como se os recursos não fossem incumensuravelmente diferentes e descriminatórios, como se a estabilidade, segurança e possibilidade de articular um trabalho de longo prazo não fizessem parte de filmes diferentes.
Estou certo que as escolas privadas, e os seus defensores, encontrarão pretextos suficientes para defenderem, com mais veemência e acutilância, a privatização de todo o sistema, talvez os resultados se alterassem, talvez a realidade fosse melhor.
Como estou certo que os elementos das escolas públicas que ficaram na cauda encolhem os ombros perante a sensação de agrura e a incapacidade e impossibilidade de fazer melhor, de fazer diferente. Simplesmente porque não têm um quadro docente estável, depois porque as crianças têm, para além da escola, muitas outras ocupações e afazeres, porque não têm os meios nem os recursos disponíveis que tornam atractivos os espaços e as situações pedagógicas, porque não têm possibilidade de definir qual a formação necessária para quadro de docentes, nem de influenciar modelos de trabalho, nem de repensar o espaço organizacional.
Pequenas/grandes questões que definem um modelo de trabalho e um mercado alvo. Tal como qualquer outro produto que, para além do seu próprio usufruto, permite criar situações e factores quer de descriminação, quer de diferenciação.
Para terminar esclarecer que, genericamente, concordo com a apresentação dos resultados dos exames, com a análise que é efectuada. Considerar a partir dele que existe um ranking de escolas é tapar o sol com a peneira, favorecer o mercado da educação, descriminar o trabalho que de bom também existe no sector público.
Por cá, as conversas rodam, de forma insistente e teimosa, numa descriminada comparação entre escolas públicas e privadas, escolas do interior e escolas do litoral, escolas urbanas e escolas sub-urbanas, como se não existissem diferenças entre realidades, como se os recursos não fossem incumensuravelmente diferentes e descriminatórios, como se a estabilidade, segurança e possibilidade de articular um trabalho de longo prazo não fizessem parte de filmes diferentes.
Estou certo que as escolas privadas, e os seus defensores, encontrarão pretextos suficientes para defenderem, com mais veemência e acutilância, a privatização de todo o sistema, talvez os resultados se alterassem, talvez a realidade fosse melhor.
Como estou certo que os elementos das escolas públicas que ficaram na cauda encolhem os ombros perante a sensação de agrura e a incapacidade e impossibilidade de fazer melhor, de fazer diferente. Simplesmente porque não têm um quadro docente estável, depois porque as crianças têm, para além da escola, muitas outras ocupações e afazeres, porque não têm os meios nem os recursos disponíveis que tornam atractivos os espaços e as situações pedagógicas, porque não têm possibilidade de definir qual a formação necessária para quadro de docentes, nem de influenciar modelos de trabalho, nem de repensar o espaço organizacional.
Pequenas/grandes questões que definem um modelo de trabalho e um mercado alvo. Tal como qualquer outro produto que, para além do seu próprio usufruto, permite criar situações e factores quer de descriminação, quer de diferenciação.
Para terminar esclarecer que, genericamente, concordo com a apresentação dos resultados dos exames, com a análise que é efectuada. Considerar a partir dele que existe um ranking de escolas é tapar o sol com a peneira, favorecer o mercado da educação, descriminar o trabalho que de bom também existe no sector público.
erros
... claros e objectivos erros de casting.
Quem ontem teve oportunidade de ouvir as explicações, as respostas da senhora ministra da educação às questões levantadas pelos jornalistas terá, eventualmente, ficado com a mesma sensação que eu, que há inúmeros erros de casting neste governo, e que esta senhora é um dos maiores.
Total e perfeito desconhecimento da realidade, desfazamento face às questões educativas, ausência de uma lógica política de gestão do ministério, incapacidade de coordenar, sem sobranceria, duas respostas.
Não fosse o apoio inestimável do seu colega de governo, Morais Sarmento, aparentemente pau para quase toda a obra política, e ter-se-ia esborrachado ainda mais.
É tempo perdido, são recursos desbaratados, são oportunidades desperdiçadas. Este tempo, infelizmente, é para queimar. E nós que nos aguentemos. Nós professores, pais, alunos, país.
Quem ontem teve oportunidade de ouvir as explicações, as respostas da senhora ministra da educação às questões levantadas pelos jornalistas terá, eventualmente, ficado com a mesma sensação que eu, que há inúmeros erros de casting neste governo, e que esta senhora é um dos maiores.
Total e perfeito desconhecimento da realidade, desfazamento face às questões educativas, ausência de uma lógica política de gestão do ministério, incapacidade de coordenar, sem sobranceria, duas respostas.
Não fosse o apoio inestimável do seu colega de governo, Morais Sarmento, aparentemente pau para quase toda a obra política, e ter-se-ia esborrachado ainda mais.
É tempo perdido, são recursos desbaratados, são oportunidades desperdiçadas. Este tempo, infelizmente, é para queimar. E nós que nos aguentemos. Nós professores, pais, alunos, país.
contagem
já não era sem tempo, dirão alguns dos amigos ue por aqui têm passado sem saber se há gente ou não, se os corredores desta escola são percorridos ou não.
Resolvi introduzir um contador, apenas para ter consciência de quem por aqui passa ou de saber se escrevo apenas para os meus botões - falar sozinho já me acontece com alguma frequência, escrever sozinho ainda não tive essa noção, mas nunca é tarde.
Cá ficam os números.
Resolvi introduzir um contador, apenas para ter consciência de quem por aqui passa ou de saber se escrevo apenas para os meus botões - falar sozinho já me acontece com alguma frequência, escrever sozinho ainda não tive essa noção, mas nunca é tarde.
Cá ficam os números.
sexta-feira, outubro 1
autonomia
Qualquer docente, qualquer educador, qualquer pai apela à autonomia, queremos que os nosso(a)s aluno(a) sejam autónomos, que exista espírito de iniciativa, capacidade de explorar, de descobrir de manusear a informação, situações ou outros.
Eles mesmos, filhos, alunos, educandos, exigem, reclamam maior autonomia, mais liberdade, mais espaço. Que as aulas não sejam uma seca, eles até gostam da escola, as aulas é que..., enfim, são um seca.
Depois, quando procuramos fazer coisas diferentes, quando procuramos metodologias, estratégias ou práticas diferentes e diferenciadas, que respeitem interesses e motivações, que vão ao encontro de preocupações e expectativas, que incentivem a autonomia pessoal, que estimulem a responsabilidade de fazer por si e para si então aí, é que se apela para se fazer como os outros, como sempre foi feito.
É mais fácil, mais prático e não dá moengas.
É um negócio aquele que se define na vida.
Eles mesmos, filhos, alunos, educandos, exigem, reclamam maior autonomia, mais liberdade, mais espaço. Que as aulas não sejam uma seca, eles até gostam da escola, as aulas é que..., enfim, são um seca.
Depois, quando procuramos fazer coisas diferentes, quando procuramos metodologias, estratégias ou práticas diferentes e diferenciadas, que respeitem interesses e motivações, que vão ao encontro de preocupações e expectativas, que incentivem a autonomia pessoal, que estimulem a responsabilidade de fazer por si e para si então aí, é que se apela para se fazer como os outros, como sempre foi feito.
É mais fácil, mais prático e não dá moengas.
É um negócio aquele que se define na vida.
questionar
inevitavelmente quando uma qualquer organização recebe gente nova, para ficar ou simplesmente de passagem, há um levantar de diversas e diferentes questões. Assentam genericamente num olhar rápido, mas diferenciado do usual, em juízos de valor sem conhecimento de um contexto ou das circunstâncias que determinaram uma certa organização, como perspectivam outros modelos, comparações ou interesses.
O que me acontece, no momento que contacto com mais uma escola, é exactamente isto, olhar, de forma diferente e por enquanto distanciada, para as características organizacionais da escola - horários, espaços, tempos, modos, modelos, funções, objectivos, características, meios, recursos - e questionar sobre a sua adequação ao múltiplos, variados e diferenciados interesses, interessados e objectivos que quotidianamente circulam por estes corredores.
O que considero mais engraçado é perceber quais os interesses que prevalecem, quais as motivações que dominam, quais as lógicas relacionais de poder que sustentam um dado equilíbrio organizacional.
Depois, ao se levantarem algumas questões, ao se questionar uma dada lógica de funcionamento, ou seja, ao se perguntar o porquê de isto ser assim, funcionar desta ou daquela maneira, fazemos figura de espertos, cuscas, impertinentes ou outros adjectivos.
É o eterno retorno. Um permanente recomeçar, um permanente questionar. Dúvido que isto me leve a algum lado, mas caminho com o claro gosto da descoberta.
O que me acontece, no momento que contacto com mais uma escola, é exactamente isto, olhar, de forma diferente e por enquanto distanciada, para as características organizacionais da escola - horários, espaços, tempos, modos, modelos, funções, objectivos, características, meios, recursos - e questionar sobre a sua adequação ao múltiplos, variados e diferenciados interesses, interessados e objectivos que quotidianamente circulam por estes corredores.
O que considero mais engraçado é perceber quais os interesses que prevalecem, quais as motivações que dominam, quais as lógicas relacionais de poder que sustentam um dado equilíbrio organizacional.
Depois, ao se levantarem algumas questões, ao se questionar uma dada lógica de funcionamento, ou seja, ao se perguntar o porquê de isto ser assim, funcionar desta ou daquela maneira, fazemos figura de espertos, cuscas, impertinentes ou outros adjectivos.
É o eterno retorno. Um permanente recomeçar, um permanente questionar. Dúvido que isto me leve a algum lado, mas caminho com o claro gosto da descoberta.
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