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quarta-feira, março 7


os tempos andam diferentes, estão diferentes;
sempre disse e sempre afirmei gostar de viver estes meus tempos;
são diferentes, mais rápidos, com percepções mais fluídas, com um degostar que se prolonga para além do momento, muita das vezes quase imperceptível;
ontem ao ouvir conversas dos outros (eu sei que não é bonito, mas não resisto), ouvia comentários críticos ao governo, às políticas, mas e ao mesmo tempo, o reconhecimento de muita da sua inevitabilidade, da sua pertinência, das suas necessidades;
numa escola, ao memso tempo que se criticavam políticas, colocavam-se questões que levam ao aprofundamento de medidas, como se uma não se relacionasse com a outra;
ouvir as conversas, enquanto esperamos pelo café, enquanto passeamos pela rua, é de uma aprendizagem tremenda;
para que lado sopram os ventos, para onde apontar os rumos, que sentidos definir para aquilo que fazemos?
para onde nos levam os passos?

domingo, março 4

futuros


não me apetece disputas, ando demasiadamente cansado, mas sinto necessidade de exorcizar os meus futuros;
estou em regime de gestão, portanto com toda a disponibilidade (e possibilidade) de sair imediatamente (tenho tudo arrumado, pronto);
a lei orgânica do instituto foi aprovada, em resolução de conselho de ministros, na passada 5ª feira;
há quem defenda e afirme uma coisa, há quem defenda e afirme exactamente o oposto - sobre quem fica, como se fica, com quem se fica, onde se fica;
a minha preocupação tem sido a de criar as condições internas para que não se sintam, por aí e além, os impactos de ondas de mudança, os solavancos da imprevisibilidade atmosférica, ainda por cima em época de início de picos de actividade;
sinceramente não estou preocupado de como vai ser o meu futuro, sei que vai ser - e pronto;
como sei que nada farei para condicionar seja o que for ou quem for que possa ter uma palavra a dizer nesta questão - a não ser por intermédio dos resultados do meu trabalho;
como costumo dizer, faço votos para que a luz ao fundo do tunel não seja a do comboio que vem na nossa direcção;
o resto...

domingo, fevereiro 4

escrita


no meio de tudo isto, entre os afazeres e as obrigações, os deveres e as devoções não sinto vontade de escrever;
a escrita torna-se-me difícil, lenta nas ideias, curta nos argumentos, fugaz nos sentimentos;
entre a sensação de dificuldade da escrita e o dizer mais e maiores barbaridades, opto simplesmente por não escrever;
talvez amanhã.
talvez...

stress


não o devia dizer e, menos ainda, escrever, mas tenho andado em stress, circunstância que me afasta deste meu canto e das divagações em torno dele;
stress, considero eu, é a situação em que me sinto pressionado pela quantidade de coisas para fazer e constrangido pela sensação de falta de tempo para as concretizar;
seria uma situação aparentemente normal nos tempos que correm; mas gosto de fazer jus à fama de alentejano e não gosto (por hábito, organização e mania) dizer que tenho falta de tempo ou, menos ainda, que estou stressado;
mas é verdade, entre sexta e hoje, agora que escrevo, a sensação é a de ter mil e uma coisa para fazer e manifestamente pouco tempo, muito pouco tempo para o fazer;
de tal modo que já uso o portátil para fazer trabalho de casa;
há com cada uma que me causa cabelos brancos e me faz sentir, mais ainda, saudades da escola;
apenas stress, nada mais...

quinta-feira, janeiro 25

do debate


Esta entrada de JPP, no seu não menos famoso abrupto, cria a vontade de discorrer em torno da ideia;
genericamente concordo com ela;
chegaram ao patamar do protagonismo político um conjunto de elementos (consoante a corrente poder-se-ão designar de actores), nascidos ainda antes de 74 (década de 50), formados nos ventos da primavera marcelistas e consolidados entre o PREC e a democracia pré-CEE;
apesar de pertencerem aos diferentes partidos políticos, têm, como traços comuns, estarem no mesmo intervalo etário (grosso modo entre os 45 e os 55), estão nos partidos pelos menos desde meados da década de 80, têm uma excessiva consideração, quando não valorização, pelos ventos da Europa, na generalidade têm uma formação que raramente exerceram ou praticaram, estão imbuídos de um misto entre o espírito da retórica parlamentar (com laivos normativos, juridico-legais) e uma tecnocracia saxónica (dos modelos de gestão, das lógicas de organização, da mediatização da coisa pública);
combinar a operacionalidade de um com outro é que é difícil, como é difícil a sua implementação;
neste sentido, por vezes faz-se sentir o desacordo entre um quadro conceptual(formado em lógicas mais políticas que partidárias, mais europeias que nacionais, mais urbanas que rurais) e um quadro mental ainda manifestamente português (do desenrasca, do logo se vê, da resposta mais retórica do que prática, da ausência de resultados ou de avaliação, da pequenez mesquinha);
onde divirjo com JPP (qual pretensão e arrogância) é a de que também ele pertence a esta geração, a este conjunto de actores que comanda (e estou certo que irão comandar) os destinos da nação;
onde diverge ela da geração que a antecede, dos 35-45, aquela mesma onde me situo (pelo menos na faixa etária)? quais as diferenças entre uma e outra?
em meu entender em dois planos, por um lado, numa maior harmonização entre o quadro conceptual e o quadro mental (já aqui o tenho dito e escrito, não me prendem fantasmas no sótão, nem tenho esqueletos no armário) e, por outro lado, o dos resultados (não tão práticos, mas claramente obtidos mediante processos substancialmente diferentes (menos oligárquicos, menos reticulares, de uma maior autonomia e responsabilização);
considero que não há divergência de posições (entre o dissecado por JPP e aquilo que desmonto ou desvelo);
mas há um risco, há muito assumido pela minha própria prática pessoal, organizacional e política, a de o meu grupo ficar a ver passar os comboios, perder oportunidades e não conseguir (por demérito de uns e por falta de mérito de outros) aceder aos patamares da gestão da coisa pública;
onde nos colocaram mais não é que um rebuçado, um entretém para que não moa, não resmungue, não fale e, mais importante, não se pense;
erro craso este o de desvalorizar o outro;

terça-feira, janeiro 16

colaborativo


na escola reclamo da falta de trabalho colaborativo;
na administração pública reclamo da ausência de colaboração - institucional e interinstitucional;
sou filho único mas aprendi a trabalhar em grupo, a colaborar na resolução de problemas, na procura de respostas, na definição de metodologias, na implementação de estratégias;
a herança organizacional portuguesa é forte demais para se quebrar de um momento para o outro; assenta na individualização do poder, na hierarquização das chefias, no mando vertical, unidireccional e passivo, em lógicas que cruzam fordismo e taylorismo, fabricação rotineira, procedimental, operária;
implementar lógicas colaborativas é tão difícil na escola como na demais administração pública; mais (acrescento eu) é tão difícil num e noutro por que um (a escola) faz questão de acentuar essas lógicas de trabalho, de reproduzir modelos de organização do trabalho; estamos ainda longe de perceber as práticas partilhadas, colaborativas, de em conjunto procurarmos, por diferentes métodos, a prossecução do mesmo objectivo, de comunicarmos modos e procedimentos, sentimentos e ideias; assumir a diluição dos poderes, a proliferação de diferentes formas e funções do poder é coisa que da qual muita da administração pública está afastada;
não depende nem de reformas, nem de políticas (ainda que uma e outra possam criar facilitações), depende das pessoas, das lideranças, da assunção do que se faz e para que se faz;

segunda-feira, janeiro 15

estabilidade

estamos tão habituados à acalmia das situações, à gestão individualizada da coisa pública, aos protagonismos solitários, às acções pontuais que, pela tradição, pelo uso e pelo costume consideramos que é assim, e pronto; alternativas? ná, são piores, provocam alterações, dão moenga;
continuamos a pensar a acção pública do Estado sob o ponto de vista da pirâmide, de uma dada lógica que pensamos e queremos racional, ordenada, vertical, passiva;
temos dificuldades em pensar a acção do Estado, nomeadamente a acção pública, mediante a diluição dos poderes, a criação de lógicas matriciais, a partilha das redes, os fluxos desconexos, a gestão do imprevisto, a negociação dos interesses, o debate dos objectivos;
por estas e por outras, a nossa administração pública (particularmente a regional) debate-se entre a estabilidade da tradição e a imposição (obrigação) da adaptação a outras lógicas não apenas de gestão e de administração mas de organização, de funcionamento, de colaboração;
permanecemos fechados em conchas individuais, certos dos muitos afazeres, distantes do muito que acontece ao lado, perto da sofreguidão dos quotidianos, longe das redes, das lógicas colaborativas;
sozinhos é mais difícil, quando não mesmo impossível; aceito as lógicas políticas, tenho pena do isolamento partidário;

quarta-feira, janeiro 3

organização

esta é uma semana onde procuro organizar ideias, acções, tarefas e objectivos;
tem sido uma roda viva de conversa, entre um sector e outro, entre a procura de objectivos e sentidos;
à espera do fim, sabendo que estamos no princípio;
coisas da vida nacional;

terça-feira, janeiro 2

estranho

acho estranho estar a organizar, profissionalmente, um semestre pressupondo que irão existir alterações (e significativas) quer do ponto de vista funcional, como territorial, como e inevitavelmente, pessoal- face aos impactos que sempre existem;
parto do pressuposto que existe futuro e não pretendo deixar a casa como a encontrei; mas sei também que existe um fim prévio, agendado por alguns, determinado por outros;
como organizar ideias e sectores, como mobilizar as pessoas e articular os objectivos com lógicas avaliativas - do SIADAP, p.e. - quando sabemos que há prazos (que não conhecemos) e condições que não dominamos?

terça-feira, dezembro 12

da gestão

gerir o que quer que seja deverá levar em consideração, entre muitas outras situações, duas coisas algo distintas;
por um lado, os interesses de quem gere, podem ser particulares ou colectivos, pensados ou dados;
por outro, pensar nos interesses e objectivos de quem é gerido, e aí há uma multiplicidade de pequenos (e grandes) interesses que muita das vezes não são nem convergentes, nem comuns ao comum da organização e, menos ainda, ao primeiro conjunto de interesses;
conciliar uns e outros não é fácil; exige algum conhecimento, alguma experiência, muito bom senso e alguma competência ao nível da gestão de conflitos;
criar um ponto de equilíbrio não é nem fácil nem permanente; aceitar todo este conjunto de circunstâncias é ainda mais delicado, porque implica cedências, partilhas, compromissos;
tudo isto porque hoje troquei ideias com um dos sectores da casa e onde se procuraram ideias, modos e formas de ultrapassar o inultrapassável, a falta de elementos; isto para que um sector não pense que serve outro ou que um outro é superior a outro, ou que outro se sobrepõe a outro;
criar equipas é demasiamente delicado, para que se possa dizer que é complicado; mas começo a sentir que se ultrapassam sectores ou interesses sectoriais e, aqui e ali, pressente-se uma equipa;

terça-feira, dezembro 5

da orientação

como professor gosto de trabalhar na área das pedagogias diferenciadas; de organizar o trabalho em face da pluralidade e heterogeneidade de pessoas com que me relaciono;
como pai procuro acentuar e acompanhar a construção das autonomias dos filhos, ajudando e colaborando na formulação da dúvida, no pensar o quotidiano, no reflectir as consequências;
como (ir)responsável público gosto de valorizar as pessoas, de pensar que somos maiores e vacinados, racionais na resolução dos problemas que se nos colocam;
por vezes surpreendo-me com os resultados (bons e/ou maus);
contudo, estamos muito dependentes do outro, da orientação, da sugestão, de um acompanhamento; são anos de cristalização de ideias e de práticas, o pai/mãe que diz o que é permitido, o professor que não permite o erro, o chefe sempre inteligente e conhecedor de tudo, sapiente na sua omnipresença;
resta pouco, muito pouco, para que as autonomias pessoais e profissionais se afirmem;
isto porque considerei deveras interessante ouvir, há dias, uma responsável pela educação dinamarquesa afirmar (na sic notícias) que sentem a necessidade de reduzir as competências ao nível da autonomia e acentuar o nível dos conhecimentos;
constrastes de uma orientação;
ficamos sempre à espera da orientação; a treta é que muita das vezes desorienta;

quarta-feira, novembro 29

da formação

digo há já vários anos que Portugal enforma de dois problemas básicos, que mais não são que a reunião de múltiplos e diversificados pequenos problemas, a saber, falta de formação e falta de organização;
o processo iniciado no final do ano passado e que se prolonga por todo este ano da formação de quadros da administração pública (A.P.) sob orientação do Instituto Nacional de Administração, no âmbito de processos de adequação de entre competências e funcões de coordenação é um dos primeiros passos para que as estruturas intermédias da A.P. possam não ser tão incompentes, tão mázinhas o quanto o têm sido nesta democracia (independemente de partidos e de políticas);
em termos de análise SWOT (tão cara nesse processo) é uma oportunidade de trabalho para pensar e reflectir sobre estratégias que não têm existido, sobre objectivos que não são nem conhecidos nem partilhados, sobre práticas e metodologias que muito deixam a desejar;
mas são também um constrangimento, a análise SWOT é funcionalista e racionalista, procura simplificar o complexo, dividir o uno, individualizar o colectivo, hierarquizar as redes, verticalizar o plano em processos, o mais das vezes de âmbito social, onde mexer numa variável implica incidências noutras, onde o somatório das suas partes é muito superior à sua soma aritmética;
mas é um passo essencial para que as estruturas intermédias da A.P. sejam capazes de reflectir e pensar a sua acção, definir as suas estratégias;
agir em vez de reagir;

segunda-feira, novembro 27

do cansaço (ou do descanço)

em conversa corrente com um amigo, trocavamos ideias que hoje já não aguentamos metade do que hás uns tempos atrás;
normal, diriamos ambos, a idade já não é a mesma, os afazeres são outros, as solicitações inúmeras e bem diferentes;
mas o ritmo social, os intervalos entre trabalho e descanço permanecem rigorosamente os mesmos;
das duas três, ou somos nós que não nos adaptamos, ou é o ritmo social que está desconfigurado do ritmo laboral, ou, simplesmente, ambas;
tenho vontade de uma pausa pedagógica, de um destemperar de forças e ânimos, de um arrojar pela vida qual dia de cão, entre o deitar aqui e o descansar ali;
na semana que passou reparei que fiz mais de mil e quinhentos quilómetros de carro, que participei em mais de 20 reuniões (algumas marcadamente apenas de corpo presente), não imagino quanto e-mails escrevi, ofícios, relatórios, apontamentos ou, post (estes bem poucos, pois obviamente que alguma coisa fica de lado), na generalidade o dia começa impreterivelmente pelas 8h e pouco, quando deixo os filhotes na escola e, desde meados de Outubro, que não sei quando acaba;
se não aponto as coisas esqueço-me, pura e simplesmente, como me aconteceu na semana passada; se não faço imediatamente o que devo sei que dificilmente me lembrarei de o repetir;
não é da idade; eu sei; é do cansaço e as férias ainda estão muito, muito longe;

sexta-feira, novembro 17

de consideração

talvez, e mais adequadamente, da desconsideração;
é notório nesta nossa santa terrinha a consideração que temos entre práticos e teóricos (uns não sabem o que fazem, outros não fazem o que sabem), entre quem está na prática, no terreno, no contexto, no ambiente e aqueles que estão em gabinete e que de quando em quando visitam o terreno, contactam com realidades práticas e vivas;
pela experiência que tenho é sempre um jogo de equilíbrios, uma negociação de situação instável, um degladiar de argumentos entre conhecimentos de uns e de outros, entre dinâmicas sentidas e perspectivadas;
isto para destacar a pouca (ou nenhuma) consideração que os organismos centrais nutrem pelas estruturas intermédias deste país;
assumidamente conotados com aparelhos político partidários, muita das vezes mais interessados em dinâmicas próprias e individuais que em serviço público, outras vezes com formações e experiências muito distintas entre quem está em serviços centrais e quem está em serviços regionais, o certo é que existe uma clara desconsideração pelos níveis que (não sendo abaixo) lhe estão/são contiguos;
umas vezes com razão outras sem ela, o certo é que sinto, cada vez mais e cada vez com maior nitidez, a persistência de uma teimosia de ruidosa surdez; isto é, falta um diálogo consertante, faltam instrumentos e mecanismos de avaliação e participação, que permitam a assunção de autonomias, mas também de responsabilidades; não me incomoda a avaliação, a prestação de contas, a clareza de objectivos, a transparência das acções;
incomoda-me a desconsideração que levam a pensar que para além de ser alentejano sou parvo; a primeira sou e dos sete costados, a segunda pensam e teimam em que sou, e eu, pela aleivosia alentejana, persisto e teimo em dizer que não, não sou parvo e tenho opinião;
gostem ou não; considerem ou não;

terça-feira, novembro 14

invenções

de quando em vez, em face de uma ou outra reunião de obrigação, fico com a ligeira sensação que alguém inventa um problema por um de três motivos, a) para depois apresentar uma solução e pretensamente ficar bem visto como solucionador de problemas [que criou]; b) por incúria, deixar arrastar determinadas situações sabendo que com isso se conduz a um problema [e que exige mais recursos e mais energia na sua resolução] ou c) simplesmente por incompetência;
qualquer um destes motivos é sobejante de horas de conversas, de desperdício de energia, de dispêndio de recursos, de ocupação de pessoas, de gastos do Estado, para, ao fim de todo esse tempo e de todos esses gastos, confirmarmos que afinal a solução até era fácil, que, afinal, não existia um problema, ou que o problema não era assim tão sério;
adoramos invenções;