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sexta-feira, abril 4

do espanto


e as notícias sobre a escola continuam;
Vem-me à ideia que alguém se atreveu a olhar pelo postigo ou pela nesga da janela e a ver o que acontece ali, naquele espaço algo próximo de nós, afinal todos fomos alvo da acção da escola, afinal temos filhos na escola, afinal as notícias sucedem-se em catadupas, afinal os discursos educativos são uma constante, as solicitações à escola prementes, e simultaneamente tão distante, tão pouco se sabe num espaço de opinião onde todos parecem saber tudo, onde todos parecem ter poções mágicas para a solução dos problemas, onde todos opinam, onde todos se surpreendem com aquilo que observam; se espantam com os factos, se surpreendem com os acontecimentos;
serão os tempos apenas reflexos de uma árvores ou elucidativos da floresta? serão situações pontuais e casuísticas ou serão, em contrapartida, uma ponte de iceberg?
afinal, qual é o espaço actual da escola pública portuguesa?
afinal, como andamos nós a relacionarmo-nos com os nossos filhos, que conversas temos, o que sabemos deles, o que fazemos com eles?

terça-feira, março 25

dos acontecimentos

desde há uns tempos a esta parte, em que a escola - e as suas diferentes situações - se destacaram na comunicação social (avaliação de desempenho, disputa de telemóvel), que não há cão nem gato, digo fazedor de opinião, articulista ou simples cronista, que não tenha uma ideia sobre a escola, sobre a educação, sobre as políticas educativas, sobre a coisa escolar;
mais parecem os treinadores de bancada que, perante qualquer lance e em qualquer situação, têm sempre pronta a análise de como devia ter sido, como deve ser ou como se devia proceder;
estas situações dão azo a uma troca, não de argumentos, mas de opiniões que valem o que valem se é que valem alguma coisa;
será que a escola virou espectáculo?

do indivíduo

No meio das leituras (obrigatórias) com que me entretenho, na generalidade dos casos uma variação entre a sociologia política e a sociologia dos comportamentos sociais, dou com algumas ideias que, não sendo novas (algumas datam de meados da década de 90 do século passado) têm hoje mais pertinência e são mais evidentes que antes.
Uma das ideias é a passagem de um indivíduo social para um indivíduo individual, passagem perante a qual a escola – e a escola pública – não apenas colaborou como incentivou.
O indivíduo social é fruto de um tempo marcado pela industrialização, pelo desenvolvimento e consolidação de um Estado Providência. Neste período, perante o qual é impossível estabelecer uma linha divisória, o indivíduo era preparado, educado para se integrar num contexto compartimentado de situações. Preparado e educado para integrar grupos e contextos sociais colectivos. Ele era preparado para uma profissão, para integrar um grupo ou classe social, para pertencer a uma cidade ou nação, ter uma língua e uma cultura, conhecer as fronteiras (naturais ou políticas) de um território.
Nesta medida, toda a estruturação educacional orientava o indivíduo para a sua integração social e colectiva, sendo possível delimitar e identificar semelhanças e diferenças, próximos e distantes, amigos e inimigos.
Mais recentemente, fruto de diferentes e variadas circunstâncias, começa-se a sentir a passagem deste indivíduo social e colectivo para um indivíduo individual. Nesta fase, muito marcada pelo acentuar da globalização, das migrações, das redes e do virtual, o individuo é educado para ser flexível, tolerante, para desenvolver as suas competências individuais (sejam sociais ou profissionais), para se integrar no contexto das diferenças (de língua, de cultura, de modos de ser e estar, de crenças e religiões).
Na nossa sociedade, convivem (ou sempre conviveram) estas duas dimensões do indivíduo. Convivência que provoca fricções, alguma tensão e alguma dificuldade de se catalogar o amigo do inimigo, identificar o próximo do distante, a fronteira fluída entre espaços e gentes.
Como se harmonizarão estes indivíduos, que olham o mundo de modo tão diferente? Como se conjugarão eles na construção dos futuros, é o desafio de perceber.

domingo, março 16

das estórias

é em contraposição às grandes questões de política que cada vez mais o meu quotidiano é construído e definido;
pelos pequenos nada do meu quotidiano, pelas pequenas e insignificantes estórias de todos os dias, pelos sorrisos e pelas agruras de cada pessoa com que cruzo, seja ela um professor, um funcionário ou um aluno;
são estas pequenas estórias, os pequenos nada de todo o dia que nos alegram e motivam, nos estimulam e espicaçam que nos atiram para a frente e me ajudam a perceber que as grandes questões de política até nos passam ao lado;
no meio de tudo isto, quase que apetece perguntar, afinal, onde ficam os afectos, as relações emotivas, os sentimentos que nos ajudam a perceber cada dia como diferente do outro;

dos dias

no meio da confusão que está instalada (e que não perspectivo um fim) abdico de escrever sobre os dias, os quotidianos que acabam por preencher as pequenas (e as grandes) minudecências;
os meus quotidianos educativos, repletos de pequenos nadas construídos entre as conversas de colegas e acontecimentos de alunos, ficam preteridos, não pela sua pouca significância, mas mais pelo meu alarme das coisas políticas;

sexta-feira, março 14

do convívio

sempre conviveram no sistema educativo (e muito provavelmente continuarão a conviver) diferentes realidades docentes (restrinjo-me a esta dimensão);
pela formação adquirida, pelo vínculo obtido, pela posição detida, pelos cargos exercídos, pela idade,pelo grupo disciplinar, pelo ciclo de ensino leccionado, eram tudo elementos que diferencia(va)m os docentes;
circunstância que se agrava pela crescente procura de formação pós-graduada que permite perceber que a escola pouco ou nada tem de "natural", que as diferenças entre teóricos e práticos é mais ficcionada que justificada e que entre a sala de aula e a organização dos meios são mais as ligações que os desvios;
alguma da turbulência do sistema assenta (também) nesta diferente visão de si mesmo e, se antes existiam formas de harmonização, hoje acentuam-se os modos de divisão deste convívio;
o que não augura nada de bom...

quinta-feira, março 13

do período

este final de período mais parece um período misto entre menstrual e intelectual, podendo dar qualquer coisa como mentual;
não existe pois não?, nem é preciso; sentem-se os incómodos de um, as perturbações de outro, as apreensões de um, os constrangimentos de outro, o cansaço de um e as indisponibilidades de outro;
decisivamente, os tempos não são de construção, são de espera, de purga, de não sei o quê que levará a não sei onde;
alguém saberá? alguém perspectivará onde podemos sair? o que encontraremos neste final?
os sindicatos, mesmos esses, sempre tão organizadinhos na sua estrutura celular, estão sem argumentos que permitam avivar os ânimos e arregimentar os outros? ou alguém pensa fazer mais do mesmo sem o apoio dos outros?
que outros? esses mesmos, não os da opinião publicada (deixai-os falar, bradar) mas da restante população que ainda não percebe para onde vai (ou por onde anda) a escola pública;
afinal é o fim do período...

das dúvidas

nos tempos que correm, dos acontecimentos que decorrem, das circunstâncias que passam, fico na dúvida se não escrevo por causa do cansaço se apenas por fuga à banalidade do lugar comum, à vulgaridade das ideias feitas, se simplesmente para não dizer/escrever asneira;
os tempos que correm, na área da educação mas não só, prestam-se a tudo e a nada, o que torna difícil escrever fora de paixões e emoções;
os tempos que correm vivem mais das emoções (não sei se serão paixões) do que de uma qualquer racionalidade (com ou sem lógica);

terça-feira, março 11

da política

A política educativa tem assentado numa lógica de gestão pelo lado do conhecimento, da racionalidade, da técnica. Exemplos disso são as inúmeras estatísticas apresentadas, os números que se evidenciam, os gráficos que se desenham.
Mas os números são o que são e valem o que valem, e subvalorizar ou minimizar a dimensão social da escola e da educação é tão ou mais grave que sobrevalorizar a sua dimensão técnica ou tecnocrática. Por isto os sindicatos não tiveram forma de contestar a escola a tempo inteiro - era a dimensão social que se jogava, no interesse das famílias. Por isto os sindicatos puderam criticar a avaliação de desempenho e levar atrás os professores – assente que está em lógicas tecnocráticas e de mercearia.
Como serão os próximos tempos?

da perspectiva

esta semana, ou o que falta dela, perspectiva-se o destacar do beco onde a escola caiu;
o braço de força está instalado e as alternativas quase que inexistentes, ou estaremos certos que adiar mais não será que lançar para o futuro o resultados deste braço de força, protelar uma situação que, aparentemente, será incontornável;

da imaginação

no meio da discussão entre a crítica às políticas educativas e o levantamento contra a avaliação de desempenho, dou por mim a pensar, decorrente da leitura de vários blogues e de alguns dos seus comentários, que um dos receios dos professores é retirarem-nos uma dose de utopia, de imaginação que ainda se partilha relativamente à educação, ao papel da escola;
é uma dimensão incontornável esta de se imaginar a escola e a educação como um espaço de sonho, onde podemos aprender uns com os outros, partilhar experiências e fazer avançar o mundo;
eventualmente um dos elementos perniciosos da avaliação de desempenho residirá exactamente neste aspecto, a de se sair do sonho e cairmos no mundo tecnocrático dos resultados, confrontados que fomos com os números crus, secos, frios;
como poderemos compensar esta dimensão, como conjugar a crueza dos resultados com os afectos de uma sala de aula?

sábado, março 8

...

e agora?
ou vai ou racha?

terça-feira, março 4

do restrito

querer restringir a contestação educativa a uma contestação profissional (mesmo que de base sindical) é querer restringir o campo da política educativa ao seu mais limitado campo de acção, a escola - e vai muito para além dela;
querer circunscrever as manifestações de professores a um mal estar profissional é não perceber que, para além da acção profissional, há concepções e lógicas sociais que se sobrepõem, medidas de política que extravasam a escola;
permanecer presos a esta ou aquela medida de política é cercear o debate e condicionar a discussão;
o descontentamento de professores é um descontentamento da escola (no contexto institucional e organizacional), dos pais/encarregados de educação (ainda que, em algumas estruturas, haja conivências com o processo), das autarquias (que não sabem como agir e onde se posicionar), da própria comunidade/sociedade (que olha atónita para o que se passa);
restringir o descontentamento a apenas a uma acção sindical (por muito persuasiva que seja) é querer tapar o sol com a peneira;

da vontade

ando cansado, sem vontade de escrever e receoso do que possa escrever;
os tempos são de radicalismo, de descontentamento, de flagelo;
ele há coisas que não me passariam pela cabeça acontecer nestes tempos, menos ainda, reconheço e assumo, assentes em governação socialista;
por onde caminharemos, para onde iremos, onde iremos desaguar nestes tempos?

sexta-feira, fevereiro 29

da correcção

afinal encontrei e corrijo a minha entrada anterior;
afinal já aconteceu em Beja e em Portalegre;
falta apenas Évora;
será normal?

do Alentejo

e como está este meu Alentejo;
calmo, sereno na sua pacatez, impávido e...
o que pressuporá esta acalmia?
concordância e serenidade?
panela de pressão em aquecimento?
controlo de riscos?
Porto foi o que foi, Coimbra, Aveiro, Braga, Castelo Branco;
será que estou a falhar no acompanhamento da coisa? o que tenho perdido para não me aperceber de nada nem de coisa nenhuma?
que serenidade é esta?

da regulação

No meio da confusão instalada um aspecto que me parece essencial no estado da educação,.
A escola tem assumido, directa ou indirectamente, de forma clara ou subliminar, um estatuto essencial no contexto da regulação social.
Por intermédio da escola procurou-se a uniformização social (uma sociedade igualitária), a integração pessoal (de acordo com uma dada conformidade institucional), a homogeneização cultural (em face da língua e dos modos de estar social), como uma certa harmonização política (em face de um dado modelo de sociedade). Também por intermédio da escola se construíram e perspectivaram estatutos e papéis sociais, de mobilidade ou de empregabilidade, de ressarcimento económico.
Neste contexto, a acção social da escola sempre se pautou por alguma selectividade social, quando não mesmo darwinismo social (a defesa do mérito, do esforço, do reconhecimento que nem todos podem ou têm competência para ser isto ou aquilo – ideia que quase se naturalizou no nosso imaginário social). Fruto desta visão, as taxas de insucesso, abandono ou absentismo eram consideradas quase que “naturais”. Era “natural” um aluno com dificuldades de aprendizagem (não interessa a causa ou o seu enquadramento) ficar para trás ou mesmo deixar a escola.
Fruto desta visão, ainda muito arreigada a lógicas oriundas do Estado Novo e consolidadas com a democracia de Abril, o trabalho ali desenvolvido era, por assim dizer, natural. Uns ensinavam e quem queria – por interesse, motivação, contexto social, económico e familiar – aprendia e, senão aprendia, a responsabilidade era do aluno, uma vez que o ensino era igual para todos.
Ora é este mecanismo de regulação social que agora sente a passagem de uma escola analógica para uma escola digital que se manifesta como raiz primeira do mau estar educativo nacional, na contestação à política educativa.
Não discuto as medidas de política (algumas, desculpem-me lá qualquer coisinha, perfeitamente compreensíveis no confrontar do modelo de escola que descrevi sumariamente). Discuto o facto de não se ter acautelado a criação de pontes entre a escola analógica e a escola digital, entre a consideração da escola enquanto elemento fundamental de regulação social e a gestão educativa por objectivos. O que contesto é a passagem curta, grossa e algo despropositada de uma escola das competências pessoais e profissionais para a escola neoliberal dos objectivos, dos resultados, dos produtos sem se terem criados mecanismos de transição – formação, tempo, por exemplo.
A substituição de lógicas de regulação tem e deve ser acautelada. E não foi. Nem na 5º de Outubro, em Lisboa, nem na Rua Ferragial do Poço Novo, em Évora, com as consequências por demais conhecidas. E é pena.

terça-feira, fevereiro 26

do claro

o sítio da DGRHE é elucidativo da confusão e das dúvidas que se colocam, mesmo aos produtores, da legislação que por aí paira, plana, vigora...
para aqueles que viveram o início da política educativa dos anos 90, pelo menos pelas bandas deste Alentejo, faz-me lembrar os tempos em que uma circular de esclarecimento valia mais e tinha mais peso que uma qualquer lei - para já não falar em decretos, portarias ou o que fosse;
os tempos não se repetem, mas que se mimetizam...

da alternativa

no meio da confusão que está instalada na escola e à sua volta, ainda não consegui descortinar alternativas - à avaliação de desempenho, ao regime de autonomia, ao estatuto do aluno, à educação especial;
para além dos modos como que está a ser feito e implementadas as medidas de política (com os quais discordo inteiramente) gostava de perceber quais as alternativas colocadas pelos partidos da oposição, alguns que já passaram pela 5 de Outubro;
como é que o PSD e o seu nóvel líder (ou mesmo o seu líder parlamentar) se posicionam, o que contrapõem - ou será que, à semelhança do descontentamento da administração pública vão também atrás constituindo-se como uma corrente sindical e não político-partidária?;
e depois das comemorações e discursos educativos do 5 de Outubro, o senhor presidente ficou sem opiniões e outras retóricas?

do comentário

o que mais apreciei nos comentários aos contras da entrevista foi o seu carácter on-line, imediato;
não há tempo para deglutir a mensagem, para assentar o pó;
é imediato, rápido, instantâneo; de quem escreve é assim, de quem lê também será?;
descaímos para o imediatismo virtual, para o comentário do comentador, para a análise ao lance;
a realidade confunde-se com um apontamento desportivo, daqueles que, depois de vermos o lance, se tecem comentários, se analisam posturas e intervenientes;
hoje, depois de algum pó assentar, voltamos ao mesmo;
dividimo-nos como se do clube se tratasse, são mais as paixões que a razoabilidade das perspectivas;