terça-feira, dezembro 7

conversas

no final da manhã, num buraco do meu horário, troquei ideias com uma colega sobre culturas e climas de escola, a propósito de um trabalho que desenvolve no seu curso de mestrado.
Pela hora de almoço, entre o despachar ideias e actualizar registos, troquei conversa com uma colega sobre as metodologias e estratégias que adopto (pedagogia diferenciada, ao nível de objectivos e processos).
Entre uma e outra das conversas um elemento comum me suscitou a escrita, me despertou outras ideias, a de que a escola está preparada, na generalidade dos casos, para dar aulas e muito pouco mais. Que os professores sentem necessidade de mudar, de mudar práticas, de equacionar modelos, de pensar estratégias, de redefinir a sua prática lectiva e profissional mas que, volto a sublinhar que na generalidade dos casos, as escolas não estão preparadas para dar este tipo de resposta, ir ao encontro de anseios ou de outras necessidades do professor que possam ir para além do normal dar aulas.
Sei que existem outros (bons) exemplos mas nas escolas por onde tenho andado não há uma sala de trabalho para que os professores possam organizar acções, actividades, preparar aulas, trocar ideias sobre práticas ou experiências, falar fora do rebuliço da sala de professores ou fora de uma ordem de trabalhos de conselho de turma.
Na generalidade dos casos as bibliotecas estão atravancadas de gente, de barulho, de aulas, que os centros de recursos são espaços de aula. E pronto, não há mais, não há alternativas. E estas não têm de ser definidas exteriormente à escola, têm e devem de passar por opções da gestão, exigências dos professores, projectos de necessidades.
Há coisas que seria tão fácil mudar.

1 comentário:

José Gustavo Teixeira disse...

Concordo inteiramente consigo e partilho da sua incomodidade. É isso que eu sinto, uma grande incomodidade com o facto da escola não ter sido pensada fisicamente para apoiar os professores em trabalho de equipa. Não há espaços porque se considera que o trabalho do professor é solitário, em casa, entre os seus livros e manuais. A esse modelo de escola corresponde, obviamente, o professor que sai da escola ao toque de saída da aula. Como se fosse a sirene da fábrica.

Foi nesse sentido, com alguma ironia, que há meses defendi aqui que a "sala de professores" deveria ser substituída por gabinetes de trabalho, espaços de equipas, grupos ou departamentos. Claro que a tipologia das nossas escolas não ajuda muito, mas o motivo porque não se arriscam outras soluções no quadro dos constrangimentos arquitectónicos actuais, prende-se talvez mais com a falta de imaginação e de ousadia da gestão, com a força da rotina e com uma certa concepção do trabalho do professor que não mudou ainda... quando à volta tudo muda vertiginosamente.

Já estive em escolas em que, miraculosamente, pelos menos alguns dos departamentos, tinham gabinetes de trabalho. Havia gabinete e espaço, silêncio, condições - não havia o hábito de o utilizar de forma regular. Portanto era utilizado como espaço de reuniões mais ou menos episódicas.

Felizmente eu não me posso queixar, e este comentário não é uma queixa em nome pessoal. Na última década sempre tenho tido na minha escola aquilo a que se pode chamar um "gabinete de trabalho". Mas isso resulta de um forte investimento pessoal em criar, recriar e utilizar intensivamente espaços que utilizo diariamente com alunos e outros colegas, para as mais diversas actividades.

A minha opinião é que há muitas formas de rentabilizar os espaços de uma escola concebida como as nossas. O que falta frequentemente é capacidade para mudar. Uma sala de trabalho, devidamente equipada com materiais, com mesas e cadeiras que permitissem reuniões de equipas, grupos ou departamentos, pensada exclusivamente para o trabalho e não para o convívio, como acontece com a sala de professores, seria um bom princípio.